Seguidores

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

BRUNA VIOLA DIZ QUE NÃO PENSA EM NAMORAR NEM QUER SER MÃE

Flávia Nunes

"Sou uma flor desabrochando, estou aprendendo agora", canta Bruna Viola. Apelidada de Flor Mato-Grossense pelos fãs, a sertaneja de 23 anos mostra em seu primeiro ensaio de moda que toda sua beleza já brotou. Com 1,71m de altura, a cantora com pinta de modelo é dona de um sorriso largo e de uma simplicidade encantadora. Ao ver o resultado de sua maquiagem para as fotos desta produção, em que veste looks em camurça e suede, a violeira exclamou: “Chique! Ficou lindo demais. É a minha cara, sou simples”.
— Não sou muito ligada em moda. Gosto de usar vestidinho com tênis e, às vezes, coloco um salto para ir a uma balada — conta a loura, que tem uma coleção de botas: — Mas, na verdade, meu dia a dia é calça jeans e camiseta. Amo botas de couros diferentes, devo ter uns 50 pares.
Blusa camurça DTA (R$ 343), cropped couro Florinda (R$ x), calça jeans Aquamar (R$ 79,90),
Blusa camurça DTA (R$ 343), cropped couro Florinda (R$ x), calça jeans Aquamar (R$ 79,90), Foto: Márcio Alves / NX
Criada cercada de animais na fazenda do bisavô em Cuiabá, a loura viu sua paixão pela viola tomar corpo desde o berço:
— Meu bisavô era apaixonado pela música de raiz. Ele sempre ouvia um radinho velho, que tocava Tião Carreiro e as duplas antigas — recorda-se: — Quando pequenininha, eu já era sertanejona. É de nascença! Mas minha irmã teve a mesma criação e é urbana.
Para homenagear o ídolo, Tião Carreiro, ela o eternizou no braço esquerdo. A tatuagem foi feita no dia 15 de outubro de 2013, quando o cantor completou 20 anos de morte. Com 12 de carreira, Bruna tem três CDs e vai lançar seu primeiro DVD ainda este ano. Com o pé na estrada a maior parte do tempo, ela mora atualmente em Campinas e compensa a saudade da família com a realização profissional.
— Sempre que tenho uma folguinha, visito a fazenda, meus bichos... O voo é rapidão para Cuiabá. A vida na estrada exige essa correria, né? Estou feliz — afirma a violeira, que, aos 18 anos, entrou para a faculdade, onde cursou alguns períodos de Medicina Veterinária: — Tive que trancar porque não dava mais para conciliar. A vida na música é puxada.
A moda “Moradia”, música composta pelo ídolo sertenejo, já foi regravada pela bela em em todos os seus trabalhos. Bruna aproveita para dar uma palinha desse sucesso para os leitores do EXTRA:
00:00/01:02
No tempo livre, a sertaneja gosta de praticar futsal e esportes a cavalo. Para manter a boa forma, investe em treinos na academia e em dieta.
— É muito difícil manter o regime nos shows. Só como o que eu gosto mesmo nos fins de semana — lamenta a cantora, de 65 kg, que é fã de um chá parecido com chimarrão: — O que eu mais bebo é tereré, já que não curto refrigerante. Diurético, ele ajuda à beça a emagrecer.
USO PERMITIDO SOMENTE PARA MATÉRIA DE MODA. EXT NX - Rio, 15/03/2016, Moda Canal / Bruna Viola - Moda com a cantora Bruna Viola no Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
USO PERMITIDO SOMENTE PARA MATÉRIA DE MODA. EXT NX - Rio, 15/03/2016, Moda Canal / Bruna Viola - Moda com a cantora Bruna Viola no Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. Foto: Márcio Alves / Agência O Globo Foto: Márcio Alves / NX
Sem tempo para namorar, Bruna afirma que não quer começar um relacionamento agora. E avisa que não pretende ser mãe.
— Estou tranquilona. Gosto de “festar”, sair com as minhas amigas. Não quero me amarrar. E, mesmo se eu quisesse, não conseguiria por conta do ritmo de trabalho. Também não penso em ter filhos. Se um dia eu tiver vontade, compro um bicho — declara.
Se não sonha com um pretendente e uma futura família, a sertaneja anseia pelo dia em que vai conhecer Ivete Sangalo, sua inspiração na vida artística. As duas cantoras são da mesma gravadora, mas o tão cobiçado encontro com a diva do axé ainda não aconteceu.
— Ela é o exemplo de tudo que há de bom, tanto como pessoa quanto como profissional. Espero realizar o sonho de conhecê-la logo!
USO PERMITIDO SOMENTE PARA MATÉRIA DE MODA. Uso permitido somente para o assunto Moda. EXT NX - Rio, 15/03/2016, Moda Canal / Bruna Viola - Moda com a cantora Bruna Viola no Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
USO PERMITIDO SOMENTE PARA MATÉRIA DE MODA. Uso permitido somente para o assunto Moda. EXT NX - Rio, 15/03/2016, Moda Canal / Bruna Viola - Moda com a cantora Bruna Viola no Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. Foto: Márcio Alves / Agência O Globo Foto: Márcio Alves / NX
Créditos:
Fotos: Márcio Alves
Beleza: Duh Nunes
Produção de moda: Rosane Amora
Assistente de produção: Caio Nietzche
Agradecimento: Museu do Açude
Buna usou:
Aquamar (aquamar-rio.com.br)
DTA (loja.dtajeans.com.br)
Feranda (ferandaonline.com.br)
Florinda (vivaflorinda.com.br)
Josefina Rosa Cor (josefinarosacor.com)
Metally (metally.com.br)
MR Fashion (2543-6103)
Renata Coelho (renatacoelhojoias.com.br)
Spezzato (spezzato.com.br)
Vanessa Lana (vanessalana.com.br)
Via Curtume (useviacurtume.com.br)
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"NÃO HOUVE TRAIÇÃO EM ANGICO"

