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sábado, 4 de dezembro de 2021

PRAZER EM CONHECER: LAMPIÃO ACESO ENTREVISTOU O PESQUISADOR E ESCRITOR ANTONIO VILELA.

Por Kiko Monteiro

Antonio Vilela, Ângelo Osmiro, Vilma Maciel e Kiko Monteiro.

Vilela é de fato O cangaceiro evangélico. Codinome batizado pelo amigo Kydelmir Dantas. Um pesquisador que tomou uma vertente diferente, mais pessoal, optando explorar um capitulo pouco conhecido da saga de Lampião quando esse atuou no agreste pernambucano.

Seu mais novo trabalho apresenta cangaceiros e volantes que até ontem não sabíamos que existiam.

Vilela resume seu abraço no cangaço.

"A SBEC, esta maravilhosa confraria que reúne os melhores pesquisadores do país me acolheu em 2006, porem meu interesse e minhas andanças começaram em 1975 quando iniciava namoro com uma cidadã da terra da resistência, uma potiguar de Mossoró. E durante minhas visitas à Mossoró conheci a cadeia onde foi aprisionado o Jararaca. E aquela história me prendeu também. Começo a buscar a bibliografia e em 1997 inicio de fato minha pesquisa de campo no sentido de investigar e conhecer lugares e personagens. 

Meu maior incentivador a botar no papel o resultado destas andanças e leituras foi meu filho Lincoln. Eu costumo chamar meu primeiro livro de "um acidente de percurso", mas graças a Deus, um acidente que me trouxe e tem trazido muitas alegrias. 

Olha nós aqui desfrutando desse evento magnífico?"

Então apresente suas crias! 

Então, temos aí "O incrível mundo do cangaço vol. 1" lançado em 2006 que já está em sua 4ª edição saindo mais uma fornada este mês. E o lançamento que estou divulgando aqui no Cariri "O incrível mundo do cangaço vol. 2". É diferenciado, pois estou apresentando volantes e cangaceiros desconhecidos. Por exemplo, um que foi citado pelo seu conterrâneo Optato Gueiros em sua obra "Lampeão, memórias de um oficial de volantes" "o Paizinho Baio". Optato o considerou o Lampião do agreste e eu precisava saber quem foi este homem. Paizinho Baio era natural de Brejão de Santa Cruz, distrito de Garanhuns hoje emancipado como Brejão.

Visitando estas cidades por sorte ou ironia do destino eu consegui localizar parentes do Paizinho Baio. Como sabemos não é tarefa fácil são poucas pessoas com capacidade de aceitar e admitir que o parente foi um criminoso... Quer mais coincidência? Descobri que o meu vizinho era neto do Paizinho, me refiro a seu "Nezinho Baio" que me prestou grandes informações sobre ele e sua família. Então graças a este amigo ampliei meu trabalho. Hoje quando colegas de pesquisa ouvem falar sobre este cangaceiro ou sobre os militares Caçula e José Jardim lembram-se de Vilela.

Livro Preferido de outro autor?

Parafraseando Chacrinha eu quero dizer que também vim pra confundir enquanto muitos criticam achincalham o padre Frederico Bezerra Maciel eu o exalto seus livros com admiração. Porque digo isto, se nós analisarmos os seis volumes de seu trabalho "Lampião, seu tempo e seu reinado" vemos a fantástica cronologia, e em especial os detalhes da localização geográfica de cada lugar em mapas o que ninguém havia feito antes. As trajetórias, os combates, até o alimento consumido pelos cabras estão detalhados em sua obra.

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro? 

Guerreiros do sol de Frederico Pernambucano de Mello.

Com quantos personagens desta história você teve contato? 

Posso até nomear: Candeeiro, Vinte e Cinco, Aristéia, Durvinha, Moreno e Sila.
Do time dos volantes eu estive pessoalmente com o tenente João Gomes de Lira; Teófilo Pires; Neco de Pautila; sargento Elias Marques; cabo "Grilo" o soldado que enterrou Lampião. Pelo menos os eu me recordo no momento. Coronéis eu não conheci nenhum, já Coiteiros eu estive com vários, mas por questões de ética eu não citarei os nomes. É bom dizer que mantive e mantenho certa amizade com todos.

Qual destes contatos foi, ou foram, os mais difíceis? 

Parece mentira, mas foi com dona Expedita Ferreira Nunes, filha de Lampião que mora na sua capital, encontrei empecilhos, mas acabei conseguindo e afirmo que é uma pessoa atenciosa fina e carinhosa.

Qual o contato que não foi possível e lhe deixou de certo modo frustrado?

Duas decepções. Uma foi com o Pedro de Tercila na ocasião em que fui a Olho D'água do Casado cidade em que ela morava em Alagoas e chegando lá recebo a noticia de que ele tinha falecido há três dias. E a maior delas: Não ter conversado com João Bezerra que viveu os últimos anos de sua vida e faleceu em Garanhuns, minha terra. Isso precisamente no ano de 1970. Eu um rapazola trafegava pelo comercio de minha cidade de vez em quando ouvia as pessoas exclamarem como quem aponta um artista - olha lá, o homem que matou Lampião! - eu olhava pra ele, mas aquilo não me interessava de jeito nenhum hoje penso com remorso poderia ter tirado pelo menos uma foto com o homem.

Com quem gostaria de ter conversado?

Com "a sussuarana" e ex cangaceira Dadá. Tive tal oportunidade sabendo que ela morava em Salvador, mas não criei a situação. Confesso que até pagaria com prazer pra obter uma entrevista com a mesma. Considero que o surgimento de Dadá foi um divisor de águas no cangaço.

Qual é o seu capitulo preferido?

Ah! com certeza e aconselho que nos aprofundemos mais e mais no cangaço no agreste pernambucano. Mais uma palhinha: No agreste vocês vão explorar a fazenda Riacho Fundo na cidade de Águas Belas, um dos coitos mais seguros de Lampião. Poucos foram os pesquisadores que estiveram lá. Inclusive em janeiro passado eu levei o Severo e a sua esposa Danielle pra conhecer as belezas daquele local.

