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domingo, 2 de julho de 2017

INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – “PERFIS DOS CANGACEIROS” – “a”- QUEM FOI LAMPIÃO? - PARTE XII

 Por Geraldo Maia do Nascimento - Pesquisador

Quem foi Lampião?

Virgolino Ferreira da Silva apelidado de Lampião foi o principal e mais conhecido cangaceiro brasileiro. 

Serra Talhada-PE - http://dopernambuco.com/serra-talhada-capital-do-xaxado-no-sertao-de-pernambuco/

Nasceu na cidade de Serra Talhada/PE em 7 de julho de 1898 e faleceu em Poço Redondo/SE em 28 de julho de 1938.

Grota do Angico local onde Lampião foi morto - http://www.sergipeturismo.com/grota-do-angico/

O homem que ficou conhecido como o “rei do Cangaço” tem origem numa família de classe média baixa. Na infância trabalhou para o pai cuidando do gado e com transporte de mercadorias em lombo de burro.

Ainda na juventude, se envolveu em brigas familiares e entrou para um bando de cangaceiros para vingar a morte do pai. Em 1922, passou a comandar seu próprio bando.

Foto do primeiro bando de Lampião, em 1922
 http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2014/05/foto-do-primeiro-bando-de-lampiao-em.html

Em 1923, realizou assalto à casa da baronesa de Água Branca (em Alagoas). 

À direita, foto da baronesa de Água Branca e à esquerda foto da Casa da baronesa de Água Branca http://portaldocangaco.blogspot.com.br/2012/02/lampiao-assalta-residencia-da-baronosa.html

Em 1927, comandou a fracassada tentativa de tomar a cidade de Mossoró no Estado do Rio Grande do Norte.

Cidade de Mossoró nos anos 20 - https://tokdehistoria.com.br/tag/13-de-junho-de-1927/

Em 1930, já procurado pela polícia de vários Estados do Nordeste, conheceu Maria Déia (Maria Bonita) que ingressou no bando, tornando-se mulher de Lampião. 

Maria Bonita e o rei Lampião
http://www.adustinaadsa.com/2016/01/fotos-rarissimas-e-tudo-sobre-vida-e.html

Em 1932 nasceu a filha do casal, Expedita Ferreira.

Expedita Ferreira Nunes - http://portaldocangaco.blogspot.com.br/2010/10/dona-expedita-ferreira-nunes-filha-de.html

Em 27 de junho de 1938, Lampião e vários cangaceiros do bando estavam na fazenda Angico, sertão de Sergipe, quando foram mortos por policiais da volante do tenente João Bezerra. 


Tenente João Bezerra da Silva - http://www.onordeste.com/portal/tenente-joao-bezerra-volantes-cangaco/

Continuaremos amanhã com o título:
"PERFIZ DOS CANGACEIROS" - "b"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 46
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
Ilustrado por: José Mendes Pereira

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CARTA DE ADVERTÊNCIA DE LAMPIÃO PARA VEREMUNDO SOARES.


Lampião escreveu uma carta para o Coronel Veremundo Soares, a fim de alertar sobre sua passagem pela região e, na mesma carta, acentua sua vontade de querer virar santo. 

Veremundo Soares

Abaixo transcrevemos a "correspondência" do Rei do Cangaço, capitão Virgulino Ferreira, endereçada ao Coronel Veremundo Soares, de Salgueiro- PE.


“O fim desta somente para saber, qual seu plano. Que após em minha passagem o senhor mandou uma força atrás de mim e mesmo pilheriou bastante de mim. Em outrora nós já fomos inimigos, porém para o presente eu pensava que nós éramos amigos, para mim eu era, mas para si me parece que o senhor era inimigo. Portanto eu lhe faço esta, para saber qual é o seu destino. Já mandei avisar ao Padre Cícero, que nesta minha diligência quem se alterou contra mim foi o município de Salgueiro, tenha muita cautela, eu não volte para o mesmo que eu era outrora. Eu bem que quero virar santo e fazer a felicidade para vocês mesma. Sem mais assunto. Capitão Virgulino Ferreira.”

