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domingo, 18 de agosto de 2013

TIRO DE GUERRA DE MOSSORÓ - Parte I

Por: José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Se a Casa de Menores Mário Negócio foi para nós um divertimento de bagunças, sem prejudicarmos ninguém, igualmente foi o Tiro de Guerra,

 
Tiro de Guerra de Mossoró - jotamariatirodeguerra.blogspot.com

que  nos divertíamos a cada momento, muito embora lá não só foi flores, passamos por provas difíceis, como os chutes nas nossas canelas, que vez por outra nós recebíamos dos sargentos quando errávamos os passos nas sofridas marchas, e os treinos de guerra nas imediações do campo de futebol Afonso Leonardo Nogueira.

O futuro Nogueirão de Mossoró - http://www.robsonpiresxerife.com

No ano de 1970, todas as madrugadas, de segunda a sexta, você e eu saíamos da Casa de Menores Mário Negócio em direção ao Tiro de Guerra, para cumprirmos aqueles malditos ensaios de guerrilheiros, administrados pelos sargentos: Moura, Everaldo e Gumercindo.

O sargento Moura (1º. sargento), tinha uma aparência meio esquisita, alto, magro, de olhos azuis, de cor agalegada, e mantinha a ordem com severidade, mas na verdade, quando estava apaisana, era uma boa pessoa, que nos atendia como se nós fôssemos seus amigos.

Este fora apelidado pelos atiradores de "Cogumelo", e pelas suas aparências, já passava dos 50 anos de idade. Era encarregado da 1º. turma de atiradores e residia na sede do TG.

O sargento Everaldo (2º. sargento), era baixo, de corpo largo, moreno, irritado e bastante moralista. Pouco falava com nós, atiradores. Qualquer erro praticado por um recruta, aquele já estava escalado para fazer faxinas no TG, limpando janelas, varrer a quadra, limpar banheiros etc. E um dos que mais fez aquele trabalho, sem dúvida foi você. Meia volta, volta e meia, você estava escalado para fazer faxinas. Mas você não deve culpar ninguém, merecia, devido as suas brincadeiras.

O sargento Everaldo ganhara o apelido de "Toco de amarrar onças". Aparentava ter menos idade do que o sargento Moura, e era encarregado da 2º. turma, com 50 atiradores. Além do sargento Moura ele  também residia na sede do TG.

O sargento Gumercindo (3º. sargento), este estava no começo da vida, com 25 anos de idade, e de estatura média, meio atlético, moreno claro, de voz grossa e lenta, amigo de todos os recrutas, e que algumas vezes ele escondeu falhas de atiradores. Residia no antigo Grande Hotel em Mossoró. Por duas vezes eu fui incumbido de levar do TG uma de suas pastas, que me parece que à noite anterior ele havia dormido por lá.


Grande Hotel - telescope.blog.uol.com.br

O sargento Gumercindo era encarregado da 3ª. turma de atiradores, sendo nós dois, comandados por ele, e que muitas vezes se irritou com alguns recrutas, mas logo estava de bem com todos nós. Ganhara o apelido de "É UM PÃO",  pseudônimo dado pelo atirador Luiz Mauro, amigo mais próximo seu.

"É UM PÃO" era uma expressão que dava a entender que o jovem era quente mesmo,  criada pela juventude feminina, nos anos sessenta e se estendeu até a década de setenta. Quando as jovens viam um rapaz lustroso, vamos dizer assim, de boa pinta, bonito, a moçarada o chamava de "É UM PÃO". 

Sendo o atirador Luiz Mauro muito cheio de graça e gostava de imitar bichas (apenas ele se fazia), e como o sargento Gumercindo era jovem, com uma aparência de artista de cinema, ele deu esta alcunha, cuja, servia para acalmá-lo quando se irritava com a gente. Logo alguém dizia descaradamente: "É UM PÃO". Mas essa era a forma de ludibriarmos o sargento quando alguém ultrapassava os limites.

Com isso, o sargento Gumercindo se rendia e se desmanchava em risos, deixando os nossos erros para trás, sem nos entregarmos ao sargento Moura, que era o manda chuva do TG.

Foto: Que coisa, hein!

Nos anos sessenta - Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira
Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira - Tibau-RN

Certa feita, numa madrugada de 1970, já bem próximo ao final da conclusão das nossas prestações militares com o exército, saímos da Casa de Menores já atrasados, que deveríamos chegar ao TG antes das cinco horas da manhã. E de lá, nós sairíamos em caminhadas até o local em que nós treinávamos tiros ao alvo, localizado ao lado da BR que segue para Fortaleza.


blogdomendesemendes.blogspot.com

Quando nós chegamos ao TG todos os atiradores e os sargentos já haviam seguido viagem, apenas o sargento Moura se encontrava lá. Assim que nos viu, ficou nos xingando, chamando-nos de dois grandes irresponsáveis, por termos chegado atrasados ao TG.

 
motorlight.blogspot.com

Como ele iria no jeep, levando os fuzis, balas e outros equipamentos para os nossos treinos,  eu pedi que nos levássemos, já que a pé nós não chegaríamos tão cedo. 

O sargento Moura foi curto e grosso, dizendo que não nos levava, porque os outros atiradores haviam caminhado cedo para o locar de treino, e nós, usando irresponsabilidades, àquelas horas, ainda estávamos no terreiro do Tiro de Guerra.  E sem mais dizer nada, ligou o jeep e deu partida em direção ao ponto de treinamento. Eu gritei, insistindo, pedindo-lhe que nos levássemos no jeep até ao local de treino.

