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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MEDALHA DO MÉRITO CULTURAL PROFESSOR DEÍFILO GURGEL – SOU UM DOS AGRACIADOS!

Por Rostand Medeiros
Convite para a Medalha do Mérito Cultural Professor Deífilo Gurgel

Para minha enorme e grata surpresa fui um dos escolhidos para receber neste ano de 2014 a Medalha do Mérito Cultural Prof. Deífilo Gurgel, a mais importante comenda cultural do Rio Grande do Norte.

Esta comenda se torna ainda especial para mim, pois tive duas marcantes oportunidades de manter contato com o Mestre Deífilo Gurgel. Guardo estes momentos com extrema nitidez na minha memória.

Meu primeiro encontro foi no lançamento do seu livro “Espaço e tempo do folclore potiguar”, em 19 de agosto de 1999 e tenho muito apreço pelo meu exemplar assinado por ele. Apesar deste se encontrar já todo riscado e bastante mexido de tanto que o leio e utilizo em minhas pesquisas.

Em 2007, ou 2008, tive a oportunidade de me reencontrar com ele e poder conversar um pouco mais.

Mestre Deífilo Gurgel – Foto – Canindé Soares

Na época eu trabalhava no Arquivo Público e Mestre Deífilo precisava de alguns materiais históricos, se não me engano para uma pesquisa sobre Mário de Andrade. Com autorização da direção, eu me comprometi a procurar e lhe entregar o dito material. Dias depois, em um sábado, me lembro de ir à casa do seu filho Alexandre, em um apartamento na Jaguarari e lhe entreguei algumas fotos de jornais antigos.

Não fiz esta tarefa apenas por uma obrigação de trabalho, ou por dinheiro, mas por admiração a alguém que tanto lutou pela nossa cultura. Uma pena não ter sido seu aluno. Até hoje me recordo impressionado tanta delicadeza naquele corpo franzino, junto com uma extrema e sincera humildade.

Receber uma medalha com o nome deste homem, conhecendo o seu trabalho e sua luta pela cultura do nosso Rio Grande do Norte é algo que me deixa muito feliz!

O legal é que vou está ao lado de pessoas as quais tenho enorme respeito, como o o amigo Paulo Gastão, o Professor Cláudio Augusto Pinto Galvão, o Professor Roberto Lima, Racine Santos e a todos os indicados.

Por isso meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que frequentam as páginas do nosso blog TOK DE HISTÓRIA, ou aos que já leram meus livros, aos meus familiares pela força em continuar com meu trabalho, especialmente a minha esposa Isa Cristina, e pela indicação a receber esta medalha de mérito.

Este prêmio é simplesmente combustível para seguir adiante com meus trabalhos e continuar sempre perseguindo o objetivo de democratizar a informação, principalmente em relação à história da minha região.

Forte abraço a todos.    
Rostand Medeiros 

http://tokdehistoria.com.br/2014/12/15/medalha-do-merito-cultural-professor-deifilo-gurgel-sou-um-dos-agraciados/

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Lampião no Município de Aurora Parte 1

 Por Amarílio Gonçalves Tavares

Em virtude da amizade com o Coronel Isaias Arruda, na verdade um dos grandes coiteiros de Lampião no Ceará, o rei do cangaço, como era chamado, esteve, mais de uma vez, no município de Aurora. Em suas incursões pelo município sul-cearense, o bandoleiro se acoitava na fazenda Ipueiras, de José Cardoso, cunhado de Isaias. Uma dessas vezes foi nos primeiros dias de junho de 1927. Na fazenda Ipueiras, onde já se encontrava Massilon Leite, que chefiava pequeno grupo de cangaceiros, Lampião foi incentivado a atacar a cidade norte-riograndese de Mossoró – Um plano que o bandoleiro poria em prática no dia 13 do citado mês.

Massilon

Em razão do incentivo, Lampião adquiriu do coronel um alentado lote de munição de fuzil que, de mão beijada, Isaias havia recebido do governo Federal ( Artur Bernardes, quando este promoveu farta distribuição de armas a coronéis para alimentar o combate dos batalhões patrióticos ‘a coluna prestes(54). Presente aquela negociação, que rendeu ao coronel Isaias a considerável quantia de trinta e cinco contos de réis, esteve o cangaceiro Massilon, que teve valiosa influência junto a Lampião, no sentido de atacar Mossoró, cujos preparativos tiveram lugar na fazenda ipueiras. Consta que Massilon Leite – associado a Lampião no sinistro empreendimento – tinha em mente assaltar a agência local do Banco do Brasil e sequestrar uma filha do coronel Rodolfo Fernandes.

O Bando de Lampião que chegou à Aurora era composto de uns cinquenta cangaceiros, dentre os quais Rouxinol, Jararaca e Severiano, os quais já se encontravam, há dias, na aludida fazenda acoitados por José Cardoso. De Aurora, Lampião levou José de Lúcio, José de Roque e José Cocô ( José dos Santos Chumbim), todos naturais da região de Antas, tendo sido incluídos no subgrupo de Massilon. No dia 13 de junho de 1927, Lampião ataca a cidade de Mossoró, a mais importante do interior do Estado potiguar. “ Após quarenta minutos de fogo, já tendo tomado duas ruas, Lampião ordena a retirada. Fracassara o seu maior plano.

Bando de Lampião em Limoeiro

Após o frustrado ataque ‘a cidade norte –riograndense, Lampião bate em retirada, entrando no Ceará pela cidade de Limoeiro, onde não é importunado. Ali fez dois reféns a resgate – pessoas idosas e de destaque social- e teve a petulância de , com seu grupo, posar para uma foto, no dia 16 daquele mês. Ante a ameaça de invasão das cidades da zona Jaguaribana e já havendo um plano de combate ao famigerado bando, juntaram-se contingentes policiais de três estados – Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – numa quixotesca campanha contra Lampião, tendo sido nomeado “ comandante geral das forças em operações “ o oficial cearense, Moisés Leite de Figueiredo ( Major ).

