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domingo, 7 de setembro de 2014

Eu fui Edmar Leitão (segunda parte)

por Sebastião Vicente*

Há uma praça no caminho de Edmar Leitão. Ele degola com um tiro certeiro a estátua do vulto municipal. Edmar Leitão nunca perde uma oportunidade de treinar sua pontaria. É por isso que ele é o melhor pistoleiro do sertão. O bêbado de estimação da cidade vem satisfeito mostrando a garrafa de brama que ganhou do bodegueiro. Edmar Leitão afina a pontaria e acerta bem no meio da alegria do bêbado. Cacos para todos os lados. Um dos cacos corta o dedo de um menino que brincava com bolas de gude com outro garoto. O menino prende o choro quando percebe a cicatriz que identifica Edmar Leitão. Uma negra passa pela praça equilibrando na cabeça uma pilha de roupas que acabou de engomar. Edmar Leitão de repente quer saber qual seria o estrago feito por uma bala num monte de panos. Mas ele mira mal e o tiro acaba levando a orelha esquerda da negra. Roupas para todos os lados.

Interessante o efeito, pensa Edmar Leitão, ciente de que errou o tiro. Um ancião passa por Edmar Leitão e, surpresa, o cumprimenta com um sorridente “bom dia”. Edmar Leitão devolve o cumprimento e até faz aquele gesto de retirar o chapéu sem de fato o retirar.

Edmar Leitão já caminhou o bastante para encontrar o paredão da casa onde mora seu alvo. As outras mortes não importam ¿ importa esta, que é morte por dinheiro. Edmar Leitão zela por seu ofício e gosta de serviços bem feitos. Um tiro fatal e basta. Edmar Leitão não é do tipo que gosta de fazer seu alvo sofrer. Também não admite conversa mole e nunca diz quem foi que o contratou. Nem quando quem o contratou pede que o faça. Edmar Leitão mata e pronto. Há sempre um novo contrato a cumprir. Edmar Leitão tem uma carteira vasta de clientes. Há muitos homens marcados para morrer, pensa Edmar Leitão. E às vezes, mas muito raramente mesmo, ele se pergunta por quê. Nunca tem tempo para encontrar uma resposta. Antes que a encontre, sempre aparece outro cliente com outro contrato de morte para ele cumprir.

Edmar Leitão está diante do paredão da casa do homem que ele vai matar com um tiro só. Ele vê um rapazinho magro, feio e triste entrando desesperado na casa do seu alvo. Ele imagina que o rapazinho vai tentar avisar o seu alvo sobre a sua chegada de maneira que o homem marcado para morrer tenha algum tempo para tentar fugir. Mas Edmar Leitão não se incomoda com isso. Deixa que o rapazinho faça sua tentativa. Edmar Leitão sabe que ninguém consegue fugir dele. É só uma questão de tempo, de horas, de minutos.

O rapazinho surge no alto da casa do alvo de Edmar Leitão. Mas o alvo de Edmar Leitão não está em casa. Está chegando em casa, bem na hora em que Edmar Leitão saca a pistola e escreve suas iniciais a bala no paredão. Dezenas de pares de olhos espiam admirados por trás das frestas das portas a perícia de Edmar Leitão desenhando E.L. a bala no paredão de sua vítima. O alvo de Edmar Leitão está bem ao lado dele e tem uma visão bem melhor do anúncio de sua própria morte. Mas o alvo não reage. Fica apenas parado, esperando Edmar Leitão matá-lo com um tiro só.

No alto da casa do alvo, o rapazinho não sabe bem como avisar sobre o perigo. O rapazinho é ingênuo e ainda acha que há tempo de o alvo fugir. Ele pega a corda do sino e pensa, procurando rapidamente a melhor forma de alertar o alvo. Pensa em tocar as chamadas para a missa dominical mas logo conclui que não é o toque mais apropriado. Então faz o sino badalar o toque que avisa a toda a cidade que alguém morreu. Ele queria alertar o alvo para o risco de ser morto mas sem querer acaba por sacramentar a morte já anunciada pelas iniciais de Edmar Leitão no oitão da igreja. E por um momento o badalo do sino se confunde com o estampido do tiro que Edmar Leitão dispara no pároco. Edmar Leitão não tem pudor de matar religiosos. Edmar Leitão matou mais um. O padre já era.