O Coronel Veremundo Soares, o grande coronel de Salgueiro, realmente viria a se tornar um ferrenho inimigo de Lampião. Quando necessitava ir ao Recife, o já citado, fazia um percurso que tinha duas alternativas: Salgueiro, “via Juazeiro da Bahia e Salvador”, ou então, “descendo pelo São Francisco, via Penedo, ou via Salvador”, até chegar ao Recife. Esse tortuoso, complicado e custoso percurso tinha um único objetivo para o Coronel: “escapar do perigo de um encontro com Lampião, tornado o seu inimigo rancoroso”. Confirma-se, então, o cuidado de Veremundo em não encontrar o Rei do Cangaço.

Na época da grande perseguição ao Rei do Cangaço, movida pelo o governo de Estácio Coimbra, em 1926, o Coronel foi um dos expoentes e não pensou duas vezes em arregimentar seus homens junto às forças do governo contra Lampião.

Lampião pretendia invadir Salgueiro, a exemplo do que fizera com outras cidades sertanejas que ensaiaram resistência aos seus cangaceiros. Veremundo Soares resistiu. Não pela força, mas pela diplomacia e habilidade. Nas campanhas eleitorais, homens famosos vieram a Salgueiro na busca dos votos locais e na benquerença do Coronel. Agamenon Magalhães e Juscelino Kubitscheck foram dois deles. À pergunta de Juscelino, se votaria nele, o Coronel respondeu “se o PSD o escolher como candidato, pode contar com meu voto”. Foi esse homem, que morreu aos 94 anos, deixando uma cidade inteira, sua obra e sua vida e a dor de uma saudade. Foi assim, Veremundo Soares, um exemplo de liderança.

Fonte: PORTAL SG10

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1192754500836492&set=gm.1788894334756403&type=3&theater

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NO ÚLTIMO DIA 21 DE JUNHO, ASCENDINO LEITE FARIA 102 ANOS.

Por: Jerdivan Nóbrega de Araújo

Ascendino Leite nasceu em Conceição do Piancó, Paraíba, em 21 de junho de 1915. Foi funcionário público e em 1931, quando morava em Cajazeiras, iniciou a carreira como jornalista tendo sido também redator de assuntos parlamentares. 

Ascendino Leite

Dirigiu e chefiou a redação de vários jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Conheci já no final da sua vida. 



Certa vez me deu uma caixa de livros da sua biblioteca particular, os quais eu doei para montar uma biblioteca na cidade de Assumpção e São João do Tigre.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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sábado, 1 de julho de 2017

SESSÃO SOLENE DA ACJUS

 Por Benedito Vasconcelos Mendes

SESSÃO SOLENE DA ACJUS-Elogios aos Patronos das Cadeiras 37 e 39 da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró  (ACJUS), Imortais 

Jerônimo Vingt-Un Rosado Maia

Jerônimo Vingt-Un Rosado Maia e Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, pronunciados pelos Acadêmicos Ludimilla Carvalho Serafim de Oliveira e Francisco Canindé Maia, respectivamente. 

Jerônimo Dix-sept Tosado Maia

A apresentação protocolar da confreira Ludimilla de Oliveira foi feita pelo Professor Benedito Vasconcelos Mendes, que discorreu sobre a brilhante carreira universitária da nova Acadêmica. 

Ludimilla de Oliveira

A referida Sessão Solene ocorreu na noite de ontem, sexta-feira, (30-06-2017), no auditório da OAB-Mossoró.

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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O QUE É LAPIDAÇÃO?

Por Francisco de Paula Melo Aguiar

[...] Cada pessoa ao nascer já trás consigo suas características individuais e intransferíveis de um animal que o é [...]

