Seguidores

quinta-feira, 22 de julho de 2021

DITADOS POPULARES E SEUS SIGNIFICADOS – SEGUNDO CASCUDO

 

Por Rostand Medeiros

Luís da Câmara Cascudo

Muitas vezes usamos certas expressões, mas não temos ideia do que elas significam.

São ditados ou termos populares que através dos anos permaneceram sempre iguais, significando exemplos morais, filosóficos e religiosos.

Tanto os provérbios quanto os ditados populares constituem uma parte importante de cada cultura.

Historiadores e escritores sempre tentaram descobrir a origem dessa riqueza cultural, mas essa tarefa nunca foi nada fácil.

O grande escritor Luís da Câmara Cascudo já dizia que: “os ditados populares sempre estiveram presentes ao longo de toda a História da humanidade”. No Brasil isso não é nenhuma novidade. Muitas vezes ocorrem expressões tão estranhas e sem sentido, mas que são muito importantes para a nossa cultura popular.

Veja aqui algumas dessas expressões ou ditados populares:

Bicho-de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules. A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Com o rei na barriga

A expressão provém do tempo da monarquia em que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.

Ver (ou adivinhar) passarinho verde (MAS PODE SER AZUL, AMARELO, VERMELHO, ROXO E POR AÍ VAI!)

Significa estar apaixonado. O passarinho em questão é uma espécie de periquito verde. Conta uma lenda que alguns românticos rapazes do século passado adestravam o bichinho para que ele levasse no bico uma carta de amor para a namorada. Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigilância de um paizão ranzinza.

Com a corda toda

Antigamente, os brinquedos que possuíam movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou um elástico, que ao ser distendido, fazia o brinquedo se mexer. Ambos os mecanismos eram chamados de “corda”. Logo, quando se dava “corda” totalmente num brinquedo, ele movia-se de forma mais agitada e frenética. Daí a origem da expressão.

Favas contadas

De acordo com Câmara Cascudo, antigamente, votavam-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou não. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apuração pela contagem dos grãos, sendo que quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito. Atualmente, significa coisa certa, negócio seguro.

Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão a atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas.

Tapar o sol com a peneira

Peneira é um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é inglória, uma vez que o objecto é permeável à luz. A expressão teria nascido dessa constatação, significando atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência.

O pomo da discórdia

A lendária Guerra de Tróia começou numa festa dos deuses do Olimpo: Éris, a deusa da Discórdia, que naturalmente não tinha sido convidada, resolveu acabar com a alegria reinante e lançou por sobre o muro uma linda maçã, toda de ouro, com a inscrição “à mais bela”.

Como as três deusas mais poderosas: Hera, Afrodite e Atena disputavam o troféu, Zeus passou a espinhosa função de julgar para Páris, filho do rei de Tróia  O príncipe concedeu o título a Afrodite em troca do amor de Helena, casada com o rei de Esparta.

A rainha fugiu com Páris para Tróia, os gregos marcharam contra os troianos e a famosa maçã passou a ser conhecida como “o pomo da discórdia” – que hoje indica qualquer coisa que leve as pessoas a brigar entre si.

Afogar o ganso

No passado, os chineses costumavam satisfazer as suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima. Daí a origem da expressão, que se refere a um homem que está precisando fazer sexo.

Ave de mau agouro

Diz-se de pessoa portadora de más notícias ou que, com a sua presença, anuncia desgraças. O conhecimento do futuro é uma das preocupações inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Na antiga Roma, a predição dos bons ou maus acontecimentos (Avis spicium, em Latim) era feita através da leitura do voo ou canto das aves. Os pássaros mais usado para isso eram a águia, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conotação funesta com qualquer destas aves.

Santa do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Mais vale um pássaro na mão que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Apressado come cru

Quando não existia o forno microondas, era preciso muito tempo para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época, a culinária japonesa ainda não estava na moda e comida crua era vista com maus olhos. Assim, a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação.

Chorar as pitangas

Pitangas são deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o país, especialmente nas regiões norte e nordeste do país. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho. Sendo assim, a provável relação da fruta com lágrimas, vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

Farinha do mesmo saco

“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para Dom João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

Sangria desatada

Diz-se de qualquer coisa que requer uma solução ou realização imediata. Esta expressão teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos. É que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.

Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convulsões e a problemas daí decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

Cor de burro quando foge

A frase original era “Corra do burro quando ele foge”. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou virando “cor”.

Pagar o pato

A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem ter qualquer benefício em troca.

De pequenino é que se torce o pepino

Os agricultores que cultivam os pepinos precisam de dar a melhor forma a estas plantas. Retiram uns “olhinhos” para que os pepinos se desenvolvam. Se não for feita esta pequena poda, os pepinos não crescem da melhor maneira porque criam uma rama sem valor e adquirem um gosto desagradável. Assim como é necessário dar a melhor forma aos pepinos, também é preciso moldar o caráter das crianças o mais cedo possível.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossuário e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época).

Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo. Atualmente, a expressão significa escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.

Elefante branco

A expressão vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesões que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e criá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas. Daí o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que não serva para nada.

Comer com os olhos

Soberanos da África Ocidental não consentiam testemunhas às suas refeições. Comiam sozinhos. Na Roma Antiga, uma cerimônia religiosa fúnebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ninguém tocava na comida. Apenas olhavam, “comendo com os olhos”. A propósito, o pesquisador Câmara Cascudo diz que certos olhares absorvem a substância vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.

