Por Manoel Severo Barbosa
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sábado, 16 de março de 2024
PROGRAMAÇÃO OFICIAL CARIRI CANGAÇO AFOGADOS DA INGAZEIRA
A EXUBERANTE FESTA DO BOI.
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3024
Êxito
retumbante do lançamento do livro “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa
de Santana do Ipanema”, em Maceió. A Estaiada Choperia e Drinkeria,
do meu sobrinho Felipe, ficou lotada de tantos santanenses e de pessoas dos
mais diversos lugares. Pareceu mesmo uma festa de confraria, sem rigidez de
formalidades. O riso frouxo no salão; a presença de quatro escritores, dois de
Maceió, um de Santana e outro da região de Olho d’Água das Flores/Santana; vários
ex-alunos do Ginásio e do Colégio Estadual Mileno Ferreira; amigos de longas
datas; familiares e pessoas do grupo dos 100 e outros de fora atraídos pela
noite de Cultura, abrilhantaram a festa numa verdadeira apoteose.
Foi
muita alegria, muito carinho e rasgados elogios, inclusive do próprio
mestre-de-cerimônia, ex-aluno, intelectualizado, inspirador e aniversariante do
dia. A oração oficial foi assegurada com o mestre Antônio Sobrinho (Tonho
Cupim), ex-funcionário do Banco do Brasil, orador maçônico arrebatador e que
muito ajudou no evento colocando a cereja no bolo. A noitada do intelecto,
permitiu um êxito de venda extraordinário, com rendimento de histórias
individuais narradas que se formaram em grupos, após,
permitindo novo material para outros livros no porvir. E no meio da conversa
que vem, da conversa que vai, acabei descobrindo o nome de guerra do
ex-cangaceiro Filemon, coisa muito pesquisada e já considerada perdida.
Agora vamos
para a segunda etapa de lançamento que será realizado no miolo de Santana do
Ipanema, no Restaurante do outro Sobrinho, Cleber, no “Santo Sushi”, Bairro
Domingos Acácio. “O Boi, a Bota e a Batina”, que tem início no Brasil Colônia,
segue rigorosamente por ordem cronológica de todas as
fases políticas e históricas brasileiras até desaguar no ano de 2006, quando
foram encerrados esses trabalhos, com 436 páginas e mais de 360 ilustrações.
Amigo, amiga, você se comprometeu com o grupo. Pode esquecer de comparecer, mas não esqueça do compromisso do PIX. A gráfica é um contrato coletivo.
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SEDIÇÃO DO JUAZEIRO CHEGA AO FIM.
Por Robério Santos
Em 15 de março
de 1914 a Sedição do Juazeiro chegava ao fim com a queda do presidente do Ceará
Franco Rabelo. Na imagem, Floro Bartolomeu no lado esquerdo. Floro e Padre
Cícero saíram vitoriosos na guerra de 1913/14. Trincheira de Santo Antônio.
Acervo: Museu do Ceará - Fortaleza, CE, Brasil.
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RARIDADE...
Por Guilherme Machado Historiador/pesquisador
Rara fotografia dos
Cangaceiros com várias crianças olhando!!!
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O FIM TRÁGICO DOS MARCELINOS
Por Beto Rueda
O banditismo
no sertão nordestino a partir dos anos 20 cresceu de forma assustadora. A
grande seca de 1919 que devastou a região, reduziu as populações a uma indescritível penúria. Os assaltos a mão armada se sucediam num crescendo,
tanto nas estradas quanto nas fazendas e vilarejos.
O bando dos
Marcelinos ilustra a história do cangaço nos sertões do Cariri, através de sua
vivência e atuação nesta região.
Família
humilde procedentes de Pernambuco, do sítio dos Moreiras, atual Moreilândia. Os
irmãos João, Manoel e Raimundo dedicaram boa parte da vida trabalhando em
fazendas como agricultores e vaqueiros.
