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domingo, 4 de fevereiro de 2024

A TRAIÇÃO DE IZAÍAS ARRUDA

 Por José Cícero

Pesquisador José Cícero, anfitrião na Fazenda Ipueiras,
de Zé Cardoso e Izaias Arruda, durante o Cariri Cangaço 2010.

A história do cangaço nordestino nem sempre foi possível a construção duradoura de amizades consideradas sólidas. Amigo era quase sempre um artigo que tinha vida efêmera. Não eram amigos apenas cúmplices. Um evidente jogo de interesse que transcorria ao sabor dos acontecimentos. Era um eterno andar sob areia movediça. A lógica dos fatos nos apontava isso. Na vida do cangaço, tantos foram os exemplos desta assertiva. Mas um em particular roubou a cena, de sorte que continua até hoje mexendo com a imaginação e opiniões de pesquisadores, analistas e historiadores da saga lampiônica após o retorno de Mossoró.
 

Lampião
A começar pela forma como terminou a relação de amizade que(supostamente) existiu entre o rei do cangaço e o Cel. Izaias Arruda – um dos maiores coiteiros que Lampião mantinha a peso de ouro nestas bandas dos sertões do Caririenses. Sim. Nada era de graça quando o que estava em jogo eram os negócios lucrativos do cangaço, guiado no mais das vezes pela teoria macabra do roubo e da pilhagem. O que de fato, corrobora esta lida criminosa como uma opção clara de meio de vida. Um expediente praticado não mais pelos degredados da sorte, mas, sobretudo pelos potentados, políticos e arrogantes coronéis.

Izaias Arruda

Tanto que em Aurora, Lampião se sentia como que em casa. Com um ingrediente a mais: aqui ele se sentia seguro e em plena mordomia, em face dos verdadeiros banquetes que lhe eram oferecidos pelos poderosos do lugar e das redondezas. E não se diga que era apenas da parte do famoso coronel. Isso não. As regalias assim como os presentes dispensados aos bandoleiros iam muito além dos préstimos oferecidos pelo temível e famoso Izaias Arruda(ex-delegado de Aurora e prefeito pelas balas, de Missão Velha).

Nas terras aurorenses, Lampião parecia muito mais querido que odiado. Não se sabe se por temor ou pura admiração dos seus feitos cantados e decantados pelo Nordeste adentro. O certo é que em Aurora e circunvizinhança Virgulino promoveu seguidores muito mais que desafetos. Ao passo que verdadeiros bandos nasceram e atuaram anos a fio por estas ribanceiras seguindo a risca os preceitos do renomado cangaceiro. Inclusive de jagunços terríveis e sanguinolentos. Profissionais do crime, organizados como verdadeiras milícias particulares a serviço dos velhos coronéis do latifúndio.

Grupo de Jagunços de Izaias Arruda, em foto de 1926 na Ingazeira

Basta dizer que do subgrupo de Massilon Leite muitos eram naturais d’Aurora principalmente da região do riacho das Antas, tais como: Zé de Lúcio( o Três Pancadas), José de Roque e Zé Côco, só para citar alguns. Além de Asa Branca, natural da Ipueiras, um dos mais jovens a ingressar no bando de Lampião.
 
 
O cangaceiro Massilon
 
Sua pontaria impressionou sobremaneira o rei do cangaço. Um outro grupo muito mais presente tivera a participação de outros bandoleiros autóctones, uns profissionais outros sazonais de Missão Velha, Aurora e lugares adjacentes que vez por outra, resolviam fazer bico. Tal grupo pertencia ao coronel Izaías sob o comando direto do seu braço direito e confiável Zé Gonçalves.
            
Mesmo com sua reconhecida personalidade de homem desconfiado, como era sua praxe, Lampião nunca esperaria uma traição que viesse dos seus amigos das Auroras. Enganara-se redondamente. O tempo não tardaria a lhe provar o contrário em três grandes momentos distintos da sua empreitada nas paragens salgadianas. Tudo envolvido em conjunto na estratégia traçada na fazenda Ipueiras com vista a invasão de Mossoró, o ataque da volante sofrido no sítio Ribeiro( riacho do Bordão de Velhos dia 2 de julho) e por fim, o suculento banquete(envenenado) a cargo do vaqueiro Miguel Saraiva( da serra do Diamante e Coxá) oferecido na casa grande da fazenda-vivenda pertencente a José Cardoso, parente do famoso coronel Izaiais Arruda que terminaria com um cerco policial e o ato incendiário ao bando. Neste episodio marcante ocorrido em 7 de julho de 1927 próximo do meio-dia, cumpre destacar que em cima da hora, Lampião a 500 metros da residência, decidiu que o almoço fosse servido não mais na casa grande, mas ali mesmo, no baixio sob as sombras das Oiticicas e Joazeiros. Uma decisão providencial e salvadora.

