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domingo, 11 de novembro de 2012

A temerosa invasão de Lampião

O cangaceiro Zé Baiano

Ao saber da morte do seu mais respeitado cangaceiro, Zé Baiano, morto em emboscada ardilosamente planejada pelo coiteiro 


Antônio de Chiquinho, na Lagoa Nova em Alagadiço. Tendo o corpo do cangaceiro sido jogado em um formigueiro, o seu líder,

Lampião e Maria Bonita

Virgulino Ferreira da Silva, reuniu seu bando e partiu com destino a Frei Paulo para por em prática um sórdido plano de vingança. Ele planejara uma sangrenta invasão de nossa cidade. Isso ocorreu nos anos 30, durante a famosa seca que assolou o sertão sergipano. Além das aflições causadas pela longa estiagem, a população vivia apreensiva com a eminência desse ataque. O interventor federal Eronildes Ferreira de Carvalho, proprietários da Fazenda Jaramatáia, determinou a criação de uma “Força Volante” que permaneceu acampada por meses na antiga praça do mercado, atualmente Praça Capitão João Tavares. O grupo dormia em dezenas de redes armadas e os mantimentos eram cozinhados em panelões. 

O povo de Frei Paulo ainda hoje acredita que foi a espada do padroeiro São Paulo que impediu a entrada do bando de Lampião. Segundo uma lenda contada em prosa e versos pelos mais antigos, toda vez que o cangaceiro tentava entrar em Frei Paulo, era acometido de uma terrível dor nos olhos e nos ouvidos e uma caganeira que o deixava muito debilitado. O Padre Madeira mandou virar para cima a espada da imagem de São Paulo, que era voltada para baixo. Foram tempos difíceis e o medo imperava.

Meu pai relata que viu Lampião e seu bando na feira de Ribeirópolis no anos de 1927, como ele era uma criança, passou por baixo das pernas dos adultos que se aglomeravam para ver de perto o rei do cangaço, imponente, com suas indumentárias, olhar de mau, taciturno e sério. Armado de punhais, parabelo nos quartos, ostensivas cartucheiras em forma de xis e em uma das mãos um rifle papo amarelo. Era a lenda viva dos sertões bem ali na sua frente, cercado de outros cangaceiros e sua mulher Maria Bonita.

Mas em Frei Paulo ele jamais pisou os pés, graça a bravura de seus habitantes que voluntariamente se juntavam à "Força Volante" para enfrentar os cangaceiros. Logo os rumores de atrocidades praticadas pelo bandoleiro começaram a chegar. Ele já teria invadido fazendas em Carira, Cipó de Leite e Mocambo, sua chegada a Frei Paulo seria uma questão de tempo. Lampião mandou um bilhete para o intendente Maurício Ettinger com o seguinte teor: “Quando menos isperá nois invade sua cidade; num vai iscapá nem menino de 9 mês, a cabeça do delegado Germino vai rolar”

Germino Góes era o pai de Antônio de Germino, dono do Alambique da Imbira, que fabricava a Ibiracema, a melhor cachaça da região. Ele teve que fugir para o sul da Bahia para não ser morto, pois sua fazenda fora diversas vezes saqueada pelos bandos de Lampião e Zé Baiano. Fez isso porque se recusava a ser coiteiro de Lampião. O seu neto, Germino Neto é casado com minha irmã Selma. A morte de Zé Baiano, planejada por Antônio de Chiquinho não trouxe paz, pelo contrario, deu início a uma guerra que por pouco não se consumou.

Lampião e seu bando ainda ficaram alguns dias acampados às portas de Frei Paulo, o local onde ele se preparava para a invasão era ali, onde fica hoje o Curral do Açougue, no pé da ladeira que dá acesso à cidade. Felizmente o bandido bateu em retirada, ao saber que teria uma resistência à altura. Rumou para a Bahia e tempos depois foi morto numa troca de tiros com a volante na gruta de Angicos, próximo de Propriá.

http://magnopapagaio.blogspot.com.br

As mulheres e a vida urbana no Brasil no início do século XIX


As mulheres das classes mais abastadas não tinham muitas atividades fora do lar. Eram treinadas para desempenhar o papel de mães e exercer as prendas domésticas. As menos afortunadas, viúvas ou membros da elite empobrecida, faziam doces por encomenda, arranjos de flores, bordados a crivo, davam aulas de piano e solfejo, ajudando, assim, na educação da numerosa prole que costumava cercá-las.

Tais atividades, além de não serem valorizadas, não eram tampouco bem vistas socialmente. As mulheres que as exerciam tornavam-se alvo fácil da maledicência masculina. Na época, era voz comum que a mulher não precisava, nem devia, ganhar dinheiro. As pobres, contudo, não tinham escolha senão garantir o próprio sustento. Eram, pois, costureiras e rendeiras, lavadeiras, fiandeiras ou roceiras.

Estas últimas, na enxada, ao lado de irmãos, pais ou companheiros, faziam todo o trabalho considerado masculino: torar paus, carregar feixes de lenha, cavoucar, semear, limpar a roça do mato e colher. As escravas trabalharam principalmente na roça, mas também foram usadas por seus senhores como tecelãs, rendeiras, carpinteiras, amas-de-leite, pajens, cozinheiras, costureiras, engomadeiras e mão de obra para todo e qualquer serviço doméstico.

Até o período em que se deu a independência, as mulheres viviam num cenário com algumas características constantes: a família patriarcal era o padrão dominante entre as elites agrárias, enquanto nas camadas populares rurais e urbanas, os concubinatos, uniões informais e não-legalizadas e os filhos ilegítimos eram a marca registrada. A importância das cidades variava de acordo com a função econômica, política, administrativa e cultural. O Rio de Janeiro, graças aos portugueses que seguiram D. João VI em seu exílio tropical, era a única cidade a contar com mais de 100 mil residências. A população urbana, contudo, crescia desde o século XVIII, alimentando forte migração interna (campo-cidade) e externa (tráfico negreiro e, depois desde 1850, imigração europeia).

