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sexta-feira, 1 de julho de 2022

REVIVENDO A INTRIGANTE MARANDUBA

Por Manoel Severo

 

Juliana Pereira e Alcino Costa e a Caravana Cariri Cangaço na Maranduba


Na semana passada, dia 26 de novembro, revivemos a grande batalha da Serra Grande, em seus 90 anos de história, sem dúvidas um marco dentro da historiografia cangaceira. Dentre outros registros tivemos a expedição dos confrades Louro Teles e Marcelo Alves, artigo postado neste mesmo blog. Quando falamos em Serra Grande, nos remetemos invariavelmente a outros dois combates célebres: Serrote Preto e Maranduba, que formam o mais famoso triunvirato  dos confrontos entre o rei vesgo, Lampião e as forças volantes...

Permitam nos transportar para as terras áridas da acolhedora Poço Redondo em Sergipe; berço do querido e inesquecível Alcino Alves Costa, patrono do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço; ali, quando ainda era Porto da Folha, está localizada a Fazenda Maranduba, onde em janeiro de 1932 teríamos o emblemático "combate da Maranduba". "Nunca vi tanta bala como em Maranduba..." confessa Manoel Neto, o "Mané Fumaça" Nazareno...

Estive em Maranduba por quatro vezes; 2009 e 2010 ao lado de Alcino Alves Costa e ainda no carnaval de 2012 em Caravana Cariri Cangaço, ao lado do mesmo Alcino, Juliana Pereira, João de Sousa Lima, Aderbal Nogueira, Múcio Procópio, Lívio Ferraz, Afrânio Gomes e Luiz Camelo, depois mais recentemente em grande visita com mais de 150 pesquisadores durante o Cariri Cangaço Piranhas 2015, tendo a frente Archimedes e Elane Marques.

 Fazenda Maranduba e os Umbuzeiros históricos...
 Manoel Severo e a Cruz dos Nazarenos... 

A literatura do cangaço, a partir de pesquisas dedicados e criteriosas de vários escritores, vaqueiros da historia , como também depoimentos de remanescentes do fenomenal "fogo da Maranduba" nos trazem um cenário e um desfecho extremamente surpreendentes. As circunstancias tanto anteriores, como o próprio fogo e suas consequências nos colocam mais uma vez diante de um dos mitos do cangaço: A genialidade de Virgulino Ferreira da Silva

Maranduba ficou célebre na historia do cangaço e na memória de quem viveu o episódio, vamos recorrer a relatos de contemporâneos dos acontecimentos “uma coisa que foi muito comentada e com curiosidade, foi que no local em que aconteceu o fogo de Maranduba, durante vários anos, das árvores e dos matos rasteiros não ficaram folhas. Tudo era preto, como se tivesse passado um grande fogo. As árvores ficaram completamente descascadas de cima abaixo, de balas”, verdadeiramente um cenário de guerra...
 Escombros da antiga casa da Fazenda Maranduba
 Aderbal Nogueira, Lívio Ferraz, Afrânio Gomes e Mucio Procópio na 
Caravana Cariri Cangaço na Maranduba. 

Como em Serra Grande, o que poderia ter sido determinante para a fragorosa derrota das forças volantes em Maranduba ? Mesmo de maneira empírica, ficamos por várias horas olhando aquela imensidão de caatinga, relva rala, vegetação rasteira e mesmo compreendendo as mudanças que o tempo invariavelmente impôs ao lugar, parecia que era realmente uma loucura a investida do grupo militar em circunstancia tão adversa de terreno e localização. Será que mesmo depois de tanto tempo perseguido e combatendo Lampião, homens experimentados como Manoel Neto, Liberato de Carvalho, Zé Rufino dentre outros valorosos volantes, haveriam de mais uma vez menosprezar a capacidade estratégica de combate do rei dos cangaceiros ?

Pouco tempo antes havíamos tido o episódio das "ferrações" na vizinha Canindé do São Francisco, tendo como personagem principal Zé Baiano. Será que a perversidade do selvagem ato dos cangaceiros unido ao cansaço de longa perseguição ao bando acabou de alguma forma interferido na lucidez e zelo dos comandantes das tropas diante da eminente possibilidade de "pegar" Lampião ? Novamente o fator numérico se fez de rogado e a superioridade numérica dos soldados não se mostrou eficaz...

Manoel Neto

Muito se fala do espetacular senso estratégico de Virgulino, sua sagacidade em combate e sua lucidez que acabam se confirmando novamente em Maranduba. O confronto se deu lá pelo meio dia e se prolongou até o final da tarde. Relatos indicam que o bando estava se preparando para comer distribuídos entre os sete famosos umbuzeiros e as pias; depressões naturais nas rochas; fonte preciosa de água . Até que ponto e em que momento crucial Lampião identificou a aproximação das volantes e que tempo teve para "arquitetar" a ação de seus homens ? Em nossas visitas ficávamos a imaginar como poderia ter se dado...

