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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

3º Congresso Nacional do Cangaço - Confira a programação das Conferências, Simpósios e Mini cursos‏


Conferência de Abertura - 
22 / 10 / 2013  l  Teatro Glauber Rocha l  20:00h 

“Se vier, que venha armado: cangaceirismo e masculinidade como definidoras das identidades sertaneja e nordestina”
Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior

Doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Autor dos livros: Nordestino: invenção do 'falo': uma história do gênero masculino/1920-1940 (2ª ed., São Paulo, Intermeios, 2013), A invenção do Nordeste e outras artes (5ª ed., São Paulo: Cortez, 2011) e História: a arte de inventar o passado (Baurú, SP: EDUSC, 2007).
Lançamento de livro - Nordestino: invenção do 'falo': uma história do gênero masculino/1920-1940 (2ª ed., São Paulo, Intermeios, 2013).

Conferência de Encerramento
25/ 10 / 2013  l  Teatro Glauber Rocha l  20:00h

“O cangaço nas batalhas da memória”
Dr. Antônio Fernando de Araújo Sá

Doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB)
Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Autor dos livros: O cangaço nas batalhas da memória (Recife, Editora da UFPE, 2011) e Combates entre história e memória (São Cristóvão/SE, EDUFS, 2005).  
Lançamento de livro - O cangaço nas batalhas da memória (Recife, Editora da UFPE, 2011).

Simpósios Temáticos

1. CULTURA E REPRESENTAÇÕES NO SERTÃO NORDESTINO: MEMÓRIA, IDENTIDADES E RESSIGNIFICAÇÕES

José Ferreira Júnior
Doutorando em Ciências Sociais (UFCG) 
Mestre em Ciências Sociais (UFCG) 
Professor da Faculdade de Integração do Sertão / Serra Talhada – PE 

Resumo: A cultura é objeto de investigação acadêmica; ela permite uma maior compreensão dos fenômenos sociais, em particular aos que remetem às especificidades da preservação de memórias, seu uso no processo de formação identitária e às ressignificações por que passam tais identidades. Este simpósio temático discutirá a memória e sua importância no constructo de identidades e as ressignificações verificadas nessas construções, tomando como espacialidade os sertões nordestinos em suas múltiplas representações: relações de gênero, questões familiares, relação com os lugares, expressões artísticas, religiosidade, etc. Acataremos trabalhos que tratem da temática proposta, sob as óticas da História, da Sociologia, Antropologia e ciências afins.

2. CONTOS, CANÇÕES E CENAS: O CANGAÇO EM IMAGENS, LETRAS E SONS

Caroline de Araújo Lima
Mestre em História Regional e Local (UNEB/Campus V) 
Professora do curso de História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus XVIII) 
Coordenadora do Projeto de Iniciação Científica “História, cinema e ensino de História: o sertão, o cangaceiro e o beato no cinema brasileiro” (2012/2013) 

Resumo: Este simpósio temático tem como proposta reunir estudantes e pesquisadores com o objetivo de divulgar resultados de pesquisas relacionadas ao tema do Cangaço. Pretendemos analisar as representações dos cangaceiros no cinema, nos folhetos de cordel, na literatura, nas fotografias jornalísticas, dentre outras linguagens. A partir de tais linguagens que deram a esses personagens contornos míticos e estereotipados, ofereceremos ricas discussões sobre identidade, representações de sertão e sertanejo, relações de poder, de gênero e de memória. O simpósio está aberto para receber propostas de temas que versem sobre o universo cultural dos sertões e sertanejos no campo do audiovisual, da literatura de cordel, na área fotográfica e da música popular.

3. LINGUAGENS E NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM HISTÓRIA: DOMÍNIOS, ABORDAGENS, ENSINO E PESQUISA

Jairo Carvalho do Nascimento (UNEB/Campus VI)
Doutorando em História – UFBA 
Mestre em História Social (UFBA)
Professor do curso de História da UNEB/Campus VI

Eduardo de Lima Leite (UNEB/Campus VI)
Mestrando em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB) 
Especialização em Educação, Cultura e Memória (UESB)
Professor de História da Educação Básica/Bahia

Maria Sigmar Coutinho Passos (UNEB/Campus VI)
Doutoranda em Educação – UFBA 
Mestre em Educação e Contemporaneidade (UNEB)
Professora do curso de História da UNEB/Campus VI

Resumo: Este simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores, professores universitários e estudantes de pós-graduação vinculados à pesquisa e ao ensino no campo da disciplina História e áreas afins, propiciando um espaço para a exposição de trabalhos acadêmicos e experiências didáticas relacionados aos seguintes temas: a relação cinema/história (temas, fontes, teoria); o uso de documentos imagéticos (cinema, fotografia, iconografia) em sala de aula; a música e o ensino de História; a utilização da televisão como veículo de ensino; as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC/computadores, internet, etc.) e suas relações com a educação. Em que medida as diferentes linguagens e as novas tecnologias de informação e comunicação contribuem para a produção do conhecimento histórico, para o trabalho do professor de História? Essa pergunta será o ponto de partida para promover o debate durante o simpósio. O simpósio estará aberto para receber, também, propostas de experiências didáticas e pesquisas de professores da educação básica e de graduandos em História e áreas afins.

4. PROCESSOS DE PATRIMONIALIZAÇÃO E SUAS REPERCUSSÕES NOS “ESPAÇOS DA TRADIÇÃO”

Bruno Goulart Machado Silva
Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de Brasília 
Mestre em Antropologia Social (UFRN)  

Jean Pierre Pierote Silva
Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás
Graduado em Ciências Sociais (UFG) 

Resumo: A noção de patrimônio cultural está na agenda das ações estatais nas últimas décadas. Essas políticas se voltam muitas vezes para populações e espaços geográficos circunscritos ao campo discursivo da tradição. Sejam patrimônios materiais ou imateriais, os processos de patrimonialização trazem consequências para os atores ligados a esses bens culturais. Este simpósio temático tem como objetivo promover o debate sobre esses processos do ponto de vista dos próprios atores sociais afetados pelas políticas patrimoniais, especificamente aqueles situados nos lugares imaginados como “Sertão” pelo pensamento social brasileiro. O debate visa a contribuir para a atual discussão dos processos de patrimonialização a partir de alguns questionamentos: Como a memória dos grupos é acionada e ressignificada nestas políticas? Como os grupos as têm percebido? De que forma a patrimonialização afeta a relação dos grupos envolvidos com os bens culturais?

5. NACIONALISMO E MODERNIZAÇÃO NO DEBATE INTELECTUAL, CIENTÍFICO E LITERÁRIO NA PRIMEIRA REPÚBLICA

Renailda Ferreira Cazumbá
Doutoranda em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Mestre em Literatura e Diversidade Cultural (UEFS)
Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus XX)

Wilson da Silva Santos
Doutorando em Filosofia e História da Educação (Unicamp)
Mestre em Educação (UFPB)
Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus XX)

Resumo: O debate intelectual travado na Primeira República no Brasil (1889-1930) polarizou-se em torno de temas como nação, ciência, raça e civilização. Na época referendada, a discussão nacionalista baseava-se numa concepção modernizadora e no cosmopolitismo que embasavam um projeto civilizador para o país, em torno de propostas idealistas que animavam as pesquisas sociológicas, históricas, políticas e a escrita literária na virada do século XIX para o XX. Escritos científicos, literários e jornalísticos na Primeira República se unificaram em torno das projeções do positivismo e do liberalismo, que motivaram um grupo de intelectuais (Tobias Barreto, Araripe Jr., José Veríssimo, Sílvio Romero, Graça Aranha, Anísio Teixeira) para a defesa e anseios de modernização e de superação do "atraso" que nos fazia um país de maioria analfabeta e miserável frente às nações da Europa. Esse debate nacionalista era também motivado pela aspiração de descoberta de parte do país ainda desconhecida – o sertão e a periferia – através de uma produção crítica e da escrita literária (Euclides da Cunha, Lima Barreto). Pretende-se com esse simpósio integrar trabalhos que retomem os debates intelectuais e literários em torno do problema da identidade nacional e da modernização durante a Primeira República no Brasil, incorporando pesquisadores das áreas de História, Geografia, Educação, Sociologia e Literatura.

