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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

JÁ NÃO BASTAVA ELVIS, HITLER E LAMPIÃO, AGORA O MICHAEL RSRSRSRS

 Por Aderbal Nogueira


Isto é apenas uma brincadeira, nada verdade. Apenas este rapaz tem as características de Michael Jackson.

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PADRE CÍCERO E AS MINAS DO COXÁ.. ( Série grandes artigos )

Por: José Cícero ( * )

Famosas não apenas pelos minérios que até hoje se escondem no seu subsolo e protegidas por um serrote íngreme e belo rodeado de caatinga densa, as minas do Coxá de Aurora ao que parece, ainda constituem um grande mistério. Um enigma atemporal como um constante acerto de contas do passado com o presente em nome das utopias do futuro.

Uma verdadeira saga sertaneja que por mais de um século de história tem alimentado de causos e contos fantásticos as vastas narrativas da crônica caririense e nordestina. Assim como de aventuras e sonhos de riquezas, a imaginação de todos quantos de algum modo são tocados pelos encantos do seu rico chão. Como se ver, uma página das mais palpitantes da nossa história regional, cuja escrita ainda não se concluiu no seu todo.

No passado pertenceram ao padre Cícero Romão que as adquiriu, segundo dizem, por compra junto aos sitiantes do lugar, provavelmente antes de 1903. Entretanto, a sua posse legal constitui-se por anos a fio como um dos mais ferrenhos litígios daquela época fazendo com que sua demarcação definitiva se desse pela força das armas e à revelia da lei.

Há quem diga, inclusive, que só pela imposição do bacamarte de Floro Bartolomeu e seus jagunços. Durante a polêmica demarcação de 1908 a questão não apenas se resolveu no papel, mas igualmente, as terras da mina, como do seu entorno haviam ‘dado cria como reses’ no dizer do povo do sertão. Sua área total era em torno de 3.410 hectares englobando os sítios: Coxá, Contendas, Escondidos(Izaíras), Taveira e Bandeira, estando localizada entre os municípios de Aurora e Milagres.

Ademais, por um desses caprichos do destino o momento da demarcação ocorreu simultâneo a outro episódio dramático da história de Aurora e quiçá do próprio Cariri, - o famoso “Fogo do Taveira” - ambiente contíguo ao Coxá que por força de Marica Macedo culminou com a deposição do então intendente municipal - Antonio Leite Teixeira Neto (Totonho de Monte Alegre). Além do que se sucedeu, isto é, a célebre invasão e saque da cidade por mais de seiscentos jagunços sob o comando direto de Zé Inácio do Barro, a mando de vários coronéis e outros potentados do Cariri.

Porém, entre coincidência, trama e oportunismo, a verdade dos fatos há de ficar, decerto, com as duas últimas opções; por uma questão muito simples. Quer seja: não existe coincidência para à história. A menos que esta venha a ser transformada por capricho dos poderosos numa farsa, quase sempre à serviço dos vencedores. Isso porque, nenhuma mentira histórica até hoje permaneceu incólume ou se sustentou indefinidamente ao teste inexorável dos anos.

Cumpre ainda ressaltar que, (coincidência ou não), com a deposição de Teixeira Neto pelas armas, incontinenti colocaram em seu lugar o coronel Cândido do Pavão – compadre, amigo e rendeiro do padre Cícero, o responsável em Aurora pelas imensas terras do Pavão - farta propriedade do sacerdote, que se estendiam por cerca de três léguas de cada lado do rio Salgado. Ato contínuo, um dos mais produtivos celeiros agrícolas destes rincões.

Diga-se de passagem, ainda, que a demarcação das minas do Coxá, foi por assim dizer, o grande palco de estréia através do qual o Dr. Floro Bartolomeu da Costa apareceu pela primeira vez no cenário político do Cariri, pelo menos com o seu incontestável naipe de liderança.

E pelo jeito gostou, seguiu e não desceu jamais.

“A mina do Coxá, podia não conter nenhum cobre, mas fez a fortuna política de Floro Bartolomeu”, assim escreveu Rui Facó na sua obra seminal ‘Cangaceiros e Fanáticos’, por sinal, um dos livros mais emblemáticos e importantes da literatura Nordestina. Diria que leitura obrigatória para quem almeja compreender os sertões e o Nordeste em suas complexidades políticas e sociais.

Cerca de 13 km separam a sede de Aurora das velhas jazidas do Coxá que, por sinal encontram-se ligadas geograficamente, ao Sul com os sítio Antas e o não menos famoso serrote do Diamante, que passou à história como um dos lugares escolhidos por Lampião e seu bando para se esconder e descansar quando das vezes que estiveram no território de Aurora. Todos acoitados e na segurança do coronel Izaías Arruda, Zé Cardoso e Miguel Saraiva. Trata-se do primeiro acampamento antes dos cangaceiros chegarem à fazenda Ipueiras onde se deu toda a trama com vistas à invasão de Mossoró em 1927.

Sem esquecer que daquele riacho, ou seja, do sítio Antas pelo menos quatro cangaceiros/jagunços compuseram o temível bando de Massilon e em seguida, o de Lampião quando da malograda invasão à cidade norte-rio-grandense. A saber: Zé Cocô, José de Lúcio, Antonio Soares e Zé de Roque.

Naquele tempo, tais minas foram denominadas de “Jazida cuprífera Zaíra” numa referência à filha do engenheiro de minas francês, o conde Adolfo Van de Brule(amigo de Floro conhecido na Bahia por volta de 1905) que pela primeira vez ventilou com a possibilidade de haver ouro, cobre e outros minérios naquelas terras distantes de tudo, quase inóspitas do Coxá da Aurora.

E que aliás, fez o velho taumaturgo do Juazeiro acreditar piamente nesta possibilidade. Para tanto, sob a ótica analista do conde Adolfo gastou uma soma significativa na ânsia de ver tal projeto de exploração em pleno curso. Uma investida inglória, como se percebeu ao longo dos anos.Contudo não desistira.

Até que em 1910 quando tudo parecia caminhar para este propósito, um poderoso sindicato francês do ramo de mineração sob os apelos de De Brule enviara por fim um comissão de especialistas. Estava decidido a assumir os negócios das minas do Coxá. O velho padre ficara exultante pelo acontecimento. Parte do pessoal francês já se encontrava na cidade de Milagres nos rumos do serrote quando o pior aconteceu. O chefe do projeto Dr. Frochot acometido de febre amarela terminou falecendo subitamente no Recife onde estava hospedado antes de vir à Aurora.

Uma desgraça. A empreitada se desfez, mesmo antes de começar. Desiludido o padre empreendeu esforços desde então, no sentido de vender o quanto antes o Coxá. Mas foram em vão. Não encontrou nenhum comprador mesmo escrevendo longas missivas de apresentação, até mesmo à exploradores do exterior.

Estava deveras predestinado a morrer com as suas minas.

Como uma maldição, desde o desenlace do decano sacerdote muitas outras disputadas ainda haveriam de se suceder sobre aquelas terras. A paz do Coxá ainda estaria distante, assim como sua completa exploração mineral. As disputas seguiram a partir dos próprios inventariantes, até se chegar a grande peleja(anos depois) entre os Fernandes e os Macambiras que disputavam a posse das furnas na mesma ribeira.

