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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

CONHEÇA OUTROS 8 ASSASSINOS MAIS JOVENS DO MUNDO - PARTE VI

Garota A (Nevada Tan) 

 6 – Garota A (Nevada Tan) – 2004

Uma colegial japonesa que mata uma colega de classe com um estilete pode parecer a descrição da cena de algum filme de terror oriental, mas foi algo muito real que aconteceu em junho de 2004, na cidade de Sasebo, localizada na província de Nagasaki, no Japão. Apelidada apenas de Garota "A", a menina tinha apenas 11 anos quando cometeu o crime.

Durante o intervalo do lanche, a Garota A e uma colega, Satomi Mitarai, de 12 anos, desapareceram. Quando retornou para a sala de aula, a jovem "A" estava com as roupas cobertas de sangue.

A professora acionou a polícia, e, após uma busca pela escola, o corpo da outra garota desaparecida foi encontrado. Satomi teve a garganta e os braços cortados com um estilete e morreu antes que pudesse receber ajuda.

Localização da cidade de Sasebo

Quando questionada, a Garota "A" admitiu o crime, dizendo que tinha feito “algo muito errado” e pediu desculpas. Ao ser pressionada sobre os motivos, a jovem admitiu que o motivo da briga que levou ao assassinato foi que a vítima estava fazendo cyber bullying, implicando principalmente com a aparência dela.

Ironicamente, justamente a aparência inocente e a tenra idade da Garota "A", chamaram atenção de fóruns de internet como o 2Channel e o 4Chan. Por causa de uma foto divulgada por uma rede de TV japonesa em que ela usava um moletom escrito “NEVADA”, ela foi apelidada de Nevada Tan e virou um meme, ganhando uma legião de fãs que fizeram diversos desenhos e até mesmo cosplay da jovem assassina.

CONTINUA...

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Major Romão Filgueira - 16 de Novembro de 2014

Por Geraldo Maia do Nascimento

Alto, ossudo, dinâmico e valente. Foi uma das figuras marcantes na vida social e política de Mossoró. Era querido e respeitado. De memória prodigiosa, “conhecia como ninguém o passado mossoroense, cujos relatos, dias distantes, datas e localizações, repetia com o poder de sua extraordinária memória, que tornava sua conversa um centro de interesse e permanentes atrações”, nas palavras do memorialista Raimundo Nonato. Essa é a descrição que encontramos da figura de Romão Filgueira.


Francisco Romão Filgueira nasceu em Mossoró/RN a 09 de agosto de 1860, sendo filho legítimo de Antônio Filgueira Secundes e D. Maria Emília de Souza.
               
Muito jovem iniciou-se na vida prática com uma mercearia no mercado. Depois, fiscal da Câmara até 1880. Viajante comercial entre Mossoró e Recife. Encarregado das salinas de Alexandre de Souza Nogueira. Em 1885 voltou a municipalidade, tendo ocupado cargos de Tesoureiro, Procurador e Fiscal Geral, até 05 de janeiro de 1938, quando requereu aposentadoria.
               
Casou-se em 1883 com D. Benedita de Souza Filgueira, sua prima, nascida a 27 de fevereiro de 1865 e falecida a 20 de agosto de 1946.
               
Morou praticamente toda a sua vida na casa da Praça da Redenção, nº 220, que fora construída pelo seu pai, Antônio Filgueira Secundes, em 1867. Ali nasceram todos os seus filhos, num total de 16, sobrevivendo apenas 9: Silvério de Souza Filgueira, Maria Filgueira de Melo, Joaquina Filgueira Nogueira, Benedita Filgueira Filha (Ditinha), Júlia Filgueira Lopes (Julinha), João Batista Sousa Filgueira (Joãozinho), Augusto de Souza Filgueira, Alberto de Sousa Filgueira (Albertinho) e Francisco Romão Filgueira Filho. Aquele solar foi abrigo de muitos abolicionistas, teatro de sessões secretas, palco de decisões importantes pela abolição e, por tudo isso, tem um lugar reservado na história do grande feito mossoroense. É praticamente o último prédio existentes onde morou um abolicionista. Deveria ser tombado e transformado em Museu da Abolição.
               
Conhecia como nenhum outro o passado mossoroense. Viu a seca de 1877, a maior e mais trágica do Nordeste, nos seus quadros mais drásticos. Assistiu o ato de elevação da Vila de Mossoró ao predicamento de Cidade, através da Lei nº 620, de 9 de novembro de 1870. Ajudou o mestre Paulino a construir a estátua da Liberdade, na sua Praça, inaugurada em 30 de setembro de 1904. E assim, ano após ano, foi vendo e sentindo a evolução e o progresso de Mossoró.
               
O Major Romão, como era conhecido, com apenas 23 anos de idade e seguindo o exemplo do seu pai, entregou-se de corpo e alma ao grande movimento cívico em prol da libertação dos escravos. Foi um elo entre a Maçonaria e muitos próceres. Levou muitos negros foragidos até o Porto de Santo Antônio, a fim de serem embarcados para o vizinho Estado do Ceará, para evitar que os seus donos os encontrassem e que voltassem à condição de escravos. Foi um soldado atento e vigilante, bravo, idealista, um dos articuladores de tudo o quanto se fez em Mossoró em prol da libertação dos seus escravos.
               
Iniciou-se na Maçonaria em 13 de maio de 1885, na Loja “24 de junho”. Ocupou todos os cargos da Loja, sendo elevado ao Veneralato para o período julho de 1905 a junho de 1906. Foi eleito Venerável efetivo, Grau 30. Em sessão realizada em 24 de junho de 1941, foi condecorado com o título de Benemérito, pelos grandes serviços que prestou à sua Loja.
               
Romão Filgueira faleceu no dia 7 de setembro de 1958, em sua casa, na Praça da Redenção nº 220. Na manhã daquele dia, já muito doente, acordou ao som dos clarins, no momento em que as escolas desfilavam pela Praça da Redenção. De súbito, sentou-se na cama e interrogou aos presentes com um gesto. Queria saber o que estava acontecendo lá fora. Ficou sabendo que era o desfile em comemoração ao 7 de setembro. Ficou pensativo e depois voltou a deitar, ouvindo o som da Banda de Música que tocava lá fora, intercalado com os oradores que falavam sobre o grande feito da Independência. Às 18,00 horas, quando os clarins silenciaram, Francisco Romão Filgueira fechou os olhos para sempre.
               
