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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CORONEL PEDRO ALVES DA LUZ QUANDO ESTE FOI ACUSADO DE SER PROTETOR DE LAMPIÃO

 Por Valdir José Nogueira de Moura

Em meados do mês de julho do ano de 1927, um indivíduo por nome Francisco Ramos, cuja alcunha “Mormaço”, depois de uma farra em um samba, no lugar Baixio dos Ramos, no município de Araripe (CE), feriu com um tiro um seu tio, sendo em seguida preso e conduzido à cadeia da cidade do Crato, onde prestou seu depoimento. O referido preso tratava-se de um dos mais célebres bandidos de Lampião, que havia há bem poucos dias abandonado o grupo do famoso cangaceiro, na sua triunfal excursão, quando este, deixando o Ceará, seguiu para Pernambuco.

 Francisco Ramos de Almeida 
vulgo "Mormaço"

O cangaceiro “Mormaço” fez a polícia do Crato, minuciosa descrição de sua vida, e de par com ela, trouxe abundantes elementos para a história do combate ao banditismo no Nordeste. O seu depoimento é impressionante. Porém, serão verdadeiras as informações do bandido? Ninguém mais pode assegurar. Em todo caso, o seu longo relato foi publicado em jornais da época. O “Jornal do Recife” publicou o curioso depoimento em duas edições seguidas.

A edição desse jornal de nº 211 de 13 de setembro 1927, publicou a primeira parte do depoimento, Clique aqui e confira sendo que em um dos trechos, o bandido desassombrado contou: “que o coronel Pedro da Luz, morador na fazenda Barrinha, município de Belém de Cabrobó, e próximo a Serra do Umã, cerca de uma légua, muito protege Lampião, fornecendo munição e ocultando o grupo na mesma serra, em lugar dele conhecido, desviando por todos os meios a pista do grupo; que o mesmo coronel recebe de Lampião dinheiro a título de gratificação pelos serviços prestados...”

 Coronel Pedro Alves da Luz

Diante dessa tremenda acusação, e em decorrência também de outros boatos maldosos contra o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, prefeito do Município de Belém de Cabrobó, [1922 a 1926,] que diziam ser o mesmo mais um protetor e coiteiro de Lampião, em 1928, o Conselho Municipal daquela cidade votou uma honrosa moção de solidariedade ao dito coronel e que foi publicada no jornal “A Província (PE)”, Ed. 128, do sábado, 2 de junho de 1928:

“Aos dezenove dias do mês de maio do ano de mil novecentos e vinte e oito, às 10 horas da manhã, no Paço do Conselho Municipal desta cidade de Belém de Cabrobó em sessão extraordinária, sob a presidência do tenente-coronel Jerônimo Pires de Carvalho, compareceram os cidadãos Inácio de Sá Araújo, Odilon Alves de Carvalho, Licínio Lustosa de Carvalho Pires e Aristides Alves de Carvalho Barros, conselheiros municipais, e sendo primeiro exposto o motivo da presente sessão que é apresentar ao Sr. Prefeito deste município o tenente-coronel Pedro Alves da Luz uma moção da mais inteira solidariedade erguendo assim o mais cabal protesto contra as infâmias e baixas calúnias que em torno do seu honrado nome se tem levantado ao foro de Vila Bela onde segundo consta, se lhe tem dado como coiteiro e protetor de Lampião, e por isto este Conselho não podendo e nem devendo absolutamente calar-se diante de tão torpe e revoltante injustiça feita ao Digno Chefe do Poder Executivo Municipal, apressa-se em vir por todos os seus membros, abaixo assinados, e satisfeitas as formalidades do estilo, dar o necessário e conveniente desmentido a tão aviltantes e injustas calúnias, obra sem dúvida de algum ou alguns mesquinhos desafetos do digno prefeito.

Para quem conhece de perto o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, não há necessidade de dizer quem ele o seja, pois as suas maneiras de fino trato e relevantes serviços prestados a sociedade em geral, o tem sempre desde muito, revelado como um dos cidadãos mais digno, respeitável e útil deste município que muito lhe deve; umas como em outras localidades onde não é ele ainda conhecido, pequenos e injustos desafetos se lhe tem feito caluniosas acusações, cumpre para melhor desmentido a tais acusações que se põem em relevo o seu proceder, relacionando em síntese ao menos uma pequena parte dos seus serviços que tão abnegadamente pelo bem geral tem prestado à causa pública, fazendo para isso referência dos mais recentes, afim de que as pessoas de bem possam julgar como merece, assim verificar que se trata de um cidadão prestimoso e não um coiteiro e protetor de bandidos, vem pois o Conselho Municipal pela voz de seus membros, apresentar a presente moção para assim repelir as baixas calúnias que lhe tem injustamente assacado, se sente também no dever sagrado de reunir a esta, embora em resumo alguns traços da vida de tão conspícuo cidadão.

O tenente-coronel Pedro Alves da Luz, desde sua mocidade prestou relevantes serviços não só de natureza material como moral, a sociedade, quer aqui quer em outros municípios onde anteriormente residiu, sendo porém suficiente relembrar dentre os méritos que tem prestado a este município como simples cidadão ou como homem público, em cujo caráter se acha atualmente investido, e nesta qualidade tem sido a sua administração uma das mais fecundas e prósperas conforme se ver dos diversos melhoramentos do município, o que não vem a caso enumerar. Quando há anos veio fixar sua residência neste município, vindo de Triunfo, onde exerceu com brilho o cargo de delegado de polícia, procurou a zona que mais se prestasse a agricultura e ai, conseguiu com um trabalho assíduo e inteligente converter as suas terras em fontes de riquezas para o Estado e o Município.