É bom não perder de vista, no entanto, que, de acordo com vários viajantes estrangeiros que aqui estiveram na primeira metade do século XIX (Saint-Hilaire, Debret, Rugendas, Maria Graham), a paisagem urbana brasileira ainda era bem modesta. Com exceção da capital, Rio de Janeiro, e de alguns centros em que a agricultura exportadora e o ouro tinham deixado marcas - caso de Salvador, São Luís ou Ouro Preto -, a maior parte das vilas e cidades não passava de pequenos burgos isolados, com casario baixo e discreto, como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Mesmo na chamada Corte, o Rio de Janeiro, as mudanças eram mais de forma que de fundo. A requintada presença da Missão Francesa pode ter deixado marcas na pintura, na ornamentação e na arquitetura, mas as notícias do jornal Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1822) e Idade de ouro no Brasil (1811-1823), órgãos da imprensa oficial, ou mesmo a inauguração do Real Teatro de São João, onde artistas estrangeiros soltavam seus trinados, não eram suficientes para quebrar a monotonia intelectual. Além do popular entrudo, antecessor do nosso carnaval, e dos saraus familiares, o evento social mais importante continuava a ser a missa dominical.

Contra esse pano de fundo encontraremos mulheres da elite urbana, casadas com ricos homens de negócio, como, por exemplo, dona Ana Francisca Maciel da Costa [...], exemplo de matriarca vivendo na Corte às vésperas da independência. Seus salões foram descritos [...] como decorados com gosto francês, o que incluía papéis de parede e molduras douradas, além de móveis de origem inglesa e francesa. A neta da anfitriã, como boa filha da elite local, falava francês e fazia progressos na língua inglesa.

O exemplo era raro, queixava-se em 1813 John Luccock, afirmando que, pelo contrário, o pouco contato com a maioria das mulheres costumava desnudar sua falta de educação e instrução. Sabiam ler - comentava, amargo, só o livro de reza.

Debret confirmava o despreparo intelectual das mulheres de elite. Até 1815, e não obstante a passagem da família real, a educação se restringia a recitar preces de cor e calcular de memória, não incluindo a escrita.

A ignorância, segundo ele, era incentivada por pais e maridos, receosos da temida correspondência amorosa. Isso levou as brasileiras a inventar um código de comunicação baseado em desenhos de flores. Cada flor correspondia a uma ordem ou expressava um pensamento: o cravo significava ciúme, a rosa, paixão, o lírio, castidade etc. A observadora Maria Graham confirmou o mesmo uso entre senhoras de Pernambuco. Os namoros, na época, evoluíam segundo esse código.

Apesar dos cuidados com esposas e namoradas, não era exatamente seu pudor que impressionava os estrangeiros. Um visitante inglês tinha sobre a moral das brasileiras um juízo bem diferente daquele que se podia esperar de mulheres que teoricamente viviam escondidas dos homens: "Tanto as casadas quanto as solteiras era a mesma coisa, ou seja, imorais e ligeiras".

Em 1816, encontramos no Rio de Janeiro apenas dois colégios particulares para moças. Entre as jovens de elite, o costume era aprender, graças à visita de professores particulares, piano, inglês e francês, canto e tudo o mais que as permitisse brilhar nas reuniões sociais. É no Rio de Janeiro que vamos encontrar os "primeiros salões frequentados por damas". Elas aí se entretinham em serões e partidas noturnas de uíste (jogo de cartas), entretenimentos simples ou bailes e recepções. As danças se aperfeiçoavam com mestres entendidos, responsáveis pela capacidade das alunas em exibir passos e coreografias estudadas.

Além do professor de dançam outro modismo da época eram os cabeleireiros, franceses, de preferência, responsáveis por penteados ousados e cabeleiras ou perucas. É interessante observar que, nesse ambiente, as crianças eram comumente levadas aos bailes com seus pais [...].

Outra forma de lazer já praticado pelas mulheres eram os banhos de mar: escravas acompanhavam-nas com barracas, enquanto as sinhazinhas, em roupas de banho escuras e compridas, soltavam suas tranças para nadar. Senhoras e mucamas entravam juntas na água, onde passavam horas a espadanar. [...]

As mulheres de elite eram aparentemente muito bem vigiadas. Namoros se faziam na igreja, entre beliscões e pisadelas, ou às janelas, sob as quais os aspirantes a namorado colocavam-se rentes - era o chamado "namoro de espeque" -, murmurando palavras de amor. Observador, o viajante Carl Seidler relata: "A igreja é o teatro habitual de todas as aventuras amorosas na fase inicial... só aí é possível ver as damas, sem embaraços, aproximar-se discretamente e até cochichar algumas palavras. A religião encobre tudo, enquanto se faz devotamente o sinal da cruz pronuncia-se com igual fervor uma declaração de amor. Escravos encarregavam-se de levar e trazer recados dos amantes depois da missa".

DEL PRIORE, Mary et alli. 500 anos de Brasil: histórias e reflexões. São Paulo: Scipione, 1999. p. 10-13.

Extraído do blog do Orides Maurer Jr. São Francisco do Sul, Santa Catarina, Brasil.

Luiz Gonzaga


Há 21 anos, um filho perdia o pai. No caminho para o enterro, no interior de Pernambuco, ele admite: “Não conheci meu pai direito e amanhã é o enterro dele”. Seu nome é Gonzaguinha, filho do Rei do Baião. E é através de seus olhos que a história de Luiz Gonzaga vai para o cinema, em filme dirigido por Breno Silveira (2 filhos de Francisco). 