 Volante perseguidora de Lampião no Sítio Ribeiro d'Aurora em 1927

Esta mudança obrigou o major Moisés de Figueiredo com seus quase 80 homens ajudado pelos jagunços do coronel a precipitar o plano de ataque. Empiquetados que estavam em redor da residência. Puseram fogo na manga... Lampião com sua perspicácia saíra quase incólume de mais esta. Não totalmente ileso, mas salvara a sua vida e dos seus próprios apaniguados. Teve pouquíssimas baixas. Uma saída possível do cerco da Ipueiras onde tombaram o cangaceiro Xexéu e Catita após quase quatro horas de fogo cruzados. A chuva de bala não foi nada, comparada ao incêndio do canavial e do algodoal seco que fez daquele ambiente, um verdadeiro inferno de chamas. Por sorte a direção do vento soprou o fogo para o lado dos comandados do major. E Lampião com seu bando escaparam aos gritos de despautérios pela parede do açude velho.

Foi o preço mínimo que pagara para não sofrer uma derrota ainda mais completa e humilhante. A fome, a sede, o cansaço, a falta de munição e o verdadeiro desmantelamento das suas armas de fogo. Tudo isso somado redundou no enfraquecimento e quase fim do bando lampiônico naquele momento singular da histórica marcha de Lampião depois do malogro de MossoróSeu know-how de homem estrategista ajudara a escapar de todas as armadilhas e confrontos, contra as volantes dos governos de três estados. Porém aquela refrega o abatera sensivelmente, somada a desproporção do número de combatentes que fora obrigado a enfrentar anteriormente. Chegando em alguns momentos na razão de 40 por 1 em seu desfavor.

Lampião não estava preparado para a derrota. Neste sentido tanto Mossoró quanto Aurora comprometeram para sempre a antes sólida confiança no homem forte de corpo fechado, assim como os inquebrantáveis princípios da velha ousadia dos que fizeram do cangaço uma opção para toda a vida.

José Cícero
Pesquisador - Aurora
Fonte:http://blogdaaurorajc.blogspot.com
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ESTRADA NOVA

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de fevereiro de 2.024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:3.007

A nova estrada Batalha-Olivença que será inaugurada, amanhã, traz um alento extraordinário para o município de Olivença e enriquece mais ainda a região sertaneja. Foi uma espera longa de décadas e décadas e que o ato que será realizado parecia impossível.  A estrada antiga de terra é um atalho importantíssimo para quem se desloca do Sertão e Alto Sertão em direção a Maceió. Como exemplo, saindo de Santana do Ipanema para a capital via Arapiraca, o cidadão teria que passar por Olho d’Água das Flores, Monteirópolis e Jacaré dos Homens, para chegar em Batalha e prosseguir viagem. Agora, com a nova estrada, se o santanense preferir ir à capital via Arapiraca, seguirá rumo a Olivença e diretamente para Batalha, onde pegará a duplicação.

Asfalto por cima da velha estrada de terra foi feita pelo DER – Departamento de Estrada e Rodagem num trecho de 17,5 quilômetros, a um custo de 43,4 milhões, segundo site noticioso. Com o trecho asfaltado serão beneficiadas cerca de 30.000 pessoas direta ou indiretamente, em nossa opinião beneficiando com ênfase Olivença (antiga Capim) que somente quem ia lá era quem tinha negócio, uma vez que ficava em final de linha.  Houve, mesmo assim, muito desenvolvimento em Olivença que agora terá sua ferramenta principal para evoluir na Economia e em todas as áreas. Como beneficiários indiretos, todo o Sertão e Alto Sertão agradecem mais essa vitória interiorana. Amanhã deverá haver muita festa em Olivença com derrame de champagne, cerveja e cana.