Amigo da onça

Segundo estudiosos da língua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma história curiosa. Conta-se que um caçador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma onça, deu um grito tão forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia não acreditou, dizendo que , se assim fosse, ele teria sido devorado, o caçador, indignado, perguntou se, afinal, o interlpcutor era seu amigo ou amigo da onça. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hipócrita.

Estar com a corda no pescoço

O enforcamento foi, e ainda é em alguns países, um meio de aplicação da pena de morte. A metáfora nasceu de anistias ou comutações de pena chegadas à última hora, quando o condenado já estava prestes a ser executado e o carrasco já lhe tinha posto a corda no pescoço, situação que, de fato, é um sufoco. Hoje, o ditado significa estar ameaçado, sob pressão ou com problemas financeiros.

Como sardinha em lata

A palavra sardinha vem do latim sardina. Designa o peixe abundante na Sardenha, conhecida região da Itália. É um alimento apreciado e nutritivo, de sabor bem peculiar. As sardinhas, quando enlatadas em óleo ou em outro molho, vêm coladas umas às outras. Por analogia, usa-se a expressão popular sardinha em lata para designar a superlotação de veículos de transporte público.

O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel.

Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.

O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a a alguém que se nega a admitir um fato verdadeiro.

Andar à toa

Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama. Hoje, o ditado significa andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.

Casa de Mãe Joana

Este dito popular tem origem na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “Que tenha uma porta por onde todos entrarão”.

O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a expressão virou “Casa da Mãe Joana”. A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde judas perdeu as botas

Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore.

Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca as botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro.

A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos. Atualmente, o ditado significa lugar distante, inacessível.

Quem não tem cão caça com gato

Se você não pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra. Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia “quem não tem cão caça como gato”, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

De pá virada

Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.

A origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando ela está virada para baixo, é inútil não serve para nada. Hoje em dia, “pá virada” tem outro sentido. Refere-se a uma pessoa de maus instintos e criadora de casos ou a um aventureiro.

Deixar de Nhenhenhém

Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga.

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

Estar de paquete

Situação das mulheres quando estão menstruadas. Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma “Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes”, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra

Estar distante, pensativo, alheio a tudo.

Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina

Não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo.

Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Jurar de pés junto

A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

Emanuele Filiberto di Savoia

Testa de ferro

O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

Erro crasso

Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os Partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um “erro crasso“.

Lágrimas de crocodilo

O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. Daí a expressão significar choro fingido.

Fila indiana

Tem origem na forma de caminhar dos índios americanos, que, desse modo, encobriam as pegadas dos que iam na frente.

Passar a mão pela cabeça

Significa perdoar, e vem do costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção.

Gatos pingados

Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo fervente em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos.

Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão “gatos pingados” passou a significar pequena assistência sem entusiasmo ou curiosidade para qualquer evento.

Queimar as pestanas

Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num momento de descuido queimar as pestanas. Por essa razão, aplica-se àqueles que estudam muito.

Sem papas na língua

Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A expressão vem da frase castelhana “no tener pepitas em la lengua”. Pepitas, diminutivo de papas, são partículas que surgem na língua de algumas galinhas, é uma espécie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando não há pepitas (papas), a língua fica livre.

A toque de caixa

A caixa é o corpo oco do tambor que foi levado para a a Europa pelos árabes. Como os exercícios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa. Atualmente, refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de alguém ou mesmo à força.

Maria vai com as outras

Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro . Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: “Lá vai D. Maria com as outras”. Atualmente aplica-se a expressão a uma pessoa que não tem opinião e se deixa convencer com a maior facilidade.

Fonte: CASCUDO, Luís da Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. São Paulo, Editora Global/2008.

Fonte internet – http://saibahistoria.blogspot.com.br/2010/07/blog-post.html

VEJA UMA SEGUNDA PARTE SOBRE ESTE TEMA EM NOSSO TOK DE HISTÓRIA – https://tokdehistoria.wordpress.com/2013/10/03/ditados-populares-e-seus-significados-ii/

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

COMO ARQUIVO. JÁ PASSOU - HOJE TEM NAZARÉ NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

 Por Manoel Severo

Os Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta, 21 de julho, as 19h30 ao vivo no canal do Cariri Cangaço no YouTube, Manoel Severo; curador do Cariri Cangaço; recebe os pesquisadores e descendentes do bravo provo nazareno; Hildebrando de Souza Nogueira Neto - "Netinho Flor" e Emanuel Nogueira - "Zinho Flor" ,  para nos contar uma das mais espetaculares sagas desta guerra sertaneja que foi o cangaço. O programa "Lampião e os Nazarenos - A Sangrenta Guerra no Sertão" trará os principais combates, os principais personagens e tudo o que de mais importante aconteceu neste verdadeiro embate de gigantes nas caatingas tórridas do sertão nordestino.