Mané Neto comandava seus homens, dentre esses; inúmeros Nazarenos, já cansados da longa jornada desde Jatobá e estavam na vanguarda do combate. Em seguida se aproximavam os baianos de Liberato de Carvalho, dentre esses, Zé Rufino, que estavam na Malhada da Caiçara quando souberam do acontecido em Canindé ... As tropas desesperadas no encalço de Lampião acabariam envolvidas pelo gênio beligerante de Virgulino que acabou deixando os soldados sob várias linhas de tiro e que durante cerca de cinco horas haveriam de decretar mais uma vexatória derrota das volantes.

Ex-Cangaceiro Ângelo Roque

Vamos nos remeter ao depoimento de Labareda; cangaceiro Ângelo Roque que participou nesta batalha, prestado a Estácio Lima e publicado no livro O Mundo Estranho dos Cangaceiros, descreve o que aconteceu, neste dia, no seu linguajar típico: “... Nóis cheguêmo na caatinga de Maranduba, pru vorta di maio dia, i tratemo di discansá i fazê fogo prôs dicumê, i nóis armoçá. Mas a gente num si descôidava um tico, i nóis sabia qui as volante andava pirigosa. Inquanto nóis discansava, botemo imboscada forte, di déiz cabra pra atacá us macaco qui si proximasse. Nóis cunhicia us terreno daqueles mundão, parmo a parmo. Us macaco num sabia tanto cuma nóis. Todos buraco, pedreguio, levação, pé di pau, pru perto, nóis sabia di ôio-fechado, i pudia tirá di pontaria sem sê vistado. Nisso, vem cheganou’a das maió macacada qui tivemos di infrentá. I us cumandante todo di dispusição prá daná: Manué Neto, qui us cangacêro tamém chamava Mané Fumaça, Odilon, Euclides, Arconso e Afonso Frô. Tamém um Noguêra. Nesse bucadão di macaco tava u Capitão ou Tenente Liberato, du izérto. Dizia us povo qui ele era duro di ruê. I era mesmo. Brigava cuma gente grande, i marvado cumo minino. Mas porém, valente cumo u capêta. Di nada sirvia a gente gostá i tratá com côidado um mano qui êle tinha na Serra Nêga. Essa Força toda dus macaco si pegô mais nóis na Maranduba. Nóis era trinta e dois cabra bom. U Capitão Virgulino tinha di junto, nessa brigada, us principá cangacêro: Virgino, Izequié, Zé Baiano, Luiz Pêdo, i seu criado Labareda. Dus maiorá só fartava mesmo Curisco sempre gostô di trabaiá sozinho, num grupo isculido dicangacêro, mais Dadá. Briguemo na Maranduba a tarde toda i nóis cum as vantage cumpreta das pusição, apôis us macaco num pudia vê nóis. A volante di Nazaré deve tê murrido quaji toda. Caiu, tamém, matado di ua vêis, um dus Frô, qui si bem mi alembro, foi u Afonso. Cumpade Lampião chegô pra di junto do finado i abriu di faca a capanga dêle, i achô um papé qui tinha iscrito um decreto dizeno qu ele já tinha dado vinte i quatro combate cum u cumpade Lampião. Veio morrê nu vinte i cinco. A valia qui tivemo nessa brigada foi us iscundirijo. Morrero, aí, trêiz cangacêro i trêiz ficô baliado. Us istrago qui fizemo nessa brigada foi danado ! Matemo macaco di horrô !”

Alcino Alves  Costa e Manoel Severo, retornando da Maranduba ainda em 2009.

O olhar sereno e perdido do mestre Alcino Alves Costa, parecia vislumbrar as nuances e detalhes da batalha, a qualquer momento poderíamos ouvir os estampidos do emblemático confronto. E o Caipira de Poço Redondo confessa: "Severo, esse Virgulino era mesmo genial !" E humildemente precisei me render ao velho amigo.

Hoje Maranduba mantem os velhos umbuzeiros, testemunhas mudas da grande batalha, do horror e da genialidade do rei Lampião, ali ainda podemos ver a "Cruz dos Nazarenos", onde foram sepultados 4 homens de Nazaré: Hercílio de Souza Nogueira e seu irmão Adalgiso de Souza Nogueira (primos dos irmãos Flor), João Cavalcanti de Albuquerque (tio de Neco Gregório) e Antônio Benedito da Silva (irmão por parte de mãe de Lulu Nogueira, filho de Odilon Flor).