Por outro lado, a Natureza mandou ultimamente algumas  chuvaradas para o Sertão, trazendo de volta o verde que estava em falta. Um benefício do homem, um benefício de Deus. Apesar de raios e trovões as chuvas foram mansas, dadivosas e belas levantando o cheiro de terra molhada. Desde o Boom de progresso que se formou no Sertão alagoano, desde o governo passado, ainda estamos pegando carona em outras obras relevantes que faz a diferença almejada. Rodar pelo Sertão de Alagoas, hoje é muito prazeroso com todas as cidades interligadas por via asfáltica. Que vontade de fazer parte da inauguração da nova estrada por onde tanto rodei altas madrugadas para estudar. Viva o sertão e o mundo!

(FOTO DO DER)


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ENTREVISTA INÉDITA COM O PRIMO DE SARACURA E FLORÊNCIA | CNL | 1456

 Por Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=U6w5KFWqvU4&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura


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SARLAT-LA-CANÉDA

 Por Honório de Medeiros

Sarlat-la-Canéda é uma comuna francesa localizada na região administrativa da Nova Aquitânia, no departamento Dordonha, Périgord-Noir.

Aguardo a partida do trem e escuto "As Quatro Estações", Vivaldi.

E escrevo, claro.

No caminho, Bergerac. Lembro-me imediatamente de Anatole France: "Monsieur Bergerac em Paris".

Um dia, vou lê-lo novamente. 

A região é a rural francesa. 

Seus rios aquosos, plácidos, banham belas, sonolentas e ancestrais cidadezinhas perdidas no verde da França. 

O Perigord é cheio de pequenos "chateaus" repletos de beleza e história que surgem de repente e são rapidamente deixados para trás pelo trem veloz.

Quero parar em cada um deles, conversar com seus castelões, desvendar seus segredos e os de seus antepassados, mas o trem não para. 

Vivaldi continua.

A cerração matinal nos acompanha, o sol se esconde.

O orvalho molha a janela do trem e o mundo fica cinza...

Sarlat é linda, indescritível. 

Andando pelo centro histórico, medieval, fico imaginando o dia-a-dia dos seus habitantes de então: suas relações, os amores, a comida, o sexo, a música, as intrigas políticas, os donos do poder, a escuridão e o silêncio da noite profunda.

Será que um dia volto e refaço todo esse percurso?

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honoriodemedeiros@gmail.com

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LUTO!

Por José Tavares de Araújo Neto.

LUTO: Pombal e o Estado da Paraíba perdem o radialista Clemildo Brunet, um dos mais importantes nomes da história de nossa radiofonia.

Nossas condolências aos amigos e familiares.

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sábado, 3 de fevereiro de 2024

80 ANOS ANGICO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=c5nxaMHADJk&t=849s&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com Vídeo documentário dos 80 anos da morte de Lampião - Combate de Angico

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CEMITÉRIO DA SERRA VERMELHA, ONDE FOI SEPULTADO O MAIOR INIMIGO DE LAMPIÃO.

 Por Professor Marcus

https://www.youtube.com/watch?v=OlOSaGISbec&ab_channel=ProfessorMarcus

Antigo cemitério localizado na região da Serra Vermelha no município pernambucano de Serra Talhada onde está enterrado José Alves de Barros o "Zé Saturnino", primeiro inimigo de Lampião. GOSTOU DESSE VÍDEO ? ► Deixe seu comentário ► Clique em “GOSTEI” ► Compartilhe com os amigos

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A TRÁGICA VINGANÇA DE CORISCO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=7vvsPz4HtaU&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Nesse vídeo mostramos a casa da Fazenda Patos ainda toda em pé. Com depoimentos de Sílvio Bulhões, Alcino Costa e o ex-volante Josias Valão, falando sobre esse trágico acontecimento ocorrido no final do cangaço. Para participar da Expedição Rota do Cangaço entre em contato pelo e-mail: narotadocangaco@gmail.com Seja membro deste canal e ganhe benefícios:    / @aderbalnogueiracangaco  

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PETRONILO DE ALCÂNTARA REIS, DESAFETO DO CAPITÃO LAMPIÃO POR PURA ESPERTEZA.