A desgraça
começou em meados de 1923 quando o irmão mais velho João é repreendido por Ioiô
Peixoto, chefe de polícia, na feira de Serrita(PE). No momento que é desarmado
de sua faca em público e diante de tamanha humilhação, jura vingança. Comunica
os seus irmãos do fato e decidem surrar o policial. Ioiô enfurecido, contrata
um pistoleiro bastante afamado na região para dar cabo dos Marcelinos. Cientes
do perigo, eles abandonam o trabalho nas fazendas, vendem os seus bens e
compram armamentos. Para consumar a vingança, fuzilam Ioiô Peixoto. A partir
desse momento, ingressam na vida do crime.
Os Marcelinos
ganham fama de perigosos, saqueiam, matam. Tudo isso acontecia em grande parte
com o apoio de muitos coronéis da região do Cariri que os escondiam e
encomendavam serviços. Os cangaceiros atuavam principalmente na ligação dos
municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha.
A fama vai se
espalhando, transpõe divisas e se alastra nos estados vizinhos. Respeitados,
viram também aliados de Lampião em diversas ações, inclusive no ataque a cidade
paraibana de Cajazeiras e na tentativa de ataque a Mossoró, no Rio Grande do
Norte. Por sua agilidade e destreza com as armas, Manoel recebe a alcunha de
Bom Deveras.
Tempos depois
o grupo decide não seguir mais Lampião e continua a praticar crimes na região
do Cariri.
O fim do bando
dos Marcelinos se dá com a morte de Manoel(Bom de Veras) pela volante, no Sítio
Minador, na casa de Raimundo Alexandre. Tempos depois foi morto João(Vinte e
Dois), o mais velho, na Chapada do Araripe. João entra morto na cidade de
Barbalha, pendurado num pau, com o seu cabelo arrastando pelo chão, como troféu,
pelos policiais.
Raimundo(Lua
Branca) ferido e os demais cabras que ainda estavam com Vinte e Dois, foram
capturados e levados a cadeia pública de Barbalha: João Gomes, Joaquim Gomes,
Pedro Miranda e Manoel Toalha.
Na manhã de 05
de janeiro de 1928, com o pretexto de transportar os presos até a capital
Fortaleza, o sargento José Antônio e seus soldados, conduziram os detentos para
o sítio Alto do Leitão, localizado junto a velha estrada entre Barbalha e
Crato. No local, obrigaram os presos cavarem suas próprias sepulturas. O
desespero e a coragem do grupo acabou tornando a chacina ainda mais dramática:
Não satisfeitos, fuzilaram um a um, sem piedade. Até o último cair na cova
mortuária.
Covardia,
vingança, lei..
O Massacre do
Alto do Leitão foi sem dúvidas um dos mais marcantes e trágicos episódios do
cangaço em terras cearenses.
REFERÊNCIAS:
SANTOS, Vilma
Maciel Lira dos. Os fuzilados do Leitão: uma revisão histórica. Juazeiro do
Norte: HB, 2001.
MELLO,
Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no
Nordeste do Brasil. 2.ed. São Paulo: A Girafa, 2004.
PEIXOTO
JUNIOR, José. Bom Deveras e seus irmãos. 2.ed. Goiânia: Kelps, 2009.
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BRAVURA E RESISTÊNCIA DO POVO DE MOSSORÓ
Acervo Davi Lima
Uma festa de
arromba promovida pelo Humaytá Futebol Clube fazia ferver a sociedade de
Mossoró naquela noite do 12 de junho de 1927, véspera do dia de Santo Antônio.
Foi quando começou a correr a notícia de que Virgulino Ferreira, o temido
cangaceiro Lampião, se aproximava da cidade.
Horas antes,
ele e seu bando tinham atacado a vizinha vila de São Sebastião (atual município
de Governador Dix-Sept Rosado). Em poucos momentos, todo o rigor daquele baile
- que exigia branco para os cavalheiros e azul e branco para as damas - amarfanhou-se
e perdeu graça, abalando o momento de glamour ostentado pela elite do sertão.
Mossoró era
uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo
Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do
ataque do rei do cangaço ao município. A maioria dos habitantes, no entanto,
parecia não acreditar. Tudo estava tão tranquilo que, no mesmo 12 de junho,
Mossoró parecia mais preocupada com o clássico entre os times de futebol do
Ipiranga e Humaytá do que com a possível chegada de Lampião às suas cercanias.