Em seu livro “ZONA DO POR DO SOL”, Pongetti, Rio de Janeiro, 1964, o escritor Raimundo Nonato registra o falecimento de Francisco Romão Filgueira aos 98 anos de idade, com as seguintes palavras: “Figura de larga projeção em todos os círculos de atividades e movimentos da cidade da zona Oeste, o Major Romão Filgueira descendia de ilustre e tradicional família daquela terra, onde viveu durante quase um século, irmanado nas lutas e nas iniciativas do progresso do Município a que emprestou o melhor de suas energias e dos seus esforços”.
               
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IGREJA DE SÃO VICENTE DE PAULA EM MOSSORÓ


A igreja de São Vicente de Paula, representa muito bem, dois flagelos que assolou o Nordeste no passado: seca e cangaço. A sua construção começou em 1915 para ocupar as levas de retirantes, famintos e doentes, que chegaram em Mossoró-RN. 


Neste belo templo, foi derramado sangue e suor desta pobre gente. Em 1927 ele é palco de outro flagelo.


Em 13 de junho de 1927 Lampião e seu bando ataca a cidade e os tiros que mataram o facínora Colchete e balearam o temível Jararaca, partiram da torre desta igreja. Até os dias de hoje, o povo de Mossoró guarda como recordação daquela tarde fatídica, as marcas das balas encravadas na torre desta igreja.

Fonte: facebook

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O REI ANTES DE LAMPIÃO

por Paulo Goethe

Antes de Lampião, ele era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história nordestina como Antonio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias.

O personagem voltou a ficar em evidência porque em 28 de novembro completaram-se 100 anos da sua celebrada captura. A data foi marcada pelo lançamento do livro Theophanes Ferraz Torres - O centenário da prisão do cangaceiro Antônio Silvino e o julgamento do século, escrito por Geraldo Ferraz de Sá Torres, descendente direto do militar responsável pela detenção do cangaceiro e que depois se bateu com Lampião.

Ainda jovem, Manoel Batista de Morais integrou o bando liderado por seu tio, Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque. Com a prisão deste em Custódia, assume o comando e muda o nome e sobrenome, homenageando o parente.

Antônio Silvino entrou para o cangaço aos 21 anos de idade, com o irmão, Zeferino, depois da morte do pai, Batistão do Pajeú, em plena feira de Afogados da Ingazeira, em dia 3 de janeiro de 1897. Procurado pela polícia, Batistão ousou entrar na cidade no dia mais movimentado da semana e foi alvejado por um tiro de bacamarte disparado por Desidério Ramos, desafeto e contratado pelo coronel Luís Antônio Chaves Campos, chefe político local.

Silvino e o irmão juraram vingar a morte do pai, assaltando e matando todos os que colaboraram com o mandante do crime. “Para o sertanejo não havia justiça. Se um parente era morto, de imediato lhe sobrevinha o ‘direito’ de pôr termo à vida do assassino. Por vezes, essa vingança implicava em cruzar um punhal à cintura, portar rifle e munição, usar um chapéu de couro de aba batida. A cada crime não punido pelas instituições policiais e judiciárias, em regra, lançava-se a semente de um futuro bandoleiro profissional”, narra Sérgio Augusto de Souza Dantas em Antonio Silvino: o cangaceiro, o homem, o mito, uma das mais completas biografias sobre o “Rifle de Ouro”.

Mesmo tendo participado de um ataque à usina Filonila, em 1899, no qual resultou na morte de uma menina de 13 anos, filha do coronel Antônio dos Santos Dias, a fama de Antonio Silvino apenas cresceu como “bandido cavalheiro”. Em 1903, o Jornal Pequeno, do Recife, publica a sua foto. No ano seguinte, Francisco das Chagas Batista lança o cordel A canção de Antônio Silvino, que teve grande vendagem.

A invencibilidade de Silvino terminou no dia 28 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, resolveu se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura.

“Fora destronado o Átila bronco que, durante dois decênios, apavorara a gente matuta do meio-norte e assoalhava não ser passarinho que morasse entre grades… Por trinta anos ia se fechar atrás dele o portão da Penitenciária de Recife!”, assinala, em seu estilo característico, o cearense Leonardo Mota, autor de No tempo de Lampião, publicado ainda em 1931.

Antonio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 39 anos e quatro meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getulio Vargas. Na foto de sua saída da prisão publicada no Diario de Pernambuco aparece um senhor de cabelos brancos, de chapéu e bengala abaixo do título: "Antonio Silvino foi, hontem, restituido ao convivio da sociedade". O ex-rei do cangaço morreu em 30 de julho de 1944, aos 68 anos de idade, em Campina Grande, na casa humilde de uma prima, sem deixar nada para inventário, além da própria história.

Leia outras edições do Em Foco no blog Direto da Redaçãodiariode.pe/diretodaredacao

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Foi Matos Peixoto quem matou Izaias

Por João Tavares Calixto Junior
JOSÉ CARLOS DE MATOS PEIXOTO: Para Jáder de Carvalho, o verdadeiro assassino de Izaías Arruda.

Pensou e disse o contrário sobre o que se sabia da morte de Izaias Arruda, o jornalista e escritor comunista Jáder de Carvalho em seu "A Esquerda", em edição de agosto de 1928. Para ele quem assassinou o Prefeito de Missão Velha foi mesmo o recém empossado Governador do Estado, Matos Peixoto !

Izaias Arruda

Explica: "IZAIAS ENCARNOU NA ADMINISTRAÇÃO DE MOREIRA DA ROCHA, O CHEFE SUPREMO DA POLÍTICA SERTANEJA, TORNANDO-SE MAIOR QUE O PADRE CÍCERO". Apregoa que o novo Governador, desprestigiando-o, entregou-o, inerme e sem defesa, às mãos dos seus inimigos, e dentre estes, os Paulinos. Logo, para Jáder, fora Peixoto o autor intelectual, pois consentiu o crime, cruzando os braços e logo provocando a Izaias o seu inteiro desvalor...

João Tavares Calixto Junior
Pesquisador e escritor
Juazeiro do Norte

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A vingança do tenente Antonio - Parte V

Por Antonio Morais

O grupo se divide para confundir as volantes. Contou-nos Antonio de Amélia: Todos os elementos do grupo estavam reunidos. Lampião, tendo ao seu lado a companheira inseparável Maria Bonita, começou a distribuir ordens. Precisava demorar, por muito tempo, naquele acampamento, para repouso, depois de longas caminhadas e reiterados encontros com as volantes policiais e de ataques a indefesas cidades nordestinas.

