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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

João de Sousa Lima e Antônio Galdino: Sucesso Literário em Noite de Autógrafos

Por: João de Sousa Lima
 João de Sousa Lima e Antonio Galdino

Lançado, ontem (01) à noite,  no salão de festas do Clube Paulo Afonso (CPA), os livros "ANGIQUINHO -100 anos de História, de Antônio Galdino e João de Sousa Lima e LAMPIÃO em Paulo Afonso – 2ª edição, livro do escritor  João de Sousa Lima. 

Durante a noite de autógrafos, Galdino e João Souza reuniram personalidades da sociedade pauloafonsina, colunistas, editores de jornais e  políticos como o deputado federal Luiz de Deus (DEM) o vereador Pedro Macário Neto, o empresário Antonio Martins, o secretário de Relações Institucionais da prefeitura  Luiz Carlos de Carvalho, além dos vereadores delmirenses Cacau e Edvaldo Nascimento, este ultimo autor  do livro "Delmiro Gouveia e a educação na pedra",cujo lançamento ocorreu  na ultima segunda-feira, 28 de outubro,  durante a VI Bienal Internacional do Livro no Centro de Convenções em Maceió.  

Entre as personalidades que foram ao CPA, quem mais chamou a atenção dos presentes, foi Dona Noquinha que no auge dos seus mais de 90 anos fez questão de ir  prestigiar os escritores.

A  noite de autógrafos e agradecimentos foi abrilhantada pelo som ambiente de Oscar Silva  e Jorge Guaxinin.


João de S. Lima, Dep. Federal Luiz de Deus, Galdino e Manoel Rozendo
O artesão Lourinaldo, João de Sousa e o cordelista Jurivaldo Alves.
O escultor Nelson Moratto, Jotalunas, Dr. Luiz Alberto e Galdino
Jurivaldo declamando poesias com o músico Oscar Silva.
 
Prof. Fernando, Galdino e João Lima
O cinegrafista Zé Carlos (TV São Francisco) e sua noiva...
Uma festejada noite de autógrafos.
João Lima, Edvânia, Galdino, Nícolas e Danielle.
Raílda Campestrini , diretora do IFBA - na direita da foto.
Galdino, Dona Noquinha (90 anos de idade) e João de Sousa Lima
Clícia, Nícolas e Ana Paula - Site Acerte Paulo Afonso
João Lima, prof  Reginaldo  Antonio Galdino

 
Galdino e o empresário Maciel Teixeira
João Lima, vereador Edson Teixeira e Antônio Galdino.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

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LAMPIÃO Cangaceiro: 1898 – 1938 - Maria Bonita - Pàrte VII

Por: Hélio Pólvora
 
Da esquerda para direita: Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

Chamava-se Maria Gomes de Oliveira. Na intimidade, Maria de Déa. Lampião a tratava por Santinha. Era natural de Glória, segundo registram alguns historiadores; ou de Paulo Afonso, afirmam outros. Consta que, quando morava em Paulo Afonso ouviu relatos das façanhas de Lampião e o admirava. Sendo a família coiteira do dito cujo, vieram a conhecer-se e, assim dizem, chegaram a trocar bilhetes.

Ela queria entrar para o bando — e ele relutava. Talvez esperasse uma decisão concreta. Maria era casada com o sapateiro José Miguel da Silva.

Maria Bonita e Zé de Neném

Talvez já não estivesse casada quando ele a levou. Foi a primeira mulher a juntar-se ao bando. Lampião teria deixado bilhete ao marido espoliado, desculpando-se. Ela ia por “vontade própria”.

Bonita? É possível para os padrões de beleza sertanejos. O apelido fora ejetado por um ex-volante apaixonado — pegou na família e ganhou mundo na versalhada popular dos cordéis. Assim a descreve Wanessa Campos, um dos muitos exegetas do cangaço: “Baixinha, de pernas grossas e roliças. Seios pequenos, cabelos finos e olhos claros”. Tinha talhe de gente fina, feições regulares — enfim, uma espécie de serena beleza rústica. Pouco demonstrou da valentia que lhe atribuem, porque em geral as mulheres da quadrilha ficavam à margem dos tiroteios.

Maria Bonita teve com Virgulino três gestações falhas e uma filha única, Expedita, entregue aos 21 dias a uma família de confiança, já com 11 filhos para criar.
  