De sorte que ainda hoje, a situação relacionada às minas do Coxá não se encontra completamente bem resolvida. Fragmentada em várias porções de terras e sítios, as antigas minas do Coxá ainda se mantêm tanto nebulosas quanto indefinidas em seus desdobramentos futuros e também atuais.

Rocha encontrada na jazida do Coxá

De maneira tal que, ainda conseguem mexer com os ânimos e a imaginação, não somente dos que se debruçam a estudar sua história, mas inclusive dos que ainda alimentam o antigo sonho de extrair para si todas as riquezas que aquele serrote encerra.

Muito se fala. Pouco se sabe. Nada se faz de concreto.

Volta e meia, no entanto, homens e máquinas da tal CPRM* são vistos rasgando o serrote, em explosões, perfurações e outras ações inusitadas que no mais das vezes não se combinam com a antiga tranquilidade sonora da bela serra. Deixando, ao contrário do passado, um longo rastro de destruição na mata virgem. Infelizmente num dos últimos pedaços do bioma sertanejo, onde a caatinga com sua flora e fauna ainda se encontra relativamente preservada. Algo difícil de se presenciar nos dias atuais em toda a região.

E ninguém sabe nada. Nada se ver, nada se diz, nada se pergunta. Tudo é segredo. Um clássico top secret que se instalou nos sertões destes grotões caririenses.

Tudo é silêncio. Tudo é mistério. Como de mistério é a própria história... E de silêncio e solidão tudo o mais que se relaciona e diz respeito à serra do Coxá em seu itinerário bucólico do mais puro realismo fantástico.

Quem sabe por isso, devotos de “padim Ciço” residentes nos sítios circunvizinhos ao serrote, num esforço conjunto acabam de colocar uma estátua do padre no cume mais alto da serra. Num local de difícil acesso em face dos enormes blocos de pedras e o emaranhado da mata fechada e espinhenta.

Do cume do serrote é possível enxergar toda a região, numa visão privilegiada, em um raio de 360 graus. Uma visão das mais belas e estonteantes do Cariri. Como se estivéssemos todos a estender as mãos e o olhar sobre Aurora e o próprio vale lá embaixo ao lado do velho padre.

Um pouco mais abaixo da estátua já edificada os moradores estão a construir uma capelinha também em sua homenagem. Quem sabe, uma esperança baseada no 'eterno retorno'. Como se todos, num sentimento uníssono e coletivo compartilhassem da ideia de devolvê-lo o quanto antes as suas terras de antigamente.

Portanto, como se percebe, o esquecimento não caberá jamais na rica história das minas do Coxá. Uma história que de tão rica, arrebatadora e instigante, desde muito se confunde com a própria história do Cariri.

Prof. José Cícero

Pesquisador do Cangaço.

Aurora - CE.

FONTE: [http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/.../aurora-padre...](http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/.../aurora-padre...

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domingo, 15 de dezembro de 2024

ALMOCEI COM O GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE JOSÉ AGRIPINO MAIA, E COM TRÊS EX-GOVERNADORES, SEM TER SIDO CONVIDADO ANTES.

 Por José Mendes Pereira



Antes de 1988, para que uma pessoa entrasse como funcionário de qualquer repartição pública, não era necessário ser concursado, bastava ter um "QI - quem indique", ou diretamente com um político, que já estava dentro de uma repartição pública. Era o emprego chamado de "Trem da Alegria", porque todos que ocupavam funções públicas morriam de felicidades, vez que não queimavam os olhos por longas noites estudando, para serem aprovados em concursos públicos.

Em 1983, eu já era formado em letras pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte, nos dias de hoje, UERN, e não sendo diferente dos outros, eu precisava ocupar uma sala de aula pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte,  como professor, e nesse período, eu ainda não tinha um (QI) ou amizade com um político, que me desse uma vaga em qualquer escola de Mossoró.
 

 Delfina R. de Souza, ver.1963-1967. com o ex-governador Tarcísio Maio, já falecido - obaudemacau.com 

Ciente de que se eu não procurasse um meio para entrar na educação, e sabendo que  um dos homens fortes na política do Rio Grande do Norte, Doutor Tarcísio Maia, e que já tinha sido  governador do Estado, domingo sim, domingo não ele estava descansando em sua fazenda, denominada "São João", na localidade Barrinha, peguei minha velha e desmoronada lambreta,

Seu Madruga em sua lambreta - Sou eu, José Mendes Pereira

e abalei-me até lá, confiante que uma solução sobre um emprego poderia ser confirmada por ele, e naquele momento, quem dirigia o Estado como governador, era o seu filho, José Agripino Maia, que fora eleito através das urnas, e com uma grande maioria de votos válidos.
 
Ex-governador do Rio Grande do Norte - José Agripino Maia

Ao chegar, vi que ali eu não iria ter chance nenhuma de falar com ele, porque sob o alpendre da fazenda, uma porção  de pessoas também procurava emprego, mas mesmo assim, resolvi ficar, para ver o que iria acontecer.


Doutor juiz Antonio Mariz, já falecido - www.wscom.com.br

Mas lá se encontrava o Dr. Antonio Mariz, que eu não tenho certeza se era irmão ou primo do Dr. Tarcísio Maia, e que havia sido governador da Paraíba, chamou-me para ajudá-lo, tirar uma carroça que estava atrapalhando a entrada para a casa da fazenda. 

Mesmo ele sendo ilustre, equilibrou o peso comigo, e em seguida convidou-me para olhar um plantio de capim. No percurso ele me perguntou de quem eu era filho, onde eu morava, onde os meus pais moravam, e ali eu fiquei respondendo todas, e quando eu disse que os meus pais moravam na Barrinha, ele disse: 

- Você mora aqui na Barrinha?

Meus pais moram na Barrinha, mas sendo esta da família Duarte. - Eu o respondi. 

Ele fez: 

- Ah, sim, Barrinha do Dr. Duarte Filho,  é? 

https://www.flickr.com/photos/oliveiraecruz/14168073971

A partir disto, fui bem tratado. Pelo o que eu vi, o Dr. Antonio Mariz gostava de músicas eruditas. Foi até a radiola, colocou um disco, e lá ficou ouvindo aquelas músicas chocas, que para ele, sem dúvida, eram as melhores.

Ex-governador do Rio Grande do Norte  Lavoisier Maia, já falecido  - salomaodemedeiros.blogspot.com

Nesse dia, além das pessoas que procuravam empregos, tinha vários políticos na fazenda, sendo eles: Lavoisier Maia, que pouco menos de três meses entregara o poder ao governador eleito, o  José Agripino Maia, filho de Tarcísio Maia.

Canindé Queiroz - Jornalista, já falecido. - www.kareninefernandes.con

Mais o jornalista Canindé Queiroz, que além de colunista, era também diretor e proprietário do jornal "Gazeta do Oeste", com sede na cidade de Mossoró, e da Rádio Gazeta do Oeste, que funciona em Areia Branca. 

https://defato.com/mossoro/114062/uern-inicia-semestre-20241-nesta-segunda-feira-para-cerca-de-85-mil-discentes

Apesar de formado em Economia pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), hoje Uern, e em Direito na cidade de Sousa, interior paraibano a grande paixão profissional foi o jornalismo. O sonho começou a ser idealizado com a formação da Astecam e foi consolidado em 30 de abril de 1977 (três anos depois da Astecam), com a fundação da GAZETA DO OESTE, um jornal inicialmente semanal que se tornou referência para o jornalismo do interior potiguar.

https://www.google.com

Aqui, apenas uma pequena explicação sobre a minha  participação no Jornal "Gazeta do Oeste", que antes da sua fundação, era "ASTECAM"; e como gráfico da Editora Comercial S/A., durante 12 anos, fiz algumas vezes, linotipicamente, horas extras noturnas  em seu jornal "Gazeta do Oeste" -  já extinto.
 