No dia 16 de junho, a força paraibana havia seguido para Limoeiro, mas ao chegar ali, Lampião já tinha levantado acampamento. Prosseguindo em sua retirada pelo território cearense, com um grupo reduzido a trinta e poucos homens, em virtude da morte de dois dos mais temíveis cangaceiros – Jararaca e colchete – e das deserções que se seguiram ao malogrado ataque, inclusive a de Massilon Leite e seu sub-grupo, Lampião é perseguido por volantes, com as quais tava combates.

Dentre estes, o mais intenso foi o travado no dia 25 de junho, na Serra da Macambira,, município de Riacho do Sangue, no qual Lampião, mais um vez, provou a sua invencibilidade. Enfrentando uma força de mais de trezentas praças, sob o comando exclusivo do tenente Manoel Firmo, este sendo auxiliado por nove tenentes – José Bezerra, Ózimo de Alencar, Luiz David, Veríssimo Alves, Antonio Pereira, Germano Sólon, Gomes de Matos, João Costa e Joaquim Moura, Lampião pôs-se em fuga incólume, deixando quatro soldados mortos. Seguram-se combates menores em cacimbas (Icó), Ribeiro, no vale do Bordão de Velho, e Ipueiras os dois últimos no município de Aurora, com o rei do cangaço levando a melhor.

 
Izaias Arruda

No dia 28 de junho, Lampião contorna a serra do Pereiro, passando pelas serras vermelhas, Michaela e Bastiões- o Grupo marchava a pé, por veredas e nunca por estradas – tendo a tropa em seu encalço. É ai que Lampião resolve derivar para o lado do cariri e continuar a retirada em direção ao município de Aurora, onde esperava encontrar refúgio no valha Couto do seu “amigo” Isaias Arruda.

Em seu livro “ lampião no Ceará, narra o major Moisés Leite Figuiredo que, no dia 1º de julho de 1927, Lampião cm seu grupo estacionava no alto da serra de Várzea Grande no lugar olho d’água das éguas, e que ali perto, no lugar Ribeiro, já se encontravam as forças do tenente Agripino Lima, José Guedes e Manoel Arruda – o primeiro, da polícia do rio grande do norte, e os dois últimos, da polícia paraibana -, valendo salientar que tais contingentes totalizavam “ cerca de duzentos homens, bem aparelhados, no dizer do major Moisés...

Continua...

Amarílio Gonçalves Tavares
TEXTO RETIRADO NA INTEGRA DO LIVRO AURORA HISTÓRIA E FOLCLORE, 

AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES P. DE 138 A 146 IOCE, 1993 - CAPÍTULO 15
(Cortesia do Envio: Luiz Domingos de Luna)
FONTE:http://www.icoenoticia.com/2009/05/lampiao-no-municipio-de-aurora.html

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/12/lampiao-no-municipio-de-aurora-parte-1.html

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PRIMEIRO ARMAZÉM DE DELMIRO GOUVEIA EM ÁGUA BRANCA

Hoje, em Água Branca, localizei o primeiro armazém de Delmiro Gouveia, quando recomeçou sua vida empresarial, em Alagoas.


Delmiro Gouveia, quando da sua fuga de Pernambuco para os sertões alagoano, foi na cidade de Água Branca-AL, onde é recebido pela família do Senador Ulisses Luna, e da Baronesa de Água Branca, aqui recomeça sua vida empresarial, comprando couros de todo o sertão e tornando se em poucos anos, novamente um empresário bem sucedido, aqui na terra da Baronesa.


Ele viveu quase seis anos, indo depois morar na Vila da Pedra, onde funda um grande empreendimento industrial,eviria a revolucionar todo o sertão nordestino, com seu espírito empreendedor.

Como localizei o armazém, após procurar a marca de Delmiro Gouveia, em algumas residências, segui fotografando a cidade, quando de repente me deparo com uma casa comercial, com o simbolo da marca registrada de Delmiro Gouveia, 



uma meia lua e uma estrela, Delmiro, marcava em todos seus empeendimentos esta marca, foi uma surpresa positiva esta descoberta, pois imaginava esse armazém já demolido, e o encontro em estado de novo, descaracterizado, mais inteiro e reformado, agora é com as autoridades da cidade e órgãos responsáveis pelo seu tombamento e compra e transformá-lo em um museu, contando a passagem de Delmiro Gouveia na cidade.

OBS - Logo, publicarei um artigo, falando desta marca, com fotos,.Aguardem!

Fonte: facebook

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CANGAÇO XI

Material do acervo do pesquisador do cangaço Antonio Morais

Ultimato ao prefeito.

Em passagem Oiticica, o prisioneiro Azarias Januário deparou-se com o velho conhecido, Pedro José da Silveira, em idêntica situação. Narrou-lhe o apuro em que se encontrava, sem portador para o resgate. Diante do impasse do amigo, Pedro entendeu-se com Virgulino, empenhando a palavra que regressaria com os sete contos de reis estipulados a ambos, caso fosse à cidade. Dessa vez, o bandido aquiesceu, porém mandou-o esperar. Entrou na casa de Miguel Santino. Voltou-se para o coronel Gurgel e indagou-lhe de chofre: 

- Conhece o chefe político de Mossoró, o coronel Rodolfo Fernandes? 

- Sim, conheço. 


Virgulino resolveu, então, negociar a ameaçar. Conversou com Sabino. E insistiu para Gurgel escrever ao coronel Rodolfo Fernandes, cobrando quinhentos contos de reis, para poupar a cidade do saque e incêndio.

 Coronel Rodolfo Fernandes

- Apenas conheço o coronel Rodolfo. É provável que ele não se lembre de mim. Nunca me fica bem escrever-lhe. 

- Venha escrever o que eu disser, retrucou Lampião. 

O cangaceiro Sabino Gomes

Sabino retira do bolso uma folha de papel, com o seu timbre numa página, e na outra com o do capitão Virgulino Ferreira, Lampião.

 Coronel Gurgel

Gurgel esclareceu que a exigência era muito pesada, descabida. 

Lampião reduziu-a para quatrocentos contos. Em nossos dias, a importância equivaleria a dois milhões de reais. Nestes termos o prisioneiro redigiu a carta:

13 de Junho de 1927.