6. MEMÓRIA, IDENTIDADE E PATRIMÔNIO

Aline de Caldas Costa dos Santos
Doutoranda em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Mestre em Cultura & Turismo (UESC)
Pesquisadora do grupo Identidade Cultural e Expressões Regionais (ICER/UESC)

Gisane Souza Santana
Mestranda em Letras: Linguagens e Representações (UESC)
Especialização em Estudos Comparados de Literaturas (UESC)
Pesquisadora do grupo Identidade Cultural e Expressões Regionais (ICER/UESC)
Bolsista CAPES

Resumo - Esse simpósio visa a discutir as representações identitárias e trânsitos culturais com ênfase em temas relacionados à memória e ao patrimônio cultural (SIMÕES, 2006; HALL, 2002; ANDERSON, 2008; LE GOFF, 1990; NORA, 1993). Pretende-se discutir representações comunitárias e a interface de discursos de identidade a partir dessas expressões simbólicas (memória/patrimônio), a visibilidade do patrimônio cultural e as ações políticas que a sustentam em atenção ao fenômeno dos fluxos sociais. 

7. ESTUDOS EM HISTÓRIA CULTURAL: OBJETOS, PROBLEMAS E ABORDAGENS

Cleide de Lima Chaves 
Doutora em História Social (UFRJ) 
Professora Adjunta da área de História do Brasil (DH/UESB)

Márcia Santos Lemos
Doutora em História (UFF) 
Professora Adjunta da área de História Antiga e Medieval (DH/UESB)

Resumo: A proposta deste Simpósio é uma iniciativa do Laboratório de Estudos em História Cultural (UESB). O objetivo do LEHC é fomentar a produção na área, fortalecer as linhas de pesquisa do grupo, promover ações multidisciplinares, apontar novas perspectivas de análise dos objetos da cultura e estimular a formação de jovens pesquisadores. Nesta perspectiva, o simpósio pretende reunir pesquisadores interessados na História Cultural, com o objetivo de conhecer e divulgar diferentes enfoques e leituras dentro desse campo. Deverão ser debatidos temas comuns ou complementares, como: História e Literatura; fronteiras; representações; práticas religiosas; poder simbólico; gênero; discurso e apropriação; linguagens: os mundos da escrita, da leitura, da oralidade e da imagem; identidade; cidade; memória, História e historiografia, dentre outros temas relacionados. É de interesse igualmente discutir trabalhos que contribuam para atualizar o debate sobre fontes, métodos e teorias no campo da História Cultural.

8. VIOLÊNCIA, BANDITISMO E DISPUTAS POLÍTICAS NOS SERTÕES DO NORDESTE, SÉCULOS XIX E XX

Lina Maria Brandão de Aras
Doutora em História (USP)
Professora do Departamento e do PPG História da FFCH/UFBA

Rafael Sancho Carvalho da Silva
Mestre em História Social (UFBA)
Professor Substituto do Departamento de História da UFBA

Resumo: O simpósio temático objetiva analisar as disputas políticas nos sertões do Nordeste e suas relações com banditismo e outras formas de manifestações de violência vinculadas aos conflitos políticos. São três temas que mantêm relação entre si e, dessa forma, pretendemos agregar pesquisadores interessados em analisar e debater o banditismo e seu vínculo com as disputas do mandonismo regional, bem como diversas formas de expressões de violência. Agregamos pesquisas relacionadas não só com o sertão baiano, mas como de outras áreas do Nordeste brasileiro nos séculos XIX e XX. Apesar de diferentes momentos da história do Brasil, interessa o debate sobre as disputas políticas e suas formas de expressão através da violência e do banditismo em diferentes momentos da história dos sertões nordestinos.

9. ESCRITAS DE LUGARES: HISTÓRIA E LITERATURA, PAISAGENS E SENSIBILIDADES

Clóvis F. R. M. Oliveira
Doutor em História (UnB)
Professor Assistente da UNEB/Campus II/Alagoinhas)

Valter Guimarães Soares
Mestre em Literatura (UEFS)
Professor Assistente da UEFS

Resumo: Produto de “camadas de pedras e sonhos”, as paisagens emergem como inscrições, imagens grafadas na memória e criadoras de fronteiras e identidades. As escriturações riscam linhas que ligam e desligam pontos, criam referenciais de lembranças e constroem monumentos para celebrações coletivas. Nessa trajetória de escrita de discursos, historiadores e literários, em tensos jogos de trocas, estabelecem marcos, escolhem os materiais para serem usados e descartados e, sob o pretexto de descrever, produzem e dão forma aos lugares, materializando o que antes estava disperso na forma de sonhos. Esta proposta de simpósio temático pretende acolher estudos que se dedicam a pensar espaços, memória e paisagens nas suas mais diversas figurações: litoral, sertão, urbano-rural, campo-cidade, centro-periferia.

10. RASTOS, RESTOS E ROSTOS: HISTÓRIA, LITERATURA, CINEMA E OUTRAS ARTES NA INVENÇÃO DOS SERTÕES

Alex dos Santos Guimarães 
Mestre em Teoria Literária e Crítica da Cultura (UFSJ)
Especialização em Teoria e História Literária (UESB)
Graduado em História (UESB) 

Joslan Santos Sampaio 
Mestrando em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Especialização em Teoria e História Literária (UESB)

Resumo: O objetivo deste simpósio é conhecer experiências históricas em que a arte, em suas múltiplas formas de expressão – da literatura ao cinema, da música às artes visuais – cria representações, imagens, percepções e sensações que afetam o imaginário social e político, incidindo na memória multifacetada dos sertões. Sabe-se hoje, para além da “teoria do reflexo” que norteou as pesquisas históricas até os anos de 1960, que mais do que refletir um suposto mundo objetivo, a arte institui “realidades”, produz conhecimentos e desejos, molda comportamentos e gestos, oferece novos temas e problemáticas, abre novos espaços para a imaginação criativa, afetando a psique, a memória, a escrita da História e os seus modos de atuação. Por tudo isso, as artes têm papel fundamental na invenção discursiva “dos sertões”, imaginando o cangaço, o coronelismo, o messianismo, os movimentos sociais, políticos, religiosos e culturais. 

11. MOVIMENTOS SOCIAIS: RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

Lemuel Rodrigues da Silva
Doutor em Ciências Sociais (UFRN)
Mestre em História (UFPE) 
Professor do curso de História da UERN 

Marcílio Lima Falcão
Doutorando em História Social (USP)
Mestre em História (UFC) 
Professor do curso de História da UERN 

Resumo: A temática que envolve as discussões sobre religião e religiosidade, no que diz respeito aos movimentos sociais rurais e urbanos, tem dado ênfase na configuração de tais movimentos como formas de contestação social. Nesse sentido, o estudo sobre os movimentos sociais passa a ser visto para além de seus aspectos econômicos e políticos e, ao buscar a importância do sagrado e do simbólico na gênese e desenvolvimento de tais movimentos, abrem-se novas possibilidades e novas formas de abordar a temática. Assim, preocupado com essas questões, esse simpósio temático busca ser um espaço de discussão e diálogo entre pares que, aparentemente, são opostos como o sagrado\profano, material\simbólico, político\econômico, mas que, em nossa proposta, também são dialogais e promovem um profícuo debate historiográfico sobre os diversos aspectos e sujeitos que em suas experiências tiveram o sagrado\profano como elementos norteadores em suas formas de resistir.

Minicursos

1. A APROPRIAÇÃO E MERCADORIZAÇÃO DA MEMÓRIA LAMPIÔNICA NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE SERRA TALHADA – PE

José Ferreira Júnior 
Doutorando em Ciências Sociais (UFCG)
FACISST – Faculdade de Ciências Sociais de Serra Talhada – PE

Ementa: A identidade trata de uma representação de si para si e de si para os outros. Serra Talhada, cidade sertaneja pernambucana, representa-se, nacional e mundialmente, como sendo a Capital do Xaxado e, por tabela, terra de Lampião, uma vez que, na literatura local, tornou-se lugar-comum atribuir ao cangaceiro a invenção da dança que identifica a cidade. A identidade local serra-talhadense, nada obstante experimentar cristalização, trata de uma invenção possível de se detectar início e autores, além disso, sua ascensão, em detrimento de uma outra nomenclatura que identificava a cidade (tricampeã da beleza feminina), torna-a fenômeno social promotor de atratividade a pesquisadores. A mudança identitária do lugar de nascimento de Lampião, por si só, já se revela temática viabilizadora de discussão proveitosa. Porém, essa discussão se torna mais acentuada quando se verifica, mais detidamente, o enredo que possibilitou tal mutação: a ação dos produtores culturais, a influência midiática, bem como a resistência imposta. Ademais, também se revela digna de nota a maneira por que a memória lampiônica é comercializada e, nesse comercializar, a privatização dos lugares de memória lampiônica. Somada à complexidade caracterizadora da construção da identidade local, verifica-se a fluidez identitária que perpassa o citadino serra-talhadense, revelada em seus discursos, no que se refere a identificar-se com Lampião. Este minicurso tem como proposta discutir o uso da memória lampiônica em Serra Talhada na construção identitária do lugar, as ações protagonizadas pelos inventores dessa identidade e o contributo da mídia, tomando-se como elemento de referência, além de aporte teórico histórico-sociológico, o resultado de pesquisas realizadas in loco.