Como ele e os outros sargentos já viviam irritados com você, devido o seu péssimo comportamento, a resposta que ele me deu, que me levava, mas o 138, você, não iria no jeep de jeito nenhum.

Como nós morávamos na mesma  casa, e não querendo deixar você para trás, respondi-lhe que se não levasse  você, eu não iria com ele. 

Ciente que eu não iria novamente deu partida no jeep. Mas ele se arrependeu. Andou muito pouco, rendendo-se, e em seguida gritou, nos chamando para irmos com ele.

O sargento Moura era professor de Educação Física no Colégio Diocesano, e iria passar lá para comunicar aos dirigentes que àquela manhã não iria dar aulas aos alunos, porque estava indo para os treinos do Tiro de Guerra.

Nós caminhávamos pela rua dos fundos do colégio, e lá, ele desceu, nos dizendo que iria até à secretaria do colégio para fazer o comunicado da sua ausência naquele dia, recomendando-nos que logo voltaria da secretaria.

Assim que ele desceu e abriu o portão do colégio nos recomendou, que uma porção de vacas que ruminava por ali, nós não a deixássemos entrar no quintal do colégio. Mas quando ele desapareceu da nossa vista, o gado fez carreira e entrou na garra e na marra, sem que nós pudéssemos evitar aquela invasão do rebanho. 

envolverde.com.br

Ao sair do colégio e ao ver o rebanho de gado dentro do cercado, que na época era cerca, o sargento esbravejou, e quase nos engole, exigindo que nós colocássemos todos os animais para fora das dependências do colégio.

Sem outra solução, fomos obrigados a correr atrás dos animais, e sem muitos esforços, finalmente conseguimos expulsá-los de lá.

Mas o pior foi o castigo que recebemos lá no treino. Você, Raimundo, teve que passar várias vezes em uma cerca de arame farpado, rastejando, e do outro lado, um cocô de vaca estava te esperando, deixando-lhe todo sujo e fedorento.

Os sargentos te marcavam Raimundo Feliciano, porque você não deixava ninguém quieto. Era um verdadeiro capeta. Foi uma grande sorte ter terminado o serviço militar em Mossoró, porque você foi condenado várias vezes para ser mandado para a tropa em Natal.

Eram 64 pontos de faltas que nós tínhamos direito, e agradeça de coração, que mesmo você dando trabalho aos patenteados, muitas vezes consideraram a sua ausência, aliás, quase todas as suas faltas foram causadas pelo seu péssimo comportamento, mas sem prejudicar a ninguém, apenas irritava os sargentos.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fontes:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com 
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sábado, 17 de agosto de 2013

Crato se prepara para receber o Cariri Cangaço 2013

beleza de Crato nas lentes de Dihelson Mendonça

Muitos encontros e reuniões começaram a definir a participação especial de Crato no Cariri Cangaço 2013. Logo pela manha estivemos participando do Jornal do Cariri, ícone da programação radiofônica da região, através da Radio Educadora do Crato, sob o comando do antológico Antônio Vicelmo. Na oportunidade foi apresentada a agenda do Cariri Cangaço para o ano em curso, com suas avante-première nos meses de Maio, Junho e Julho e as perspectivas e inovações esperadas para o evento principal em setembro.

Para o memorialista Huberto Cabral "É preponderante receber o Cariri Cangaço em Crato, um evento de renome e que se consolidou de vez no calendário cultural de nossa cidade", já o radialista Antônio Vicelmo confirma a importância de Crato sediar "o maior evento do gênero no Brasil". A entrevista contou ainda com as presenças da pesquisadora Juliana Ischiara e do deputado federal Raimundo Gomes de Matos.

 
 Antônio Vicelmo recebe Manoel Severo, dep Raimundo Matos e Juliana Ischiara


Manoel Severo e Huberto Cabral

No período da tarde mantivemos reunião com a equipe da Secretária de Cultura de Crato, Dane de Jade que sinalizou: "Quero fazer um grande Cariri Cangaço em Crato". Estiveram presentes ao encontro, além de Manoel Severo e Juliana Ischiara pelo Cariri Cangaço, o deputado federal Raimundo Gomes de Matos, a secretária Dane de Jade e os técnicos, Luciana Melo, Gisele e Luciano Santiago.

 
Dep Federal Raimundo Matos, Dane de Jade e Manoel Severo no encontro que marcou a participação de Crato no Cariri Cangaço 2013

Depois do encontro ficou acertado que Crato estará recebendo o Cariri Cangaço nos dias 21 e 22 de setembro, sendo responsável por uma extensa programação que contemplará as artes cênicas, mostra de vídeos documentários e cinema, dança, além da Conferência de Encerramento que terá como tema a "Sedição de Juazeiro", com base no espetacular filme de Jonasluis DA SILVA, de Icapuí.

Para o Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos "Iniciativas como essa do Cariri Cangaço, que resgatam nossa história e contam da nossa tradição, precisam de todo o apoio e sem dúvidas também conta conosco". Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo "é uma grande alegria poder mais uma vez compartilhar com Crato nosso Cariri Cangaço, na verdade, Crato é o berço do Cariri Cangaço e isso nos deixa muito felizes, é o mínimo que podemos fazer".