De uma casa distante, vem o som de uma radiola onde alguém ouve, impunemente, Roberto Carlos cantando “eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo”. Edmar Leitão gosta daquilo e cantarola um pouquinho mas logo pára porque não conhece bem a letra da canção.

Uns dois anos depois de passada esta história que lhe conto, fui chamado às pressas para fotografar um morto ilustre. Foi a polícia quem ligou para a redação onde eu trabalhava como repórter fotográfico. O corpo estava numa cidade do interior, distante uns duzentos quilômetros da capital. Tivemos que pisar fundo no acelerador do Opala novinho em folha. Chegamos a tempo de fotografar o morto antes que os vermes tomassem conta do corpo. E como sempre, onde havia morte matada, lá estava ele, Edmar Leitão.

Mas desta vez não houvera assassinato. O crime era de outra natureza. O corpo tinha a cabeça estourada pela violência do disparo. Mesmo assim dava para identificar. E mesmo que não desse, ao lado havia um bilhete escrito com caneta bic de tinta azul sobre um pedaço de papel de embrulhar pão.

Fotografei o corpo e o bilhete. A foto do corpo tenho comigo até hoje – aqui está. Mas a foto do bilhete a polícia me tomou, na tentativa de convencer o povo de que houvera uma perseguição e que a lei vencera mais uma vez.

Não se sabe até hoje o que levou Edmar Leitão a usar todo o seu talento com a pistola para disparar contra a própria cabeça. Mas há especulações. E uma delas perdura, graças à foto do bilhete que tirei naquele dia e que a polícia me tomou.

A foto do bilhete se perdeu, a polícia decerto queimou. Mas o sumiço dessa foto só contribuiu para espalhar pelos quatro cantos do mundo a história que a polícia queria evitar.

Dizem, até hoje, que Edmar Leitão cansou daquela vida de pistoleiro famoso e resolveu se aposentar. Mas pistoleiros não contribuem para o INPS e portanto não podem ir ao banco receber aposentadoria como fazem os velhos do sertão.

Dizem também que Edmar Leitão sabia que, se parasse de matar, perderia a prática e não poderia se defender. Ele acabaria sendo morto. Era uma questão de tempo, de horas, minutos. Pistoleiros não podem relaxar. Pois Edmar Leitão, apesar de temido – ou justamente por isso – era caçado dia e noite tanto pela polícia quanto pelos inimigos que fizera – ossos do ofício, ele dizia.

Por isso Edmar Leitão teria tomado sua decisão final. Edmar Leitão teria encontrado um sósia, a quem teria matado para enganar a polícia e poder descansar em paz.

E o bilhete escrito com caneta bic no papel de embrulhar pão seria uma pista dessa enganação.

O bilhete dizia: Adeus mundo cruel. Eu fui Edmar Leitão.

* Sebastião Vicente, ou apenas Tião, é natural do Rio Grande do Norte, iniciou a carreira de jornalista em Natal e deu continuidade a ela em Brasília. Depois de trabalhar em diversos veículos impressos e de TV, virou servidor público e agora edita programas na TV Câmara. Ele pode ser lido também no blog Sopão do Tião.

http://facadax.com/2007/02/26/eu-fui-edmar-leitao-segunda-parte/

Informação do http://blogdomendesmendes.blogspot.com 
Edmar Nunes Leitão era um bandido do Rio Grande do Norte, e fazia seu nome atirando nos muros. - Infelizmente o nosso blog não dispõe da foto do Edmar Nunes Leitão ou Antonio Letreiro.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Um bicho, um homem, um escravo, ou um cangaceiro!? Lucas da Feira.

