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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

LAMPIÃO E A VIOLÊNCIA DO CANGAÇO

*Rangel Alves da Costa

Não há como negar que o cangaço foi um antro de perpetração de todos os tipos de violências e perversidades. Também não há como negar que suas ações violentas não se voltaram apenas para o revide, para a defesa perante as agressões, para atacar e se defender contra as forças volantes. Tais ações seriam justificadas no campo da guerra, dos combates ferozes, no custo para salvação de vidas e na superação dos desafetos. Outras ações violentas, contudo, jamais poderão ser justificadas, principalmente quando praticadas contra indefesos ou inocentes nordestinos.

Muito se fala da exacerbada violência das forças volantes, e fato incontestável. Igualmente ao cangaço, as forças de perseguição mataram inocentes, estupraram, extorquiram, amedrontaram e espalharam o terror pelos sertões. A mera aproximação dos “macacos” já era motivo suficiente para que o medo tomasse conta de todos. E não sem razão o temor, vez que a volante tinha o homem da terra na mesma conta do cangaceiro. Ou pela suposição de ser coiteiro ou protetor de bandoleiro.

Esta suposição de que todo homem da terra era coiteiro, amigo dos cangaceiros ou conivente com suas práticas, gestou dolorosas consequências. Muitos sertanejos foram retirados de seus casebres para serem forçados a dizer - mesmo sem saber - onde o bando estava acoitado. Sangrados, chicoteados, apunhalados, pendurados de cabeça pra baixo em pés de pau, levados amarrados para a morte certa. E assim a feroz covardia das volantes foi fazendo o festim do medo e do sangue pelos confins nordestinos.

Há de se observar, porém, que as volantes não tinham compromisso algum com o homem da terra, não defendiam seus interesses e sequer o protegia contra as investidas cangaceiras. Diferentemente ocorria com o cangaço, cuja bandeira justificando a luta sempre foi o enfrentamento das injustiças, da opressão e da violência dos poderes contra os desvalidos.

Quer dizer, o cangaço passou a violar a dignidade, a honradez e a integridade física de seu igual: o homem da terra, o pobre, o injustiçado. O cangaço investiu e espalhou violência dentro de seu próprio berço de gestação e contra o seu irmão de sofrimento. Ora, não raro que cangaceiros nascidos em determinada povoação, quando lá retornavam praticavam verdadeiras atrocidades. E nem sempre porque seus conterrâneos haviam se tornado delatores ou como ajustes de contas pelas intrigas passadas, mas tão somente pela força impulsiva da violência.

Em tal contexto de violência cangaceira, urge indagar: Qual o papel, a culpa ou a responsabilidade de Lampião? Antes de possíveis respostas, necessário a observância de alguns aspectos. Na seara do cangaço, e mesmo sob seu comando, Lampião era apenas mais um cangaceiro. No contexto de liderança sobre os demais, Lampião era o seu comandante. Já no contexto do cangaço como um todo, Lampião possuía reinado, era o governante, o mandatário maior. E sendo rei e governante, qual seria sua responsabilidade sobre as violências praticadas por seus comandados?

A resposta poderia chegar pela responsabilidade administrativa e criminal modernas. No mundo jurídico de hoje, o detentor de poder pode responder pelas condutas ilícitas de seus agentes, principalmente pelo poder de vigilância que detém. Já na seara criminal, o mandante também será responsabilizado pelo crime praticado pelo executor. Sob tais perspectivas, certamente que Lampião teria que carregar nas costas infindas responsabilidades pelas condutas de seus cangaceiros. Mas também pelas próprias condutas.

Há de se observar, contudo, que as responsabilidades de Lampião teriam que recair somente enquanto líder de grupo, daquela parte do bando sob seu comando, e não pelas ações violentas perpetradas pelos subgrupos, vez que estes possuíam suas próprias lideranças, a exemplo de Corisco e Zé Sereno. Na visão geral, a parte do bando que permanecia com Lampião não deixava de ser também um subgrupo no contexto maior do cangaço. E sobre seu subgrupo sua responsabilização recaía.