Por Jorge Remígio

Na morte de Lampião não houve traição, esse é o meu entendimento. Pedro de Cândido não traiu e muito menos Joca Bernardo, pois esse não era coiteiro do rei dos bandoleiros e nem ao menos o conhecia. Era sim, coiteiro de Corisco. Agora, o Joca foi quem deu toda a pista. Aliás, essa pista foi deixada por Pedro de Cândido ao comprar todo estoque de queijos do Joca. Esse tinha lá as suas ciumeiras por saber que o Pedro era coiteiro de Lampião, então, comunicou esse fato para o Sargento Aniceto, já que o Tenente João Bezerra não se encontrava em Piranhas e sim, na cidade da Pedra, hoje Delmiro Gouveia. 

Quando o comando tomou conhecimento dessa informação "quente", armou toda estratégia para chegar até Lampião e seu bando. Pedro de Cândido seria a chave. Havia grandes probabilidades desse saber o local do coito. "O queijo foi o vilão". Quando o Tenente João Bezerra mandou alguns soldados trazerem Pedro de Cândido que residia no distrito de Entremontes, esse alegou que não podia sair da sua residência naquele momento, alegando que a esposa estava enferma. 
Pedro de Cândido

Os soldados não fizeram nenhuma pressão para levá-lo e ao comunicarem ao Tenente João Bezerra o que dissera Pedro de Cândido, o comandante ficou furioso e falou para os mesmo soldados retornarem e trazer de toda maneira o Pedro, senão eles morreriam. Vale salientar, que havia sigilo na operação é só os comandantes tinham conhecimento do objetivo. Os soldados​ trouxeram Pedro até o comandante da operação e este ainda tentou argumentar que não tinha conhecimento do local onde os cangaceiros estavam acoitados. Não houve uma seção de tortura. 

O Tenente João Bezerra botou o seu punhal entre as costelas de Pedro de Cândido e levantou a ponta da arma branca causando um corte raso no tórax do coiteiro. Falaram para esse que tinham conhecimento que Pedro sabia do local do coito e que esse escolhesse em dizer ou morrer. Pedro de Cândido confessou logo. 

Não houve surra nem unhas arrancadas, isso tudo é fantasia. Como se diz na gíria policial, Pedro de Cândido estava "derrubado". Ou seja, não tinha argumentos para negar. A informação que a polícia tinha era crucial para ele. Então, não houve traição. Se ele persistisse negando, poderia pagar com a própria vida. Essa foto dele postada na matéria, fazia só três dias do ocorrido em Angico. Não está com cara de ter perdido as unhas arrancadas por alicate.

Jorge Remígio, João de Sousa Lima, Manoel Severo e Urbano Silva

Sei que esse episódio que culminou na morte de Lampião e mais dez integrantes do bando, vai sempre existir a discordância e isso para discussão é bastante salutar. A ciência social não é exata, e a história faz parte dessa ciência. O que podemos fazer para embasar e defender nossos pontos de vista, é justamente nos cercar de argumentos convincentes, de probabilidades e possibilidades. 

Veja o meu ponto de vista: Quando se trai, trai a confiança. Nesse caso, tem que existir a relação entre pessoas. Pode se trair uma causa, uma bandeira, um país, como também um casamento. Bem, quando se trai, é a quebra de um acordo, de um compromisso, mesmo que esse não seja formal. Um prisioneiro de uma causa política que entrega companheiros de causa sob tortura, no meu entendimento não está traindo. Entendo que não foi um ato deliberado. A traição é um ato espontâneo. Como diz o poeta "na tortura toda carne se trai". 

Bem, voltando para o nosso foco, o Pedro de Cândido não indicou o local do coito espontaneamente. Ele tinha que escolher entre viver ou morrer, ele não passou por uma seção de tortura. Mas, estava evidente que a pressão iria aumentar, uma vez que a polícia tinha plena certeza que o coiteiro tinha conhecimento do local onde o bando estava acampado. Então, após os primeiros atos violentos, esse preferiu não arriscar a vida. Onde se enquadra a traição? Se ele tivesse procurado a polícia e indicado espontaneamente o local, claro que se configuraria uma traição. 