Crato receberá as atividades do Cariri Cangaço nos dias 21 e 22 de setembro, com destaque para a apresentação seguida de Debate do filme "Sedição de Juazeiro".

Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com
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Onde Ficar no Cariri Cangaço 2013 !


Sejam bem vindos ao Cariri Cangaço 2013.
O evento está confirmado para os dias 17 a 22 de setembro, tendo como cidades anfitriãs: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha,
Missão Velha, Aurora, Barro e Porteiras,
todas na Região Metropolitana do Cariri,
sul do estado do Ceará.

Para seu maior conforto e praticidade, sugerimos que possa reservar sua hospedagem tanto na cidade de Crato, como em Juazeiro do Norte,
os hotéis abaixo elencados são os hotéis oficiais do evento, que estarão praticando preços especiais para nossos convidados. Estes hotéis concentrarão todos os pesquisadores que irão participar do
Cariri Cangaço.

Escolha onde quer ficar e faça já a sua reserva!

 

INGRA HOTEL PREMIUM
Juazeiro do Norte, Ceará
Contato: (088) 3512.2824 / 3512.2976  - Sr. ADAILTON


HOTEL VILLA REAL
Crato, Ceará

Contato: (088) 3521.2824 Srta.SILVIA

Sejam bem vindos.

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Abelha Jandaíra Padre Huberto Bruening - Coleção Mossoroense.


Abelha Jandaíra - Padre Huberto Bruening - Coleção Mossoroense. (Que como Autoridades estaduais e do Município de Mossoró, estão permitindo o Seu Possível fechamento POR Falta de Apoio Financeiro)

Este Livro PODE Ser considerado o Único EXISTENTE nenhum Mundo Que Trata especificamente da abelha Jandaíra, abelha Que TEM Como habitat a Caatinga, no Nordeste brasileiro, Uma Região Marcada POR UMA quadra invernosa irregular Que dura Quatro Meses nenhum Ano, e ESSES mesmos Quatro Meses chuvosos AINDA correm o Risco de Localidade: Não acontecerem devido à estiagem, OU à seca Que assola a Região de tempos los tempos, colocando los Risco a População Que vive los tal área.O padre Bruening escreve Este Livro magistral los Opaco Metade DO MESMO Mostra a saga Opaco Passou desde OS tempos los that was transferido par a Cidade Mossoró, Uma Quase Região Central AO Que poderíamos Definir Como Polígono das Secas, e Nesta Região, Muito Diferente da SUA Região de Origem do Sul fazer País, com UMA Temperatura Mais amena e sujeita a Meses de Muito frio, elemento toma Contato com a Cultura local, ATÉ Que num belo dia, hum de SEUS paroquianos muda de Cidade e Deixa UMA CAIXA, UO colônias de abelhas Jandaíra AOS SEUS Cuidados. E o Segundo "Sinal", do conforme relata No livro, de quali Caminho térios Que Prosseguir, Pois elementos JÁ térios Tido hum Primeiro "Sinal" when percebeu Que UMA colônia de abelhas começou a habitar UMA Árvore Perto de Sua Casa. Aí elementos apaixonou-se pelas Abelhas e Aprendeu o Manejo das mesmas com OS caboclos, TÉCNICAS QUE ERAM arcaicas, mas elementos adaptou ESTAS Técnicas e Chegou uma Valorizar como mesmas, Só Criticando uma maneira de fechar a Caixa de marteladas, POIs utilizavam pregos Nesta função , e elementos substituiu POR Pedaços de-couro curtido Que Fazia uma função de dobradiça.O Livro saque Como dado histórico, Pois narra uma Invasão das Abelhas Africanas Que vieram fugidas do Sudeste, Mais precisamente de São Paulo e dali povoaram o País los de Todos os Quadrantes , e narra uma maneira feroz de Taís Abelhas, constatando mortes de animais e also Colocasia a culpa nestas Abelhas AFRICANAS Pela rareação da Abelhas Indígenas, notadamente a Jandaíra.Trata-se de UMA boa Leitura Onde ao Lado de abnegação e UMA UMA Simplicidade de hum Clérico Que, à maneira de São Francisco de Assis mostrava-se Muito próximos dos animais, also PODEMOS ver o Manejo Que PODE-se utilizar Localidade: Não somente parágrafo Este Tipo de abelha, como, de hum Modo Geral, na Criação de Todos os tipos de abelhas SEM ferrão.

Postado por Francisco Mello

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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ENTREVISTA C/ CANGACEIROS NA PRISÃO, EM 1944 Parte I

Por: Ivanildo Silveira

Amigos desta Comunidade:

O grande jornalista "JOEL SILVEIRA", no ano de 1944, realizou uma célebre ENTREVISTA com os cangaceiros ( VOLTA SECA; ANGÊLO ROQUE, SARACURA, CACHEADO, DEUS TE GUIE E CARACOL ), quando todos eles se encontravam presos, na Penitenciária de Salvador/BA, cumprindo pena.

Vejamos, abaixo, o texto na íntegra dessa famosa Entrevista, e tire suas conclusões.

PENITENCIÁRIA DE SALVADOR, março de 1944.

Em meio á conversa, fiz a pergunta inesperada: os antigos companheiros e comandados de Lampião se entreolharam, silenciosos. Angêlo Roque (Labareda) baixou a cabeça e Saracura, a fisionomia carregada, pôs-e a olhar pela janela aberta. Segundos depois, CAHEADO me encara com seu rosto de criança, ilumina-se num sorriso cândido e me diz:

- A gente matava como uns danados. - E acrescenta: - Mas a culpa não era da gente.