Mas também a responsabilização lhe seria imputada quando cangaceiros de outros subgrupos estavam sob sua liderança ou perante sua presença, enquanto comandante maior. Quando, por exemplo, em 32, Zé Baiano colocou ferro em brasa nas faces das mocinhas de Canindé, Lampião estava presente. Foi conivente, permitiu que acontecesse a barbaridade. A sua culpa foi inegável no episódio. Deveria impedir e não impediu. Foi igualmente violento e criminoso.

E mais ainda, quando, também em 32, ordenou que o cangaceiro Gato - acompanhado de Azulão, Medalha, Suspeita e Cajueiro - matasse quem encontrasse pela frente desde o Couro ao Santo Antônio, e a cangaceirama matou sete inocentes num só dia, e desde o Couro ao São Clemente, em Poço Redondo, restou induvidosa a culpa do mandante Lampião sobre as mortes. Gato havia recebido ordens para matar. Havia um mandante.

Apenas alguns exemplos da violência do cangaço e da culpa de Lampião por inúmeras atrocidades praticadas sertões adentro. Os cangaceiros eram violentos sim, mas muitos exacerbaram suas perversidades pela conivência, senão pelo mando, do líder maior. 

Escritor
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ELOGIO À OBRA DE TÍTULO "TROPEIRISMO NOSSO", DO AUTOR ANTÔNIO GONÇALO DE SOUZA.

 Por José Francisco Xavier de Queiroz

Em reconhecimento à fantástica obra “TROPEIRISMO NOSSO”, de autoria do escritor Sr. Antônio Gonçalo de Souza, o qual enaltece a história dessa bela e encantadora cidade, Várzea Alegre – CE.

É com imensa satisfação que passo a descrever a alegria e o privilégio de ter sido presenteado com uma bela obra, o livro “Tropeirismo Nosso”, linda obra do autor Antônio Gonçalo de Souza, o qual, além de enaltecer a história dessa maravilhosa cidade, retrata a importância de uma atividade tão importante, o tropeirismo, atividade essa que, embora extinta, deixou marcas e traços de sua tão relevante importância para o desenvolvimento dessa bela e encantadora cidade, Várzea Alegre - CE, contribuindo não só para o seu progresso e evolução, como também para o desenvolvimento socioeconômico de outras regiões circunvizinhas.

Em 19 de janeiro de 2018 tive a belíssima oportunidade de conhecer o Sr. Antônio Gonçalo de Souza, quando em visita à sua família em Fortaleza – CE, na ocasião conversamos bastante e fui surpreendido com esse belíssimo presente, o livro “Tropeirismo Nosso”, uma obra que retrata com riqueza de detalhes momentos e histórias diversas pelas quais a cidade de Várzea Alegre passou ao longo do século passado, e não poderia deixar de enaltecer aqui esta fantástica obra, a qual resgata valores, histórias, causos, fatos e acontecimentos que marcaram a história dessa cidade, e que sem dúvida representam um grande marco para a linda e encantadora cidade de Várzea Alegre.

Nessa obra o autor, Sr. Antônio Gonçalo de Souza, de forma especial, além de resgatar a importância de uma atividade tão nobre e edificadora, traz ainda uma linda história de sua vida no Sítio Sanharol, hoje bairro dessa encantadora cidade, relatando ainda a história de vida de seu avô Sr. Antônio Gonçalo Araripe, pioneiro no tropeirismo nessa região, bem como os valores herdados por seu pai, Sr. Raimundo Gonçalo Araripe, tios, irmãos e demais familiares, repassados por seu avô, homem que muito contribuiu para o progresso dessa maravilhosa cidade e, claro, para o sucesso e progresso de outras regiões.

Conhecer a evolução dessa belíssima e encantadora cidade, de seu comércio, seu povo, sua cultura, sua política, sua fé, contribuiu ainda mais para com o aumento do carinho e admiração que tenho por Várzea Alegre. Também filho de nordestinos, com praticamente toda a família no interior do Rio Grande do Norte, com a graça e a permissão de nosso maravilhoso Deus tenho visitado anualmente essa cidade, a qual amo tanto, e que me encantei logo na primeira visita.