Gonzaga de pai para filho surgiu quando Silveira havia desistido de fazer cinebiografias. “O sucesso de 2 filhos de Francisco despertou a vontade de muita gente, que enviou propostas para filmar trajetórias difíceis que as pessoas vivem. Mas chegou nas minhas mãos uma fita de Gonzaguinha, sobre um Sertão que ele não conhecia bem, narrado com uma voz emocionada”.
A ascendência pernambucana pesou na decisão. Seu avô, Breno Dália da Silveira, conheceu Gonzagão e viajava pelo Sertão da Paraíba e também em Carpina, onde tinha terras. “Quando criança, passei quase todas as minhas férias no Recife. Minha infância foi escutando Gonzagão com meu avô. Por isso, até hoje filmo o Sertão”.

Parte do todo
(Diario de Pernambuco, 03/08/2010) 

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


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VENDA DO LIVRO “EU NÃO SOU HERÓI – A HISTÓRIA DE EMIL PETR”


Lançado no último dia 31 de outubro o livro “EU NÃO SOU HERÓI – A HISTÓRIA DE EMIL PETR” já se encontra à venda nas LIVRARIAS NOBEL E POTYLIVROS e na rede DE LIVRARIAS SARAIVA. Podem também serem adquiridos com pedido através do e-mail:  contato@calculuscontab.com ou pelo telefone -84-3206-8396, ao preço de r$ 50,00 (cinquenta reais).
Em quase 300 páginas, em meio a 250 fotos, este livro trás a história de uma pessoa comum envolvida em grandes mudanças ocorridas na história recente da humanidade, como os efeitos da grade depressão de 1929 e principalmente a SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.

As fotos que seguem mostram as páginas do capítulo em que narramos a queda do avião b-24, ao qual o tenente EMIL ANTHONY PETR era operador de radar. Este fato ocorreu no dia 13 de setembro de 1944, sobre a cidade alemã de ODERTAL, durante o ataque a uma refinaria.

Durante nossas pesquisas conseguimos contatar dois membros do exército alemão que estavam em um dos canhões que ajudaram a derrubar a b-24 do tenente PETR. Eles eram jovens de 15 e 16 anos e foram extremamente solícitos em ajudar na pesquisa deste trabalho.








O livro possuí formato a-4 e traz muitas histórias da vida de EMIL PETR em Natal e seus trabalhos junto as comunidades agrícolas da nossa região.

Neste nosso quarto livro trazemos o resultado de uma pesquisa que se iniciou em 2009, contou com o apoio de pessoas e pesquisadores no BRASIL, ESLOVÁQUIA, ALEMANHA E ESTADOS UNIDOS, a quem só tenho agradecimentos.

Um abraço a todos.

Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com/ 

HISTÓRIA: Hoje marca o Fim da Primeira Guerra Mundial

Fim da 1ª Guerra Mundial

No dia 11 de novembro de 1918, o mundo recebia aliviado a notícia de que a 1ª Guerra Mundial havia terminado. A guerra acabou após a assinatura do Tratado de Versalhes, um acordo que entre uma variedade de imposições, atribuía à  Alemanha a responsabilidade  por todos os danos causados pela guerra e que portanto, os alemães deveriam pagar indenizações e fornecer o suporte para a reconstrução de diversas regiões dos países envolvidos.

A 1ª Guerra Mundial levou 60 milhões de homens para a batalha, deixando 9 milhões de pessoas mortas e mais de 20 milhões feridas.
    
Foi no período da 1ª Guerra que a revolução feminina começou a se organizar, uma vez que as mulheres assumiram os postos de trabalho deixado pelos homens que estavam na guerra.  

Fonte: http://www.123achei.com.br/
http://euricopaz.blogspot.com.br/

Histórias de cangaceiros que o povo conta

Por: Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Sou cabo da Policia Militar do Paraná. Meu nome é Francisco Carlos Jorge de Oliveira, e como já contei a vocês sobre um velhinho pernambucano da cabeceira do rio Pajeú, que mora aqui em minha cidade o Sr. Tenório, volto a mencionar mais uma de suas histórias, desta vez sobre o nobre cangaceiro Mariano.


Numa tarde, todo o bando de Lampião exausto, faminto e ferido, encontrava-se acantonados escusos entre as fendas das grandes rochas às margens do rio São Francisco, a algumas léguas abaixo da cidade de Piranhas. Isto foi após um violento confronto com a volante de Odilon Flor, naquela região hostil e cheia de surpresas, houve baixas de ambos os lados, e o número de feridos era uma soma considerável.

O sol purpura como um bolo de sangue, pendia oblíquo no horizonte vermelho, enquanto um cara-cará atento os observava imponente no galho de um angico. O tempo quente e abafado, junto ao mormaço que subia das águas do velho Chico, que pairava sobre a colina de pedras, transformava o refúgio em uma verdadeira fornalha.

Medo ali não havia, mas sim, cisma, o silêncio era sepulcral, as garças revoavam, e o nhambu tristonho saudava o dia que já findou; o bacurau parecia lamentar a solidão, enquanto a rasga mortalha cruzava aquele céu. A retinta noite escura cobria o nordeste com seu véu. O sangue que fluía das feridas se mesclava com o suor, banhando o rosto e o corpo esgotado dos cangaceiros. A água quase escassa que saía das purungas deslizava como néctar goela abaixo, alguns gemiam em surdina, outros ignorando a dor adormeciam e os mais valentes permaneciam pervígil, embora cansados, mas vigilantes.

