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sábado, 17 de novembro de 2018

COZINHAS E QUINTAIS

*Rangel Alves da Costa

Quanta memória boa rebusco agora. Vejo-me caminhando em direção à cozinha da casa e, um pouco mais adiante, à porta troncha que dá passagem ao quintal.
Já não avisto nem minha avó nem sua avó. Minha bisavó subiu aos céus encantada de tempo. Agora só restam as cozinhas e os quintais nas lembranças.
Na cozinha, de barro batido ou na taipa mal-acabada, o fogão de barro tomando um canto inteiro. No barro estendido, blocos ou tijolos sustentando a grelha.
Boca de fogão aberta, faminta, querendo muita lenha e muito mais carvão. A madeira queimando vai se contorcendo como de dor de partida, e para logo virar brasa e carvão.
Por cima da grelha ou apenas dos blocos, sentindo a labareda e a fúria ardente do fogo em chamas, a panela de barro, a chaleira antiga, o tacho para fazer doces.
Depois de tudo cozido, preparado, fervido, as cinzas juntadas para serem recolhidas. Mais ao lado, no outro canto, uma trempe com pote em cima.
Pote pequeno, mas de boca graúda, sempre com água suficiente para que a caneca não se afundasse tanto. Abaixo, no fundo do pote, uma rodilha sempre molhada.
E também um pano todo branquinho para tampar a boca. Quando o pote fica suado, ou a rodilha para reter a água ou a lama vai se formar mais abaixo.
Um pouco acima do pote, penduradas na parede em pequenas forquilhas, três ou quatro canecas d’água, todas de alumínio e sempre brilhosas de tanto serem arejadas.
Ao centro, uma pequena mesa de madeira velha tendo por riba um jarro com flores de plástico. Não há casinha de antigamente onde não houvesse um jarro com flores mortas.
Flores de cinzas, acinzentadas, quase sem cor, mas tão cheias de vida naquele viver humilde. Endurecidas de tempo, quebradiças dos anos, mas sempre ali.


Um alguidar em cima de uma banquinha, uma fruteira por riba do guarda-comida de pouco uso. Já envelhecido demais, mas sempre bonito na sua madeira de lei.
Mas o guardado lá dentro é de valor sem igual: um jogo de porcelana herança familiar. Tudo sempre assim, tudo sempre no seu lugar.
De vez em quando um cheiro de café torrado, um aroma gorduroso de tripa assada, um perfume especial de cuscuz de milho ralado.
Saindo desse velho e primoroso ambiente, logo adiante o quintal. Que saudade daqueles tempos dos quintais, daqueles cercados com árvores frutíferas e galinhas ciscando ao redor.
Onde estão os quintais, os belos quintais com seus cantos de plantas medicinais, do boldo, do manjericão, do mastruz, da raiz curativa pra qualquer doença?
Quintais de poleiros, de mamoeiros e cajueiros, de varais e de tanques de lavar roupa. Quintais de tronco largo para sentar, de tamborete para fumar o cigarrinho de palha, de purrão para juntar água de chuva.
Quintais de pontas de vacas e de meninos brincando de fazendeiro. Não. Não existem mais os quintais. Mas ainda assim eu vou além da porta da cozinha só para imaginar outros tempos.
Quintais de molduras de saudades, de instantes para os reencontros com o passado. É no quintal que o radinho de pilha é ligado e onde o olhar vagueia em inesquecíveis imagens. O vento sopra e vai secando uma lágrima descida num canto do olho.
Quintais que iam avançando e de repente já davam na mata, nas catingueiras, nas umburanas e aroeiras. Um bicho corre e de repente já está no quintal, querendo entrar na cozinha. Então o cabo de vassoura é levantado para espantar a aparição repentina.
Quantas lágrimas são derramadas por cima das roupas sendo lavadas e enxaguadas nos tanques velhos dos velhos quintais. E também quantos soluços são exalados perante as roupas estendidas nos varais, com seus braços abertos querendo voar.
Ali está uma mulher estendendo a roupa e cantarolando uma velha canção: “Tardes sertanejas que se vão, logo chamam as luas do sertão. E eu aqui tão triste, ai como dói meu coração...”. Será minha mãe? Será sua mãe? Não sei. Não sei. Só sei que dá saudade. Eu sei.
Os quintais já não existem mais. Mesmo nas cidadezinhas interioranas, poucos são os quintais que ainda podem ser encontrados. As velhas cercas foram substituídas por muros, o chão das plantas e dos bichos foi transudado em cimento frio.
Abrir a porta da cozinha e seguir mais além já não causa sensação prazerosa alguma. Não há o canto de um passarinho, não há uma fruta caída, não há ovo de galinha a ser recolhido. Também não há mais a plantinha curativa no canto nem o velho tamborete.
E da porta da frente em diante apenas o asfalto, a buzina, a azucrinação do dia. Um viver que é vida, mas não é tão viver na vida.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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NO LUGAR DE VENENO... BALA.