Várzea Alegre, uma cidade onde a alegria do povo é visível em seus olhares, as encantadoras conversas de fim de tarde pelas calçadas, adornadas por cadeiras de balanço, retratam a calmaria e a tranquilidade do lugar; o comércio, com uma vasta variedade, encanta não só com produtos diversos, mas também com produtos típicos da cultura nordestina. Sua deliciosa culinária desperta o zelo e a dedicação com os quais é preparada; o sorriso, a alegria e a espontaneidade das pessoas ao nos receberem é marca presente; ruas, praças e monumentos embelezam ainda mais a cidade, tornando-a ainda mais prazerosa. Por tantos atributos, impossível não querer voltar a essa encantadora cidade, o que, enquanto vida e disposição tiver, com a graça do Deus Altíssimo, farei.

Agradeço a todos dessa linda e prazerosa cidade pelo acolhimento e pelas maravilhas que nos proporcionam, em especial ao autor do livro “Tropeirismo Nosso”, Sr. Antônio Gonçalo de Souza, por permitir que viajemos no tempo e tenhamos a oportunidade de vivenciar momentos tão marcantes e importantes da história dessa maravilhosa cidade, a qual certamente contou com a colaboração, com o trabalho, com o esforço, o exemplo e a dedicação de pessoas como o Sr. Antônio Gonçalo Araripe, que muito contribuíram para o progresso dessa linda e encantadora cidade, Várzea Alegre - CE.    

José Francisco Xavier de Queiroz

Servidor Público, Fiscal de Defesa do Consumidor, residente em Brasília – DF, filho de nordestinos do interior do Rio Grande do Norte – RN, lugar o qual também tenho enorme apreço e consideração. Saudades do meu Rio Grande, saudades também da minha amada e inesquecível Várzea Alegre – CE, terra dos familiares de minha esposa Elaine Ranielly Duarte Lourenço, filha de Rita de Cássia Duarte da Costa (tia Rita) e Expedito Davi Lourenço.

Enviado pelo o autor através de e-mail.

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JURITI: O FILME (VERSÃO COMPLETA) | 471

 Por Robério Santos

https://youtu.be/T9zvdqjjk-w

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SOU DO NORDESTE MESMO E COM ORGULHO

Vá a onde for mais não se esqueça de suas origens

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IMAGINANDO A MATRIZ DE SANTANA

 Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.458

Vendo a imponente Igreja Matriz de Senhora Santana, temos que seja originária da capela inicial, construída em 1787 pelo padre Francisco Correia. Na verdade, foi uma parceria feita entre o fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia e o padre Francisco. Martinho fornecendo mão de obra e material de construção, o padre, elaborando sua arquitetura, seus desenhos, seus altares. Imaginamos a esposa do fazendeiro, primeira devota de Senhora Santa Ana, acompanhando e encorajando os trabalhos da capela, cujo santos ela encomendara ao padre que os trouxe da Bahia. O padre só inaugurou a igreja após esculpir o Cristo Crucificado com suas próprias mãos.

Podemos conferir que foi seguida a sua arquitetura na reforma que sofreu em 1900, pelo padre Manoel Capitulino de Carvalho, futuro intendente de Santana e também governador de Alagoas. Basta examinar uma foto antiga e de domínio público mostrando a reforma da igreja ainda em preto e rodeada de andaimes. É comparar com o desenho da igreja original e notar a sua semelhança. Nada mais sabemos fora a data de inauguração da reforma e do mestre de obras denominado: Francisco José Bias. A igreja de Senhora Santana só vai aparecer na história com a significativa reforma já inserida em Santana/cidade, na segunda metade da década de 1940. Mas, dessa vez temos apenas os nomes do padre Bulhões, como seu reformador e seu auxiliar, padre Medeiros, após os problemas de saúde de Bulhões.