O cangaceiro Mariano estava ferido por um projétil deformado que ao ricochetear em um lajedo, o atingiu abaixo da panturrilha esquerda, a lesão embora superficial sangrava muito, pois havia rasgado o tecido uns cinco centímetros, e era semelhante a um talho de faca.

Da esquerda para  direita: Mariano. Pai Veio e Pavão

Mariano estava próximo ao cangaceiro Pai Veio e pediu a ele um pouco de água, mas, este respondeu que não tinha, pois sua cabaça havia sido furada por um tiro. 

O cangaceiro Volta Seca

Pediu também ao jovem Volta Seca, mas este vencido pelo cansaço estava ferrado no sono. A sede era insuportável e Mariano resolveu descer até ás barrancas do grande rio para apanhar um pouco d'água. E assim o fez, mancando e com cautela, lá chegando viu que o terreno era totalmente descampado. Então acabou de aproximar rastejando, e pegando sua cabaça a submergiu nas águas frescas do rio, enchendo o recipiente até transbordar.

Após saciar a incrível sede, sentou-se debaixo de um pé de ingá e quando banhava a ferida com água fria para amenizar a dor, súbito encosta uma canoa e desembarca uma mulher baixa, toda vestida de branco, que seguiu em sua direção. O cangaceiro até tentou se mover, mas seu corpo não o atendeu, e assim neste estado de transe permaneceu Mariano.

 A tal senhora tirou de dentro de sua patrona de couro alguns objetos e começou a tratar do seu ferimento,  e ao mesmo tempo o aconselhava para que largasse aquela vida criminosa, por que ele era um homem bom e ali não era seu lugar. Acabando então de ouvir os conselhos daquela visão ele adormeceu.

No outro dia quando se despertou Pai Veio lhe perguntou:

- Cumé cabra, cadê seu machucado?

Mariano olhou para o local do ferimento e surpreso só viu a cicatriz. E mesmo assim não respondeu nada. Caminhando um pouco mais à frente, viu entre os chique-chiques, uma modesta cruz de madeira bem rústica gravada um letreiro. 

Lampião e Jurity

Ele pediu a seu amigo, o cangaceiro jurity, que lesse para ele o que estava escrito naquela cruz. E o facínora disse-lhe:

- Neste lugar morreu afogada a parteira Juventina de Santana.

Naquele momento Mariano compreendeu tudo o que havia se passado com ele. E assim ele foi até perto da tal cruz e rezou pela alma de sua benfeitora. 

Depois se juntou com o resto do bando para tomar café e ouvir os planos do Capitão Virgulino. 

Pois é caro leitor, esta é mais uma historia que cabe a você analisá-la.

História contada na página de comentários pelo autor Francisco Carlos Jorge de Oliveira  em:
A morte de Mariano, postado neste blog  - no dia 1º de Fevereiro de 2011

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sábado, 10 de novembro de 2012

CORISCO, O DIABO LOURO

Publicado por Luiz Berto em BAÚ DE ESTÓRIAS - Paulo Moura

Cristino Gomes da Silva Cleto. Este é foi o nome de uma das figuras mais legendárias do cangaço, o terrível Corisco. Ou, Diabo Louro.

Figura atormentada pelo destino nasceu em 10/08/1907, num dia de sábado, na Serra da Jurema, no município de Matinha de Água Branca, em Alagoas. Filho de Manoel Gomes da Silva e de Firmina Cleto, teve seis irmãos: Vicente, Francisco, Maria, Jovita, Teodora e Rosinha.

Seu pai morreu muito jovem deixando a viúva com a obrigação de criar sozinha, os filhos ainda pequenos. Dona Firmina, austera e moralista tratava os filhos com pulsos de ferro, surrando-os freqüentemente por motivos nem sempre justificáveis. Cristino, de temperamento rebelde desde cedo, fugiu de casa ainda aos 14 anos de idade após uma destas memoráveis surras. Naquele tempo a família já morava na vila de Pedra de Delmiro/Alagoas.

Foi parar em laranjeiras, Sergipe, onde passou cerca de três anos trabalhando como entregador de leite. Em fins de 1923, volta para casa muito doente e é recebido pela mãe, saudosa e muito arrependida.

Em 1924 é convocado para o serviço militar, indo destacar em Aracajú/Sergipe. Alto, olhos azuis, loiro, bem parecido, inteligente e disposto, destaca-se entre os demais recrutas, atraindo para si a admiração dos superiores. Afeiçoa-se às armas, que aprende a manejar com precisão.

Em julho daquele ano o tenente Maynard participa de uma revolta contra o governo, ao qual mostra-se infrutífera devido à reação do presidente, apoiado pelos “coronéis” do interior com suas milícias de jagunços. Tendo sido um dos mais exaltados no momento da sublevação, Cristino é também um dos mais perseguidos. Foge então para Pedra de Delmiro para esconder-se ao lado da família, mas em pouco tempo chega uma precatória solicitando sua prisão. Foge então para mais longe, Paraíba. Até então não imaginaria que passaria, a partir dali, a viver fugindo até o fim dos seus dias.

Na Paraíba, homiziou-se em Lagoa do Monteiro, terra do célebre bacharel-cangaceiro Santa Cruz, habitat dos valentões. Naquele tempo o sertão fervilhava de cangaceiros. A mudança não lhe foi benéfica.

Cristino por algum tempo foi trabalhar na roça e no trato com o gado, mas como nem sempre de trabalho vive o homem tornou-se frequentador assíduo dos forrós de fim de semana. Certa feita tira uma moça para dançar e recebe um “não”. Insiste, e é esbofeteado por um parente da moça. Apanhar na cara é uma desmoralização que o sertanejo não perdoa. Vai à casa do patrão, arma-se e despeja toda a carga de um rifle sobre o agressor, matando-o. Consegue fugir, indo ocultar-se em uma das fazendas do patrão. Estávamos nos fins de 1925.