Erivan França

E ainda o  Jornalista Erivan França, que fora secretário da comissão do Vale do São Francisco, chefe do gabinete do Instituto Nacional do Sal e autor do primeiro Plano de Assistência Social aos trabalhadores das salinas, e em 1961, foi Deputado Federal, tendo o mandato cassado em janeiro de 1969. 

Ex-governador do RN, Aluízio Alves - https://blogcarlossantos.com.br/os-99-anos-de-aluizio-alves/

Em 1961, foi interventor do Departamento Estadual de Imprensa no Governo Aluízio Alves. Dentre as múltiplas funções de homem público que lutou em prol do progresso e da democratização do país e do Rio Grande do Norte, ajudou a organizar o Diretório Regional do PDT em 1980 e foi agraciado com o mérito profissional pela Associação Brasileira de Imprensa e medalha de mérito forense por relevantes serviços prestados à justiça do país. (http://erivanfranca789.blogspot.com.br). 

Mas ali, naquele momento, o mais importante mesmo, era o governador do Rio Grande Norte, o José Agripino Maia, que  sabia o que deveria fazer, contratar ou não, funcionários durante os seus quatro anos  de governo. E além destes, muitos outros políticos que eu não sabia os seus nomes.

Todos estavam participando de uma reunião política na própria fazenda São João, e assim que terminou, Dr. Tarcísio Maia deu início atendendo as solicitações dos que procuravam empregos.

A minha ficha era o número 8, mas quando estava próximo a minha vez, de falar com ele, afastei-me, no intuito de ficar por último, porque quem não estivesse presente, ficaria por último. E assim idealizei de perder a chamada e ser o ultimo.

Logo que ele terminou de falar com o penúltimo aí, sim, eu entrei. Dr. Tarcísio me fez várias perguntas, qual o curso eu tinha terminado, se eu era mossoroense, qual escola eu gostaria de trabalhar, caso surgisse um vaga, se eu já tinha entregue o meu currículo lá no Nure - Núcleo Regional da Educação, nos dias de hoje - DIRED, à diretora Zilda Maria Cabral Freire Costa. Fez-me uma porção de perguntas, eu ficando de levar o currículo e entregar nas mãos da diretora.

Zilda Maria Cabral Freire Costa

Naquele momento, não tinha mais ninguém, os desempregados já haviam ido embora. Mas  assim que eu sai da sua sala, fui de encontro à lambreta, para vir embora. Ao ver que eu estava me montando nela, ele gritou: 

- José, para onde vai? 

- Eu vou embora, Dr. Tarcísio. - Respondi. 

- Não vá embora. Vamos almoçar conosco. - Dizia ele caminhando em minha direção. 

- Quem sou eu Dr, para almoçar diante de tanta gente importante? 

- Conversa rapaz, vamos logo! Desça do transportinho e caminhe lá para sala. O almoço já vai sair. 

Mesmo acanhado, desci da lambreta e caminhei em direção à sala, que sobre a mesa, tinha alimentos que, em toda minha vida, eu jamais tinha os  vistos. E aos poucos, os políticos foram rodeando a mesa, e deram início ao almoço. A princípio, eu estava muito acanhado. Mas com a continuação do almoço, desisti do acanhamento, porque todos almoçavam no meio de tantos assuntos políticos. 

Minhas Simples Histórias 

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte: 

http://minhasimpleshistorias.blogspot.com

Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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PADRE FÁBIO DE MELO SE DIZ PERSEGUIDO

Repostado por José Mendes Pereira

https://blogdoinhare.blogspot.com/2024/12/padre-fabio-de-melo-se-diz-perseguido.html

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A MORTE DE MANÉ MORENO, ÁUREA E CRAVO ROXO NO COMBATE DO POÇO DA VOLTA

Por José Mendes Pereira

O primeiro livro que li sobre cangaço foi "Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico", do famoso Alcino Alves Costa, e este, me foi indicado e emprestado pelo bancário e pesquisador do cangaço Chagas Nascimento, natural de Porto do Mangue, no Rio Grande do Norte, mas radicado por muitos anos em Mossoró. 

E o primeiro blog sobre este tema foi o Cariri Cangaço, do pesquisador Manoel Severo, e logo o Lampião Aceso do Kiko Monteiro, ambos indicados pelo Chagas Nascimento. Mas depois vieram outros, como o Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros, seguido do blog do escritor João de Sousa Lima, e o aparecimento do pesquisador Kydelmir Dantas e outros, e assim, tomei gosto ao tema, não tendo muito domínio, mas já tenho boas informações sobre ele registradas nas minhas páginas sociais e gravadas na minha mente.

O escritor Alcino Alves Costa diz no seu famoso livro que após ter assassinado o vaqueiro Antônio Canela nos Camarões, o cangaceiro Mané Moreno com o seu poderoso bando de marginais, tomam rumo ao Porto da Folha. Com o grupo está um jovem chamado Chiquinho de Aninha, sendo que este serviu para trazer os animais de volta que os cangaceiros levaram consigo.

O bando faz parada em Jaramataia para descansar, e naquela localidade, trabalha um senhor conhecido por Pedro Miguel sendo este pai do futuro cangaceiro Elétrico. A presença do grupo de cangaceiros ali, deixa Pedro Miguel chateado, e resolve procurar o proprietário da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia" o afamado e perverso capitão Lampião, e faz sua queixa contra aqueles malfeitores, e dele recebe apoio, prometendo-lhe que os cangaceiros não iriam mais atanazar-lo.

Mas mesmo assim, o cangaceiro aparece com os seus comandados, talvez ainda não tinha sido encontrado pelo capitão para proibir a sua visita naquela região. E lá, permaneceu com os seus homens por alguns dias, e depois foram para Porto da Volta, na intenção de passarem o São João por lá.

O comandante de volante policial Odilon Flor está na região à procura de cangaceiros, e conversa com Pedro Miguel sobre paradeiros de malfeitores, e ele informa que os cangaceiros estão no Poço da Volta.

Nessa região um riacho passa entre Poço da Volta e Palestina. É na fazenda Palestina que está havendo um baile, e lá, os bandidos estão na maior farra, bebendo e dançando. Mané Moreno rodopia no salão com a sua amada Áurea; os outros aconchegam às mulheres, que não faltam no momento. A bebida é franca.

Na calada da noite e escura, Odilon Flor vem chegando ao forró. Ao longe, ele ouve os gritos dos festeiros, o fole ronca e demais instrumentos fazem a algazarra, divertindo os dançarinos, festa na base do candeeiro, que a luz avermelhada, faz com que a volante descubra o local do forró. A noite está mais para volante do que para cangaceiros. Os malfeitores brincam despreocupados, e a morte está por ali, só observa e imagina qual será a melhor maneira de ataque.