Por Geraldo Antônio de Souza Júnior



Perguntado se houve envenenamento de algum membro do bando cangaceiro de Lampião nos momentos que antecederam o ataque da Força Policial Volante ao bando ou se presenciou algum membro do grupo com sintomas de envenenamento, Candeeiro II (Manoel Dantas Loyola), testemunha ocular do acontecimento não hesitou em afirmar...


Obs: Informações obtidas através das filmagens realizadas pelo cinegrafista/pesquisador do cangaço, Aderbal Nogueira (Fortaleza/CE).


Mesmo diante de tantas evidências e testemunhos da parte de quem presenciou os últimos momentos do Rei do Cangaço e parte de seu bando, há quem acredite na versão do envenenamento, acreditando que os cangaceiros mortos em Angico ingeriram veneno algum tipo de veneno, tempo antes do início do ataque da Força Policial Volante alagoana ao bando. 

Na minha opinião foi bala e muita bala.

Foto: Marcio Vasconcelos

https://cangacologia.blogspot.com/

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OS TIROS QUE MATARAM LAMPIÃO.


Por Geraldo Antônio de Souza Júnior

Tendo em vista a recente polêmica sobre a real autoria do primeiro e mortal tiro que atingiu Lampião na Grota do Angico no dia 28 de julho de 1938. Vamos aventar alguns fatos.

Vamos direto ao ponto.

No dia 28 de julho de 1938, por volta das cinco horas da manhã, Lampião e parte de seu bando foi atacado por uma Força Policial Volante alagoana comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, auxiliado pelo Aspirante Francisco Ferreira de Melo e pelo Sargento Aniceto Rodrigues dos Santos. Na ocasião do ataque estavam acampados na Grota do Angico em torno de trinta e seis cangaceiros, sendo trinta cangaceiros e seis cangaceiras.

A polícia ainda não havia completado o cerco quando deu-se início o tiroteio. Um tiro disparado pelo Soldado Abdon Cosme dos Santos contra o cangaceiro Amoroso, deu início a uma infernal fuzilaria, transformando a Grota em uma pequena amostra do inferno aqui na terra. 


Lampião, que nesse momento estava se equipando, ao ouvir os primeiros disparos sai da sua tolda para saber o que estava acontecendo, sendo imediatamente alvejado por tiros de fuzil e não de metralhadora como erroneamente muito se propaga por aí. Um confronto que durou em torno de dez a quinze minutos resultou na morte de Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e um Soldado da Força Policial Volante alagoana. 

Terminado o embate os cangaceiros mortos tiveram suas cabeças cortadas e levadas pelos soldados como prova do acontecimento, sendo posteriormente exibidas como troféus em algumas cidades e lugarejos no percurso entre as cidades de Piranhas e Maceió em Alagoas. Era o fim do mais temido e sanguinário cangaceiro nordestino. A derrocada do cangaço no Nordeste tinha seu início. 