Por Guilherme Machado

Lucas evangelista ou Lucas da Feira ou simplesmente (Nego Lú) como era conhecido, nasceu na fazenda Saco do Limão, entre Belém e Capoeiro Sul, município de São Félix, perto de Cachoeira, em 18 de Outubro de 1807. Fazenda de propriedade do padre José Alves Franco, e também o Negro Lú era escravo da propriedade do padre José Franco.

Logo que o sacerdote veio a falecer o negro Lú foi trabalhar com o pai do padre, o senhor Alferes José Alves Franco. Homem rico e de natureza dura, motivo para o lavrador e carpinteiro Lucas se rebelar e virar malfeitor. 

Foto do facínora e escravo, Lucas Evangelista, Lucas da Feira - (Foto do dia do seu enforcamento)

O Negro Lú e seu bando aterrorizavam as feiras livres, vilas e fazendas da região de Feira de Santana e arredores. Entre furtos, estupros e arrombamentos, Lucas e seu bando cometeram mais de 150 crimes. O bandido escravo conseguiu formar uma quadrilha de 8 facínoras, onde ele era o chefe maior! 

Nomes dos membros do bando de cangaceiros de Lucas da Feira:

Flaviano, Nicolau, Bernadinho, Januário, José, e Joaquim. Os outros dois não foram identificados por serem todos escravos fugidos.

Lucas foi preso em 28 de janeiro de 1848, e foi julgado e condenado a morte em forma de enforcamento, em 26 de Setembro de 1849, no Campo do Gado, em Feira de Santana, no Estado da Bahia.

Segundo o meu avô, o senhor Guilherme Pereira, que nasceu no Caquende de Belém, município de Cachoeira, que também foi escravo, afirma o velho Guilhermino que o nego Lú não era gente, e sim um espírito do além, porque o nego se em vultava na figura de um porco ou um cachorro, ou até mesmo no toco de árvore.

Ainda segundo o meu avô, a mãe de Lú era a maior (Orixá) pomba gíria de Cachoeira, que ela veio amarrada no porão do vapor de um navio negreiros, da Costa do Marfim, na África.

Fonte: facebook
Página: Guilherme Machado 
Guilherme Machado é da cidade de Serrinha, no Estado da Bahia. É pesquisador do cangaço.

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Chico Pereira

Por Epitácio Andrade
O cangaceiro Chico Pereira

Estudiosos pesquisam história do cangaceiro Chico Pereira em Currais Novos

No dia 27 de Agosto de 2014, os pesquisadores Vanderli da Silva Patrício e Epitácio Andrade iniciaram no município de Currais Novos, no seridó oriental do Rio Grande do Norte, uma busca de dados e o reconhecimento de lugares de memória da história de um personagem ainda pouco conhecido na história do fenômeno do cangaço.

          Estudiosos em visita ao tabelião Wendel Javas

Trata-se do cangaceiro Chico Pereira, que se aliou a Lampião para saquear a cidade de Sousa, na Paraíba e foi morto, em 1928, pela polícia potiguar, na margem direita do riacho maniçoba, na zona rural de Currais Novos, onde familiares ergueram um memorial, que é um lugar de visitação de turistas e interessados no resgate histórico do fenômeno do cangaço. Os estudiosos realizaram uma visita ao tabelião substituto do primeiro cartório de notas, senhor Wendel Javas e localizaram a certidão de óbito do cangaceiro.

 Vanderli Patrício e Epitácio Andrade no Fórum de Currais Novos/RN

No fórum da comarca de Currais Novos, os estudiosos do cangaço tiveram acesso ao processo judicial referente à morte de Chico Pereira. O trabalho tem o objetivo de subsidiar a formulação de uma ação parlamentar do futuro deputado estadual 

Epitácio Andrade e Carlos Augusto Maia

Carlos Augusto Maia, que proporá uma audiência pública sobre a temática do cangaço e suas perspectivas para o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte. 