E sem muita dificuldade, a volante se aproxima, e de imediato coloca-se em posição de extermínio ao grupo. Escolhido o primeiro alvo, o casal de cangaceiros Mané Moreno e sua querida, caem já sem vida. Os festeiros gritam em pânico e correm sem direção. Todos queriam sair o mais rápido possível daquele inferno.

O cangaceiro Gorgulho, mesmo com a perna quebrada, consegue furar o cerco dos policiais, e se salva, e aos poucos, se arrastando, desaparece na escuridão da noite, sem nenhuma perseguição policial contra ele.

Segundo o escritor Alcino Alves Costa os escritos afirmam que Gorgulho foi morto neste combate, mas na verdade, quem foi assassinado foi o cangaceiro Cravo Roxo. Gorgulho foi se tratar nos altos do Cajueiro, onde recebeu a ajuda de Lisboa, um dos irmãos Félix. Quando se recuperou, deixou o cangaço e foi embora para a sua terra Salgado do Melão

Segundo a fonte "Lampião Além da Versão..." a cabeça do meio não é a de Gorgulho. É a de Cravo Roxo. Foto extraída do livro "Lampião entre a Espada e a Lei" Autor Sérgio Augusto de Souza Dantas

A vitória do policial Odilon Flor e seus comandados foi muito valiosa, agora era só tomar para si os pertences dos cangaceiros Mané Moreno, Cravo Roxo e Áurea.

O facínora Mané Moreno era primo legítimo dos cangaceiros Zé Baiano e Zé Sereno. Zé Sereno era primo carnal de Zé Baiano.

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CANGAÇO: MANÉ MORENO ELIMINA TONHO CANELA

 Por Fatos na História - Cangaço e Nordeste

https://www.youtube.com/watch?v=PzCadcnU-fo

Narrativa sobre a eliminação de Tonho Canela, pelo cangaceiro Mané Moreno. Referências:
𝑻𝑶𝑵𝑯𝑶 𝑪𝑨𝑵𝑬𝑳𝑨 𝑬 𝑴𝑨𝑵𝑬́ 𝑴𝑶𝑹𝑬𝑵𝑶 - Por Jaozin Jaaozinn - Via Grupo "Lampião, Cangaço e Nordeste"
𝐹𝑂𝑁𝑇𝐸𝑆: 𝐶𝑎𝑟𝑖𝑟𝑖 𝐶𝑎𝑛𝑔𝑎𝑐̧𝑜 𝑃𝑜𝑐̧𝑜 𝑅𝑒𝑑𝑜𝑛𝑑𝑜, 𝑅𝑜𝑡𝑒𝑖𝑟𝑜 𝐻𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑒 𝐴𝑛𝑜𝑡𝑎𝑐̧𝑜̃𝑒𝑠 - 𝑀𝑎𝑛𝑜𝑒𝑙 𝐵𝑒𝑙𝑎𝑟𝑚𝑖𝑛𝑜 𝑒 𝑅𝑎𝑛𝑔𝑒𝑙 𝐴𝑙𝑣𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝐶𝑜𝑠𝑡𝑎; 𝐿𝑎𝑚𝑝𝑖𝑎̃𝑜 𝐴𝑙𝑒́𝑚 𝑑𝑎 𝑉𝑒𝑟𝑠𝑎̃𝑜: 𝑀𝑒𝑛𝑡𝑖𝑟𝑎𝑠 𝑒 𝑀𝑖𝑠𝑡𝑒́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝐴𝑛𝑔𝑖𝑐𝑜 - 𝐴𝑙𝑐𝑖𝑛𝑜 𝐴𝑙𝑣𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝐶𝑜𝑠𝑡𝑎; 𝐵𝑙𝑜𝑔 𝑑𝑜 𝑀𝑒𝑛𝑑𝑒𝑠.

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CANGACEIRO DE CORISCO "TIRANIA".

 Por Robério Santos

Cangaceiro de Corisco que virou volante: Tirania. Morreu em 2008 em Pão de Açúcar-AL. Tá enterrado lá. Foto de Frederico Pernambucano de Mello.

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O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO - TVE EDUCATIVA

 Por Cangaço em Foco

https://www.youtube.com/watch?v=Ro053bVeSeE

O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO. TVE EDUCATIVA ( Documentário). #ceará #mariabonita #cangaceiro #cariri #shorts #historia #lampião #nordeste #sertão

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sábado, 14 de dezembro de 2024

A DANAÇÃO EM NAZARÉ DO PICO

 O casamento de Licor (prima de Lampião)

Transcrição da Obra do Padre Fredercio Bezerra Maciel, por Raul Meneleu.

No arruado de Nazaré nos idos de 1923, era o cochicho entre os moradores, esse casamento e a vinda de Lampião para assistir esse evento. Contava Nazaré com uma capela, vinte e sete edificações ( casas, casebres e quartos) alinhadas em uma única rua, sendo doze do lado do riacho Ipueiras, dez no riacho Carqueja e cinco ao sul, de frente para a capela. Era assunto palpitante e preocupante.

 Nazaré do Pico em 1967

Como em todo lugar que junte gente, tinha ali naquela pequena povoação o ponto certo pra se ouvir as "urtimas" e esse é claro, era a barbearia de Manuel Flor que segundo o Padre Frederico, era o local onde "aviciados em conversas de toda versidade" reuniam-se para "sortar as premeras do dia".

- "Tem muita volante esgravetando esse sertão brabo na persiga de Lampião!"

E citavam seus comandantes, homens de têmpera de aço, a perseguir o famoso cangaceiro e seu bando.

- "Mas Lampião diz que gosta que persigam ele e açula pra briga de vera. O cabra é da peste!"

- "Nunca mais fartou volante aqui. É uma atrás da outra."

- "Inté se espera uma no casamento de Licô."

- E Lampião num vem mermo pru casamento da prima!"

- "Danega! Já tou vendo: vai ser bala quiném os trinta!"

Rapazes e meninotes não davam palpite. Apenas ouviam, aperuando.

Depois do banho de cuia no fim das lidas do dia, cheirando a folha de mato novo, ao mesmo tempo mesmo tempo que preparavam a ceia de coalhada adoçada com rapadura raspada, pão de milho e café, três cabrochas bisbilhoteiras tagarelavam:

— "Visse o vestido de Licô como está dolero?
— "Os apreparo da festa são grande mesmo!"
— "Pie só: sabe quem vem pra festa?
— "Lampião!"
— "Ele e os menino. Tem cada um da pontinha!..."
— "Eu acho Juriti e Antônio Rosa os mais bonito".
— "Dextá, o mais bonito é Lampião!"
— "Ah! isso é", — confirmaram as outras duas a uma só voz.
— "Açoita os mais todos!"
 
O noivo Enoque e Maria Licor
Acervo Lampião Aceso

Sá Leopoldina, cabocla escura e franzina, a cabeça enrolada com um regô, dona do único hotel local, resumido a uma latada, coberta de mato, em frente do chalezinho de taipa onde vivia. Servindo almoço a dois fregueses de passagem para o vilarejo de Santa Maria, comentava se rindo toda:

— "Lampião tem o coração muito bom para as fraqueza dos pobre. Inté ajuda com dinheiro e de-comer. Toda a vez que aparece pruraqui, compra muito pano nas loja de seu Zé Tiburtino, de seu Quinca e de seu Gominho e dá a pobreza. As irmãs de Mané Neto recebero bastante vestido".