Vários jornais do país daquela época e também do exterior noticiaram a morte do afamado cangaceiro e de parte de sua gente, sendo o mais destacado deles o Jornal carioca “A Noite” representado pelo Jornalista Melchíades da Rocha, responsável por matérias fantásticas e únicas em torno da caçada ao bando cangaceiro. 

Terminado o confronto o Jornalista Melchíades da Rocha dá início a uma coleta de informações e em meio à soldadesca se depara com o Soldado Antônio Honorato da Silva, conhecido como “Noratinho” ou “Honoratinho”, que naquele momento e ainda no calor dos acontecimentos chamava para si a responsabilidade sobre o primeiro e mortal tiro disparado contra Lampião. Fato que, naquele momento, não foi contestado por nenhum outro membro da Força Volante. Honoratinho passou a conceder entrevistas para inúmeros jornais e sendo apontado por todos como o autor do disparo que matou Lampião. Quando todos os outros soldados se calaram e consentiram que Honoratinho se apresentasse como o autor do tiro mortal. 

Após mais de setenta anos surge um novo fato. Um ex-soldado chamado Sebastião Vieira Sandes o “Santo”, pertencente à Força Volante alagoana, entra em contato com o renomado pesquisador e escritor Frederico Pernambucano de Melo e afirma ter sido ele o autor do primeiro disparo contra Lampião e não Honoratinho, como se tem acreditado até então. Fato que, se comprovado, algo que eu particularmente acho muito difícil, muda completamente a história sobre a morte de Lampião e coloca em dúvida tudo o que foi pesquisado e escrito sobre esse assunto até a presente data. 

Como Lampião levou dois tiros sequenciais antes de cair mortalmente ferido o que pode ter acontecido é que tanto “Honoratinho” quanto “Santo” tenham realmente alvejado o cangaceiro quando este ainda permanecia em pé. Levando ambos a acreditarem terem sido eles os autores do primeiro e mortal tiro a atingir Lampião. 

Verdadeiramente falando acredito piamente que essa é mais uma lacuna que ficará aberta para sempre nas páginas da história cangaceira já que nunca saberemos a verdade sobre esse fato e tudo que dissermos ou afirmarmos não passará de mera especulação. Infelizmente. 

Lembrando que Lampião foi atingido por três disparos na Grota do Angico, no dia 28 de julho de 1938.

Sendo: 

- O primeiro acima do peito. 

- O segundo na região do baixo ventre. 

- O terceiro na face direita quando já se encontrava estendido ao chão. Tiro esse disparado à queima roupa pelo então soldado Panta de Godoy. 

Na fotografia anexada a essa matéria estão apontadas e enumeradas sequencialmente as partes do corpo de Lampião que foram alvejadas pelos disparos. Todos ocasionados por tiros de fuzil. 

https://cangacologia.blogspot.com/2018/11/os-tiros-que-mataram-lampiao.html

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LAMPIÃO O BOM OU QUASE BOM


Por José Mendes Pereira

Segundo informação do coiteiro Manoel Félix lá da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, em uma entrevista que cedeu ao jornalista baiano Juarez Conrado do jornal “A Tarde”, disse que desconhecia qualquer tipo de crueldade praticada por Lampião naquela região durante o tempo em que ele esteve lá. 

O coiteiro ainda disse que quem eram temidas e odiadas por lá eram as volantes que perseguiam os cangaceiros pelas tamanhas barbaridades dos seus integrantes, que martirizavam algumas pessoas quando achavam que elas eram coiteiras do famoso Lampião. Nas conversas que ele manteve com antigos moradores de Poço Redondo e conheceram Lampião cara a cara, afirmaram com todas as letras da verdade que Lampião era um homem além de respeitador e bastante educado.

