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domingo, 13 de novembro de 2022

BISNETA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA SE DIZ “CURADA” DE LEGADO FAMILIAR E PRONTA PARA MEXER NAS MEMÓRIAS - por Julia Moura

A arquiteta Gleuse Ferreira, bisneta de Maria Bonita e Lampião, em um de seus projetos || Créditos: Reprodução Instagram

Expedita e Gleuse Ferreira, filha e bisneta respectivamente de Maria Bonita e Lampião, acabam de aterrissar em São Paulo para participar do DW! Design Weekend, que rola até domingo na cidade. A frase pode soar estranha, afinal, qual a ligação do rei do cangaço com um evento desses. Gleuse, 37 anos, é arquiteta, nascida e criada em Aracaju e, depois de longas temporadas em Barcelona, Londres e São Paulo, voltou a atuar em Aracaju. Na capital paulista, ela lança seu primeiro projeto tendo como referência os bisavós famosos: a linha de almofadas Mandacaru, em parceria com a Codex Home. Mas por que só agora se diz “curada” do passado e pronta para vasculhar as memórias da família?

Em entrevista ao Glamurama, Gleuse, como parte de uma geração mais interessada e menos julgadora da história de seus bisavós, personagens polêmicos da história do sertão brasileiro, falou abertamente sobre o legado familiar e como o parentesco influenciou sua vida. Confira!

Glamurama: Qual estilo você adota em seus projetos?
Gleuse Ferreira: “Crio atmosferas mais limpas e contemporâneas. Não gosto de projetos carregados demais. Minhas maiores referências vêm da arquitetura escandinava, que conheci de perto quando morei em Londres e viajei para a Dinamarca.”

Glamurama: E este estilo está sendo bem aceito por seus clientes no nordeste?
Gleuse Ferreira: “Acredito que eu esteja sendo responsável por introduzir esse estilo por lá. Tenho muita dificuldade na fabricação e compra de móveis, por exemplo. Muitas vezes tenho que encomendar de outros Estados peças mais modernas.”

Projetos assinados por Gleuse Ferreira, com referências da arquitetura escandinava || Créditos: Reprodução Instagram

Glamurama: A cultura nordestina faz parte das suas referências?
Gleuse Ferreira: “Em tudo o que faço acabo aplicando um pouco da cultura nordestina, que faz parte do meu repertório, mas nada tão forte. Incentivo muito meus clientes a comprar obras de arte do Nordeste. Têm ótimos escultores e artesãos lá, como Beto Pezão e suas esculturas de barro com pés grandes.”

Glamurama: E seus bisavós, que tinham um peculiar cuidado estético, te inspiram?
Gleuse Ferreira: “Muito. Deles o que acabo carregando é a vontade de me diferenciar. Nunca faço coisas iguais e herdei isso do meu bisavô. Como um homem muito estratégico, vivia pensando em formas de fugir da polícia. Se reinventava o tempo todo. Tenho uma estética mais limpa, mas trago comigo o cuidado com os detalhes e acessórios que eles tinham. Como pessoa, minha mãe fala que calcei as sandálias do meu bisavô, porque não paro. Viajo muito, só que em vez de percorrer o sertão, optei pelo mundo.”

Glamurama: Como vocês administram os projetos envolvendo Maria Bonita e Lampião, personagens tão importantes da cultura nordestina?
Gleuse Ferreira: “Uma de minhas tias, Vera Ferreira, está envolvida na produção de um filme sobre a história do cangaço, que será dirigido por Bruno Mirage. Ela é a pessoa da família mais envolvida em projetos sobre eles. Eu morro de vontade de fazer milhões de coisas, quero que essa coleção de almofadas seja só o começo de algo maior. Dá pra fazer com muita coisa tendo eles como referência.”

Lampíão e Maria Bonita junto com o bando de cangaceiros na década de 1930// Reprodução.

Glamurama: Qual a imagem que você tem de Maria Bonita, sua bisavó, de acordo com o que você cresceu ouvindo sobre ela?
Gleuse Ferreira: “Para mim ela foi uma mulher forte, com muita personalidade, que foi atrás do que queria sem ser influenciada.”