ÂNGELO ROQUE, o " velho Ângelo", aprovou com a cabeça. E, Cacheado continuou:

- Se os homens educados não auxiliassem a gente com MUNIÇÃO, a história seria outra. Não teria se dado nada do que se deu. Pensando bem, os criminosos são eles. Uma pessoa de bem não ajuda bandido.

É uma tarde de quinta-feira, e estamos aqui, num dos mais amplos salões da Penitenciária da cidade de Savador, diante dos seis famosos ex-cangaceiros: Volta Seca, Ângelo Roque (Labareda), Saracura, Cacheado, Deus Te Guie e Caracol.

Deus Te Guie é quase um menino, mas Ângelo Roque já vai se aproximando dos cincoenta anos: tem um rosto grave, de uma tristeza séria. O sertão deixou nele profundas marcas - as faces cortadas por rugas como talhos e nos olhos um brilho de sol inclemente. Antes de começar a tomar os meus apontamentos, o diretor da penitenciária fizera um pequeno discurso aos seis antigos bandoleiros. Aquilo seria, disse ele, uma espécie de mesa-redonda, na qual o jornalista e os prisioneiros debateriam assuntos ligados ao cangaço.

CONTINUA:

Ivanildo Alves Silveira
Pesquisador e colecionador do cangaço
Natal- RN

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?tid=5293056904671056060&cmm=387513&hl=pt-BR

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O FILME E O FATO (O VERDADEIRO ZÉ DE JULIÃO)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

O FILME E O FATO (O VERDADEIRO ZÉ DE JULIÃO)

Por mais que o filme “Aos ventos que virão”, do diretor Hermano Penna, seja cativante e comovente, e também mostre na sua trama a injustiça como elemento inibidor da liberdade e da realização humana, ainda assim não conseguiu alcançar a pujança e a dramaticidade de “Sargento Getúlio”, película mais famosa do diretor.

Não cabe aqui fazer comparações, pois são enredos diferentes. Porém, com histórias que se aproximam. Nos dois a política conduzindo as ações humanas, a violência transformando a realidade. E se “Sargento Getúlio” foi tão laureado, o foi exatamente porque mostrou uma realidade nua e crua, sem pinceladas. O que efetivamente não ocorre com “Aos ventos que virão”.

Este não surpreende nem fascina. E por um motivo muito simples. Penna preferiu colocar asas num filme que requeria a perfurante ponta de espinho e as agruras dos carrascais sertanejos. Sua proposta seria plenamente válida se a sua trama fosse apenas ficcional. Mas não. É a partir da realidade vivenciada por José Francisco do Nascimento, ou Zé de Julião, ou ainda Cajazeira no bando de Lampião, um moço de Poço Redondo, que se baseia o filme.


A partir da grandiosidade da história originariamente proposta, que seria refletir sobre as aspirações, perseguições e injustiças envoltas na pessoa do ex-cangaceiro Zé de Julião/Cajazeira, após a chacina da Gruta de Angico e o seu futuro entrecortado por extremas situações, certamente que o diretor alcançaria uma inigualável força narrativa. Contudo, colocou elementos fictícios na história e acabou fragilizando toda a trama.

Bastava que o personagem Zé Olímpio ficasse apenas como Zé de Julião. E pronto. Nada precisaria ser acrescentado se o enredo procurasse traduzir com mais fidelidade a saga do grande sertanejo que foi revoltoso, cangaceiro, fugitivo, político, injustiçado e traiçoeiramente assassinado. Bastaria tal contexto e o filme ganharia muito mais empolgação, dramaticidade e emoção. Ademais, quem conhecer ao menos um pouco da história do ex-cangaceiro vai sentir um distanciamento muito grande entre o filme e o fato.

 Afamado pela história, ainda que não pelo conhecimento de seu percurso de vida, Zé de Julião certamente foi a personagem mais emblemática, mais fascinante e mais injustiçada de todo o sertão sergipano. Filho de família rica para as posses sertanejas de então. Seu pai, Julião do Nascimento, era proprietário de muitas terras e rebanhos. Casou ainda muito moço com Enedina - que mais tarde o acompanharia na vida cangaceira - e por ali permaneceu ajudando nos afazeres familiares. Possuía a leitura, a escrita e o senso crítico como os grandes diferenciais naquela povoação sertaneja de imensa maioria analfabeta e empobrecida.

Contudo, foi a visão própria de mundo, permeada de conscientização crítica, que modificaria o seu destino. Como afirmado, tomava-se de extrema revolta todas as vezes que via ou ficava sabendo dos contumazes desmandos policiais, submetendo maldosamente o pobre sertanejo. E não só os mais humildes como aqueles se sobressaíam economicamente, pois o seu próprio pai, Julião do Nascimento, muitas vezes fora vitimado pela vil ganância da tropa infame. Constrangia e ameaçava qualquer um em busca de obter todo tipo de vantagem, principalmente econômica. E aquele povo já tão sofrido não merecia tal tipo de tratamento, na visão revoltosa do filho de Seu Julião.

Tomado de indignação e sentindo que por ali não havia justiça séria e capaz de dar um basta naquelas tantas injustiças, viu no ideário cangaceiro a única forma de combater aquela situação opressora. Abusos e absurdos protagonizados pela polícia, que era a mesma volante que vivia no encalço do bando de Lampião. Então viu o  cangaço como bandeira de luta, como forma de combater os desmandos se alastrando.