Meu caro Rodolfo Fernandes.

Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aqui aquartelado, bem perto da cidade, manda porém, um acordo para não atacar mediante a soma de quatrocentos contos de reis. Posso adiantar sem receio que o grupo é numeroso, cerca de 150 homens bem equipados e municiados a farta. Creio que seria de bom alvitre você mandar um parlamentar até aqui, que me disse o próprio Lampião, seria bem recebido. Para evitar o pânico e derramamento de sangue, penso que o sacrifício compensa. Tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró. Diga sem falta ao Jaime que os vinte e um contos que pedir ontem para o meu resgate não chegaram até aqui, e se vieram, o portador se desencontrou, assim peço por vida de Yolanda para mandar o cobre por uma pessoa de muita confiança para salvar a vida do pobre velho. Devo adiantar que todo grupo me tem tratado com muita deferência, mas, eu bem avalio o risco que estou correndo. Creia no meu respeito.

Antonio Gurgel do Amaral.

Lampião estranha o apelo e pergunta: 

- Quem é Yolanda? 

- É minha netinha. Tem dois anos. 

A resposta emocionou o facínora. Não a esqueceu. Em seguida, entregou as cartas de Gurgel e Maria José a Pedro, advertindo-o: 

- Vá levar ao prefeito! Volte logo, com a resposta e o dinheiro. Se você não cumprir o trato, acabo com sua família. Toco fogo em tudo, nem galinha deixo na sua fazenda. Emprestou-lhe um cavalo e o despachou.

Raul Fernandes

CONTINUA...

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Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Lampião e Antônio do arroz


Lampião teve um encontro com o senhor "Antônio do arroz", pai do senhor "Chiquinho do arroz", lá da fazenda arroz.

Na ocasião o senhor Antônio do arroz perguntou:


- Lampião, sua questão com Zé Saturnino já está acabada?

Lampião respondeu:

- Ô Antônio do arroz, tú já viu falar que a pessoa morrendo e não fazendo o que quer, vai do inferno pra dentro, três dias de viagem?

Antônio do arroz disse:

- O povo fala isso.

Lampião respondeu:

- Pois se eu morrer e não matar Zé Saturnino vou para o inferno...

Adendo: - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A histórias é muito interessante, mas o nobre pesquisador Virgulino Ferreira DA Silva esqueceu de colocar o Estado, cidade ou sítio que moravam os senhores Antônio e Chiquinho da família "arroz", e o lugar onde isto se passou, pois é muito importante para  nós estudantes do cangaço, sabermos em qual Estado do Nordeste isto aconteceu. Mas mesmo sem esta informação, é muito interessante o que aconteceu com Lampião e Antônio do arroz.

Agora veja como o Antônio do arroz era corajoso. Fazer esta pergunta ao sanguinário Lampião, que geralmente intriga é uma ferida que não se deve descascá-la diante dos ofendidos, imagine sendo esta do jovem guerreiro Lampião. 

Fonte: facebook

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LUIZ GONZAGA E A MÚSICA POTIGUAR: UMA RELAÇÃO ÍNTIMA DE MEIO SÉCULO

Por Sergio Vilar

A relação de Luiz Gonzaga com o Rio Grande do Norte tem fatos que talvez o próprio Gonzaga desconheça. E são marcantes para a história musical potiguar e também do Rei do Baião. Troca de amizades, favores e experiências incalculáveis ao acervo do cancioneiro nacional. Desde a composição Ovo de Codorna, em parceria com o potiguar Severino Ramos, à reascensão de “Seu Lua” ao mercado com a produção de seus discos na década de 1980 pelas mãos do mossoroense Carlos André. Também a relação afetuosa com o músico Paulo Tito. Parcerias de composição também com Janduhy Finizola. Gravação do clássico de Chico Elion, Ranchinho de Páia. E nada menos que a última apresentação pública de Gonzagão, em Natal, meses antes de sua morte.

Gonzaga, padrinho de casamento de Carlos André, em 1963

Estes são apenas alguns dos laços arrochados de Gonzaga com o RN anotados pela pesquisadora Leide Câmara, no livro ‘Luiz Gonzaga e a Música Potiguar’. A obra é o título 36 da coleção Cultura Potiguar, editada pela Secretaria Extraordinária de Cultura do RN e Fundação José Augusto, através da Gráfica Manimbu. Será lançada hoje, na Pinacoteca do Estado (Praça 7 de Setembro, Cidade Alta). A sessão de autógrafos começa às 19 h. São quase 200 páginas de um minucioso levantamento das relações entre Gonzaga e os músicos potiguares, todo ilustrado e com informações de cada uma das canções de potiguares gravadas por Gonzaga, e vice-versa. E essa história começou já na década de 1940, quando o rei do baião não passava de um retirante.

Leide Câmara lembra que Gonzagão gravou a música Queixumes, do potiguar Henrique Brito ainda em 1945. “A música era toda instrumental, feita para o Gonzaga sanfoneiro. Naquela época, a voz nordestina dele ainda era pouco aceita”, conta a pesquisadora. Entre os potiguares que gravaram Gonzaga, Ademilde Fonseca foi a primeira, ainda em 1951. Depois, as Irmãs Ferreira. Depois, o Trio Irakitan e na sequência foram mais de 200 canções do repertório de Luiz Gonzaga gravadas por 54 cantores ou grupos potiguares. Segundo Leide Câmara, quem mais gravou foi João Mossoró. Por outro lado foram 24 canções de autoria de artistas potiguares gravadas por Gonzaga.

Composições potiguares na voz de Gonzagão

O compositor caicoense Severino Ramos foi o principal parceiro musical  potiguar de Luiz Gonzaga. Os dois assinaram nada menos que doze parcerias, entre as quais uma das mais conhecidas músicas do repertório final de Gonzaga: Ovo de Codorna, que enfrentou problemas com a censura durante a ditadura militar, mas foi gravada três vezes (1971, 1978 e 1979) pelo Rei do Baião. As duas primeiras composições, ambas em parceria, foram ainda em 1964: Aquilo Bom e Se Não Fosse Esse Meu Fole.