Alguns Flagrantes do Cariri Cangaço Piranhas 2015 em visita a Maranduba

Vendo de perto a lendária Maranduba, sua geografia, vegetação, pisando aquele chão, vendo in loco como as tropas da policia se posicionaram e se aproximaram, o recuo estratégico dos cangaceiros;  o cerco, a emboscada, só assim, vamos entender o quanto foi surpreendente o desempenho e a resistência dos 32 homens de Virgulino contra as forças de baianos e pernambucanos de Manoel Neto e Liberato de Carvalho. Realmente a intrigante Maranduba ficou para a história...

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

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CORTAR A CABEÇA DE CANGACEIRO...O PORQUÊ!

 Por Iaperi Araújo

Iaperi Araújo e Rostand Medeiros - https://tokdehistoria.com.br/tag/iaperi-araujo/

Cortar cabeças, ou morte por degola ou a separação da cabeça do corpo é uma prática muito antiga. Ela tem um significado político, ou seja, o da subjugação do vencido. Sob o aspecto religioso cristão, a cabeça separada do corpo, não permitiria a ressurreição do morto. A bíblia fala do corte da cabeça de João Batista, a pedido de Salomé. Em Canudos, após a derrota de Conselheiro a degola, foi geral (triste página de nossa história...). Mesmo, após sua morte, foi procedida a exumação e o corte de sua cabeça.


Em 1926, quando da passagem da Coluna Prestes pelo Nordeste, ocorreram casos de degola tanto feita pelos revoltosos, quanto pelos legalistas. No cangaço, esse procedimento teve uma ocorrência muito grande, sobretudo na 2ª fase do fenômeno, em que as cabeças eram apresentadas às autoridades, e, os matadores eram promovidos. A ordem era geral, ou seja, matar e trazer a cabeça. 

Cabeças de Serra Branca, Eleonora e Ameaça.

A separação da cabeça do resto do corpo, mutilando-o, fragmenta a ideia da imortalidade. No caso da degola procedida em Angico (morte de Lampião, Maria e mais 9 cangaceiros), por ocasião da degola de MARIA, após o corte da cabeça, alguns policiais informaram que colocaram o dedo no canal medular extraindo parte da massa cinzenta-encefálica.

O próprio Tenente João Bezerra informou que após as mortes de cangaceiros em Angico, as cabeças tiveram que ser cortadas, pois ficava impossível, trazer os corpos em face das dificuldades encontradas.

Professor Iaperi Araujo
Rio Grande do Norte

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TRAGÉDIAS ANUNCIADAS

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.726

Todos sabem que o rio Ipanema é um rio periódico ou intermitente, isto é, escorre somente durante o inverno ou no período de grandes trovoadas nas cabeceiras. Porém, alguns acham que o rio Ipanema é um rio DESISTENTE. Como passa longo tempo sem botar cheia teria desistido de ser rio.  Esses aproveitam a época nas longas estiagens e constroem suas casas no leito do caudal. Não exatamente no centro do leito, mas nas partes laterais, porém dentro do leito. Pobre querendo moradia, faz casa em qualquer lugar: nas barreiras, nas grotas (Maceió) no leito de rios, em morros íngremes. Ainda tem o empresário ou aquele enriquecido que constrói verdadeiras ruas nesses lugares para alugar à pobreza (Santana). Por muito tempo sem encher, até oficina grande e bem montada foi construída sob a ponte do Comércio. Garagem de caminhão também. O resultado foi o que se viu no rio que não desiste. O riacho Camoxinga, seu afluente sofre do mesmo mal.

RIO IPANEMA (FOTO: ALAGOAS NANET)

Nunca se ouviu dizer na história santanense que o rio Ipanema tivesse causado tragédias, nem nas maiores cheias registradas, as de 194l, de 1960 e a de 1962. Tudo que carregou vinha de cima, do estado vizinho porque em Santana tinha seu leito respeitado.

Essa meditação chega no momento em que o deputado Isnaldo Bulhões dá a ordem de construção de um conjunto habitacional de 250 residências para aqueles que ficaram desabrigados com a última cheia do Ipanema, tragédia anunciada. 250 casas juntas representam um verdadeiro bairro, no modo de dizer.

Geograficamente analisando a empreitada, o conjunto residencial, caso seja no mesmo local que havia sido limpo e anunciado, fica no sopé do serrote do Cruzeiro, lado direito. São várias comunidades diferentes que irão conviver no mesmo local. Proporcionarão mão-de-obra e atrairão para aquela saída para Olho d’águas das Flores, mais comércio, prestação de serviços e benefícios públicos, podendo firmar o ditado: “faça do limão uma limonada”.  Tudo, porém, depende de um olhar de futuro do poder público. Vamos torcer para que tudo dê certo.

Esperamos que não sejam restauradas residências do leito do rio para não se repetir o lamentoso acontecimento. Deus foi generoso e não permitiu mortes na tragédia do Panema.

Hoje o rio está com água, mas sem sustos.