 Expedita Ferreira da Silva - Filha de Lampião e Maria Bonita

Impossível a vida familiar naquele ramerrão de caminhadas estafantes, fugas precipitadas, risco de traições, raras tréguas entrecortadas de temores. O choro de uma criança os denunciaria. A mulher do capitão não conheceu a neta Vera Ferreira, que hoje lhe cultiva a memória. Mas visitou a filha três vezes, com Lampião — e a menina sabia de suas origens.

Vera Ferreira -neta de Lampião e Maria Bonita - esposo e Expedita Ferreira

Para as atividades cotidianas, Maria Bonita vestia-se de brim grosso, da cor da polpa da goiaba madura, engalonado e revestido de vermelho nos punhos. Há um desses no Museu de História Natural, no Rio de Janeiro. Nos domingos e em festas apreciava os modelos cinza, com riscos de giz e enfeites de sinhaninha vermelha (fita ondulada ou em ziguezague). Era mais companheira, tal e qual as demais, à exceção de Dadá, que substituiu o seu homem quando ferido nos braços, do que combatente.

Dadá, Corisco seu esposo, e Benjamim Abraão - O único homem que filmou Lampião

Decerto sabiam atirar, e atiravam em caso de extrema necessidade — mas os cangaceiros as mantinham à parte. “Pouca gente sabe que de brava ela nada tinha”, atesta Vera, a neta. E completa as bondades da avó com os adjetivos agradáveis, carinhosa, bem-humorada, dada a brincadeiras e generosa. Sua presença no bando e a de outras mulheres há de ter contribuído para a redução de estupros e assassinatos de velhos e crianças.

Bando de cangaceiros de Lampião - ao centro: Lampião e Maria Bonita

Durou nove anos o amor, sem contar o namoro na Fazenda Malhada da Caiçara, em Paulo Afonso. “Sem dúvida, Maria Bonita viveu um grande amor por Lampião”, assegura a neta. E brande nesse sentido um argumento de peso: somente um amor apaixonado forçaria a mulher casada (para uns) ou separada (dizem outros) a romper fortes preconceitos e costumes da época.

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domingo, 3 de novembro de 2013

UM ANO SEM ALCINO ALVES COSTA

Alcino Alves Costa 

Ontem completou um ano que Alcino Alves Costa faleceu. Era escritor, poeta, pesquisador do cangaço, sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço, ex-prefeito durante três mandatos da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe. Alcino era autor de um dos mais importantes livros sobre o cangaço - "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico".

Se você ainda não tem este livro entre em contato com o escritor e poeta Rangel Alves da Costa (filho do autor) que ele dirá como adquiri-lo.
Este livro eu o tenho e já o li. Você não se arrependerá em adquiri-lo. São aproximadamente 30 histórias sobre invasões e mortes feitas por cangaceiros que valem a pena você conhecê-las. Para quem gosta da literatura lampiônica este livro não pode faltar na biblioteca.
Adquira-o o quanto antes possível. Amanhã poderá ser tarde, já que o autor partiu para a eternidade. 
1 - Você conhecerá todos os cangaceiros que nasceram em Poço Redondo e seus pais... 
2 - Irá também conhecer a castração do sertanejo Beijo. 
3 - A morte do cangaceiro Vulcão. 
4 - A perseguição do volante Mané Veio para assassinar o cangaceiro Luiz Pedro, na madrugada de 28 de Julho de 1938, no momento da chacina aos cangaceiros, lá na Grota de Angico. 
5 - A morte de Rosinha, companheira do cangaceiro Mariano, a mando de Lampião.
6 - A morte de Brió.
 
7 - A bagunça que os cangaceiros fizeram no coito de Lampião e muitas outras histórias fantásticas.
 Entre em contato com o filho do autor através deste e-mail.
rangel_adv1@hotmail.com
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LAMPIÃO Cangaceiro: 1898 – 1938 - AURA ROMÂNTICA - Parte VI

Por: Hélio Pólvora
 

Quando invadia cidades e povoados, Virgulino Ferreira da Silva — perdão, capitão Virgulino, porque tinha patente, tal e qual o Vitorino Papa-Rabo de José Lins do Rego —costumava atirar moedas aos meninos. É o que reza o testemunho oral. Pobre remediado que tinha sido, antes de ter peças de ouro e prata na indumentária espaventosa, prendas nos bornais, anéis valiosos em quase todos os dedos, procurava captar as simpatias dos humildes. Perseguido pelos “macacos”, precisava de cobertura — espias e coiteiros. 