É orientado pelo patrão a entregar-se às autoridades. Ele providenciaria que a pena lhe fosse branda. Confiante, Cristino se entrega e é levado a júri. O tiro lhe sai pela culatra e Pega 15 anos de prisão. O Estado naquela época, não tinha condições de manter prisioneiros encarcerados por tão longo período e normalmente resolvia o problema da maneira mais simples.

Escoltava-se um grupo de prisioneiros com penas iguais ou superiores a 15 anos, até um local deserto na caatinga, mandava que os infelizes cavassem suas próprias covas e fuzilava-os à queima roupa. Às vezes, para economizar munição ou não fazer barulho, optava-se pelo processo da sangria lenta: “Ferro na taba do queixo… feito bode”.

Por sorte, Cristino ficou numa cela com oito companheiros, e um deles era protegido pelo prefeito do lugar. Poucos dias depois recebe uma sacola com alimentos, contendo ainda ferramentas para a fuga e um bilhete avisando que no dia seguinte todos seriam fuzilados e que por isso tratassem de fugir enquanto era tempo. No dia seguinte, quando o sol nascia na Paraíba, Cristino era novamente um homem livre.

Vai parar em Villa Bela (atual Serra Talhada), refugiando-se na fazenda Carnaúba, reduto da família Pereira, celebres no Pajeú devido aos aguerridos combates contra as famílias Nogueiras e Carvalhos. Né da Carnaúba precisava de homens valentes na sua terra para utilizá-los quando necessário, colocando-o entre seus moradores. Novamente Cristino volta pra a vida normal de cuidar do gado e da roça. Estávamos no inverno de 1926. Certo dia, o filho do prefeito de Villa Bela, em visita à fazenda Carnaúba, reconhece Cristino e avisa a seu Né que seu pai recebera uma precatória para sua prisão, e que se fosse levado para a Paraíba seria certamente executado no caminho.

O conhecido fazendeiro explica a situação para Cristino e o aconselha que a única solução seria ingressar no bando de Virgulino Ferreira, Lampião, celebre cangaceiro que à época já chefiava cerca de 100 homens em armas, travando uma guerra de vinditas contra a família Nogueira, esta, ligada aos Carvalhos, inimiga dos Pereiras. Lampião, nesta época já ostentava a patente de Capitão das forças legalistas, dada meio à força pelo Padre Cícero do Juazeiro do Norte, após um convite firmado para que o cangaceiro combatesse a coluna prestes que, em formação de caravana, invadia o sertão.

Lampião, ao ouvir as razões que o fizeram virar um foragido da justiça, resolve admiti-lo no bando, colocando-o sob a chefia de Jararaca, um valente cangaceiro natural de Buíque PE. Jararaca, ao conhecer o alagoano Cristino, vai logo dizendo que o mesmo tem que mudar de nome, pois cangaceiro tinha que ter um vulgo que impusesse medo. Seu primeiro tiroteio foi logo no dia seguinte na fazenda Tapera, quando fora chacinada a família Gilo (este, um assunto guardado para páginas seguintes, devido à gravidade dos fatos e a um grande mal que assolava o sertão na época. O Boato). A partir daquele dia, diante da bravura, agilidade e intrepidez do louro Cristino, este ganhou o apelido de Corisco.

Corisco ficou no bando até maio de 1927. Tanto isso é verdade que não se vê a sua presença no grande ataque à cidade de Mossoró/RN em 13/06/1927. O mesmo tentara deixar o cangaço e mostrara a Lampião que queria começar vida nova. Viver sem ser perseguido. Tinha muita vontade de ir para a Bahia, terra dos seus pais e onde ainda tinha muitos parentes. Queria montar um comercio ou entrar na polícia. Queria levar uma vida sossegada, pacata. Lampião ouviu suas razões e disse que não tinha problema, poderia ir quando quisesse, mas que tivesse cuidado, pois se descobrissem que ele havia participado do bando de Lampião seria morte certa. Disse-lhe ainda que no dia em que quisesse voltar seria bem recebido.

Corisco, agora com o nome de Cristino de novo, vai para Salgado do Melão e fica no meio dos parentes. Era cidadão comum de novo e nova vida iria recomeçar. Um homem valente não passa despercebido e em pouco tempo Cristino foi convidado para ser guarda costas do Coronel Alfredo Barbosa  em Vila Nova da Rainha. O serviço não exigia tempo integral e o ex cangaceiro, agora regenerado, dedicava-se também ao comercio de pequenos animais, abatendo-os e vendendo a carne nas feiras semanais.

 Data desta época o desentendimento do jovem feirante com o delegado Herculano Borges, quando Cristino reclama da cobrança abusiva de um imposto na feira, é brutalmente agredido pelo delegado e seus ajudantes. Com mais esta desmoralização Cristino opta por não se vingar imediatamente, pois caíra nas graças do coronel e até noivo estava de uma sobrinha sua, a Marieta, e já tinha também a promessa de montar uma mercearia quando desposasse a donzela.

Novamente o destino lhe é cruel. Cristino tinha uns primos envolvidos em questões, coisa comum naquele sertão sem lei, e ele termina arrastado naquele desmantelo de desavenças e intrigas. São emitidas precatórias para a prisão dele e dos primos. Este, com o sonho do casamento desfeito, passa a viver escondido no mato, enquanto seus parentes passam a sofrer todo tipo de perseguição.

Herculano Borges, antes indisposto com ele, agora não lhe dá sossego. Vários de seus parentes são torturados, castrados, violentados, assassinados pelas volantes e, acreditem, alguns até enterrados vivos.