Objetivos: Analisar o processo de construção da identidade serra-talhadense e sua relação com a apropriação e mercadolização da memória lampiônica; Identificar as ações promotoras da glorificação da memória lampiônica Serra Talhada; Relatar as reações caracterizadoras de resistência à glorificação da memória lampiônica na cidade; Discutir os reflexos da glorificação da memória lampiônica no cotidiano serra-talhadense; Analisar as representações dos citadinos serra-talhadenses em relação à glorificação da memória lampiônica na cidade. 

2. RELIGIOSIDADE E CONFLITO NO SERTÃO CONSELHEIRISTA: A PERSEGUIÇÃO DO CLERO DA BAHIA A ANTÔNIO CONSELHEIRO E CANUDOS (1874-1897).

Leandro Aquino Wanderlei 
Mestrando em História Social (UFPE) 
Professor do Ensino Básico da Rede Escolar do Estado da Paraíba.

Ementa: Estudo dos fatores de ordem religiosa, política e social que explicam a perseguição da Igreja Católica, em particular da Arquidiocese da Bahia e de suas freguesias nos sertões, às prédicas, devoções e obras assistenciais dirigidas por Antônio Conselheiro, em colaboração com as populações sertanejas do nordeste da Bahia e de Sergipe, inseridos num processo mais amplo de reforma do catolicismo, empreendida sob o influxo tridentino e por meio da direção dos bispos ultramontanos no Brasil, na segunda metade do século XIX.

Objetivos: Discutir os limites da ação religiosa da Igreja frente à religiosidade leiga, predominante no catolicismo brasileiro nos tempos de colônia e ao longo do século XIX; Avaliar o controle do Estado sobre a instituição eclesiástica (regime de Padroado) e a situação política da Igreja nos primórdios do regime republicano; Estabelecer relação entre estes fatores históricos e a campanha do clero, especialmente na Bahia, contra Antônio Conselheiro e Canudos (1874-1897).

3. O CICLO DO CANGAÇO NO MUNDO IMAGINÁRIO DA LITERATURA DE CORDEL

José Paulo Ferreira de Moura
Licenciado em História pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (FUNESO)
Pesquisador e Escritor Membro da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC

Ementa: O cangaço é um dos temas mais explorados na literatura de cordel, onde o cangaceiro é quase sempre retratado como herói. A literatura de cordel é, como qualquer outra forma artística, uma manifestação cultural. Por meio desta escrita eram transmitidas as cantigas, os poemas e as histórias do povo pelo próprio povo, onde os cordelistas eram os poetas que viviam (e sobreviviam) no meio das classes menos favorecidas. O objetivo do minicurso é apontar a importância que a literatura de cordel teve para o cangaço e, através dele, a visão do cangaço na ótica do povo, transformando o mundo real dos cangaceiros, através do imaginário das narrativas poéticas, em verdadeiros guerreiros que lutavam contra os desmandos dos coronéis e a favor do povo.  Como a literatura de cordel está intimamente relacionada com o ciclo do cangaço, este minicurso se justifica pela relevância de compreender até onde este imaginário poético se sobrepôs à realidade vivida naquele tempo cruel de lutas, intrigas e desmandos sociais. E é através da leitura de alguns épicos do cordel/cangaço que retrataremos a magia da recitação e o romantismo dos diálogos entrando em consonância com o imaginário.

Objetivos: Abordar o fenômeno do Cangaço na ótica dos poetas de literatura de cordel; Mostrar que a vida dos cangaceiros retratada através da literatura de cordel é completamente parecida com as dos livros de história.

4. O CANGAÇO E AS VIAGENS PELA LITERATURA, MÚSICA E IMAGEM.

Rubervânio da Cruz Lima 
Graduação em Letras – Inglês e Português (FASETE-2008)
Pós-Graduação em Estudos Literários (UEFS-2009)
Pós-Graduação em Gestão Cultural (SENAC-2013)
Sócio da SBEC.

Ementa: Estudo da relação Cangaço/História apontando alguns aspectos sobre o cangaço e sua trajetória histórica, desde o principio do fenômeno até a figura de Lampião, como aspectos que apontam o modo de vida e os costumes dos cangaceiros. Pretende-se evidenciar a influência do cangaço nas expressões literárias que fazem parte da cultura popular, como o cordel e a xilogravura. 
Analisaremos o cangaço e sua influência na música e nas artes plásticas da região Nordeste. Estudar as representações visuais do cangaço a partir de fotos e filmes. 

Objetivos: Envolver os participantes com esse tipo peculiar de estudo, promovendo também uma discussão sobre o que vem a ser o tema, até os dias atuais e as suas influências nas várias expressões artísticas (geral); Promover um debate que aborde a questão da ligação entre o fenômeno do Cangaço e as artes, de um modo geral, além de evidenciar algumas expressões artísticas populares ligadas ao tema, mostrando-os em um estudo bibliográfico expositivo; Desenvolver o senso crítico e promover a troca de experiência através de intervenções dos participantes, a partir da exposição de aspectos que tratem da temática; Associar essa abordagem à montagem de um painel de fotos que farão parte de uma exposição realizada coletivamente ao término do minicurso cujo objetivo é oferecer a oportunidade dos participantes aplicarem o conhecimento através do desafio de tirar possíveis dúvidas dos visitantes dessa exposição.

5. UMA IDENTIDADE SERTANEJA?

Danilo Uzêda da Cruz 
Graduando em Ciências Sociais, Universidade Federal da Bahia - UFBA
Graduado em História, Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS
Especialista em Educação Superior, Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC
Mestrando em Desenvolvimento Regional e Urbano, Universidade Salvador - UNIFACS

Ementa: O minicurso abordará o processo de construção da identidade sertaneja e suas dimensões sociais, políticas, econômicas e culturais, discutindo os elementos dessa identidade e as relações que estabelece com o mundo contemporâneo. De modo geral, o minicurso versará sobre os seguintes temas: construção de identidades coletivas, região, territórios e comunidades; o sertão, história e política, região e cultura; o imaginário no sertão; o sertanejo e as transformações sociais, econômicas, ambientais e políticas do século XXI.

Objetivos: Debater a construção da identidade sertaneja; Discutir elementos do imaginário sertanejo e as transformações sociais, econômicas, ambientais e políticas do século XXI. 

6. ANÉSIA CAUAÇU: PIONEIRA NA PARTICIPAÇÃO “FEMININA” NO CANGAÇO

Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho
Mestre em Memória Social (UNIRIO)
Especialista em Literatura e Ensino da Literatura (UESB) 
Licenciado em Letras (UESB)
Professor da Pós-Graduação das Faculdades Euclides Fernandes (FIEF)

Ementa: Estudo da participação feminina no cangaço. O papel pioneiro de Anésia Cauaçu. Contempla abordagens sobre as raízes do coronelismo e do cangaço na Chapada Diamantina e no sudoeste baiano, além de abordar o que permaneceu na memória coletiva de tradição oral da região de Jequié sobre os Cauaçus. 

Objetivos: Revelar o papel pioneiro de Anésia Cauaçu no cangaço e no processo de emancipação da mulher do sertão; Discutir as origens do coronelismo e do cangaço na Chapada Diamantina e no sudoeste baiano; Refletir sobre a memória coletiva a respeito dos Cauaçus.

7. MULHERES NEGRAS: PRÁTICAS CULTURAIS E MILITÂNCIA EM COMUNIDADES TRADICIONAIS DO ALTO SERTÃO BAIANO

Karla Dias de Lima
Especialista em Educação e Diversidade Étnico-Racial (UESB)
Professora da Rede Estadual de Ensino e Pesquisadora (GEPEECS). 

Leila Maria Prates Teixeira
Mestre em História (PPGHIS-UNEB)
Professora do curso de História (UESB) 

Ementa: Este minicurso pretende discutir as estratégias de sobrevivência de práticas culturais desempenhadas por mulheres negras em comunidades quilombolas do Alto Sertão da Bahia, como uma possibilidade de reconstruir vivências, afetividade, ancestralidade, memória e identidade de gênero. As concepções atuais acerca da história das mulheres e da liderança feminina nos segmentos populares colaboram para a análise das especificidades das relações vivenciadas pelas mulheres negras em comunidades tradicionais. Nesse sentido, abordaremos conceitos introdutórios relacionados à mulher negra, à liderança feminina, à cultura negra, à identidade étnico-racial e aos quilombos, privilegiando estudos concentrados nas comunidades de Tomé Nunes (Malhada/BA) e Tucum (Tanhaçu/BA), localidades pesquisadas pelas autoras dessa proposta.