A partida de
futebol transcorreu dentro da mais absoluta rotina. Já o baile, por mais que
alguns participantes e os diretores do clube tentassem abafar as notícias
vindas da vila de São Sebastião, foi tomado pelo alvoroço e pelo medo. "O
apito da locomotiva da rede ferroviária suplantava o pânico dos
mossoroenses", narra o jornalista Lauro da Escóssia, testemunha do
acontecimento, no livro Memórias de um Jornalista de Província.
prefeito, já
havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do rei do cangaço ao
município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar. Tudo
estava tão tranquilo que, no mesmo 12 de junho, Mossoró parecia mais preocupada
com o clássico entre os times de futebol do Ipiranga e Humaytá do que com a
possível chegada de Lampião às suas cercanias.
A partida de
futebol transcorreu dentro da mais absoluta rotina. Já o baile, por mais que
alguns participantes e os diretores do clube tentassem abafar as notícias vindas
da vila de São Sebastião, foi tomado pelo alvoroço e pelo medo. "O apito
da locomotiva da rede ferroviária suplantava o pânico dos mossoroenses",
narra o jornalista Lauro da Escóssia, testemunha do acontecimento, no livro
Memórias de um Jornalista de Província.
"Os trens
começavam a se movimentar, conduzindo famílias e quantos quisessem fugir de
Mossoró." Segundo ele, durante toda a noite e na manhã seguinte, a
ferrovia permaneceu ininterruptamente agitada.
Na vila de São
Sebastião, conforme as notícias que desmancharam o baile do clube Humaytá,
Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a
estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo, uma modernidade
sempre combatida pelo chamado rei do cangaço, na tentativa de impedir que o seu
paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.
Até as
primeiras horas da manhã do dia 13, muita gente havia deixado suas casas em
Mossoró, que à época tinha cerca de 20 mil habitantes. O temor ao famoso
cangaceiro não era brincadeira. Duas mulheres em pleno serviço de parto, conta
Escóssia, foram retiradas em macas para a cidade de Areia Branca, a quilômetros
dali. Mas o esvaziamento não era só fruto do pânico. A estratégia da prefeitura
- que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes
era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Quanto mais
vazio o lugar, na avaliação do coronel Rodolfo Fernandes, maior a chance de
repelir o bando de cangaceiros.
A ESTRATÉGIA:
Fazia tempo
que Lampião planejava encarar o desafio de invadir Mossoró. Seria a maior
tentativa de rapinagem do bando, como conta o historiador Frederico
Pernambucano de Mello no seu livro Guerreiros do Sol, no qual defende a tese de
que o cangaço era um meio de vida. Pouco antes de chegar à cidade, Lampião
enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400
contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes
superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de
junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores
do município potiguar. Sem resposta ao primeiro comunicado, Lampião, já
impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. Os termos do bilhete, que
consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país), eram
muito diretos e recheados de erros de português: "Cel. Rodopho, estando eu
aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pa (para) o Sinhoris, si
por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito
(evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi
penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº
(dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo". Ele assinava
"Cap. Lampião". O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram
não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A
cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para
apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma
neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala
ecoaram.
O CONFRONTO:
Lampião tinha
53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo
menos 150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia
estava lá, vendo tudo de perto. "Durante toda a noite, a detonação de
armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada", escreveu
em O Mossoroense. Mas as mulheres rezavam para outro santo junino, o Antônio
festejado naquele dia. No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu
bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois
de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início
da luta, o capitão do sertão - outra das alcunhas dadas ao célebre cangaceiro -
sentiu que dominar a cidade seria praticamente impossível. Ordenou então a
retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais
sua reputação. "A partir desse momento a estrela do bando lentamente
passaria a brilhar cada vez menos", escreveu o historiador Pernambucano de
Mello. O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força
policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo
do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do
Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por
marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o
voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que
assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do
feito de braveza ao contar que seus antepassados "botaram Lampião para
correr". Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar
mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da
gruta de Angico, em Sergipe.
@nordeste_antigo
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AÍ VEM ZÉ RUFINO PERSEGUINDO OS CANGACEIROS.