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LAMPIÃO NO RN, MEDO TERROR E SANGUE - PARTE VIII - TUDO PRONTO PARA O ATAQUE

 Por José de Paiva Rebouças


No Saco, a dois quilômetros de Mossoró, os reféns foram acomodados na casa de Joaquim Soares. Antônio Gurgel, Manoel Barreto e Formiga em um quarto, dona Maria José Lopes e o coronel Joaquim Moreira no outro.


Na preparação para a guerra, o plano original tinha sofrido um contratempo. Embriagado demais, Jararaca não possuía mais condições de comando. Com isso, restaram apenas três frentes: a de Sabino, a de Massilon e a do próprio Lampião. 

O cangaceiro Jararaca

Oito homens, sob o comando do cangaceiro Félix, foram destacados para vigiar os reféns, esperar os resgates, cuidar dos animais e combater qualquer resistência.

Cangaceiro Félix da Mata

No terreiro, Lampião dava as últimas orientações antes de partirem. "Sabino, você prenda logo o coronel Rodolfo Fernandes, porque assim ele arranjará o dinheiro", disse.

O céu estava cinzento naquela tarde, não havia vento e da terra subia um mormaço insuportável. Apenas de motivados, havia um sobressalto de preocupação.

Amadeu Lopes, Pedro José, Azarias Januário, Júlio Soares, Joaquim Germano, Guilherme de Melo, Belarmino de Morais, Sancho Amaro, Geraldo Oliveira e o filho, reféns menos importantes presos durante a jornada no alto Oeste, foram colocados na frente como escudos humanos.

Poucos minutos de caminhada, os homens de Sabino invadiram a mercearia de Antônio Domingos, abandonado desde o dia anterior. Mais à frente, violaram a residência de Luiz Firmino, também vazia de gente.

Ex-integrante da extinta Guarda Nacional, Firmino mantinha em casa uma farda limpa e engomada da corporação. Ao encontrá-la, Sabino se livrou das roupas velhas e se enfiou no casaco. Ficou parecendo um militar.

http://cariricangaco.blogspot.com/2014/06/quem-foi-sabino-gomes-porfrancisco.html

Passaram pela Caieira, onde Padre Mota tinha desfeito a trincheira, e, por volta das três e meia da tarde, alcançaram o bairro Alto da Conceição. Uma sentinela atirou para cima avisando da estrada dos cangaceiros e fugiu.

Com o susto, os bandidos reagiram, mas atiraram à toa. Os reféns, que estavam mais à frente, aproveitaram o momento de tensão para escapar em direção ao rio. Não foram seguidos.

Continuarei amanhã.

Fonte - Revista Brava Gente  do Jornal de fato.com

Páginas 24, 25 e 26

Mês Junho de 2022.

Digitado e Ilustrado por José Mendes Pereira - administrador deste blog.

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quinta-feira, 30 de junho de 2022

CYRA BRITTO BEZERRA HOMENAGEADA COMO PERSONAGEM HISTÓRICA DO SERTÃO NO CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2022

 

Muitos são os personagens que se imortalizam por sua coragem, destemor e bravura. Em Piranhas o Cariri Cangaço 2022 presta uma justa homenagem a um desses personagens da história, aliás, uma personagem: Cyra Britto Bezerra, ou dona Cyra Britto, eternizada pelo ato de bravura em defesa de sua casa e de sua cidade; Piranhas; em 1936 quando da invasão dos bandos dos cangaceiros Gato e Corisco. Dona Cyra era a esposa do festejado personagem histórico, tenente João Bezerra, comandante das volantes que deram cabo de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo, Lampião.

Para conhecer um pouco mais de dona Cyra, vamos recorrer às linhas de Carlos Jatobá: "Cyra Britto Bezerra (nascida Correa de Britto), nasceu no interior de Alagoas, no município de Piranhas, às margens do rio São Francisco, em 12 de março de 1915. Filha de Francisco Correa de Britto e de Emiliana Gomes de Britto prósperos fazendeiros e, também neta do chefe político da região dos dois lados do rio São Francisco: Piranhas (Alagoas) e Canindé do São Francisco (Sergipe), o Cel Antonio José Correa de Britto (conhecido como "Antonio Menino", "Sinhozinho do Gerimum" ou "Pai-Nosso") e de Prima Gomes de Britto ("Mãe-Nossa"). De família numerosa, dividia com seus 14 irmãos: Carlos, Célia, Ciro, Claudemiro, Clodovil, Cordélia, Guiomar, João, José, Maria José, Nair, Noélia, Raimundo e Yolanda, as brincadeiras entre a Fazenda Gerimum (no lado sergipano) e a casa grande em Piranhas." 

Gato e Inacinha, Inacinha presa em Piranhas; João Bezerra e Dona Cyra.