 Lápide do memorial de Chico Pereira

Com uma história repleta de fatos controversos, a pesquisa de Vanderli e Epitácio, que recebe o incentivo e a orientação do experiente pesquisador currais-novense 

Epitácio Andrade e Wiliam Pinheiro

Capa do livro "Vingança, não"

William Pinheiro intenciona elucidá-los, como também produzir conhecimento histórico-científico sobre o personagem, que é o protagonista do livro ¨Vingança, não”, de F. Pereira da Nóbrega, e é prefaciado pela 

Raquel de Queiroz

escritora cearense Raquel de Queiroz, além de rastrear os lugares de memória de Chico Pereira, espalhados pelo interior do Rio Grande do Norte, contribuindo com a caracterização do legado de Chico Pereira para o patrimônio histórico-cultural potiguar.

http://epitacioandradefilho.blogspot.com.br/2014/08/chico-pereira.html

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Pai, mãe e irmãos da rainha do cangaço Maria Bonita


Na foto acima aparecem: Maria Joaquina Conceição de Oliveira (dona Déa -  a mãe de Maria Gomes de Oliveira, a cangaceira Maria Bonita). José Gomes de Oliveira (Zé de Felipe pai), e dois irmãos da cangaceira Maria Bonita, a companheira do temível e sanguinário Lampião. 

Foto cortesia ( ? )

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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sábado, 6 de setembro de 2014

EVANGELHO

Por Rangel Alves da Costa*

Naquele tempo... Saindo do Deserto da Judeia, aridez temerosa onde fora tentando por quarenta dias e quarenta noites, Jesus subiu ao monte mais alto dos arredores e de lá, lançando o olhar sobre as vastidões adiante, apertou os olhos e, entristecido, espalhou ao vento umas poucas palavras: Eis o deserto do homem. Terá oásis, mas incessantemente buscará o deserto.

Foram apenas estas as palavras, mas ecoadas de tal modo que chegaram aos quatro cantos da terra e até os dias de hoje são repetidas, acrescidas, modificadas. Contudo, mesmo curtas, continuaram misteriosas para muitos. Até sábios e profetas discordaram acerca de seu alcance. Assim porque a sabedoria não chega com conceitos acabados ou definições demasiadamente estreitas, exigindo que o próprio homem adentre na sua metáfora para decifrá-la segundo o seu compromisso com aquela realidade anunciada.

Alguns propuseram que Jesus sentenciara acerca do homem como ser destruidor do que foi semeado e depois se tornando algoz de sua própria degradação. Outros sugeriram que aquelas palavras nada mais significavam que o desprezo do homem pela existência que lhe fora confiada, de modo a tornar seu jardim num campo de aridez e desolação. E outros e mais outros deram interpretações diferentes às palavras. Mas qual o verdadeiro sentido daquela pronúncia e sobre a qual os tempos cuidaram de repassar a cada geração?

Terá oásis, mas incessantemente buscará o deserto. As palavras se acrescendo em si mesmas. E de lá de cima o verbo foi semeado nas imensidões dos tempos. No contexto do oásis e do deserto, ou na sua junção ou disparidade, a sentença que desde então o próprio homem optou por cumprir. O oásis talvez significando os poderes conferidos ao ser humano sobre a terra, a sua força transformadora na existência, a grandiosidade dos elementos colocados à sua disposição. O deserto talvez significando o descaso ou a omissão perante as riquezas concedidas ou mesmo as dolorosas consequências pela devastação daquele oásis. Destruindo as dádivas, somente caminhos difíceis restarão ao homem. Eis o seu deserto, eis o que insistentemente busca.


Ainda naquele tempo e depois em todas as eras, a ventania ouviu e logo cuidou de espalhar entre montanhas e povoações; os galhos e as folhagens ouviram e segredaram aos pássaros, que saíram cantando os ensinamentos em meio a toda natureza; a terra árida ouviu e se fez pó para tomar caminho e  cimentar a lição bem distante; as pedras ouviram e guardaram segredo. Eis que as pedras temiam que palavras tão importantes se perdessem nos sopros fáceis ou fossem deturpadas segundo os interesses. E prometeram a si mesmas preservá-las para a posteridade, bem além da idade duradoura da pedra. Mas aquelas poucas palavras se espalharam de tal modo ainda hoje são ecoadas como um verdadeiro sermão:

“Eis o deserto do homem. Terá oásis, mas incessantemente buscará o deserto.