O Joca Bernardo por não ser coiteiro de Lampião e nem conhecê-lo, também não traiu. Pois não existia nenhum compromisso entre os dois. Já sobre o possível envenenamento, é uma das teses mais fáceis de ser rechaçada. Ela já foi debatida, provada a sua impossibilidade, visto que estavam no coito em torno de trinta e sete cangaceiros e os mais de vinte que escaparam não tiveram nenhum sintoma da reação de veneno no organismo. Toda pessoa que ingeri veneno, seja ele arsênio, estricnina, ou outro qualquer, tem reações horríveis. O primeiro é o vômito, contorção, dores na barriga... Não foi evidenciado nenhum desses sintomas em nenhum cangaceiro. Lampião levantou-se, saiu de sua tenda, Maria também, um foi pegar água outro o leite, ou seja, tudo na normalidade cotidiana. Agora, essa tese foi levantada e encampada por muitos. Inclusive pelos nazarenos. Mas para mim, como já falei, não tem consistência nenhuma. É um ponto de vista

Jorge Remígio, pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaço, João Pessoa PB


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

BRIGAS ENTRE FAMÍLIAS NO BRASIL COLÔNIA DURAM ATÉ HOJE

Por Moacir Assunção
Moacir Assunção

Largo da Matriz, São Paulo de Piratininga. Naquela manhã de fins de agosto de 1640, gritos e impropérios trocados entre dois homens poderosos, Pedro Taques e Fernando de Camargo, o Tigre, tomam o centro da vila, transformada rapidamente em um campo de batalha. Parentes, agregados e índios - escravos das famílias Pires, à qual Taques era ligado, e Camargo - juntam-se à contenda e enfrentam-se armados de espadas, lanças e adagas. A pancadaria invade becos e largos vizinhos num torvelinho de sangue. "De repente era Romeu e Julieta, Ato I, Cena I", afirma Roberto Pompeu de Toledo em A Capital da Solidão - Uma História de São Paulo das Origens a 1900.

Há vários mortos e feridos, mas os brigões originais escapam ilesos. Ambos representam os mais importantes clãs da região, chefes políticos e militares, donos de enormes fazendas de trigo na serra da Cantareira. A rivalidade na disputa pelo comando da Câmara era a razão primeira do conflito. Um ano depois, distraído, conversando com um amigo ao lado da mesma igreja, Taques foi morto pelo Tigre com um golpe de adaga nas costas.

A contenda entre os Pires e os Camargos se arrastaria por duas décadas. E é só a primeira de sucessivas lutas sangrentas entre famílias na história do Brasil. Principalmente no período colonial, por causa da distância da metrópole portuguesa e da influência limitada de seus representantes, em muitos casos cabia aos "sobrenomes" aplicar alguma forma de justiça. Segundo o sociólogo Luiz da Costa Pinto, autor de Lutas de Famílias no Brasil, a coroa tinha sérias dificuldades para impor sua vontade no vasto território brasileiro. Especialmente no sertão, a vingança privada se sobrepunha com sobras à atuação da administração colonial, concentrada nas capitais e cidades litorâneas.

Havia uma hipertrofia de clãs ligados por laços de sangue. Os mais poderosos montavam verdadeiros exércitos particulares de escravos negros e índios, muito bem equipados e armados, para fazer valer seus interesses uns sobre os outros.


Perto de 1650, outro episódio levou a rixa entre os Pires e os Camargos ao ápice. (Dizem que o ódio dos últimos era tanto que nas suas casas os adereços de louça usados sob as xícaras de café foram abolidos). No início das festas de entrudo (o avô do Carnaval), o jovem Alberto Pires brincava com sua mulher, Leonor de Camargo Cabral, quando, sem querer, matou-a com uma pancada na testa. Para encobrir o crime, convidou o cunhado, Antônio Pedroso de Barros, bandeirante casado com sua irmã, para visitá-lo e partilhar a diversão. Quando apontou na entrada da fazenda, Antônio foi morto numa tocaia, a disparos de bacamarte, e seu corpo arrastado para o lugar onde estava o de Leonor. Alberto, então, chamou os familiares e mostrou os dois cadáveres, dizendo que os flagrou em adultério e matou para limpar a honra. Os Pires até aplaudiram o feito. O assassino era filho de Inês Monteiro de Alvarenga, a Matrona, e Leonor, sobrinha do Tigre. Os Camargos, irredutíveis e dispostos a vingar a morta, sitiaram a fazenda de Inês em Juqueri, aliados aos Barros. Queriam sangrar Alberto "ou pelos fios do ferro das espadas ou pelas bocas das espingardas", no relato do cronista do século 18 Pedro Taques de Almeida Pais Leme, descendente do homônimo citado alguns parágrafos antes.

A viúva Matrona apareceu na porta empunhando um enorme crucifixo de ferro e pediu, em lágrimas, que seu filho fosse poupado. Os membros do cerco acabaram aquiescendo e somente prenderam Alberto para que o Tribunal da Relação, em Salvador, o julgasse. Acompanhado por alguns inimigos, o assassino foi levado a Santos, de onde partiria de barco para a Bahia. Nesse ínterim, sua mãe, a cavalo, juntamente com a milícia particular, se preparava para, quem sabe, resgatá-lo em Parati, onde a barcaça pararia antes de seguir viagem. Ao ter notícia da chegada da mulher, os Camargos enforcaram o assassino e o jogaram ao mar.

A partir daí, era a guerra. A capitania de São Paulo dividiu-se em duas tal o poder dos rivais. Só em 1660 o representante d’el Rei, o ouvidor Pedro de Mustre Portugal, conseguiu fazer os líderes Fernão Dias Pais, o caçador de esmeraldas, e José Ortiz de Camargo assinarem um acordo efetivo de paz. Nele estava expresso que os clãs, esgotados pela batalha, repartiriam igualmente os cargos na Câmara e o controle da vila. Um grupo de Camargos já havia se deslocado para a vizinha Santana de Parnaíba e para Taubaté na tentativa de se afastar da polêmica.