Um cangaceiro (a)? 
Durvinha.

Um volante?

Este que se destaca, Alfredo Cavalcante Albuquerque de Miranda, o tenente Caçula.

Um coadjuvante? 

Tenente José Jardim.

Uma personagem secundária? Parecia ter bom papel mas não passou de figurante.

Apesar de ser meu amigo o Sr Manoel Dantas Loiola ex cangaceiro Candeeiro é um cabra introspectivo, bastante retraído, não satisfez muitas das minhas principais curiosidades, aliás, minhas e de outros que o procuram. Ele esconde algo que talvez leve pro túmulo e no mais porque não fica clara a sua importância e seu relacionamento com o rei do cangaço.

Geralmente todo pesquisador é colecionador qual é o foco de sua coleção?

Igual ao compadre João de Sousa Lima... dou o que não tenho pra conseguir fotografias. Seja da volante, cangaceiros, coronéis e de quaisquer personagens. E possuo arquivos raros já impressos em meu novo trabalho. A começar pela capa de meu livro que quebra um protocolo de se aplicar sempre a estampa de um cangaceiro. Eu optei em ilustrá-la com três fotos de policiais inéditas o Caçula e o Jardim (José Jardim) além da volante do Manoel Neto. Ao lado de Manoel Neto aparece uma figura nuca antes comentada, lutei e consegui identificá-lo, trata-se do "Canfifim" que foi cangaceiro de Lampião depois se alista na volante e passa a ser um dos rastejadores do bravo nazareno. Então minha coleção de fotografias modéstia a parte é vasta e rica.

Parte do seu museu iconográfico.

Entre as peças tem alguma relíquia?

Uma foto de Manoel Heráclito volante à serviço de Manoel Neto. Esta foto me foi cedida pela senhora a qual a foto foi dedicada, Adélia Correia, por acaso sua ex namorada, na ocasião em que eu fui entrevista-la na cidade de Inajá/PE. Dona Adélia foi tesoureira da prefeitura na gestão de Manoel Neto. Ela está inclusa no nosso primeiro livro. Não coleciono acessórios nem tampouco armas. Este tipo de objeto eu aceito e deixo nas boas mãos do confrade João de Sousa Lima que em breve estará com seu museu em Paulo Afonso.

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário enfim sem exagero da ficção lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia, enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou?

Baile Perfumado. Fiel a biografia de Benjamim Abraão.

Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?

Lampião: cada um conta uma! Ainda não é exatamente esta, porque já ouvi muita coisa absurda. Mas lembro com certo desdém pelo teor da informação, esta é uma daquelas que você pode ouvir na sua cidade, foi o seguinte: Certa vez eu estava escrevendo o rascunho de meu primeiro trabalho e sai na porta de casa pra respirar e aproxima-se uma senhora que me diz - olha Vilela, Lampião esteve pessoalmente na fazenda do meu avô!!! Eu, naturalmente me interessei pelo fato e perguntei a esta senhora qual a localização desta propriedade e ela diz que era em Quipapá mata sul de Pernambuco, Ora, pelas minhas pesquisas Lampião só vai até uma localidade chamada Mimosinho a 6 km de Garanhuns.

O pior vem agora, a mentira que eu escutei recentemente, mês passado, durante uma exposição fotográfica no festival de inverno de Garanhuns. Um cidadão afirmou categoricamente que Lampião foi até Maceió, pegou um avião e foi assistir a um jogo de futebol no Maracanã.

Maceió ele até foi... Depois de morto, avião acho que nem de longe ele contemplou, e assistir futebol? Maracanã? Um estádio que foi inaugurado em 1950? 

Se algum pesquisador sem critérios ouviu esta mesma conversa já deve ter publicado em algum folheto.

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: "Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde", "João Peitudo, filho de Lampião", "O Lampião de Buritis" e "a paternidade de Ananias"?

O enigma do Angico não é nenhum destes. É a morte do soldado Adrião Pedro de Souza. Uma trama ainda a ser desvendada por um de nós pesquisadores. Só darei uma dimensão para analisarmos desde já e todos hão de convir com a inversão de valores, vejamos: 11 bandidos mortos e depois homenageados como heróis com uma grande cruz de ferro por "João Bezerra", entre aspas claro, pela razão de ser ele o responsável pela tropa. E adrião é simplesmente ignorado! O que teria feito Adrião para cair na vala dos esquecidos?.

E Lampião: morreu baleado ou envenenado? 

Veneno!!!

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?

Estou iniciando mais uma nova e apurada pesquisa sobre Lampião em Pernambuco. Trarei à tona fatos igualmente desconhecidos sobre o Rei do cangaço no meu Estado.

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O SENADOR MARCO MACIEL LENDO AS HISTÓRIAS DE MARIA BONITA

Por João de Sousa Lima

Durante visita do senador Marco Maciel ao Stand da BODEGA, em Petrolina, Pernambuco, o senador aroveitou para conhecer um pouco mais da história do cangaço.

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LAMPIÃO EM PAULO AFONSO: O CANGAÇO DEIXOU MARCAS. UMA CICATRIZ POR VINGANÇA

Por: João de Sousa Lima.

A Rainha do Cangaço, Maria Bonita, acabara de perder seu primeiro filho. A natureza lhe negara naquele instante o direito de perpetuação da espécie humana. As lágrimas da triste mãe encharcaram a cova rasa e solitária do filho que não viu o mundo, enquanto o leite materno, fonte divina da vida, secava na dor da trágica perda. No seu sofrido silêncio desaparecera a ansiedade antes vivida. A sua angústia se apagara durante o resto do dia frustrante e da noite mal dormida.

O consolo virá na serenidade da alvorada. Com o novo amanhecer, renascerão novas esperanças e só as esperanças curam os traumas doloridos do dia a dia.

Durante as próximas noites, sob as tendas dos esconderijos e a luz das inúmeras fogueiras, velhos companheiros e seguidores de lutas alegrarão os corações tristes dos Reis do Cangaço.