Foi aceito no grupo juntamente com sua esposa e nele foi alimentando sua luta até a chacina de 28 de julho de 38. Conseguiu sobreviver ao ataque da volante alagoana comandada por João Bezerra, mas viu sua querida Enedina ser mortalmente atingida. Sem a companheira, sem o comando do grande Capitão, sem meios de prosseguir na luta armada, procurou refazer sua vida com outros planos.

Mas não era nada fácil a vida de ex-cangaceiro. Foi perseguido, caçado, tido como valioso prêmio. Sempre acossado, vagueou pelo sul da Bahia, retornou a Sergipe, passou uma temporada no Rio de Janeiro até retornar novamente a Poço Redondo, dessa vez para resolver problemas familiares, vez que o seu pai havia falecido. Seu desejo era permanecer no seu lugar, tomando conta do seu quinhão na herança, mas teve de retornar a Nova Iguaçu para cuidar de outros negócios seus deixados por lá.

Ainda naquelas distâncias, saudoso, martirizado pela vontade de retornar de vez, não suportou mais e decidiu regressar. Ao retornar dá início ao seu plano maior: ser o primeiro prefeito do então emancipado município. A antiga povoação havia alcançado sua independência política em 1953. E a primeira eleição já estava sendo organizada.

Mesmo sendo lembrado pelos adversários como o “ex-cangaceiro”, Zé de Julião era benquisto demais perante a população. E sua vitória era dada como certa. Disputou com Artur Moreira de Sá, um político famoso em Porto da Folha, de onde Poço Redondo acabava de ser desmembrado, e o resultado foi surpreendente, pois deu empate: 134 votos para cada um. Pelo critério da idade, Artur Moreira acabou sendo eleito, pois mais velho que o adversário.

O resultado, contudo, não foi motivo para desânimo, pois ele já se mostrava fortalecido o suficiente para ser o escolhido na eleição seguinte, a de 1958. Assim achava e assim planejou. Não sabia, porém, que teria como adversário, além de um candidato propriamente dito, também as principais lideranças políticas do estado, a corrupção eleitoral, a justiça tendenciosa e toda sorte de perseguições. Vinte anos depois e a face de ex-cangaceiro ainda era explorada pelos concorrentes. Fato marcante é que aqueles declaradamente seus eleitores deixaram de receber os títulos eleitorais.

Mesmo jogado às feras, acossado de todo lado, vendo a injustiça imperar, resolveu não fraquejar e decidiu levar adiante seu sonho de ser prefeito. Contudo, não havia como vencer sem ser votado, e a maioria de seus eleitores não podia votar. No dia da eleição, sabendo que os títulos negados lhe tiravam qualquer chance de vitória, convidou alguns vaqueiros amigos e, como numa cavalhada desenfreada, com todos montados nos melhores cavalos, saiu invadindo seções eleitorais e saqueando urnas. No lombo dos animais as provas das aviltantes manobras políticas.


Não só teve seu sonho desfeito mais uma vez como se viu encurralado pela justiça. A ordem de prisão foi prontamente expedida. A polícia procurava-o por todo canto, mas ele continuava ali pertinho, no vizinho município baiano de Serra Negra e sob a proteção do poderoso coronel João Maria. Contudo, tempos depois é cercado pela polícia sergipana e preso. Passou pouco tempo na penitenciária e foi liberado por interferência política, sob a promessa de que transformaria sua revolta em aceitação governista. Sem saída, aceitou, mas não engoliu o acordo. Era do seu feitio ser assim.

Em liberdade, planejava ser candidato novamente, mas foi insistentemente aconselhado por amigos a passar uns tempos noutro estado até a situação política e judicial se mostrar mais confiável. Então comprou passagem e seguiu. Mas dizem que nunca chegou ao seu destino. Outra versão diz que já estava em Salvador quando resolveu retornar. Não propriamente a Poço Redondo, mas para ficar escondido nos arredores esperando o momento certo para acertar contas com antigos desafetos políticos.
Nada disso pode ser confirmado. O que se tem como verdade é que viajou e se manteve por um tempo afastado de seu berço de nascimento. E também que retornou, pois numa manhã de domingo, 19 de fevereiro de 1961, Zé de Julião foi encontrado morto, assassinado, num lugar chamado Bastiana, nos arredores de sua querida cidade. As motivações desse crime ainda hoje são controversas. Muitos asseveram que foi morto à traição e a mando daqueles com quem pretendia ajustar contas, resolver na bala mágoas políticas ainda não esquecidas.

Eis, portanto, parte da história real desse grande sertanejo. E, repito, bastava Penna não fugir tanto da veracidade da trama.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Como Capturar Lampião no Cariri Cangaço 2013

Por::Luiz Ruben

Sobre o Livro "Como Capturar Lampião"; pesquisando os jornais da Bahia, começando do ano de 1928 até o final da década de 30, dentre eles, A Tarde, Diário da Bahia, Diário de Notícias, O imparcial, Nova Era, incluindo também jornais de outros estados, como, A República, de Alagoas, Diário Oficial do Poder Legislativo de Pernambuco, além dos Boletins da Polícia Militar da Bahia, para um trabalho onde parte dele publiquei em outros livros, observei que existia uma preocupação muito grande, não só do estado, mas, uma verdadeira fixação de grande parte da sociedade civil, com o extermínio do grupo de Lampião. Foi publicado na época, além das estratégias do estado, ideias, algumas absurdas e fantasiosas de como fazer isso. Assim, resolvi extrair da minha pesquisa, a parte que encontrei sobre esse assunto e transcrevo as matérias ao longo do livro....