Francisco de Paula Melo Aguiar

              Inicialmente é importante mencionar que lapidar (palavra que vem do latim: “lapidare”, no sentido antigo de castigar e/ou matar por apedrejamento, atirando pedras e/ou apedrejar, facetar, aperfeiçoar, melhorar, lavrar, educar) é verbo transitivo direto nos termos da ortografia culta da Língua Portuguesa. Portanto, lapidar, polir e/ou esculpir cristais e pedras preciosas que se encontram em estado primitivo, bruto e/ou tosco; é também lavrar, porque o ourives lapidava e/ou dava polimento no diamante aumentando assim sua beleza em sentido figurado. E isso significa atribuir uma qualidade superior e/ou tornar perfeito o que é rudimentar, tosco, bruto. É um ser humano ignorante por analogia. É algo parecido com a maneira e/ou virtude de aperfeiçoar, portanto, um exemplo disso, é o caso do professor que “lapida” o conhecimento do aluno, haja vista o compromisso de ensinar, apreender e de aprender  que envolve o mestre e seu pupilo.
               Diante de tal conclusão exemplar e específica, o ato de lapidar é inevitavelmente um trabalho que tem como oxigênio e/ou exigência precípua as ferramentas: sabedoria, precisão e paciência, pois, o maior problema na vida de um ser e/ou pessoa é justamente descobrir o caminho e/ou a maneira de se deixar lapidar para se transformar em pedra preciosa de que tenha realmente muito valor no seio da família e da sociedade. E valor reconhecível a olho nu pelo outro e/ou pelo grupo social em seu entorno direto e/ou indireto. Não temos dúvida de que cada pessoa quando nasce é um diamante em estado primitivo e/ou bruto, e o mundo em sua volta sabe e percebe tal fenômeno característico em toda e qualquer pessoa, de qualquer ideologia, sexo, etnia, classe social, profissão e religiosidade. E se não houver uma transformação em termos de lapidação para virar pedra preciosa, nada feito e/ou tudo perdido, porque sua passagem pelo planeta Terra é única.
              Cada pessoa ao nascer já trás consigo suas características individuais e intransferíveis de um animal que o é. Por isso mesmo cresce fisicamente com suas primitivas características impulsivas, medrosas, irritadiças, malvadas, intolerantes, tímidas, impaciências, egoístas e explosivas.
              Portanto é preciso que o indivíduo participe diretamente do processo de lapidação durante sua vida e isso deve ser iniciado logo ao nascer e terminado somente ao morrer. Veja por exemplo, que são os nossos pais e demais familiares, o grupo social, a escola, o trabalho, a igreja, etc., que direta e/ou indiretamente nos motiva,  influência, encoraja, oprime, inclui, exclui, etc., exigindo, amoldando e/ou direcionando e/ou apontando solução e/ou caminho a ser trilhado.
               É danado mesmo, porque temos alguma coisa excessivamente ruim e/ou não aceitável e/ou tolerável pelos demais membros de nosso grupo familiar, social e funcional. O certo é que precisamos aprender alguma coisa para mudar de perfil, abrandar nossos instintos pessoais, porque falta algo a ser desenvolvido e/ou expandido direta e/ou indiretamente, para puder ser mais aceito e/ou compreensível em termos de ações e/ou atitudes pessoais diante dos demais, uma espécie de paraíso perdido e de paraíso recuperado e jamais uma ilha de verdade única.
              Indiscutivelmente é preciso que cada pessoa procure do alto de sua arrogância e/ou prepotência que pensa que pode tudo e na realidade sozinho não pode nada, desarmar sua primariedade ignorante no seio da família e da sociedade, para se colocar no caminho e/ou vereda pessoal, a começar pelo equilíbrio interior, proporcionando assim a paz, a serenidade e força que precisa para viver bem consigo mesmo e com os demais.
               E assim sendo, isso é um trabalho para a vida toda, tanto para as crianças, para os jovens, para os adultos e para a velhice e/ou para a melhor idade. É bom que o indivíduo com toda sua força física não se iludir consigo mesmo, porque tal trabalho é por demais cansativo, longo, precisa e necessita de renuncias pessoais e/ou passageiras e que em muitas vezes nos parece cortar na própria carne, algo dolorido demais, uma espécie de caminho sem retorno. E isso é concebível porque o ser humano em sua essência jamais pode fazer tudo que pensa e quer fazer.
              E é assim que através do processo de lapidação pessoal e intransferível que será possível atravessar e nunca passar os chamados períodos difíceis de nossas vidas sem na realidade nos quebrar interiormente e/ou por dentro, o que com certeza nos faz assim viver com alegria em períodos e fases fáceis do nosso ciclo vivencial terreno em todos os sentidos da palavra.



Enviado por Francisco de Paula Melo Aguiar

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
frampelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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OLHA QUE NOTÍCIA! YOUTUBE ENCONTRA NO SERTÃO SANDÁLIA EM GRAVAÇÃO SOBRE CANGAÇO

Enviado pelo pesquisador do cangaço Robério Barreto Santos

O escritor/youtube, Robério Santos, um fascinado pela história do cangaço, esteve no último dia 27 de junho, na Grota do Angico, local da morte de Lampião e mais 10 cangaceiros, e localizou uma sandália de couro, aparentemente deixada no local há muitos anos.

O objeto foi localizado a menos de cem metros do local do massacre.  “Não se sabe se era de Cangaceiro, Coiteiro, Volante ou de alguém que tenha passado pelo local, mas é um grande achado para a história. A mesma está sendo analisada e em breve um estudo será publicado”, informou o escritor.