Cristino perde tudo. Comercio, noiva, emprego, família, e volta novamente para a clandestinidade. Agora, com o coração ardendo em ódio, une-se a Ferrugem, Hortêncio, vulgo Arvoredo, Emílio Ribeiro, vulgo Beija Flor e Manoel Cirilo, vulgo Jurema, quase todos primos seu. E ele… De novo, e agora para sempre: Corisco, o Diabo Louro!

É nesta época que Corisco se apaixona por uma jovem de 12 a 13 anos de idade, sequestrando-a, leva a donzela para casa de parentes seus. Não sem antes violentá-la e fazê-la, mesmo à força, sua mulher. A moça se chamava Sérgia, e quando Corisco consegue enfim trazê-la para perto de si, passa a tratá-la com desvelo e delicadeza tamanha que a mesma se apaixona pelo facínora. Sérgia seria futuramente a Dadá, mulher valente, perversa e considerada a princesa do Cangaço. Corisco passa a atuar com grupo próprio nos meados de Agosto de 1928. Já em Dezembro do mesmo ano vamos vê-lo incorporado ao bando de Lampião quando este viajava em rota batida, fugindo dos desafetos de Pernambuco, indo se homiziar em terras baianas. No dia 17/12/1928, o grupo do cangaceiro Lampião é fotografado na vila de Pombal (ver foto abaixo), com um contingente reduzidíssimo, devido as perseguições, mortes, prisões e debandadas de alguns cangaceiros.


Ao lado do Capitão Lampião está o que restou dos seus melhores homens: Ponto fino (Ezequiel, seu irmão), Moderno (Virgínio, seu cunhado), Luiz Pedro (seu lugar tenente), Antonio de Engracia, Jurema, Mergulhão e por ultimo, Corisco.

A partir deste ano de 1928 até maio de 1940 muitos crimes foram perpetrados pela horda assassina. A maioria era crime de vingança, como o assassinato do Delegado Herculano Borges, assunto que brevemente iremos postar. Contudo, no dia 03 de Maio de 1940, Corisco já considerado o novo Rei do Cangaço, devido à morte do seu Chefe e amigo Lampião em 28 de junho de 1938, – dois anos antes da sua – resolve fugir com a mulher Dadá e apenas uma criança de 10 anos que os acompanhava. Corisco planejava fugir para Mato Grosso ou Goiás, pois tinha muito ouro guardado e negava-se se entregar à volante, pois sabia que com certeza seria morto, pois ali a única coisa que interessava à polícia era o seu dinheiro.

E foi no que se deu. O tenente Zé Rufino, policial pernambucano que prestava serviço à Bahia, estava no seu encalço. Corisco, devido às diversas escaramuças e fugas da volante, estava debilitado e seus dois braços ficaram inutilizados por força de ferimentos à bala em tiroteio recente. Dadá, sua mulher, passara a usar o fuzil no seu lugar. A volante alcança-o em Barra do Mendes, município de Brotas de Macaúbas, na fazenda Pulgas, onde se escondia.

A volante toma posição, cercando a tapera em que o cangaceiro se escondia. O tenente Rufino grita:

- Aqui é o Tenente Zé Rufino! Se entreguem que eu agaranto a vida de voceis!

Na saída do casal de dentro da casa o que se ouve é uma fuzilaria infernal. Era Dadá, que atirava com o fuzil por sobre o ombro do marido aleijado e impotente. A resposta é imediata. Corisco, metralhado na barriga, tomba desfalecido, com as vísceras expostas. Dadá, ao seu lado urra de dor com um dos pés dependurado nos tendões.

A volante se aproxima. Um soldado coloca para dentro os intestinos do velho cangaceiro, dizendo:

- Tenente, esse aqui já era! Tá fedendo a merda, e fedeu a merda é morte certa, não é?

Zé Rufino se apresenta para Corisco e pergunta:

- Pru quê num si intregô, Rapaiz?

- Tô sastifeito. Sô homi pra morrê, não pra sê preso! Respondeu Corisco.

Corisco, após este episódio, veio a falecer algumas horas depois. Dadá, levada presa, teve a perna amputada. O tenente Zé Rufino, se transformou num herói, por ter sido o responsável pelo fim do cangaço no sertão nordestino, fechando assim um ciclo terrível que lavou o sertão de sangue e desgraça. Ciclo este só comparado às entradas dos Bandeirantes, que chacinavam índios indefesos dentro de suas próprias terras, em nome do processo de colonização. Mas esta já é outra estória!

http://www.luizberto.com

Passarinho: Um ex-cangaceiro de Lampião

Por: Eudes Donato
O cangaceiro Passarinho

Marcos de Lima (Passarinho) nasceu em Santa Cruz, antes distrito de Triunfo-PE, em 22 de setembro de 1903. Começou cedo no cangaço com idade de 16 anos em 1919, ainda no comando do cangaceiro Sinhô Pereira (Lampião ainda não havia formado o seu bando).

O cangaceiro Sinhô Pereira

Posteriormente, Sinhô Pereira confia entregar o comando a Lampião e vai embora para Goiás onde seus familiares tinham propriedades, isso mais ou menos por volta de 1921. Logo em seguida, são formados novos grupos de cangaceiros para dar sustentação ao grupo de Lampião.

Passarinho entra num desses grupos comandado por Cícero Costa, ou Ciço Costa (um Paraibano) que agia na região de Conceição de Piancó PB. Eles e Ciço Costa participaram do bando de Lampião em várias ocasiões. Esse seu chefe imediato era um grande conhecedor de farmácia natural, o médico do bando.

Muitas pessoas acham que Passarinho conviveu diretamente com Lampião. Não, ele teve vários encontros com o rei do cangaço, inclusive participando de alguns ataques como na propriedade de José Trajano, localizada no município de Conceição PB, com o seu chefe tomando-lhe rifle e dinheiro em 06 de Julho de 1921.