Chamando Suspeita, um dos seus fieis comandados, ordenou que fosse à cidade de Mata Grande. E prosseguiu o rei do cangaço:

- Receba umas encomendas de Sebastião e depois, da Mata Grande mate Alfredo Curim, Zé Horácio da Ipueira e faça 6 ou 7 mortes na família dos Bentos, que é para ficarmos aqui despreocupados. De lá, viaje para onde quiser, que passe fora uns 15 dias a um mês”.

Alegando Suspeita, que os cangaceiros do seu grupo precisavam arrumar certas coisas.

Lampião autorizou que retirasse elementos de outros grupos. Foi aí que Fortaleza, que era do grupo de Luiz Pedro, Medalha, que sempre acompanhava o chefe, e Limoeiro, que pertencia a outro, passaram a compor o pessoal de Suspeita, para o cumprimento daquelas ordens. Ao mesmo grupo nos incorporamos. Isto é, eu, Sebastião e Antonio Tiago. Mais tarde, quando estávamos de passagem pelo município de Santana, Zeca, irmão de Sebastião e Alfredo, seu primo, se reuniram a nós, após as necessárias apresentações.


Em diferentes direções outros grupos saíram. Seguindo as ordens do capitão Virgolino, diversos grupos seguiram em diferentes direções, com o mesmo objetivo de desviar a atenção das volantes e facilitar a permanência de Lampião, naquele local. Um deles, disse-nos Antonio de Amélia, se dirigiu a Matinha de Águas Brancas, terra da famosa baronesa, cujas joias foram roubadas por Lampião, no início de sua carreira.

Cangaceiros deram para desconfiar. Acampados no meio da mata, Suspeita e sua gente aproveitaram a presença de Zeca, primo de Sebastião, que era bom rabequista, pára, ao lado de uma fogueira, dançarem e beberem durante toda a noite.

Antonio de Amélia prossegue na sua narração: 

- Aproveitando os cabras entretidos na dança, chamei Sebastião e disse para ele: vamos ter um pouquinho de cuidado com os cabras. Parece que eles estão um pouquinho desconfiados. Chamei depois o meu compadre Antonio Tiago e combinamos: o primeiro tiro será dado por mim em Fortaleza. Compadre Antonio cuida de Limoeiro e Sebastião de Suspeita. Aguardaremos com cuidado a melhor oportunidade. Neste momento pude observar que Suspeita e Fortaleza se isolaram do grupo e, todos equipados, se dirigiam a um riacho nas proximidades do lugar de nosso acampamento. Foi aí que Sebastião se dirigiu até o local onde os dois se achavam e perguntou:

- O que está havendo com você Suspeita que está triste e capionga?

Ao que Suspeita exclamou:

- Nada não, companheiro! Quem anda nessa vida precisa ter todo cuidado. Precisa confiar desconfiando.

Sebastião retrucou:

- Então está desconfiando de mim que tudo tenho feito por vocês e gosto de você e do Capitão? Neste caso não mande mais me chamar para coisa nenhuma. - Disse e saiu para perto da fogueira.

Diante da reação de Sebastião tudo voltou ao normal no acampamento, mesmo porque advertir - disse Antonio de Amélia - para cessar a dança e o barulho da rabeca, pois dada a pequena distância daquele local para a estrada, poderiam ser surpreendidos por alguma volante.

Andanças e Lembranças.

CONTINUA...

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LUIZ GONZAGA... UMA DE SUAS ÚLTIMAS ENTREVISTAS...!!


Terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Exclusivo: Luiz Gonzaga em entrevista inédita!
(19/06/2002)


Nove meses antes de morrer, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, deixou gravada uma conversa de mais de uma hora com os repórteres Marcos Cirano e Pedro Luís. Vários trechos desse depoimento permaneceram inéditos até hoje. Veja a íntegra da entrevista e saiba porque ela não foi publicada antes.

Essa entrevista foi concedida ao jornalista Marcos Cirano e ao fotógrafo Pedro Luiz, num apartamento do bairro de Boa Viagem, Recife, a 17 de outubro de 1988, portanto nove meses e 16 dias antes da morte de Luiz Gonzaga. Originalmente, ela serviu de base para uma reportagem sobre um novo disco do compositor, publicada pelo jornal carioca O Globo. Em maio de 1989, alguns trechos da entrevista também foram publicados pelo Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco. Mas, a íntegra do depoimento permaneceu inédita até agora.

A entrevista de Gonzagão é comovente. Em vários momentos, ele chora, ao reconhecer que já não tem saúde para ficar de pé sem o auxílio de duas muletas. Faz um balanço da sua carreira artística. Canta trechos de músicas do seu novo disco. Critica o duro jogo de interesses do mercado fonográfico. E decide assumir, através da imprensa, o romance que manteve em segredo por 13 anos com sua última mulher, Edelzuíta Rabelo, a dona do apartamento onde a entrevista Aconteceu: "Pode botar aí no jornal que o charme da minha vida agora é Edelzuíta!"A pedido de Edelzuíta Rabelo, que queria evitar atritos com a primeira esposa de Gonzagão, Helena das Neves, ainda viva na época, a entrevista não foi publicada na íntegra. Fato que só agora acontece. Com a palavra, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

A ENTREVISTA

Marcos Cirano - São 50 anos de carreira. E aí?

Luiz Gonzaga - Eu acho que corri, corri, corri e acabei parando em casa.

MC - O senhor ta trabalhando um novo disco, né?

LG - É, todo mundo trabalha. Esse disco tem, realmente, uma grande importância para mim. Porque, mesmo que eu não quisesse parar, eu agora tô condenando a isso, né, embora eu tenha a intenção de fazer tudo pra continuar. Porque, quando a gente cria, a gente tem obrigação de fazer cultura pra preservar as tradições, pra contar sua própria história. Porque, senão, ninguém vai querer contar, com a mesma empolgação, com o mesmo amor, com a mesma garra que eu sempre dediquei, de uma maneira completamente diferente, procurando sempre as estradas, sempre os caminhos em busca das cidades onde eu tinha certeza que existia uma colônia forte de cabeças-chatas esperando por mim. Então, aí eu instalei, instalava minhas tribunas. Estivesse onde estivesse: no noroeste, no oeste, no sul, em São Paulo, no sul do sul... Onde eu ia, encontrava as colônias nordestinas. Saudosas colônias sem administração, sem mando, furando ovas... vamos dizer assim, procurando se apossar de um pedacinho de terra, um meio de vida melhor... E eu cantava pra eles, lá onde estivesses, as canções mais bonitas, as mais fortes, as mais tristes, que fazia todo mundo chorar... meu objetivo não era esse, mas acontecia. Às vezes, eles choravam com uma coisa alegre que eu cantasse. (Gonzagão tenta, mas não consegue prender o choro).