Clique no link para ver ao vídeo:

http://sergipenet.com.br/noticia/639/youtuber-encontra-no-sertao-sandalia-em-gravacao-sobre-cangaco

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O ESTUDO DO CORDEL.

 Por Aderaldo Luciano

As tentativas de estudar o cordel brasileiro não levaram em conta o seu caráter poético e, quando tentaram considerá-lo, uniram-se ao contraditório por não classificá-lo como se deveria classificar qualquer peça poética, parte do todo literário universal. Isso se daria (e se deu quando destinei-me à observação sistematizada) com o estudo à luz dos gêneros literários, orientando os estudos pela conclusão, a partir da observação, segundo a qual o cordel brasileiro é uma forma poética fixa da poesia universal. A forma fixa do cordel se dá pela exigência do cumprimento de suas regras intrínsecas e definitivas. Essas regras fizeram-no distanciar-se do malogrado conceito de "literatura de cordel", ligado ao que se fazia e se fez em Portugal, aos pliegos sueltos e coplas de Espanha, à colportage francesa, aos chapbooks britânicos. O cordel brasileiro é forma genuinamente brasileira por ter, em primeiro lugar, criado a forma poética fixa (com um mínimo de estrofes, sejam sextilhas, septilhas ou décimas; nunca em quadras, nem em prosa; a utilização majoritária do verso setissilábico; a observação da rima, disposta seguindo os pioneiros) e, para além da forma fixa, ter criado também o sistema literário cordelístico, pautado pela indicação de Antonio Candido (aquela que diz, em seu Formação da Literatura Brasileira - Momentos Decisivos: o sistema literário é formado pela presença de um autor, de um editor, de um leitor. Acrescentei ousadamente, com imenso receio de ser mal-entendido, mas precisava correr o risco: o crítico). Alguns pesquisadores quiseram estudar o cordel e o fizeram, até sistematicamente, mas desconsideraram os tópicos que citei. Poetas também resolveram metalinguisticamente falar sobre cordel. Seguem-se quatro expoentes, mestres, que o fizeram:

Manoel Monteiro, pernambucano de Bezerros, escreve e publica em 2011, com as bençãos da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, o folheto Aula De Cordel - Uma Herança Portuguesa. Pelo próprio título, o curioso pela arte cordelística é levado a duas constatações óbvias, mas que precisam ser levadas a sério: Manoel não trata nossa poesia como "literatura de cordel", mas como cordel, entretanto deixa um cordão umbilical com o que se produziu em Portugal no séc. XVIII. O poeta é dos mais lúcidos que pude encontrar, estudioso, conhecedor do ofício, produção longa e bem cuidada. Na primeira septilha o seu narrador nos alerta para algo que muitos deixam de lado por quererem abraçar a nomenclatura recebida pelo brasilianista Raymond Cantel (literatura de cordel). Ele nos alerta para a certeza de que nosso poema já foi chamado de Romance, Verso, Estória, Folhetim, Folheto, Livreto e Livro, mas que hoje é conhecido apenas por Cordel. A seguir, faz uma verdadeira aula de poética do cordel, escrutinando os detalhes da produção. Disseca as estrofes, mostra as rimas, conta os versos, sempre alertando para o rigor da construção. Não trata do processo histórico do cordel ou de outra característica extrínseca, parte diretamente para o texto. Uma ótima introdução ao fazer poético, não só para o cordel, mas para elementos da poesia brasileira. Manoel Monteiro prestou importantes serviço para o cordel brasileiro. Faleceu em Belém do Pará, em junho de 2014.