No caso dessa grande reforma que externamente até hoje perdura, não temos conhecimento de quem teria sido, mestre de obras, engenheiro ou trabalhadores. Também não sabemos com exatidão o material empregado fora o tijolo: argamassa, ferro, cal, tipos de areia... Temos a ideia, porém, e a realidade da beleza única da sua arquitetura, sem fugir aos desenhos originais do padre Francisco Correia. A Igreja Matriz de Senhora Santana foge de todos os padrões dos templos católicos ao longo do rio São Francisco, em Alagoas, a maioria com duas torres. Atualmente a beleza e a pujança do edifício, destaca-se como o mais atraente cartão de visitas do Sertão alagoano e um dos mais chamativos de Alagoas, senão o maior de todos.

E se o relógio quatro faces já não funciona, se os abençoados sinos não dobram como antes, mas seu campanário não perdeu a sua mística e nem sua torre o magnetismo dimensional entre Deus e os homens. Amém, amém...

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2021/01/imaginandoa-matriz-de-santana.html

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DISSERAM A ANANIAS QUE ELE ERA FILHO DE MARIA BONITA E SEM QUERER QUERENDO, ELE ACREDITOU.

 Por José Mendes Pereira


Criar fatos inexistentes é bem mais fácil do que fazer a ditadura no Brasil, como disse o Bolsonaro alguns meses que se passaram, que para voltar a ditadura: "- é bem "facim", mas eu não quero...", assim afirmou ele em uma entrevista a um canal de televisão.

Um acontecimento do cangaço que me deixa sem rumo é sobre a paternidade do  Ananias Gomes de Oliveira, que era irmão da Maria Bonita do capitão, e alguns familiares colocaram na sua mente, que ele não era irmão de Maria e sim, filho. E o Ananias que era irmão mesmo da rainha do cangaço, infelizmente, sem querer querendo, acreditou na conversa. Impossível! Por que só depois de algumas décadas passadas é que foi descoberto que ele era filho da Maria? E a vizinhança não viu ele nascer do ventre de Maria filha ou de Maria mãe?

Não aparece quem a coloriu.

Na história do cangaço o velho guerreiro Lampião só tem uma única filha reconhecida historicamente, que é dona Expedita Ferreira Nunes, e que mora em Aracaju, no Estado de Sergipe. Ela nasceu em Porto da Folha sob a proteção de um umbuzeiro no ano de 1932,  e com 21 dias de nascida foi entregue pelos pais a um casal de vaqueiros, os quais eram Manoel Severo e sua esposa Aurora, que já eram pais de 11 filhos, e segundo dona Expedita Ferreira, foi bem criada com muito carinho por todos eles. O casal sempre dizia que ela não era filha deles, e sim, dos cangaceiros Lampião e Maria Bonita.
 
Sabemos que a rainha do cangaço Maria Bonita durante o tempo em que viveu com o capitão Lampião teve três abortos, fazendo um total de quatro filhos gerados em seu útero, contando com dona Expedita. Mas o capitão Lampião mesmo sem saber, poderá ter deixado alguma ou algumas namoradas grávidas pelos sertões que passou. Não se tem conhecimento disso, mas não é difícil, porque homem que não obedece as leis é poderoso e domina fácil uma mulher, principalmente quando ela não tem nenhum compromisso amoroso. Dois que apareceram por aí dizendo que eram filhos do rei, foram invenções. 

João Peitudo suposto filho de Lampião e Maria Bonita

O João Ferreira (João Peitudo) que era lutador de box e se dizia ser filho do casal de cangaceiros, que segundo ele, nasceu no ano de 1938, Vera Ferreira que é neta de Lampião diz que não há nenhuma possibilidade do João ser filho dos seus avós, porque ele nasceu em 1942, e os seus avós já estavam mortos há quatro anos. João Peitudo morreu tentando provar que era filho do Lampião.

Vera Ferreira neta de Lampião e Maria Bonita

Em 2005, surgiu o mais recente caso e com grande possibilidade de ser real, segundo alguns especialistas, um dos onze filhos de Maria Joaquina da Conceição, conhecida como "Dona Déa" e José Gomes de Oliveira, o "Zé Filipe" o Ananias (foto no início da página) seria filho de Maria Bonita com Lampião. Acontece que Dona Déa e Zé Filipe são pais da Maria Bonita.