Ofereci a semente, o grão, o leito na terra, o dom do cultivo, a força para o trabalho. Ensinei a plantar e a colher, pois a terra sempre justa e acolhedora das necessidades humanas. Mas o que dela resta senão o deserto?

Em meio a terra fiz nascerem os córregos e os rios, fiz surgir as fontes e os mananciais de águas cristalinas, fiz com que a sede pudesse ser saciada, o corpo reconfortado e as sementes e plantas alimentadas. Tudo isso fiz, mas não o fiz em vão, assim para o desvão humano. Eis que a água que corre ou se acumula é verdadeiro oásis de vida e não miragem de deserto que leva à morte.

Tudo criei, tudo dividi, tudo considerei, dei face e feição, coloquei em tudo a perfeição. Mas nada fiz de pedra ou de ferro, pois sabia que o homem aos poucos procuraria transformar a sua face e a sua feição. E o fiz de barro duradouro, unido pelo cimento das virtudes, precisamente para permitir que se moldasse segundo os desígnios de sua existência. Mas outra coisa o homem não fez senão fragilizar esse barro e transformá-lo em poeira, o mesmo pó que hoje o atormenta no deserto.

Criei o ser humano e dei-lhe o mundo como prova maior de minha confiança e de meu amor, mas não para que o tivesse como posse egoísta nem como propriedade absoluta, eis que com o compromisso de compartilhá-lo com os outros seres e elementos que nele também fiz surgir. Fiz a árvore para conviver com o homem, fiz os rios e mares para o compartilhamento do homem, fiz os animais e todos os demais seres para coexistirem com o homem. Nada fiz somente para o homem e nem para que este se arvorasse do direito de dispor e destruir como e quando quisesse. Quem ou o que estará ao seu lado quando o seu deserto estiver aos seus pés?

Até mesmo os desertos jamais existiram assim, tão medonhos e aterradores. Mas hoje se alastram de tal modo que já estão divisando com os campos que fiz floridos e verdejantes, já se aproximam das semeaduras, dos jardins, das moradias. E assim porque o próprio homem cuidou de aumentar sua aridez, aproximá-lo de si e cultivá-lo com um orgulho difícil de ser acreditado. Vai destruindo o ambiente que é vida e alimento e abrindo caminhos áridos rumo ao deserto maior. Avista-se o homem já caminhando fragilizado, sedento, sem rumo. Dei-lhe oásis, mas sempre prefere o deserto

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com 

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Mapa baseado nos registros policiais das operações do cangaço


Mapa baseado nos registros policiais das operações do cangaço mostra como era ampla a área de atuação de Lampião ao iniciar-se a década de 1930.

Fonte principal da foto: Biblioteca Nacional

Fonte: Antônio Corrêa Sobrinho

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Os velhos professores de Mossoró II - 25 de Agosto de 201

Por Geraldo Maia do Nascimento

A Segunda fase desse estudo corresponde a fase de expansão do ensino fundamental em Mossoró. Nessa fase vamos lembrar os professores que atuaram no Colégio 7 de Setembro (1900), do Colégio Santa Luzia (1901) e do Curso de Comércio da União Caixeiral (1912).
               
O primeiro nome que aparece dessa fase é a do professor Antônio Gomes de Arruda Barreto. Era, em sua época, uma das figuras de maior relevo da cultura nordestina. Era advogado e jornalista, mas foi como professor que o seu nome passou para a história. O seu educandário, o Colégio “Sete de Setembro”, funcionava a princípio na cidade de Brejo do Cruz, na Paraíba. 