Esmerava-se em gentilezas desse tipo. Avaliado o saque, separava o necessário à sobrevivência do bando, durante certo tempo – e distribuía o restante. Isso lhe assegurava recepção festiva quando voltasse, com direito a buchada de bode, vinho de jurubeba e outras iguarias. 

O imaginário romântico em torno dessa figura propicia a redenção que hoje mais a aproxima de um Robin Hood do que de um Al Capone. Diz um dos muitos historiadores do cangaço que ele pedia desculpa pelas violências: “Não sou industrial nem fazendeiro. Só me resta esta vida”. 

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 Lampião costurando

Esquecia-se das artes de arrieiro, mascate e pastor de gado. Da habilidade com que trabalhava o couro cru. Da máquina de costura em que era exímio. Dizem que, embora cabra macho, bordava melhor do que Maria Bonita. 

Do acervo do pesquisador e colecionador do cangaço Ivanildo Alves Silveira

E lhe atribuem a criação da dança e ritmo do xaxado, muito embora talvez não passasse de divulgador e letrista, como em “Mulher Rendeira”, grande êxito de Vanja Orico, adaptado por Zé do Norte no filme O Cangaceiro, de Lima Barreto.

Olê, mulher rendeira,
Olê, mulher rendá.
Tu m´ensina a fazer renda
Q´eu te ensino a namorá

Tinha leituras, mostrava-se atilado. Admirador de Napoleão, a partir do chapéu, do qual, com a contribuição de Dadá, criou a variante com estrelas e medalhas, e chegado a igrejas e bênçãos de padres, porque na caatinga espinhenta o misticismo era um bálsamo antes dos teólogos da libertação e dos sem-terra do Sr. Lula da Silva; Lampião, o maior e o mais midiático dos nossos muitos bandidos amava a visibilidade, o aparato dos ricos.

Estaria explicada, assim, a opção pelo crime. Os trajes pomposos e fidalgos, de seda estrangeira, o ouro e a prata são a montra instalada para que os cangaceiros fossem vistos, admirados, entronizados. Vingavam-se também por esse lado da exclusão social no semiárido dos patriarcas e políticos esbulhadores. 

Servido uma vez por uma velha de 80 anos que havia abatido uma galinha, Lampião viu um companheiro que queria carne vermelha sair, voltar com uma cabra morta e gritar à hospedeira: 

“Prepare logo, velha”. 

“Ai”, chorou a velha. “Era a minha última, a do leite dos netinhos!”

“Pague a cabra”, ordenou o chefe, de vista baixa sobre o ensopado de galinha. 

Irritado, o cangaceiro atirou umas moedas sobre a mesa. 

“Tome. Dou de esmola’’. 

“Pague a cabra”, insistiu o chefe, ainda a comer. 

“Mas já paguei, Lampião”. 

“Pagou não. Esse dinheiro foi de esmola. Você mesmo disse”. 

Dr. Plínio Sodré, médico baiano especializado em ultrassonografia, conta que Lampião entrou em Piritiba com um companheiro ferido. O médico mais próximo, Carlos Ayres, primo carnal do ministro Ayres Britto, que veio a ser presidente do Supremo Tribunal Federal, morava no povoado de França. Havia uma senhora gravemente enferma. Lampião mandou aviar cavalo com duas padiolas laterais e levar os dois, com recomendações de muito cuidado com a mulher. 

O rei do cangaço tinha um lado bom. Mas vê-lo à luz do puro maniqueísmo de palor romântico é um erro. Com ele conviviam o estuprador, o saqueador, o assassino que soltava presos, alinhava soldados e os fuzilava, tal e qual o Guevara do paredón cubano, por quem a esquerda brasileira tanto se apaixonou. Se Lampião adotou táticas de guerrilha, não o fez instado por atitude ideológica. Apenas fugia das volantes que o caçaram até o ataque final na Grota do Angico. 

Volante alagoana posando ao lado dos corpos dos cangaceiros mortos

Neste episódio, a tropa do tenente João Bezerra da Silva — 48 meganhas com metralhadoras portáteis — e ele próprio portaram-se com uma selvageria em nada inferior à que o tempo tece sobre heróis e vilões. Desentranhar a verdade do aranzel de lendas e fatos é carregar água em cesto. De qualquer modo, o cangaço prossegue com outro rótulo, e outras vestes, e polidos senhores proprietários de sesmarias e mansões.

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