MC - Nesses 50 anos de carreira, o senhor fez tudo o que teve vontade? Na música e nas andanças.

LG - Só não fiz porque, naturalmente, meu talento não dava. Mas, enquanto meus companheiros achavam que as minhas idéias eram boas, a gente fazia juntos. Fora aquelas que eles criavam para mim... Humberto Teixeira, Zé Dantas. Antes deles, Miguel de Lima. Depois, Zé Marcolino, aqui do sertão, que morreu recentemente em desastre de automóvel... Então, assim, eu fiz, modéstia à parte, um grande acervo que ainda não está exposto, mas está em Exu, esperando a oportunidade de ser exposto no Museu Luiz Gonzaga.

MC - O que está faltando para esse acervo ficar exposto?

LG - Ta faltando administração, eu sou péssimo administrador. Material tem até sobrando, que dá até pra três museus. Mas, museu, no Brasil, parece palavrão... A minha intenção é de ajudar a imprensa e os pesquisadores que, quando precisarem escrever algo sobre Luiz Gonzaga, sobre Humberto Teixeira, Zé Dantas, meus outros excelentes companheiros como Onildo Almeida, Janduhy Filizola, ambos de Caruaru, então vocês vão ter condições de pesquisar capas de LPs, reportagens... Eu quero oferecer isso para você que tá me procurando aqui hoje e que é jovem, daqui há algum tempo você vai a Exu e lá você encontra tudo, todo acervo do Rei do Baião, fácil, fácil, palpável, e escreve o que você quiser. Não sobre mim, mas sobre o Nordeste, sobre as músicas que eu criei.Gonzagão pára um instante, depois prossegue:Descobri o Nordeste musical, musicalmente falando. Não foi o Nordeste, foi o Sertão. O Nordeste sempre teve os seus carnavais, suas festas tradicionais para exibir as suas canções. Mas, eu esbarrava sempre, no Rio de Janeiro, para vencer, contra tudo e era barreira quase invencível. De vez em quando, aparecia um seresteiro, como Augusto Calheiros e mais alguns, que, através de suas vozes, eles contavam as coisas engraçadas do Nordeste, como Manezinho Araújo. Mas, não com a boa intenção que eu me apresentava, em cima de caminhão, levando o patrocinador nas costas, fazendo espetáculos nas praças públicas, improvisando espetáculos em determinadas praças... Agora, tudo isso por quê? Porque eu não me achava bastante suficiente para concorrer com ninguém. Eu tinha que levar minha música diretamente àqueles que ignoravam totalmente o Nordeste. É claro que os colegas compareciam e coloriam o ambiente. Mas, o objetivo era cantar para os barrigas-verdes, os gaúchos, os caipiras, os cariocas. E conseguia, quase sempre, patrocinadores. Então, eu tinha liberdade. E assim, no meio desse público, eu era acolhido de surpresa até... Ali no meio desse público tinha Caetano, tinha Gil, tinha muitos cantores doidos por aí, famosos hoje, que já mudaram de roupa várias vezes, hoje são até roqueiros, mas mesmo como roqueiros continuam afirmando que Luiz Gonzaga o influenciou, o influenciaram. E eu tava dando uma de Deus, escrevendo certo por linhas tortas. Totalmente despreparado mas, quando eu soltava alguma coisa, eles sentiam que tinha um sabor tão especial que não dá nem pra se lembrar qual a sua origem. E eu levava as coisas que aprendi na minha infância, com meu pai, as piadas do velho Januário, que meu pai era muito espirituoso. E fui me tornando um artista assim, espontâneo. Atingi praticamente todas as camadas sociais, cassinos etc., mas nunca me empolguei pela a cidade grande e a saudade do Nordeste sempre foi eterna. Hoje, graças a Deus, bem sucedido, menos com a saúde, continuo cantando com graça o meu forró. Como, por exemplo (recita): "Tô doidim pra me deitar naquela camaTo doidim pra me cobrir com teu lençolDoidim pra te matar de cheiroJuntar os travesseirosSoprar o candeeiro e começar nosso forró"Esses versos vão ser gravados agora, são de uma música de João Silva e Luiz Gonzaga, do meu último LP. Nem decorei ainda, porque eu só péssimo decorador até das minhas próprias coisas. É uma mão-de-obra desgraçada! O nome dessa música é Vou te matar de cheiro. Quer dizer, uma linguagem dessa, meu filho, pra um cara que vem do mato... Isso sempre foi a minha primazia.

MC - Essa música é do novo disco que o senhor vai lançar?

LG - Essa música é do próximo LP. Até doente eu boto tempero e graça nas minhas coisas.

MC - Esse próximo disco já está todo pronto?

LG - Ta todo arrumado aí, as músicas feitas, mas a doença e a preguiça não me deixam fechar. Mas, como eu tô sentindo um cheiro de melhora... Eu tenho horas que eu sofro muito, porque eu tô sofrendo de uma doença chamada... (Gonzagão não consegue pronunciar a palavra osteoporose e pede auxílio a sua companheira Edelzuíta: como é o nome da danada da doença? Venha cá, você não pode ficar longe de mim, não, porque você é a minha memória)... Ela vem me atacar os ossos, justamente os que foram fraturados ao longo da minha carreira. Essa doença me ataca, tirando o meu rebolado e o meu charme. Meu charme agora é Edelzuíta. (A companheira de Gonzagão interfere: "Não bote isso aí não, que vai dar confusão", mas ele insiste: Bote no jornal que o meu charme agora é ela, o amor de minha vida).

MC - Os acidentes que o senhor sofreu foram muitos. Alguns até acabaram virando música. Quantos acidentes foram?