O velho e fiel coiteiro, Venceslau, cobriu a criança em um lençol e a enterrou a poucos metros da sua residência, nos fundos da sua propriedade, no povoado Campos Novos. A parteira Aninha regressou ao povoado Nambebé. Lampião e Maria Bonita agradeceram ao fiel coiteiro Lau pelo apoio recebido e com o restante do bando partiram caminhando lentamente, em silêncio, na direção da casa do casal Aristéia e Quinca, no povoado Várzea.

Nas proximidades do Nambebé os cangaceiros ouvem o barulho de um animal de montaria e buscam rapidamente os arbustos e pedras existentes no local e se entrincheiram. Todos apontam suas armas para o lado aonde vinha o som do tropel. Entrincheirados e prontos para o combate Lampião reconhece o cavaleiro que se aproxima. Era mais um dos seus incontáveis coiteiros. O burro pára bruscamente. O homem desce rápido do animal, pois tem pressa em revelar o segredo de sua urgente viagem, mais uma notícia de traição:

- Capitão, pur pouco vocês num fôro atacados. Assim que vocês saíro dos Campos Novos, lá chegou uma força do guverno, cum mais de trinta hômim.  

- Alguém me traiu! Você sabe quem foi que denunciô nosso coito?

- Sei sim; foi Pimba, do Nambebé.

- Ta bom, pode ir.        

Virgolino pagou a informação e por alguns minutos se perdeu nos seus pensamentos, formulando sua defesa contra a volante e sua vingança contra o delator.

O traidor era velho conhecido dos cangaceiros, o verdadeiro nome de Pimba era Francisco Teixeira Lima e era irmão do fiel coiteiro Lixandrão, pai dos cangaceiros Bananeira e Tutu.

Poucos minutos depois, Lampião chega ao Nambebé e cerca a casa de Pimba, os cangaceiros invadem a residência e vasculham todos os cômodos, não encontrando o traidor.

A velha casa de taipas é revirada. A esposa do homem sentenciado a morrer protege os filhos com o escudo do próprio corpo. Dona Maria e os filhos João Preto, Zé de Pimba, Anacota, Jeoventina, Júlia, Elvira e Rita se abraçam enquanto os cangaceiros quebram alguns móveis e pratos.

Naquela ocasião eram duas Marias, frente a frente, ligadas por sentimentos diferentes, lutando por um objetivo comum: a sobrevivência.

A Maria mãe, aflita, pede ajuda a outra Maria, a Rainha do Cangaço. Já se conheciam de outras vezes, em circunstâncias menos violentas. A mãe desesperada implora e pede clemência para aquela que ainda não havia amamentado mais que havia sentido a dor do parto e a infelicidade da perda do filho pela morte traiçoeira.

- Maria, peça a Lampião pra não matar a gente!

- Quem mata vocês é a língua!

Nesse momento chega o irmão de Pimba, o fiel coiteiro Lixandrão.

O velho conhecido cumprimenta Lampião com um aperto de mão e fala:

- O sinhô me cunhece e sabe que eu sô um hômim interado e cumigo num tem falsidade. O que meu irmão fez não tá certo e eu prometo que não acontecerá outra vez. Por isso estou aqui pra lhe pedir que não mate ele e nem a sua família.

- Muito bem, Lixandre, diga aquele safado que erre o meu caminho e tenha cuidado com o que fala.

Lampião sai da casa e se reúne com seus comandados no terreiro.Quando se preparavam para seguir viagem, chega outra Maria, a esposa de Lixandrão e diz a Lampião que um dos cangaceiros invadiu sua residência e tomou seu xale. Lampião não procurou saber quem tinha sido, apenas colocou a mão no bornal, puxou algumas notas e pagou o prejuízo à mulher.

Lixandrão agradeceu por Lampião ter atendido ao seu pedido de não matar o irmão Pimba e desejou boa sorte aos cangaceiros. Lampião ainda movido pela ira, mal respondeu e começou a seguir seu itinerário.

Quando os últimos telhados das casas do Nambebé desapareceram no emaranhado dos galhos secos, eis que surge na frente dos cangaceiros a presa tão procurada: Pimba.

O angustiado sertanejo é envolvido em um cordão humano. Lampião fala:

- Caba safado, anda dando difinição de cangaceiro pras volantes!

O homem esmorece, sente a indesejável morte aproximando-se e ajoelha-se chorando, pedindo por tudo quanto é santo para que não o matassem.

- A sua sorte, caba sem vergonha, é que hômim de minha qualidade tem palavra e eu prometi num lhe matar, mais vou dexá uma lembrança minha, pra que você nunca mi esqueça. Da próxima  veiz que você mi denunciá num tem disculpa, você mim paga com sua vida.

Enquanto o aflito sentenciado era seguro por Luís Pedro, Lampião puxa um canivete de um dos bolsos e se aproxima do trêmulo catingueiro. Pimba chora e clama por todos os santos. O Rei do Cangaço, impiedosamente, abre uma ferida em forma de cruz na testa do moribundo sertanejo, deixando uma eterna cicatriz como pagamento pelo vacilo de sua denúncia e traição. O grito de Pimba é abafado por mãos fortes e firmes. O sangue escorre por sobre o nariz e a boca, ensopando a gola da camisa. Os cangaceiros soltam a vítima quase desfalecida, muito mais pelo medo que pela dor. O grupo pega uma das veredas que dava acesso a mataria fechada e some rapidamente. Pimba, ainda de joelhos, puxa um lenço do bolso, cobre o ferimento, levanta-se e, apressadamente, segue para sua casa.

O preço cobrado pela traição de Pimba saiu de bom tamanho, em outras circunstâncias, para preservar a vida dos cangaceiros, o traidor não teria sido poupado.

Durante muitos anos Pimba teve que usar chapéu de couro com uma lapela cobrindo a permanente tatuagem. Uma cruz por lembrança, uma eterna marca por castigo.  