E segue Jatobá: "Casou-se com o então Ten Bezerra em 1935 de quem lhe era prometida, por "Pai-Nosso", desde tenra idade. Aos 21 anos de idade (por volta de 1936), era considerada a grande incentivadora nas campanhas do marido, além de exercer forte liderança como professora, enfermeira e conselheira entre os seus liderados e respectivas famílias. Fazia de sua casa um verdadeiro quartel da volante. A esse respeito Cyra Bezerra, assim se expressou: "Quando chegava, a volante vinha diretamente para minha casa. Eram 20, 30 homens de uma vez. Alguns com família iam para suas residências. Outros eram medicados, comiam e dormiam na minha casa." 

No Cariri Cangaço 2015, no primeiro tour histórico pela ruas de Piranhas, vamos o encontrar dona Cyra Britto em dos mais marcantes episódios da saga cangaceira, por ocasião da invasão de Corisco e Gato em 1936; na programação, seu filho, Paulo Britto, apresentou aos presentes a imponente participação de sua mãe na defesa de sua casa e de sua cidade na invasão de Corisco e Gato no ano de 1936. 

Paulo Britto filho do tenente Bezerra , teve também sua mãe, dona Cyra, como uma das protagonistas do marcante episodio, que afirmaria depois em um depoimento: "Eram duas da tarde quando eles chegaram a Piranhas. Eu pensei que fosse [o tenente] Bezerra de volta com a volante [proveniente de Delmiro Gouveia]. Então eu saí para a calçada, porém uma prima minha gritou: 'Cyra, entre são os cangaceiros'. Piranhas é uma cidade construída num vale cercado de serras. Quando eu olhei, vi que vinham descendo cangaceiros por todos os lados. Recuei e fui fechar a porta da casa, mas não consegui fechar a primeira janela e, um cangaceiro, escondido atrás de uma gameleira (uma árvore secular que havia em frente à casa) disse: 'Não feche que morre'. Eu me encostei na janela e olhei. Vi a um canto da parede um riflezinho. Peguei-o e atirei no cangaceiro. Fiquei trocando tiro. Ele tentava me alvejar pela janela e eu atirava nele. (...) Nós tínhamos armas em todos os cantos da casa."

"Quando eu estava assim trocando tiros com esse homem, Corisco surgiu na esquina da avenida Tabira de Britto [próxima à Prefeitura Municipal], perseguindo meu tio João Correa de Britto, prefeito nessa época. Corisco estava quase pegando meu tio quando eu atirei nele, mas só consegui atingir os bornais. Ele rodopiou, entrincheirou-se na escada de uma casa e ficou atirando em mim. Eu deixei de atirar naquele que estava junto à gameleira e fiquei atirando para o outro. É quando surge na mesma esquina um grupo de cangaceiros trazendo uma rede com um corpo, uma rede toda ensangüentada. Era Gato, marido de Inacinha, que tinha morrido. Um tiro [dos muitos dados pelos defensores da cidade em duas horas de cerrado tiroteio] atingiu a cartucheira que ele trazia na cintura, atingiu o pente de onde explodiram cinco balas que esfacelaram seu intestino." (1985, p. 13) Os cangaceiros, diante do inesperado, bateram em retirada."
Cyra Britto e Tenente João Bezerra

Na noite de abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2022, o Conselho Alcino Alves Costa concede a  
CYRA BRITTO BEZERRA o Título de
 "Personalidade Histórica do Sertão"

Ane e Paulo Britto

Na noite de abertura do Cariri Cangaço Piranhas, Paulo Britto, filho e Ane Ranzan, nora, recebem em nome da família de dona Cyra Britto Bezerra as homenagens prestadas pelo Organização do Cariri Cangaço Piranhas 2022. Para Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, "dona Cyra é parte da história, uma personagem de sua grandeza, não só pelo episódio de bravura em 1936 contra o bando de Corisco e Gato, mas por toda uma vida dedicada em apoiar o marido, tenente João Bezerra, e cuidar tão bem dos filhos, nos legando uma prole espetacular, com destaque para o querido Paulo Britto, dessa forma é uma honra prestarmos essa homenagem a dona Cyra no Cariri Cangaço Piranhas 2022". Dona Cyra faleceria na cidade do Recife, Pernambuco no dia 30 de março de 2003, tinhas 88 anos de idade.

Cariri Cangaço Piranhas; 28 a 31 de Julho de 2022 - Alagoas Brasil
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HOMENAGEM A CELSO RODRIGUES NO CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2022

 

A noite de abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2022; em 28 de julho; marcará as homenagens a um dos mais destacados filhos deste torrão alagoano: Celso Rodrigues Rego, ou simplesmente "seu Celso Rodrigues". Da tradicional familia Rodrigues, filho do grande Chiquinho Rodrigues; que comandou a resistência quando da invasão de Piranhas pelo bando chefiado por Gato e Corisco em 1936; Seu Celso era a própria memória viva da cidade. Impossível visitar Piranhas e não ir até o Solar dos Rodrigues, no centro histórico da Lapinha do Sertão, para tirar um ou dois ou mil dedos de prosa com seu Celso.