Dr. Antonio Amaury e Manoel Severo.

Li que uma descoberta do Dr. Antônio Amaury Correia teria ouvido de um major reformado do exército de nome José Mutti, um ex-volante da polícia, e que este foi  genro dos pais de Maria Bonita, que ele foi esposo de Antonia Gomes de Oliveira, a sogra segredou-lhe que o Ananias era filho do "homem", ela quis dizer referindo-se ao capitão Lampião.

Antonia Gomes de Oliveira irmã de Maria Bonita a esposa do José Mutti

Quem ler sobre cangaço e assim como eu que não tem muita segurança sobre o tema, opino sem atrapalhar os pesquisadores e escritores, e com essa informação de dona Déia, fico meio assustado e me perguntando: Mas quem seria a mãe, Maria Bonita com o Lampião ou a dona Maria Joaquina com o “homem” que seria o Lampião?

O mais interessante é que Ananias nasceu no ano de 1929 e Maria Bonita entrou para o cangaço em meados do ano de 1930. E quem viu Maria Bonita grávida neste período de 1929 a 1930? Ninguém fala que a viu gestante durante este tempo em que ela estava tentando se aconchegar a Lampião.

Volta Seca com a sua esposa

O cangaceiro Volta Seca que ainda era menino na época e que entrou para a "Empresa de cangaceiros Lampiônica & Cia" em 1929, falou ao Jornal “O Pasquim” que viu Maria Bonita grávida, mas de Expedita Ferreira que nasceu no ano de 1932, e quem cuidou dela foi a sua própria mãe Maria Joaquina de Oliveira.

Expedita Ferreira filha de lampião e Maria Bonita

A verdade não aparece em nenhum caso deste. Ananias que foi considerado neto e ao mesmo tempo filho de criação de dona Maria Joaquina é também uma criação dela, para que ele se tornasse filho de Lampião e Maria Bonita. Com certeza, grávida ela não foi para o cangaço, porque nenhum remanescente de Lampião falou nessa possibilidade entre 1929 a 1930, principalmente o Volta Seca que entrou para o cangaço no ano de 1929. 

https://www.youtube.com/watch?v=jsiQIMKnxec&ab_channel=Hist%C3%B3riasDoNordeste  
Clique no link abaixo para conferir.
 https://blogdomendesemendes.blogspot.com/2021/01/lampiao-era-traido-por-maria-sera-que.html

E se Maria Bonita teve o Ananias, não era filho de Lampião e sim, do seu primeiro esposo Zé de Neném, ou supostamente do João Maria de Carvalho como acusa este senhor neste vídeo acima, fato que eu não acredito na sua informação. Esta é a minha opinião. Nada real sobre isso.

Maria Bonita e seu primeiro esposo José de Neném.

O mais interessante é que dona Maria Joaquina segredou ao seu genro a paternidade do Ananias sendo Lampião e Maria Bonita. E qual seria a sua intenção de falar isto em boca de cumbuca, já que a vizinhança sabia muito bem quem seria o pai e mãe do Ananias? 

Informação: 

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. São apenas as minhas inquietações. Não prejudica de forma alguma e não contraria os trabalhos dos escritores, pesquisadores e cineastas. Não tenho projéteis para enfrentar estes grandes estudiosos do cangaço. Afinal, tudo que eles escrevem eu me aproveito e muito os agradeço, porque é com eles que eu tento conhecer e viajar com os reis do cangaço nas caatingas nordestinas. Um tema apaixonante que é cangaço.

Leia este trabalho no Lampião aceso: 


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MARIA BONITA RESTAURADA

Por José Mendes Pereira


Esta foto é Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita quando ainda muito jovem e pertence ao acervo do escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima. Ele a recebeu das mãos de familiares da rainha do cangaço.

Solicitei ao amigo Gabriel Ferreira amigo do pesquisador Antonio José de Oliveira ambos lá da cidade de Serrinha, no Estado da Bahia, para que fizesse uma restauração na foto, e ele atendeu a minha solicitação e fez um excelente trabalho. 