OBS: para conhecer mais sobre a passagem de Lampião na região de Paulo Afonso, em agosto, lançamento da segunda edição, não percam, adquiram, divulguem!!!!

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GATO, O MAIS CRUEL CANGACEIRO

 Por João de Sousa Lima

Obs: na foto: Antonia, primeira esposa de Gato.

Santílio Barros era o verdadeiro nome do cangaceiro Gato e não se tem na história do cangaço, outro homem que tenha sido tão sanguinário, perverso e frio como foi este cangaceiro. Era filho de Ana ( Aninha Bola) e Fabiano, um dos sobreviventes da guerra de Canudos, seguidor do reverenciado beato Antonio Conselhereiro. Era índio da tribo Pankararé.

Além de Gato, duas irmãs sua foram pro bando: Julinha, amante de Mané Revoltoso e Rosalina Maria da Conceição, companheira de Francisco do Nascimento, o cangaceiro Mourão.

Mourão mesmo sendo cunhado e primo de Gato, acabou sendo morto por ele, depois que Mourão e Mormaço acabaram uma festa, acontecida no Brejo do Burgo, onde deram alguns tiros colocando a população em pavorosa fuga, Gato sendo cobrado por Lampião que pediu providências por ser o pessoal de sua família, perseguiu e matou os dois companheiros enquanto eles pegavam água em um barreiro, em um dos coitos no Raso da Catarina.  Mourão deixou Rosalina grávida e desta gravidez, nasceu Hercílio Ribeiro do Nascimento, ainda vivo e residindo no Brejo do Burgo.

Gato por pouco não matou sua própria mãe por esta ter feito comentários sobre as constantes passagens dos cangaceiros por sua casa. Gato foi até a casa da mãe com a finalidade de corta sua língua, quando foi dissuadido por alguns familiares do macabro intento, mostrando pra mãe dois facões e dizendo: Este aqui é o cala boca corno e este é o bateu cagou!  

Gato ainda matou sete pessoas de sua família, em represália a um sumiço de bodes e cabras que estava acontecendo e sendo creditado a Lampião. O cangaceiro perseguiu os envolvidos e encontrando em uma casa de farinha, Calixto Rufino Barbosa e Brás, ceifando a vida dos dois e seguindo até a casa de Valério, na fazenda Cerquinha, onde assassinou Luiz Major e os dois filhos Silvino e Antônio e o sobrinho Inocêncio. Um duro castigo para um pago sem provas.

Gato foi casado com Antônia Pereira da Silva (foto acima, ainda viva, com 104 anos), também índia Pankararé como seu marido. O casamento aconteceu “Nas Caraíbas”, fazenda de Sinhá, no Brejo do Burgo. Gato carregou a outra prima Inacinha e na justificativa de permanecer com as duas primas, teve seu projeto descartado por Antônia, espancando-a. Antônia contou a Lampião o acontecido e no outro dia, fugiu pra casa de um tio que morava na beira do Rio São Francisco, onde ficou por muito tempo escondida.

Gato encontrou a morte depois do ataque a cidade de Piranhas, em Alagoas. Fato acontecido depois da prisão de sua amada Inacinha, realizada pelo tenente João Bezerra. Inacinha estava grávida e neste combate saiu ferida. O tiro entrando nas nádegas e saindo no abdômen. Por muita sorte a criança não foi ferida. Gato pede ajuda a Corisco e este organiza o ataque a cidade Alagoana. No trajeto, Gato sai disseminando a morte. A data se tornaria, para algumas famílias, uma lembrança dolorosa. Era 29 de outubro de 1936. Dentre os mortos feitos por Gato, estavam Abílio, Messias, Manuel Lelinho e Antônio Tirana. Sendo refém de Gato, o jovem João Seixas Brito, que seria sangrado alguns minutos depois, quando jurou que não havia policiais na cidade e ao romper o som dos primeiros disparos, ocasionados pe los poucos moradores que se negaram a fugir, abandonando a cidade, o rapazinho de 15 anos de idade foi barbaramente assassinado. 

Assim que os cangaceiros entraram na cidade, o delegado Cipriano Pereira e mais oito soldados fugiram deixando os moradores desguarnecidos. Os populares tiveram que suprir a falta dos “Homens da Lei”. Formaram-se poucos grupos de resistência e entre alguns dos habitantes que lutaram estava Cira Brito, esposa do tenente João Bezerra. No cemitério estava Joãozinho Carão e mais alguns companheiros e em um dos sobrados, estavam Chiquinho Rodrigues e Joãozinho Marcelino.

Chiquinho Rodrigues portava um rifle cruzeta e tinha um estoque de 260 cartuchos, dos quais deflagrou 170. Existe uma polêmica em razão do tiro que atingiu o cangaceiro Gato. Uns dizem que o autor do foi Chiquinho Rodrigues, outros creditam o certeiro disparo, a Joãozinho Carão. A verdade é que gato saiu baleado e morreu três dias depois do confronto, acabando-se assim um dos mais cruéis homens que engrossaram as fileiras do cangaço.

João de Sousa Lima

Membro da SBEC, 

Conselheiro Cariri Cangaço

Postado em primeira mão por CARIRI CANGAÇO (Manoel Serevo)

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

UMA TERRÍVEL VISITA AO PANTANAL

Por José Mendes Pereira - (Crônica 13)

Em uma das muitas viagens que fizemos às terras encharcadas do Pantanal, localizadas na América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, onde guardam a mais linda fauna e flora do planeta, fomos atacados por gigantes jacarés, que sem menos esperarmos, ficamos encurralados por mais de 10 devoradores de carne humana.

A equipe de visitantes ao Pantanal era formada por: Gregório Santos, um engenheiro agrônomo, formado pela “ESAM”, Mossoró, nos dias de hoje, “UFERSA”, Marcos Vital, recém formado em Matemática pela “UERN”, antiga “FURRN”, também Mossoró, Paulo Gameleira, um capacitado professor de Química e Física; as irmãs gêmeas, Letícia e Lair Prado, cearenses, e eu, um simples professor de Português.