Enquanto eram fritados os mandins que pescara num poço do riacho Ipueiras e aguardava os aficionados do jogo de que era aviciado, Raimundo do Pico, sentado num tamborete na calçada de sua casa e muito ancho na sua sanfona de oito baixos, tocava "Mulher Rendeira", dizendo para os passantes: — "Gosto dela! Foi Lampião que fez os verso e a musga se alembrando de sua avó, a Tia Jacosa, que criou ele e era rendeira. ."
O casamento de Licor foi o momento culminante do rompimento definitivo, que aos poucos vinha se processando, em desde 1919, através de tranças e atritos frequentes, entre os Ferreiras e nazarenos.

Maria Licor Ferreira de Lima, simplesmente Licor, era prima legítima de Lampião, cujas mães eram irmãs. Sabedor de seu casamento, chegou Lampião no dia marcado para sua realização, a 31 de julho de 1923. Ao sol ardente e faiscante do meio dia, penetraram, inesperadamente, na povoação, dezesseis cangaceiros na ativa, sob o comando de seu garboso e elegante chefe, Lampião.

Além de seus irmãos Antônio e Livino, tinha Meia Noite, Juriti I e seu irmão Batista, Manuel Tubiba, Chá Preto, o corneteiro Firmo, Caixa de Fósforo, Piloto... Antes, arredadas duas léguas para trás, deixara estrategicamente Lampião, perto da serra do Pico, na fazenda Enforcado, de seu amigo Pedro de Engrácia, um grupo tático de reserva: oito cangaceiros sob o mando de um cabra macho, Antônio Rosa.

Entre as armas, portavam os cangaceiros rifles papo amarelo e cruzeta, exceção de Lampião e de Chá Preto que conduziam mosquetões. Traziam, também, alguns chicotes de fio cortado da linha telegráfica.


O primo famoso em foto de 1922
Foto de Genésio Gonçalves

Postadas sentinelas em cada esquina da rua, espalharam-se os demais pelas casas, indo logo beber truaca e zinebra "Gato" nas vendas de João Ferreira e Enoque de Sá Menezes. Surpreendida, assustou-se a população. De logo correram boatos: que Lampião tinha vindo para ajustar contas... tirar forra de questões passadas... aquelas Peias eram para dar pisas...

O povo todo sabia que não era coisa do gosto de Lampião aquele casamento de sua prima com Enoque, um sujeito calabar, suspeito de informante à polícia dos movimentos do seu grupo. O destacamento policial local, de seis praças sob o comando do cabo João Cabecinha, cujo quartel era a casa-da-rua cedida por seu dono, Gomes, havia sido retirado pelo delegado de Floresta.

Certo de mesmo, a propalada vinda de forças volantes para aqueles dias.

Cerca das duas da tarde. Pela estrada, vindo de Vila Bela, chegara, com seis horas de viagem, o vigário da freguezia, Padre José Kehrle, ou somente Padre José, mais por simplificação do falar do que pela dificuldade da pronúncia do sobrenome alemão.

Montava a cavalo, guarda-pó branco revestindo-lhe a batina preta e grande chapéu de palha na cabeça e ensombrando-lhe o rosto vermelhão, onde pespegadas as duas bolas azuis de seus olhos buliçosos e vivos.

Lampião tocando na sanfona de Raimundo do Pico, debaixo da latada da feira no meio da rua. Os cabras por todos os lados. Com a chegada de seu vigário, os cangaceiros, nos seus alegramentos, soltaram foguetes, salvando seu estimado amigo e conselheiro. Com os papocos, o animal espantou-se muito, quase Derrubando o reverendo cavaleiro no chão.

Um dos cabras, porém, dominou a montada, segurando fortemente as rédeas abaixo da brida. Os outros se aproximaram, e pedindo a bença beijavam a mão do padre, que os abençoava e retribuía os cumprimentos, satisfeito e agradecido.

Costumava o bom vigário, nas desobrigas mensais em Nazaré, hospedar-se na casa de Antônio Gomes Jurubeba, ou simplesmente Gomes. Mas, este, logo da chegada dos cangaceiros, fugiu para sua fazenda, deixando a casa trancada. Ficou assim desarvorado o vigário, no meio da rua, por um momento sem a ter para onde ir. Não teve dúvidas João Ferreira, acolhendo-o, imediatamente e de muito gosto, em sua residência. atitude insólita de Gomes, taxada de "ignorância", porque não tirava as coisas por menos, e censurada até por amigos e parentes como "afrontosa" ao padre, acirrou ainda mais os ânimos desconfiados, arredios, prevenidos e recalcados de toda 'aquela gente. Aceso assim o estopim de uma explosão preparada e prestes a rebentar em consequências irreversíveis.

Confiado no apoio e no respeito que o vigário imprimia com sua presença na terra, Alfredo Ferreira de Lima, irmão da noiva, sentindo o ambiente tenso reinante, fora ter com Lampião, fazendo-lhe ver que não ficava bem, num dia de festa como aquele, a sua vinda com o bando assim solto, acintosamente armado, e, às bicadas em desde que chegaram.

Meio agastado, Lampião olhou-o a fito com olhar desafiador e o dedo nas fuças do primo:

— "Deixe de bestage! Eu sóstou você acolhendo bandido de gravata, bandido encapado..." Referia-se a certas autoridades que faziam muito pior do que os cangaceiros.

E, ainda puando: — "Nós também somos gente, podemos participar da festa". Nesse momento oportuno apareceu um homem de muito preceito e respeitado, Cândido Ferreira que, auxiliado pelo Padre José, pôs termo àquela discussão e convidou Lampião a ir à sua casa.

Na residência de Cândido começou Lampião a puxar o fole. Os cabras dançando com as moças... muita alegria... Cândido, de sobrosso, reclamou essa dança a modo de não se comprometer depois com as autoridades embuanceiras. Lampião, compreensivo e sem dizer nada, guardou a sanfona. Porém, seu irmão Livino, enticado com a atitude do tio estragando aquela gostosa e singela brincadeira, ficou com a goitana e disgranido ameaçou: — "Pois aqui ninguém dança mais, senão tudo se acabal..." Deu de mão de sua mausa e levantando-a para o alto, sortiu a sala com gritos repetidos: "... se acaba Nazaré!" E mais: — "Não tou esquecido da cicatriz no ombro! Quero todos os rifles de todo mundo agora, aqui, senão boto fogo nas propriedades".

Foi um tendéu danado... Padre José conseguiu a custo amoitar o ânimo exaltado dele, sob promessa de que não haveria dança. E aproveitou o ensejo para mandar os noivos se aprontarem logo.

Esperava Livino pelo tocador, Luís, de Andréza, gente de Zé Saturnino, contratado para a festa dos noivos. — "Quero dar uma pisa nele e rasgar a harmônica". Mas o tocador, sabendo em caminho, da presença de Lampião, no casamento, deixara-se, escabreado, ficar na fazenda Zé Dias, de Chico Flor, onde estava homiziado Luís Soriano, e dali mesmo se esgueirou, sumindo-se, que não era besta, não.