LG - Ih!...Já perdi a conta. Fraturei dez costelas, fraturei a clavícula, fraturei o crânio e, agora, essa osteoporose está me derrubando. O primeiro acidente foi em 1951, foi aquele de Santos, que o carro mergulhou de uma ponte de uns quinze metros, com todos nós dentro. Deu até uma música de Zé Gonzaga, meu irmão (canta): E Luiz Gonzaga não morreu... De lá pra cá, foram mais uns quatro ou cinco acidentes. Mas, o que eu andei mais perto da morte foi esse que me fraturou aqui (aponta para o lado direito da testa). Eu fiz duas operações, porque atingiu o olho, mas acabei cegando dele. Isso foi na estrada de Miguel Pereira. Gonzaguinha tava comigo e o anão Salário-mínimo também. E a maior vítima foi eu. Mas escapei com vida. Isso foi em 1962, parece. (Gonzaga fica alguns instantes em silencio, depois continua): Mesmo assim, ainda me sobrou algum charme pra encontrar uma mulher bonita e inteligente pra tomar conta de mim.

MC - A osteoporose, o senhor vem sentindo desde quando?

LG - Ela só foi localizada agora, aqui no Recife. O primeiro ataque dela foi no fêmur. E é por isso que eu estou usando essas gonzaguetes (mostra as duas muletas que utiliza para andar, ainda assim com bastante dificuldade). E dizem que fêmur é bicho muito atrevido, até hoje ninguém encontrou medicina que o dominasse.

MC - Faz mais ou menos um ano que o senhor vem sentindo os sintomas da doença?

LG - Não, isso faz muito tempo. Mas, eu só vim me interessar depois que comecei a sentir a obrigação de usar muletas. agora, vem de muito antes.

MC - Eu me lembro que, durante algumas apresentações na televisão, o senhor sempre estava aparecendo sentado, pra poder segurara a sanfona.

LG - Pois é, pois é. E nem sanfona eu toco mais, não dá mais. Eu já não gravo com sanfona há mais de dez anos. Depois que eu comecei encontrar sanfoneiros capazes, tocando melhor do que eu (e Dominguinhos foi o primeiro) e esses sanfoneiros começaram a declarar que eu tinha sido seu incentivador, seu mestre, aí eu digo: e o que é que eu tô fazendo aqui tocando sanfona de graça, se minha voz vale muito mais do que minha tecla? Aí, passei a usar esses meninos me acompanhando, com muito mais arte, mais graça. Ora, se nessas alturas, eu já passei a ser conhecido como um fortunado de tantos dotes dados por Deus, nada melhor do que distribuir com aqueles que estavam seguindo meu caminho com honestidade. Tem Oswaldinho, Dominguinhos, Valdones de Fortaleza, um garoto de 15 anos tocando magistralmente, um garoto rico e bonito. O Valdones tem até um estúdio em casa, o pai faz todas as vontades dele, o garoto ta numa carreira bonita. Quer dizer, por isso eu acredito que o forró não vá morrer. O baião não morreu, o forró, feito do baião... Então, eu acredito que essa música vai pra frente. Porque o Nordesta dá isso, oferecendo sua graça. Sábado agora, eu botei cerca de vinte mil pessoas no Spázio, uma verdadeira festa, muito bonita, feita especialmente pra mim. Estavam lá Fagner, Elba Ramalho, Genivaldo Lacerda, Gilberto Gil, Dominguinhos, Alcimar Monteiro que ta indo muito bem, Jorge de Altinho...

Pedro Luís - Jorge de Altinho andou sumido um tempo, né?

LG - Não, Jorge de Altinho é o mesmo. É porque, de repente, o forró tornou-se...é...demasiadamente oferecido. Quer dizer, várias fábricas... A minha fábrica, por exemplo, gravou esse ano seis discos de forró. Então, é muita oferta. Mas, Jorge de Altinho sempre foi um cara pra frente e irá muito mais. Como ele é jovem, ele pode mudar para onde quiser. Mas, ele é fiel ao forró.

MC - O seu novo disco vai ser lançado quando?

LG - Logo depois do carnaval, que é quando se começa a lançar forró, uma música sugestiva, uma música quente, cheia de graça. Depois do carnaval até junho é com nós. Nós ocupamos o miolo do ano.

MC - A partir de quando, mesmo, não deu mais para o senhor segurar a sanfona?

LG - Eu vinha tocando, porque ela sempre foi o meu apoio e eu sempre gostei. Porque eu criei um estilo. Mas, além esses problemas que eu sofri,me apareceu uma doença na coluna, as viagens muito prolongadas, horas e horas viajando de automóvel. E eu ia controlando. Quando eu perdi o rebolado, mesmo, que localizei o problema... demorei um pouco... eu disse: vou dar uma de professor, vou avisar a meus colegas pra ter muito cuidado com o peso da sanfona. Vá ver que quase todo sanfoneiro está hoje meio corcunda. Porque eu criei uma arte muito pesada. Nós não temos condições, aqui no sertão, de pagarmos orquestras nem instrumentos eletrônicos. E a sanfona é um instrumento do ar livre e ela resolve um baile a noite inteira, gostosamente, com o seu próprio som. E os caboclos sanfoneiros, forrozeiros, gostam muito do seu trabalho e tocam a noite inteira, incarriado. Estão entrando num cano deslumbrante, como dizia aquele pernambucano que escrevia no jornal sobre futebol, humorista, que escreveu peças de teatro, que é irmão de Mário Filho, jornalista primoroso... Como era mesmo o nome dele? Isso, Nelson Rodrigues. Ele foi quem criou esse termo cano deslumbrante. Eu entrei num cano deslumbrante. Então, foi isso. Essa doença, que tá aumentando cada vez mais em nós, a coluna vertebral, que trouxe também para mim. Aí, eu não podia mais com o peso da sanfona. Fazia um ensaiozinho, uma coisinha, mas vinha logo a dor.

MC - O senhor lembra qual foi o último show em que o senhor tocou?

LG - Não, eu não gosto de lembrar. Porque, só de lembrar, eu sinto dor. (Gonzagão baixa a cabeça, faz cara de choro e fica alguns instantes em silêncio).

MC - A sanfona pesa quantos quilos, normalmente?