Existiram dois Passarinhos no cangaço, por isso que algumas publicações citam: Passarinho l e Passarinho 2, (era costume quando algum morria ou era preso, se colocar o nome de outro que estava chegando e com semelhança ao mesmo, batizar de fulano l e fulano 2, e este Passarinho é claro e evidente foi o nº l.

Nessa vida tirana, Passarinho viveu 3 anos e 7 meses no cangaço, até quando foi preso em 24 de dezembro de 1923. Foi recolhido a cadeia de *Princesa e sendo condenado pelo júri local a 29 anos e 9 meses de prisão.

Fora preso e condenado por haver assassinado naquele ano, mais precisamente no dia 17 de dezembro do corrente ano, num local chamado Caracol do município de Conceição do Piancó PB, Raimundo Nogueira a quem roubara-lhe sua roupa e algum dinheiro. Seis dias após o acontecido, o irmão de Raimundo surpreende Passarinho nas adjacências da povoação de Patos, município de Princesa.

Passarinho estava justamente com as roupas do seu irmão Raimundo, este saca de uma arma e atinge Passarinho. O seu companheiro Juriti, num vacilo de Raimundo, por trás dá-lhe uma pancada na cabeça e termina o ato dando-lhe várias facadas. Passarinho, ferido, entra na povoação gritando: - Acabam de matar um homem e me feriram também, (pra ver se enganava os soldados). Banhado de sangue dos ferimentos, recebe voz de prisão, não por obediência a lei, pois era valente, mas pelos disparos recebido.

Recebendo ameaças de morte é transferido para João Pessoa onde cumpriu 7 anos e 9 meses de prisão. Vem pra Campina Grande, depois Pocinhos (é quando conhece sua futura esposa dona Petronilha, mais conhecida por dona Pitu.

Casa-se em Campina Grande e vem morar em Areial, pois dona Pitu tinha familiares residindo aqui. Não teve filhos, mas criou um filho adotivo (Arinaldo) do qual ganhou três netos (uma mulher e dois homens).


Em Areial, viveu por mais de sessenta anos. Faleceu no dia 15 de agosto de l998, aos 95 anos, e seus restos mortais estão no cemitério local. Sua esposa dona Petronilha Maria de Araújo, nasceu no dia 23 de setembro de 1917 e faleceu em 19 de Agosto de 2004 em Areial, aos 86 anos e onze meses, e seu sepultamento também foi no cemitério local.

- São vários livros e jornais que citam o nome ou fizeram manchete com o nome de Passarinho.
- Trecho extraído do livro: “Passarinho: um ex-cangaceiro de Lampião em Areial” (ainda em acabamento de autoria do pesquisador, Eudes Donato)

- Eudes Donato é Filho de Antônio Apolinário Gonçalves e Hilda Donato Gonçalves, Funcionário Público da Empresa de Correios e Telégrafos, pesquisador, colecionador de vários itens, como gibis antigos, discos de vinil, livros sobre o cangaço, e grande acervo esportivo. Colaborador em pesquisas para a revista Placar da Editora Abril, Revista da Esperança, livro sobre o América Futebol Clube da cidade de Esperança, etc.

- Desculpem por alguma parte do texto. Para compreender melhor faço adendos:

- 1º. Como a biografia está em grande resumo da história, vamos adiantar apenas que existiram vários sub-grupos ao comando de sinhô Pereira. Um desses sub-grupos era comandado por Ciço Costa, mas sempre cumprindo ordem de seu chefe sinhô Pereira, do qual Passarinho também fazia parte, ora com Ciço, ora com sinhô Pereira.

- 2º. Sinhô Pereira já conhecia a trajetória de Lampião e por isso lhe tinha muita confiança.

- 3º. Sinhô Pereira ao deixar definitivamente o cangaço em 1922 (antes a pedido de Padre Cícero, deixou o cangaço), mas logo voltou atrás.

- 4º. No começo do ano de 1921 não havia cangaceiro nenhum com esse pseudônimo de Lampião. Surge o apelido em maio de 1921.

- 5º. No texto, falo "mais ou menos" sinhô Pereira deixa o cangaço em 1921 (primeira vez). Na segunda vez, mais precisamente em março de 1922 e imediatamente Virgulino Ferreira da Silva, já com a alcunha de Lampião, assume o cangaço no mesmo mês.

- 6º. O irmão de Raimundo era o boiadeiro Amaro Nogueira do qual vinha acompanhado de um comparsa.

- 7º. Passarinho ao ser surpreendido, estava acompanhado também do cangaceiro Juriti (este Juriti I, irmão do cangaceiro Batista, o outro Juriti II chamava-se João Soares, em outra época mais a frente).

- 8º. No encontro, Passarinho ainda estava com as vestes de Raimundo, irmão de Amaro.

- 9º. Amaro dispara três tiros em Passarinho o atingindo (Passarinho ao falecer em 1998 ainda continha uma bala alojada em seu corpo, proveniente deste acontecido).

- 10º. Juriti ao bater na cabeça de Amaro, este ao cair fica preso aos estribos da sela e Juriti saca do punhal e lhe desfere 36 punhaladas.

- 11º. O comparsa que estava com Amaro sai em disparada carreira e logo atrás Passarinho, mesmo ferido também corre e nesse momento usa sua astúcia e grita que era o indivíduo que tinha matado um homem e também ferido ele. Foi aí que se descobriu a farsa e Passarinho foi preso.