O cortejo

Às quatro horas da tarde, saiu o préstito nupcial para a igrejola, com muitos convidados fazendo par, braço dado, exibindo-a lordeza matuta e ladeados de alguns cangaceiros, respeitosos, chapéus na mão.

Nessa ocasião apareceu Davi Jurubeba com estranha idéia, que depois se deu o nome, mais estranho ainda, de "conspiração". Vendo os nazarenos perdidos, Davi teve a idéia de convidar Manuel e Euclides Flor para escolherem tantos nazarenos quantos dessem para cada um se encarregar de matar um cangaceiro. Os cangaceiros não estavam juntos, mas espalhados pelas casas de Cândido Ferreira, D. Joaninha Ferreira, João Ferreira, Anízia da Ipueira... o que facilitaria o "serviço". Essa "opinião de doído" teve imediata repulsa de João Flor: — ".É, vocês faz isto e eu vou morrer?» Significando que não dava certo e temia por sua sorte.

 Davi Jurubeba em 1978
Acervo Lampião Aceso

A noiva, como sempre, objeto máximo das atenções. Vestida de branco vuale suíço, comprido véu descendo da grinalda — um primor de capela com arranjos de flores de laranjeira de seda branca e botões de goma —, enfim toda linda, distribuindo sorrisos, uma graça de brejeirice... Na passagem do acompanhamento por frente da casa de Cândido, os que estavam sentados em cadeiras na calçada se levantaram, mas Antônio Ferreira ostensivamente virou as costas. Além de não simpatizar com o noivo, suspeito de falso e denunciante, curtia ele paixão arrecolhida, de penar e de tristeza, pela noiva, com quem, outrora, antes do cangaço, apiançava casar-se.

Após o casamento, a fim de desanuviar o ambiente, combinaram os parentes da noiva botar mesa, na casa dela própria, onde os cangaceiros, de apetite aceso, se serviriam juntamente com o Padre José. Durante a janta, tendo Lampião sentado a seu lado, o Padre José, que lhe tinha amizade e muito o admirava, persistente aconselhava: — "Deixe essa vida. Você não é para estar nesse bando. Você .não é ovelha negra, desgarrada..." — "Num tem jeito, não — respondia Lampião. Num quiseram assim? Mataram meus pais. Desmantelaram minha família e negócios. Querem me matar também. Vou até o fim... Ë o meu destino!"

A contrafesta

Terminada a janta, que foi lauta e de tudo o que o prato sertanejo dispõe, aos insistentes pedidos de seus tios Cândido e João, e de sua tia D. Joaninha, foi Lampião, com os seus, fazer arranchação na fazenda do velho preto Antônio do Campo Alegre, obra de menos de quinhentas braças do povoado, do outro lado do Ipueiras.

O bando passou a noite na casa de Sebastião Eusébio onde Livino, ferido, se refugiara, em 1919. À luz amarelenta e vacilante de cuviteiros fumacentos, uns Jogando bozó, outros dançando com cabrochas vindas da rua, outros versejando cantigas no improviso, a sanfona sempre roncando...

Aproveitando a ida de Lampião com seu grupo para Campo Alegre, saíram os nazarenos, nas caladas da noite, para se armarem. Entre eles, Davi Jurubeba, Manuel e Euclides Flor, Gomes Jurubeba, Manuel e Pedro Gomes... aos quais se juntaram Mais outros, ao amanhecer, num total de quinze. Intencionavam cedinho ocupar a 'dia e esperar pelos cangaceiros, mas acharam que eles, os nazarenos, eram "poucos".

Aos acordes animantes da "Mulher Rendeira", foi repisada com ovações a quadra sarcástica:
 "Os cabras de Nazaré
        Chorava que faz horror
             Com pena das muié
                 Que Lampião carregou".
O vilarejo, porém, afogado dentro duma noite desalegrada e de cruviana... Nenhum pé de pessoa na rua. Apenas o grugunhado de gente na casa da noiva, sob a luz dos pavios espevitados das placas.

O Carreiro de Santiago luminando lá na escurideza do infinito...
Cantos de galos tristes rasgando pela madrugada o silêncio da natureza...
No oco de um pau seco, caburés, frientos e arrepiados, piando, agoirentos... De vez em vez, e isto até o quebrar da barra, em revezo contínuo, chegava a Nazaré um cangaceiro.
Encontrando-se com dois deles, perguntou Cândido:

— "Que é que vocês estão fazendo aqui?"
— "A gente — repostou um deles — está jogando lá, e passa uma pessoa e diz: — "Vamos pra rua?" e a gente vai..." Mentira, a modo de ocultar que estavam boscando, inteirando se havia dança.

A Missa

Quando foi o rasgar do dia seguinte, 1° de agosto, chegaram mais dois cangaceiros na rua e foram logo se justificando diante de Cândido, atento a seus movimentos:

— "Passemos a noite inteira sonhando uma voz que mandava a gente ir pra Missa. A gente, também, é cristão, ninguém é cão, não".

A pouco e pouco os outros foram chegando até se completarem os dezesseis.

Da calçada da capela, adonde desarriaram o equipamento, ensarilhando as armas, em cujo entrançamento das bocas se dependuravam as cartucheiras, deitados no chão os bornais refertos e cobertos pelos chapéus de couro, os dezesseis assistiam, com toda a fé e respeito, à Missa, que foi cedo, às 7,00; porque seu vigário estava vexado, tinha de ir logo simbora. A pequena igreja estava dura de gente atochada. Gente do arruado e de toda a redondeza. O canto do Oficio da Imaculada Conceição se arrastava, dominantemente por vozes femininas, quiném querendo não chegar ao fim, numa latomia dolente característica da sofrida alma sertaneja:
— "Dai pressa Senhora
           Em favor do mundo,
                Pois vos reconhece
                     Como defensora".
Para sua breve prática, o padre tomou por tema o profeta Jeremias (17,8): — "O coração do homem é dissimulado e perverso". Depois da Missa, os cangaceiros retomaram o equipamento. maioria saiu para fazer restos de compras. — "Tudo correu bem, na santa paz, graças a Deus!" — dizia o vigário, a satisfação sublinhada nas faces cheias com um sorriso.

O segundo fogo

Lampião, com alguns, apenas aguardava, antes de partir, que o padre terminasse uns batizados a fim de se despedir e receber a bença dele. Nesse quando, coincidiu ser Lampião informado pelas sentinelas e ouvir, ao mesmo tempo, de alguém se aproximando:

— "Vigie! Que cumandita de gente, lá longe, na estrada! Será que vêm pra feira?"

Lampião, de detrás da casa de João Ferreira, mão em pala sobre a testa, buscando acomodar a vista, exclamou alteando as sobrancelhas.
— "É macaco!"

A disgraceira estava feita!

Nunca houve tanta gritaiage e correria do povo, que se esbandaiava por todos os lados, doidamente... Lampião, agindo com rapidez e eficiência, sempre se revelando autêntico comandante inteligente e seguro, imprimindo assim confiança aos seus, imediatamente apitou chamando seu pessoal.