Nesta foto ela nem sonhava em ser um dia Maria Bonita. Ainda era Maria Gomes de Oliveira ou simplesmente Maria de Déa, que era o apelido de sua mãe Maria Joaquina da Conceição.  

Os pais de Maria Bonita

Segundo alguns cangaceiros que deram entrevistas aos jornalistas, escritores e pesquisadores, este apelido de Maria Bonita quem deu foi a polícia, por ela ser bonita. Afirmaram também que jamais ela foi chamada de Santinha por Lampião "foi criação", e os cangaceiros a chamavam de dona Maria, e quando se referiam a ela, chamavam-na de Dona Maria do capitão.  

Você que gosta de estudar cangaço e que começou agora não acredite em tudo que as pessoas dizem or aí. Procura adquirir bons livros através dos escritores e para isto, existe a Livraria do professor Francisco Pereira Lima, lá em Cajazeiras, no Estado da Paraíba, e seu e-mail é: 

franpelima@bol.com.br.

Clique neste link para você ver uma porção de livros da Livraria do Professor Pereira

http://sednemmendes.blogspot.com.br/2015/08/relacao-de-livros-venda-professor.html

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A HISTÓRIA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

 

https://www.youtube.com/watch?v=qao83hL49Yk


Publicado em 17 de abr de 2014
Pequeno documentário sobre o Cangaço, com ênfase no romance entre Lampião e Maria Bonita. Feito pelos alunos do 3º ano A do Centro Educacional Conrado Menezes da Silva - Milagres (BA).
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"Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor" por Amelinha ( • )

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FLORO NOVAIS HEROI OU BANDIDO?

Mais um livro na praça: FLORO NOVAIS: Herói ou Bandido? De Clerisvaldo B. Chagas & França Filho. Este livro estará disponível a partir de amanhã no Cariri Cangaço São José do Belmonte e segunda feira dia 15/10 Para todo Brasil. 

Preço R$ 40,00 com frete incluso. 124 páginas. Franpelima@bol.com.br e fplima1956@gmail.com e Whatsapp 83 9 9911 8286.

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O MAIS NOVO LIVRO SOBRE O CANGACEIRO JARARACA

 

Adquira logo este através deste e-mail:
limafalcao34@gmail.com
Valor: R$ 35,00 (incluso a postagem)
Banco do Brasil
Agência: 3966-7
CC – 5929-3

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).

Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

Cela onde ficou Jararaca em Mossoró, até ser levado fora de horas ao cemitério para ser executado - Francisca Alencar
Voltaseca Volta - Beleza de foto Francisca Alencar! O túmulo de Jararaca em dia de finados é mais visitado do que o de Rodolfo Fernandes. Como explicar isso? Crendices, devoção, ou outro fenômeno?

Nota: As duas fotos acima só para efeito de ilustrações. Não fazem parte do livro Jararaca.


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LIVRO CORISCO A SOMBRA DE LAMPIÃO

 Por Francisco Pereira Lima


A recomendação bibliográfica de hoje: 
CORISCO: A Sombra de Lampião, de Sérgio Augusto S. Dantas. 
Um excelente livro sobre essa figura emblemática do Cangaço. 
CORISCO. Livro Novo. Preço 50,00 Com frete incluso. Pedidos: 

franpelima@bol.com.br e whatsapp 83 9 9911 8286.

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EZEQUIEL FERREIRA

 


https://www.facebook.com/photo?fbid=721114928800050&set=gm.1127157907755384

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KITS CONTENDO OS DOIS VOLUMES DE "CANGAÇO NA BAHIA" PRONTOS PARA A PARTIDA, HOJE... AOS POUCOS, TODOS TERÃO.