Glamurama: O que você sabe sobre o estilo e personalidade dela?
Gleuse Ferreira: “Fico impressionada com a riqueza de detalhes nas vestimentas dela, com o cuidado com o cabelo, as joias que usava… Ela foi uma pessoa que não parava, estava sempre em movimento, e mesmo assim tinha esse cuidado com o visual. Seu estilo é muito atual.”

Glamurama: Você herdou alguma peça? 
Gleuse Ferreira: “Infelizmente nada, mas desde pequena ando com as mãos cheias de anéis. Pedia joias de presente de aniversário e até hoje sempre que ganho algum dinheiro, me compro algumas de presente.”

Homem representando Lampião em missa dedicada aos cangaceiros em Aracaju || Créditos: Reprodução

Glamurama: Você tem algum contato com filhos, netos e bisnetos de outros cangaceiros que faziam parte do “bando” de Lampião?
Gleuse Ferreira: “Tenho contato com a família de uma ex-cangaceira chamada Sila, daqui de São Paulo. Hoje menos, mas costumávamos frequentar as casas um dos outros.”

Glamurama: Vocês estão envolvidos em alguma homenagem em torno dos 80 anos da morte deles este ano?
Gleuse Ferreira: “Em julho tivemos a anual Missa do Cangaço, da Grota do Angico, que este ano falou com mais enfase deles e reuniu muita gente.”

Glamurama: Qual é a reação das pessoas quando descobrem que você é bisneta de Maria Bonita e Lampião? 
Gleuse Ferreira: “Geralmente acham que eu vou puxar uma peixeira da minha bolsa! (Risos) As pessoas da minha geração acham legal, interessante, mas minha mãe e minhas tias sofreram bastante preconceito. Ninguém brincava com elas quando eram pequenas. Hoje isso não acontece. Ser parente de Lampião e Maria Bonita se tornou algo bacana.”

Glamurama: Então você nunca passou por nenhum tipo de preconceito nesse sentido.
Gleuse Ferreira: “Senti uma vez, quando estava em uma livraria em Aracaju, e um homem se aproximou e disparou a falar um monte de coisas sobre meu bisavô. Somos em três bisnetas, mas episódios como este só aconteceu comigo. Há pessoas que nunca se informaram sobre a história, e não têm respeito. Quem não sabe o que está falando, costuma dizer que foram assassinos. Mas quem estuda o cangaço, por mais que não defenda, tem respeito. Querendo ou não, são meus bisavós.”

Glamurama: Ainda tem muito a ser esclarecido sobre a história de Maria Bonita e Lampião. Você está ou já esteve envolvida em investigações do passado? Já se interessou por isso?
Gleuse Ferreira: “Não. Para minha avó é muito difícil falar disso. A não ser quando tem que dar alguma entrevista, ela sempre evitou o assunto. Todo mundo sempre ficou em cima da nossa família, tirando foto, fazendo reportagens… Cresci com repórteres dentro da casa da minha avó, e na escola houve o momento em que eu tive que estudá-los em livros. Também passei muitos anos sem conseguir falar sobre o assunto ou me aprofundar nas histórias da família, mas hoje estou curada e mexendo mais nessas memórias.”

Expedita Ferreira, única filha de Maria Bonita e Lampião, comemorando seus 85 anos na Disney || Créditos: Reprodução Instagram

Glamurama: E qual é a sua opinião sobre Lampião e Maria Bonita? 
Gleuse Ferreira: “Tenho respeito pelo que eles fizeram, foram e simbolizam até hoje. Não tem nenhum outro ícone como eles. A imagem que se tem da história de Maria Bonita e Lampião é uma referencia muito forte até hoje e tenho o maior orgulho de ter o mesmo sangue que o deles. Eles mudaram o cenário do Nordeste, lutaram por justiça… Até hoje há muito coronelismo na região, manda quem tem dinheiro. Teve sangue? Teve, mas se não tivesse talvez as coisas não tivesse mudado. E se é falado ate hoje, é porque alguma coisa relevante aconteceu.”