Cenas dos bastidores do que virá na noite desta quarta-feira

AO VIVO NESTA QUARTA, DIA 21/07/21 AS 19H30

CANAL DO YOUTUBE DO CARIRI CANGAÇO

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/07/hoje-tem-nazare-nos-grandes-encontros.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

NAUTÍLIA É IRMÃ DE JARDA PEREIRA

 Por José Mendes Pereira

Nautília de blusa cor clara

Através de Maria Das Graças Nóbrega com quem mantenho contato em sua página no facebook, recebi informações sobre Nautília, uma irmã de Jardelina Nóbrega Pereira, viúva do cangaceiro Chico Pereira, assassinado em Caicó, nas terras do Rio Grande do Norte.

Jardelina - viúva do cangaceiro Chico Pereira

“Esconde essa aliança e casa com  outro. Chico já morreu”! 

Leia o que ela me falou sobre a Jardelina e a Nautília:

"Amigo José Mendes:

Eu sei que dona Jardelina tinha 3 filhos homens, sendo dois religiosos. A data precisa de sua morte não lembro. Sei que ela morreu no final da década de 70. As fotos que tiramos juntas estão com minha família em João Pessoa. Sua irmã, Nautília ainda é viva, mas está um pouco esquecida, e mora em João Pessoa. Ela mora na rua Dom Pedro II, centro, número não lembro, mas vou procurar saber e mando pra você. Eu moro em Gravatá e quase não vou a João Pessoa. Quando eu for por lá, procuro alguma coisa para você".

Informações cedidas a mim por Maria Das Graças Nóbrega, em sua página no facebook em 2014. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

LAMPIÃO FALOU:

Por José Mendes Pereira

Fonte da foto: https://tokdehistoria.com.br/tag/maria-bonita

“[…] Não vivo a vida do cangaço por maldade minha. É pela maldade dos outros. Dos homens que não têm a coragem de lutar corpo a corpo como eu, e ‎vão matando a gente na sombra, nas tocaias covardes. Tenho que vingar a morte dos meus pais. Era menino quando os mataram. Bebi o sangue que ‎jorrava da pele de minha mãe, e beijando-lhe a boca fria e morta, jurei vingá-la. É por isso, que de rifle às costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento à ‎procura dos assassinos de meus pais. É por isso que eu sou cangaceiro. Não sei quando hei de deixar os horrores desta vida, onde o maior encanto, a maior beleza seria ‎extinguir a maldade daqueles que roubaram a vida de minha mãe e de meu pai e de minhas irmãs. ‎‎[…]”

(Lampião).

Virgolino Ferreira da Silva o Lampião disse que era menino quando mataram os seus pais, mas quando eles faleceram, ele já estava com 22 anos. 

Família de Lampião (desenho de Lauro Villares utilizando-se de antigos retratos) - Infelizmente eu perdi a fonte desta foto.

Quando se fala "menino", já aparece uma porção de pessoas para o proteger, e creio que ele disse que na época da morte dos seus pais ainda era menino, justamente para que todos tivessem piedade dele e ficassem do seu lado. Mas na verdade, só o seu pai José Ferreira da Silva (Santos) foi assassinado. 

Esta foto foi trabalhada pelo o artista plástico Diin Ladem. Através do facebook eu solicitei e ele atendeu, dando-lhe  melhor aparência. Mas a original pertence a Lauro Villares.

Sua Mãe Maria Sulena da Purificação (Lopes) faleceu (de infarto) devido o problema da família com seu vizinho Zé Saturnino, ou o problema de Zé Saturnino com a família, e também, devido  a falta de consideração do fazendeiro com o seu esposo. Ela não resistindo as brigas, ficou decepcionada e veio a óbito.

Esta foto foi trabalhada pelo o artista plástico Diin Ladem. Através do facebook eu solicitei e ele atendeu, dando-lhe  melhor aparência.  Mas a original pertence a Lauro Villares.

Em ele dizer que mataram os seus pais, que somente o Zé Ferreira foi assassinado, acho que ele acusou também a morte da mãe para ganhar proteção por todos os nordestinos. 

Lampião estava mais do que certo. Querer vingar a morte dos pais, mesmo que tenha sido apenas assassinado o Zé Ferreira, suas lamentações, qualquer um de nós faria a mesma coisa.

Quando ele fala que roubaram também a vida das suas irmãs, acho que ele se refere à falta de tranquilidade que antes elas tinham, permanência em um só lugar, do que a família viver com os cacarecos na cabeça, hoje aqui, amanhã ali, e assim, vivia a família de Lampião.

Informação ao leitor: 

A primeira parte, no início do texto, se é verdade ou não, não sei, mas está na literatura cangaceira. 

Os parágrafos seguintes são as minhas opiniões e não devem ser usados porque não têm  nenhum valor para a literatura lampiônica, apesar de constar os nomes verdadeiros dos pais de Lampião e seu inimigo n° 1 o José Saturnino. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quarta-feira, 21 de julho de 2021

O CANGACEIRO CHICO PEREIRA FOI ASSASSINADO EM TERRAS DO RIO GRANDE DO NORTE

Por José Mendes Pereira

Cangaceiro Chico Pereira

O cangaceiro Chico Pereira que era paraibano, filho de dona Maria Egilda e do coronel João Pereira, tendo este sido assassinado por um senhor chamado Zé Dias. Chico Pereira perseguiu o assassino do seu pai, levou aos pés das autoridades, e dias depois, o criminoso estava solto. Chico Pereiravingou a morte do pai e sem muito pensar, tornou-se cangaceiro. 

Os pais do cangaceiro Chico Pereira

Chico Pereira comandou vários ataques, inclusive com cangaceiros da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia", de Virgolino Ferreira da Silva o rei do cangaço Lampião. 