Dizer-se então que o tenente-coronel Pedro Alves da Luz protege a Lampião é uma calúnia, pois muito pelo contrário ele procurou auxiliar sempre a ação do governo contra o tão terrível grupo, como prova disto se deduz de muitos fatos, como por exemplo, do seguinte: Somente depois que Lampião aumentou o seu grupo foi que teve que entrar 3 vezes neste município, passando por duas vezes na Barrinha, residência do tenente-coronel Pedro Alves da Luz, isto porém ligeiramente, sendo que da primeira vez por ali passara no caráter de capitão de um “Batalhão Patriota do Ceará” e em tal caráter chegou a 3 léguas de distância desta cidade, de onde mandou passar telegrama.

E da segunda vez, tendo as suas ordens 89 bandidos, e então por isso o tenente-coronel Pedro Alves da Luz para não se expor às iras de tão temível facínora, uma vez que em coisa alguma se achava disposto a compactuar com ele, e por sua vez, não tendo elementos para reagir contra numeroso grupo, imediatamente retirou-se para esta cidade, de onde transportou-se para o povoado de Abaré do Estado da Bahia, só voltando a sua fazenda depois que passou o Estado de Pernambuco a ser governado pelo exmo. Sr. Dr. Estácio Coimbra, quando começou também mais ativa a perseguição ao banditismo.

E desde então o tenente-coronel Pedro Alves da Luz, decidiu-se com mais ânimo, a auxiliar neste sentido a ação do governo, e uma das provas disto, está nos meios que facilitou ao volante Domingos Nogueira, para com outras pessoas de Riacho Pequeno, dar combate a Lampião se este com seu grupo tentassem atacar aquele povoado como sucedeu, e de que então resultou a morte de dois bandidos devido a tática e coragem do mesmo Domingos Nogueira, que neste tempo ainda não estava incorporado como praça, e os recursos de que dispunha para a luta lhe era fornecido pelo mesmo tenente-coronel Pedro Alves da Luz.

Quando após a chacina de Favela em Floresta, Lampião fingindo-se subir para atravessar neste município, voltou na direção do norte passando em Conceição das Crioulas, e indo abater gados no Olho d’Água, no pé da Serra do Umã, município de Floresta.

Foi o tenente-coronel Pedro da Luz quem logo ao saber da sua estada naquele local, veio a auto avisar ao delegado de polícia, tendo além disso posto a disposição seu carro ao cabo Manoel Ribeiro para este ir ao encontro do cabo Manoel Neto, comunicar o paradeiro do mesmo Lampião, e como este, muitos outros fatos poderíamos citar.

Nada mais se precisa adiantar para a demonstração cabal da completa falta de fundamento de espíritos perversos ou irrefletidos, tem injustamente assacado contra a reconhecida reputação do prefeito deste município, tanto mais quanto a sua honra, está a cavalheiro, de qualquer infâmia de que se lhe atenta atirar.

E depois de ser lida e datada, conforme, foi por todos assinada. Para constar eu José Carvalho de Sá Roriz, secretário o escrevi.”

Da tradicional e numerosa família Carvalho, o tenente-coronel Pedro Alves da Luz foi nascido no município de São José do Belmonte, na fazenda Gameleira, sendo o primogênito do casal major Antônio Alves da Luz e dona Maria Francisca de Barros, esta irmã do Padre José Pires dos Santos Barros.

Grande fazendeiro, o tenente-coronel Pedro da Luz, além da fazenda Barrinha onde residia, localizada entre os municípios de Belém do São Francisco e Salgueiro, era proprietário de muitas terras na região, onde mantinha avultada quantidade de rebanhos de gado bovino e de corte.

Era um homem muito rico, de grande prestígio, bom caráter e muito respeitado, possuindo também uma infinidade de compadres e comadres, em virtude da quantidade de crianças de que foi padrinho em toda aquela região, tendo algumas, adotado o seu sobrenome “Luz” como homenagem. Ainda no tempo que residiu em Triunfo, chegou a exercer naquela cidade os cargos de delegado de polícia e literário.

Como político, exerceu os cargos de conselheiro municipal e prefeito de Belém de Cabrobó.
Foi casado com dona Afra Florisbela Pires Cantarelli. O casal não deixou filhos.

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SEU CARRITO E O OVO DA JUMENTA

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de outubro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.409

Já falei aqui sobre o personagem da minha terra, Carlos Gabriel, o Seu Carrito. Bodegueiro na Rua Antônio Tavares, muito prosperou no seu negócio com bodega bem sortida, bastante elegância e educação. Magro, aprumado, chapéu de massa, fala mansa e compassada, bigode sem exagero e muito querido ali naquelas redondezas. Gostava da fazer folclore em tempo de Semana Santa, quando promovia o pau-de-sebo e a casa-de-urtiga, no terreno baldio defronte a bodega onde hoje é a casa do, então, prefeito Paulo Ferreira. No salão do seu estabelecimento de esquina, sempre tinha pessoas palestrando. Carrito alimentava essas palestras, quando havia pausas entre as compras da sua clientela.

O comerciante gostava de contar histórias das administrações passadas, de Santana do Ipanema, dos bairros, da cidade... Era uma espécie de historiador local, para uma plateia, infelizmente, analfabeta em maioria. Foi através dessas palestras que escutei ali quando rapazinho, sem saber que no futuro estaria reproduzindo em livro os ensinamentos do querido bodegueiro. Posso exemplificar sobre o histórico da igrejinha de São Pedro, nossa vizinha da Rua e Bairro São Pedro. Caso soubesse do meu futuro como escritor e historiador da terra, teria obtido livro completo sobre nossa cidade, mas é proibido prever o dia de amanhã.