Solar dos Rodrigues no centro histórico de Piranhas

Prefeito por quatro vezes do município de Piranhas, seu Celso devotou toda sua vida à terra amada. Ao lado da esposa, dona Sônia, e de toda família, deixou um legado de honradez, honestidade e muito trabalho. "Por ocasião da noite de abertura no dia 28 de julho em Piranhas, o Cariri Cangaço resgata uma das figuras mais extraordinárias deste baixo São Francisco. Seu Celso era uma lenda, essa homenagem mais que justa a um homem que se notabilizou por construir acima de tudo, grandes amizades" revela o Conselheiro Cariri Cangaço, João de Sousa Lima.

É Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço quem completa: "perdemos as vezes em que passávamos horas e horas explorando a memória e a companhia extraordinária de seu Celso, sempre solícito, atencioso e ávido a nos contar tudo sobre sua querida Piranhas, um homem de um memória e um coração, gigantes. Para nós prestar essa homenagem a seu Celso nos enche de alegria e satisfação."  

Em 2015 recebendo de seu neto, Conselheiro Cariri Cangaço Celsinho Rodrigues o Diploma de "Amigo do Cariri Cangaço"
Em 2013 ao lado da esposa Sonia e de Manoel Severo

Um dos momentos mais marcantes do Cariri Cangaço em suas edições em Piranhas foi sem dúvidas no ano de 2015, em momento memorável na Fazenda Patos , revivendo o horror da familia de Domingos Ventura. Ali, durante mais de uma hora Celso Rodrigues com um precisão e lucidez incomuns, traçou o passo a passo de toda a penosa trama que acabou traçando o destino final de Domingos Ventura...  No ano seguinte, 2016, novamente seu Celso se destacava dentro da Programação do Cariri Cangaço Piranhas, sendo um dos grandes anfitriões no Primeiro no Tour pelas ruas de Piranhas elucidando a fatídica invasão da cidade pelos bandos de Gato e Corisco em 1936.

Celso Rodrigues em momento memorável na Fazenda Patos , revivendo o horror da familia de Domingos Ventura ao lado de Manoel Severo, Antônio Amaury e João de Sousa Lima
Celso Rodrigues da sacada do Solar dos Rodrigues e a Invasão de Gato 
no Cariri Cangaço Piranhas 2016

Na noite de abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2022, o Conselho Alcino Alves Costa concede a CELSO RODRIGUES REGO o Título de "Personalidade Eterna do Sertão"

Celso Rodrigues, Manoel Severo, Celsinho Rodrigues, Jacqueline Rodrigues, 
Edvaldo Feitosa e dona Zilda

"É com muita honra que nossa família recebe esta homenagem do nosso Cariri Cangaço a meu avô, todos nós estamos festejando o reconhecimento ao trabalho, à dedicação e a honradez de toda uma vida de Vô Celso, por parte de tantos escritores e pesquisadores de nosso Brasil,  sem dúvidas uma grande honra para todos nós", declara Celsinho Rodrigues, Conselheiro Cariri Cangaço e presidente da Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Piranhas 2022 e neto do homenageado. Celso Rodrigues Rego, patriarca da familia Rodrigues, viria a falecer no dia 26 de setembro de 2021, aos 81 anos. 

Cariri Cangaço Piranhas; 28 a 31 de Julho de 2022 - Alagoas Brasil

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MONSENHOR NICODEMOS " UM PADRE CENTENÁRIO ".

 Por Luís Bento

30/06/1922 - 30/06/2022.

Em 20 de maio de 1970 a capela de Jati passou a ser " Paróquia ", tendo a frente dos trabalhos religiosos seu primeiro pároco, " Padre Nicodemos Benício Pinheiro. Foi um momento de união de toda paróquia que tiveram a honra e grande alegria de receber o Padre Nicodemos e juntos testemunharam fé, esperança, manifestações de boas vindas. Sabiam que a partir daquele dia, passaria a existir entre todos um vínculo com se ele fosse membro de cada família, compartilhando a partir dali, todos os sofrimentos e alegrias. Para toda comunidade passou a ser como o Pastor que cuidava cada ovelha do seu rebanho.

Como Deus o amou e assim o chamou para compartilhar com ele todo o mistério sacramentalmente nessa missão na nossa pequena cidade sabíamos que ajudaria a interrogar-nos sobre o sentido da nossa vida e da nossa história. Na ocasião estiveram presentes os estudantes da Escola Isolada de Jati, atual Escola Maria Núbia Vieira Novaes na recepção religiosa e ritualização de um acontecimento ímpar, confraternização, rememoração ao Padre recém chegado.