Objetivos: Analisar o prestígio feminino através da marcante participação nas questões políticas e na manutenção das práticas culturais nessas comunidades; Conhecer as formas de sobrevivência e resistência criada por mulheres negras e quilombolas em comunidades do Alto Sertão baiano; Refletir sobre os conceitos de gênero e identidade na contemporaneidade.

8. O CANGAÇO COMO FENÔMENO SOCIAL

Josué Damasceno Pereira
Pesquisador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC

Resumo: A proposta de um minicurso voltado para a temática do cangaço como fenômeno social tem por objetivo despertar no interlocutor um olhar mais crítico a respeito das condições de vida e relações sociais nos sertões do Nordeste brasileiro na primeira metade do século XX. Para tanto, nossas atividades foram organizadas em função de quatro eixos: o banditismo nos sertões do Nordeste; cangaço e política; cangaço e religião; e o mito Lampião. Tal procedimento nos permite ponderar sobre as questões que envolvem os cangaceiros e suas relações com a sociedade sertaneja, em especial a classe política, setores do clero católico e, por fim, a construção do mito em torno da figura de Virgulino Ferreira, o Lampião. O conhecimento dessas relações constitui fatores importantes no processo de compreensão da História Regional.

Objetivos: Analisar a formação do cangaço no Nordeste brasileiro; Estudar a constituição do mito de Lampião na cultura popular do Nordeste.     

9. VEREDAS DO GRANDE SERTÃO: CRENÇA, AMOR E VIOLÊNCIA NO IMAGINÁRIO DO SERTÃO DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

Halysson F. Dias Santos
Doutorando em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Graduação em Letras (UESB)
Professor do curso de Letras (UESB)

Heurisgleides Sousa Teixeira 
Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB)
Especialização em Teoria e História Literária (UESB)
Graduação em Letras (UESB)
Professora da UNEB (Campus IX/Barreiras)

Ementa: O imaginário do sertão na obra de João Guimarães Rosa. A ficcionalização das crenças, do amor e as relações de conflito entre os jagunços. 

Objetivo: Apresentar e discutir o imaginário do sertão na obra de Guimarães Rosa, a partir de elementos tematizados no romance Grande sertão: veredas.

10. REVIRAMUNDO – O PROCESSO DE CRIAÇÃO DE UM ENSAIO AUDIOVISUAL A PARTIR DA “ENCICLOPÉDIA AUDIOVISUAL DA CULTURA POPULAR DO SERTÃO”, DE GERALDO SARNO

Felipe Corrêa Bomfim
Mestrando do programa de Pós-Graduação em Multimeios da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Graduado em Cinema pela Universidade de Bolonha (Itália) 

Glauber Brito Matos Lacerda
Mestre em “Memória: Linguagem e Sociedade” (UESB)
Professor de “Documentário” e “Técnicas de Sonorização” no curso de Cinema e Audiovisual (UESB)

Ementa: Entre os anos de 1969 e 1972, o cineasta Geraldo Sarno dirigiu uma série de curtas-metragens documentais sobre manifestações da cultura popular nordestina intitulada “Enciclopédia Audiovisual da Cultura Popular do Sertão”. Em março de 2013, Geraldo Sarno voltou à sua terra natal, a cidade de Poções (BA), acompanhado por uma equipe de filmagens que registrou o reencontro do cineasta com pessoas e lugares da sua infância que, declaradamente, influenciaram sua obra. O minicurso apresenta o processo de construção do filme-ensaio “Reviramundo” que aborda o caráter memorialista da obra de Geraldo Sarno, apresentando um diálogo das suas memórias de infância com o conteúdo e com a forma da série documental dirigida pelo mesmo.

Objetivos: Apresentar o processo de criação do filme-ensaio “Reviramundo” a partir de um diálogo com a forma e com o conteúdo dos filmes da “Enciclopédia Audiovisual da Cultura Popular do Sertão”, de Geraldo Sarno; Assistir aos filmes da Enciclopédia Audiovisual da Cultura Popular do Sertão; Discutir os aspectos formais e o conteúdo do conjunto da obra; Destacar o caráter memorialista da produção documental de Sarno; Apresentar o processo de construção do filme-ensaio.

Maiores informações: Blog da SBEC

http://lampiaoaceso.blogspot.com

Advogado resgata detalhes de crime bárbaro ocorrido no sertão paraibano em 1883

Detalhes - Publicado em 04 de Agosto de 2013 - por Redação
Jerdivan Nóbrega diz que está surpreso com a repercussão da obra

Jerdivan Nóbrega diz que está surpreso com a repercussão da obra; Em 1883, a pequena cidade de Pombal, localizada no alto sertão da Paraíba, foi surpreendida e aterrorizada por um crime brutal, ocorrida na Rua da Cruz. Uma jovem de 26 anos, chamada Maria da Conceição, esperava se casar com o senhor Rufino Gouveia, porém, mantinha um romance secreto com outra pessoa, e acabou engravidando de seu amante. Após realizar o parto sozinha, de uma menina, Maria sufocou a filha até matá-la, e a enterrou no quintal da casa de sua vó, onde o corpo foi encontrado e desenterrado por cachorros. É a partir daí que se desenrola "O Crime da Rua da Cruz - O jury de Maria da Conceição", livro lançado recentemente pelo advogado paraibano Jerdivan Nóbrega de Araújo.

A obra não se resume a relatar o crime cometido por Maria da Conceição. No decorrer do título, o leitor se depara com as consequências desse ato, relatados a partir dos julgamentos pelos quais a jovem passou, sendo absolvida no primeiro e condenada a três anos de reclusão no segundo. "Cerca de 130 anos depois, não se sabe o destino que tomou Maria da Conceição, depois de cumprida a pena, na cadeia mais segura do sertão da Paraíba, no século XIX, mas é possível traçar seu martírio a partir daquela fatídica noite de sábado, 2 de junho de 1883", destaca, no livro, Jerdivan Nóbrega.

Segundo o autor, de peça jurídica o processo de Maria da Conceição passou a ser um documento de relevância histórica, que permite analisar a sociedade pombalense, a partir do final do século XIX. "A marca indelével dos preconceitos e estereótipos típicos de uma sociedade machista, e conservadora, assinalada por código de conduta extremamente severo, observa-se nos autos do inquérito instaurado a presença significativa de uma moral edificada através de um notório processo de submissão feminina que ainda tem representatividade de grande envergadura nos dias atuais", observa o geógrafo José Romero Cardoso, ao analisar a obra do advogado paraibano.

Mais de 150 pessoas atuaram no processo de Maria da Conceição, entre juiz, promotoria, testemunhas, policiais, delegado e advogado de defesa, sendo esse, inclusive, Antônio Gomes de Arruda Barreto, que além do direito também atuava na área do jornalismo, com passagens pelo jornal O Estado da Paraíba, O Combate, O Eco e O Mossoroense, onde foi redator-chefe. "O Crime da Ruz da Cruz" reproduz desde o inquérito policial, até depoimentos de testemunhas as sessões do julgamento, configurando-se, conforme o autor, como um documento que conta a história da colonização dos sertões da Paraíba, a partir das ruas da velha urbe sertaneja.

O autor

Jerdivan Nóbrega de Araújo começou a escrever aos 18 anos, mas só teve seu primeiro trabalho publicado em 1997 com o livro "Sob o Céu Estrelado de Pombal". Antes escrevia para os jornais Correio da Paraíba, Correio das Artes e A União.

Bacharel em Direito, é funcionário dos Correios e Telégrafos e membro efetivo do grupo de estudos Benigno Cardoso D'Arão, por onde publicou dois títulos: "Quando se Falou Bem de Pombal" e "Pequena Biografia do Senador Ruy Carneiro". Em seu currículo está inclusa ainda a apresentação do volume VIII da biografia de Vingt-un Rosado Maia.

"Com essa nova obra, já foram nove livros publicados. Sou um pesquisador por natureza. Meus livros sempre são voltados a fatos históricos. 'O Crime da Rua Cruz' me surpreendeu. Muito bem aceito. Apareceram oportunidades de divulgação, mas eu prefiro não divulgar muito, uma vez que faço tudo por conta própria e não tenho como atender às vendas. Os dois últimos livros, por exemplo, eu fiz mil livros e em dois meses já estavam vendidos ou distribuídos gratuitamente. Eu só vendo até tirar o dinheiro da gráfica. Acho que livro não deveria ser vendido. Recebi uma proposta de uma editora de São Paulo para publicar uma segunda edição de 'A Saga da Cabocla Maringa', mas eles queriam um preço final ao público acima de 30 reais e eu recusei", afirma o escritor, acrescentando que sua prioridade agora é reeditar dois livros que lançou em 1997 e 2001.