Chico Pereira passou seis anos nessa vida, até encontrar a morte misteriosa numa estrada do Estado do Rio Grande do Norte, aos 28 anos de idade, a 24 de agosto de 1928, uma morte que os dias de hoje não foi esclarecida o motivo da tamanha covardia.

Alguns afirmam que foi queima de arquivo e outros dizem que foi por covardia mesmo, feita com o  cangaceiro.

http://blogdomendeseendes.blogspot.com

FALECIMENTO DE JARDA...

 Por José Mendes Pereira


Maria das Graças Nóbrega e Mélo Pereira disse que a sua tia Jardelina Esmerina Nóbrega era irmã do seu pai, e que foi uma mulher à frente do seu tempo. 

Morreu na década de 1980 na casa de repouso "LAR DA PROVIDENCIA", na capital  de João Pessoa, no Estado da Paraíba. 

http://cariricangaco.blogspot.com/2013/06/jarda-o-amor-de-chico-pereira.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JARDA, A ESPOSA MENINA

Por Mulheres do Cangaço
 Jarda esposa do cangaceiro Chico Pereira

“Esconde essa aliança e casa com  outro. Chico já morreu”. Era o que Jardelina Nóbrega ouvia das pessoas aconselhando-a a desistir de se casar com Chico Pereira, que virou cangaceiro.  Jarda, como era chamada começou a namorar com Chico aos 12 anos,  noivou aos 13, casou aos 14  e ficou viúva aos 17 anos de idade, com três filhos pequenos. O caçula tinha apenas seis meses.

Sua vida daria um filme, como já tentaram fazer.  Tudo começou em 1920, na localidade de São Gonçalo,  Sertão da Paraíba, quando Jarda conheceu Chico, então com 20 anos, um pacato  comerciante de cal. Filho do coronel João Pereira, pessoa bem relacionada na redondeza. De repente, o coronel viu-se envolvido numa briga  na sua mercearia.  E nela, foi morto o coronel. Uma morte encomendada por questões políticas. Agonizante, João Pereira pediu aos filhos que não queria vingança como ditava o código de honra da época.

Chico, o filho mais velho conseguiu prender Zé Dias, que matou seu pai e o entregou à polícia achando que assim a justiça seria feita. Mas na semana seguinte, Zé Dias estava solto, para revolta de todos. Chico era insuflado pelo povo a vingar-se e ao mesmo tempo não queria revidar, mas percebia a má vontade da polícia em prender Zé Dias.  Tinha receio de ser chamado de frouxo.

Então, o jeito foi fazer justiça com as próprias mãos, como fez Virgolino. A cidade de Souza perdeu a tranquilidade e a briga entre famílias    Pereira e Dias ganhava corpo. Chico vingou a morte do pai e tornou-se cangaceiro.  Formou um bando e sua vida mudou totalmente e a de sua noiva também.  Passou a ser foragido da polícia.

Entretanto, sua preocupação maior era Jarda,  sua noiva adolescente. Após uma longa conversa com ela, alertou para o tipo de vida que levava e, se ela quisesse desistir do casamento prometido, ele iria entender. “É com você que quero me casar” , foi a resposta. E como seria esse casamento?

Conseguiram celebrar por meio de procuração, na manhã de  26 de maio de  1925, na igreja de Pombal. Jarda continuou morando com a família e os encontros com o marido eram escondidos. Nasceu o primeiro filho, Raimundo. Depois vieram Dagmar e Francisco. Houve uma menina, mas morreu prematura.  Jarda teve uma vida marcada por mortes trágicas: pai, sogro, cunhado e marido.

Chico Pereira comandou vários ataques, inclusive com cangaceiros de Lampião. Passou seis anos nessa vida até encontrar a morte misteriosa numa estrada do Rio Grande do Norte, aos 28 anos de idade, a 24 de agosto de 1928. Uma morte até hoje não esclarecida.

Jarda, com três filhos pequenos, pensava o que seria dela. E dos filhos?  Futuros cangaceiros? Como iria educar os meninos com salário de professora rural? A solução foi deixar cada um com um parente. Periodicamente viajava a cavalo para ver os filhos.  Uma vida sacrificada.  Os três irmãos só se encontraram  bem mais tarde.

Certo dia,  recebeu um bilhete anônimo por meio de um cavaleiro desconhecido montado num cavalo branco, quando estava pensativa no alpendre da casa. O bilhete dizia:” Se queres ser feliz, perdoa seus inimigos”.  Uma cena quase irreal.  E Jarda tinha muito a quem perdoar. Decidiu queimar todas as cartas, livros de cordel, jornais, tudo que falava de Chico Pereira. Estava queimando seu passado para salvar o futuro dos filhos,  escreveu  Francisco  no seu livro “Vingança, não”.

Os anos foram passando e a primeira alegria  veio com  Raimundo que se formou em engenharia civil no Recife. Depois, foi a vez de Dagmar, que se tornou frade franciscano com o nome de frei Albano.  Surpresa maior veio com  Francisco,   ordenado padre  em Roma, onde estudou. Com ele, a alegria de Jarda foi maior,  pois assistiu sua ordenação, recebeu bênção especial do papa e a comunhão pelo próprio  filho na sua primeira missa. Jarda encontrou a felicidade através do perdão.