As guerras de famílias, marcas distintivas de sociedades rurais, são tão velhas quanto a Humanidade. No sul brasileiro, os estudiosos deram às disputas o nome de vendeta, numa referência aos episódios da tradição europeia, ocorridos principalmente na Itália, Córsega e Espanha. No Nordeste, chamam-se questão ou guerras de parentelas e se faziam em brigas por terras, aguadas (cursos de água), poder político ou em razão de desfeitas de um líder a outro. "Nessas regiões, o Estado não estava presente. São áreas distantes, de difícil acesso. O poder estatal (colonial, imperial ou republicano) só aparece em momentos de crise. O poder central e suas instituições são vistos como algo externo àquelas comunidades", afirma o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).

No século 18, entre muitas ocorrências, estranharam-se Montes e Feitosas, do sertão dos Inhamuns, no Ceará. O líder dos primeiros era o capitão-mor Geraldo de Monte Silva, de Penedo (AL), que arrebanhou, a troco de presentes, um grande número de tribos a seu serviço. Entre os adversários, o pernambucano Lourenço Alves Feitosa dava as ordens. Ligados por laços de casamento, os clãs logo se desentenderam numa disputa de terras e "por razões de negócio de honra de família", escreveu o sociólogo Costa Pinto. Francisco Feitosa firmou aliança, então, com os índios jucás. Os índios inhamuns, por sua vez, integravam a vasta clientela dos Montes e, ao lado deles, lutaram com grande valentia.

A disputa perdurou por quase todo o século. De tão renhida, mudou até o nome de acidentes geográficos da região. Um atentado contra o ouvidor José Mendes Machado, que deu a vitória final na Justiça aos Feitosas, fez com que o lugar do ocorrido ficasse conhecido como Emboscada - até hoje. Não foi o único. Também há registros de paragens com os curiosos nomes de Riacho de Sangue, Riacho do Juiz (onde foi atacado pelos Montes outro magistrado tido como parcial aos Feitosas) e o sítio das Tropas, entre outros. Em uma das batalhas mais violentas, na fazenda das Cabaças, no Piauí, nove integrantes da família Monte foram mortos de uma só vez.
Pernambuco é, talvez, o estado onde mais houve lutas de famílias. E a mais famosa só terminou recentemente, em 1981, e opôs os Alencares aos Sampaios e Saraivas, em Exu, na fronteira entre o Ceará e o Piauí. Iniciada em 1949, quando José Aires de Alencar, o Zito, matou Romão Sampaio Filho, o coronel Romãozinho, depois de uma discussão banal, a contenda entre os ricos grupos levou a 33 mortes de ambos os lados. Houve vítimas no Recife e no Rio de Janeiro, numa demonstração de que a rixa não tinha fronteiras. A pedido do rei do baião Luiz Gonzaga, parente distante dos Alencares, o então vice-presidente da República, Aureliano Chaves, acionou o governador, Marco Maciel, que mandou desarmar os representantes de cada lado uma semana depois do apelo.

Em Recife, ainda sem saber de nada, Gonzagão foi desaconselhado por um amigo a viajar para Exu: "Não vai não, que os caras lá tão querendo te capar". As tropas estaduais haviam acabado de invadir as fazendas para recolher armas. O sanfoneiro deplorou a guerra na música Rio Brígida. Antes da intervenção estadual, um acordo entre as famílias, patrocinado pelo arcebispo primaz do Brasil, dom Avelar Brandão Vilela, havia suspendido as hostilidades só por dois meses. Outra tentativa, feita pelo Exército, também tinha fracassado. Em 1990, o prefeito José Peixoto de Alencar foi o primeiro a terminar o mandato na cidade sem registro de mortes.


Cerca de um século antes, desde 1894 até 1923, enfrentaram-se os Pereiras e os Carvalhos na terra natal de Lampião, Serra Talhada. Os primeiros descendiam de Andrelino Pereira, o barão de Pajeú, enquanto os demais eram prósperos comerciantes e fazendeiros. "Em geral, as lutas terminam pela exaustão econômica de um dos contendores ou por mudança no zoneamento. Na guerra entre os Pereiras e os Carvalhos, por exemplo, os Pereiras acabaram se fixando no campo, enquanto os Carvalhos se tornaram mais urbanos e mercantis, passando a viver na cidade", diz o historiador Frederico Pernambucano de Mello, autor de Guerreiros do Sol, que trata do banditismo nordestino.

Entrevistado pelo pesquisador Leonardo Mota na Penitenciária de Fortaleza, um Pereira, preso acusado de matar um dos desafetos, resumiu assim a situação: "Só possuo uma vida e essa é livre. Sou homem de honra e acostumado a falar de cabeça erguida. Essa primeira humilhação que estou sofrendo não me enfraquece e não há governo que dê jeito na minha luta com os Carvalhos. Isso é uma questão de sangue! Só quando Deus acabar com o último Pereira é que Carvalho deixa de ter inimigo nesse mundo. O senhor quer saber de uma coisa? Lá no meu Pajeú, quando um menino da família Pereira começa a crescer, vai logo dizendo: tomara já ficar homem para dar cabo de um Carvalho. A mesma coisa dizem os meninos deles". E nem parentes em comum eram capazes de interromper esse ciclo vicioso. O que, aliás, se repetia nas contendas de muitas outras famílias.