Por Helton Araújo
Aí vem José
Rufino perseguindo o cangaceiro, que é um homem destemido no nordeste
brasileiro, sujeito das pernas moles e tem o dedo ligeiro
Qual sua
opinião sobre a atuação de José Osório de Farias, o afamado Zé Rufino no
cangaço ? Deixe sua opinião no espaço destinado para comentários.
Aproveite e
assista nosso vídeo sugestivo. " A TRAGÉDIA DAS GUARIBAS. A MORTE DO
VALENTE CHICO CHICOTE " . SEGUE O LINK ABAIXO
https://youtu.be/bfbVHcdCmZ0?si=sMPhqn94Ec_qVBsi
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O CAPITÃO LAMPIÃO, ANTONIO FERREIRA E SEUS COMANDADOS, POR PURA VINGANÇA, BAGUNÇAM O ESTADO DE ALAGOAS.
Por José Mendes Pereira
No ano de 1927, após sete anos das mortes de dona Maria Sulena da Purificação (morte natural), e seu pai José Ferreira da Silva ou Santos, este assassinado por arma de fogo, quase cinco meses faltando para uma possível invasão à Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, Lampião e seu mano Antônio Ferreira da Silva, resolveram intranquilizar o Estado de Alagoas, com permanentes invasões, usando o ódio e o poder de vingança sem piedade, e eliminando vidas sertanejas inocentes, mas sem medo, responsabilizando o militar da Polícia de Alagoas, o tenente coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão, maior desafeto de Lampião, por ter matado o seu querido e amado pai, enquanto o amado velho debulhava grãos em sua nova residência, no Estado de Alagoas. A maldade que haviam feito com o seu pai, assassinando-o sem motivo nenhum, porque o velho não tinha nada a ver com as suas desordens, o capitão Lampião e o irmão não pretendiam deixar impune.
Se o militar José Lucena o procuravam para eliminá-los do solo sertanejo, que tivesse se embrenhados até as caatingas do nordeste brasileiro, pois era por lá, que eles e toda cangaceirada da sua "Empresa de Cangaceiros Lampiônica Cia" estavam com redes armadas e cachimbos acesos nos coitos que faziam por lá, e não tivesse eliminada a vida de um senhor admirado no meio de toda vizinhança do sertão Pajeuense, principalmente em Vila Bela, nos dias de hoje Serra Talhada.
Um dos motivos das desordens dos irmãos naquele Estado alagoano era para mostrarem ao tenente coronel José Lucena, que a sua imagem como militar, não passava de um simples homem covarde e oportunista, por ter exterminado a vida de um senhor pacato, amigo respeitado por toda gente daquela região que antes morava.
O outro motivo, foi para cobrar do Zé Saturnino por ter usado a sua covardia contra o seu pai, quando antes, ambos, eram compadres, amigos e vizinhos de propriedades, fazendo o velho sair dali, às pressas, privando o direito dele, da sua esposa e de toda família serem felizes na sua amada terra, onde nasceram e se criaram, obrigando-os fugirem do querido chão pernambucano, e os empurrando para as terras que só as conheciam como passeio. Clique neste link e leia sobre a morte de José Ferreira da Silva..., e conheça Senhor Maurício Vieira de Barros, o homem que enterrou o velho Ferreira - https://tokdehistoria.com.br/tag/pai-de-lampiao/
Lá em Pernambuco, seu pai e os seus familiares, com saudades, deixaram para trás, tudo que haviam adquirido com muito trabalho e esforço: propriedade, agricultura, criações e principalmente, um baú de sonhos, sonhos e muitos sonhos que pretendiam tornar realidade. Não querendo que seus filhos continuassem na desgraça, seu José Ferreira da Silva achou que a solução seria abandonar tudo ali, e sem muita demora, vendeu tudo que possuía por um valor insignificante, ganhando como prêmio, um grande prejuíso. Que tamanha infelicidade provocada por um homem que um dia se dizia ser um grande amigo do seu pai!
Lá, em Alagoas, os Ferreiras, filhos e filhas tiveram o desprazer de caminharem para assistirem o sepultamento da sua mãe dona Maria Lopes, que faleceu quase que de repente, infartando. Sentindo bastante desrespeito do Zé Saturnino com o seu esposo, veio a óbito. E com poucos dias que a mãe partira para a eternidade, foi a vez de levarem o pai para enterrá-lo, porque fora assassinado pelas armas do tenente José Lucena.