 Por Rubens Antonio

https://www.facebook.com/rubensantoniodasilvafilho/posts/5223157427724509?comment_id=5224168340956751&reply_comment_id=5224527714254147&notif_id=1611586497858961&notif_t=mentions_comment&ref=notif

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A VACA DA REMETEDEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de janeiro de 2021.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.457

Ao olhar os montes que circundam Santana do Ipanema, chegam até nós a impressão de que foram formados de uma vez só há milhões de anos. Vista do serrote Pelado (Alto da Fé), a cidade parece construída dentro de um vulcão extinto, pelo menos é o que deixa transparecer o círculo de elevações em torno da urbe, mesmo com vários intervalos entre elas. Nesse contexto aparece a serra da Remetedeira, cujo nome estranho sempre intrigou a vontade da pesquisa. Para quem conhece a região fica mais fácil entender. Podemos falar que a serra da Remetedeira tem início na parte baixa do Bairro Floresta, exatamente à margem direita do rio Ipanema, no poço do Juá, com a barreira onde se inicia a subida para o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo.

A serra tem início na barreira do Juá e vai subindo, passa pelo hospital, forma um platô nas imediações e continua ganhando altura quando começa a circundar. Alguns quilômetros à frente, atinge o seu pico no meio do círculo, visto da região Oeste da cidade. Dali continua o seu círculo até que vai amainando a altitude até chegar perto da BR-316, além do Bairro Barragem. É um percurso que ainda sonhamos percorrê-lo totalmente e conhecer de perto o seu pico. Visto de longe através de aparelhos, o cume da serra da Remetedeira é rochoso e imensamente quebradiço pela constante exposição às intempéries.

Quanto a denominação, contam os antigos que ali em um sítio vivia uma vaca que procurava proteger a sua cria dando carreira em gente. Os habitantes do lugar chamavam a rês de “vaca remexedeira”.  Um padre chegado à região, sabendo sobre a vaca remexedeira e o motivo, corrigiu o português matuto do lugar dizendo que o correto seria “vaca remetedeira”, o animal que arremete, que ataca com fúria. E assim, não somente a vaca, mas a serra também passou a ser chamada: serra da Remetedeira, isto é, (serra da vaca que arremete). Isso deve ter acontecido entre os Séculos XIX e XX.

Examine a foto e confira a narrativa.

Vamos juntos conhecê-la?

(FOTO: CRÉDITO B. CHAGAS/LIVRO 230)


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AMADAS E AMANTES DO CANGAÇO - QUEM FICAVA QUEM?

Por João de Souza Costa

As relações entre homens e mulheres em tempos de guerra, fome e injustiças só podem ser compreendidas depois dos fatos acorridos e passando ao largo de conceitos morais ou religiosos.

Foram tantas as mulheres que permaneceram ao lado de seus maridos, noivos e namorados em Canudos; centenas foram as Vivandeiras de Quartel, que seguiam seus amados na Coluna Prestes e 36 o número delas no cangaço.

Para os admiradores da saga do cangaço, vai aqui uma abordagem copidescada a partir de alguns livros (abaixo nos créditos) e narrada na forma interpretativa livre, partindo da noção de pertencimento, que é a maneira de amar mais comum em nossa sociedade, ainda patriarcal.

Foram tantas e tão poucas, mas não tardias em seu tempo; a começar por Maria de Déa, que seduziu Virgulino Ferreira, que deixou para trás um casamento sem amor para abraçar uma paixão que poderia ter sido efêmera, mas que durou o tempo suficiente de uma tragédia shakespereana – única na história brasileira.

Sérgia Ribeiro, a Dadá, foi raptada e mantida em “cativeiro” ainda menina por Corisco; com ele viveu o “amor possível”, combateu ao seu lado e o substituiu em comando; assistiu a sua morte e viveu o suficiente para reconstruir a vida e dar ao próprio Corisco um enterro digno muitos anos depois – ela mesma lavou os ossos de Corisco antes de sepulta-los.

Após citar as duas primeiras-damas, vamos as demais senhoras da Corte do cangaço e seus cônjuges.

Lídia, segundo relatos a mais bonita de todas e que foi companheira de Zé Baiano citado como o mais cruel, e que a matou a pauladas em função de adultério. Lídia “foi pro mato” com Bem-Te-Vi, um cangaceiro que conhecera na adolescência. Flagrada e chantageada por outro cangaceiro, teve um final terrível.

Florência de tal foi casada com Rio Branco – o casal que acompanhava Corisco e Dadá no momento em que Zé Rufino deu cabo de Corisco, e que desapareceu nas caatingas: para sempre!