Jornalista Juarez Conrado

O jornalista Juarez Conrado ainda falou sobre dona Especiosa Gomes da Luz que residia na Fazenda Bandeira localizada na região do São João do Barro Vermelho, que posteriormente esta localidade passou a ser chamada de Tauapiranga, fazendo parte do município de Serra talhada no Estado de Pernambuco, e que ela era muito amiga do velho guerreiro Lampião desde sua infância, e posteriormente, passou a ser sua costureira e comadre.

..., Ivanildo Silveira e Anildomá Willians

O escritor Anildomá Willians perguntou o seguinte a dona Especiosa:

- Como era o Lampião?

E ela o respondeu da seguinte maneira:

- Compadre Lampião era alto, moreno, falava educado e pausava bem as palavras, e se enfeitava todo. Gostava das coisas bem feitas e as moças eram doidas para namorar ele.

Bando de Zé Sereno e Sila 

Uma ex-cangaceira que é bem conhecida na literatura lampiônica a Sila companheira do ex-cangaceiro Zé Sereno, quando interrogada, disse o seguinte:

- O Lampião que a história oficial apresenta não é o mesmo que eu conheci. Vi um homem preocupado com a moral dentro do seu bando, exigindo sempre o respeito aos valores do sertanejo, o religioso, que duas vezes ao dia de manhã e a tarde, se a ocasião o permitisse, rezava o ofício de nossa senhora da Conceição.

Mas outros já dizem o contrário que Lampião era mesmo perverso e vingativo, e se o sujeito o entregasse à polícia o local do seu coito, e se ele soubesse, a coisa não iria andar muito bem para o delator.

Outros dizem que a maior parte das crueldades feita naquela região aos sertanejos quem fazia eram as volantes, na intenção de incriminar e infernizar mais ainda a vida do facínora Lampião, e fazer com que os sertanejos ficassem adversários de Lampião e seus comandados. Se for verdade ou não ninguém tem certeza e que continuamos com as dúvidas sobre a realidade.

Mas cada amigo tem o direito de falar dizendo que ele foi capaz para fazer isto ou não.

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JORNAIS DE ÉPOCA RESGATE DE FOTOGRAFIAS "2"

C.S.I Bahia tem um novo agente especial que está revirando os baús e pastas das antigas redações de jornais daquele Estado. Vocês já o conhecem é o Rubens Antonio. Que nos traz mais uma canja do material que está sendo escaneado e postado nas comunidades do OrkutLampião, Grande Rei do Cangaço e Cangaço, Discussão Técnica. 

 Uma bela cabrocha
Essa é SEBASTIANA, que viveu com o cangaceiro Moita Brava, após o mesmo, ter sido traído por Lili. Assim aparece no "A Tarde" de 7 de dezembro de 1938.
 O ex cangaceiro Bezouro

 Flagrante das entregas, Novembro de 1938.
Chegam de Jeremoabo os cangaceiros entregues... alguns já em trajes civis... outros ainda "cangaceirados"... nesta foto ordem aleatória encontra-se: Zé Sereno, Creança, Balão, Jurity, Novo Tempo, Pernambucano, Laranjeira, Candeeiro, Ponto Fino, Quina-quina, Marinheiro, Cacheado, Beija-Flor, Devoção, Borboleta, Chá Preto, Penedinho, Cuidado, Azulão.

Quando Corisco se foi...

Sargento Senna e Zé Rufino , após o sepultamento, prestam homenagem a Corisco tirando suas coberturas...
Zé de Rufina ou Zé Rufino à direita... Pelo que percebi, nas fotos, nessa carreira do cangaço, quando ele já estava mais avançado perto de 1940, usava chapéu, não quepe. Quepe... parece que só usava em fotos mais "oficiais", ao lado de superior(es)... e o chapéu ficava para o trabalho de volante em campo.
Mas o que me impressionou e comoveu, de verdade, nesta foto, é o ponto do inimigo-bandido que pode ser também respeitado. Inclusive, conforme depoimento do próprio Zé Rufino, quando um soldado ofendeu a já derrubada Dadá, recebeu a devida bronca e foi afastado as proximidades da mesma.
É uma sepultura providenciada pelos próprios militares, logo após a morte do já então ex-cangaceiro, apenas um foragido. Observe-se o arranjo floral e a cruz...