Leide desconhece quando os dois se conheceram. Nem mesmo a família de Severino soube informar. “A probabilidade é que tenha sido em Campina Grande. Severino Ramos, embora nascido em Caicó, foi registrado como filho de Campina Grande. Lá era o celeiro da música nordestina. E Severino era amigo de Jackson do Pandeiro, que foi padrinho do filho dele. Então havia laços que podem ter levado ao encontro dos dois”, acredita Leide Câmara.

Gonzaga, Jorge Ben e o jornalista Toinho, nos jardins da casa do ex-governador Geraldo Melo – andanças pelo solo potiguar

O outro grande parceiro potiguar de Gonzaga foi o médico Janduhy Finizola. Ele morava em Campina Grande; era fã do rei do baião. Em dia plantão, aparece Gonzaga no hospital para ser atendido. Surgiu daí a amizade recíproca, seguida da parceria em oito músicas. Entre elas, Missa do Vaqueiro, quando ambos foram assistir a missa e Gonzaga sugeriu a Finizola escrever a respeito. No livro de Leide há a foto dos dois nessa ocasião. Outras duas: Cavalo Criolo (1974) e Os Bacamateiros (1981).

Além das 12 músicas com Severino Ramos, das 8 com Janduhy Finizola, e da instrumental de Henrique Brito, Gonzaga gravou outras três canções de potiguares: Meu Padrin (1960), de Frei Marcelino e considerada a primeira música dedicada a Frei Damião; Ranchinho de Páia, de Chico Elion; e Renascença, do poeta potiguar Celso da Silveira em parceria com Onildo Almeida. “Esta foi a única música de Gonzaga gravada em CD. Todas as outras foram lançadas em disco e depois remasterizadas”.

‘Luiz Gonzaga e a Música Potiguar’ documenta ainda as andanças do velho Lua por todo o Rio Grande do Norte, ao longo de várias décadas. O livro registra homenagens fora da música — seminários, publicações em livro e folheto de cordel, eventos oficiais, e uma vasta iconografia que ilustra a presença de Gonzaga na cena artística potiguar, incluindo a primeira biografia escrita sobre Gonzagão, em 1951, por uma potiguar: Zé Praxedes, conhecido como “o poeta vaqueiro” e amigo íntimo do rei do baião.

Última aparição em público, em Natal

O primeiro encontro de Roberto do Acordeon com Luiz Gonzaga se deu na rádio Jornal do Comércio, em 1958. Nos anos de Jovem Guarda, Roberto e Luiz tocaram várias vezes em circos montados em interiores de Pernambuco. Trocavam uma ideia, acenavam um para o outro e mantinham o coleguismo saudável dos sanfoneiros. Somente em 1976, as antigas Casas Régio fizeram contrato com os dois para temporada de quatro shows no Rio Grande do Norte: um em Natal (Praça Gentil Ferreira, no Alecrim), em Mossoró (Festa de Santa Luzia), em Currais Novos e outro em Caicó.

“A época tava boa pra Gonzaga. O jornalista Carlos Imperial inventou de divulgar que um dos ex-Beatles tinha gravado Asa branca. Isso deu uma levantada na carreira dele. E fomos os dois para esses shows”, lembra Roberto. E sentencia: “Verdade é que o forró nunca morreu. E Seu Luiz era perseverante, teimoso. Nunca teve essa de período de baixa, não”. Mas lembra quando, em abril de 1989, a mulher com quem Gonzaga viveu seus últimos anos ligou para o sanfoneiro: “Roberto, é Edelzuíta. Gonzaga pediu para eu ligar pra você. Ele está precisando dos amigos agora. Tem data para ele por aí?”.

Gonzaga e Roberto do Acordeon – década de 1980

Roberto era dono do Forró do Sanfoneiro. O espaço marcou época em Natal, localizado na Roberto Freire, onde hoje funciona o supermercado Favoritos. A inauguração foi em 1985, com presença de Gonzaga. “Liguei convidando. Atendeu o sobrinho, Piloto. Gonzaga tava dormindo. Acordaram e ele atendeu todo animado. Era sempre assim: perguntava como a pessoa estava, se a família tava boa de saúde, sobre a política local. Aí fiz o convite. Ele disse: ‘Vou e faço um acordo bom pra você: eu toco dois dias e você me paga um’. E esse um ainda foi barato”.

Quatro anos depois seria o último show da vida de Luiz Gonzaga, também em Natal. “Edelzuíte me ligou de novo. Nem sabia que ele estava doente. Aceitei logo e pedido e marquei o show na semana seguinte. E ele repetiu a mesma proposta: fez duas apresentações e só cobrou uma”. Desta vez, o empresário hoteleiro Sami Elali soube de sua vinda e cedeu hospedagem. “Fomos ao hotel pegá-lo para o show. Quando chegamos, ele de cadeira de roda. Quem estava lá chorou. Ele dizia que estava tudo bem e que o show seria um dos maiores. E de fato superlotou de novo os dois dias”.

O show foi em maio. Luiz Gonzaga se locomovia em cadeira de rodas decorrente de osteoporose. Morreria três meses depois, em 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. O Forró do Sanfoneiro fecharia um ano depois, quando “o dono do terreno cresceu o olho no lugar”. Ainda saudoso, Roberto se conforma com a frase do amigo Gonzaga: “Ele me dizia: ‘Roberto, se esses forrós fossem bom pra negócio eu tinha uns quatro ou cinco lá no Rio e São Paulo, porque fui eu quem levou o forró pra lá”.

Leide Câmara

A autora é uma das mais importantes pesquisadoras musicais do estado e criadora do Instituto Leide Câmara Acervo da Música Potiguar (AMP). É autora de obras referenciais sobre o tema, como o ‘Dicionário de Música do Rio Grande do Norte’, com cerca de 600 verbetes que cobrem mais de um século de história, e de estudo sobre o pioneirismo bossanovista do compositor macauense Hianto de Almeida.