Iniciada em 1913, a guerra entre os Novaes e os Ferraz, em Floresta do Navio, também levou a várias mortes. Em 2000, o assassinato do soldado da Polícia Militar Carlinhos Novaes (em represália à execução do prefeito Oscar Ferraz Filho) parece ter sido o último lance do conflito. Para Mello, o caso diverge um pouco dos anteriores porque é mais uma disputa política que de sangue. Até hoje, na Igreja do Rosário de Floresta, Ferraz se sentam à direita e Novaes à esquerda. Mas, como prova de pacificação, a atual prefeita chama-se Rosângela Maniçoba Novaes Ferraz. "Faço questão de dizer que sou Rorró Maniçoba. Essa briga entre as famílias é de um pequeno grupo. Não faço parte dessa rixa", afirma a primeira mulher a comandar a cidade, no sertão do rio São Francisco.
Também duelaram em Pernambuco Morais e Cabrais, em Garanhuns, e Honoratos e Barros, no sul do estado. Omenas e Calheiros lutaram em Alagoas, assim como os Fortes Nunes e os Maltas. No Ceará, além dos Montes e Feitosas, combateram Mourões contra Moquecas e os Geraldos e os Leites. Brilhantes e Limões e Viriatos e Morais brigaram no Rio Grande do Norte, Cavalcanti Aires e Nóbregas combateram na Paraíba e os Maias estranharam-se com os Suassunas no eixo CE, RN e PB. No Sudeste, em Patos de Minas (MG), há registros de embates sangrentos entre Barcelos e Quintinos.

Há uma relação das lutas entre famílias com a milenar Lei do Talião, o "olho por olho, dente por dente"? O historiador Frederico Mello explica: "A guerra entre clãs é mais primitiva ainda, até porque a desproporção entre a ofensa e a vingança é muito grande. Em pouquíssimas ocasiões, o dano causado ao inimigo não superou a perda inicial".


Alguns dos principais personagens da historiografia sertaneja estiveram, de uma forma ou outra, envolvidos em lutas de famílias. Virgulino Ferreira da Silva apoiou os Pereiras em sua luta contra os Carvalhos em Serra Talhada. A própria trajetória de Lampião no cangaço se iniciou após uma questão entre sua família, Ferreira, com os vizinhos Barros, mais conhecidos como Saturninos e aliados dos Carvalhos. Já os Ferreiras tinham parentesco com os Pereiras. Também o cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante se iniciou no banditismo após matar Honorato Limão. A vítima era líder de uma família rival, em guerra contra os Calados, clã do qual Jesuíno fazia parte. Antonio Silvino, antecessor de Lampião, cujo nome verdadeiro era Manuel Batista de Moraes, foi outro que estreou no cangaço por questões de parentela. Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, antes de se tornar líder messiânico, esteve indiretamente envolvido na luta entre os Maciéis e os Araújos em sua Quixeramobim natal. Os Araújos eram uma família poderosa da região que, súbito, viu seu poder ser contestado pelos rivais, gente pobre, mas valente.

O Gênesis, no Antigo Testamento, descreve a vingança radical de Simeão e Levi contra Sichem, filho de Menor, que deflorou Dinah, filha de Jacó. Os irmãos da moça trucidaram a família do infeliz. Confúcio, o sábio chinês, estabelece em suas prédicas: "Não vivas sob o mesmo céu com o assassino do teu pai; se o encontrares na feira ou na reunião, não percas tempo em voltar e buscar armas". A China foi um dos lugares onde mais prosperou a vingança privada. No Egito, diz Luiz de Aguiar Costa Pinto, havia um costume semelhante: "Não mates para que não te matem. O que matar será morto, e o que der ordem de morte morrerá também".

Nas regiões rurais da Espanha, Portugal e Itália, as contendas familiares eram comuns. A guerra entre os Médicis e os Sforzas, no Renascimento, ficou famosa. Na Albânia, sobrevive até hoje o Kanun, um código de honra não escrito, que determina aos familiares de um homem assassinado "lavar a honra" com o sangue do inimigo ou de seus parentes, num ciclo sem fim. O fenômeno é descrito por Ismail Kadaré no livro Abril Despedaçado. O Kanun, que existe há mais de 500 anos, foi declarado ilegal durante o governo do ditador comunista Enver Hoxha. Mas, após a sua morte, em 1985, a prática voltou com força no país. Desde 1991, o Comitê Nacional de Reconciliação trabalha para acabar com as rixas familiares. A ONG calcula que 9,5 mil pessoas foram mortas, nas últimas décadas, com base no código.

Moacir Assunção, pesquisador e escritor
Artigo postado em 08/03/2012
Ilustração: Elly Walton
Fonte:http://guiadoestudante.abril.com.br


Em Julho, o Cariri Cangaço vai aprofundar o entendimento sobre um desses conflitos emblemáticos em nosso Nordeste...
Sampaio, Saraiva e Alencar...EXU!
De 20 a 23 de Julho
Cariri Cangaço Exu 2017



http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CONHECEDORES DA NOSSA HISTÓRIA_01


Por Aderbal Nogueira

Ângelo Osmiro, fala sobre o polêmico relacionamento de Padre Cícero e Lampião.