FONTE:

http://omossoroense.uol.com.br/~omossoro/index.php/universo/53867-advogado-resgata-detalhes-de-crime-barbaro-ocorrido-no-sertao-paraibano-em-1883

Enviado pelo professor universitário e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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Comentário em: O último combate de Lampião

Por: Antonio José de Oliveira
Antonio José de Oliveira

Caro Mendes:

Grato pelo seu mais recente e-mail a mim dirigido, onde junto ao mesmo trazia uma crônica bem elaborada e divertida, e, fiquei feliz ao ler a matéria: O ÚLTIMO COMBATE DE LAMPIÃO, de autoria do ilustre médico e escritor LEANDRO CARDOSO FERNANDES. 

Leandro Cardoso
Médico e pesquisador do cangaço: Dr. Leandro Cardoso

Gentiliza dizer ao Dr. Leandro que necessitamos de muitas outras matérias escritas por ele e postadas no blog do MENDES, uma vez que, profundo conhecedor da ciência médica, ele poderá desvendar determinados episódios da sua área de atuação profissional, da vida e morte dos jovens cangaceiros, e mesmo, vida e morte dos volantes que combateram o cangaço. 

Talvez por falta de tempo, os artigos do Dr. Leandro têm feito falta aos pesquisadores, principalmente aos estreantes da história, como é o meu caso, que sou um estagiário no assunto. 

Grato ao Professor Mendes, que é tão atuante nas suas postagens, e ao Escritor Leandro Cardoso - pesquisador de profundo conhecimento na História do Cangaço. 

Antonio José de Oliveira
Povoado Bela 
Em: O ÚLTIMO COMBATE DE LAMPIÃO

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domingo, 4 de agosto de 2013

“NOS CAMINHOS DESSA VIDA, NUMA PORTA A ACOLHIDA...” (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

“NOS CAMINHOS DESSA VIDA, NUMA PORTA A ACOLHIDA...

O velho viajante, num misto de mercador e ambulante, depois de muita lonjura e muito cansaço, entrou na curva da estrada e logo avistou um casebre. Que alívio, pensou. Talvez receba um gole d’água e uma xícara de café, e nas graças de Deus um punhado de farinha com naco de rapadura. Disse a si mesmo já de boca molhada.

Judiou um pouquinho mais nos quadris do velho burro de estrada e chão, e este entendeu o dolorido recado. Apressou o passo, olhou adiante, e também se viu de olhos mais brilhantes e esperançosos. Talvez fosse ali, nas sombras do juazeiro defronte à casinha, que iria descansar de tão longa viagem e de tanto peso no lombo.

Não demorou muito e o animal riscou debaixo do sombreado. Sentiu um alívio danado quando o seu dono pulou numa ligeireza de quase rolar por cima de espinho. E viu quando o amigo seguiu quase correndo na direção da casinha, que continuava de porta fechada. Mas certamente havia morador, pois se avistava uma galinha ciscando e um cachorro magro fuçando a terra.

Diante da porta, na esperança de todo viajante de receber acolhida, o homem bateu na troncha e carcomida madeira, preparou o cumprimento de chegada e dobrou a mão. Um toque, dois toques:

“Oi de casa, oi de dentro, venho na paz do Senhor, sou um pobre viajante que roga o seu favor...”.

Silêncio total. Mas pareceu ter ouvido um chinelar lá pelos fundos da moradia. E repetiu o mote sertanejo de respeito e veneração diante da porta alheia:


“Senhor meu dono da casa, não se assuste com esse irmão, sou também um conterrâneo, sou filho desse sertão, bato na sua porta com a divina permissão...”.

E aproximou o ouvido da madeira. Sentiu que alguém se aproximava e em seguida uma voz feminina ecoar, resposta de velha senhora que se precavia antes de saber se poderia atender. E disse a sertaneja:

“Se é do bem diga a que vem. Preciso saber quem é antes de dar meu amém. Se vem na graça divina, aqui mora a graça também...”.

Daí em diante o diálogo se aperfeiçoou. Ele falava, ela respondia. Ele numa aflição danada para matar a sede; ela querendo dar acolhida, porém temerosa demais por causa da solidão.

“Senhora dona da casa, sou vivente da estrada, vendo enfeite e pano pra criança e a meninada, trago notícias do mundo pra quem ainda não sabe nada...”.

“Só mesmo um pano de chita pra uma velha ficar bonita. Mas não tenho um só tostão, nada que lhe ponha à mão, em troca de novidade, coisa nova no sertão. A pobreza me impede de ter do buquê uma flor, mas vou lhe abrir a porta em nome do Nosso Senhor...”.

“Senhora dona da casa, mas que bondoso coração, ficarei agradecido se me tirar da aflição, oferecer um gole d’água a esse cansado irmão...”.

“Gole d’água não se nega nem que seja a inimigo, pois a sede é bicho brabo, talvez o maior castigo. Vá entrando e se ajeite, na pobreza o seu deleite, não olhe pro que não tem e pra velharia também, pois vivo sem ter quase nada e já no fim dessa jornada, a última curva da estrada...”.

“Gota d’água satisfaz, quem dera poder ter mais. Vou ficar agradecido por ser tão bem recebido. Não se preocupe em ser pobre se tem uma alma nobre, pois a fortuna está na paz e isso é o que satisfaz...”.

“Depois da água um café, também ofereço um pão. Tão pouco, é quase nada, mas tudo de coração, também a fome não espera a mesa farta de grão...”.

“Qualquer coisa me apetece e o espírito agradece. Com a vossa permissão, mostrarei a gratidão. Vai escolher o que quiser daquilo que eu dispuser. Escolha um corte de pano, uma chaleira ou um abano, um espelho ou um loção, darei com satisfação...”.

“Tudo isso eu queria, e tudo me dá alegria. Mas eis meu mais fervor: uma imagem de Jesus, o filho de Deus numa cruz, mas também ressurreição pra nossa vida ter luz...”.

E ganhou chita e perfume e também um retrato emoldurado do Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao colocar na parede de barro, os olhos da velha senhora brilhavam tanto que mais pareciam o sol do sertão tomando a casa inteira.

Depois de beber água de cuia, do descanso e do capim ressequido, o animal tomou o rumo da estrada. O homem havia comido pouco, quase nada, apenas uma xícara de café com pão, mas parecia saído do maior banquete do mundo. Estava com o espírito tomado do maior alimento que possa existir: a felicidade.

Por isso é que pelos sertões se diz que nos caminhos dessa vida, numa porta a acolhida.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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O Cariri Cangaço e o Velho Chico

Por: Manoel Severo
 Manoel Severo e Jairo Luiz

O domingo 28 de julho começou cedo para a Caravana Cariri Cangaço em Piranhas, nosso compromisso as 8 da matina era no porto da cidade ribeirinha, partiríamos no Majestoso Catamarã São Francisco; o mais novo empreendimento da família Rosa; rumo a Angico, na margem sergipana do Velho Chico.

Opará, essa é a denominação do Velho Chico, pelos indígenas. O majestoso rio da integração nacional nasce no município de São Roque de Minas, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude, atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas, tendo por fim sua foz no Oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 mil km² e atingindo 2 830 km de extensão.


 Juliana Ischiara
 Jaqueline Rodrigues
 Edvaldo, confrade de Água Branca
 Família Cariri Cangaço rumo a Angico
 Elane Marques e Ingrid Rebouças
 O menino, o volante e o Velho Chico
 Dona Fátima Cruz e Professor Pereira

O Rio São Francisco tem seu "descobrimento" creditado ao navegador Américo Vespúcio, que navegou em sua foz em  1501, e seu nome em homenagem ao Grande Francisco de Assis  se dá pela data da expedição , 04 de outubro, dia em que o mundo cristão festeja São Francisco.

O trajeto do porto de Piranhas até a Grota do Angico foi feito pelo mais novo Catamarã da família Rosa, "São Francisco”, tendo a frente o companheiro Célio Rodrigues e seus irmãos. São cerca de 11 km rio abaixo, do lado alagoano o município de Piranhas, do lado sergipano o município de Canindé do São Francisco e Poço Redondo, onde se localiza a famosa Grota do Angico.

 Antônio Vilela e a Caravana de Garanhuns no Cariri Cangaço Piranhas
 João de Sousa Lima, Manoel Severo e o casal Lamartine Lima
Do Velho Chico a imagem da Velha Capela: Piranhas Velha
Piranhas se afasta lentamente
 Jaqueline Rodrigues e Manoel Severo
Ingrid Rebouças e o Catamarã São Francisco
Aninha, Rosalia, Letícia, Wescley e Lili
Antônio Vilela e Archimedes Marques
Alan Pernambuco, Manoel Severo e Professor Pereira

Todo o trajeto fluvial é simplesmente fascinante, a beleza do rio, uma imensidão de azul nos cercando por todos os lados, ao longe, nas duas margens a vegetação rala, típica da caatinga, o verde das últimas chuvas e no céu, um ou outro pássaro parecendo nos observar... e saber para onde iríamos. Perto de vinte minutos depois, chegaríamos ao pier do Restaurante Angico e dalí seguiríamos pela trilha utilizada pela volante, até a grota mais famosa do planeta. Realmente uma visita imperdível.