Glamurama: Sua bisavó é um símbolo de empoderamento, dizem até que era ela quem mandava no grupo de Lampião. As mulheres de sua família herdaram essa personalidade? Como é a vida da mulher no nordeste atualmente?
Gleuse Ferreira: “Nós mulheres estamos nos impondo mais, nos colocando no lugar que devemos ocupar. Temos poder, voz, podemos fazer o que quisermos. Fui criada em uma família em que as mulheres são naturalmente muito fortes. Nunca tive referência de mulheres fracas, submissas. Meu tio, o único homem da família, é apagadinho, não manda nada. Minha mãe fala que eu calcei as alpargatas do meu bisavô, porque não paro. Viajo muito só que, em vez de percorrer o sertão, optei pelo mundo. Cresci ouvindo que deveria lutar pela minha independência. Por isso luto pelas minhas coisas sozinha.” (Por Julia Moura)

NETA DE LAMPIÃO VISITA A QUADRA DA IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE E COMEMORA ENREDO QUE EXALTA A CULTURA NORDESTINA

 Por Redação Carnavalesco

Foto: Divulgação/Imperatriz

Amigos, parentes e descendentes de Virgulino Ferreira da Silva organizam caravana para viagem ao Rio de Janeiro.

Vítima de preconceito na infância pelo laço familiar com Lampião – Virgulino Ferreira da Silva -, a neta do cangaceiro Gleuse Meire Ferreira, de 66 anos, esteve presente na quadra da Imperatriz Leopoldinense no domingo para conhecer de perto a escola que contará as histórias de seu avô na Marquês de Sapucaí em 2023.

“Nossa infância foi muito difícil, principalmente na escola. O preconceito com nossa família era muito grande, mas a cultura e o tempo ajudaram bastante”, relembra a neta de Lampião e Maria bonita e filha de Expedita Ferreira da Silva.

Moradora de Aracaju, em Sergipe, Estado onde Lampião foi assassinado em 1938, Gleuse está animada para o desfile da Imperatriz no ano que vem. A escola de Ramos levará para a Sapucaí o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, do carnavalesco Leandro Vieira.

“Nós já montamos um grupo no WhatsApp para virmos na Imperatriz na próxima feijoada, em setembro”, conta Gleuse.

O evento do dia 04 de setembro será a data de lançamento dos sambas que concorrerão ao hino oficial da escola para o próximo Carnaval.

“O enredo surge como uma vontade de falar de um pedaço do Brasil que vale a pena. O Brasil da cultura popular. Da oralidade. Da tradição da contação de histórias. O Brasil que delira e reinventa realidades, já que o mundo real não basta. O Brasil do cordel. Dos repentes. O enredo surge de um Brasil que a gente alimenta na memória afetiva como uma espécie de Brasil imaginário para suportar o Brasil real”, diz Leandro Vieira.

O tema se inspira em cordéis populares, como “A chegada de Lampião no inferno”, “O grande debate que teve Lampião com São Pedro” e “A chegada de Lampião no céu”.

O carnavalesco e o diretor executivo da Imperatriz Leopoldinense, João Felipe Drumond, viajaram à Pernambuco na última semana.

“O objetivo era conhecer de perto a história de Virgulino Ferreira da Silva e enriquecer ainda mais a história que a Imperatriz Leopoldinense contará na avenida”, afirma João Felipe.

Em Recife, a delegação da Imperatriz visitou o Centro de Artesanato de Pernambuco, a Secretaria de Turismo e o Museu Cais do Sertão. Já em Serra Talhada, terra natal de Lampião, foram visitadas a sede da prefeitura municipal e o Museu do Cangaço.

https://www.carnavalesco.com.br/neta-de-lampiao-visita-a-quadra-da-imperatriz-leopoldinense-e-comemora-enredo-que-exalta-a-cultura-nordestina/

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sábado, 12 de novembro de 2022

LIVRO

    

Recentemente, o escritor paraibano radicado no Rio Grande do Norte Epitácio de Andrade Filho publicou um livro chamado A Saga dos Limões:  Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante. Na obra, Andrade Filho tece considerações sobre a relação entre a identidade negra da família dos Limões e sua importância no combate ao Cançaço no Rio Grande do Norte.

Em  um trecho do livro, o autor menciona Chico Mota e sua importância na reconstituição histórica do conflito entre as famílias Brilhante e Limão (p. 18):

O poeta paraibano Gil Hollanda, ouvindo o cancioneiro octogenário Chico Mota, conterrâneo catoleense de Alicio Barreto, apresentar nos versos da viola passagens do conflito dos brilhantes com os limões, retratados em Solos de Avena, consolidou algumas estrofes do seu cordel sobre Jesuíno e a família Limão: “Eram sete os irmãos/Da família dos Limões,/Ousados por natureza./Todos eram valentões,/Protegidos por políticos/Lá e outras regiões. E na estrofe seguinte passa a tratar de outro episódio do conflito: Além do furto, os Limões/Chico e Honorato Limão/Deram uma forte surra/Em Lucas Alves, irmão/De Jesuíno, na festa/Da Vila de Conceição.