Nas imediações da bodega, já na rua de baixo, chamada Rua de Zé Quirino (construída por ele, o Quirino), morava uma cliente da bodega, fofoqueira de ofício. O que via, o que quase via, o que nada via, “espalhava aos quatro ventos”, como reza o ditado popular. Por isso ou por aquilo andou boatando coisas. Nunca procurei saber o quê. Carrito, não querendo ser direto e grosso com a cliente, aproveitou uma daquelas palestras em que a cuja estava presente e disse para todos com muita seriedade: “Tinha uma jumenta lá no sítio Sementeira (estação experimental do governo) que botava ovos semelhante às galinhas...”  Ninguém entendeu nada, nem indagou, inclusive eu que estava presente.

Só muito depois fui raciocinar e compreender que Seu Carrito dava uma lição na mulher presente, tiraria à prova da sua língua ferina quando ela espalhasse a conversa da jumenta da Sementeira.

Carrito, além de historiador, aplicava assim seus dotes da psicologia.

Obs. Somente depois das bodegas, vieram as mercearias, maiores e mais sortidas.

PAU DE SEBO. (FOTO: DIVULGAÇÃO/SEJAL)



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O FOGO DA PIÇARRA E A MORTE DE SABINO NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

 Por Manoel Severo

Hoje, os Grandes Encontros Cariri Cangaço nos traz mais um episódio marcante da historiografia do cangaço no Estado do Ceará. Um ou outro desavisado poderia imaginar que não houve presença forte do cangaço no Estado cearense, ledo engano, aqui por nossas bandas, mas especificamente na região do cariri, sul do Estado, tivemos a presença marcante do cangaço através de personagens emblemáticos notadamente dentro do ciclo de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Poderíamos citar o Coronel Santana da Serra do Mato, o Major Zé Inácio do Barro, o Coronel Isaias Arruda de Missão Velha dentre outros, sem falar num dos mais importantes ícones desse recorte do momento histórico que estudamos: seu Antônio Leite Teixeira, o conhecido “seu Toim da Piçarra”; personagem principal de nosso artigo de hoje com destaque para o famoso “Fogo da Piçarra” aonde viria a perder a vida o lugar-tenente do rei do cangaço, Sabino das Abóboras em 27 de março de 1928. Seu Antônio da Piçarra passou de anjo a demônio diante do rei vesgo de Vila Bela.

A Fazenda Piçarra localiza-se no município de Porteiras, extremo sul do estado do Ceará, a 570 km da capital Fortaleza. A Piçarra está encravada na região limítrofe entre os estados do Ceara, de Pernambuco e da Paraíba, portanto extraordinariamente bem localizada do ponto de vista estratégico, pois se configurava como ponto de passagem constante de mascates, almocreves, viajantes e... Grupos cangaceiros. Ali é o lar da família Leite Teixeira, berço de seu Antônio Leite Teixeira, o Antônio da Piçarra. Terra boa, propícia para a agricultura e pecuária, na Piçarra de seu Antônio havia um engenho de cana de açúcar, um grande rebanho de gado, tanto bovino como ovino, cavalos e burros para a lida diária, muita água, enfim, um paraíso sertanejo encravado entre os municípios cearenses de Porteiras, Brejo Santo e Jati. 

A Fazenda Piçarra também veio a ser palco de um dos episódios mais marcantes do cangaço de Lampião: O Fogo que seguiu com a morte do cangaceiro Sabino Gomes em março de 1928. Para contar a saga de Seu Toim da Piçarra e o enigmático cerco e morte de Sabino, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, recebe o pesquisador Wilton Santana Filho, neto que foi criado por Antônio da Piçarra e seu confidente ao longo de anos, tudo isso nesta sexta, dia 30 as 20 horas no canal do You Tube do Cariri Cangaço. 

Grandes Encontros Cariri Cangaço - O Fogo da Piçarra e a Morte de Sabino, nesta sexta-feira, dia 30 de outubro as 20 horas.

https://cariricangaco.blogspot.com/2020/10/o-fogo-da-picarra-e-morte-de-sabino-nos.html

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O HORROROSO RESGATE DA AMADA.

Por João Filho de Paula Pessoa

Em 1936 o sub-grupo do Cangaceiro Gato, foi atacado na Fazenda Picos/Al, pela volante do ten. João Bezerra, no combate Inacinha, companheira de Gato, que estava grávida de 08 meses, foi baleada nas nádegas, tendo a bala atravessado seu corpo, sem contudo atingir o bebê, Gato tentou carrega-la, mas devido o peso e a lesão não conseguiu, deixando-a para trás e fugindo para salvar sua vida. Logo após, Gato, o mais cruel e mortífero dos cangaceiros, que já tinha matado seu cunhado deixando sua irmã viúva e grávida, e mais sete pessoas de sua própria família e tentado cortar a língua de sua mãe, resolve resgatar sua amada, convidando Corisco e Moderno para um ataque à Cidade de Piranhas para tal fim, onde acreditava que Inacinha estava presa. No caminho Gato disseminou um rastro de horror, sofrimento e morte por onde passou, matou todos que encontrou à sua frente, pelo menos onze pessoas inocentes e ainda sequestrou um jovem de quinze anos na entrada da cidade a quem indagou se alí havia “macacos” (soldados), tendo o jovem respondido que não, pois tinha visto o Delegado e seus oito soldados fugirem da cidade ao perceberem a chegada dos cangaceiros, deixando os moradores desguarnecidos e a mercê da própria sorte, que sem alternativas se armaram e se entrincheiraram em suas casas para se defender. Ao entrarem na cidade, os cangaceiros foram recebidos à bala e acreditando que eram soldados, Gato achou que o rapaz tinha mentido e o sangrou na mesma hora na frente das súplicas de sua mãe, no entanto, logo após, o enlouquecido Gato levou um tiro certeiro na coluna, estraçalhando-a que o deixou moribundo, sendo carregado em agonia por seus companheiros na fuga, vindo a morrer dolorosamente três dias depois nas brenhas da caatinga. Inacinha não estava em Piranhas e sim em Olho D´água do Casado, chegando à Piranhas somente após o ataque, ficando pouco tempo presa em virtude do ferimento e da gravidez avançada, mas tempo suficiente para conhecer e se engraçar por um soldado chamado “pé na tábua” com quem se casou após a prisão, o filho de Gato nasceu e foi doado. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce) 10/12/2019.