Mostras na Pinacoteca

O lançamento do livro de Leide Morais é parte de uma ampla programação na Pinacoteca do Estado nesta terça-feira, a partir das 19h. Serão abertas duas mostras de fotografia — Ser-Tão Seridó, de Paula Geórgia Fernandes, e Ecos Híbridos, de Eustáquio Neves, Alexandre Siqueira e Pedro David. As duas ficam abertas até o dia 21 de junho. A programação inclui ainda a exposição Obras-primas da Gravura, com parte do acervo da própria Pinacoteca, e o lançamento do edital do III Salão de Arte Popular Chico Santeiro.

Atualizado em 21 de maio de 2013

http://portalnoar.com/luiz-gonzaga-e-a-musica-potiguar-uma-relacao-intima-de-meio-seculo/

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Por Benedito Vasconcelos Mendes

Prezado José Mendes, ontem recebi o Diploma de Sócio da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, por ocasião do Salão Internacional do Livro do Ceará, que ocorreu nas dependências do Centro de Eventos de Fortaleza. 

A Presidente da Divine Académie, Doutora Diva Pavesi fez a entrega da Comenda aos agraciados.

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“O GLOBO” – 19/09/1927 A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO

Material do acervo do pesquisador  Antônio Corrêa Sobrinho

O BANDITISMO NOS SERTÕES DO NORDESTE BRASILEIRO
UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL
(Especial para o GLOBO)

CAPÍTULO III

Dos nossos dois artigos anteriores, evidencia-se que duas providências se impõem aos governos para os sertões do Nordeste: - “Instrução” e “Justiça”; - escolas e magistrados íntegros, desligados dos chefes políticos locais e dispondo de força policial disciplinada para o cumprimento de suas ordens.

Enquanto não levarmos ao sertanejo a certeza de que ele não será mais o vassalo dos potentados da terra, de que todas as garantias lhe serão dadas pelos poderes públicos, de que o seu direito será respeitado pelas autoridades e os seus delitos punidos de acordo com as leis e não de conformidade com a vontade dos políticos situacionistas – tudo quanto se fizer será inútil para modificar lhe o caráter e tirar-lhe esse pendor para a vingança particular, que herdou dos seus antepassados, e que leva ao crime. Será este o único meio de se evitar que novos bandos de cangaceiros se formem, arrastados por aquele instinto sanguinário que já analisamos.

Estas mesmas considerações lemos em um discurso proferido na Câmara dos Deputados de Pernambuco pelo deputado Arruda Falcão, o transcrito aqui no Jornal “A Manhã”, de 9 de agosto findo. Infelizmente, o inteligente orador, com a preocupação de fazer obra de oposição ao governo, subordinou as suas patrióticas aspirações, que são as de todos os bons pernambucanos, a conclusões verdadeiramente contraproducentes.

Combatendo a proposta orçamentária do governo para 1928, na qual o Dr. Estácio Coimbra pedia um aumento na dotação da verba destinada à força pública, o ilustre deputado, citando Alberto Rangel, disse o seguinte:

- “O cangaceiro é uma expressão da terra que habita, como o jangadeiro o é do mar. A sua moral tem as irregularidades de infrações devidas ao olvido e ao desleixo com que o fulminou a organização política do país.

O banditismo é uma endemia do sertão, mas é a hipertrofia da coragem. Tipo estupendo da originalidade, o Brasil não produziu nenhum mais interessante. Com a educação conveniente, o sertanejo abandonaria a crueza de desvios sociais e seria um fator de trabalho e de riqueza.”

Destes conceitos, que não sofrem contestação, tirou o Dr. Arruda Falcão as seguintes conclusões:

- “Precisamos manter no sertão excelente justiça ‘e nada de polícia’ para solução de problemas de ordem social e econômica que ela nunca poderia resolver. ‘O sertão não espera policiamento” para desenvolver-se. Precisa desde tempos imemoriais colocar-se ao abrigo da lei moral e do pão quotidiano. Melhoramentos materiais, melhoramento moral. Eis os benefícios que ao sertão nunca os governos enviaram.

Em vez de “reforçar a eficiência numérica dos batalhões policiais”, olhemos com especial cuidado para o serviço da Justiça.”

Não são outras as ideias que vimos emitindo neste trabalho sobre o caráter do sertanejo nordestino e a necessidade de se lhe dar instrução e justiça.

Mas isto leva tempo e necessita muito trabalho e muita perseverança por parte dos governos, “PORQUE NÃO SE ACA FACILMENTE COM HÁBITOS, FORMANDO O CARÁTER DE UM POVO”; de medo que, concomitantemente com as providências que todos aconselham, ou melhor, para que elas possam surtir o efeito desejado, torna-se imprescindível extinguir desde já os bandos de criminosos que infestam atualmente os sertões do Nordeste, mesmo porque não é possível a aplicação serena da Justiça quando os seus representantes vivem sob a ameaça constante de morto desses bandos sinistros, para os quais já não servem aquelas providências.

E como extingui-los sem uma força numerosa, pelos motivos que deixamos apontados em nosso primeiro artigo? Basta dizer-se que, não obstante se acharem atualmente nos sertões o Nordeste, em perseguição aos bandidos, “AS MILÍCIAS DE SEIS ESTADOS coligadas pelo convênio de dezembro de 1926, em primeiro talvez superior a 2.000 SOLDADOS, ainda não foi possível a captura de “Lampião”, de “Massilon” e de outros celerados que destes chefes se desligaram, constituindo novos bandos.

Foi, pois, uma verdadeira heresia a afirmativa do deputado pernambucano – “de que precisamos manter no sertão excelente justiça E NADA DE POLÍCIA” – pois sem polícia é que a justiça não pode ser exercida.

E, tanto assim, que o próprio autor dessa frase, “no mesmo discurso” que citamos, disse também o seguinte, em completo antagonismo com aquela afirmativa e com a sua oposição ao aumento da força pública (textual):

- “COMO MEDIDA DE EMERGÊNCIA, A CAPTURA DOS CELERADOS CERTAMENTE SE IMPÕE AOS BONS DESÍGNIOS DA ADMINISTRAÇÃO.”