No silêncio do seu “EU”,acho que o rei dizia que não tinha dúvida, que o principal culpado das suas desventuras, era o Zé Saturnino, por não ter assumido a sua desonestidade, quando o assecla viu peles dos seus animais na casa de um dos moradores da Fazenda Pedreiras. Se o fazendeiro tivesse assumido o feito, não teria sido necessário ele e seus irmãos viverem de correrias dentro das matas, tentando ocultarem das volantes que os perseguiam.
O rei do cangaço, talvez, ainda se lastimava que todos os seus antes amigos, viviam passeando pelas redondezas do lugar, livres de perseguições, e diariamente aconchegados às mocinhas do povoado, frequentando festas e bailes. E enquanto os outros gozavam da liberdade, eles eram privados de participarem dos divertimentos que o povoado oferecia. Infelizmente, teriam que passar a vida inteira se amparando às árvores, castigados pelas chuvas, sol, poeiras, dormindo no chão, misturados com insetos de todos as espécies, no meio de violentos tiroteios, tentando se livrarem dos estilhaços de balas. E na maioria das vezes, fome, fome, e muita fome, vivendo um horroroso sofrimento.
Lampião e seu irmão Antonio sabiam que na região do Pajeú, todas as cidades dali, como Itapetim, Tuparetama, São José do Egito, Ingazeira, Afogados da Ingazeira, Carnaíba, Flores, Calumbi, Serra Talhada, Floresta e Itacuruba, muitas os condenavam como homens perigosos, mas que todos que os julgavam como bandidos cruéis, entendessem o porquê das suas práticas criminosas. Fizeram simplesmente para defenderem o que lhes pertencia, e em prol das suas honras. Se eles não defendessem o que eram seus, com o passar dos tempos, todos iriam querer pisá-los como se nada valessem na vida.
Enquanto descansava sobre o chão dos seus coitos, Lampião ainda imaginava que, se o Zé Saturnino não tivesse manipulado o tenente Zé Lucena para assassinar o seu generoso pai, quem sabe, talvez ele não tivesse se tornado um bandoleiro; e sim, um fazendeiro, um engenheiro, um rábula qualquer, ou outra coisa parecida. Ou ainda se casado com serra-talhadense e construído uma linda e maravilhosa família.
E agora, depois de tantas decepções que os dois manos passaram, principalmente a dolorosa e sofrida morte do José Ferreira da Silva, como os irmãos Ferreiras se vingariam das maldades que fizeram contra eles?
Lampião e o seu mano Antonio Ferreira decepcionados e de cabisbaixas diante da vizinhança, e privados de tudo e de todos, já que não havia como assassinarem os causadores das suas declinações e morte do seu pai por armas de fogo, decidiram que o mais propício para amenizarem mais ou menos as suas dores e sofrimentos, seria fazerem invasões constantes no Estado de Alagoas, não importando com o tipo de atrocidade, vingando-se a maneira deles. Já que tinham perdido o respeito diante da vizinhança lá em Pernambuco, uma ou umas desordem a mais, não influenciavam nada.
E a partir de 11 de janeiro de 1927, Lampião e Antonio Ferreira organizaram-se e com os seus comandados partiram para bagunçarem o Estado de Alagoas, a terra do tenente Zé Lucena, onde destruíam tudo que viam pela frente, não dando tranquilidade aos moradores sertanejos, e geralmente, rios de sangue ficavam escorrendo por onde os vingadores passavam.
Adquira este livro "Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico" com o professor Pereira através deste e-mail:
franpelima@bol.com.br
Informação ao amigo leitor:
Nesse período, Lampião tinha no cangaço apenas o seu irmão Antônio Ferreira da Silva, porque o Livino Ferreira, seu irmão, tinha sido assassinado no ano de 1925. Mas com poucos dias destas bagunças, o Antônio foi morto acidentalmente por balas. Veja vídeo:
O Ezequiel Ferreira da Silva, irmão do capitão Lampião, só entrou para o cangaço, quando o Antônio foi morto, e foi neste mesmo ano de 1927. Quem causou a morte do Antônio acidentalmente, foi o cangaceiro Luiz Pedro, um dos cangaceiros da velha guarda de Lampião.