Obs: Nossos Contos também são contados em vídeos no YouTube - Canal Contos do Cangaço.

Assista - https://www.youtube.com/channel/UCAAecwG7geznsIWODlDJBrA

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TANCREDO DE ALMEIDA NEVES E O DEPUTADO FEDERAL

 Por José Mendes Pereira

Dr. Tancredo de Almeida Neves

Quando o Dr. Tancredo de Almeida Neves foi eleito a Presidente da República Brasileira foi entrevistado pelo canal de Televisão "Globo", e na entrevista ele contou alguns fatos que ocorreram durante a sua vida política, e que esta entrevista eu a assisti (e vou dizer assim como reforço), além de assisti-la, eu também a ouvi. Lembrei-me de escrever um acontecimento durante a sua vida política e que foi contado por ele na entrevista.

Quando foi eleito pela primeira vez a governador do Estado de Minas Gerais e estava cuidando arrumar os seus secretários, que deveriam ocupar as suas funções em cada secretaria, encontrou-se com um deputado federal de suas amizades. E lá, conversaram muito sobre alguns  problemas do dia a dia. Já próximo de se despedirem o deputado federal (cujo nome do deputado ele não revelou), disse-lhe:     

- Doutor Tancredo de Almeida Neves, por onde eu passo nas ruas das cidades de todo Estado de Minas Gerais, e em outros lugares do Brasil, nas churrascarias, nos bares, nas reuniões que eu participo, as pessoas me perguntam se eu vou ser Secretário de Educação no seu governo.

O Dr. Tancredo de Almeida Neves sabendo que o deputado federal estava querendo que ele o convidasse  para assumir a Secretaria  de Educação de Minas Gerais, inteligente, manhoso e com um sorriso sarcástico, disse-lhe: 

- Você faz o seguinte: Quem lhe perguntar se eu  convidei você para ser Secretário de Educação de Minas Gerais diga-lhe que eu te convidei, mas você não aceitou o meu convite.

Tancredo Neves tirou o deputado de tempo.

"Esta história foi escrita por mim, mas lamento dizer ao leitor que  já a vi em outras páginas com nomes de outro sujeito sem o meu nome.     

O sujeito copiou e excluiu o meu nome". 

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

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Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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O FORRÓ DAS SETE SANGRIAS.

Por José Mendes Pereira

Em 1929, Lampião e seu bando, numa média de quinze cabras, invadiram a cidade de Queimadas na Bahia, saquearam a estação de Trem, quebraram o telégrafo, prenderam todo o contingente policial da cidade, num total de sete soldados, soltaram os presos, aprisionaram o juiz e o escrivão, sequestraram o sargento e o conduziram de casa em casa e de comércio em comércio coletando dinheiro dos moradores, depois foram ao quartel onde os soldados estavam presos e mandaram-lhes sair, um a um, e se ajoelharem paralelamente na calçada, lá foram atingidos por um tiro à queima roupa na nuca e sangrados à punhal. 

Após a chacina, já de noite, Lampião mandou organizar um forró na casa de um morador, um senhor mestre de obras, que diligentemente organizou o local e a música, mas faltava as mulheres. Lampião então mandou que fossem trazidas ao baile as mulheres da cidade, o que foi feito, foram levadas moças jovens, mulheres casadas e solteiras, no entanto Lampião ordenou que não queria nenhuma falta de respeito com elas, nem com as famílias que lá estavam, e assim a festa transcorreu até de madrugada, com música, dança, forró, xaxado e sem nenhum desrespeito, agressão, ofensa ou qualquer ato imoral. Após a festa o Bando seguiu sertão à dentro, deixando para trás, um rastro de horror, sangue e medo. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 19/10/2020.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

LUIZ GONZAGA TOCA EM ICHU BAHIA NO ANO DE 1967. UMA PEQUENA CIDADE DO SERTÃO BAIANO, QUE FICA ENTRE OS MUNICIPIOS DE SERRINHA, TANQUINHO E RIACHÃO DO JACUIPE.

 

A consagração do município de Ichu ao Sagrado coração de Jesus e a apresentação de Luz Gonzaga em Ichu.

Há exatamente 50 anos atrás ...

Em 1967 o PAPA Paulo VI através da revista mensageiro do sagrado coração de Jesus fez um apelo ao mundo para se consagrar ao Sagrado Coração de Jesus. O apostolado das oração de Ichu, obedecendo a igreja, lançou a ideia da qual foi aceita por todos. A senhorita Águeda Oliveira Carneiro secretária do Apostolado, foi a coordenadora do evento.

Com a ajuda do Pe. Lucas de Nuzza iniciaram os trabalhos de preparação. Enviaram um ofício ao prefeito Municipal o senhor Renato Cedraz, solicitando o seu apoio. O mesmo enviou a Câmara Municipal de vereadores e o projeto foi aprovado com muito entusiasmo. Eram vereadores da época, Abelardo Cedraz, Oscar Cedraz, Hamilton Ferreira da Silva, José André de Almeida, Rosalvo João Carneiro, Luiz Júlio Carneiro, Edson Ferreira da Silva e Álvaro trabuco de Lázaro.