Dos três filhos, apenas frei Albano está vivo, no Convento de São Francisco, em Salvador, Bahia. Jarda ficou viúva para sempre e morreu em João Pessoa onde morava e o filho Francisco também.

Jarda foi uma Maria Bonita.

 NOTA – Conheci e convivi com dona Jarda desde menina até a idade adulta, na minha casa e na da minha irmã mais velha, Wanice, casada com  Raimundo com que ela morou durante muito tempo. Dona Jarda, muito alva, cabelos castanhos, bonita e vaidosa que me pedia para comprar batons de cores claras. Falava baixinho, gostava de conversar e contava com naturalidade sua vida com Chico Pereira. Demonstrava serenidade e nem parecia ter um passado sofredor. Os filhos diziam que ninguém conseguiu ver Jarda chorar. Gostava dela.

https://www.mulheresdocangaco.com.br/project/jarda-a-esposa-menina-2/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O CANGAÇO NA PARAÍBA

Por Professor Josias

Cangaceiro Chico Pereira

A sociedade é constituída pelos homens e para os homens. Todos devem participar de seus benefícios e de seus encargos: é o princípio da igualdade perante a lei. E é por desrespeito à lei, ligado aos problemas sociais, que surgem os maiores conflitos. A história registra em passado não muito distante a atuação de milhares de bandoleiros nos sertões do Nordeste. Poucos, entretanto, chegaram a ser famosos. O Nordeste viveu longos anos de agitação, pelas lutas sangrentas entre soldados (chamados de macacos) e cangaceiros.

Ao contrário do que teve muitos cangaceiros, sobressaindo-se apenas dois: Chico Pereira e Osório Olímpio de Queiroga, coincidentemente nascidos na região de Pombal. Como ninguém nasce cangaceiro, os dois entraram no cangaço para vingar a morte dos seus pais. O primeiro foi assassinado pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, no município de Acari. E o segundo, absorvido na comarca de Pombal, ingressou na PM da Paraíba, tornando-se um oficial respeitado, sensato e equilibrado, reformando-se no posto de coronel.

Ao contrário do que muitos pensam, Manoel Batista de Morais, o Antônio Silvino, não era paraibano. Nasceu em Afogados de Ingazeiras, em Pernambuco. Viveu muitos anos na Paraíba, morrendo aos 69 anos na cidade de Campina Grande, no dia 9 de outubro de 1944, ainda certo do grande trabalho prestado à comunidade sertaneja, pois ainda ninguém conseguia convencê-lo ao contrário, como afirma o jornalista e escritor Barroso Pontes, autor de quatro livros que tratam do cangaceirismo no Nordeste.

No verão 1914, Antônio Silvino invadiu a cidade de Mogeiro, na Paraíba. A cerca assolava terrível e levas de flagelados exibiam a sua miséria pelas estradas ressequidas. Silvino, ao apossar-se da cidade, não cometeu nenhuma violência contra pessoas físicas, mais apoderou-se dos gêneros alimentícios estocados no a depois seria preso, quando ferido em combate com a força do então major Teófanes Torres (da Polícia Militar de Pernambuco) numa fazenda do distrito de Frei Miguelino, município de Vertentes onde costumava se acoitar . De fatos como aquele, acontecido na cidade de Mogeiro recheia a história de Antônio Silvino e a sua fama ainda hoje corre pelo mundo.

Antônio Silvino, Jesuíno Alves de Melo Calado, vulgo Jesuíno Brilhante e Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, que tiveram atuação na Paraíba, embora este último “não tenha levado boa vida”, em virtude da perseguição do comando militar chefiado pelo coronel Manoel Benício da Silva.

O escritor Barroso Pontes, por sua vez, informou, que Antônio Silvino foi posto em liberdade no dia 20 de fevereiro de 1937, tendo logo em seguida telegrafado ao ministro José Américo de Almeida: Solicito de Vossa Excelência um emprego federal pelos relevantes serviços que prestei ao Nordeste”.

Não se sabe se o emprego foi dado, embora alguns contivessem que sim.

A história registra que o privilégio do combate ao cangaço coube ao presidente João Pessoa. Se não conseguiu a extinção, é o responsável maior pelo início do combate, feito numa época “em que a transição política impunha novos métodos, sem menosprezar a ação dos autênticos líderes interioranos implantando costumes tanto compatíveis ao tempo, como inaceitável aos nossos dias.

É ponto pacífico que o mais temido bando de cangaceiros era o de Lampião, com atuação nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia. Foi também o de maior duração, com vinte anos consecutivos de atuação. O segundo, com 16 anos, foi o de Antônio Silvino. Conta a história que Antônio Silvino tinha uma formação diferente de Virgulino Ferreira da Silva. Ao passar por uma localidade e observando irregularidades,por culpa de administradores,chamavam os responsáveis e mandava corrigi-las.

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi tragicamente morto no dia 27 de julho de 1938, acredita-se, ainda hoje, que o coiteiro Pedro Cândido, que o traiu tenha se vendido a polícia. Pedro Cândido teria sido encarregado de introduzir, com o auxílio de uma agulha de injeção, um veneno letal nas garrafas de vinho destinadas a Lampião e seu bando. O trabalho foi feito com arte e não provocou nenhum dano as rolhas de cortiça dos vasilhames.