Farmacêutico Jerônimo Rosado pai da família numerada de Mossoró "Rosado"

Mas a conselho do seu amigo e conterrâneo farmacêutico Jerônimo Rosado transferiu o estabelecimento para a Mossoró, no começo do ano de 1900. Na sua época era o único educandário no seu gênero, em funcionamento no interior, que preparava alunos em todas as matérias para os exames finais, a serem prestados no Ateneu Norte-rio-grandense, na capital do Estado. Em seu corpo de professores figuravam nomes como Teódulo Câmara, Paulo de Albuquerque, Jerônimo Rosado, Alfredo Melo, José Paulino Leal, Ferreira de Abreu, além do seu próprio diretor, o professor Antônio Gomes. O Colégio “Sete de Setembro” prestou inequívocos serviços a educação da juventude de Mossoró e de muitos outros lugares do Sertão. 

Professor Cônego Estevão José Dantas - fonte da foto: blogdogemaia
               
Professor Cônego Estevão José Dantas. Foi o primeiro Diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, de Mossoró, com as atribuições de promover a sua organização e consequente instalação do educandário que se iniciava com o século XX. Chegou a Mossoró em 22 de fevereiro de 1901 e dirigiu o Colégio Diocesano até fevereiro de 1907, desenvolvendo uma grande atividade em prol do ensino ministrado no educandário e do seu aprimoramento.
               

Professor Paulo Leitão Loureiro de Albuquerque. Era um homem de alta cultura, Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, tendo feito o curso em Recife/PE, de onde era originário. Era de espírito atilado, perspicaz, dotado de especial formação filosófica e humana. Era poeta, jornalista e orador de grandes arroubos. Foi Promotor Público, Juiz Municipal e professor. Teve parte ativa na campanha abolicionista de Mossoró. Lecionou francês, matemática, geografia e história no Colégio “Sete de Setembro”, do professor Antônio Gomes de Arruda Barreto. Sobre ele falou o Desembargador Felipe Guerra: “Foi o mestre da mocidade que subtraiu Mossoró do tenebroso esquecimento anti-intelectual e do obscurantismo e da ignorância”.
               
Professor Teódulo Soares da Câmara. Lecionou no Colégio “Sete de Setembro” e no Colégio Diocesano de Mossoró. Em 1907 transferiu-se para Natal onde foi nomeado professor do Ateneu Norte-rio-grandense.
               
Colégio Atheneu, o colégio mais antigo do Brasil Casa do estudante metralhada, após o levante comunista - www.skyscrapercity.com

Professor Alfredo de Souza Melo. Foi professor do Colégio “Sete de Setembro” onde lecionou a cadeira de língua inglesa. Jornalista vibrante e combativo, polemista, de espírito ativo. Um dos mais dedicados adeptos da campanha abolicionista de Mossoró.
               
Professor Jerônimo Rosado. Estimulando e ajudando ao Professor Antônio Gomes, induzindo-o a transferir o seu Colégio para Mossoró, onde as oportunidades de trabalho e de receptividade seriam muito maiores, não pode negar ao convite para lecionar no educandário. Foi professor de física e química. Lecionou também no Colégio Diocesano Santa Luzia, no início de funcionamento daquela instituição.
               
Professor Pe. Pedro Paulino Duarte. Substituiu o Cônego Estevão José Dantas na direção do Colégio Diocesano Santa Luzia. Chegou a Mossoró em 1907 e durante o tempo em que permaneceu na Diretoria do educandário, dedicou-se a promoção de um grande trabalho para a difusão da instrução entre as classes mais pobres, para o que chegou a abri uma aula noturna, cuja matrícula era de 30 meninos para ensino primário gratuito.
               
Professor Francisco Isódio de Souza. Foi um agitador cultural de Mossoró. Fundou, juntamente com outros membros, o Instituto Literário “2 de Julho, com o fim de promover as comemorações cívicas do transcurso da data que assinalava, na Bahia, a vitória das forças brasileiras contra as portuguesas comandadas pelo General Madeira. Do mesmo modo, com a ajuda de outros, fundou a 11 de agosto de 1911, a Sociedade de União Caixeiral, que foi pioneira no Estado da organização dos auxiliares do comércio.
               