Por José Mendes Pereira

A literatura lampiônica diz que, segundo Guilherme Alves, o famoso ex-cangaceiro Balão, afirmou para alguns historiadores que este senhor de coronel Petronilo Reis, comprou propriedades juntamente com o capitão Lampião, e em vez de fazer escrituras nos nomes dos dois, como proprietários, usou a sua sabedoria, registrando  somente no seu nome. O capitão lampião não gostou nem pouco, e prometeu matá-lo, mas a morte não aconteceu, porque o coronel deu no pé, em busca das Alagoas.

Veja o que disse o cangaceiro Balão: 

" - Lampião havia comprado as terras em sociedade com um tal de Petronilo de Alcântara Reis: Tronqueira, Cachoeirinha, Formosa. Mas Petronilo as registrou apenas em seu próprio nome. Lampião zangou-se. Eu mesmo ajudei a matar muito gado a tiro, na Cachoeirinha. Petronilo fugiu para Alagoas".

Leia o que fala o escritor João de Sousa Lima sobre os dois patenteados, coronel Petronilo de Alcântara Reis (Petro), e Virgolino Ferreira da Silva (o capitão Lampião): 

O ATAQUE DE LAMPIÃO AO CORONEL PETRONILO REIS.

Quando em 1928 Lampião cruzou o Rio São Francisco saindo de Pernambuco pra Bahia, um dos primeiros contatos foi com o coronel Petronilo de Alcântara Reis, "Petro". Era o chefe político de Santo Antônio da Glória, cidade hoje submersa pelas barragens do Rio São Francisco.

Vários livros contam que a amizade de Lampião com o coronel foi desfeita por que o coronel traiu Lampião, teriam os dois uma sociedade em terras e animais.

Quando houve a batalha que morreu Ezequiel, irmão mais novo de Lampião, fato acontecido na Baixa do Boi, em Paulo Afonso, Lampião encontrou em um dos bolsos de um policial morto no combate, um bilhete do coronel endereçado ao comandante da volante e o bilhete falava dos esconderijos dos cangaceiros. Lampião arquitetou sua vingança incendiando em torno de 18 fazendas do coronel. Começando de Glória, cruzando o Raso da Catarina, Lampião tocava fogo e matava os animais.

 Neste mesmo local ficava um curral queimado pelos cangaceiros.

Dessas fazendas a única que permanece de pé é a fazenda Paus Pretos. Antes Paus pretos pertencia a cidade de Curaçá e hoje pertence a Chorrochó. Em Paus Pretos ainda resta os tornos de madeira com marcas escuras do fogo.


 Dois tornos com marcas do fogo

A fazenda é administrada por Paulo Reis, neto do coronel. Nas cheias forma-se um açude com sete quilômetros de extensão, no momento o açude encontra-se seco. Na casa sede da fazenda Lampião prendeu o vaqueiro Agostinho e o fez entrar dentro do curral e pegar na mão um cavalo e o vaqueiro conseguiu depois de muito trabalho.

Sede da fazenda Paus Pretos

João de Sousa e Paulo Reis, neto do coronel Petro.

 Nesse açude os cangaceiros mataram vários animais.

Os cangaceiros tiraram madeiras do curral e tocaram fogo na casa, quando o fogo começou a tomar os compartimentos da residência um papagaio começou a gritar: Olhe o fogo Maria. Maria, Maria, olhe o fogo. Lampião mandou um cangaceiro entrar na casa, atravessar o fogo e salvar o papagaio. O curral foi todo queimado e os animais mortos.

O local onde Lampião assistiu a primeira missa na Bahia.       

Em 1928 quando Lampião atravessou pro estado da Bahia a região que fica dentro do Raso da Catarina foi muito explorada pelos cangaceiros. a primeira missa que os cangaceiros assistiram no estado baiano foi ministrada pelo  Monsenhor Emílio de Moura Ferreira Santos. o padre era o pároco de Santo Antônio da Glória, a antiga Curral  dos Bois.

 Escombros da casa de Júlia de Subaco

O povoado São José, em Chorrochó foi uma das localidades que os cangaceiros também assistiram missa. Mais a primeira que foi celebrada pelo Monsenhor Emílio aconteceu entre a fazenda Paus Pretos, que pertencia ao coronel Petro e a roça Baixa do Boi. A missa foi na casa Júlia de 'Subaco', na fazenda poço Comprido.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2013/05/joao-na-pisada-do-cangaco.html

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LAMPIÃO E CORISCO: UMA DURA PERSEGUIÇÃO À FAMÍLIA JUREMEIRA NO OLHO D’ÁGUA DOS COELHOS. “SANTO ANTONIO DA GLÓRIA DO CURRAL DOS BOIS NO TEMPO DO CANGAÇO”.