Uma equipe foi a Feira de Santana convidar o senhor Bispo Dom Jackson Berenguer Prado, para ser o orador oficial e dar a Sua permissão. O prefeito convidou seus colegas das cidades vizinhas. Todos se envolveram nos preparativos, Pe. Lucas passou o novenário em intensa atividade : missas, terço, bênção do Santíssimo Sacramento, palestras etc...

Eis que chegou o grande dia!

As 4 horas da manhã o serviço de Alto falante do Lony Real circo , fez a Alegre alvorada, dando a entender a todos o início de um dia festivo, juntos ao repique dos sinos e muitos fogos! A cidade neste dia apresentava um aspecto todo especial.

As 10 horas da manhã, teve início a missa, que pela primeira vez foi concelebrada no nosso município . Presidiu a celebração Pe. Lucas e concelebrou Pe. Hélio da paróquia de Riachão do Jacuípe e Frei Antônio da paróquia dos Capuchinhos de Feira de Santana.

Após a celebração o prefeito Renato Cedraz ofertou a coroa em nome de todos os Ichuense. Benta a coroa por Pe. Lucas ela foi entregue a dois jovens um representando o papa Paulo VI e o outro o primeiro papa São Pedro. E os mesmos coroaram o Coração de Jesus com estas palavras :

“ Recebeu senhor Jesus, Deus do universo, criador de todas as coisas, a coroa que vossos filhos Ichuense vos oferece. Reinai senhor sobre este município e seus habitantes. Guiai-lhes os governantes para que governem com justiça e paz! Abençoe esta gente que em sua simplicidade, procura fazer a vossa vontade. “

A frase era cortada aos ecos de vozes que acalmava o Cristo Rei.

O show de Luiz Gonzaga

A pequena cidade de Ichu, com apenas 5 anos de Emancipação Política já tinha a honra de receber o Rei do Baião e criador do Forró puro e autêntico Luiz Gonzaga

Seu Antônio de Roque, homem simples e de bom humor é uma das pessoas que sempre conta histórias e guarda ainda na lembrança esses momentos inesquecíveis que estarão sempre presente na memória de todos daqueles "anos dourados da música".

Segundo informações do Sr. Antônio de Roque, Luiz Gonzaga veio se apresentar em um circo chamado Palácio do Riso , tendo como proprietário Supapo e trouxe muita animação para o público cantando e tocando lindas canções que são até hoje imortalizadas na memória dos brasileiros, principalmente dos nordestinos. Este circo muito famoso trouxe como muitas apresentações a exemplo do mágico Ione, a dupla de trapezistas Zezito Lucena e Eva Lúcia e o palhaço Tampinha, e salario mínimo, tudo sem as malícias de hoje, além de atrações musicais, tudo isso conseguia atrair grande público. Seu Antônio aproveita para lembrar ainda de um caso bem engraçado que aconteceu: "a iluminação da cidade ainda era a motor de óleo diesel e eu era o responsável para "abastecer o motor", mas o interessante é que fiquei tão empolgado com a vinda do Rei do Baião que acabei esquecendo de colocar a reserva de óleo na máquina, deixando Gonzaga no escuro, mas felizmente me dei conta do problema a tempo e tudo voltou ao normal"- conta seu Antônio de Roque as gargalhadas. Seu Antônio de Roque julga que a música “ forró no escuro “ foi feita diante de fato.

O senhor Irineu do Barro Vermelho também conta essa história detalhada: "era a Festa da Consagração do Município ao Sagrado Coração de Jesus e desde cedo que o Serviço de Alto Falante já tocava a música Asa Branca, avisando que Gonzaga vinha para Ichu e ao mesmo tempo o locutor convidava o povo para ir para o Show; o interessante é que quando se ouviu a linda música Asa Branca no Serviço de Alto Falante através dos discos de vinil (os famosos bolachões ou Lps) todos mundo dizia: "Olha Luiz Gonzaga já chegou, já chegou vamos lá para ver que ele já está cantando".

Uma moradora do povoado de Casa Nova disse na Semana da Cultura deste ano o seguinte: "Gonzaga era muito humilde e com grande diferença da maioria dos cantores famosos de hoje não tinha orgulho; ainda me lembro que ele passou lá por Casa Nova dirigindo seu carro e me perguntando com toda educação onde era a estrada que ia para Ichu, ele mesmo vinha dirigindo, trazia sua grande sanfona branca no banco do carro também mostrando sua simplicidade, mesmo com sua fama que tinha em todo o Brasil".

Nesta oportunidade sendo festa de Consagração do Município a comunidade ichuense não poderia ter melhor presente artístico como a presença do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Gonzagão realizou um grande show no palco do circo e até hoje muitos ichuenses que estiveram na apresentação relembram com saudade.

Temos a certeza que Gonzagão nas nossas lembranças permanece dando show de alegria com suas músicas que serão relembradas nas noites de São João e e de todo o Brasil. Fonte: Iradilson Lúcio Carneiro , Antônio Oliveira Carneiro , Irineu Renato Carneiro, Antônio Gomes Carneiro, Lucineia Gordiano. Vemos duas fotos da festa da consagração e atrás da igreja vemos o circo. Texto publicado na página Hô Sertão! De Edcarlos Almeida.Hô Sertão! N*13

 https://www.facebook.com/

Do acervo do pesquisador Guilherme Machado.

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NOS TEMPOS DO AÇÚCAR BRUTO

Por Zozimo LIMA*

Recordo com saudade, outubro, início da botada dos engenhos de açúcar bruto. De usina, no meu tempo de menino, só se conhecia a do Topo e a Várzea Grande do Dr. Tomás. O resto, cerca de 60, era movido a vapor, cavalos e força hidráulica.