Um fato que despertavam a curiosidade da população na chegada do Padre a pacata cidade de Jati era o " Padre sem Batina " que para época era muito estranho para população, porém logo passaram a entender e aceitar as mundanças e inovações. Compreenderam que o novo Padre era a maior autoridade eclesiástica, um homem de fé, também um ser humano comum, que tinha gostos sentimentos normais assim como suas preferências musicais como por exemplo sua predileção pela bela canção do Rei Roberto Carlos " O Portão ".

Outro fato que deixou a população a observar foi o Padre costumar passar seu aniversário trabalhando como se fosse um dia normal, dedicando-se unicamente a sua igreja e seus fiéis.

Para toda comunidade católica foi um experiência linda de vivenciar, pois realizaram o sonho que era desvincular a Capela de Senhora Santana da Capela de Santo Antônio de Jardim Ceará.

Segundo dados a capela de Senhora Santana teve sua existência em 1835, metade do século XIX no Distrito Macapá atual Jati Ce, da estrutura narrativiva da história da pequena Capela de Santana, sabe-se que a sua reconstrução foi em 1893, pelo Padre Vicente Sollter de Alencar, registra-se também que no ano de 1935 foi celebrada a primeira missa centenária pelo Padre Manoel Alcântara Gondim.

Parabéns

Padre Nicodemos!

Multas Felicidades.

Historiador Luís Bento de Sousa Diretor de Cultura.

JATI 30/06/2022.

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CANGAÇO E CONHECIMENTO (PRA NÃO ACREDITAR NA MENTIRA NEM SER MAIS UM MENTIROSO)

*Rangel Alves da Costa

Todo santo dia surge mais uma baboseira sobre o cangaço. Só faltam dizer que encontraram Lampião na porta do INSS para fazer prova de vida. E não sei se não dizem. Um diz que Lampião morreu em Minas, já outro assevera que sua morte ocorreu na alagoana Pão de Açúcar.

Um diz que morreu envenenado, já outro diz que nem morreu. Pelo jeito, Angico vai se tornando última opção como local de morte. Sim: dizem que aquelas cabeças eram de manequins, pois tudo armação para esconder a fuga acertada de Lampião. O sangue era tinta vermelha e os corpos degolados eram de mentirinha.

Todo santo dia surge uma história assim, sem pé nem cabeça, coisa que nem faz boi dormir. O pior é que muitos acreditam. E pior ainda que muitos escrevem sobre tais mentiras como se verdades fossem. E vão espalhando as aleivosias e os embustes de forma vergonhosa, mas sem vergonha alguma.

Por que tudo isso ocorre? Ora, só pode ser por falta de conhecimento histórico, principalmente da história do Cangaço. E conhecimento que implica em leitura, em pesquisa, em estudo de campo, em ter tempo para ouvir os antigos relatos e testemunhos, para ter capacidade suficiente de avaliar criticamente o dito e o escrito, extraindo de tudo as possíveis verdades. Ou as muitas mentiras.

Conhecimento que implica ainda em buscar diversos escritos sobre a mesma situação, de modo a tornar os múltiplos relatos em possível norte de entendimento. Para conhecer o Cangaço não se deve buscar as aparências ou basear-se somente em teorias conspiratórias. O Cangaço é uma colcha de retalhos que deve ser avistada no todo, desde suas raízes à junção de cada pedaço, pois um entremeado de ações e consequências. E num contexto que envolve injustiça, opressão, vingança, coronelismo, política e traição, dentre outros aspectos.

O acontecido permanece na história, os testemunhos ainda são muitos, mas gente ainda há que prefere o achismo ou o duvidoso. Tudo bem, mas será preciso um mínimo de atenção aos fatos, aos contextos e suas relações. Não se pode dizer apenas que não foi assim. Mas por que não foi assim? Então há que se demonstrar, com seriedade e provas, como de modo diferente aconteceu.

A maioria dos livros sobre o cangaço peca pelas ideologias e defesas próprias dos autores, sem buscar a devida isenção que todo escrito histórico precisa ter, mas ainda assim muitos escritos existem que são confiáveis e que – senão donos da verdade – ao menos traçam confiáveis percursos.

Os testemunhos gravados e que vão surgindo, igualmente devem ser vistos com ponderação, senso crítico e agudeza de discernimento. Até mesmo aqueles que estavam em Angico contam a mesma história de forma diferente e, na maioria das vezes, trazendo para si um protagonismo que nunca existiu. Volantes, coiteiros, cangaceiros, tudo contando a seu modo o que aconteceu de uma forma única. E assim fica difícil de saber quem está dizendo a verdade.

E eis a chave do problema. Apenas um livro ou dois não vai dar o conhecimento suficiente a ninguém. Apenas um testemunho ou dois não vai trazer a verdade a ninguém. Por isso mesmo será sempre preciso o descontentamento. Não se contentar com a história dada é a raiz da questão.