 Por João de Sousa Lima

Curral dos Bois foi uma das primeiras povoações a acolher Lampião depois que ele atravessou de Pernambuco pra Bahia.

O Chefe Político de Glória, o coronel Petronilo de Alcântara Reis, acabou tendo seu nome ligado com o cangaço e Lampião em várias histórias, foi coiteiro famoso e também inimigo depois que traiu Lampião, traição que Lampião pagou incendiando várias fazendas do coronel dentro do Raso da Catarina.

Uma das mais importantes famílias de Glória, família de sobrenome Juremeira, que vivia no povoado Olho D’água dos Coelhos, sofreu grande perseguição de Lampião e Corisco.

Para entender um pouco da história dessa família e a ligação com o cangaço devemos tomar conhecimento que Pedro Juremeira foi delegado na fazenda Caibos (Caibros) e por isso ficou marcado pelo cangaço. Era também quem fazia a segurança do coronel Petro e era proprietário de um barco que fazia a travessia do Rio São Francisco entre Bahia e Pernambuco, entre Rodelas e Petrolândia. A fazenda Caibos hoje esta inundada e as pessoas estão residindo nas agrovilas II e III.

Lampião mandou um recado para Pedro para que em um dia marcado ele fizesse a travessia dos cangaceiros do lado pernambucano para o lado baiano e Pedro não atendendo a solicitação, convocou alguns policiais e quando da aproximação dos cangaceiros acabaram trocando tiros com o grupo de Lampião, começando ai uma grande “Rixa” entre os dois.

Manuel Juremeira e Hemernegilda de Araújo.

Em uma das perseguições dos cangaceiros a Pedro Juremeira, Corisco, a mando de Lampião, pegou um primo de Pedro, chamado Leonídio (Lió), no povoado Olho D’água dos Coelhos, pra ele informar onde poderia encontrar Manuel Juremeira, pois não conseguiam encontrar Pedro e quem iria pagar a vingança dos cangaceiros era Mané Juremeira. Lió levou os cangaceiros até a roça “Pé da Serra” e chegando lá prenderam Manuel na roça e o trouxeram para sua residência, onde estava a esposa Hermenegilda “Miné” com os quatro filhos: Otacílio, Ananias, Lídia e Joana.

Na casa de Leonídio ficaram três cangaceiros vasculhando baús e armários em busca de jóias e dinheiro enquanto Corisco seguia com mais dois cangaceiros e o refém para a roça.

Chegando próximo de Mané Juremeira Corisco sentenciou o aflito rapaz de morte dizendo:

- Sabe com quem tá falando?

- Não!

- Corisco! Você vai morrer no lugar de seu irmão!

- Eu sou contra meu irmão! Morrerei inocente e sem culpa, mais maior que Deus, ninguém!

- Nada de Deus! Deus hoje aqui é a gente!

Os cangaceiros manobraram os fuzis e apontaram para os peitos e costelas de Manuel. Nesse momento dona Miné saiu de dentro da casa  e correu e se abraçou com o marido:

- Aqui você não mata não! Meu marido é inocente!

- Saia da frente que vim matar foi homem e não mulher!

Nesse momento foi chegando Filigeno Furtuoso, amigo de Manuel que era tropeiro e residia na Tapera da Boa Esperança, em Penedo, Alagoas. O amigo sempre que passava na região dormia na casa de Manuel pra no outro dia viajar até Jeremoabo, onde comprava uma carga de fumo para sair revendendo, em sua junta de cinco burros.

Diante dos olhares dos cangaceiros e da situação em que encontrou o amigo Manuel, o tropeiro falou:

- Taí esses cinco burros arreados e eu lhe dou em troca da vida desse homem!

- Negativo! O senhor tem dinheiro?

- Não tenho! O que eu tinha era 800 contos de réis mais os outros cangaceiros que estão na casa de Leonídio já pegaram.

- E daqui a 30 dias?

Nesse momento o próprio Manuel respondeu:

- Ai eu tenho!