Cada uma das pessoas citadas acima merecia, por sua luta e dedicação ao desenvolvimento educacional de Mossoró, biografia e homenagem por parte do poder público. Mas a grande maioria desses educadores, são totalmente desconhecidos das novas gerações, constando seus nomes apenas em velhos cartapácios, que poucos se interessam de pesquisar.
                
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:

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Geraldo Júnior entrevista filha dos cangaceiros Zé Sereno e Sila


Recentemente tive o prazer de fazer uma entrevista com a amiga Gilaene (Gila) de Souza Rodrigues filha do ex-casal de cangaceiros Sila e Zé Sereno.

O cangaceiro Zé Sereno esposo de Sila

Seus pais (Zé Sereno e Sila) eram cangaceiros e estavam presentes no momento em que Lampião e seu grupo foi atacado pelas forças policiais de Alagoas, naquele fatídico do 28 de Julho de 1938, na ocasião foram mortos Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e um Soldado Policial da Volante.

A cangaceira Sila esposa de Zé Sereno

Seus genitores foram incansavelmente entrevistados por pesquisadores, Jornais, Rádios, Revistas, Televisão, enfim tiveram suas vidas vasculhadas.

Porém muitos esqueceram de ouvir aqueles(as) que cresceram, conviveram e vivenciaram segredos e confidências que nunca foram antes reveladas para o público de um modo geral.

Pessoas essas que acompanharam um período traumático pós-cangaço, o recomeço, a nova vida, as dificuldades, a readaptação de seus pais à sociedade.

Nessa entrevista vocês conhecerão um pouco da história do casal de ex cangaceiros Sila e Zé Sereno relatada pela única filha do casal... Gilaene (Gila) de Souza Rodrigues.

Assistam...

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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Lampião chegou a praticar estupro ou nâo?

Por Volta Seca

LAMPIÃO, matou, assassinou, sequestrou, extorquiu, MAS, não se conhece na literatura, UM FATO DETERMINADO (dia, mês, ano, nome da vítima etc), informando que ele, pessoalmente, ESTUPROU DETERMINADA MULHER..!!

Dr. Antonio Amaury 

A esse respeito, conversei certa vez com o mestre Dr. Amaury (autor de mais de 10 livros sobre cangaço), e, ele me disse, que desconhecia qualquer fato a esse repeito.

Abaixo, FOTO/BILHETE deixado por Lampião em CAPELA-SE, condenando o ESTUPRO.


Fonte principal: Livro Lampeão - Ranulfo Prata
Fonte encontrada: facebook
Página: Voltaseca Volta

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IMPORTANTE ... ! HOJE NA HISTÓRIA ...


No dia 04 de setembro de 1842, é celebrado o casamento de Pedro II do Brasil com a princesa Teresa Cristina Maria de Bourbon.

O nome completo da imperatriz era:


"Teresa Cristina Maria Giuseppa Gasparre Baltassarre Melchiore Gennara Rosalia Lucia Francesca d'Assisi Elisabetta Francesca di Padova Donata Bonosa Andrea d'Avelino Rita Liutgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde".

Na foto, o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Teresa Cristina, com membros da família imperial no Rio de Janeiro.


Fonte: facebook

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CANGACEIRO ANTONIO SILVINO e a "ROLINHA MENININHA"

Por Dr. Sérgio Dantas


Fonte principal: 
Livro "Antonio Silvino", do autor Dr. Sérgio Dantas.
Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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A VINGANÇA DE CORISCO.

Cangaceiro Corisco

Quem conhece como foi assassinado Lampião, Maria Bonita e mais 9 membros do seu bando, na madrugada de 28 de Julho de 1938, restaram alguns grupos de cangaceiros. 

Silvino Ventura filho de Domingos Ventura

O cangaceiro CORISCO, ainda, no mês de Agosto daquele ano, pensando que o vaqueiro DOMINGOS VENTURA, da Fazenda Patos, em Piranhas, no Estado de Alagoas teria sido o delator de Lampião à polícia, investiu contra a família dele, tendo degolado o mesmo, a esposa e mais 4 filhos.