Manoel Severo
Cariri Cangaço Piranhas

Semana do Cangaço

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O ÚLTIMO COMBATE DE LAMPIÃO

Por: Leandro Cardoso Fernandes*
O cangaceiro Moreno e Leandro Cardoso Fernandes - Publicado em 20/07/2012 por pacabral

Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na margem sergipana do Rio São Francisco, em Angico, irrompeu o tiroteio em que morreram Lampião, Maria Bonita, Enedina, Luiz Pedro, Mergulhão, outros 6 cangaceiros e o soldado Adrião Pedro de Souza.

O ataque foi fruto da ação conjunta entre as volantes do Tenente João Bezerra da Silva, do Aspirante Francisco Ferreira de Melo e do sargento Aniceto Rodrigues, todos da polícia alagoana. Apesar dos contratempos, Bezerra e Ferreira de Melo conseguiram superar a inteligência bélica de Lampião, impondo ao experiente cangaceiro o fator surpresa, com grande êxito.

Fonte: http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/

Neste pequeno artigo, tentaremos reconstituir, de maneira sucinta, o desenrolar da trama que culminou com a morte do Rei e da Rainha do Cangaço.

Desde meados de 1936, após a invasão de Piranhas (AL) por Gato, Moreno e Corisco, que a perseguição aos cangaceiros acirrou-se sobremaneira. Lampião vinha driblando as volantes na região limítrofe entre Alagoas, Sergipe e Bahia, sempre margeando o Rio São Francisco e as caatingas destes três estados, onde estabelecera grande e sólida rede de coiteiros.

Antes do combate do Angico, o último grande confronto de Lampião com forças volantes foi o combate da Lagoa do Domingos João, arredores de Canindé do São Francisco (SE), em meados de 1937, onde fora surpreendido pela volante de Zé Rufino. Desde então, Lampião estava retraído, escondendo-se ora na margem sergipana, ora na margem alagoana do Velho Chico.

Zé Rufino - Fonte: Acervo pessoal Leandro Cardoso

Neste período, Maria Bonita começou a “escarrar” sangue. Especula-se que tenha sido sequela do tiro que levara na Serrinha do Catimbau (Garanhuns, Pernambuco) dois anos antes ou, quem sabe, tuberculose. Lampião, com a ajuda e proteção do todo-poderoso Coronel sergipano Hercílio Brito, enviara Maria, incógnita, para Propriá, cidade próspera do interior sergipano, para ser tratada adequadamente por médico, o que foi feito a contento.

No período de ausência de Maria, Lampião ficou gravitando entre os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo (SE) e Piranhas. Numa das vezes que visitou a fazenda Pedra D’Água, município de Canindé do São Francisco, de propriedade de Dona Delfina Fernandes. Lampião prometeu, nesta ocasião, que em fins de julho, após o retorno de Maria, retornaria à fazenda para apadrinhar uma criança da fazenda, conforme havia lhe pedido a proprietária.

Quando da travessia do São Francisco, de Alagoas para Sergipe, dias antes do combate do Angico, teria dito ao grupo que estava cansado da perseguição que lhe moviam as volantes da Bahia, Pernambuco (os Nazarenos), Alagoas e Sergipe; que talvez fizesse uma grande viagem para Minas Gerais, e que quem quisesse acompanha-lo estava livre para fazê-lo (palavras do ex-cangaceiro Candeeiro). Disse também que chamara, para uma reunião, os subgrupos de Corisco, Ângelo Roque (o Labareda) e Zé Sereno.

Corisco recebera um bilhete de Lampião, cujo conteúdo (relatado por Dadá) convocava-o para dar uma lição em Zé Rufino, que “queria passar de pato a ganso”. No entanto, o real motivo da reunião, até hoje é motivo de especulação. Corisco ainda chegou até o Angico, dois dias antes do combate, mas disse a Lampião que não gostava daquele lugar que parecia “cova de defunto: com uma entrada e uma saída”. Após conversar com Lampião, atravessou novamente o São Francisco, ficando na margem alagoana, esperando o grupo de Ângelo Roque, que ainda não havia chegado, para novamente se encontrarem.

O coiteiro de Lampião no Angico era Pedro de Cândido, que morava em Entre-Montes, localidade próxima a Piranhas, na margem alagoana do rio. Um vizinho, Joca Bernardes, desconfiou de Pedro, pois este havia comprado muitos queijos, além de ter trazido coisas da feira de Piranhas. Joca, que tinha, talvez, inveja do vizinho (provavelmente pela proximidade deste com Lampião) foi até a delegacia de Piranhas e avisou ao Sargento Aniceto Rodrigues: - Aperte Pedro, que ele tem Lampião!

Aniceto, então, telegrafou para João Bezerra, que estava na cidade de Pedra de Delmiro (AL), com sua volante e com Ferreira de Melo, enviando a seguinte mensagem: “Venha imediatamente. Boi no pasto!”.

Bezerra, que entendeu a mensagem codificada, tomou duas metralhadoras emprestadas da volante do nazareno Odilon Flor, sem nada informa-lo, e apressou-se para retornar a Piranhas.

Na tarde do dia 27, as três volantes (Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto) partiram com a informação dada por Joca Bernardo de que Pedro de Cândido tinha o paradeiro de Lampião. Bezerra, então, manda dois soldados buscarem Pedro em casa.

Pedro é trazido e questionado por Bezerra e Ferreira de Melo. Nega saber do paradeiro de Lampião. O Tenente, então, subjuga-o e arranca uma das unhas de Pedro com a ponta do punhal e “força” sua costela “mindinha” com o cabo do mesmo punhal. Pedro, então, confessa tudo: Lampião está ali perto e ele os levará até ele. Pede, entretanto, para irem buscar seu irmão, Durval Rodrigues Rosa, pois ele sozinho teria dificuldade de guiar as três volantes. Durval, pego de surpresa, é, então, incorporado à tropa.

Procuram o canoeiro Pedro Bengo, que ajouja duas canoas, e, assim, consegue transportar todos os homens para a margem sergipana do rio.

Os soldados seguiram silentes, tomando cachaça com pólvora para vencer o frio e o medo de, naquela madrugada, enfrentarem o Rei do Cangaço.

Voltemos aos cangaceiros.

Após sua recuperação, Maria retorna ao seio do bando, dias antes do combate do Angico. Chega, porém, com uma novidade: cortara o cabelo ‘a la garçon’, então na moda, o que despertou a fúria de Lampião, que não aprovou a “modernidade”. Segundo testemunhas (depoimentos de Dulce e Cila), tiveram um briga feia na véspera do combate.

Na noite daquele 27 de julho de 1938, Maria, Cila e Dulce sentaram-se no alto de uma pedra para fumarem. Maria botou para fora a raiva que estava de Lampião e as três conversaram bastante, inclusive sobre o que aconteceria se fossem presas. Maria dizendo que se fosse presa por uma volante baiana não teria muitos problemas, pois tinha primos que sentaram praça. Cila, por sua vez, disse que preferia as volantes de Sergipe. Em determinado momento, Cila chama a atenção das amigas para uma luz que acendia e apagava ao longe. “- Não será luz de pilha (lanterna)”, perguntou?. Maria, que era a mais experiente, não deu bola e disse que era vagalume. Ledo engano. Era a tropa que avançava.

Enfim, jogaram conversa fora e depois voltaram para dormir. Segundo Balão, todos se recolheram por volta das 22h. Enquanto isso os soldados se aproximavam silenciosamente, tentando fechar o cerco.

Acordaram por volta das quatro e meia/cinco horas da manhã. Lampião convidou para rezarem o Ofício de Nossa Senhora. Os que quiseram, levantaram-se e rezaram. Outros continuaram sob as cobertas, por causa do frio (caso de Candeeiro). Já outros, rezaram e voltaram a deitar-se (caso de Cila). Lampião, Zé Sereno e Luís Pedro já estavam de pé e tomaram um cafezinho feito pelo cangaceiro Vila Nova (o único que estava devidamente equipado naquela hora). Zé Sereno ponderava com Lampião que já haviam se demorado muito ali e que deveriam sair, sob pena de serem emboscados. Lampião disse que sairiam após o café.