LG - Quando eu comecei a tocar, o peso normal dela era de 12 quilos pra cima. Aí, eu passei a prestigiar a sanfona nacional, porque eu tinha acesso à fábrica e lá eu dava as minhas idéias. Naquela altura, nós tínhamos uma espécie de umas 12 fábricas de sanfona. Hoje, só temos uma e se arrasta. E eu dizia: "Olha, gente, deixo um pedido aqui do velho sanfoneiro e tal... Nós estamos usando instrumento errado, com o peso discoforme para o nosso físico, pra o nosso clima, principalmente para nós, nordestinos, que é que mais usamos sanfona. Manera no peso. Eu quero mandar fazer uma sanfona aqui com nove, dez quilos..." E consegui, eles fizeram. É tanto que todas as capas dos meus discos são com fotos de sanfonas brasileiras. Mas, a sanfona de Dominguinhos pesa 16 quilos. E eu falo com ele: "Te cuida, Dominguinhos! Você é grossinho, mas vai afinar as pernas, vai entortar as pernas."Ta entortando. É muito peso, sabe? Então, quando eu mi vi cantando sentado, eu aproveitava e fazia um pouco de apologia à sanfona e caía, justamente, nessa questão aí. Sim, porque os italianos eram os fabricantes de sanfona, não são mais, hoje já caíram fora. E o clima deles, já viu como é que é, né?... Clima frio. As comidas deles são saborosas, cheias de força. O físico deles é diferente, são sempre parrudos, mais do que nós... Por que, agora, a gente vai carregar o peso deles também? Isso eu falo no palco, quando estou bem disposto. Ou, quando tô sentindo dores, falo com raiva, né. Deus me deu o dom de falar, com a minha própria linguagem, despreocupado, sem medo de errar, porque o povo já sabe que eu não sou intelectual, então eu mando brasa. (Gonzagão ri gostosamente).

MC - Onde fica essa fábrica brasileira de sanfona?

LG - A única fábrica de sanfona, hoje no Brasil, fica no Rio Grande do Sul. Hoje, só tem a Universal. Essa fábrica não é dotada de bons técnicos. A que mais evoluiu foi uma chamada Todesquini. Mesmo assim, não aguentou, porque queria vender muito instrumento e não dava. Chegaram as guitarras eletrônicas, sanfonas eletrônicas e tal...

MC - Dá pra dar uma geral sobre o que vai ser o seu novo disco?

LG - Não, dá não. Porque eu só venho a decorar, mesmo, depois de gravar. É uma preguiça lascada.

PL - Será que é outra doença, essa preguiça?

LG - Não, é não... Eu vou gravar uma música conhecida, chamada Estrada de Canindé... Não... É, deixa lembrar... Sertão de Jequié, que foi gravada por Dalva de Oliveira. (Gonzagão canta. Primeiro, confunde a letra com os versos de Estrada de Canindé. Depois, acerta a letra e canta Sertão de Jequié inteira). Essa música é de Cléssio Caldas e Armando Cavalcanti, dois carnavalescos do Rio de Janeiro, que me deram dois grandes sucessos: um foi Boiadeiro, que é meu prefixo e sufixo (cantarola) e me deram outra também muito bonita, chamada Meu cigarro de palha (canta). Eu cantava também, mas nunca gravei, vou gravar agora.

MC - Nunca gravou Meu cigarro de palha?!

LG - Não, não... peraí... Nunca gravei Sertão de Jequié.

MC - Além de Sertão de Jequié, o resto do disco é tudo músicas novas?

LG - É. Tem uma de Antônio Barros, que eu gostei muito, chama-se Coração de pudim: Meu coração é feito de manteiga ou de pudim/Molim, molim, molim, molim/Falei com esse sujeito pra não me deixar assim/Molim, molim, molim, molim... É uma música de Antônio Barros, aqui de João Pessoa. Ele me deu também outro forrozim muito gostoso, chamado Lagoa do Amor (cantarola alguns versos).

MC - Com esse disco a ser lançado no próximo ano, são quantos discos gravados durante os 50 anos de carreira?

LG - São 55. Com esse que vai sair, são 56. (Gonzagão comenta o disco que gravou com Fagner. Pergunta a Edelzuíta se ela quer ouvir uma faixa, pede que a companheira coloque a faixa que mais gostou e ela escolhe Amanhã eu vou. Enquanto todos, na sala, escutam a música, Gonzagão cantarola baixinho e de cabeça baixa. No final, reage): Ô véio enxuto da molesta! Tô com 76 anos nas costas, com 74 eu gravei isso aí. Nunca fumei, apesar de gostar muito daquele cheiro; de fazer propaganda de fumo... Mas, pra que fumar? Só pra imitar os outros?!

MC - E beber?

LG - Beberiquei algumas besteirinhas. Adorava uma cerveja lascada. (Dirigindo-se ao fotógrafo Pedro Luiz, Gonzagão pergunta): Você é de onde?

PL - João Pessoa.

LG - Tinha que ser! Com essa cabeça de cangaceiro.

MC - Além do disco novo, quais os outros planos?

LG - Viver mais um pouco. Só. Show, mais não. Depois daquele show de anteontem! Foi uma coisa! Quinze ou vinte mil pessoas, e eu sentado lá no palco, vendo tudo isso e sem poder participar. Eu cantei Tropeiro da Borborema, que é uma das coisas mais bonitas de Raimundo Asfora, mas o bom da gente é a gente se sentir em condições de criar mais e ter a impressão que amanhã a gente pode criar um sucesso consagrador... Mas, eu já criei os meus, Asa Branca, Vozes da Seca, Baião, Luiz Respeita Januário... Pra onde é que eu vou mais? Eu me sinto completamente realizado. Mas, eu não gostaria de sair assim, carregado porque não tenho mais pernas. (Gonzagão fica alguns instantes e silêncio).

MC - Não tem mais pernas, mas tem uma grande voz. Vai ficar aí parado?

LG - Não, ainda tenho que fazer mais dois discos, por contrato. Além desse que vai sair o ano que vem, tem outro que ta pronto há dois anos e tudo indicava que ele não ia sair. Mas, só que tive uma coragem de leão em abandonar a RCA Victor aos 28 anos de serviço, 48 anos, 14 de março de 1941, quando eu entrei lá. Saí como um protesto e esse disco estava guardado lá, no fundo do baú. Terminei botando tudo pra fora, porque senti que a minha fábrica atual pode ganhar muito dinheiro com isso e eu não me incomodo que uma gravadora boa ganhe muito dinheiro comigo. Eu ganho o meu pouquinho e fico satisfeito, não chamo ninguém de ladrão. Eu quero é vender meu peixe.