Foi um dos acontecimentos mais tristes que passamos em toda nossa vida; quando caminhávamos pelos verdejantes e alagados solos Mato-grossenses, fomos surpreendidos por uma porção de jacarés, talvez famintos, alguns já velhos e desnutridos, faltando-lhes alguns devoradores dentes; outros, ainda muito jovens, e dois ou três estavam se preparando para a juventude.

As chances de sairmos de lá vivos eram restritas, talvez um ou dois por cento, se bem que tivéssemos oportunidades para sobrevivermos.

Nenhum de nós estava livre dos ataques daquelas fortes mandíbulas. Os jacarés nos vigiavam como se fôssemos o último almoço de todos os tempos. Cada passo que nós dávamos para frente ou para traz, os jacarés, um a um nos acompanhava.

O primeiro a estrear nos amolados e pontiagudos dentes de um jacaré foi o Gregório Santos; com uma só fechada de mandíbulas, o velho jacaré o partiu ao meio, e nem precisou sair do lugar para capturá-lo. Nós que assistíamos de perto tamanha malvadeza, já esperávamos a nossa vez.

Em seguida, foi a vez do Marcos Vital que tentou correr por cima de alguns jacarés enfileirados, mas foi pego por um esfomeado, arremessando-o ao longe, já caindo pronto para os jacarés o saborearem.

Aos poucos os esfomeados foram fechando o cerco, e um jacaré dos mais jovens resolveu abocanhar um dos braços do Gameleira, arrancando-o de uma só vez, e ao cair, foi devorado por um que quase provocou uma confusão danada com outro que disputava o corpo do Gameleira.

Como todos nós ali estávamos condenados a passarmos pelas mandíbulas de tantos jacarés, finalmente chegou a minha terrível vez. Quando um jacaré partiu para me devorar, eu desesperado gritei: “-Valha-me, Jesus Cristo!” E com esse grito assustador, acordei. Eu estava sonhando.

Que felicidade! Os jacarés existiram apenas no meu sonho.

Minhas simples histórias 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/…/uma-visita-ate…

LIVROS SOBRE CANGAÇO

       Por José Mendes Pereira


Recentemente o escritor e pesquisador do cangaço Guilherme Machado lançou o seu trabalho sobre o mundo dos cangaceiros com o título "LAMPIÃO E SEUS PRINCIPAIS ALIADOS". 

O livro está recheado com mais de 50 biografias de cangaceiros que atuaram juntamente com o capitão Lampião. 

Eu já recebi o meu e não só recebi, como já o li. Além das biografias, tem fotos de cangaceiros que eu nem imaginava que existiam. São 150 páginas. Excelente narração. Conheça a boa narração que fez o autor. 

Pesquisador Geraldo Júnior

Prefaciado pelo pesquisador do cangaço Geraldo Antônio de Souza Júnior. Tem também a participação do pesquisador Robério Santos escritor e jornalista. Duas feras no que diz respeito aos estudos cangaceiros.

Jornalista Robério Santos

Não deixa de adquiri-lo. Faça o seu pedido com urgência, porque, você sabe muito bem, livros escritos sobre cangaços, são arrebatados pelos leitores e pelos colecionadores. Então cuida logo de adquirir o seu! 

Pesquisador e escritor Guilherme Machado

Adquira-o através deste e-mail: 

guilhermemachado60@hotmail.com

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NOVO LIVRO NA PRAÇA.

      Por José Mendes Pereira


Recentemente o escritor e pesquisador do cangaço Guilherme Machado lançou o seu trabalho sobre o mundo dos cangaceiros com o título "LAMPIÃO E SEUS PRINCIPAIS ALIADOS". 

O livro está recheado com mais de 50 biografias de cangaceiros que atuaram juntamente com o capitão Lampião. 

Eu já recebi o meu e não só recebi, como já o li. Além das biografias, tem fotos de cangaceiros que eu nem imaginava que existiam. São 150 páginas. Excelente narração. Conheça a boa narração que fez o autor. 

Pesquisador Geraldo Júnior

Prefaciado pelo pesquisador do cangaço Geraldo Antônio de Souza Júnior. Tem também a participação do pesquisador Robério Santos escritor e jornalista. Duas feras no que diz respeito aos estudos cangaceiros.

Jornalista Robério Santos

Não deixa de adquiri-lo. Faça o seu pedido com urgência, porque, você sabe muito bem, livros escritos sobre cangaços, são arrebatados pelos leitores e pelos colecionadores. Então cuida logo de adquirir o seu! 

Pesquisador e escritor Guilherme Machado

Adquira-o através deste e-mail: 

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REENCONTRO...

Por Quirno Silva

Reencontro com velhos e bons amigos Roosevelt Fernandes (poeta, compositor, artesão e proprietário do Atelier Gibão de Cor), o casal performático Quirino Lampião e Célia Maria Bonita, e as artistas mirins Julie Caldas e Lorena Barros. O registro foi no I Cangaço Campina, realizado entre os dias 22 e 24 de Novembro, na Vila Sítio São João, em Campina Grande.

O evento reuniu alguns dos principais nomes dos estudos desse tema, além de parentes daqueles que foram atores reais da … Ver mais — com Everaldo Quirino da Silva e outras 46 pessoas

https://www.facebook.com/photo/?fbid=4996337430376773&set=a.478275805516314

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LANÇAMENTO DE LIVRO!