Referência
ANDRADE FILHO, Epitácio de. A Saga dos Limões:  Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante. Natal: 2011.

ADENDO -  EPITÁCIO ANDRADE

Amigos José Mendes Pereira, William Felix Andrade, Luiz Dutra Borges Galego Vovô Aluísio Dutra de Oliveira, Geraldo Júnior, na foto, o registro da entrevista que consegui do senhor José Firmo Limão, aos 99 anos, no sítio São Francisco, zona rural de Catolé do Rocha/PB. 


Essa entrevista me ajudou a compreender que o cangaço dos brilhantes com os limões foi uma disputa pelo controle do incipiente comércio no Sertão. Essa história de Jesuíno saquear comboios para dar aos pobres é conversa da carochinha.

Para adquirir este livro entre em contato com o autor através deste endereço no facebook: https://www.facebook.com/epitacio.andrade.5

Fonte: http://chicomota.com
http://romulogondim.com.br

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" FIGURAS DO CANGAÇO " ( 26 )

 Acervo do Helton Araújo




BATOQUE : Antônio Joaquim dos Santos ou simplesmente Batoque, foi sem dúvidas um dos maiores rastejadores da história do cangaço.

Apesar de ser um agregado de Nazaré, sempre atuou com maestria na afamada volante.

Era uma grande pedra na alpercata de Lampião, com seu incrível dom de sempre achar algo que colocasse seus companheiros no rastro dos cangaceiros.

Era irmão de José Guedes que também atuou na volante de Nazaré.

Batoque morreu já de idade e não deixou filhos.

Foto : Livro O Canto do Acauã de Marilourdes Ferraz.

Edição Acervo Digital Helton Araújo

Deixo claro que as fotos não me pertencem apenas a edição para o acervo digital.

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COMO ARQUIVO - MORRE GUILHERME DE PÁDUA, ASSASSINO DE DANIELLA PEREZ | PRIMEIRO IMPACTO (07/11/22)

 Por SBT NEWS

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O ex-ator Guilherme de Pádua, de 53 anos, morreu neste domingo (6.nov) vítima de infarto em Belo Horizonte. A informação foi transmitida pelo pastor Márcio Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha. | #sbtnews #polícia SAIBA MAIS - https://www.sbtnews.com.br/noticia/br... Todas as notícias em https://www.sbtnews.com.br

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MOSSORÓ TRINCHEIRA USADA PELOS RESISTENTES DE MOSSORÓ, NA TENTATIVA DE INVASÃO EM 1927.

Por Rota 304
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NORMA JEAN, AOS 17 ANOS, ANTES DE SER CONHECIDA COMO MARILYN MONROE

 Por Fotos e Vídeos Antigos


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GLEUSE FERREIRA BISNETA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA LIDERA NOVO 'BANDO' DA FAMÍLIA

 Por Claudia Castelo Branco TAB, UOL

Gleuse Ferreira, bisneta de Lampião e Maria Bonita, 
no barracão da Mancha Verde, em São Paulo.

Paulo Serdan, 55, presidente da Mancha Verde, foi pego de surpresa quando advogados o procuraram num dia de julho. Eram representantes da família Ferreira — a família de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita.

No Carnaval de 2023, a agremiação paulista, atual campeã, vai levar à avenida o desfile "Oxente: sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil", que revisita tradições do sertão nordestino, onde nasceu o xaxado, dança do cangaço na qual a espingarda marcava o ritmo da pisada — o nome vem do barulho das alpercatas, o xa-xa, na areia. O que a Mancha Verde não sabia é que a única filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita, 90, está viva.

A conversa com os advogados foi amigável, visto que o desfile tem caráter cultural, não comercial. "É nossa família. Nós só queremos ser protagonistas também", diz a arquiteta Gleuse Ferreira Nunes de Oliveira, 41, bisneta do casal que liderou o cangaço. Gleuse tem viajado de Aracaju, onde mora, para São Paulo. Num domingo de novembro, ela chegou ao barracão da Mancha Verde no Bom Retiro carregando Bento, um chihuahua enfeitado com lenço no pescoço.