Eu ficava trepado na almanjarra, rodada a cavalo, do engenho Muquem, de seu Norberto, pai de Zé Ferreira, advogado em Aracaju.

Também fazia o mesmo no engenho Cotia do meu tio Ioiô Barbosa. O açúcar bruto era gostoso e eu o tirava da caixaria onde ficava exposto ao sol.

O cabaú era uma delícia. Às vezes, quando eu tirava, com os moleques, do tanque, encontrava um rato morto. Mas menino não estava ligando a essas porcarias.

Foto ilustrativa

O melado, fervendo, nas seis tachas, tinha cheiro especial. O mestre de açúcar, conhecedor do “ponto”, trazia-o para nosso apetite, cozinhado com pedaços de abóbora ou batata doce. A cana no “picadeiro” era empurrada nas moendas, por mulheres, para trituramento. Saía o bagaço do lado oposto.

E o caldo azedo, em cabaça, arrolhada com capuco de milho, era um regalo para o paladar e um veneno para o fígado de quem o tinha avariado.

O senhor de engenho de chapelão meio desabado, sapato roló, de couro de bode mal curtido, chicote curto à destra, fiscalizava o peso da cana na balança, indo, depois, auxiliar a marcação dos sacos com o nome do engenho e do proprietário. Fui pesador de cana no engenho Campinhos do finado Zé Ferreira, meu padrinho de crisma, quando por Sergipe, andou, em visita, o arcebispo D. Thomé.

Ficava ao lado do engenho o alambique, muito frequentado pelos amantes da “teimosa” e pelos comboieiros portadores de ancoretas camufladas para iludir a fiscalização. Havia comboieiros que vinham comprar mel para o fabrico da cachaça. Traziam borrachas de couro para condução do cabaú.

Era uma festa o início da moagem. Na casa-grande as matronas e sinhazinhas auxiliadas pelas cozinheiras, antigas escravas ou filhas destas, preparavam saborosos doces de todos os feitios para os visitantes, que eram muitos.

Se na casa havia moças bonitas, em idade de casar, os filhos dos vizinhos, senhores de engenho, apareciam constantemente, sempre bem vestidos, montando cavalos arreiados com apuro, de botas russianas, estribos, bridas e esporas de prata.

Era o namoro sem agarramento, à distância, na presença dos pais, tios e primos. A moça, de rosa nos cabelos, olhar magoado das heroínas dos romances de Feuilet, e o rapaz, bem-falante, desembaraçado, pernóstico, com verbos no plural e o sujeito no singular, contava histórias de trocas de cavalo, lobisomens, apojadura de bezerros de vacas leiteiras e projetos de aumentar os partidos de cana.

Bons tempos aqueles em que Sergipe tinha engenhos a cavalo, a vapor e à roda d’água. Nunca mais comi doce de coco, de leite, sequilhos, olhos de sogra e bom bocado fabricados por aquelas delicadas sinhazinhas dos engenhos que precederam a instalação das usinas devastadoras e absorventes.

Gazeta de Sergipe – 22.08.1973

*Jornalista e escritor

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Do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

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QUANDO CORISCO SE FOI...

 Por Yara Gabrile

Sargento Senna e Zé Rufino após o sepultamento, prestam homenagem a Corisco tirando suas coberturas...

Zé de Rufina ou Zé Rufino à direita... Pelo que percebi, nas fotos, nessa carreira do cangaço, quando ele já estava mais avançado perto de 1940, usava chapéu, não quepe. Quepe... parece que só usava em fotos mais "oficiais", ao lado de superior(es)... e o chapéu ficava para o trabalho de volante em campo.

Mas o que me impressionou e comoveu, de verdade, nesta foto, é o ponto do inimigo-bandido que pode ser também respeitado. Inclusive, conforme depoimento do próprio Zé Rufino, quando um soldado ofendeu a já derrubada Dadá, recebeu a devida bronca e foi afastado às proximidades da mesma.

É uma sepultura providenciada pelos próprios militares, logo após a morte do já então ex-cangaceiro, apenas um foragido. Observe-se o arranjo floral e a cruz...

Pena que os médicos de miguel Calmon BA estragaram esse evento, impondo aos militares a inumação do cangaceiro e a sua decaptação.. além da retirada de um braço.

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NOSSA GENTE DO CANGAÇO

 Por Júnior Almeida

Luiz Ruben, Ana Lúcia, Antonio Vilela, Junior Almeida e Marcos de Carmelita.

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ARISTEIA E AS LEMBRANÇAS DO CANGAÇO

Por Aderbal Nogueira
 https://www.youtube.com/watch?v=f4b0TF96vAo

Aderbal Nogueira - Cangaço

Aristéia fala da sede, da irmã Eleonora e seu filho, e das cabeças dos mortos em Angico.

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NA ANTIGA CADEIA DE POMBAL/PB.

Por Geraldo Júnior

No interior da cela onde o cangaceiro Chico Pereira permaneceu preso após ter sido preso pela polícia na cidade de Cajazeiras/PB. 

Passado algum tempo Chico Pereira foi recambeado para o Estado do Rio Grande do Norte, onde seria julgado por um crime que supostamente cometera. 

Ao ser conduzido para o julgamento os membros da escolta que o conduzia simularam um acidente, causando unicamente a morte de Chico Pereira, tendo saído ilesos todos os ocupantes do veículo.

E dessa forma teve fim a vida do vingador do Jacu.

Histórias que serão exibidas no canal YouTube... CANGAÇOLOGIA.

A todos um forte abraço!

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TIVE A HONRA DE PARTICIPAR DESTE LIVRO "LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE" A CONVITE DO AUTOR DR. ARCHIMEDES MARQUES.