- Então vou liberar você e se não pagar eu volto e mato todo mundo.

Manuel escapou nessa hora.

O sargento Zé Isídio ficou sabendo do acontecido e intimou Manuel a ir a delegacia. Quando Manuel chegou o sargento o acusou:

- É você que é Mané Juremeira protetor de bandido?

- Sou Mané Juremeira, mais protetor de bandido não! Eu prometi pagar uma quantia para não morrer!

- Então agora você vai ter que vir morar em Glória!

Manuel foi obrigado a vir residir em Glória e nunca pagou a quantia estipulada por Corisco. Tempos depois os cangaceiros acabaram encontrando o tão procurado Pedro Juremeira em uma fazenda chamada Papagaio, em Pernambuco. Pedro estava dentro de uma casa e os cangaceiros o cercaram, prenderam o rapaz, amarraram em um mourão, perfuraram o corpo do rapaz todo com pontas de punhais e foram almoçar na residência. Depois do almoço os cangaceiros retornaram onde estava o corpo e descarregaram as pistolas na cabeça do já falecido jovem.

Otacílio Juremeira.

Depois de três dias da morte de Pedro, o pai do rapaz, Teodório Juremeira, mandou um recado para uns amigos descerem o corpo de Pedro em uma canoa até Santo Antônio da Glória, onde foi enterrado. Quando a família encontrou o corpo já estava apodrecido e tiveram que derramar uma lata de creolina.

Trinta dias depois do sepultamento os cangaceiros mandaram o portador Martim Gabriel, primo de Manuel Juremeira, que residia nas Caraíbas, Brejo do Burgo, com uma carta, cobrando o dinheiro que Manuel prometeu.

- Diga a eles que não mando não! Eu já moro na cidade e se eles quiserem vim aqui incendiar minha casa pode vir!

Depois de três anos o governo armou toda a população de Santo Antônio da Glória. Mané. Otacílio e Ananias pegaram em armas para fazer essa defesa do local.

Quando mataram Lampião a família Juremeira retornou para suas roças no Olho D’água dos Coelhos, porém, na época de Lampião e Corisco, quando eles eram os senhores das caatingas do Raso da Catarina, “Os Juremeiras” sofreram perseguições e mortes.

Paulo Afonso, 16 de outubro de 2017.

João de Sousa Lima

Historiador e Escritor

Membro e Vice-Presidente da Academia de Letras de Paulo Afonso.

Membro da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.

Material enviado por e-mail pelo autor para o nosso blog em 16/10/2017. Estou apenas repostando para aqueles que não tiveram a oportunidade de lê-lo.

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ETERNO ZÉ DE JULIÃO.

Por Rangel Alves da Costa

Ontem (quarta-feira), andejando pelos sertões de Poço Redondo e mais uma vez visitando as Pedras da Bastiana, local onde foi encontrado o corpo sem vida do político, ex-cangaceiro Cajazeira, e cidadão poço-redondense José Francisco do Nascimento, O ETERNO ZÉ DE JULIÃO.


Adquira este livro com o autor através deste e-mail: 


Ou através do e-mail abaixo, com Francisco Pereira Lima, o Ilustre professor Pereira, lá na cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba:

 franpelima@bol.com.br. 

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FREI DAMIÃO, O OUTRO SANTO DO SERTÃO.

 Por Rangel Alves da Costa

A fita de Juazeiro é milagrosa, a rapadura de Juazeiro é abençoada, um retrato ao pé da estátua é motivo de orgulho e devoção. Por que assim acontece? Ora, o povo sertanejo cria os seus próprios santos. Não adianta, por exemplo, alguém negar a santidade e o poder milagreiro do Padim Pade Ciço. É o santo do sertanejo, do nordestino, do beato e da rezadeira. O Vaticano sequer precisa oficializar sua santidade. Santo já é. O mesmo vem ocorrendo com Frei Damião, o missionário capuchinho que hoje tem pedestal garantido nos casebres e casinholas, nas casas de fazenda, nos oratórios e nos corações sertanejos. E tanto Padim Ciço como Frei Damião operando milagres, pois até mesmo o milagre é mais fruto da crença e da devoção do que da ação prática transformadora de uma situação.

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RELEMBRANDO A CASA VELHA DO CURURIPE (E OUVINDO UMA IMPORTANTE LIÇÃO).