Pena que os médicos de Salvador estragaram esse evento, impondo aos militares a inumação do cangaceiro e a sua decaptação.. além da retirada de um braço.
Zé Rufino, aspirante, 1938

Dadá ferida

Dadá, na chegada a Salvador.

Abraços 
Rubens Antonio 

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TESTEMUNHAS DONA LUZIA VIU A VOLANTE MATAR SEU PAI

Dona Luzia Carmina
Foto Ricardo Beliel


Pelos lados do Riacho do Mundé, distrito de Floresta, PE vive, há quase cem anos, Dona Luzia Carmina, num punhado de braças de terra, na mesma propriedade em que presenciou a morte de seu pai  Antônio José de Souza, o caboclo Garapu, em 24 de Junho de 1927.

Em meio à sequidão, cria cabras e cultiva uma pequena horta de subsistência na companhia do filho, Zé Caboclo. Sua mãe era prima de três cangaceiros de Lampeão, os irmãos Marinheiro, e quando o bando passava por essas terras tinham o apoio que necessitavam. As roupas esfarrapadas, depois de curtidas por longos períodos na agrura da catingueira, eram trocadas por novas, feitas por sua mãe.

Certo dia, o primo Zé Marinheiro e outro cangaceiro, Sabiá, resolveram não acompanhar mais as andanças quilométricas e diárias do chefe Lampião, preferindo agir em dupla nos rincões do Capim Grosso e do Mundé.

Por um ano viveram amoitados nos espinhaços das caatingas para atacar e extorquir os que lá moravam. Certo dia atacaram as fazendas Panela D´Água e Tapera e estupraram sem piedade Marcolina e Lucia, que também costuravam, com a mãe de Luzia, as roupas encomendadas por Lampião.

Bêbados e sabedores do mal cometido, foram buscar refúgio com a prima de Zé Marinheiro. Carmina de Garapu implorou não poder ajudá-los, mas o tempo para as palavras foi de súbito substituído pelo medo da morte. Nesse momento, doze soldados da volante de Floresta já cercavam a casa. Zé Marinheiro iniciou o confronto com um tiro certeiro na cabeça de um soldado que avançava a poucos metros. Sabiá, da janela dos fundos, liquidou outro inimigo e logo em seguida também acabou com a vida do praça Sinhozinho, que comandava o grupo.

Em meio ao tiroteio, o soldado Zé Freire mal teve tempo de perceber Zé Marinheiro pulando através da porta com o fuzil engatilhado em sua direção. Sorte de um, azar do outro. A bala inimiga "bateu coco", falhou, e Zé Freire como um raio disparou um balaço explodindo o cérebro do cangaceiro.
Zé Freire


Sabiá, um dos cangaceiros mais perversos de então, manteve o fogo contra Zé Freire e o soldado Zé Tinteiro até cair baleado no terreiro em frente à casa. Com fratura exposta na perna e as vísceras escorrendo para fora da barriga, destroçadas por balas volantes, morreu rodopiando na terra como um pião. Grunhindo como um porco sacrificado com o fuzil nas mãos a cuspir balas em todas as direções.

Dona Luzia nos conta que seu pai, o Caboclo Garapu, pressentindo sua morte, anunciada aos berros, findo o combate, pelo soldado Zé Freire em frente à casa, se despediu da mulher e dos sete filhos, caminhou em direção à porta e enfrentou o soldado rival.

Tentou um primeiro golpe com uma faca, mas em resposta levou um tiro fatal na cabeça. Luzia, com idade de sete anos, seus seis irmãos e a mãe morreram um pouco também naquele dia. Marcadas pela tragédia, continuaram na mesma casa por toda a vida, onde hoje Luzia nos recebe para compartilhar sua história. Com as feições enrugadas de uma pura índia Tuxá, confidencia com a voz afogada por um profundo desconsolo "nós fiquemos sem pai pra sofrer..."