 Por José Mendes Pereira

Sinto-me bastante honrado por ter sido convidado pelo escritor, pesquisador do cangaço e "Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe" o Dr. Archimedes Marques, colaborando com dois dos meus textos sobre cangaço. 

O livro é composto por um total de 552 páginas e foi impresso nas oficinas da Editora Infographics - Gráfica & Editora em Aracaju - Sergipe. 

Archimedes José Melo Marques nasceu na cidade de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais no dia 24 de novembro de 1956. É formado em Direito pela Universidade Tiradentes. É delegado de polícia civil no Estado de Sergipe há mais de trinta anos. 

É cursado em Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Segurança Pública, pela Universidade Federal de Sergipe. É escritor de artigos e contos diversos nas áreas policiais e afins, publicados em sites e jornais escritos, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e além fronteiras, com vários textos publicados em livros. “Lampião contra o Mata Sete” sendo a sua primeira obra literária, um livro que contesta ao seu opositor “Lampião, o Mata Sete”. 

O seu segundo trabalho, fruto de quase oito anos de pesquisa, é a coleção “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”, composta de cinco volumes (até o momento somente o primeiro volume lançado), uma obra riquíssima em todos os detalhes que traz boas novidades para os amantes do tema e para a própria história do cangaço. (Shirley M. Cavalcante). 

Clique neste link para você ler mais um pouco sobre ele.

https://www.divulgaescritor.com/products/archimedes-marques-entrevistado/

Se você quiser adquiri-lo entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

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SANTANA – CULTURA E MUSEUS

 Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.408

Para preservar a nossa história, usos e costumes, foram criado os museus que contarão aos nossos filhos, netos e bisnetos como vivemos hoje e como as nossas bisavós, avós e pais viveram. Em algumas regiões é preciso usar os serviços de arqueologia, sendo muito mais fácil bem equipar, melhorar, evoluir e conservar os nossos museus para o aprendizado dos nossos alunos, povo em geral, pesquisadores diversos e turismo.  Assim, podemos dizer que após altos e baixos no museu único da nossa cidade, hoje ele se encontra nos melhores níveis de grandes cidades brasileiras, graças a dedicação da, então, prefeita Renilde Bulhões. Antes, muita gente recusava entregar suas peças aos cuidados públicos com medo dos constantes desaparecimentos de peças importantes, quando não roubadas, desviadas para museus de outras cidades.

Entre tantas peças importantes naquele casarão, destacamos o primeiro arado do sertão de Alagoas, que tem uma história belíssima e desconhecida até para quem cuida do museu. Uma pedra mó, (15 mil anos antes de Cristo) que nossos antepassados usavam para triturar o milho, fazer xerém e consumir com leite. Consiste em duas pedras grandes, esféricas e polidas uma sobe a outra, ligadas por um veio de madeira e orifício por onde se colocava o milho e acionava o veio manual para rodar a pedra da superfície e triturar o produto. É por isso que estamos (Clerisvaldo e Jorge Santana) querendo entregar ao Museu Darras Noya, duas peças históricas da nossa agricultura. A primeira, descoberta pelo Secretário, Jorge. Trata-se de uma grande peça de um engenho rapadureiro que existiu no sítio Serra dos Bois, município de Santana do Ipanema. Incrível! Um engenho de rapadura em plena caatinga sertaneja. A outra peça será doada pelo nosso amigo ex-bancário, fazendeiro Paulo Décio, do sítio Olho d’Água do Amaro: um vaso de zinco de guardar feijão.

Temos ainda uma peça que almejamos entregar à prefeita Christiane Bulhões, como sendo a PRIMEIRA doação ao futuro museu: MEMORIAL RIO IPANEMA, assegurado por ela. É o livro documentário CANOEIROS DO IPANEMA, episódio santanense resgatado por nós: 40 páginas ilustradas e com prefácio do escritor contista Fábio Campos. Muitas e muitas outras peças já estão em nossas ideias de auxílio ao MEMORIAL como uma canoa de Pão de Açúcar, semelhante às adquiridas ali pelos nossos heróis santanenses do remo. Deus no comando.

PEDRA MÓ E ARADO NO MUSEU (FOTO: B. CHAGAS).

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O ALEIJAMENTO DO DIABO.

 Por João Filho de Paula Pessoa

Em Outubro de 1939, com Lampião morto, Corisco, o Diabo Loiro, embora com um bando menor e com dificuldades, ainda resistia e estava a caminho da Fazenda Lagoa da Serra/Se para visitar sua filha com Dadá, que lhe seguia fielmente no bando. Ao chegarem próximo de seu destino foram surpreendidos por uma volante que abriu fogo contra os cangaceiros, Guerreiro foi atingido na nuca e caiu, Roxinho abriu fogo bravamente, mas também foi atingido e morreu.

Corisco e Dadá e os outros seguraram o fogo contra as volantes, Dadá guerreou ferozmente até ficar sem balas, continuando na luta jogando pedras nos soldados, Corisco ao tentar recarregar seu fuzil foi atingido por uma rajada de metralhadora que atingiu seus dois braços ao mesmo tempo, dilacerou o osso de seu braço direito que ficou pendurado por fiapos de carne e feriu gravemente seu braço esquerdo que ficou inutilizado, momento em que caiu e gritou por Dadá, mostrando a desgraça em seus braços. 

Os demais cangaceiros ao verem aquilo, fugiram, e Dadá correu para acudir seu companheiro, pegou seu fuzil, recarregou e seguiu lutando contra os soldados até eles debandarem e conseguir fugir resgatando Corisco, aleijado dos braços e fora de combate. 