E assim, mesmo que jamais chegue a verdades absolutas sobre a história do Cangaço, a pessoa ao menos não vai querer nem ler ou ouvir baboseiras, mentiras, coisas de quem parece não ter o que fazer.

Escritor
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SERÁ?

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.725

Quando o Canal do Sertão chegará ao destino projetado, isto é, em terras arapiraquenses? Podemos afirmar que as obras do Canal do Sertão, rasgando o semiárido com tantos obstáculos a serem vencidos, é uma das maiores obras do planeta. Canal d’agua mergulhando por túneis, pontes e pontilhões nas áreas mais difíceis de caatinga, é uma amostra pujante da engenharia brasileira, assim como foi a de Paulo Afonso. Mesmo assim não é obra para o período de um só governo. E a redentora alagoana, infelizmente depende do estado de humor do governo federal. Como, porém, têm sido aproveitados até agora os trechos do Canal já em atividade? A falta de divulgação geral não pode orgulhar o povo que não conhece o que está sendo realizado sobre os possíveis benefícios.

CANAL DO SERTÃO (CRÉDITO: FLICKR)

“Nesta quarta-feira (29), o governador Paulo Dantas e a secretária de Infraestrutura, Maria Gevan, assinam a ordem de serviço para perímetro de irrigação do Gavião, localizado no município de São José da Tapera. O valor investido ultrapassa os R$ 11 milhões, com recursos provenientes do Fecoep. A solenidade tem início às 9h em Santana do Ipanema”.

“O perímetro irrigado do Gavião é um projeto desenvolvido pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) em parceria com a Sedetur e Seagri, localizado entre o km 100,5 e o km 103,5 do Canal do Sertão, em São José da Tapera – Alagoas. O perímetro de irrigação possuirá uma área irrigada de aproximadamente 250 hectares, tendo como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento de pequenos produtores rurais da região”.

As informações são de Camylla Klevia/Ascom Sinfra. A notícia é boa até porque as obras do Canal estão paradas e o governador resolveu continuar os trabalhos com recursos estaduais, assim falam as divulgações. Como tudo nesse país é desse jeito, vamos acreditar, mesmo assim que um dia essa obra chegue com êxito até o final da programação. Vale salientar que ainda estamos com os trabalhos dentro do Sertão, faltando ultrapassar alguns municípios da Bacia Leiteira para poder atingirmos o Agreste.

Um dia... Quando o Canal do Sertão atingir os limites Sertão/ Agreste, valerá soltarmos bombas e foguetões, mesmo com alegria retardada.

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CABRAS DE LAMPIÃO EM SÃO PAULO

 Por Anildomá Willans.

O Projeto Xaxando nos Festivais estará acontecendo na Praça da Sé, na capital paulista, no pra dia 06 de julho.

O Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, da cidade de Serra Talhada, Sertão do Pajeú, com seu espetáculo homônimo, retrata a saga de Lampião, através da dança, da música e com poesias do Ciclo do Cangaço. O grupo é referência no estado pela sua resistência no fazer cultural e é um dos principais responsáveis pela difusão do Xaxado - Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco - no Brasil e no mundo.

O Xaxando nos Festivais tem o incentivo do Funcultura/Fundarpe/Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco.

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LAMPIÃO CANGACEIRO

 Por Wesley Ferreira da Silva

AMULATADO e de estatura meia; magro e sem corcunda; barba e nuca ordinariamente raspada; cabelos compridos e, sempre que é possível, perfumados; na perna esquerda, encravada, uma bala, com que o alvejou o sargento Quelé, da polícia, paraibana; o olho direito, branco e cego, escondido pelos óculos pardacentos, de aros dourados; mãos compridas, que semelham garras; os dedos cheios de anéis de brilhantes, falsos e verdadeiros; ao pescoço, vasto e vistoso lenço de cores berrantes, preso no alto por valioso anel de Doutor em Direito; sobre o peito, medalhas do Padre Cícero, escapulários e sequilhos de rezas fortes; chapéu de cangaceiro, tipicamente adornado de correias e metal branco; ensimesmado toda vez que defronta uma turba de curiosos, folgazão quando entre poucos estranhos ou no meio de seus comparsas; não se esquecendo dum guarda-costas vigilante, à direita, sempre que desconhecidos o rodeiam; paletó e camisa de riscado claro, calças de brim escuro; alpercatas reluzentes de ilhoses amarelos; a tiracolo, dois pesados embornais de balas e bugigangas, protegidos por uma coberta e xale finos; tórax guarnecido por três cartucheiras bem providas; ágil como um felino, mas aparentando constante estropiamento e exaustão; às mãos o fuzil e à cinta duas pistolas “Parabelum” e um punhal de setenta e oito centímetros de lâmina: 

Eis Virgolino Ferreira da Silva – LAMPIÃO – duende das estradas, assombração das matas e caatingas!

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