Livro: 
Como capturar Lampião

Autor:
Luiz Ruben

O lançamento acontecerá no Cariri Cangaço 2013.

Preço: R$ 30,00 + R$ 5,00 de frete

Livro com 142 páginas

Luiz Ruben

http://cariricangaco.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com


100 anos bem vividos - Vicente Sinfrônio da Silva

Por: José Mendes Pereira
Foto
José Mendes Pereira e Vicente Sinfrônio da Silva.

Vicente Sinfrônio da Silva vulgarmente conhecido por "Vicente Curicaca" nasceu no dia 26 de Julho de 1913, na localidade de Serra Branca  - município de São Rafael, no Estado do Rio Grande do Norte, e reside no bairro Alto da Pelonha em Mossoró. 

No dia 26 de Julho de 2013, seu Vicente fez aniversário, comemorando os seus 100 anos de vida juntamente com os seus filhos, netos, bisnetos e trinetos.

Foto
Seu Vicente Curicaca

Seus pais eram Joaquim Raimundo da Silva, nascido no dia 06 de setembro de 1886 e faleceu no dia 28 de Novembro de 1966; e Maria Hermelinda N. Peixoto, nascida no dia 23 de Dezembro de 1889 e faleceu no dia 16 de Maio de 1984.

Foto

Sua esposa era Amélia Cândida da Silva nascida no doa 4 de Setembro de 1908, e faleceu em 2002.  

O casal teve 5 filhos, os quais são: Maria Amélia da Silva, Francisco da Silva, este foi radialista e atualmente é aposentada pela UFERSA, antiga ESAM - Escola Superior de Agricultura de Mossoró, Sônia Maria da Silva, Maria Salete da Silva e Maria das Graças da Silva.

Foto
Pedro, neto, Seu Vicente, Maria Amélia e Maria Salete

Fui vizinho de seu Vicente no conjunto Ulrick Graff, e já fazia 10 anos que eu não o via, mas apesar da idade, quando me viu, mesmo à noite, não demorou dizer o meu nome, perguntando pelo meu pai e minha mãe. Ele ainda não sabia que eles já haviam falecidos.

Foto
Seu Vicente

Até o ano 2011, seu Vicente ainda andava a cavalo, mas sofreu uma queda, e depois que se recuperou, queria continuar montando no seu animal, mas os filhos não aceitaram. Ele não gostou, afirmando que estava com saúde para continuar andando montado no seu cavalo.

Desculpa-me a péssima qualidade das fotos, pois elas foram feitas à noite e não tinha flache.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Ciao Merlettá A volta italiana da Muié Rendera – A interessante e inusitada História de um filme sobre o Cangaço

Por Antônio Carlos Amâncio*
ocangaceirox

Clique no link abaixo para você ler todo resumo sobre o filme "O cangaceiro".

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2013/08/ciao-merletta.html

http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

1952... Volta Secca

Por: Rubens Antonio
Primeiro passo, quando da sua saída da penitenciária, em 1952.
Um charuto para comemorar a liberdade.
Diante da sua residência, um casebre, com a esposa, no dia da libertação.
Visita à Igreja do Senhor do Bonfim, no dia da libertação, para agradecer por esta.
Com a esposa.

Para a história

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O dia em que nós fomos despedidos da Casa de Menores Mário Negócio - Parte VI

Por: José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Ainda recordo como se fosse hoje, numa manhã ensombrada pelas nuvens sem previsões de chuvas, o dia em que a nossa diretora dona Caboquinha nos chamou em sua diretoria, e nos comunicou que aquela boa vida que nós tínhamos antes, naquela Casa de Menores Mário Negócio, havia chegado o fim, pois nós não tínhamos mais direito de continuarmos como internos daquela instituição, alegando-nos a nossa maioridade, por ser uma escola que abrigava alunos até que completasse 18 anos.

O mês era novembro, o dia, se não me foge a memória, 26, mas o ano não tem como fugir da minha memória, foi em 1970, e neste mesmo ano, havíamos terminado os nossos sofrimentos no TG - Tiro de Guerra em Mossoró.

Foto: Que coisa, hein!

Nos anos sessenta - Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira
Raimundo Feliciano e José Mendes - ex-internos da Casa de Menores Mário Negócio

Aquela notícia de imediato era como se a gente tivesse sido atingido por uma perversa punhalada. O que era bom antes, agora seria difícil para procurarmos um lugar seguro, onde nós pudéssemos conviver em família. Os que ali ficaram não sabiam bem se o nosso amanhã iria nos dar alimentos, ao redor de outros que talvez substituíssem as nossas amizades de antes.

Lembro-me que a nossa convivência naquela casa seria até quarta-feira que se aproximava. Você com seu jeito engraçado, apoderado daquele violão do Chico Pompilo, que com ele fazíamos as nossas serenatas, pôs-se a cantar uma música de Roberto Carlos, a qual estava sendo a mais tocada nas emissoras de rádio.