MC - Por que o senhor deixou a RCA?

LG - Olha, é uma história tão escrota, tão podre, que eu nem gosto de contar. E eles estão aí, com três discos meus na praça: o Aí tem, o álbum e esse Amanhã eu vou. Então, eu vou ganhar uma nota muito boa e não quero dar uma de menino mal-agradecido, não tenho mais idade pra isso. Eu quero é me dar bem com as duas (gravadoras), eu quero é as duas brigando por minha causa. E a RCA vai levar vantagem, porque ela tem 48 anos de repertório meu. E a outra vai começar... Talvez isso seja até ruim, três discos na praça... A nova gravadora é a Copacabana, que foi muito leal comigo, foi tão bacana comigo. E eu desejo que as duas ganhem muito dinheiro comigo.

MC - Nenhum projeto para programa de televisão, apresentações?

LG - Nada, nada.

MC - Tá encerrando, mesmo? Uma vez, Dominguinhos disse que o senhor vai morrer no palco e que essa história de despedida era conversa, pois ele já tinha participado de um show de despedida sua, na década de 50.

LG - Em 1953? Será possível? Isso é conversa fiada, é o Dominguinhos me gozando. (Gonzagão dá uma gargalhada e pergunta): Já terminou? É, você sabe escrever, e aí vai dar pra você fazer sua reportagem. Você é de onde?


Foto: Google

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

CONHEÇA OUTROS 8 ASSASSINOS MAIS JOVENS DO MUNDO - PARTE V

Michael Hernandez 

5 – Michael Hernandez – 2004

Michael Hernandez era considerado um aluno exemplar, mas no seu aniversário de 14 anos decidiu fazer uma comemoração bem diferente. Em seu diário, o garoto listou detalhadamente o material que precisaria e como iria executar o plano de matar dois de seus amigos e a sua própria irmã.

O esquema começou a se desenrolar logo cedo, quando Hernandez chamou dois amigos para o banheiro da escola com a desculpa de mostrar algo. Apenas um deles aceitou, Jaime Rodrigo Gough, também de 14 anos.

Chegando lá, Hernandez esfaqueou Gough, escondeu o corpo em uma das cabines e tentou apagar as evidências, mas foi flagrado por um colega de classe que correu para alertar os seguranças da escola.

Por ter planejado tão meticulosamente o assassinato, Michael Hernandez foi condenado a prisão perpétua sem direito a condicional pelo assassinato de Jaime Gough e um adicional de 30 anos por tentativa de assassinato do outro amigo.

CONTINUA...

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A VINGANÇA DO TENENTE ANTONIO - PARTE IV

Por Antonio Morais

Encontro com Lampião. Reunidos ao grupo chefiado por Luiz Pedro, prossegue Antonio de Amélia na sua narração - Fomos à Fazenda de Pedro Ferreira, um amigo de Lampião.


Ali recebidos com muito queijo e carne seca de bode. Neste local, os cabras demoraram um pouco tempo. Daí seguiram ao encontro do chefe. A apresentação da mais nova aquisição do bando, foi feita por Luiz Pedro. 

O cangaceiro Luiz Pedro

É gente de Sebastião - explicou o apresentador sob o olhar meio desconfiado de Lampião. Dada a grande confiança que gozava Sebastião junto a Lampião e seus cabras, os visitantes logo puderam ficar a vontade.

Matreiro como sempre foi, confiando e desconfiando sempre, Virgulino Ferreira jamais poderia ter sido apanhado de maneira tão primária, como balsamou o Capitão Bezerra, autor do discutido cerco da Grota do Angico.

Capitão João Bezerra

O esforço de região em favor de um esclarecimento definitivo, sobre a verdadeira versão da morte de Virgulino Ferreira, tem encontrado larga repercussão, principalmente nos estados nordestinos, onde teve maior atuação o grupo de Lampião. Depoimentos de conhecidos oficiais da Polícia, que marcaram época no combate ao grupo, em entrevista a Região, tem sido unânimes em afirmar que Lampião foi morto por envenenamento. Tenente Solon, hoje oficial aposentado da Polícia de Pernambuco, residente em Bodocó, entrevistado por esta revista, esposou ponto de vista favorável a tese do envenenamento. Este oficial foi dos mais visados por Lampião, e um de seus mais ardorosos perseguidores.

O próprio Tenente Antonio de Amélia defende a versão do envenenamento. Somam-se, talvez, as dezenas, os pronunciamentos de oficiais, da época, que proclamam como verdadeira esta versão. Nosso trabalho prossegue, com outras reportagens, até podermos reunir material informático, depoimento, tudo, finalmente, que possa construir peça final de esclarecimento e de fixação da verdadeira versão, do memorável cerco da Grota do Angico.

Estes fatos surgem-nos à mente ou ouvirmos de Antonio de Amélia a exposição de ardiloso planos de Lampião, visando desviar a atenção das volantes policiais, em perseguição ao grupo. Pela inteligência e perspicácia, como eram preparados os planos do maior bandoleiro do Nordeste, em todos os tempos, chega-se a conclusão de que, dificilmente, o capitão Bezerra teria se aproximado, pouco mais de cem metros, do local onde cercou e matou a tiros Lampião e parte de sua gente. Presume-se como vitoriosa a versão do envenenamento.

Andanças e Lembranças.

CONTINUA...

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VILA DE IPUEIRA - PARTE FINAL

Por Antonio Morais

Todos em armas - conta Dezinho Xavier - aguardando o primeiro tiro. De início, tive a impressão de ser tropa do governo. Foi aí que perguntei: 

- Quem vem lá? 

- É a polícia? 

A resposta foi um tiro dado por Tempero que vinha à frente do grupo. Sem perda de tempo, respondi ao tiro, atingindo em cheio a altura de uma das orelhas de Tempero. Foi tiro e queda. Tempero caiu ali mesmo sem vida. 


Lampião e seus cabras iniciaram um grande tiroteio, agora com mais rancor, em vista da morte de um dos integrantes do grupo. Foram duas horas de fogo. Verdadeira guerra travada entre o meu povo e os cabras de Lampião. No final do fogo, quando Lampião, reconhecendo a impossibilidade de enfrentar a superioridade numérica dos Xavier, e por ser do seu hábito recuar nestes casos, deu no pé, após algumas escaramuças de tigre contrariado nos seus impulsos e vontade.