Então, Lampião ordenou que Amoroso fosse até um dos caldeirões de água (pequena poça d’água acumulada a uns 70-80 metros de onde estavam). Amoroso, ao chegar no referido caldeirão, se preparou para urinar, e iria fazê-lo em cima dos soldados, que estavam escondidos ali próximos. Estes haviam recebido ordens de João Bezerra para não atirar antes dele, até que o cerco estivesse fechado. Os soldados, porém, não tiveram escolha, pois o cangaceiro estava muito próximo, quase “topando” neles.

Atiraram, então. Mas, por medo ou embriaguez, erraram e Amoroso volta correndo. Nesse ínterim, Maria Bonita vinha na mesma direção, com uma bacia de queijo do reino, para pegar também água. Os soldados, então, não perdem tempo e atiram na cangaceira, que grita: “- Valhei-me, Nossa Senhora!”. Maria foi, então, alvejada na barriga e, quando virou-se para correr, recebeu um balaço nas costas, caindo, logo adiante.

O tiroteio, neste meio tempo, já irrompeu para os lados onde Lampião estava. Zé Sereno, quando ouviu os tiros sobre Amoroso, disse a Lampião: “Não falei que a gente brigava hoje?”.

Logo aos primeiros tiros, o fuzil de Lampião foi atingido no engenho, o que limitou a reação do Rei do Cangaço (palavras de Candeeiro), e o fez ser atingido no tórax e no baixo ventre, caindo ao solo.

Zé Sereno conseguiu escapar ao furar o cerco parcialmente fechado (Aniceto perdera-se e não havia conseguido chegar neste momento) fingindo-se passar por um volante: “- Não atire, que é companheiro!”. Conseguiu, portanto, fugir.

Candeeiro correu, mas topou com os soldados de Aniceto Rodrigues no meio da mata, e foi atingido no braço, perdendo a capacidade de revidar os tiros. Mesmo assim, conseguiu fugir, ajudado por Amoroso e outros cangaceiros.

Cila, que praticamente foi arrastada pelos companheiros, estava em estado de choque. Correu pela caatinga descalça, pois não teve tempo de calçar as alpercatas. Na hora da fuga, a cangaceira Enedina vinha atrás dela. Em determinado momento, Cila sentiu um impacto nas costas e virou-se pra ver o que era. Deparou-se com Enedina caída no chão: levara um tiro na nuca e os pedaços de massa encefálica, meninges e sangue foram às costas de Cila. Segundo relatou em entrevista ao autor destas linhas, demorou muito tempo para tirar as manchas de sangue e cérebro que ficaram no seu vestido.

O tiroteio foi intenso e durou uns 20 a 25 minutos. Um dos soldados, Honorato, deu um tiro na cabeça de Lampião, quando este estava caído no chão, o que suscitou grande reprimenda de João Bezerra, que disse: “-Não atirem na cabeça! Não é pra esbagaçar! É pra cortar e levar!”.

Segundo depoimentos de cangaceiros e volantes, Maria Bonita teria implorado para não morrer. No entanto, foi degolada pelo soldado Santo (na verdade, Sandes), ao que parece ainda com vida.

O tenente João Bezerra foi baleado na perna durante o combate, provavelmente por Zé Sereno. Um soldado, Adrião Pedro de Souza foi morto durante o combate, provavelmente por Balão.

Corisco ouviu o tiroteio, mas como estava no outro lado do rio, não teve como dar uma retaguarda a Lampião. Só depois ficou sabendo o resultado do confronto.

João Bezerra ordenou que os onze cangaceiros mortos fossem decapitados e as cabeças levadas para Piranhas, onde foram fotografadas na escadaria da prefeitura. Depois de condicionadas em latas de querosene, foram levadas para Maceió, não sem antes serem exibidas em várias cidades do interior de Alagoas aos circunstantes, o que muito prejudicou a conservação das mesmas.

Em Maceió, as de Lampião e Maria foram examinadas pelo médico legista da Polícia Militar de Alagoas, Dr. José Lages Filho, que emitiu laudo de necropsia das peças. Posteriormente, foram mandadas para o Instituto Nina Rodrigues, em Salvador, onde ficaram expostas até 1969. Neste ano, foram sepultadas em urnas, após pedido da família.

Aí está, em algumas pinceladas, o combate do Angico, o tiro de misericórdia no Cangaço, que ainda estrebucharia até 1940, com a morte de Corisco. Os grandes vitoriosos deste episódio foram João Bezerra e Francisco Ferreira de Melo, que conseguiram seu intento, apesar dos muitos empecilhos que se apresentaram (a recusa inicial de Pedro em ajudar, o cerco que não estava fechado, a travessia do rio…). As luzes de Bezerra e Ferreira de Melo ofuscaram o brilho de Lampião, que não conseguiu cumprir a promessa que fizera a Dona Delfina. A dona da fazenda Pedra D’Água teve de arrumar outros padrinhos para festa em que aguardava Lampião e seu bando, com muito arroz doce e canjica.

* Leandro Cardoso Fernandes é médico, escritor e consultor da Sertão Games para o Cangaço Wargame. Apaixonado pelo tema desde os 12 anos de idade, coleciona peças e fotos originais. Também realizou várias entrevistas e conversas informais com cangaceiros.

Referências:

Araújo. A.A.C. “Assim Morreu Lampião”. Traco Editora. São Paulo. 1971.
Depoimentos de Zé Sereno e Balão a Antonio Amaury C. de Araújo. São Paulo. 1970.
Depoimento de Cila a Leandro Cardoso Fernandes. São Paulo. 2003.
Depoinento de Leônidas Fernandes (filho de Dona Delfina) a Leandro Cardoso Fernandes. São Paulo. 2003.
Candeeiro. Vídeo de Aderbal Nogueira. 2008.

http://cangaco.com/2012/07/20/o-ultimo-combate-de-lampiao

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Vídeos sobre Lampião


Estas imagens são reais de Lampião e seu grupo nas caatingas do nordeste brasileiro, filme feito pelo libanês Benjamim Abraão Botto, o único homem que teve a coragem de filmar estes perversos e sanguinários homens dentro da mata.


Em 1938, a Grota de Angico, no Estado de Sergipe, em terras de Poço Redondo, guardava o rei e a rainha do cangaço Lampião e a sua amada Maria Bonita, mais 11 elementos do seu afamado grupo. 

Na madrugada de 28 de Julho do mesmo ano, 48 policiais cercaram a Grota, e sem dó e sem piedade assassinaram os facínoras, os quais não tiveram tempo de se defenderem. 

Soldado Adrião

Além destes cangaceiros mortos, o soldado Adrião também perdeu a sua vida, e segundo o escritor e pesquisador do cangaço, lá da cidade de Garanhuns, no Estado de Pernambuco, Antonio Vilela de Sousa, diz em seu livro " O outro lado da história" que ele fora assassinado por um dos seus companheiros.

Wescley Rodrigues e Antonio Vilela de Sousa

Veja os vídeos acima para você conhecer um pouco sobre a vivência de Lampião e seu bando nas caatingas. O outro vídeo fala como aconteceu a chacina na Grota de Angico.

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Por: Geraldo Maia do Nascimento
Geraldo Maia do Nascimento e Kydelmir Dantas

Durante o período de 1869 a 1872 Mossoró foi administrada pelo tenente-coronel da Guarda Nacional Luiz Manuel Filgueira. Foi durante a sua gestão que Mossoró passou ao predicamento de cidade. Foi também durante essa fase que começou a circular, pela primeira vez, o jornal “O Mossoroense”.
               
Filgueira era comerciante em Mossoró e era casado com D. Herculana Gratulina Praxedes, irmã por parte de pai de Bento Praxedes. Era descendente dos Camboas, mas por outro lado estava ligada aos Carneiros de Freitas, família que nessa região teve a sua origem genealógica na figura do capitão Manuel Carneiro de Freitas, conforme nos informa Lauro da Escóssia.

               
Luiz Manuel Filgueira foi o 5º governante de Mossoró. Alguns fatos importantes acontecidos na sua gestão:
               
A lei nº 620, de 9 de novembro de 1870, eleva a vila de Mossoró ao predicamento de cidade. O projeto foi do vigário Antônio Joaquim Rodrigues, deputado provincial pela sexta vez, apresentado à Assembleia Legislativa na sessão de 25 de outubro de 1870. Câmara Cascudo registrou um comentário que o vigário teria feito: “Fiz disso aqui uma cidade! Dizia ele abraçando os amigos no regresso à Mossoró que vira povoação e ajudara a fazer vila”. Nesse período Mossoró já era tida como “Empório Comercial”, já que as mercadorias chegadas a Mossoró através do seu porto, vindo de várias partes do mundo, eram distribuídas não só pelo Oeste potiguar, mas também por parte da Paraíba e do Ceará.
               