Ora, não há de ser com pequenos contingentes policiais que o governo pernambucano poderá conseguir este resultado PRELIMINAR, para chegar então ao FIM, por todos almejado. O grande erro dos governos tem sido justamente manter nos sertões pequena força policial em perseguição aos criminosos. Com a tática dos cangaceiros e a facilidade de locomoção que eles têm, como conhecedores do terreno e dos seus esconderijos, em pouco tempo os soldados ficam extenuados, tornando-se impossível a perseguição e sacrificando-se inutilmente homens e dinheiro.

Por consequência, “se a captura dos acelerados se impõe ao governo” (como disse o deputado Falcão), o aumento da força pública é uma necessidade indiscutível e urgente.

Para estes cangaceiros, que estão depredando o Nordeste e tornando impossível a vida do sertanejo honesto e trabalhador, todos os rigores são poucos, tanto mais quanto eles se afastam inteiramente de alguns dos seus antecessores que, em meio de sua vida de crimes, conservavam algumas virtudes primitivas, como a probidade, a proteção para os fracos e o respeito pelas mulheres; de sorte que não é de admirar que quase todos os historiadores da nossa vida sertaneja se refiram a cangaceiros, qualificando-os de – homens valentes e “honestos.”

De “Jesuíno Brilhante”, bandido famoso dos sertões do Ceará, terror dos seus inimigos e um tigre sanguinário quando se defrontava com a polícia e a tropa de linha que o perseguiam, conta Rodolfo Teófilo que por ocasião de uma seca tremenda que assolou aquele Estado, ele se tornara uma Providência para a gente humilde, salvando da morte centenas de famintos, aos quais distribuía mantimentos e roupas.

Xavier de Oliveira, no seu livro – “Beatos e Cangaceiros” – que tem o mérito incontestável de ter sido escrito por um filho do sertão do Ceará, e no qual ele narra as façanhas de 13 cangaceiros “que conheceu pessoalmente” – traça o perfil de diversos como de indivíduos trabalhadores, e “nobres”. Do cangaceiro “Beato da Cruz”, diz que – “a sua memória e as suas virtudes jamais deixarão de ser veneradas, enquanto houver um romeiro crédulo na Jerusalém Brasileira (o Juazeiro do Padre Cícero).” Referindo-se a “Quintino”, outro cangaceiro de Pajeú de Flores, que foi ter no Juazeiro perseguido pela polícia pernambucana, diz: - “era um homem bom, nobre e pacato; um amigo leal, embora um inimigo temível e terrível”. – De “Antônio Vaqueiro” e “Antônio Godé”, bandidos de incrível audácia, diz: - “eram homens honestos em quem a nobreza reclamava a primazia à coragem; incapazes de uma traição como de uma covardia”. – E, para demonstrar a probidade e honradez de alguns desses cangaceiros, conta o seguinte, referente a um deles: - “Canuto Reis” nunca roubou de ninguém um alfinete sequer; mas também nunca levou para casa um desaforo, por pequenino que fosse. Quando o coronel Franco Rabelo, que se apossou violentamente do governo do Ceará, entendeu acabar com o prestígio do padre Cícero, Canuto Reis foi um dos heróis da jornada de 14 de janeiro de 1914, em que as forças do governo foram completamente derrotadas pelos romeiros do padre. Vitoriosos, os sertanejos e “os chefes” revolucionários começaram a saquear a cidade do Crato, onde se ferira o combate, enquanto Canuto se dirigiu a um de nome Pedrinho, pedindo-lhe dez tostões emprestados, para matar a fome, pois não comia desde que começara a luta. Lendo na fisionomia de seu interlocutor a surpresa que lhe causara um tal pedido naquela ocasião, disse-lhe o bandido: - “Seu Pedrinho, me empreste dez tostão. Tou vendo que vosmincê se admira deu não tá também robando; mas um cabra de vergonha, como eu, tem corage pra mata cem homes de uma veiz, mas não tem pra robar um vintém, nem que seja do bispo. Isso faz vergonha.”

Do mesmo modo, Xavier de Oliveira se refere a outros dos seus 13 biografados, salientando lhes às vezes a perversidade, mas sempre abandonando lhes algumas virtudes.

Um perfil de cangaceiro que se arroga, como chefe de um grupo, o papel de – “juiz” – à moda sertaneja traça o Dr. Raul Azedo, narrando o que lhe contou uma velhinha, em cuja choupana ele e um companheiro de viagem se hospedaram, quando atravessavam a zona quase deserta do riacho do Navio, em Pernambuco, sobre as façanhas do terrível bandido Casimiro Honório: - “Se furtam um bode da gente (disse a velhinha na simplicidade do estilo sertanejo), a gente corre onde está Casimiro e basta o ladrão saber disso para o bode logo aparecer. Se alguma cousa ruim faz mal a qualquer moça solteira e não casar com ela, a mãe da moça vai se valer de Casimiro, que manda um recado ao sem-vergonha e ele mais que depressa trata de casar com a moça.”

O célebre cangaceiro Antônio Silvino entrou para o “cangaço” par a vingar o assassinato do pai, quando ele ainda menino, por não ter a justiça punido o criminoso. Quando cresceu, vingou-se matando o assassino e mais quatro irmãos deste. Depois, correu o sertão espalhando o terror, roubando nas estradas, incendiando fazendas e saqueando o comércio nas cidades e vilas. Mas, como distribuía com a pobreza uma parte dos roubos, e se constituiu o protetor da honra das moças, captou a simpatia da gente humilde, ao ponto dos menestréis sertanejos contarem nas suas “décimas” as proezas d’ “O Capitão”, como apelidaram-no. Pôde assim dominar nos sertões do Nordeste durante 20 anos, zombando da polícia pernambucana que o perseguia tenazmente, porque os pobres acoitavam-no em suas casas. Afinal, ferido de um encontro com a força pública, foi preso e se acha recolhido à Casa de Detenção de Recife, onde tem um comportamento exemplar.

Em suma, Gustavo Barroso, no seu livro “Heróis e Bandidos”, não deixou igualmente de salientar o chocante contraste daquelas almas sertanejas de outrora, onde as maiores personalidades se aliavam a uma nobreza de caráter inexplicável, conforme a ocasião e o meio em que agiam.