Areial Virtual
Adendo Lampião Aceso:

- Santa Cruz... da Baixa Verde.
- Areial e Princesa... Isabel, ambas cidades da Paraíba.
* A segunda foto compõe a iconografia do livro "Histórias do Cangaço, pag 106 do saudoso Hilário Lucetti. Gentilmente enviada pelo reverendo Ivanildo Silveira.

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Zé de Manu e a surpresa de Luiz Gonzaga

Por: Giovani Costa
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Há uns seis anos atrás eu assisti um documentário sobre a vida do Rei do Baião na TV Jangadeiro em que Zé de Manu, que tocou com ele durante seis anos, conta um caso de um festival de sanfoneiros que houve em Fortaleza, em que ele participou e 


Luiz Gonzaga foi convidado só para fazer a entrega dos prêmios.

Na hora da premiação, Zé tinha ficado em terceiro lugar, mas quando foi anunciado o primeiro colocado, Seu Luiz partiu para Zé de Manu e disse: 

"Pega, Zé, que este troféu é seu, você foi quem ganhou."

Diante da plateia e de um jurado surpreso, Zé de Manu que pensava fosse uma brincadeira, disse:

"Não, Seu Luiz, eu tirei foi o terceiro lugar!" 

Aí Luiz Gonzaga disse: 

"Porque roubaram, mas este troféu é seu!"

E assim teve que ser... Coisas de Rei.


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Lampião e a baronesa de Água Branca, Dona Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres

Por: Tiago Jucá
Lampião com uma garrafa de bebida em uma das mãos 

Água Branca é uma pequena localidade do Estado de Alagoas, situada perto do rio Moxotó. A principal moradora do município, no ano de 1928, era a 

Dona Joana Vieira

Dona Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, a Baronesa de Água Branca. Virgulino Lampião há tempos vivia pedindo dinheiro à Baronesa, e esta de pronto respondia: "Tenho vinte contos, mas é para comprar de munição para o couro dele!". 

Diante da negativa da Baronesa, Lampião planejou um assalto à cidade de Água Branca. Claro, ele esperou um ano depois da resposta da Baronesa, pois ela havia enchido as ruas de policiais, temendo alguma ação do cangaceiro. Desfeita a tensão, Virgulino enviou um espião à feira de Água Branca, a fim de verificar as forças policiais. Enquanto isso, Lampião esperava as notícias em Bom Conselho de Papacaça. Depois de ficar informado sobre a situação de Água Branca, Lampião rumou em direção ao município. Foram quatro noites de viagem, sendo que os dias serviam para o descanso de Lampião. Na tarde do dia 27 de junho de 1928, o cangaceiro tomou um sítio não muito longe de Água Branca e obrigou o dono a fazer compras na cidade.

Deu-lhe dinheiro e uma lista, que continha cigarros, fósforos, esteiras de pipiri, duas redes brancas e uma lata de tinta vermelha. Para ter certeza que o dono do sítio ficasse em silêncio, Lampião manteve a família dele como refém. Caso abrisse o bico, Lampião prometeu judiar e até mesmo matar todos os familiares. 

Lampião dividiu seu bando estrategicamente. Quatro duplas se formaram para fazer o bloqueio das entradas da cidade e ali ficarem até o término do assalto. Os outros dez cangaceiros encheram as duas redes compradas no comércio com armas e munições. 

A lata de tinta vermelha serviu para pintar as redes, dando assim a impressão de sangue de morto. Ao amanhecer do dia 28, os dez cangaceiros entraram em Água Branca, carregando as redes com os dois 'defuntos'. Estacionaram em frente ao quartel da cidade e avisaram ao soldado de vigia: "isto foi dois que nós achou morto e truxemo para fazer o corpo delito". O vigia os convidou para entrar e esperar, enquanto ele iria acordar um outro soldado numa casa vizinha. Quando o vigia saiu atrás de ajuda, os cangaceiros trataram de pegar as armas escondidas dentro das redes e esperam a volta para dar o bote.

Quando os guardas voltaram, Lampião mostrou as armas e disse: "o defunto é esse, visse?". Lampião soltou vinte presos e no lugar deles prendeu todos os guardas. Obrigou ainda ao corneteiro dar toque de reunir. Ao todo, Lampião enjaulou mais de trinta soldados e roubou todas as armas e munições, que logo foram distribuídas entre os ex-prisioneiros. 

Agora Lampião contava com trinta homens armados prontos para o assalto. Os cangaceiros tomaram as ruas e acordaram os moradores com tiros. As casas e as lojas dos mais ricos foram sendo saqueadas uma por uma. A Baronesa foi a que sofreu o maior prejuízo: trinta contos de réis em dinheiro, ouro, jóias, roupas e vinte e cinco cabras leiteiras. Após o saque, a Baronesa ainda seria humilhada a passear de braço dado com Lampião pelo meio das ruas da cidade. Água Branca foi a primeira vez em que os cangaceiros, vibrantes e entusiasmados pela vitória, cantaram o hino de guerra "Mulher Rendeira", um xaxado ritmado pela batida forte dos rifles batendo no chão: "Olê mulé rendeira/ olê mulé rendá/ tu me ensina a fazer renda/ que eu te ensino a namorar".

O autor do texto é o jornalista Tiago Jucá, formado na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). O Jucá, para escrever a monografia de conclusão do curso, leu tudo que podia sobre Lampião - como se fosse escrever aqueles calhamaços das teses de doutorado e que ninguém lê - mas ao contrário, o texto final ficou enxuto e agradável de ser lido pela quantidade de informações.


Para ler mais: Lampião, seu tempo e seu reinado, volume II -A guerra de guerrilhas (fase de vinditas), de Frederico Bezerra Maciel, Editora Vozes.
* Tiago Jucá, 26, é editor chefe da revista O Dilúvio


http://www.pontodevista.jor.br/historia/lampiao.htm