Não contrario e nem tão pouco tenho conhecimento para guerrear contra estes catedráticos, no que diz respeito à literatura lampiônica. Eu sou como um cão que fica esperando pelo resto de comida do prato de quem come.
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ELEGANTE, BONITA, BEM PRODUZIDA, PASTA EM UMA DAS MÃOS, MAS TÃO DESVALORIZADA!
Por José Mendes Pereira
Do alto de um sótão observei o seu jeito que vinha caminhando pela rua despreocupada, de salto alto sempre procurando um jeito para colocá-lo sobre as pedras, talvez, temendo enganchá-lo entre uma pedra e outra. Elegante, bonita, bem produzida, pasta em uma das mãos, morena, os seus cabelos longos e lisos voavam através do vento que nascia no Norte e se dirigia para o Sul. Uma elegância perfeita, lustrosa, bem produzida, sem defeito. Que pena que é tão desvalorizada!
Não senti o cheiro do seu perfume devido à distância, mas sei que com aquela elegância toda, ela estava muito bem perfumada, muito cheirosa, e só podia ser uma secretária executiva de uma autoridade qualquer, quem sabe, de um prefeito municipal, de um esculápio que não era empregado do "SUS", de um advogado de fama, de um delegado, de um promotor de justiça ou de um homem que bate o martelo na mesa e sentencia um réu qualquer para pagar por detrás das grades o seu erro. Toda sua sabedoria estava enfiada em uma bolsa luxuosa segurada por uma das suas belas mãos.
Mesmo um pouco distante do sótão vi que o seu olhar era brilhoso, cheio de esperança, confiante no hoje que começa e no amanhã que há de vir. Sorriso nos lábios diante de todo o seu rosto. A alma fazia crer que aquele dia seria mais um belo espetáculo que iria apresentar para os seus assistentes apreciarem e julgarem o seu trabalho. Não é em um trapézio que ela apresenta o seu espetáculo, porque ela não é trapezista, nem tão pouco bailarina ou moça de circo, aquela que faz os espectadores admirarem o seu vai e vem nos instrumentos de espetáculos; nem pensar em ser uma assistente de autoridade qualquer, mas apresenta o seu espetáculo que instrue, informa e forma a todos aqueles que sentados a esperá-la entre quatro paredes.
Aos poucos ela foi sumindo, sumindo e não a vi mais. Nem de perto e nem ao longe. Ela caminhou para ocupar o seu ofício em qualquer lugar.
Fiquei pensando um bom tempo sobre aquela mulher que elegantemente passeava entre as ruas do meu bairro. Desci do sótão e perguntei a uma senhora que varria a sua calçada se a conhecia. E sem demora a resposta chegou:
- Eu a conheço muito! Ela é minha prima.
- Ela trabalha aqui por perto?
- Ela é professora de uma escola que funciona do outro lado deste quarteirão...
- Sabe me informar quanto ela ganha?
- Um pouco mais de ... Reais.
Não suportei. A minha mente desmoronou os meus neurônios como se o meu célebre tivesse sido banhado por uma porção de sangue vencido.
Tão elegante, tão bonita, bem produzida, pasta em uma das mãos, e dentro da pasta carregava o seu material de trabalho, mas tão desvalorizada!
O que faz o Congresso Nacional que deixa um professor ganhar um pouco mais de ... Reais?
Tanta elegância, tanto carinho pela educação, tanto esforço, tanto amor pelos seus discípulos, tanta esperança que um dia isso poderá mudar..., entra ano e sai ano, e a educação continua de mal a pior, triste, doente, na UTI das irresponsabilidades de quem governa um país tão rico e tão lindo...
Somente os professores continuam sonhando todos os dias que Deus dá, e insiste dizendo que vale a pena sonhar, mesmo sendo desvalorizados. A esperança na verdade é a última que morre, e não adianta abandoná-la.
Sou professor aposentado e vejo que todos aqueles que continuam no ofício, sonham que um dia virá o melhor, mas é muito impossível que isto venha acontecer.
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