Mas, até nesse ponto, aquela raça degenerou. O lado heroico, que provocava a admiração dos historiadores do “cangaço”, pela sua parceria com os instintos ferozes, desapareceu.

Os atuais bandos de criminosos que infestam o Nordeste brasileiro são compostos de facínoras da pior espécie, sem a menor sombra de uma qualidade indômita, da b
“Lampião”, “Massilon”, “Sabino Gomes” e seus sequazes são apenas tipos de ladrões sanguinários e de assassinos covardes. Nos assaltos que deram à vila de algodões e à cidade de Triunfo, em abril de 1926, esses bandidos não encontraram a menor resistência, por terem fugido covardemente os destacamentos policiais que guarneciam aquelas localidades. Pois bem, não obstante a passividade com que os recebeu a população atemorizada, os perversos não se contentaram em saquear as principais casas comerciais; assassinaram friamente diversas pessoas, incendiaram fazendas, mataram o gado e atiraram-se como canibais contra infelizes moças solteiras que não tiveram tempo de fugir, maculando-as em sua honra, e, para cúmulo da malvadez, surraram desapiedadamente aquelas que ainda procuraram resistir aos seus instintos bestiais.

Urge, pois, o extermínio dessas bestas-feras, custe o que custar. Os governos nortistas têm o dever inadiável de dar caça a esses bandos ferozes, numa perseguição tenaz, sem tréguas, a fim de que possa ser iniciada a regeneração dos costumes sertanejos pela “Instrução” e pela “Justiça”.

Só então poder-se-á conseguir que o sertanejo nortista abandone a sua vida de aventuras criminosas para se tornar um fator de trabalho e de riqueza.
Justiniano de Alencar.

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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CANGAÇO X

Material do acervo do pesquisador do cangaço Antonio Morais

Diabruras dos malfeitores.

Boa Esperança, fora o lugar, no Estado do Rio Grande do Norte, onde os cangaceiros deram expansão ao gênio e entregaram-se a grosseiros folgares. Beberam e cantaram ao som da sanfona. Divertiram-se numa ambiência galhofeira, torturando pacatos sertanejos, sem levarem em conta o mal que causavam. 

A comunidade assistia, constrangida, às práticas abomináveis misturadas com visos de comicidade. Dos infames folguedos, alguns episódios são lembrados com certo humorismo pelos filhos da região. 


O velho Joaquim Justino de Souza vinha pela rua, tangendo um burro com uma carga de melancia. Satisfeito, trazia da sitioca, o produto de seu suor. Calculava o bom apurado nos festejos do padroeiro. De súbito, achou-se cercado. Em meio a confusão, arremessaram-lhe uma fruta na cabeça. Cambaleia. Seguram-no para não cair. Atordoado, vê o algoz apanhando outra do caçuá. Roga-lhe, Então: 

- Escolha uma madura! 

O bandido, esboçando um sorriso, o atende. Repete a troça com rudeza. Desta vez Justino vai ao chão. Cai sentado. 

- Está satisfeito agora? Pergunta, desdenhosamente, o marginal. Saindo do estupor, o bem humorado camponês retruca: 

- Estou sim senhor! Podia ser pior se a carga fosse de jerimum! 

Os malfeitores romperam em estrepitosas gargalhadas, enquanto saboreavam deliciosas talhadas de melancia.

Raul Fernandes.

CONTINUA...

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sábado, 13 de dezembro de 2014

SEU JANUÁRIO E DONA SANTANA TOCANDO PARA LUIZ GONZAGA DANÇAR


Uma família feliz! Se Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do baião estivesse vivo, hoje estaria completando 102 anos de vida. Mas assim é que é a vida. Quem nascer terá que morrer um dia. Não há diferença, tanto faz o rico como o pobre, todos irão um dia para um lugar que ninguém sabe onde fica. Eu acredito que estas pessoas que aparecem na foto dançando, todos eram da família de seu Januário.

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ANIVERSÁRIO DE LUIZ GONZAGA REI DO BAIÃO


Luiz Gonzaga do Nascimento, conhecido como o Rei do Baião, (Exu13 de dezembro de 1912 — Recife2 de agosto de 1989) foi um importante compositor e cantor popular brasileiro.2 Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras damúsica popular brasileira. Cantando acompanhado de suasanfonazabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o Sertão Nordestino, ao resto do país, numa época em que a maioria desconhecia o baião, o xotee o xaxado.


Admirado por grandes músicos, como Dorival CaymmiGilberto GilRaul SeixasCaetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias,3ganhou notoriedade com as antológicas canções "Baião" (1946), "Asa Branca" (1947), "Siridó" (1948), "Juazeiro" (1948), "Qui Nem Jiló" (1949) e "Baião de Dois" (1950).2

Luiz Gonzaga do Nascimento, nasceu numa sexta-feira no dia 13 de dezembro de 1912, numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, a 12 km de Exu (extremo oeste do terreiro de Pernambuco, a 610 km do Recife, a 69 km de Crato (Ceará) e a 80 km de Juazeiro do Norte, Ceará), segundo filho de Ana Batista de Jesus (‘Mãe Santana’) e oitavo de Januário José dos Santos. O padre José Fernandes de Medeiros o batizou na matriz de Exu em 5 de janeiro de 19204 5.

Deveria ter o mesmo nome do pai, mas na madrugada em que nasceu, seu pai foi para o terreiro da casa, viu uma estrela cadente e mudou de ideia. Era o dia de Santa Luzia e também mês do Natal, o que explica a adoção do sobrenome "Nascimento"5.

O lugar natal é no sopé da Serra do Araripe, e inspiraria uma de suas primeiras composições, "Pé de Serra". Seu pai trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão; também consertava o instrumento. Foi com ele que Luiz aprendeu a tocá-lo. Não era adolescente ainda quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sudeste do Brasil.3 O gênero musical que o consagrou foi o baião.2 A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, composta em 1947 em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Antes dos dezoito anos Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região. Foi rejeitado pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, que não o queria para genro e ameaçou-o de morte. Mesmo assim Luiz e Nazaré namoraram algum tempo escondidos e planejavam o futuro. Januário e Santana lhe deram uma surra ao descobrirem que ele se envolveu com a moça. Revoltado por não poder casar-se com a moça, e por não querer morrer nas mãos do pai dela, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército no Crato (Ceará). Durante nove anos viajou por vários estados brasileiros, como soldado, sem dar notícias à família. Não teve mais nenhuma namorada.