 Por Manoel Severo Barbosa

Grande lançamento na noite de ontem do novo livro Raizes do Cangaço , do pesquisador e festejado jornalista Humberto Mesquita, no Caravelle, aqui em Fortaleza . O Cariri Cangaço reuniu os apaixonados pela temática além de representações de muitas academias e instituições literárias .

https://www.facebook.com/photo/?fbid=4686054701416351&set=a.229016400453559

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O BOI MISTERIOSO

Clerisvaldo B. Chagas, 2/3 de dezembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.623

Ainda lembro da saudosa Dona Ester, esposa do farinheiro José Camilo, lendo folhetos de cordel para nós, meninos da vizinhança. Sentada no degrau interno da casa, rodeadas de crianças, lia com muito prazer “A Índia Neci” e outros folhetos que comprávamos na feira com o nome de romance. “O Cachorro dos Mortos”, “Cancão de Fogo”, “João Grilo”, “O Pavão Misterioso”, “O Boi Misterioso”, “O Negrão do Paraná e o Seringueiro do Norte” e mais uma porção deles. “O Boi Misterioso” falava de um boi que vaqueiro nenhum conseguia pegá-lo. A descrição dizia que o animal era enorme e dasafiava todos os vaqueiros da época. Infelizmente não lembro o final da história. Tudo vem à mente quando assistimos aos vídeos sobre o Boi Salgadinho, o mais famoso do Brasil, na atualidade que, com suas 46 carreiras, derrotou todos os vaqueiros dos nove estados nordestinos que tentaram trazê-lo na corda.

BOI SALGADINHO (FOTO: FACEBOOK).

Salgadinho não é um boi gigante como o do romance do meu tempo dizia, o boi misterioso, é um animal amarelo, aparentemente normal, mas se transforma num fantasma ao levar corrida dentro do mato. Quem não acredita em inteligência fora dos humanos, tenha a coragem de apostar dez mil reais contra o boi Salgadinho na corrida de mato no município de Iguaracy, em Pernambuco. O dono do boi, senhor José Carlos dos Correios, bem que aceita. A última vaqueirama a correr o boi foi a do Piauí, mais uma derrotada contra o boi. Dizem eles que ninguém pega o boi Salgadinho naquela manga onde tem muitos empecilhos no mato, inclusive árvores caídas onde cavalo não passa nem por cima nem por baixo, O Boi conhece tudo e ao se ver apertado, penetra em lugares aonde deixa o vaqueiro completamente desarticulado. Não são poucos os que voltam dizendo que não sabem aonde o boi se escondeu.

Ê Dona Ester, minha boa vizinha! Se a senhora ainda estivesse nesse mundo, iríamos sentar naquele mesmo degrau e comentar sobre quem é melhor, se o antigo “Boi Misterioso” ou o Salgadinho de Iguaracy. Histórias do mundo, Histórias que povoam a mente de milhares de sertanejos iguais a nós. Isso também puxa pelo “Saia Branca”, boi famoso da região do povoado Várzea de Dona Joana, sertão alagoano, mas que perdeu a fama para um vaqueiro também encabulado daquele lugar. Falar em bois famoso é falar de Nordeste.

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ENTRE REZAS E BACAMARTES

 Por Anildomá Willans

Muitos livros têm tratado da lendária briga entre os Pereira e os Carvalho. De modo geral exploram os confrontos armados, as sucessivas emboscadas e ataques, culminando com o período de Sebastião Pereira e Luís Padre. Este fantástico relato de Valdir Nogueira, Entre Rezas e Bacamartes, no entanto, é o primeiro a analisar em detalhe as intrigas políticas, a alternância de poder local, que vem a se constituir no cenário onde a questão se desenvolve.

ENTRE REZAS E BACAMARTES trata-se de um recorte sobre a atuação do Monsenhor Afonso Pequeno e a tradicional desavença entre as famílias Pereira e Carvalho numa terra em que imperava a lei do punhal e do bacamarte, essas duas famílias espargiram sangue em ódios feudais, numa luta que esbarrou num famigerado banditismo.

Disponível para vendas no MUSEU DO CANGAÇO, em Serra Talhada. Contato: 87. 3831 3860 e 87. 99916-5897 (Sandra do Museu).

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ZÉ DE JULIÃO: O AFAMADO CANGACEIRO QUE VIROU POLÍTICO

Por Nordeste Fantástico
https://www.youtube.com/watch?v=vDKWQESsKh0&ab_channel=NordesteFant%C3%A1stico

O vídeo trata-se da história de Zé de Julião. No cangaço era conhecido como "Cajazeira" e após o fogo da Grota do Angico onde perdeu sua esposa Enedina e seus companheiros do cangaço, fugiu e viveu muito tempo na clandestinidade em vários estados. Mas voltou para sua terra, Poço Redondo-SE, e lá migrou para política e travou brigas onde teve seu fim.
#CangaceiroCajazeira #ZédeJulião #PoçoRedondo #Sergipe O canal trás para os inscritos, histórias de um passado cheio de batalhas no sertão nordestino e casos e causos de personalidades nordestinas que marcaram o imaginário popular. 👍🏜 - Conteúdo histórico Nordestino - Conteúdo educativo para aulas de História - Conteúdo pode ser usado no Enem - Conteúdo pode ser usado no Encceja - Material com conteúdo de resgate da história do Nordeste - Conteúdo de Literatura Nordestina
 

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CANGACEIROS DE LAMPIÃO DE A A Z.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=aIAEBcybjt4&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Sinopse do clássico da literatura cangaceira "CANGACEIROS DE LAMPIÃO DE A A Z" de autoria de Bismarck Martins de Oliveira. Um livro que trás a biografia de centenas de cangaceiros e personagens da história do cangaço nordestino. Indispensável para quem está iniciando nos estudos sobre o tema em questão. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaçologia Shorts e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCDyq...

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LANÇAMENTO DE LIVRO

 Por Antônio Corrêa Sobrinho

O delegado da Polícia Civil em Sergipe, Dr. Archimedes Marques, um dos valorosos e profícuos pesquisadores do banditismo nordestino de outrora, atual presidente da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, lançou no Sebo Xique, localizado na Av. Ministro Geraldo Barreto Sobral, 2100 - Entrada B, Loja 02 - bairro Grageru, Aracaju/SE, o 3º Volume da importante obra LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE.

Dr. Archimedes que também escreveu LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE e O CAÇADOR DE CANGACEIROS.