Com informações de Ricardo Beliel, Luciana Nabuco, Marcos De Carmelita

Adendo de Joel Reis (Grupo Lampião, Cangaço e Nordeste)

Sabiá I - Morreu em Mata Grande - AL em 1922.

Sabiá II - citado no texto, Manoel, entrou no cangaço em 1923, participou do ataque à Fazenda Tapera, Combate da Serra Grande, do ataque a Mossoró... Morreu em 29 de junho de 1927 pela Força de Floresta. Encontraram no bornal dele as orelhas do Ten. Francisco Oliveira que havia sido sangrado no combate do Serrote Preto. (Esse é o Sabiá do Texto).

Sabiá III - Era da Família Engrácia

Sabiá IV - João Alves dos Santos (João Preto) de Poço Redondo - SE, morreu em combate na Fazenda Barra Salgada, Canhoba - SE, no final de 1937.

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MÃE VÊ FILHO ACORDAR DO COMA APÓS 12 ANOS: “NUNCA DESISTI DELE”

Wang e Wei - Foto: reprodução

Uma mãe que cuidou do filho durante 12 anos, viu o rapaz finalmente acordar do coma.
O chinês Wang Shubao sofreu um grave acidente de carro e ficou tetraplégico, na cama durante todo esse tempo.
“Nunca desisti dele”, afirmou a mãe, Wei Mingying, de 75 anos, em entrevista a jornalistas chineses.
O caso surpreendeu o país e se espalhou nas redes sociais.
História
Wang Shubao tinha 36 anos quando sofreu o acidente que tirou os movimentos do corpo dele, em 2006.
Sem a presença do pai, que havia morrido quando ele ainda era criança, o chinês passou a ser cuidado todos os dias por sua mãe.
Wei Mingying dava banhos, fazia massagem em seu corpo e o alimentava por meio de um tubo ligado ao estômago.
 Em imagens captadas pela televisão chinesa, o homem sorri ao sentir o carinho de sua mãe.
De acordo com Wei Mingying, a risada é a única maneira de seu filho comunicar-se com ela.
Sem dinheiro
Apesar de contrair diversas dívidas para manter o tratamento do filho — chegando a ficar sem dinheiro para comprar alimentos para si própria — a senhora de 75 anos afirma que tudo valeu à pena.
“Espero que ele se recupere e possa me chamar de ‘mãe’ de novo um dia”, afirmou Mingying à TV chinesa.

Com informações da Galileu
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SUBMARINO ARGENTINO DESAPARECIDO HÁ UM ANO É LOCALIZADO...


https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/11/17/submarino-argentino-desaparecido-ha-um-ano-e-encontrado.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=uol

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A REVOLUÇÃO DO OVO

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de novembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2008

       No lugar onde moramos mal o Sol bota a cara de fora, passa o carro do mungunzá com aquele som horrível de circo do interior. Logo vem o churros. O pãozeiro faz alarido com sua corneta de mão e, em seguida, o leiteiro motorizado buzina que nem caminhão Mercedes. Rolinha branca pousa na rua, o jumento orneja na margem do Ipanema, gatos voltam das caçadas e o bem-te-vi canta feliz na cabeça do poste de luz. Mais tarde são os irritantes carros de som do Comércio que não deixam o cristão em paz. O respeito dos decibéis é engolido com farinha e nem a periferia escapa da falta de respeito às leis. Haja verba para atender os ávidos apelos comerciais.