Tema: O Polêmico Relacionamento de Padre Cícero e Lampião Depoimento: Ângelo Osmiro Barreto
Categoria




http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LANÇAMENTO DE FOLHETO DE CORDEL



Mateus poeta de Jaguaruana vai está lançando seu folheto de cordel " Chuva de bala no país de Mossoró que expulsou o Rei do Cangaço Virgulino Ferreira "Lampião" na próxima Reunião do grupo de estudo do Cangaço do Ceará, tem a frente como presidente, O escritor Historiador Ângelo Osmiro Barreto, evento será na terça feira 11 de Fevereiro as 19:00 horas , Local Av. Antônio Justa, 3300 em Fortaleza, Salientando que o poeta lançou o mesmo trabalho na feira do livro em Mossoró no dia 31 de Outubro de 2019 no Pantagen Shoppings.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

IVANILDO SILVEIRA E SÉRGIO DANTAS COMENTAM...


Racismo e violência no cangaço

Os pesquisadores Ivanildo Silveira e Sérgio Dantas abordam dois pontos polêmicos em mais um imperdível documentário de Aderbal Nogueira.



http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PEDRO JEREMIAS VEM AI ROMANCISTA DA PB RETRATA SAGA DE UM SUPOSTO CANGACEIRO DO BANDO DE LAMPIÃO

Por Severino Lopes (PB Agora)

Entre os séculos 19 e meados do 20, um tipo específico de banditismo se desenvolveu no sertão nordestino: o cangaço. Os cangaceiros saqueavam fazendas, povoados e cidades, impunemente e impondo sua própria lei à região em que atuavam. Um dos mais famosos cangaceiros do clamado ciclo do banditismo, foi Virgulino Ferreira, mais conhecido como Lampião. As últimas horas de Lampião, e o surgimento de um novo líder foi retratado pelo escritor paraibano Efigênio Moura na trilogia do cangaço “Pedro Jeremias”.

 

A saga começa no Sertão de Alagoas no ano de 1938. Naquele ano, o ciclo do banditismo estava em alta. Em meio a triunfos e embates, a saga de Lampião, o mais conhecido cangaceiro brasileiro, chega ao fim. Virgulino Ferreira da Silva e parte de seu bando morreram na Grota de Angicos, no sertão sergipano, depois que uma força volante descobriu onde eles estavam acampados. Naquele fatídico 28 de julho,segundo o romancista paraibano, Pedro Jeremias assistiu das margens do Rio São Francisco todo o massacre de longe, ao lado do temível Corisco, inclusive, o cortejo macabro realizado com as cabeças dos cangaceiros, que percorreram cidades e vilarejos, sendo expostas para visitação pública.

Esse é o enredo inicial de uma ficção que se apresenta em três livros e tendo Pedro Jeremias como  nome principal da trama.

Com a morte do líder, Pedro Jeremias, no comando de seu grupo resolve parar com aquela vida,  mas somente entrega suas armas a Padre Cicero  e passa a percorrer vários sertões tentando chegar no ‘Joaseiro do Cariri’. Pedro Jeremias é o personagem fictício da trilogia escrita pelo paraibano de Monteiro, Efigênio Moura, ambientado no cangaço pós Lampião.

Os livros publicados com o selo das edições Eita Gota e Leve  atingem um total de oito publicações do  escritor Efigênio Moura. A obra mistura ficção e realidade numa linguagem tipicamente da região e riqueza cultural inestimável. Pedro Jeremias teria chegado atrasado a uma reunião marcada por Lampião com os seus subchefes, José Sereno, Labareda e Corisco, e apenas ouvido os estopidos que dizimaram o bando.

Embora comece em 1938 na Fazenda Emendadas, Pão de Açúcar em Alagoas, a história ganha destaque no ano de 1935, na cidade de Bonito, na Zona da mata de Pernambuco, precisamente na Fazenda Serra Verde, quando o agricultor Paulo Rubem mata um policial, batizado pelos cangaceiros de“macaco”, e desperta os olhares de Lampião.

Paulo Rubem que ao entrar para o bando adota o nome de Pedro Jeremias, vive o auge do cangaço quando o bando de Virgulino Ferreira ainda espalhava medo e derrame de sangue nos sertões nordestinos. A população vivia aterrorizada. Os ataques de Lampião e seu bando eram sempre cruéis. Em meio ao clima seco e hostil da região, Lampião estava se preparando para mais um ataque, e .o alvo desta vez seria a cidade de Bonito (PE).

Só que a pedido de Pedro Jeremias, Lampião desiste de invadir a cidade. Mais um ataque sanguinário foi evitado. Aliás, evitar o ataque a Bonito foi a condição de Pedro Jeremias para se juntar ao bando e se arriscar nos combates com as “volantes”. Efigênio observa que a tentativa de Lampião de invadir Bonito foi fictícia, já que a região não era um terreno favorável para os cangaceiros, que só sabiam andar na caatinga.