"Muita gente não sabe que existimos. Ou pensam que a gente tá lá no sertão, no meio do mato", conta, enquanto observa a estrutura de um Lampião gigante. "É esse aqui o meu?", pergunta — a convite da escola, a arquiteta será responsável pela decoração de um dos carros.

A família Ferreira é pequena, formada por mulheres animadas, aposentadas, viúvas ou solteiras — "o segredo da felicidade", segundo Expedita. Ela é mãe de Iza, Gleuse, Vera e Deja. Gleuse, 66, decidiu batizar a filha caçula, a arquiteta, com o próprio nome; e também é mãe de Karla, 43, que mora em Londres. "E a gente só anda agarrada, é uma folia", dizem. Certa vez, o marido de Expedita foi para o hospital, e um dos médicos não gostou de ver o quarto lotado de visitas. Vera, 67, logo reagiu: "Olha, a gente veio de um bando e vamos continuar em bando aqui dentro".

 

'É nossa família. Nós só queremos ser protagonistas também', diz Gleuse Ferreira  

Imagem: Pryscilla K./UOL.

Outros Carnavais

Ao contrário de cangaceiros nobres do passado, os Ferreira não eram proprietários de terra e não tinham finanças fora do cangaço. Após a morte dos pais, na grota do Angico (SE), Expedita recebeu de herança uma mecha de cabelo de Lampião, morto em 1938. Passou anos escondida e com medo, tanto que o sobrenome só foi para sua certidão em 2016. O olhar torto ao bando de Lampião mudou na década de 1980, quando se iniciou uma nova leitura da trajetória do cangaço. Hoje, o acervo da família vem sendo trabalhado também sob nova perspectiva. Vera lembra até hoje de uma viagem para São Paulo que fez na adolescência, com a mãe e a historiadora Marta Machado, e encontrou ex-cangaceiros. Todos levantaram-se em respeito à Expedita, o que a fez pensar que o avô não era o vilão que sempre ouviu dizer. Decidiu então ir viver no sertão, em busca de respostas.

  

O 'bando' da arquiteta Gleuse Ferreira: a mãe Gleuse, a bisavó Expedita, a tia Iza e a prima Luana. Imagem: Pryscilla K./UOL.

No livro "Lampião e Maria Bonita - uma história de amor e balas", o jornalista Wagner Gutierrez Barreira conta que os antigos cabras de Lampião se renderam em acordos com a polícia, outros abandonaram o cangaço, fugiram ou simplesmente tocaram a vida. A maioria cumpriu pena e muitos receberam indulto nos anos 1950. 

Na prisão, ganharam fama de tranquilos e alegres. "Quem entrava pro cangaço entrava com um sentimento de Justiça", observa Gleuse Ferreira, a bisneta. Diversas versões ficaram famosas sobre o que foi o bando, com relatos e informações contraditórias — muitas delas, fictícias. "[Lampião e Maria Bonita] são personagens que ultrapassam a própria realidade", comenta o carnavalesco André Machado, 37, exibindo entre suas referências para o Carnaval o livro "Bonita Maria do Capitão", de Vera Ferreira, a neta. De herói a vilão, há de tudo no imaginário ao redor de Lampião, incluindo um livro que diz que o sertanejo era gay. Também há controvérsias sobre a origem do apelido de Maria Bonita, mas é fato que foi no semiárido nordestino que Virgulino encontrou Maria de Déa, recém-separada, que abandonou tudo para seguir o amor de sua vida.

Bastidores do barracão da Mancha Verde para o Carnaval de 2023.

Viva o Nordeste

 "O Nordeste merece ser celebrado", comenta Paolo Bianchi, 47, diretor de Carnaval da Mancha Verde, que lembra do primeiro encontro entre as Ferreira e a diretoria no dia 7 de setembro. Parecia que já se conheciam há muito tempo. "Elas perceberam que a Mancha é uma família e sentiram-se acolhidas. Porque também existe um preconceito com escola de samba, a nossa que é vinculada a uma torcida, então?" 