Entre eles o carro do ovo é a grande e insistente novidade em todas as cidades de Alagoas, inclusive, na capital. Por coincidência, depois que foi anunciada a implantação de uma das maiores granjas na cidade lagunar de Santa Luzia do Norte, estar acontecendo à revolução do ovo. Passa o carro anunciando, 50 ovos por 10,00. No outro dia, 40 ovos, 30... E assim por diante. Estamos falando dos ovos brancos de granja. Em Santana do Ipanema, depois do projeto do governo para criação de galinha caipira, criou-se a Cooperativa e o agricultor tem produzido muito e aumentado a sua renda. Parece haver uma concorrência grande agora, entre ovos brancos e avermelhados.
E o nosso velho Brasil, alimentador do mundo, vai em Alagoas, matando a fome da baixa renda através da fartura abençoada das galinhas. E como houve a época do frango que alimentou a pobreza brasileira, agora é o ovo que o vendedor chama de ovo gigante. E alguns são mesmo grandes, mas não vale dizer que estão negociando ovo de ema, ave pernalta, das caatingas.
E fora o tal ovo de granja e o da galinha caipira, ainda tem o ovo de galinha de capoeira, aquele produzido nos terreiro das fazendas e no matagal dos arredores.
Viva! Viva a bendita REVOLUÇÃO DO OVO!

CASO DANIEL: MÃE TERIA PEDIDO AO JOGADOR PARA NÃO IR À FESTA DE ALLANA


Mensagens trocadas entre Eliana Corrêa e a filha de Edson Brittes, assassino confesso do atleta, foram divulgadas após o crime brutal


No dia seguinte ao brutal assassinato de Daniel Corrêa, mensagens trocadas entre a mãe do jogador e Allana Brites – uma das envolvidas no caso –, revelaram que Eliana Corrêa estava preocupada com o filho: disse ter pedido para que ele não fosse à festa, na casa dos Brittes, onde o crime foi cometido. A sequência da conversa entre as duas causa revolta. Allana demonstrou frieza ao fingir não saber nada sobre o desaparecimento do rapaz. A informação é do portal Uol.

A cada dia que passa, a polícia tem conseguido mais informações sobre a morte de Daniel. Dessa vez, investigadores tiveram acesso ao celular da adolescente envolvida no caso. Nas mensagens, a mãe do jogador buscava o paradeiro do filho, enquanto Allana se mostrava prestativa e dizia para Eliana manter a calma. Nesse momento, a jovem já sabia da morte do atleta.

Allana é filha de Edison Brittes Júnior, o Juninho, que assumiu ter matado Daniel após uma sessão de espancamento. Segundo ele, o jogador estaria tentando estuprar sua mulher, Cristiana. Os três integrantes da família estão presos até que as investigações sejam concluídas.

MAIS SOBRE O ASSUNTO


De acordo com a reportagem, após a mãe de Daniel ter recebido a notícia de que um corpo havia sido encontrado e poderia ser do jogador, Eliana entrou em contato com Allana, pedindo que ela fosse ao Instituto Médico Legal (IML), para confirmar a morte. A jovem se mostrou disposta e disse que estava a caminho do IML, com os pais. “Fica tranquila, por favor”, escreveu.

“Allana, eu acho que é ele sim. Minha irmã já mandou foto de um juiz aí, eu acho que é ele sim, mas Allana, confirma porque estou em estado de choque aqui, parece que estou em um pesadelo”, disse a mãe de Daniel.
Eliana afirmou ainda estar com raiva do jogador, pois havia pedido a ele para não comparecer à festa. “Não consigo nem chorar, só consigo ficar com raiva dele, por (sic) eu falei muito para ele não ir, para ele vir e ficar com a filha dele, mas ele não quis, entendeu? É, aí tô com raiva dele ainda, tô com raiva, não sei porque vai mudar isso em mim”, diz a mensagem.

Allana diz após o áudio:

“Meu Deus, eu não acredito nisso. Eu vou ir lá sim. Tô indo já. Tô dentro do carro”. Eliana questiona às 21h07 se “demora muito ainda?”. Às 21h14, a mãe de Daniel envia outra mensagem. “Lana, não precisa já estamos cientes que é ele mesmo!!!!”.