Não vou ficar

Há muito tempo eu vivi calado
Mas agora resolvi falar
Chegou a hora, tem que ser agora
E com você não posso mais ficar
Não vou ficar, não (não, não)
Não posso mais ficar, não, não, não
Não posso mais ficar, não

Toda verdade deve ser falada
E não vale nada se enganar
Não tem mais jeito, tudo está desfeito
E com você não posso mais ficar
Não vou ficar, não (não, não)
Não posso mais ficar, não, não, não (Não, não)
Não posso mais ficar não...


Após a nossa saída de lá você tomou rumo aos seus familiares, e como sempre foi responsável, trabalhou durante muitos anos com a família Negreiros, a qual tinha toda confiança e respeito à sua pessoa, e pelo seu profissionalismo, só os deixando quando os Negreiros mais velhos partiram para a eternidade.

 Foto
Aqui funciona o Cine Caiçara, Rádio Difusora e Editora Comercial S/A.

Assim como eu você também foi um que passou pela Editora Comercial S/A. Sei que foi por pouco tempo, porque a sua profissão não era manusear aquele quebra-cabeças de juntar letras por letras, para formar palavras ou conteúdos inteiros. 

Eu não quis voltar para os meus familiares porque de lá eu já tinha vindo, e a solução foi me alojar no Sindicado da Lavoura de Mossoró, hospedagem adquirida pelo meu pai, Pedro Nél Pereira, que era um dos membros da diretoria daquela instituição sindical.

Pedro Nél Pereira

A primeira noite em que dormi lá me senti como se fosse um sujeito rejeitado por Deus, pela sociedade, pelos amigos, sem pai, sem mãe e irmãos ao meu lado. Deitei-me e fiquei a olhar o teto, imaginando o teto que eu havia deixado para trás, seguro, com alimentação na hora certa, roupas e calçados se eu precisasse, acompanhado de uma porção de amigos. Eu ali sentia uma solidão que só eu sabia. Em alguns momentos, levantei-me, fui até à porta e fiquei observando os transeuntes que àquelas horas ainda passavam para suas casas.


Transeuntes

Eu, em segredo, pelas rótulas da porta da frente, observava aquele movimento bastante restrito de pessoas que se deslocavam, e de repente vinha um senhor ocupando toda a Rua Almirante Barroso, e em suas mãos, um objeto. Vi de imediato que era um bêbado que conduzia um cabresto, talvez para recolher um dos seus animais. As horas já se passavam, mas eu não tinha a mínima ideia o que os relógios da humanidade marcavam naquele momento. 

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Lembrei-me da Matriz de Nosso Senhora da Conceição, e resolvi sair fora para ter ideia que hora o relógio da Igreja assinalava. E vi que os enormes ponteiros marcavam 2 horas da manhã. Retornei à rede e fiquei imaginando o que seria de mim no dia seguinte, onde eu iria tomar o primeiro café do dia, almoçar, e posteriormente o jantar. Mas finalmente, minutos depois eu adormeci, só acordando quando a assistente do dentista do sindicado (Dr. João Falcão), chegou para dar início aos seus trabalhos rotineiros.

Vivi dias e noites difíceis, alimentando-me muito mal, e se eu almoçava (na Churrascaria do Batista, na Alberto Maranhão com o cruzamento da Almirante Barroso), às vezes eu não jantava, por falta de dinheiro; eu ainda não era gráfico profissional, e ganhava muito pouco. Foram dias, meses tentando me adaptar a nova vida que eu havia ganhado.

Neste período de sofrimento eu era aluno do Ginásio Municipal, e que muitas vezes frequentei àquela escola sem jantar, mas nunca cheguei a nenhum dos meus amigos para contar o que estava se passando comigo. E para amenizar um pouco a falta de alimento em minha barriga, fumaça, fumaça, e feito isso, o que me maltratava no momento, havia desaparecido, só retornando as mesmas crises horas depois.

Quando o meu pai me visitava no meu local de trabalho especulava-me sobre o meu passadio, se eu estava comendo todos os dias, se eu jantava, tomava café..., se eu estava necessitando de roupas e calçados. Mas eu o deixava sossegado, em paz, sem aperreios, para que ele, minha mãe e meus irmãos dormissem as noites inteiras sossegados.

O meu pai nunca fora rico, apenas era um homem que tinha um bom chiqueiro de caprinos, mais umas cabecinhas de bovinos. Ele sempre me dizia, que se eu estivesse necessitando de alguma coisa para tanger a vida, ele venderia alguns bichos miúdos. Mas eu lhe dizia que eu estava muito bem, obrigado, comia francamente, todos os dias.

Devido a minha situação difícil em alguns momentos pensei em retornar ao campo, voltar a viver àquela vida de camponês, trabalhando na agricultura, nos carnaubais, acordar três horas da madrugada para fazer empilhamentos das palhas das carnaubeiras, cuidando das criações, campeando o minúsculo rebanho de gado que o meu pai possuía, carregando água em ancoretas sobre o lombo de animais, ou sobre o meu próprio ombro.

 
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Mas me veio o medo de passar por covarde, fraco, sem esperanças e desprovido de fé em Deus. E depois de imaginar tudo isto, decidi-me tentar. Valia a pena. Desistir do sofrimento não era uma boa opção. Que eu seguisse o caminho para ver aonde eu iria chegar, do jeito que Deus havia determinado para mim.

Para tomar intimidade com esta nova vida levei muitos dias para me acostumar,  e como sempre Deus está perto de nós, felizmente, um funcionário que trabalhava comigo na Editora Comercial, José Nogueira, filho de Aldenor Nogueira, resolveu ir morar em Natal, e a partir daí, fiquei assumindo o seu lugar, e passei a ganhar de igualdade com os outros profissionais.