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92 ANOS DE "LAMPIÃO EM CAPELA", REPORTAGEM DO JORNAL CORREIO DE ARACAJU, EDIÇÃO DE 29/11/1929

Por Antônio Corrêa Sobrinho

Em 1929, o jornalista e telegrafista ZOZIMO LIMA chefiava a repartição dos Correios e Telégrafos da sergipana Capela, sua terra natal, burgo da zona da mata canavieira, e, concomitantemente, trabalhava como correspondente na região, do jornal CORREIO DE ARACAJU, quando resolveu o destino, na noite de 25 de novembro do sobredito ano, colocá-lo diante do mais temível dos bandoleiros que existiram no Brasil, o pernambucano VIRGULINO FERREIRA DA SILVA, o LAMPIÃO, quando de seu primeiro ataque a Capela.

Quis o desígnio das misteriosas forças que nos regem, ao promover, naquela oportunidade de ataque de cangaceiros a uma cidade, o encontro de Lampião justamente com Zozimo Lima, o telegrafista e ao mesmo tempo cronista, proporcionar, desta forma, à historiografia do cangaço um dos seus mais importantes documentos, a conhecida "LAMPIÃO EM CAPELA", reportagem que se fez elemento constitutivo do conjunto das incontestáveis demonstrações da atuação bandoleira de Lampião, no caso, a sua presença no território sergipano.

Sem mencionar que se trata, a referida matéria, de um olhar sóbrio, amplo, desapaixonado, e não ressentido, considerando que andou por horas veladamente ameaçado, e que só não entrevistou o capitão bandoleiro, justamente por isso, por causa da sua condição, naquele instante, de apenas um telegrafista à mercê de um afiado e longo punhal, a transbordar de medo em que estava.

Refiro-me, nesta postagem, ao artigo jornalístico, publicado quatro dias depois dos acontecimentos que marcaram para sempre a história de Capela, a "visita" de Lampião a esta cidade, texto que hoje completa 92 anos.

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LAMPIÃO EM CAPELA

Informações interessantes colhidas pelo correspondente do Correio – a atitude digna do intendente Antão Corrêa – Lampião acha que a vida do cangaço é bem divertida – outras notas**

Segunda-feira, 25, esta cidade teve o seu dia máximo de vibração e emoção popular. Precisamente às 20 horas, quando se encontrava funcionando o cinema municipal, portas adentro da popular casa de diversão capelense surgiu a figura temível de Lampião que, acompanhado do prefeito local, vinha à procura do encarregado da estação telegráfica da cidade com o fim de intimá-lo a não se comunicar com as demais estações correspondentes. Igual procedimento tivera, posteriormente, para com a encarregada do posto telefônico e do telégrafo da estrada de ferro.

Historiemos os pormenores dos seus receios e tentativas de assalto à cidade, o que se verificou.

Às 19 h 40 min, à casa do coronel Antão Corrêa, intendente local, justamente quando este distinto cavalheiro acabava de jantar com sua família, apareceu, de automóvel, o Sr. Otacílio Azevedo, negociante em Dores. Vinha procurar o jovem prefeito para uma conferência. Tinha por fim esta lhe dar conhecimento de que Lampião e o seu grupo, em número de dez ao todo, exigiam a sua presença no lugar denominado Sobradinho, à entrada da cidade, onde todos se encontravam parados por se ter furado uma câmara de ar do carro que conduzia o audacioso bando.

O Sr. Otacílio trazia-os de Dores à força, em seu automóvel. Juntamente com mais três carros daquela cidade, aonde chegara, procedente de Carira, às 16 horas, para rumar em direção à Capela, às 19 horas.

O intendente Corrêa, depois de ouvir o Sr. Otacílio Azevedo, improvisado de chofer, deu ciência à sua esposa do que ocorria, tomou rápidas providências, em sigilo, para que o minguado destacamento local não saísse ostensivamente à rua em virtude da insuficiência de forças para um ataque, e foi ter com o grupo que o esperava.

Antão Corrêa foi recebido por Lampião que lhe disse desejar entrar à cidade sem outro intuito que o de angariar uns cobres, prometendo não cometer depredações.

O jovem intendente pediu-lhe manter-se em atitude pacífica e, entrando no automóvel ao lado de Lampião, às 20 horas chegaram todos à cidade.

Lampião mandou Arvoredo tomar o telefone, de passagem, e rumou para o Telégrafo. Corrêa fez-lhe ver àquela hora que o telegrafista estava no cinema e não deveriam ir à cidade-repartição, pois lá só se encontrava a família do respectivo funcionário, Sr. Zózimo Lima. As senhoras eram nervosas e podiam ter uma crise de consequências desagradáveis.

— Tá direito, disse Lampião, mulher é bicho danado pra dar chilique.

E rumaram para o cinema. Ali, o intendente Corrêa entrou logo no cinema e chamou o telegrafista para apresentá-lo a Lampião. Este assomou logo na sala de projeções e foi gritando — “não corram!” Foi um pânico medonho, indescritível! Os demais companheiros foram entrando aos poucos.

O povo, apavorado, não se mexeu mais. O operador em dois minutos quebrou mais de trinta metros de fita. A música perdeu o compasso e os instrumentos começaram a engasgar. Um grupo quis sair, mas Moderno, cunhado e secretário de Lampião, gritou — “se saírem eu dou um tiro pra vocês verem como a coisa é boa”. Logo aí Lampião ordenou ao telegrafista que não fosse mais à repartição sob pena de responsabilidade. Mandou logo quatro companheiros esperar o trem, que chegaria às 21 horas.

Estabelecida confiança do povo que entrou logo de simpatizar com Lampião, que se mostrou sobremodo atencioso, delicado, palestrador incansável, bem como os seus companheiros, começou a população em peso cercar a horda temível. Mandou logo que o intendente organizasse a lista das pessoas que deviam entrar com dinheiro, exigindo, porém, quantia não inferior a vinte contos. O intendente fez lhe ver a impossibilidade de arranjar aquela quantia, visto o comércio estar exausto e estarmos sendo perseguidos por três anos de seca. Diante desta ponderação Lampião respondeu — “É, major, eu também venho atravessando uma seca de 14 anos. Arranje pelo menos uns seis contos”.