Os dois filhos de Domingos Ventura que foram poupados por Corisco

As cabeças foram colocadas em um saco e, enviadas ao prefeito daquela cidade. Do massacre, escapou, pela interferência de DADÁ, um dos meninos, SILVINO VENTURA ( Foto abaixo).

O pesquisador Voltaseca Volta fez a seguinte observação:


"- É isso aí! Qual dos dois na foto do Melchíades é o SILVINO? Logo, na postagem inicial, eu retifico. Foram dois filhos que escaparam. Amigo, a foto é do Melchíades, e as legendas com letra vermelhas. Há informações de pesquisador de que o personagem SILVINO VENTURA, morreu há alguns anos atrás, na cidade de Piranhas, no Estado de Alagoas. Perca para a história, da única testemunha ocular do massacre".

O pesquisador Narciso Dias disse:

José Cícero, Manoel Severo e Narciso Dias

"- Confirmado por senhor Celso Rodrigues, quando estive com ele em Piranhas, Silvino já é falecido".

O escritor José Sabino Bassetti também colaborou com mais informações sobre os filhos do Domingos Ventura


"- Silvino é o mais velho, portanto é o que tem o número 02. O último homem à direita de quem olha é Manoel João da Costa, primo e cunhado de Domingos, que também estava na casa no dia da chacina. Fonte.: Bandoleiros das Caatingas".

Voltaseca Volta " - Ok amigo Narciso! Boa contribuição, com essa precisa informação".

E o pesquisador do cangaço Adauto Silva falou o seguinte: 


"- Antônio e o Silvino, ambos já se foram! Nota 10, com louvor!" 

Fonte principal desta matéria: Revista "MANCHETE, edição de julho de 1981 ".

Fonte: facebook
Página: Adauto Silva

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08/08/38 - O AMOR INFELIZ DE MARIA BONITA

Por Freire Ribeiro - Especialmente para o Correio de Aracaju

Há na vida — transitória jornada dos corações — mil motivos de amor. Amor-sonho, amor-fé, amor-esperança, amor-caridade, amor-renúncia, amor-saudade, amor-luz, amor-treva.

Qual seria o amor de Maria Bonita?...

A ninguém é dado mergulhar nos misteriosos e profundos mares da ternura humana.

Flor selvagem e ardente — botão da caatinga —, Maria Bonita, como toda mulher, tinha coração e, como todo o coração, seu coração tinha amor.

Era talvez, dentro na existência tumultuosa e lendária do cangaceiro terrível, o amor de Maria Bonita uma luz mansa e pura — luz de alvorada festiva, transfeita num imenso e sangrento crepúsculo.

Jornais parisienses, folhas que circulam na velha Europa, poetizam a finalidade trágica da sua vida, aureolando-a como se fora Maria Bonita, mística apaixonada nos jardins de Verona.

Lampião foi feliz.

Mesmo com esse amor que muitas vezes modifica os temperamentos exacerbados, seu nome mergulhou num ocaso de sangue, de crimes terríveis, de misérias profundas.

Foi a fera danada, desumana: — foi, enfim, o que foi.

O destino — o imperador inevitável das almas, colocou uma mulher dentro no coração vermelho e ardente do cangaceiro, cloroformizado pelos fluidos mágicos do maior sentimento humano que é o amor.

Poetas não faltarão que recamem com rimas d’oiro o nome da sertaneja bravia.

Maria Bonita entrará para a história, não de rifle em punho e de punhal à cinta.

Ficará na lembrança redentora dos amorosos, perpetuada num oceano de beijos mornos e de afetos candentes.

Já não é tão má como fora.

E dentro em breve, muita gente há de ver, sertão afora, vagando nas solitárias noites enluaradas, por sobre a infinidade das caatingas do Norte, o vulto radiante de Maria Bonita, contando pela voz eterna dos ventos nas manhãs de sol, nas tardes de violeta, ou nas noites de lua — noites caboclas do Brasil romântico a história dolorosa e sangrenta do seu amor infeliz.

Agosto, 1938

Fonte: facebook

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