Jesuíno Brilhante, o primeiro dos três, foi tido e havido como o cangaceiro gentil-homem e bandoleiro romântico, morreu em 1879, no lugar Santo Antônio, entre Caraúbas e Campo Grande, no mesmo Estado onde nasceu.

Jesuíno foi o maior cangaceiro do século XIX, como afirmou o historiador cearense Gustavo Barroso, em seu livro Heróis e Bandidos. Era de família abastada, conservando-se fiel às tradições sertanejas, respeitando o alheio, acatando a honra das donzelas, primando pelo comprimento da palavra empenhada, sendo por isso considerado homem de caráter e sempre exaltado pelas populações sertanejas do seu tempo. As vezes que cometeu assaltos, fê-los no sentido de ajudar alguém, já que dedicava à melhor atenção a pobreza, tudo fazendo para prestar seu apoio aos necessitados.

Em relação a Jesuíno Brilhante, sabe-se ainda que invadisse, de madrugada, a cadeia pública de pombal, liberando seu irmão e os demais presos.

O imortal paraibano Assis Chateaubriand definia o fenômeno cangaceirismo como sinônimo de virilidade e coragem pessoal, pioneirismo, inovações, impetuosidades e decisões agressivas

Dizem que cangaceiros autênticos, reais, o Nordeste só conheceu três: Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino e Virgulino Ferreira, o Lampião.

CANGACEIROS DA PARAÍBA

Para destacar os principais, que entraram no cangaço, não por vocação, mas por obrigação, que a própria época exigia, destacam-se Francisco Pereira e Osório Francisco Ferreira, ainda jovem, de família conceituada, por força do destino entrou no cangaço, para vingar a morte do pai, barbaramente assassinado. Seu pai era um homem pacato, fazendeiro honrado, que antes de morrer pronunciou as seguintes palavras: “Vingança não”.

Disse diante desse pronunciamento, à família, especialmente os filhos, ficaram num dilema, porque era determinação da própria sociedade, da época, a vingança. Mas resolveram atender o pai. O filho, Chico Pereira, procurou a Polícia, registrou a queixa e insistiu com o delegado para que fosse feita a prisão do assassino do pai, tendo a autoridade policial afirmado: “Chico, a gente solta uma vaca e para achá-la, não é facil, imagine um criminoso perigoso, como este que matou teu pai”. Chico Pereira, desejando dar satisfação à família, pediu uma autorização ao delegado, por escrito. Logo depois encontrou o criminoso, dormindo. Com rara dignidade, mandou que o sujeito acordasse e o levou preso, para a Polícia. Volta para casa e a família ficou satisfeita com o episódio da prisão. Um dia depois o criminoso se encontrava em liberdade. Chico compreendeu que não havia justiça. Chico compreendeu que não havia justiça e se viu na contingência de fazê-la com as próprias mãos.

Na mesma região de Pombal, registrou-se outro caso, Osório um garoto de poucos meses de nascido, encontrava-se numa rede quando o pai chegou baleado, quando afirmou: “Este gatinho que está na rede vai vingar minha morte”. À medida que ia crescendo, Osório ouvia de outro: a determinação do pai. Ao completar 18 anos, recorreu a justiça da época, o rifle, e matou o assassino do pai e outros que cruzaram seu caminho. Osório Olímpio de Queiroga foi realmente um cangaceiro respeitado. Depois conseguiu absolvição, na comarca de Pombal, e ingressou na Polícia Militar da Paraíba, chegando a coronel e se conduzindo sempre como um militar digno e correto. O mesmo chegou a ser prefeito de Catolé do Rocha.

O problema do cangaceirismo e coronelismo vêm segundo consta, da Guerra Brasil-Paraguai, quando foi fortalecida a guarda nacional e, entre as pessoas recrutadas, eram dadas patentes.

Nos séculos passados, no entanto, a Paraíba teve inúmeros grupos de bandidos, que invadiam as cidades, saqueavam o comércio e matavam. As causas principais eram a seca e a fome. No ano de 1887, registraram-se invasões e violências. A polícia nada podia fazer para garantir a vida do cidadão e da propriedade alheias, sempre ameaçadas pelos bandidos. Os jornais da época denunciavam a insegurança nos sertões, sem que qualquer providência tivesse sido adotada para coibir o abuso.

José Américo de Almeida, no Livro A Paraíba e seus problemas, relacionaram inúmeros grupos de bandidos que agiam impunemente no sertão. O grupo de Jesuíno Brilhante, com atuação no século passado, foi um exemplo. Ele residiu, por alguns anos, na localidade Boa Vista, próxima a Pombal, sem qualquer diligencia da polícia para capturá-lo. Foi dessa maneira que a miséria juntou-se ao terror. Fazendeiros abastados, que poderiam resistir à crise, durante alguns meses, emigraram sem demora, temerosos de assaltos.

Em maio do mesmo ano, a cadeia de Campina Grande foi arrombada e muitos indivíduos implicados ao movimento dos quebra-quilos fugiram. Dentro de mais algumas semanas, outros presidiários fugiram, entre os quais o famigerado Alexandre de Viveiros, chefe do levante de 1874. Ainda foi arrombada a cadeia de Mamanguape e, ao mesmo tempo muitos sentenciados caíram fora.