Jeremias da Rocha Nogueira funda a 17 de outubro de 1872 o primeiro órgão da imprensa de Mossoró, que se chamaria exatamente “O Mossoroense”. Esse jornal, em sua primeira fase, circulou até 1876, ajudado por José Damião de Souza Melo e Ricardo Vieira do Couto. Era um órgão ligado ao Partido Liberal de Mossoró, e como estampava em seu frontispício, “dedicado aos interesses do município, da província e da humanidade em geral”.
               
O comércio cresceu bastante nesse período. Em dezembro de 1872 Wilhem Defren, um alemão distinto, educado e de ameníssimo trato, abria casa de negócio e anunciava pela imprensa “que havia chegado uma remessa de prata em patacões para a compra de gêneros pelo que prevenia aos sertanejos que querendo-lhe dar a preferência nas vendas de couro e lã, pagaria na dita espécie”. Também já se confeccionavam roupas “no rigor da moda”. E quem desejasse uma calça bem feita ou um fraque “de gosto moderno”, ou uma sobrecasaca, era só procurar a “Casa de João Rodrigues Pará”, que ficava à Praça da Liberdade.
               
Raimundo Soares de Brito registrou em seu livro “Legislativo e Executivo de Mossoró – numa viagem mais que centenária”, um fato curioso havido nesse período: o delegado de polícia José Joaquim Seve foi preso “em nome da Opinião Pública” pelo abolicionista João Cordeiro.Segundo notícias que circulavam, o delegado “teria mandado dizer ao Chefe de Polícia que João Cordeiro havia proclamado a República em Mossoró”.
               
Luiz Manuel Filgueira faleceu em 1876. Desconheço a existência de alguma homenagem prestada pela municipalidade.
               
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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sábado, 3 de agosto de 2013

Só enquanto não vem cangaço - Casa de Menores Mário Negócio, uma Instituição extinta - Parte I

Por: José Mendes Pereira
Foto: JOSÉ MENDES PEREIRA

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Esta instituição foi criada pelo político Aluízio Alves, quando ainda não era governador do Estado do Rio Grande do Norte. Durante décadas ela acolheu muitos filhos de pessoas pobres para estudarem.

Raimundo e eu  fomos adeptos dela, e eu agradeço de coração aos que me encaminharam para ela, como dona

Dona Chiquinha Duarte
Dona Chiquinha Duarte - mulher que me fez professor

Chiquinha Duarte que adquiriu uma vaga, e nela, vivi durante oito anos estudando, e posteriormente consegui emprego e até mesmo, cursar uma faculdade, que na época eram poucos que tinham este privilégio. E ainda consegui ser professor da educação estadual, durante 25 anos.

Raimundo Feliciano - ex-interno da Casa de Memores Mário Negócio

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano, somente nós podemos falar  o que aconteceu de engraçado naquela escola. Tivemos todas as assistências necessárias, segundo os regulamentos que regiam àquela instituição.

Fomos assistidos desde a alimentação até mesmo roupas e calçados. Só não tínhamos direito a cigarros e bebidas, mas sempre nós dávamos o nosso jeito.

Não era necessário nenhum de nós dizer  que estava precisando de calças, camisas, sapatos ou outras coisas parecidas, nossas diretoras sabiam  e cuidavam da gente com especial carinho.

Você sabe muito bem que o interno mais peralta daquela escola, sem dúvida era você, que mexia com todos, até mesmo com os funcionários que cuidavam de nós. 

Lembro bem das bagunças que fazíamos, mas geralmente tudo era pago com preços altos.

Certa vez o Zé Fernandes que era filho de Pedro e Telina chegou das suas férias, trazendo consigo uma enorme rapadura, onde ela fora fabricada eu não sei,

Foto: Que coisa, hein!

Nos anos sessenta - Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira 
Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira

e Sebastião, o natalense, você e eu desejamos comê-la. A solução seria nós roubá-la. Feito o roubo, fomos lá para trás da escola. Com bolachas fizemos um bom lance, coisa que nós não sabíamos que iríamos pagar caro. 

No dia seguinte, assim que dona Severina Rocha, a vice-diretora chegou à escola, Zé Fernandes enredou-a do furto que haviam feito na sua mala.

Aquele maldito sino, para nós, sempre foi malvado. Sei que você ainda lembra que um toque era para nós, internos, dois toques eram para os funcionários. Quando o sino batia a primeira pancada, nós ficávamos esperando pela segunda, do contrário todos os internos estavam fritos. Alguém tinha feito algo errado.

Nesse dia, assim que o sino tocou uma batida, esperamos a segunda, mas não houve a segunda batida. Ali, nós três estávamos fritos. O roubo da rapadura tinha chegado à diretoria. 

Fomos todos para diretoria, todos ali amontoados,. Os outros não tinham feito nada de errado. Somente nós três éramos os responsáveis pelo furto da rapadura de Zé Fernandes. 

Um dizia que não tinha sido ele. outro também declarava que não sabia  de tal rapadura. outro pedia que quem tivesse furtado a rapadura que se entregasse. Como os outros não eram responsáveis pelo furto, fomos obrigados a declararmos o nosso feito, que nós três éramos os malfeitores da rapadura de Zé Fernandes. 

Ficamos uma semana sem sairmos para lugar nenhum, apenas sentados ao redor de uma mesa. 

Lembro bem que nós só almoçávamos depois que todos os internos faziam as suas refeições.

A Beatriz que sempre fazia o papel de mãe implorava a dona Severina, que nós deveríamos almoçar juntos com os outros, e que isso era uma humilhação, em alimentarmos separados como se fôssemos marginais.

Após as refeições dos outros internos, fazíamos as nossas refeições. E quando as empregadas traziam os nossos almoços, geralmente você dizia: "-Lá vem o comer dos três ladrões".

Foram tantas estripulias feitas por nós, principalmente por você, as quais  contarei na próxima publicação. 

Continua...
Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

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João Wilson Mendes Melo - da Academia Norte Rio-Grandense de Letras

Foto: João Wilson Mendes Melo - da Academia Norte Rio-Grandense de Letras
João Wilson Mendes Melo

O autor e seus livros

“Não é demais afirmar que já basta, em grandeza, a colaboração concedida no ‘crescei-vos e multiplicai-vos’, pois ela é sem par na natureza divina e humana, aperfeiçoada pela concepção da paternidade responsável, que traduz a transcendência daquela ordem e as exigências do bem-estar humano no nosso tempo.”
João Wilson Mendes Melo

João Wilson Mendes Melo nasceu em Mossoró, às margens do rio do mesmo nome, no sítio denominado Canto dos Filgueiras, um dos lugares mais aprazíveis do Rio Grande do Norte.

Iniciou seus estudos na mesma cidade, concluindo o primário em Ceará-Mirim e o então secundário em Natal, no Colégio Santo Antônio, dos irmãos Maristas e no Atheneu Norte Rio Grandense. Bacharelou-se em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito de Alagoas, Maceió.

Dedicando-se à leitura dos autores brasileiros e franceses, começou desde cedo a redigir crônicas, artigos e alguns poemas que foram publicados nos jornais da época, sobretudo A República, o Diário e A Ordem. Pertenceu à Academia de Letras do Atheneu, iniciativa dos alunos do mesmo estabelecimento do ensino público estadual.

Sua atividade principal foi a de professor, tendo ensinado na Escola Técnica de Comércio e no Seminário de São Pedro, em Natal, posteriormente em faculdades incorporadas à Universidade.

Figura como um dos fundadores da Escola de Serviço Social, da Faculdade de Ciências Econômicas, da qual foi diretor durante oito anos; da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ocupando a função de vice-diretor; bem como da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, hoje Universidade Federal, UFRN, da qual é professor aposentado.

É membro da Academia Norte Riograndense de Letras, onde ocupa a cadeira nº 25 da qual é Patrono o poeta Ponciano Barbosa, da Academia de Letras e Artes do Nordeste, e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Foi agraciado com o título de Cidadão Natalense, pelo Decreto Legislativo nº 600/02 da Câmara Municipal de Natal, em 17 de junho de 2002.

Foi homenageado com a medalha do mérito governador Dinarte Mariz, pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, em 9 de dezembro de 2005.

Colaborou por muito tempo nos jornais A Razão, A Ordem, A república, o Diário de Natal, o Poti, a Tribuna do Norte, A Verdade, o Jornal de Hoje, na publicação literária o Galo e nas Revistas do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da Academia Norte Riograndense de Letras, e nas revistas Tempo Universitário e História, da UFRN.

Fonte: http://mendesmelo.wordpress.com

Enviado pelo pesquisador do cangaço: 
José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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