Foto: MARIA JOSÉ FLORÊNCIO, JOSÉ MENDES PEREIRA, MOACIR, LÁ ATRÁS, JOSÉ DE ALDENOR NOGUEIRA E RAIMUNDO COSTA

José de Aldenor Nogueira e Raimundo Costa já faleceram.

Foto feita nos anos setenta quando a Editora Comercial S/A inaugurava esta máquina impressora off-set

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Maria José Florêncio, José Mendes Pereira, Lá atrás, Moacir, José Nogueira e Raimundo Costa - os dois últimos já faleceram

Sofri muito, mas tudo que passei, valeu a pena. Estudei e sou formado pela Universidade Regional do Rio Grande do Norte - FURRN, nos dias de hoje, UERN. Já estou aposentado pela Secretaria de Educação, e tenho quatro filhos, todos, empregados, e tenho sete netos. Foi uma prova dada por Deus. Venci todos os obstáculos que um ser humano tem que enfrentar para contar a sua história. Hoje estou amparado pela divina graça do Deus todo poderoso.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com

Guilherme André: Neto de peixe, peixinho é!

Por: Manoel Severo
Guilherme André

É certo que em nossas andanças por este nordeste a fora muitas surpresas nos são reservadas, não só no que diz respeitos às pesquisas, aos fragmentos da história que vamos garimpando ao longo do tempo, mas também pelas grandes revelações que nos são permitidas descobrir.

Algumas delas são realmente gratificantes. Conhecemos já há muito tempo a família do estimado memorialista de Missão Velha, Bosco André. O simpático e sempre amável "padre Bosco" é o atual vice-Presidente do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e Conselheiro Cariri Cangaço, é também o grande embaixador do evento em sua terra natal: Missão Velha. Bosco é dessas pessoas que se guarda sob sete chaves, um amigo que se guarda no coração. 

Juliana Ischiara, Manoel Severo e Bosco André
Manoel Severo e Bosco André: Missão Velha no Cariri Cangaço 2013

Por ocasião de nossa última visita a Missão Velha, ao lado da historiadora Juliana Ischiara, ainda no mês passado, julho; novamente encontramos a família André. naquela oportunidade fechávamos os últimos detalhes do Cariri Cangaço 2013 no Portal do Cariri. Conversa vai e conversa vem, Bosco nos confidencia: "Olhem meu neto é um apaixonado por cangaço e pelo Cariri Cangaço, acompanha tudo que é postado, se interessa e se emociona com tudo, tá doido que chegue logo o dia".

Imediatamente perguntamos se o garoto estava em casa e logo logo aparece o pesquisador mirim Guilherme André de 11 anos de idade, neto do Bosco André. O garoto de pronto confirmou a grande afinidade com a temática e as coisas do cangaço, conversa livremente sobre o tema e conhece tanto os personagens principais como os vaqueiros da história; coisa pouco comum para os garotos de sua idade.

Família André recebe o Cariri Cangaço
Guilherme André, novo membro do Cariri Cangaço, ao lado dos avós .

De pronto, representados por mim e por Juliana Ischiara determinamos que Guilherme André será o segundo membro mirim de nossa confraria do Cariri Cangaço, formando ao lado de Raul Sá, de Lavras da Mangabeira, o embrião da nova safra de vaqueiros da história. No Cariri Cangaço 2013, os dois, Guilherme André e Raul Sá estarão em noite solene recebendo o Título de Amigo do Cariri Cangaço. Bem, para os mais atentos não deveria haver surpresas, afinal "neto de peixe, peixinho é !"

Manoel Severo
Cariri Cangaço

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Lamartine Lima mais uma confirmação Cariri Cangaço 2013 !

Por: Manoel Severo
 Lamartine Lima, Jairo Luiz e Manoel Severo

Dr. Lamartine Lima  é a mais nova Confirmação do Cariri Cangaço 2013 ! Dr. Lamartine Lima é um dos mais respeitados estudiosos do cangaço. Ligado intelectualmente ao mestre Estácio de Lima – criador do Museu do Cangaço e cientista que escreveu o “Mundo estranho dos Cangaceiros” – livro clássico sobre o tema, Lamartine também realizou criteriosos estudos sobre o assunto, baseados em persistente pesquisa e na convivência que teve com inúmeros cangaceiros, presos em Salvador, e acompanhados pelo Dr. Estácio. É membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB e do Instituto Baiano de História da Medicina. Alagoano de nascimento recebeu recentemente o Título de Cidadão Baiano.

Seja bem vindo a Família Cariri Cangaço 
amigo Lamartine Lima !

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EXTRA! LIVRO DE JOÃO BARONE SERÁ LANÇADO EM NATAL!

Publicado em 14/08/2013 por Rostand Medeiros
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CONFORME PODEMOS VER NO CONVITE ACIMA, NO PRÓXIMO DIA 5 DE SETEMBRO, O GRANDE JOÃO BARONE VAI ESTÁ EM NATAL AUTOGRAFANDO SEU ÚLTIMO LIVRO.

UM ÓTIMO MOMENTO DE ENCONTRO DAQUELES QUE GOSTAM DE HISTÓRIA. ESTAREMOS LÁ LEVANDO NOSSO ABRAÇO A ESTE GRANDE PESQUISADOR!

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