Antônio Ferreira, com outros, estava na barbearia cortando o cabelo e fazendo a barba. Ajuntou, em menos de um sufragante, os homens diante de Lampião, que, calmo e firme, tracejou, com técnica, o cinturão defensivo, estabelecendo os pontos de operação fora da rua e dentro das casas e muros, distribuindo os piquetes de defesa, instruindo para não se perder munição à toa, sem objetivo.

Depois, pegou de um cavalo pombo-seleiro, ali amarrado no pé da quixabeira plantada mesmo defronte da casa de João Ferreira e pertencente a um amigo, e enviou nele um positivo, que num átimo avoou o corpo em cima da sela, para ver Antônio Rosa, no Enforcado, com instrução de dar uma retaguarda, para o que deveria tomar o caminho do outro lado, descendo pela margem direita do riacho da Ema.

De suas posições de combate dentro dos muros das casas, os cangaceiros furavam buracos enviezados na parede, formando assim "torneiras", onde enfiavam o cano dos rifles para atirar.

Livino Ferreira, esse esconjurado do medo, entrincheirou-se na casa de D. Anízia, mesmo em cima do fogo! A volante de mais de trinta praças, sob o comando do sargento Bento Senhorzinho Alencar, vinda em diligência da zona de Pajeú, fora notada logo ao irromper, em fila indiana, a sudoeste.

Ao topar com o riacho Carqueja, parte da soldadesca foi logo se entrincheirando ao longo das ribanceiras barrentas; outra parte vadeiou o leito seco e arenoso do mesmo riacho tomando posição de ataque pelo lado sul, agachando-se por trás da amontoeira de pedra do pequeno serrote que mirava de soslaio; a entrada da rua.

O cabo Manuel Amaro, nutrido na peba* e no gosto de contar pabulagem, temeramente se achegou mais para frente dessa linha de ataque, amalocando-se atrás de uma grande pedra arredondada.

* Cachaça. A denominada "peba" ou "rinchona" é fabricada no sertão e nos agrestes por processo sintético: mistura de álcool, açúcar preto e água. O açúcar preto era o de torrão, de forma, de bangué, o chamado pão-de-açúcar. Em sua substituição. usava-se o açúcar sumeno, mascavo ou demerara, cristalizado e de cor amarelo-queimado. O preparo dessa cachaça se faz em tachos. É, portanto, urna aguardente ordinária, ou cachaça. Um de seus sinônimos: "lasca-peito". Na zona canavieira da "Mata" ou do "Sul", a aguardente é extraída da cana-de,' açúcar ou do mel de cabaú, melaço ou mel de furo (escorrido do açúcar preto por, um furo no depósito). destilada em alambique (raro o de barro). A primeira destilada chama-se aguardente "de cabeça" a média, aguardente "boa"; a terceira, restante, fraca de teor alcoólico, mais água que álcool, denomina-se "caxixi".

Por volta das nove horas, rompeu o tiroteio e prosseguiu, cerrado e violento, trancando o mundo... Bonito que fazia gosto a fuzilaria seca no estrondo dos mosquetões e os estampidos fofos dos rifles! Vez por outra parava. Parecia que tinha acabado. As mu-lheres, dentro de casa suspiravam de alívio. Mas, era só um arejo de momentos, nas mudanças dos combatentes para melhores posições. Em seguida, recomeçava intenso, danasco, em rajadas tatalantes, debaixo de palavrões e insultos, o sangue cada vez mais esquentando.



Partido do meio da rua, ouvia-se o toque guerreiro da "Mulher Rendeira". Era Lampião, nos intervalos em que dirigia a luta e atirava também, com sua sanfona animando os cabras. Os nazarenos, conluiados por João Flor, aproveitaram a oportunidade para se levantarem em armas contra Lampião. Lá para as dez horas, articularam-se com a polícia, entrincheirando-se por trás da cerca de pau-a-pique do cercado da fazenda Campo Alegre, do lado de cá do Ipueiras.

Eram uns quinze homens armados, entre os quais João Flor com seus filhos Euclides e Manuel, os dois irmãos João Domingos e Luís Soriano, Pedro Gomes que portava pistola máuser FN, dois rapazes de fora e Gomes Jurubeba com o pessoal que trouxera para isto de sua fazenda Jenipapo.

Davi Jurubeba, que viera de mãos abanando, armou-se com o fuzil de Zé Preto, o único "aspençada" da volante. Este, chega ia que ia, todo entusiasmado, se protegendo por trás de uma quixabeira.

Divulgando-o, Lampião avisou a Chá Preto que combatia de dentro da barbearia. Atirando de ponto, com seguridade, Chá Preto gritou: — "Lá vai macaco da gota!" Atingindo-o no braço e avoando-o contrafeito de dor, fora de combate. O cangaceiro largou desadorada risadona de mangação. A polícia e os paisanos estabeleceram verdadeiro bolsão ou semi-cerco ao tomarem posições no flanco sul e parte do Poente e em toda a linha do flanco nascente.

Na Igreja

Desde o início do tumulto provocado pelo alarme, o padre José mandou fechar imediatamente as portas da capela pelo sacristão, Zé Rufino, o qual em seguida escapuliu, fugindo montado num cavalo em osso, em disparada louca, numa toada só, até esbarrar, cinco léguas adiante, na fazenda São Miguel.

O padre amparou-se na parede entre as duas portas da entrada. E mandou as pessoas, que ficaram dentro, deitarem-se no chão da nave. Passou o vigário o tempo todo suando, nervoso e pálido, com o rosário na mão, rezando por suas ovelhas desavindas. Poucos balaços alcançaram as paredes externas da capela. Quase meio-dia. A luta, com bem quatro horas de duração, continuava indecisa.

Lampião falou com Cândido para abrir um buraco na parede da casa dele a modo de estabelecer uma passagem para a casa de D. Joaninha. Cândido discordou e, aperriado com a insistência do sobrinho, foi tirar o padre da capela, assim mesmo, debaixo de todo o tiroteio, e levá-lo para a casa de João Ferreira.

A retirada
Ali, na casa do irmão, com muito pedido e imploração, obteve Cândido, com a ajuda do padre, que o opinioso Lampião se decidisse retirar da localidade, principalmente em atenção a seu vigário, que não podia ficar prejudicado diante de compromissos inadiáveis em Vila Bela.

Antes, porém, de se afastar, gritou Lampião para os adversários:

— "Cambada de macaco! Covardes! Vou sair, não por covardia, mas atendendo ao pedido de meus dois grandes amigos, Padre José e tio Cândido Ferreira".

Enquanto, a um sinal seu — a pistola descarregada ininterruptamente — ia se reunindo o grupo em frente à casa de João Ferreira, coincidiu, de novo, as sentinelas lhe avisarem o irrompimento de outra força, que avançava pelo flanco norte, podendo dar ataque de retaguarda e fechar o grupo em perigosíssmo cerco.
Era uma volante de mais de trinta praças, sob o comando do sargento João Francisco, de alcunha João Fininho, vinda das bandas de Vila Bela e, como a primeira, a chamado do próprio Enoque, o noivo, em carta secreta ao então ao comandante da polícia, ten.-cel. João Nunes.

Lampião compreendendo as posições inimigas, agora envolventes, com superioridade numérica e bélica, e temendo o esgotarnento de sua munição, ordenou impetuosa esfuziada, modo de, atarantando o inimigo e aproveitando o fumaceiro, - a retirada ficar facilitada e garantida.