Dadá reagrupou o bando mais na frente e assumiu a liderança em virtude da impossibilidade de Corisco, tomando as decisões necessárias, no entanto os demais cangaceiros não aceitaram ser liderados por uma mulher e os abandonaram, restando assim, somente Dadá, cuidando de Corisco em todos os sentidos, e em todas as necessidades, e seguindo em frente. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 18/12/2019.

Obs: Nossos Contos também são contados em vídeos no YouTube - Canal Contos do Cangaço.

Assista - https://www.youtube.com/channel/UCAAecwG7geznsIWODlDJBrA

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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CABACEIRAS NA ÉPOCA DO CANGAÇO. LINGUAJAR DO CANGAÇO

 Por NCastro

O uso da linguagem simbólica foi marcante na cultura do Cangaço Nordestino. Ainda mal compreendidas na imaginação de algumas pessoas da contemporaneidade, as palavras simbólicas eram compreensivas na imaginação dos sertanejos. Principalmente positiva para a comunicação entre os cangaceiros.

Com a linguagem das palavras simbólicas no cangaço, muitos personagens passaram do real para o imaginário. Face a esta imaginação compreensiva a cultura nordestina, pode-se assimilar a esta simbologia a própria imagem real de Virgulino Ferreira, a do LAMPIÃO. Mas o que de fato se pensava no cangaço essa troca de personagens reais por outros imaginários?

Foram muitos personagens que trocaram suas faces reais por outras imaginárias. Talvez tenha sido a maior tática do cangaço. Com essa forma de linguagem do cangaço, dificultava a identificação do personagem real do simbólico. CORISCO, AZULÃO, MEIA-NOITE, PAVIO, TEMPESTADE, SABIÁ, JARARACA, COCADA... Foram muitos na simbologia do cangaço.

De certa forma, a de se fazer uma reflexão sobre os personagens simbólicos, marcantes a sobrevivência do cangaço do Nordeste.

As palavras simbólicas mais usadas no dia a dia do linguajar do cangaço nordestinos para se comunicarem nos cenários das caatingas foram importantes para a cultura no Nordeste do Brasil.

NO LINGUAJAR DO CANGAÇO

Letra - A

Aperriado – Preocupado.

Alterado – Nervoso.

Água da vida – Leite.

Abalar a Moça – Desonrar.

Arrupiado – Aborrecido.

Acapanga – Bolso.

Andadas – Andanças.

Letra – B

Bogó – Saco pequeno de couro.

Bernada – Fase ruim (fome).

Botada – Traição.

Batida Seca – Emboscada Boa.

Breguesso – Coisa Estranha.

Brebote – Comida Ruim.

Letra – C

Caçote – Menino Magro.

Caído no Ferro – Caído Morto a Bala.

Cabra de Peia – Covarde.

Cunticido – Fato.

Chorão – Jumento.

Caí no Saco – Cair em Armadilha.

Letra – D

Da mesma Tampa – Da mesma Qualidade.

Dicumê – Comida.

Discaderá – Ficar Coxo

Desaprecatado – Sem Sossego.

Distambocô – Apressou-se.

Deu Jagunçada – Coronel que ajuda Polícia.

Letra – E

Escupeteiro – Rastejador.

Estrovenga – Coisa Difícil.

Embrenhar – entrar no Mato.

Estrupício – Fartura.

Letra – F

Fiança – Confiança.

Falação – Muita Conversa.

Fogança – Arrasta Pé.

Fuzuê – Barulho.

Fazer o Serviço – Matar o Inimigo.

Furar Caatinga – Andar no Mato.

Letra – G

Gargulina – Vertigem.

Geringonça – Máquina de Costura...

Garapa – Bebida Fraca.

Goga – Pabulagem.

Gumitô – Vomitou.

Letra – I

Incelença – Excelência.

Intrago – Depredação.

Imprasto – Atadura.

Imbuiado – Embrulhado.

Inzerço – Exército.

Letra – J

Judiação – Maus Tratos.

Jagunçada – Homens de Confiança de um Coronel.

Letra – L

Liforme – Roupa.

Lilio – Roubo.

Lugá Disprutigido – Lugar Desamparado da Polícia.

Letra – M

Maselha Velha – Crime Antigo.

Muié Muderna – Mulher Maquiada.

Marcha Batida – Apressado.

Moitinho – Arrodeio.

Macacos – Soldados de Polícia.

Letra – N

Nabaca – Caçula.

Nunca Faseô. Nunca Traiu.

Nói – Nós.

Letra – O

Óculo – Óculos.

Óio Abetô. Olho Aberto.

Letra – P

Patetice – Muita Conversa.

Peitudo – Corajoso.

Pressiga – Perseguição.

Pracata – Alpercata.

Letra – Q

Quebrá Mato – É de Paz.

Quebrá as Forças – Esmorecido.

Letra – R

Ruzaro – Rosário.

Rifugando – Assuntando.

Rompido – Furado.

Rossêio – Barulho de Pessoas Andando.

Letra – S

Sombra – Rastro Apagado.

Sai-te – Deixa Disso.

Subiá – assobiar.

Se sossegue – Se Acalme.

Letra – T

Tracação – Relação Sexual.

Trabaiá – Trabalhar.

Terém – Objetos.

Tropo – Volante da Polícia.

Letra – U

Umiá – Humilhar.

Urucubaca – Azar.

Uvido – Escutado.

Letra – V

Vortá a Caiga – Insistir.

Vóismicê – Vossa Excelência.

Vida Instragada – Vida do Cangaço.

Letra – X

Xodó – Namoro.

Letra – Z

Zum-Zum – Barulho.

Zarro – De Palavra.

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MAIS LIVROS SOBRE CANGAÇO

 Por Raquel Nogueira


Através do e-mail abaixo dê um pulinho até Cajazeiras, no Estado da Paraíba e adquira os livros acima.

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