José Américo de Almeida conta, também, que, desta maneira, iam-se tornando mais terríveis as correrias com a aquisição de novos profissionais do crime da Paraíba e do Ceará. Ressalte-se a fraqueza das autoridades que permitiam que fossem engrossando os grupos, como o do Calangro, evadido da cadeia do Crato e cabeça dos 60 assalariados de Inocêncio Vermelho: o de Sebastião Pelado, inimigo dos primeiros: e dos irmãos Viriatos, formado de mais de 40 bandidos: e dos Mateus, entre outros. Um desses bandos assaltou duas propriedades em Alagoa Grande.

O senhor Gustavo Barroso, por exemplo, retrata o comportamento de Viriato, um dos principais cangaceiros da época: “O Viriato foi um dos cangaceiros mais célebres, mais rasteiros e mais tortuosos do Cariri. Era um miserável estabanado nos atos, com uma infinidade de predisposições redutíveis ao roubo, ao estupro e ao assassinato. Inventava torturas para as vítimas. Gostava mais de matar às facadas do que de fuzilar, dizia que era “mais barato”. Esse bandido obrigou um fazendeiro de São João do Cariri a casar-se com a irmã de seu compassa Veríssimo.

Foi assassinado, de emboscada, no lugar Riachão, o Dr. Vicente Ribeiro de Oliveira, quando voltava da Bahia para reassumir o Juizado de Direito da Comarca de Piancó. Esse crime foi atribuído aos cangaceiros.

http://historiadaparaiba.blogspot.com/2008/11/o-cangao-na-paraba.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A MORTE DA CANGACEIRA ENEDINA | O CANGAÇO NA LITERATURA | #223

 Por O Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=XyCO3uaEriU&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

Texto sobre Márcia https://www.facebook.com/570852839/po... 

Quer saber um pouco mais sobre Zé de Julião e Enedina? Assista nosso programa.

Narrado por Robério Santos

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CONHEÇA A HISTÓRIA DE ENEDINA MARQUES, A PRIMEIRA ENGENHEIRA NEGRA DO BRASIL

Por Vitor Paiva

Enedina Alves Marques

Apesar dos importantes avanços conquistados por políticas como as cotas, ainda hoje a presença negra em absoluta minoria dentro das universidades se afirma como um dos mais graves sintomas do racismo no Brasil. Em 1940, em um país que havia abolido a escravidão 52 anos antes somente e que havia permitido, por exemplo, o voto feminino apenas 8 anos antes, em 1932, a hipótese de uma mulher negra se formar engenheira por uma universidade brasileira era pratica e tristemente um delírio. Pois foi esse delírio que a paranaense Enedina Alves Marques tornou realidade e exemplo em 1940 ao ingressar na Faculdade de Engenharia e se formar, em 1945, como a primeira mulher engenheira do Paraná, e a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil.

Enedina à esquerda, junto com suas colegas professoras

No ano seguinte à sua formação, Enedina passou a trabalhar como auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas e, em seguida, foi transferida para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná. Trabalhou no desenvolvimento do Plano Hidrelétrico do Paraná em diversos rios do estado, com destaque para o projeto da Usina Capivari-Cachoeira. Reza a lenda que Enedina costumava trabalhar com uma arma na cintura e, para reconquistar o respeito dos homens ao seu redor em um canteiro de obras, ela eventualmente disparava tiros para o alto.

A usina Capivari-Cachoeira

Depois de uma carreira sólida, viajou pelo mundo para conhecer culturas, e se aposentou em 1962 reconhecida como uma grande engenheira. Enedina Alves Marques faleceu em 1981, aos 68 anos, deixando não somente um importante legado para a engenharia brasileira, como para a cultura negra e a luta por um país mais justo, igualitário e menos racista.

A usina Capivari-Cachoeira

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Enedina Alves Marques nasceu no dia 13 de janeiro de 1913, em Curitiba (PR). Filha de Paulo Marques e Virgília Alves Marques, e ambos trabalhavam na agricultura e em lavagem de roupas.

Na década de 1920, dona Duca, como como era chamada a mãe de Enedina foi contratada para trabalhar como empregada doméstica na casa de um major Domingos Nascimento Sobrinho. 

Sem ter com quem deixar Enedina para trabalhar, dona Duca levava a filha com ela para a casa do patrão que era o major Domingos tinha uma filha chamada Isabel, e ambas tinham a mesma idade.

https://www.hypeness.com.br/2020/01/conheca-a-historia-de-enedina-marques-a-primeira-engenheira-negra-do-brasil/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A TOCAIA FATAL DE LAMPIÃO E O ASSASSINATO DE CÂNDIDO FERRAZ.

 Por Geraldo Júnior

https://www.youtube.com/watch?v=GcpclPD-wVA&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

A tocaia de Lampião que culminou na morte do Nazareno Cândido de Souza Ferraz. Fato ocorrido na Fazenda Ingazeira (Serra Talhada - Pernambuco) em julho de 1926. 

Conheçam a história e não esqueçam de se inscreverem no canal e ativar o sino para receber todas as nossas atualizações e publicações de vídeos. 

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. 

INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações. 

Forte abraço... Cabroeira! 

Atenciosamente: Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia e Arquivo Nordeste. 

INSCREVAM-SE TAMBÉM: https://www.youtube.com/channel/UCjSU... 

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: 

https://www.youtube.com/channel/UCDyq...