Ambientado no ano de 38, ano da morte de Lampião, o livro percorre os sertões de Alagoas e Pernambuco e encerra-se em Alagoa de Baixo, atual Sertânia, região do Moxotó. “Pedro Jeremias” tem sangue, a coragem e as indumentárias de cangaceiro. Em sua trajetória, se tornou um dos cangaceiros mais fiéis a Virgulino Ferreira. O livro é uma cachoeira de datas, de momentos que marcaram a saga do cangaço na região no século passado. Fatos históricos enriquecem o enredo, como a criação do primeiro campo de concentração do mundo, em Fortaleza em 1915; a Quebra de Xangó em Maceió em 1912 entre outros eventos.

Para elaborar a história dá vida a seus personagens, o escritor realizou uma pesquisa de seis  anos sobre traços históricos e linguísticos da época. “A geografia e a oralidade do livro são de 1938.

O encontro entre Pedro e Lampião resulta no “cangaço refúgio”, no qual a pessoa entrava para o bando para não ser perseguida pelas autoridades. Um dos destaques da obra, é o romance inevitável entre Pedro Jeremias e Maria de Jesus. O romance se torna ainda mais complicado devido à perseguição iniciada por um parente do policial que o protagonista matou.

“Mesmo já tendo mulheres no bando, ele não quer levar Maria para salvaguardar a vida dela. Quando ele manda buscar ela, arruma uma maneira para trazer ela para junto dele e aí também é outra peleja que tem dentro do livro”, pontuou.

No primeiro livro, o Efigênio narra a formação do bando de Pedro Jeremias, a fuga das “volantes” com destaque para perseguição do capitão Miguel Eugênio, que também é um personagem fictício.

 

“O que temos de verdade nessa história, são os combates que aconteceram com Lampião e eu coloco os meus personagens naqueles combates. É verdade também a geografia e a oralidade da época” destacou.

A história de Pedro Jeremias ganhou vida e inspirou um curta-metragem, gravado em Cabaceiras, no Cariri da Paraíba. O filme dirigido pelos cineastas paulistas Antônio Fargoni e Tiago Neves, e .protagonizado pelo jornalista Hipólito Lucena, foi realizado em forma de literatura de cordel.

2º Livro – “Pedro Jeremias dentro dos Cariris Velhos”. A Saga continua. O segundo livro da trilogia, editado pela editora de Campina Grande, Leve Editora, foi ambientado em Monteiro de 38 e cercanias, terra natal do autor. Começa com o cerco da política na casa de Isabel Torquato na tentativa de prender Maria de Jesus. O bando inicialmente formado por 4 cangaceiros, foi refeito nesse novo livro, devido ao aumento do cerco policial.

Na fuga das volantes especialmente, a peleja com o capitão Miguel Eugênio, Pedro Jeremias percorre o Cariri, atravessa o Sertão da Paraíba. Entre a ficção e os romances históricos, parte da peleja acontece em, São Sebastião de Umbuzeiro, Prata, Ouro Velho, Amparo, Camalaú e São Thomé que hoje é Sumé. No segundo livro, lançado em 2019, o autor procurou explorar a religiosidade e as crendices da região como as histórias do “corpo fechado” entre outros elementos culturais do povo nordestino. Um dos destaques da obra, é crescimento da Polícia Militar da Paraíba entre os anos de 38 e 39 e as estratégias do coronel José Vasconcelos para sufocar o cangaço.

Traz citações a Guerra de Doze entre Augusto Santa Cruz e o governo da Paraíba, a fuga pelo Cariri paraibano e volantes no seu encalço não impedem de Pedro Jeremias de ter uma folga para ‘fechar o corpo’. É outra situação do livro: o misticismo, a religiosidade, as crenças, a fé inabalável e  os encantos. No segundo livro a força da mulher nordestina é explicitada através de personagens que viveram a rigidez do cangaço sem demonstrar inferioridade ou inteira submissão.
O segundo livro foi lançado em 2019, pela Editora Leve.

A história encerra com a perseguição das volantes em torno do bando e mais uma escapatória do cangaceiro.

3ª Livro – “Pedro Jeremias nos Cariris Novos”. A saga de Jeremias terá o fim no terceiro livro da trilogia que terá um caráter mais político. Efigênio aproveitou o enredo para mostrar como os coronéis usavam os cangaceiros em favor próprio, beneficiando-se da lei do bacamarte e do fuzil. O livro será lançado no primeiro semestre de 2020.

A história se passa entre Misericórdia, hoje Itaporanga, e Piancó, no Sertão da Paraíba. Naquela região, aconteceu o célebre ataque ao bando de Lampião. Nessa fase, a presença da Polícia Militar é mais forte, dentro dos combates com os cangaceiros, trazendo os resquícios de 1930 na Guerra de Princesa.

Nos embates de Pedro Jeremias com a polícia, o autor transporta o personagem principal para as terras do Ceará. Nesse novo solo, ele relata a vida dos beatos e romeiros e o sentimento de Juazeiro e dos Romeiros, pós morte de padre Cícero.

A ideia de Efigênio é contar no 3ª livro, o sentimento dos nordestinos pós Lampião que culminou com o fim do cangaço em 1940 com Corisco. O último livro fala de ambientes históricos como as guerras de Canudos e do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, relata o luto do dia da morte de padre Cicero, traz respingos da Guerra de 30 em Princesa Isabel, mostra como a política se utilizava do cangaço e a força da policia Militar da Paraíba no combate ao banditismo. Editado pelo Leve, o livro contará com quase 400 páginas.