Por Rangel Alves da Costa

Eu nem imaginava que um dia construiria a Casa de Pedra nas proximidades, e já gostava de passear pelas terras da histórica Fazenda Cururipe, já na posse dos herdeiros de Seu Odon. Perante os meus passos e meu olhar, tudo ali era belo, instigante, convidativo ao conhecimento do mundo sertanejo. Ora, no passado pertenceu a Julião do Nascimento, pai de Zé de Julião, famoso ex-cangaceiro e político de Poço Redondo. No Cangaço, Zé de Julião foi apelidado de Cajazeira, e sua esposa Enedina continuando com o mesmo nome. Julião do Nascimento era um dos mais ricos de Poço Redondo, pois além do Cururipe também era dono da Maralina e de outras grandes propriedades. Após os anos 50 do século passado, o Cururipe passou a pertencer a diversos donos, até ser adquirida por Seu Odon, cujos herdeiros permanecem com parte de suas terras até os dias atuais. Mas a velha sede não existe mais. No local da velha casa apenas escombros, um monte de restos de telhas, madeira carcomida e retorcida e punhados de barro esfarelando. Logo abaixo dos escombros, de repente surge um velho candeeiro, um pedaço de foice ou facão, uma desgastada tira de um chicote. Quando ainda estava em pé, mesmo já se dobrando pelo peso dos anos, muitas vezes adentrei suas portas (sempre acompanhado por um dos filhos) atrás de relíquias e velharias. E muito consegui. Hoje, quem passa pela estradinha do Cururipe e avista outra velha casa na vizinhança da outra, logo imagina ser a mesma. Mas não é. Esta casa pertence a Zé Wilson, filho de Seu Odon, que mantém o local como relíquia familiar e para guardar mantimentos para o cuidado do gado, pois tem um curral bem ao lado. Esta casa também está tão velha que mais parece da mesma idade da outra já desabada. O segredo para que ainda se mantenha de pé me foi revelado pelo próprio Zé Wilson: “Aquela outra casa velha só foi desabando porque quase ninguém mais entrava lá dentro. E casa velha quando se sente abandonada, é como se fosse entristecendo, esmorecendo, e perdendo suas forças de vez, até desabar. E o mesmo vai acontecer com essa aí. No dia que eu fechar suas portas ou aparecer apenas de vez em quando, não demora muito e ela vai cair. Por isso que mesmo estando assim velhinha, todo dia sua porta é aberta e vai entrando e saindo gente. Parece que a casa sente. Parece que depende disso para continuar em pé”. Achei interessantíssima tal explicação. E ele tem plena razão: “Parece que a casa sente”. Sente mesmo! Na foto abaixo, eu na velha e já desabada casa do Cururipe.

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ALCINO E RANGEL NO MARANDUBA.

Por Rangel Alves da Costa

Em anos diferentes, nas terras históricas e cangaceiras do Maranduba, em Poço Redondo, e tanto o pai como o filho testemunhando a fascinante paisagem que em 32 foi cenário e palco de um dos maiores combates da história do Cangaço: o Fogo do Maranduba. Guarnecidos por sete umbuzeiros, com os cabras divididos nos sombreados e arredores de cada um, o bando de Virgulino Lampião fez o chão tremer e fragorosamente derrotou nada menos que duas das mais afamadas volantes, a comandada pelo pernambucano Mané Neto e a liderada pelo baiano Liberato de Carvalho. “Taca fogo, taca fogo!”, gritava Lampião, enquanto a bala zunia e o sangue da soldadesca espargia.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

FOTO DE UMA FORÇA VOLANTE COMBATENDO CANGACEIRO.

 Guilherme Velame Wenzinger (Moderador).

Foto original de uma força volante pernambucana encontrada por uma prima da jovem Francine Paula, na casa de sua tia-avó, "Mazinha", em Inajá(PE). Francine é dona de uma página no Instagram que fala sobre coisas do sertão. 

Essa foto foi doada pelo Tenente Pompeu Aristides de Moura ao avô de Francine. O Ten. Pompeu era tio do avô dela. A foto tem uma dedicatória escrita a Manoel Lacerda Lima.

Segundo Francine, o Ten. Pompeu é o segundo agachado da direita para esquerda.

Acervo: Francine Paula e família.

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