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Pioneira, escritora que vivia do lixo é homenageada em seu centenário

Rodrigo Casarin - Do UOL, em São Paulo
A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus durante noite de autógrafos do lançamento de seu livro "Quarto de Despejo", em uma livraria na rua Marconi, em São Paulo (SP), no ano de 1960

Se as favelas e as periferias conseguiram construir um movimento literário próprio, com escritores, editores e eventos que fomentam a arte escrita nos bairros mais carentes e isolados – a dita literatura marginal –, em muito isso se deve a Carolina Maria de Jesus, que completaria 100 anos em 2014.

Em celebração ao seu centenário, a autora está sendo homenageada pela Balada Literária, que reunirá escritores em torno de mesas de discussões entre os dias 19 e 23 de novembro, em diversos pontos de São Paulo (confira a programação aqui).

Mãe solteira de três filhos, catadora de papel e ferro velho, Carolina vivia na favela do Canindé, entre a zona norte e o centro de São Paulo, quando chamou a atenção do jornalista Audálio Dantas. Ele conheceu a moça durante a apuração de uma reportagem e achou interessante seus 35 cadernos repletos de anotações que formavam um diário. Contou a história de Carolina, então, em algumas matérias e conseguiu com que uma editora publicasse parte dos escritos.

"Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada" saiu em 1960, vendeu mais de 80 mil exemplares e foi traduzido para 13 línguas. Esse sucesso, como não poderia ser diferente, mexeu bastante com a vida de Carolina.

"Ela é uma guerreira, é única na história da literatura brasileira. Tem uma linguagem autêntica, própria. Precisa ser celebrada agora e eternamente", justifica Marcelino Freire, escritor, criador e curador do evento.

Para ele, a escritora ainda pode ensinar que "não podemos esperar que os acadêmicos ou as escolas venham dizer qual literatura devemos fazer. Carolina fez. Ao seu estilo, na sua verdade. A obra dela é fruto dessa verdade, desse impulso. Atente para o vocabulário, a força, a oralidade, a verdade que salta de suas páginas".

Alessandro Buzo, um dos escritores mais famosos da cena marginal, complementa Marcelino. "Ela é pioneira quando se fala em pessoa da classe periférica, favelada, lançando livros. Se hoje existem vários, ela é a mãe. Acho que a grande maioria de nós, escritores marginais, tem ela como referência e inspiração". Buzo também se diz influenciado por "Quarto de Despejo", livro que leu quando estava em uma situação financeira bastante instável e que lhe serviu de inspiração. "Tive a certeza de que qualquer pessoa, em qualquer situação, poderia ser leitor e até autor".

Acervo UH/Folhapress
17.jun.1960 - A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de Despejo", entre seus livros

Trajetória

Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, em 1914. Frequentou a escola por apenas dois anos; precisou abandoná-la para seguir com a família para Lageado, também em Minas, onde trabalhou como lavradora. Em busca de uma melhor condição financeira, tentou a vida em Franca, no interior de São Paulo, e, em 1937, rumou para a capital paulista. Foi viver na favela do Canindé, onde escreveu seus diários, em 1948.

Seu primeiro livro, "Quarto de Despejo", revela o cotidiano miserável de Carolina e levanta discussões sociais sobre os marginalizados. Os dias relatados na obra têm sempre o mesmo objetivo: aplacar a fome. Após o sucesso comercial do título, Carolina conseguiu dinheiro para comprar uma residência na zona norte de São Paulo, de onde escreveu "Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-Favelada", publicado em 1961.

"Pedaços de Fome", seu terceiro livro e único romance, sai em 1963 e chama pouca atenção. Carolina já vinha enfrentando diversos problemas decorrentes das mudanças que ocorreram em sua vida após o sucesso. A escritora não conseguiu se adaptar à nova realidade. Não se sentia à vontade em um bairro de classe média, desentendia-se com seus editores e lutava para se manter em alguma evidência.

"Penso que como todo artista, ela reagiu ao sucesso com regalo e deslumbramento. O assédio da mídia a transformou num 'case' extraordinário, pois do dia para a noite saiu do anonimato para o estrelato: seu primeiro livro causou frisson nas pessoas, tornou-se objeto de consumo da elite e dos intelectuais, e logo despertou curiosidade do exterior", analisa Uelinton Farias Alves, professor e escritor, que trabalha para publicar uma biografia da autora em 2015.

Alves explica que o sucesso meteórico e a ascensão de classe fizeram com que conflitos se apossassem da personalidade de Carolina, "já tantas vezes abalada pelo processo de massacre vivido desde a infância, constantemente humilhada e vítima dos mais mesquinhos preconceitos". O biógrafo lembra que a autora saiu da favela "quase apedrejada", pois colegas que temiam ter suas vidas expostas nos diários da escritora a viam como uma ameaça.

Acervo UH/Folhapress
05.jun.1960 - A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de Despejo", na janela de sua casa

Volta à pobreza

Sem conseguir se adaptar à nova realidade, sem poder retornar à favela, Carolina pensou em suicídio, mas, em 1969, optou por se mudar para um sítio em Parelheiros, onde tentaria fugir de tudo que a cercava. 

Por lá ficou praticamente esquecida até a sua morte, em 1977. Já em seus últimos dias, segundo Alves, chegou a lamentar sua vida e a declarar que nunca deveria ter saído da favela. "Ela morreu pobre e desiludida com o mundo da escrita. Ela fazia outra ideia desse mundo, que a salvaria de todos os problemas e misérias", diz o biógrafo.

Após a sua morte, em 1986 saiu "Diário de Bitita", publicado primeiro na França, com suas memórias da infância e adolescência. Após algum tempo no ostracismo, Carolina voltou a ser alvo de interesse a partir da década de 1990, principalmente por parte de estudiosos.

Além da homenagem prestada pela Balada Literária, Carolina também é relembrada por diversas outras iniciativas, como uma exposição sobre sua vida e obra no CEU Butantã, uma sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo e o lançamento do livro "Onde Estaes, Felicidade?", que reúne contos inéditos da autora organizados pela escritora Dinha Maria Nilda e a pesquisadora Raffaella Fernandez. Uelinton Farias Alves, seu biógrafo, ainda planeja "resgatar a ideia de publicação de sua obra completa, que inclui os romances inéditos, contos, provérbios, poesias..."

http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/19/escritora-que-vivia-do-lixo-e-homenageada-na-balada-literaria.htm

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