Azulão, codinome de José João dos Santos, paraibano de Sapé, radicou-se no Rio de Janeiro na primeira metade do séc. XX e, de lá, irradiou sua produção cordelística. Um de seus clássicos, O Trem Da Madrugada, é um importante retrato das relações humanas com a tecnologia ferroviária na cidade do Rio. Um verdadeiro tratado social sobre os tipos e costumes cariocas na década de 80. Mas aqui nos referiremos ao trabalho O Que É Literatura De Cordel?. Diferente de Manoel Monteiro, Azulão centrou-se no termo português, trazendo-o à nossa poética genuína. Nas 17 estrofes iniciais, encontramos elementos para entender a importância do poeta no seio de sua comunidade. A partir dessa importância individual, a importância de sua produção poética. Trata da presença do cordel e do repente, de sua aceitação pelo interior do Nordeste, de sua presença nas feiras livres e cantorias, do diálogo presente entre o rural e o urbano, da migração do poeta do primeiro para o segundo espaço, das festas (batizados, casamentos, vaquejadas) e da possibilidade de adentrar nas escolas. A partir da estrofe 19, Azulão e seu narrador, como muitos pesquisadores, apresentam o quadro de herança de portugueses e espanhóis, caindo no equívoco ao afirmar que havia um sistema literário no qual os poetas escreviam e publicavam na forma de folheto e chamavam a essa produção de literatura popular e de cordel. Essa nomenclatura foi dada pelos estudiosos e mais precisamente por Teófilo Braga. Não houve o sistema. E não se encontram naquela produção elementos que os assemelham às características intrínsecas do cordel brasileiro. Ficando a semelhança apenas no aspecto gráfico. No folheto, portanto, não se encontra a análise, a apresentação da peça poética, mas os aspectos históricos (sem datação). Azulão nos deixou em março de 2016.

Antonio Américo de Medeiros, potiguar de São João do Sabugi, radicou-se em Patos, na Paraíba. No sertão paraibano forjou toda sua intervenção na cultura poética brasileira. É o poeta da Cruz da Menina, de Cazuza, O Caçador de Onça, da Moça Que Mais Sofreu na Paraíba do Norte. Cantador, repentista, folheteiro, escreveu Os Mestres Da Literatura De Cordel. Nesse folheto o poeta nos apresenta os pais do cordel, segundo ele, quais sejam, Silvino Pirauá e Leandro Gomes de Barros. Também nos aponta o local de nascimento do cordel brasileiro: entre Vitória de Santo Antão e o Recife. Nos diz ainda que Pirauá vai se encaminhando mais para a cantoria, com Zé Duda, e que Leandro abraça a tipografia. Fazendo jus ao título, Antonio Américo desfia toda a genealogia do cordel, trazendo a nós poetas já esquecidos, cujas obras, apesar de importantes para a consolidação da arte, foram abandonadas dos estudos e pesquisas. Até a estrofe 18 lista a importância desses poetas da primeira geração, Princesa. A partir da estrofe 19, inaugurada com a morte de Leandro em 1918, traça o mapa da herança, primeiro a João Martins de Ataíde, depois a José Bernardo, que transporta todo o material que fora de Leandro e de Ataíde para o Juazeiro do Pe. Cícero, onde reinou até 1966. Daí, Antônio Américo, olha para Manoel Camilo e sua Estrela da Poesia em Campina Grande, João José, da Luzeiro do Norte. Da derrocada dessas editoras e editores de cordel, Américo lista os principais cordelistas da segunda geração: Camelo, Pacheco, Sena. Entra na contemporaneidade e nos oferece um banquete de nomes e datas e obras. Américo faleceu em Patos em janeiro de 2014. Legou-nos vasto universo de poesia e ensinamento.

Pedro Costa, piauiense de Alto Longá, criou a revista De Repente, dedicada à poesia de cordel e ao repente nordestino. Radicado em Teresina teve papel protagonista na divulgação e consolidação do cordel e do repente no Brasil. Pedro conseguiu o diálogo entre os poetas do povo e as elites culturais piauienses, abrindo a janela para a tomada de territórios inéditos ao cordel. Escreve o folheto O Que é Cordel (E Seus Mestres) para ilustrar e servir de roteiro para suas incontáveis oficinas e palestras, cursos e recitais. Retoma, no título, o termo "cordel", mas já na terceira estrofe procura o embrião europeu citando as origens nos centros de Portugal, Espanha e França. Um pouco mais à frente cobra um olhar diferente para o cordel afirmando que "cordel é literatura", logo abaixo, contraditoriamente, diz que cordel é barbante e prega a inoportunidade do termo ao produto cordelístico pedindo que se chame de folheto e não de cordel. A proposição fica vaga porque o termo folheto se emprega ao produto gráfico e não ao conteúdo poético. Observe o leitor que fiz uma gradação: de Manoel Monteiro que era poeta de bancada a Azulão, cantador e de bancada, com ênfase na bancada, depois Antonio Américo, cantador e cordelista, com ênfase na cantoria e Pedro Costa, a síntese mais assentada. Por isso, na estrofe 11, Pedro constrói a divisão dos tipos de poetas do sertão: o aboiador, o escritor, o embolador e o repentista. Fica na citação, não desfia suas ações, seus ofícios, o que os distingue. A partir daí segue a listagem de poetas, sem data de suas aparições. Na penúltima sextilha cita os trabalho de Geová Sobreira e Gilmar de Carvalho para corroborar seu bom trânsito com o pensamento acadêmico. Pedro Costa faleceu aos 54 anos em abril de 2017.