"Cumpadre, foi tanto papoco no oco do mundo que -nunca vi! — o panavueiro cobriu tudo! Maldei que tinha chega o fim do mundo!..."

Pelo caminho, à tangente, lançado do oitão direito da capela, os cabras, todos ilesos, se retiraram, aos xingos e pilhérias, agachando-se e rebolando, correndo e sempre atirando.

Cruzaram o valado seco do riacho, subiram pela margem direita, mais adiante se encontrando com o grupo de Antônio Rosa, vindo à toda para o contra-ataque. Mas era tarde. Empalhara-se ele com a aproximação da segunda volante, que o aturdira, ficando sem saber que rumo tomar. E embrenharam-se todos os cangaceiros na caatinga...

A danação

Terminado o tiroteio de mais de três horas, os atacantes, desconfiados de alguma das indecifráveis ciladas do astucioso Lampião, demoraram bem meia hora para penetrar na rua, assim mesmo cautelosamente. Mas, quando entraram, deu de súbito uma doideira dos diabos naquela soldadesca, que começaram a lançar, assim na doida, disparate de balas nas paredes, portas, janelas, por toda parte, chegando mesmo os projéteis a pegar em quadros de santos pendurados nas paredes do interior de algumas casas momentaneamente abertas.

Desencadeou-se, então, novo pânico. Correrias, gritos, choros, portas e janelas aos baques se fechando outra vez. Incontinenti reclamou o Padre José ao sargento Senhorzinho aquela desordem, o qual, de pronto, ordenou que cessasse. Com mais pouco chegava a volante do sargento Fininho. A rua esborrava de soldado.

Dada por Fininho uma batida por perto, no derredor da povoação, para certeza do afastamento dos cangaceiros. Depois vieram os interrogatórios sobre quem ou não coitei-ro, as acusações fáceis, ameaças de toda sorte, ou sejam de pisa, de capar, de sangrar, de saquear, de incendiar... O terror! A vítima principal naturalmente tinha de ser a família Ferreira ali domiciliada.

Quem pôde, fugiu, no seu animal ou a pé, ou se escondeu. A situação agora pior do que a anterior, pois sob o guante da autoridade, despótica, absoluta, oficial.

E, lá vai o pobre do Padre José, pressuroso e amargurado, suando e exausto — anjo providencial da paz — defender de novo o povo e restituir-lhe a tranqüilidade.

Conformado, senão convencido, com as muitas explicações e justificativas do vigário, o sargento Senhorzinho saiu batendo naquelas portas ainda fechadas de medo:

— "Podem abrirem. Tá todo mundo agarantido".

De todo o jeito, porém, aquele povo, pobre e sacrificado, humilde e abandonado, teve de pagar, e muito caro, uma dívida estranha: almoço com bebida e tudo mais para tanto sol-dado!...

Guarnecendo o vilarejo contra uma daquelas possíveis e perigosas surtidas de Lampião, a soldadesca, refestelada e quente, de entusiasmo vibrante, cantava — coisa curiosa! — "Mulher Rendeira", como se fosse essa canção o hino comum daqueles sertões sangrentos! ...

Consumou-se nesse segundo tiroteio a intriga definitiva e gadal entre Lampião e os nazarenos.

A família Ferreira daí em diante sofreu os piores vexames, ao ponto de ter, mais tarde, de se retirar da localidade. Entretanto, essa família fora sempre a desvelada defensora e salvadora de Nazaré contra os propósitos e as investidas de Lampião. Logo nesse mesmo dia 19 de agosto, dois fatos lamentáveis:
a) O sargento Zé de Xanda, com um tiro, espatifou o grande e belo espelho de cristal da sala de visita da casa de D. Joaninha Ferreira.

b) Apareceu o tenente Senhorzinho Alencar querendo obrigar a mesma D. Joaninha a entregar os vestidos da primeira comunhão das meninas Josefa e Dulce, filhas de Antônio Matilde e que ela criava. Alegava o tenente que os vestidos pertenciam às filhas do finado Gonzaga. Exigia, também, as sapatinas e os trancelins. Chamados, à presença do tenente: o senhor João Cominho, da loja onde foi comprada a fazenda; a costureira D. Ernestina Correia Cruz; Tonheiro, o portador dos vestidos prontos; e René, outra testemunha de tudo. Genésio Ferreira, irmão da noiva Licor, procurou Davi Jurubeba Respondeu que ele obtivesse do tenente o nome da pessoa que lhe dera a informação falsa. respondeu o militar: — "De uma parenta da viúva de Gonzaga, aqui residente (e disse o nome)..."

A família Ferreira ainda hoje é muito grata a Davi Jurubeba e a Manuel Neto, os quais, apesar de inimigos figadais de Lampião e seus irmãos do cangaço, sempre respeitaram e até defenderam os outros membros da familia o seus bens.

O PADRE JOSÉ KEHRLE


Padre José Kehrle. Nascido em 1891, em Wurttemberg, Alemanha. Veio para o Brasil em 1909. Beneditino e veterinário. Sacerdote em 1914. Como padre secular desenvolveu, no sertão, intensa atividade apostólica, além da construção e reforma de igrejas. Ocupou altos cargos e missões na diocese de Pesqueira, ao mesmo tempo que, por infeliz contraste, chega às raias do incrível o que sofreu da parte de bispos. Vigário de Vila Bela (Serra Talhada) de 1922 a 1936, conheceu e acompanhou toda a trajetória de Lampião no cangaço.

Sua força moral sobre ele quase se igualava à do Padre Cícero. Porém, a esse superava no conhecimento do foro íntimo. Lampião era seu confidente. Diante do Padre Kehrle despia sua realeza cangaceiresca para se tornar simples ovelha, nem sempre dócil por motivações extrínsecas. Realmente, grande parte da vida de Lampião não pode ser escrita desligada desse virtuosissmo sacerdote, que chegou mesmo ao impossível de retirar cangaceiros do seu bando.

Em 1936, no sítio Guarda, da serra de Ororubá, perto de Cimbres, município de Pesqueira, testemunhou, com sérias averiguações, as aparições de Nossa Senhora dos Graças a uma humilde camponezinha, depois freira conversa. Nessa ocasião, indignou-se contra as medidas violentas usadas pelo bispo que se valeu da polícia para acabar com aquele "fanatismo", de qualquer modo, "mesmo debaixo de pau", o que, Lamentavelmente, aconteceu àquela pobre gente que, na simplicidade de sua fé, acorria ao local.

Muitos os episódios interessantíssimos em sua vida que merecia escrita para edificação espiritual, principalmente dos sacerdotes. Há anos vivia ele em Buíque (PE), carregando uma saudável velhice dentro um exuberante espírito, cada vez mais acentuando o traço predominante de sua alma — a caridade, quando a 4-8-1978 faleceu.

Pois bem, cabe a cada um ao ler sobre fatos como esse e outros para dizerem se Lampião era Herói ou Bandido. Uns chegam a dizer que ele era uma mistura dos dois adjetivos. Vemos em sua estadia no povoado de Nazaré, que ele estava ciente de sua situação, esta levada por intrigas que descambou para a violência. Lampião foi uma cria do sistema latifundiário brasileiro onde imperava o coronelismo.

Pescado em Caiçara dos Rios do ventos

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