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO ALMOÇA A CABRA DE LUIZ DE CAZUZA

 Nas Pegadas da História

https://www.youtube.com/watch?v=h-RFY4DIeJc&ab_channel=NASPEGADASDAHIST%C3%93RIA

DICAS DE LIVROS Nossa livraria https://ler-para-melhor-viver.webnode...

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ROLANDO BOLDRIN SINTO VERGONHA DE MIM - SR BRASIL 18/08/2011

 Por Rolando Boldrin

https://www.youtube.com/watch?v=5ahRnuQmZQs&ab_channel=TVCultura

Do acervo do Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A EXTINTA EDITORA COMERCIAL S/A, TALVEZ, AINDA GUARDA ÁLBUNS FOTOGRÁFICOS DO SEU PASSADO, DA RÁDIO DIFUSORA DE MOSSORÓ E DOS CINEMAS CINE CAIÇARA, CINE JANDAIA E CINE MIRAMAR DE AREIA BRANCA.

 Por José Mendes Pereira

Escritor Kydelmir Dantas

Meu amigo professor, poeta, escritor, pesquisador do cangaço, de Luiz Gonzaga e do Trio Mossoró Kydelmir Dantas de Oliveira, há alguns anos você me pedia nomes de cantores que teriam passados pelo cine Caiçara de Mossoró, e eu enviei alguns da minha lembrança, incluindo Renato e seus Blue Caps, Coronel Ludugero, Orquestra Casino de Sevilla e outros. 

Antonio Pereira de Melo - Coronel Pereira era um amigão muito humano.

Eu havia lhe prometido fazer apanhado com o radialista coronel Pereira, mas ele me falava que iria fazer um levantamento da sua lembrança. Não o fiz exigência, porque ele vinha com problemas de saúde. e infelizmente o coronel Pereira faleceu, pois era quem mais sabia sobre cantores que fizeram shows no cine Caiçara de Mossoró.

José Maria Madrid é o que tem bigode

Este último grupo de cantores, falo sobre o pseudônimo que ganhou o locutor José Maria Neto (Madrid), que apresentou o grupo "Casino de Sevilla da Espanha" ao público que lotava o palco do Cine Caiçara, e  no grupo, existe ou existia (não tenho certeza da sua permanência aqui na terra), um jovem com o nome de José Maria Madrid. - Leia um pouco sobre a sua morte clicando no link abaixo. Escrevi em 2 de novembro de 215. http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com/2015/11/morte-do-radialista-jose-maria-madrid-e.html

José Maria Madrid - Componente da Orquestra Casino de Sevilla - Google

Quando a orquestra "Casino de Sevilla" foi embora de Mossoró, o locutor José Maria que antes era "Neto", passou a ser chamado artisticamente pelos seus colegas de emissora José Maria Madrid, deixando de lado o Neto. 

José Mendes Pereira e seu primo Júlio Batista Pereira Ponte de Trem em Mossoró-RN.

José Maria faleceu no dia 20 de dezembro de 1994, vítima de uma tragédia que aconteceu nesta cidade, na ferrovia que liga Mossoró/Sousa-PB, no quilômetro 756, próximo ao Sítio Bom Jesus, quando ele foi esmagado por uma locomotiva. Logo após foi sepultado no Cemitério São Sebastião, município de Mossoró-RN. Pouca gente que o conheceu após 1965, não sabia o seu nome verdadeiro. 

Orquestra Casino de Sevilla. Espanhola.

Mas o que me fez recordar o tempo da sociedade de cinemas de Mossoró, rádio, cinemas  e editora, a qual eu fiz parte como gráfico dela, foi para falar sobre alguns registros perdidos de cantores que se apresentaram em épocas distantes no Cine Caiçara de Mossoró. 

Eu acredito que na editora, em um quartinho sob a escada que fazia chegar aos estúdios da rádio Difusora, sala de áudio, escritório, discoteca e sala de operar películas do Cine Caiçara, estão guardados muitos arquivos da Rádio Difusora, pois era lá que eram arquivadas todas as fotografias em álbuns da sociedade.

Falo, porque trabalhei naquela empresa durante 12 anos, e eu conhecia tudo que era recolhido e guardado em baixo da escada. A porta sempre permanecia fechada, e a gente só a abria quando necessitava de algo.

Como você sabe, o prédio do Cine Caiçara já não existe mais, porque os herdeiros venderam para uma imobiliária, e foi feito um outro que recebeu o mesmo nome do cinema. Mas a parte da extinta Editora e Rádio Difusora continua intacta, por isso, acredito que lá no quartinho estão guardados os registros da sociedade, muito embora, algumas fotografias estejam em péssimos estado de conservação. 

Quando a rádio foi vendida ao grupo do ex-governador "Aluísio Alves" eu ainda era funcionário de lá, e tudo continuava no quartinho em seu devido lugar, porque, era arquivo dos proprietários da sociedade, e não da Rádio Difusora. Sendo assim, nada foi entregue ao novo grupo.

Mas, quem sabe! Depois que a Editora Comercial S/A. fechou as suas portas, possa ser que alguém fez limpeza nos cômodos, e tudo tenha sido jogado na sexta de lixo. Mas o prédio continua adormecido sem contato com ninguém. 

Certa vez alugaram uma parte do escritório térreo, mas talvez não deu certo, continua fechado.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com