Esses quatro folhetos citados nos ofertam um pouco do olhar dos poetas sobre suas próprias produções e sobre o cordel brasileiro: Manoel Monteiro centrado nos elementos formais, Azulão nos aspectos históricos e sociológicos, Antonio Américo no percurso histórico e genealógico, Pedro Costa na classificação dos tipos de poetas e na busca pela literariedade do cordel. A próxima matéria vai se debruçar sobre o que escreveram metalinguisticamente poetas em atuação.



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DESPREZÍVEL MUNDO NOVO

*Rangel Alves da Costa

Longe daquele admirável mundo novo, onde o novo era tido como esperança de dias melhores e mais humanizados, o que se tem agora – e sem perspectiva de boas transformações – é um execrável, repugnante, desprezível mundo novo.
Há de se indagar o que o progresso humano beneficiou o próprio homem senão no seu lado materialista de conforto e facilidades. E também sobre o que os avanços científicos e tecnológicos trouxeram ao homem em si, na sua feição mais humana.
Não se pode separar o homem daquilo que ele mesmo produz. Acaso produza sem que do seu produto surja melhoria pessoal, estará apenas se robotizando em nome de um novo e impiedoso mundo, onde o ser humano também não passa de insensível objeto.
Cadê o computador instalado dentro de cada um, de modo a dissipar suas dúvidas? Cadê o chip da mente para ser ativado assim que um erro esteja prestes a ser cometido? Nada disso há. O homem criou apenas para o mundo e nada que lhe sirva como humanização.
Ademais, grande parte das invenções humanas acabou desumanizando ainda mais o homem. As ditas facilidades acabam colocando a pessoa numa situação de conforto tal que até se esquece do que é capaz de fazer sem um botão, sem um teclado, de um controle remoto.
O café está pronto na máquina, a comida está pronta no forno elétrico, os pratos estão limpos na lavadeira elétrica, as roupas já estão enxutas na secadora elétrica, o gelo está sempre pronto para o uísque. Mas e a vida humana em si, o homem está pronto para que?
A verdade é que o ser humano tende cada vez mais a desaprender que é ser humano. Daí que se diz que seria impossível viver sem as facilidades tecnológicas modernas, sem os avanços científicos em todas as áreas. Mas será que o homem nasceu perante um computador?
Num tempo de fogo e caça, num tempo de cavernas e relentos, num tempo de ameaças e temores pelo desconhecido, ainda assim o homem viveu e sobreviveu sem chorar por que um whatsapp estava inacessível por alguns instantes. Nenhum homem da caverna teve o desprazer de beber pinga ouvindo uma sofrência ou um falso sertanejo.
Mesmo com as limitações próprias de cada etapa da evolução, certamente que o homem primitivo era muito mais feliz que o homem de agora. Perante a grande fogueira as famílias se reuniam para saborear a caça do dia. E a mesa moderna já não junta famílias.
Como dito, a modernidade trouxe, infelizmente, um desprezível mundo novo. Basta observar as notícias surgidas a cada dia, onde raramente há uma informação boa e prazerosa. Tudo é ataque terrorista, é guerra, é genocídio, é tirania lançando suas armas contra populações desfavorecidas pelo credo ou religião.
Um mundo novo cruel, violento, brutal, assustador, sangrento e sanguinário. Não há mais segurança nas portas e janelas fechadas, não há a mínima segurança nas ruas, por todo lugar bravejam as arrogâncias, os medos, os gritos de pavor. Um mundo onde, verdadeiramente, o homem é cada vez mais o lobo do próprio homem.
Não se devem guardar esperanças num mundo onde as religiões são usadas para fins ilícitos, para enriquecimentos pessoais, para o ludibriamento de pessoas já fragilizadas pelos problemas pessoais e familiares que passam. Um mundo de falsos profetas, de charlatães, de espertalhões e de ladrões de Bíblia à mão.
Não há mais que se falar em política num mundo assim, ao menos em território brasileiro. Desde muito que a política e a política passaram a significar o que de mais abjeto há nas escadarias do poder. E a vida de tantos transformada em miséria pelos ladrões de graveta, pelos corruptos partidários, pelos asquerosos governantes.
O que esperar de um mundo sem famílias, sem respeito, sem costumes, sem tradições, sem perseveranças e abnegações. Absolutamente nada. Não pode ser visto como normalidade que um pai aceite um estranho dormindo no quarto de sua filha, e pelo simples fatos de que os jovens de hoje agem assim mesmo.
Está tudo errado. O ser humano vem ao mundo para cumprir uma grandiosa missão na existência, e não apenas para vestir a roupa desnuda e desavergonhada dos modismos e dos chamamentos da realidade presente. Se o próprio ser humano não cuida de si quem haverá de dignificar e respeitar sua existência?
Por isso que está tudo errado. Ou está tudo certo. Tudo depende de cada um.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ – HERÓIS DA RESISTÊNCIA" - PARTE XI