Às 21h16 Allana responde: “Já estava a caminho”. E depois: “Não acredito nisso. Me diz que é mentira”.  Nesse momento, conforme diria à polícia depois, Allana já sabia que Daniel havia sido espancado por Juninho, mas mentiu para proteger o pai.

A mãe de Daniel fala às 21h17: “Infelizmente. Estamos desesperados”. Allana manda a última mensagem do dia 28 de outubro: “Meu deus”, escreve. Além de Allana, Cristiana e Edison Brittes, Ygor King, David Vollero da Silva e Eduardo da Silva estão presos acusados de participação no assassinato.

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NAS PEGADAS DO CANGAÇO

Texto e fotos por Wagner Barreira

“Em novembro de 2017, viajei pelo sertão nordestino para as pesquisas de Lampião e Maria Bonita – Uma História de Amor e Balas. Percorri 2.427 km de carro, outros 100 km em picape 4×4 dentro do Raso da Catarina, na Bahia, mais 20 km de voadeira no rio São Francisco na divisa de Alagoas e Sergipe, alguns outros em caminhadas.


Estava em busca de pesquisadores, relatos e da geografia do cangaço. De Recife, onde começou a jornada, até Serra Talhada, berço de Virgulino Ferreira da Silva, o próprio caminho testemunha as mudanças da “quebrada do mar” ao sertão profundo. Os muitos rios e a vegetação espessa da capital de Pernambuco rapidamente dão lugar à Zona da Mata e ao agreste e suas plantações. À medida que a viagem prossegue rumo ao interior, o verde vai mudando de tonalidade até desaparecer, cedendo lugar a árvores pequenas e retorcidas, cada vez mais cinza.


A estrada, em excelente estado de conservação, corta os rios do alto sertão. O Moxotó e o Pajeú se revelam cursos d’água por causa das pontes. Embaixo, há areia e desolação. O líquido só se conserva nas cisternas, frutos de uma ação do governo federal no começo do século, nas pequenas propriedades que se sucedem pelo caminho. Foi nesse cenário, que conhecia como poucos, que Lampião instaurou seu reinado. As marcas ainda estão por lá.

Algumas são visíveis, como os tiros na casa em ruínas de seu primeiro inimigo, Zé Saturnino, em Serra Talhada. Ou as cruzes que marcam o local da morte do cangaceiro e de Maria Bonita e outros nove fora da lei, em Angico, Sergipe. Outras são mais dissimuladas. Há “museus do cangaço” em dezenas de cidades, com acervos variáveis – mas sempre há um rifle e uma sanfona em exposição. Nas feiras, camisetas e esculturas de barro representando o casal são artigos fáceis.


Nas conversas que tive com pessoas idosas, todos guardam uma história de Lampião envolvendo familiares, umas verossímeis, outras, não. Lampião e Maria Bonita, mais de oitenta anos depois da morte, estão no cotidiano dos sertanejos. A perseverança da memória de um casal que viveu à margem da sociedade, em fuga permanente da polícia, foi o que mais chamou a minha atenção. Mas isso é tema para um novo post…”
***
Wagner Barreira nasceu em São Paulo, em 1962. Jornalista, trabalhou nas revistas Veja e Aventuras na História, no jornal O Estado de S. Paulo e na TV Cultura. Também foi diretor editorial de mídias digitais na Editora Abril e professor de Técnicas de Reportagem e Teoria do Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica paulista. Vive em São Paulo e tem três filhos. É o autor de Lampião e Maria Bonita – uma história de amor e balas; saiba mais sobre o livro clicando aqui.

http://www.blogdaplaneta.com.br/2018/11/06/cangaco-lampiao-maria-bonita/?fbclid=IwAR16coHvLYDPCJE6HUDTUZSv5Zc3QHgvXUGelFpOjayYwcbG8JGHqct5HTc

blogdomendesemendes: 

Não sei, mas talvez você encontrará este livro através deste e-mail: 
franpelima@bol.com.br

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