Para o desfile, a arquiteta levará referências de Piranhas, no sertão de Alagoas, onde as cabeças de Lampião e companhia foram expostas pela primeira vez. A Imperatriz Leopoldinense, no Rio de Janeiro, é outra escola que levará à avenida (no caso, a Sapucaí) um enredo sobre "visões delirantes dos cordéis nordestinos que contam histórias fantásticas sobre a chegada de Lampião ao céu e ao inferno".

Imagem: Pryscilla K./UOL.

 Entre Rio e São Paulo, o bando estará muito à vontade na caatinga entre xique-xiques, mandacarus e facheiros cenográficos. "O Carnaval é uma coisa gigantesca, vejo como oportunidade para as pessoas conhecerem minha avó", afirma Gleuse, que confessa ficar incomodada ao ouvir que muita gente desconhece que Expedita existe. A família palpita, principalmente Vera. Ela logo apontou que os tons terra não eram muito usados pelos cangaceiros, que preferiam azul. "Tinha muita coisa colorida. Muitos lenços. Os bornais [bolsas carregadas no corpo] eram todos decorados. Tem gente que fala que o 'biso' foi o estilista, mas não foi. Foi Dadá [companheira do cangaceiro Corisco]. Todo mundo era muito enfeitado. Muitos brincos, anéis, colar", diz Gleuse.

Imagem: Pryscilla K./UOL.

Além das escolas de samba, o advogado da família, Alex Ferreira, 32, conversou com estúdios que estão com novos projetos envolvendo Lampião e Maria Bonita — entre eles, uma série documental. Eles também não sabiam que a família existia. "Existem. São mulheres de classe média, esclarecidas e que moram em Aracaju. Nós reforçamos isso nas conversas. Não para impedir, mas para proteger os interesses da família.".

Gleuse, que vem estudando licenciamento, defende que atividades assim devem ser impulsionadas, mas muitas empresas já utilizaram comercialmente a imagem do casal sem nunca procurá-las. Desde março, o escritório Cândido Dortas, de Aracaju, representa as Ferreira. Há cerca de um mês, elas conseguiram a autorização do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para comercializar a marca da família, liderada pela bisneta. "Devem achar que ando por aí vestida de Maria Bonita ou com um facão no bolso", brinca.

A história de Lampião e Maria Bonita continua viva, mas entre as Ferreira paira uma preocupação sobre a continuidade da família: nenhuma das três bisnetas tem filhos. "Se acabar, acabou. Pronto", diz Expedita, bastante pragmática. Na verdade, hoje ela está mais preocupada em aprender o samba-enredo da Mancha Verde para 2023.

 

 'O Nordeste merece ser celebrado', afirma Paolo Bianchi, diretor de Carnaval da Mancha Verde Imagem: Pryscilla K./UOL.

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LUIZ GONZAGA E GAL COSTA

 

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BIOGRAFIA DE PAULINHO DA VIOLA - COMPLETA HOJE 80 ANOS.

Por Wikipédia

Paulo César Batista de Faria, mais conhecido como Paulinho da Viola, (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1942) é um violonista, cavaquinista, bandolinista, cantor e compositor de samba e choro brasileiro, conhecido por suas harmonias sofisticadas e sua voz suave e gentil. Paulinho é baluarte da Portela.

Biografia

Filho mais velho do violonista Benedicto Cesar Ramos de Faria, integrante da primeira formação do grupo de choro Época de Ouro, Paulinho da Viola nasceu no bairro de Botafogo em 1942 e desde pequeno gostava de ouvir choros e sambas.[1][2] Assim, teve a oportunidade de conviver com grandes chorões da época, como PixinguinhaJacob do Bandolim e Dilermando Reis, entre outros, observando a maneira de tocar dos músicos.[3][4][5][6]

Embora o pai não desejasse que o filho se tornasse músico, este, contudo, o convenceu a lhe dar um violão, instrumento que começou a aprender a tocar sozinho, aos 15 anos e, logo depois com o violinista Zé Maria, amigo da família, que o instruiu com o método de Matteo Carcassi.[1][7]

Paulinho da Viola no Projeto Seis e Meia, realizado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, em 27 de dezembro de 1977. Programa "É preciso cantar". Imagem do Fundo da Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa

Ao mesmo tempo, começou a se envolver com carnaval e organizou com um grupo de amigos o bloco carnavalesco Foliões da Rua Anália Franco, para representar a rua onde morava sua tia Trindade, no bairro de Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio, onde costumava visitar aos fins de semana e tinha mais liberdade para sair à noite.[1] Por essa época, ingressou na ala de compositores da escola de samba União de Jacarepaguá.[8][9] Lá conheceu sambistas como Catoni e Jorge Mexeu e, atuando como cavaquista, compôs em 1962 "Pode Ser Ilusão", um de seus primeiros sambas.[1]

Pouco antes, logo após ter completado 19 anos, Paulinho conseguiu seu primeiro emprego como contador em uma agência bancária do centro do Rio e estudava economia.[10][11] Em um dia de trabalho, viu Hermínio Bello de Carvalho, a quem conhecia de vista dos saraus musicais na casa de Jacob do Bandolim, entrar no banco para pagar uma conta e - depois de uma rápida conversa - lhe aconselhou a abandonar a carreira enquanto era jovem.[10][11] Paulinho atendeu um convite para visitar o apartamento do poeta no Catete, que naquela época era bastante frequentado por músicos, intelectuais e artistas diversos.[12] Lá, pôde ouvir pela primeira vez gravações de compositores como Anescar do SalgueiroCarlos CachaçaCartolaElton MedeirosNelson Cavaquinho e Zé Ketti e também a ensaiar composições originais com Hermínio, um de seu primeiros parceiros musicais e grande incentivador de sua carreira.[1]

Ainda em 1963, Hermínio levou Paulinho para conhecer o Zicartola, bar e restaurante fundado por Cartola e a Dona Zica na Rua da Carioca que se convertera em um reduto de sambistas, chorões artistas, intelectuais e jornalistas.[13][14] Quando aparecia por lá, o jovem Paulinho acompanhava, no cavaquinho ou no violão, compositores e intérpretes e também se apresentando cantando músicas de outros autores e, após fazer um show com o compositor Zé Ketti, foi incentivado pelo mesmo a cantar suas próprias músicas no Zicartola.[1]

Paulinho da Viola, abril de 1970. Arquivo Nacional.

No ano seguinte, após ter acompanhado o cantor Ciro Monteiro em uma canja no Zicartola, decidiu abandonar seu posto de bancário para se dedicar exclusivamente à música.[11] Também em 1964, seu primo Oscar Bigode, que era diretor de bateria da Portela, o convenceu a se mudar de escola de samba e o apresentou para a ala de compositores da agremiação de Oswaldo Cruz, onde Paulinho mostrou a primeira parte de um samba que fazia e que Casquinha, um dos compositores portelenses, havia gostado e completado com a segunda parte, criando-se assim "Recado".[1]

Já em 1965, participou do musical "Rosa de Ouro", montado por Kléber Santos e Hermínio Bello de Carvalho, que marcou o retorno de Araci Cortes e lançou Clementina de Jesus, e que culminaram na gravação do LP Rosa De Ouro Vol.1, pela Odeon.[1] Ainda naquele ano, o nome de Paulinho da Viola apareceu no LP Roda de Samba, da Musidisc. Essa gravadora, a mesma onde Paulinho estava registrando seus sambas, pediu para Zé Ketti organizar o conjunto A Voz do Morro, composto por integrantes do conjunto Rosa de Ouro - Anescar do Salgueiro, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Paulinho - e acrescidos de Oscar Bigode, Zé Cruz e o próprio Ketti.[1] No processo de finalização desse álbum, um funcionário da Musidic não gostou do nome “Paulo César” e, tendo conhecimento da anedota, o jornalista Sérgio Cabral e Zé Ketti bolaram o nome artístico Paulinho da Viola.[15][16] Nesse primeiro disco, aparecem as composições "Coração vulgar""Conversa de malandro" e "Jurar com lágrimas".

No início de carreira Paulinho foi parceiro de nomes ilustres do samba carioca, como CartolaElton Medeiros e Candeia, entre outros. Destaca-se como cantor e compositor de samba, mas também compõe choros e é tido como um dos mais talentosos representantes da chamada Música Popular Brasileira. Torcedor do Vasco da Gama, participou do show comemorativo dos 113 anos do clube, onde apresentou as músicas "Coração Leviano" e "Foi um Rio que Passou em Minha Vida".[17]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulinho_da_Viola

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