Por Geraldo Maia do Nascimento - Pesquisador

Centenas de homens participaram do confronto ao bando de Lampião, naquele dia 13 de junho de 1927. Grande parte de origem humilde, o que, segundo alguns pesquisadores, não lhe conferiram o nome na lista dos heróis. Segue lista de grande parte dos resistentes, divididos por trincheiras.

TRINCHEIRA DE RODOLFO FERNANDES





Continuaremos amanhã com o título:
"PERFIZ DOS CANGACEIROS"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 43,44 E 45
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
Ilustrado por: José Mendes Pereira


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EDUCAÇÃO COMO SAÍDA.

 Por Medeiros Braga

É como diz o verso popular
Vivemos num mundo de incerteza,
Não podemos contar com pão na mesa,
Nem jamais em gestores confiar.

É formado um covil parlamentar...
Quem lá chega recebe sua presa,
Se cordeiro vê tanta malvadeza
Que em lobo prefere se tornar.

Só o povo atento a todo instante
Conseguirá da classe dominante
Por sua educação uma saída.

Só ele pode unido em tal saber
Desbancar esses párias do poder
E construir o que sonhou em vida.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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REVISTA 90 ANOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO À MOSSORÓ


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O TRISTE ADEUS!


O Tenente Arsênio de Sousa, com poderosa volante mantinha Lampião na sujeição de uma perseguição nutrida, tenaz, incômoda. No dia 24 de abril (1931/1932), chegou Arsênio na Fazenda Touro. O único e irreparável prejuízo de Lampião foi seu irmão Ezequiel. Ferido por um balaço de fuzil. Parecia ferimento sem gravidade, Virgulino aplicava aos lábios parados de seu irmão a medalha da virgem da Conceição, depois, debruçou a cabeça sobre o peito do falecido começou a chorar um choro convulso e abundante.

Fonte: MACIEL B.F. -1992- Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado
Foto: Ezequiel Ferreira, alcunhado "Ponto Fino", irmão de Lampião. Fazenda Jaramataia, Gararu(SE). Autor Eronildes de Carvalho, 1929.



Fonte: facebook
Página: Pedro R. Melo
Grupo: Cangaceiros
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POMBAL - PARAÍBA


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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OITO ANOS SEM O MESTRE KAPLAN.

Por Eli-Eri Moura

Hoje, 29-6-2017, alguns ex-alunos e amigos de José Alberto Kaplan reuniram-se juntamente com sua esposa, Márcia Steinbach S. Kaplan(nossa Mommy), para reverenciar a memória do grande Mestre, no lugar onde estão enterradas suas cinzas: no pátio da futura Escola de Música do CCTA-UFPB, sob um ipê, ao lado de um pequeno memorial. 



Quando estiver pronta, nossa Escola abrigará a maior estrutura física dedicada à Música em uma Universidade pública no Brasil. A despeito de tal relevância, como todos sabem, as obras estão tristemente paradas desde janeiro de 2014.



Em todo caso, talvez prematuramente, lanço a proposta desse complexo se chamar ESCOLA DE MÚSICA JOSÉ ALBERTO KAPLAN, considerando que não há nenhum outro nome tão significativo para a música de concerto na história recente da Paraíba quanto o de Kaplan.


Também hoje, em nosso encontro, foi lançada a ideia da realização, em 2019, de um grande festival totalmente dedicado à música de Kaplan, visando homenagear sua memória, nos DEZ anos de seu falecimento.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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