Depois de ter comparecido à presença de Lampião, por exigência deste, o delegado de polícia, foi-se tratar de arranjar, entre os negociantes e usineiros, a importância exigida. Não se encontrou má vontade. Pudera! Lampião com aquela espetaculosa indumentária, não é para brincadeira.

Conseguidos os cinco contos e pico, o famanaz Moderno, por ordem do chefe, contou, emaçou e guardou a bolada no mocó, que estava recheado de dinheiro.

E daí em diante, pela noite adentro, as ruas em desusado movimento, Lampião e seu bando percorriam as praças em automóveis, espalhando-se pelas ruas frequentadas pelo meretrício, entrando em casas de bebidas para constantes libações.

Arvoredo, Volta Seca (uma criança quase) e Ponto Fino contavam trágicas façanhas aos grupos numerosos que os cercavam.

Visitaram as casas dos ourives Alfredo Assis e Euclides Silva, onde fizeram compras de jóias, pagando-as. Foram depois ao estabelecimento comercial de Jackson Alves, adquirindo por 500$000 uma gabardine e um revólver. As compras efetuadas eram pagas pelos preços estipulados, sem relutância por parte dos compradores. Todo mundo queria ver, ouvir, dar dois dedos de prosa com o célebre campeador nordestino e era imediatamente atendido com satisfação. Lampião, depois das 23 horas, foi ao telefone intermunicipal para falar diretamente com o chefe de polícia, não se conseguindo, àquela hora, obter a comunicação desejada, apesar da insistência da respectiva funcionária com as estações intermediárias, dormindo àquelas horas. Pelo esforço da telefonista Lampião gratificou-a com 50$000.

Às 3 horas da manhã, sempre acompanhado do povo, Lampião tocou reunir, com um apito estridente. Pouco a pouco foram chegando os companheiros dispersos. Feito isso, tomaram os automóveis e dirigiram-se ao povoado Pedras, onde se demoram pouco tempo, seguindo rápido para Aquidabã, a cavalo, pois fizeram dali seguir os autos para Dores.

A força que chegou de Aracaju, de manhã, depois de ligeiras e indispensáveis preparativos para combate, seguiu no encalço dos bandidos. Se não tomaram, da capital, providências imediatas para a vinda, em tempo, da força, é claro, foi porque todas as comunicações estavam interceptadas pelo bando sinistro.

Lampião, se bem que inculto é, não resta dúvida, um sujeito arguto e inteligentíssimo.

Sejamos imparciais e justos — os nossos últimos e indesejáveis visitantes, pelo trato ameno, pela atenção e cordialidade, deixaram boa impressão ao público.

Essas qualidades aqui exibidas pelos bandoleiros foram, não há negar, devido à maneira porque, na situação em que nos encontrávamos, se portou o digno intendente Antão Corrêa, desenvolvendo fina diplomacia para conter os impulsos latentes que moram nos corações de gente de tal jaez. Não há exagero em se afirmar, e disso todos estão gratos e cientes, que a tranquilidade pública repousou na ação eficaz, ordenada e destemerosa do jovem prefeito que, por esse gesto, mais conquistou as simpatias dos capelenses.

Afrontar um bando aguerrido como o de Lampião, com quatro soldados, desmuniciados, porque o complemento do mesmo tinha seguido para o sertão, dois dias antes, com o tenente Elesbão de Brito, seria um sacrifício inútil.

O Sr. Antão Corrêa embora sem a proteção da força, com as responsabilidades especiais do seu cargo político e administrativo, alvo principal das vistas tigrinas do bando trágico, sem saber a sorte que lhe aguardava, não atendeu a rogos de parentes sentimentais, não poupou sacrifícios para salvar a cidade de um saque provável, defender a honra da família capelense e seguiu, aventurosamente, para negociar com o celerado a paz de que tanto ansiávamos.

Porque fosse outro o Sr. Antão Corrêa, seguisse o exemplo de muito valiente que conhecemos, teria Sua Senhoria, após receber o convite de Lampião, sem saber das suas intenções, se metido no seu automóvel com a família e azulado por esse mundo afora, deixando a cidade entregue à sanha do audaz e facinoroso grupo.

Não podemos, também, deixar de elogiar a ação do cônego José Cabral, que muito nos auxiliou, impondo-se, pela sua correção moral e seus conselhos, no meio do bando de Lampião. Dois sequazes ao vê-lo, pediram-lhe a benção.

O cônego desejou-lhes regeneração. Eles sorriram.

Lampião mandou, por dois dos seus companheiros, buscar de automóvel o delegado, major Pedro Rocha, que, no momento de sua chegada, se achava na estação esperando o trem. Felicitou-o por conhecer mais um colega.

Gato foi jantar na Pensão Cabral. Interrogado pela proprietária sobre se era verdade não suportarem as mulheres, teve como resposta: — “Não gostamos das mulheres fuxiqueiras”.

Interrogado Lampião pelo autor destas notas se não pretendia deixar a vida que levava, teve como resposta: — “Qual moço, não há mais jeito. Deixe lá que a vida do cangaço é bem divertida”.

Ao Dr. Ozório Ribeiro disse Arvoredo que só tinha dois amigos: a Providência e o seu fuzil.

Conhecido diretor de importante repartição federal, que se encontrava na estação férrea, ao saber que Lampião tinha entrado na cidade, foi para a casa com as calças “pesadas”, infeccionando as ruas, fazendo os transeuntes, raros, levarem o lenço ao nariz.

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Lampião e Zozimo

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CORONEL JOÃO SÁ E A FAZENDA CARITÁ

Por Aderbal Nogueira 

https://www.youtube.com/watch?v=-enJtesEASE&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com Fazenda Caritá, que pertenceu ao Cel. João Sá.

Nesse vídeo, o ex-vaqueiro da fazenda, Sr. Jaconias narra para o pesquisador João de Sousa Lima as dificuldades da vida na época do cangaço, quando o sertanejo não tinha muita escolha: era viver ou morrer.

Link desse vídeo:

https://youtu.be/-enJtesEASE

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