Antes de ser o rei do Baião, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical.

Em 1939, deu baixa do exército na cidade do Rio de Janeiro: Estava decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar nas áreas de prostituição da cidade. No início da carreira, apenas solava acordeão em chorossambasfoxtrotes e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. 

Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, foi aplaudido executando Vira e Mexe, com sabor regional, de sua autoria.6 O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. Vira e mexe foi a primeira música que gravou em disco.


Veio depois sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Lá conheceu o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava os trajes típicos da sua região. Daí surgiu a ideia de apresentar-se vestido de vaqueiro, figurino que o consagrou como artista.

Em 11 de abril de 1945, gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odaléia ‘Léia’ Guedes dos Santos deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga mantinha um caso havia meses com a moça, iniciado quando já estava grávida. Sabendo que sua amante seria mãe solteira, assumiu a paternidade da criança, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, foi expulsa de casa por ter engravidado do namorado, que não assumiu a criança. Foi parar nas ruas, até ser ajudada, descobrindo-se seu talento para cantar e dançar, passando a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz.2 A relação com Luiz era conflituosa e, após o nascimento do menino, piorou, com muitos ciúmes. Separaram‐se com menos de 2 anos de convivência. Léia criou o filho, e Luiz os visitava.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu (Pernambuco), e reencontroou seus pais, Januário e Santana, que havia anos não sabiam nada sobre o filho e sofreram muito esse tempo todo. O reencontro com seu pai é narrado em sua composição Respeita Januário, em parceria com Humberto Teixeira.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que se tornara sua secretária particular, e por quem se apaixonou. O casal permaneceu até o fim da vida de Luiz. Não tiveram filhos biológicos, por Helena não poder engravidar, mas adotaram uma menina, a quem batizaram de Rosa.7


Nesse mesmo ano Léia morreu de tuberculose, para desespero de Luiz. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com 2 anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena, e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou, juntamente com sua mãe, Marieta, que achava aquilo um absurdo, já que nem filho verdadeiro de Luiz era. Luiz não viu saída: entregou o filho para os padrinhos da criança, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, criarem-no no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava a criança e a sustentava financeiramente. Xavier o considerava filho de verdade e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina uma mãe.7

Luiz não se dava bem com o filho, apelidado de Gonzaguinha. Passou a não ver mais o filho em sua infância, e sempre que o via brigavam. Achava que ele não teria um bom futuro, imaginando que se tornaria um malandro ao crescer, já que o menino tinha amizades ruins no morro, vivendo com malandros tocando viola pelos becos da favela. Dina tentava unir pai e filho, mas Helena não gostava da proximidade deles, e passou a espalhar para todos que Luiz era estéril e não era o pai de Luisinho2. Luiz sempre desmentia, já que não queria que ninguém soubesse que o menino era seu filho somente no registro civil. Amava o menino de fato, independente de não ser seu filho de sangue.7
Na adolescência, o jovem se tornou rebelde: não aceitava ir morar com o pai, já que amava os padrinhos e odiava ser órfão de mãe, e dizia sempre que Luiz não era seu pai biológico, o que o entristecia. Helena detestava o menino e vivia implicando com ele, humilhando-o, e por isso Gonzaguinha também não gostava da madastra, o que os afastou e causou mais brigas entre pai e filho, já que Luiz dava razão à esposa. Não vendo medidas, internou o jovem em um colégio interno, para desespero de Dina e Xavier.3 Gonzaguinha contraiu tuberculose aos 14 anos e quase morreu. Aos 16, Luiz pegou-o para criar e o levou a força para a Ilha do Governador, onde morava, mas por ser muito autoritário e a esposa destratar o garoto, o que gerava brigas entre Luiz e Helena, Gonzaga mandou o filho de volta ao internato.

Ao crescer, a relação ficou mais tumultuada, pois o filho se tornou um malandro, viciado em bebidas alcoólicas. Gonzaguinha resolveu se tratar e concluiu a universidade, tornando‐se músico como o pai. Pai e filho ficaram mais unidos quando, em 1979, viajaram o Brasil juntos, compondo juntos. Tornaram‐se, enfim, amigos.


Era maçom e compôs "Acácia Amarela" com Orlando Silveira. Foi iniciado na Loja Paranapuan, Ilha do Governador, em 3 de abril de 1971.8

Luiz Gonzaga sofreu de osteoporose por anos. Morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana.3 Foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha persona non grata em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.7

Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga é uma homenagem ao cantor.9

Em 2012, foi tema do carnaval da GRES Unidos da Tijuca, com o enredo "O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão", fazendo com que a escola ganhasse o carnaval carioca deste respectivo ano.10

Ana Krepp da Revista da Cultura escreveu: "O rei do baião pode ser também considerado o primeiro rei do pop no Brasil. Pop, aqui, empregado em seu sentido original: o de popular. De 1946 a 1955, foi o artista que mais vendeu discos no Brasil, somando quase 200 gravados e mais de 30 milhões de cópias vendidas. 'Comparo Gonzagão a Michael Jackson. Ele desenhava as próprias roupas e inventava os passos que fazia no palco com os músicos', ilustra [o cineasta] Breno [Silveira, diretor de Gonzaga — De pai para filho]. Foi o cantor e músico também o primeiro a fazer uma turnê pelo Brasil. Antes dele, os artistas não saíam do eixo Rio-SP. Gonzagão gostava mesmo era do showbizz: viajar, fazer shows e tocar para plateias do interior."11

Em 2012, o filme de Breno Silveira Gonzaga, De Pai Pra Filho, narrando a relação conturbada de Luiz com o filho Gonzaguinha, em três semanas de exibição já alcançara a marca de 1 milhão de espectadores.12


Em 13 de dezembro de 2012 o Correio Brasileiro, seguindo uma tradição filatélica, emitiu um selo postal em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga.13

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga

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