O fim de Pedro Jeremias -que já escapou de duas emboscada, só se vai saber ao adquirir o livro.
O terceiro livro tem lançamento previsto para o primeiro semestre deste ano. Todas as capas da trilogia foram feitas pelo jornalista e cartunista Júlio Cesar Gomes.

Natural do Cariri paraibano, Efigênio Moura tem a verve do povo nordestino e se aproveita de sua terra para extrair a riqueza do lugar e dá vida a seus personagens. Em sua obra ele busca valorizar o regional e as coisas do Cariri paraibano, numa linguagem típica da região.

O escritor romancista é autor de oito livros, lançados a partir de 2009, e que têm como cenário a Paraíba, sendo esses “Eita Gota! Uma viagem paraibana”, “Ciço de Luzia”, “Santana do Congo”, “Caderneta de Fiado” que está esgotado, “Apurado de Contos” e Pedro Jeremias ( trilogia). O livro Ciço de Luzia teve tradução para o inglês publicado em 2019..


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CONSIDERAÇÕES SOBRE A BIBLIOGRAFIA DO CANGAÇO

Por Vilma Maciel


Todos nós sabemos que a literatura traz consigo um elo de ligação entre o conhecimento e a história. Desperta na alma do leitor sua sensibilidade e o gosto pela literatura.O fazer literário galga os labirintos da criatividade. Retrata através da fusão entre a realidade e ficção a vivência física, psicológica e social do homem no tempo e no espaço. No nosso empenho e interesse pela pesquisa, tanto de campo como bibliográfica encontramos muito divergência e polêmica sobre o tema. Daí a competição, um fator que chega a ser negativo neste campo literário. Não sou de acordo com este tipo de coisa. Discriminar os trabalhos dos colegas. Mas também sabemos que há um limite. O tema é por demais abrangente e requer competência e seriedade.

Ao leitor ou pesquisador cabe saber a importância de cada obra dentro do contexto: Seja ela documental, biográfica ou romanceada(Romance histórico), sem deixar também de lado a importância dos cordéis e outras fontes como filmes e artes.Todo esse universo cultural nos oferece uma contribuição imensurável. Os livros mais antigos, muitos foram romanceados (TEM SEU VALOR HISTÓRICO) e foram escritos por autores consagrados. Entre eles: Eduardo Barbosa, Érico de Almeida (1926) uma narrativa emblemática.


Ranulfo Prata (1934) LAMPIÃO- Outros fizeram apologia. Com o passar do tempo surgiram obras enfocando uma visão política, à esquerda. O enfoque principal, o contexto de injustiça social do sertão para justificar o cangaceirismo .Hoje sabemos que foram vários os fatores. Assim, tais teses não apresentavam um quadro completo de motivação e atuação do banditismo. Nesta ordem, temos os titulo: Rui Facó e Christina Matta Machado e muitas outros que se encaixam nessa ordem. Diversas obras surgiram com grande competência destacando: Guerreiros do Sol, Frederico Pernambucano de Mello, também vale lembrar do escritor americano - Billy Jaynes, Chandler em seu Lampião- Rei dos Cangaceiros e outros.

Essa temática, também despertou uma inspiração fértil para os pioneiros que escreveram muito antes de todos nós o tema cangaço, entre eles: Franklin Távora, Rodolfo o Teófilo, Ulysse de Albuquerque e outros. É importante dizer aqui que autores contemporâneos continuam reescrevendo a história especialmente por meio da análise de vasta documentação e novas descobertas através de coletas de dados, e das andanças. Seria impossível listar todos autores, porém vamos recordar de alguns nomes: Melquíades Pintos Paiva autor da Bibliografia Comentada do Cangaço-VI e VII. Através destes livros guias nos oferecem fundamental contribuição aos estudiosos, colecionadores da temática nordestina. Na minha coleção consta muito títulos escolhidos no livro do Dr. Melquíades.Seria impossível citar o roteiro fiel e abrangente de todos autores por isso, melhor consultar a obra dele. 


Encontramos entre outros na bibliografia comentada: Antônio Amaury Corrêia e Vera Ferreira. (VI) Hilário Luceti- Margerbio Lucena- Pulo Gastão- João de Sousa Lima, Luiz Bernardo Pericás, Aglaee de Lima de Oliveiras-(VI), Vilma Maciel ( VII) Ângelo Osmiro Barreto- Vera Lúcia Figueiredo- Alcino Costa, Sila, Archimedes Marques e muitas outros. João Bezerra (COMO DEI CABO DE LAMPIÃO- 1 EDIÇÃO) Napoleão Tavares Neves e muitos, muitos outros de excelentes autores. Procurem no guia citado: É salutar lembrar que quando se fala em bibliografia do cangaço temos o nosso amigo o Prof. Pereira que oferece com segurança a oportunidade para a aquisição de qualquer título desejado.

Pode-se dizer que apesar dessa vastidão do títulos sobre a temática nordestina, ainda há muito a aprender e novas interpretações surgirão. Portanto colegas respeitamos os autores consagrados e daremos sempre boas vindas aos novos talentos. 

Escritora Vilma Maciel
Juazeiro do Norte
23 de janeiro de 2015

http://cariricangaco.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com