Otília, que foi a primeira companheira de Mariano; Bidia, que seguia Volta-Seca; Maria Jovina, que viveu com Pancada; Gertrudes que seguia Beija-Flor.

Lembrar de Durvalina do amor eterno a Virgínio; a mesma que depois ficou com Moreno até o fim da vida, Leónida, chamada Lió, que ninguém sabe com quem convivia; Moça, que amava e seguia Cirilo de Ingrácia.

E a irrequieta Lili, que gostava de Lavandeira e o seguiu até a morte do cangaceiro para depois escolher Moita Brava como marido e que terminou sendo morta por infidelidade.

Quitéria que era a amante de Pedra Roxa; teve uma Lica, que seguia Passarinho e também Sabina, que viveu ao lado de Mourão; não esquecer de Mariquinha, a mulher de Labareda.

Destacando Neném, de Luiz Pedro; Antônia Maria, casada com Balisa e Inacinha, a amada de Gato – o cangaceiro índio.

Eufrásia conhecida como Florzinha, aquela que foi amante de muitos cangaceiros e que terminou ao lado de Saracura, e tinha também uma tal de Maria Isidoro, cangaceira cheia de mistérios que se dizia da Bahia e ninguém sabe com quem namorou ou viveu.

Não esquecer de Dulce, casada com Criança; e sua irmã Rosinha que acompanhava Mariano.

E a cangaceira que virou estrela e romancista, Ilda Ribeiro de Souza – Sila, que sobreviveu ao tiroteio em Angico e ficou famosa ao lado de Zé Sereno. Sila escreveu livros, foi consultora da TV Tupi e tornou-se celebridade com entrevistas até no Programa do Jô Soares.

E uma Adelaide que viveu um romance fugaz com Criança; Adília que seguia Canário, Enedina que acompanhou o marido quando este ingressou no cangaço

Maria Fernanda (es) namorou e viveu com Juriti. Eram primos, sobreviveram ao massacre de Angico. Antes de se entregar em busca de anistia, Juriti deixou Maria Fernanda na casa dos pais, sob a alegação de que quando a “conhecera biblicamente” a moça não era amais virgem.

Juriti se rendeu, delatou os companheiros ainda em fuga, foi queimado vivo pelo sargento Deluz e Maria Fernanda casou e foi feliz com próspero comerciante de Sergipe.

Na esquecer de Áurea que amava Mané Moreno, o cangaceiro que veio da Bahia.

Lembrar de Laura, apelidada de Doninha e que era casada com Boa Vista; ainda Cristina, de Português e a nova cangaceira Sebastiana que ficou com Moita Brava após a morte de Lili.

Tais mulheres jamais pisaram em terras e coitos da Paraíba, Ceará ou Rio Grande do Norte. A maioria era sergipana e outra leva de baianas. Elas já chegaram no cangaço banhadas pelas águas do Rio São Francisco, para depois serem banhadas de renda e adornadas com joias.

Não há relatos de solteiras no cangaço e as relações eram monogâmicas. Pelo código de conduta do cangaço, as mulheres que ficassem viúvas não podiam permanecer no bando nessa condição nem sair. E quem tentou voltar pra casa dos pais foi morta.

A solução era encontrar um novo companheiro. A maternidade era de risco e seguida de apartação de suas crias. Elas deram um toque de civilização às hordas de celerados, escreveram com sangue, dor e amor suas histórias.

Elas não eram “mulheres de Atenas” que esperavam no terreiro de casa pelos seus amados; estavam lá com eles nas razias e vinditas, sem tempo para lamentar da sorte ou azar, mas que viveram uma aventura digna de heroínas em um tempo governado por homens maus, que se tornavam bons em suas presenças.

João Costa. Acesse: @joaosousacosta pelo Instagram

Foto1. Maria Fernanda(es) ao lado de Juruti(C). Foto 2. Joana Gomes e Inacinha. Foto 3. Nenê, Maria Jovina e Durvinha.

Fonte “Amantes e Guerreiras”, de Geraldo Maia do Nascimento

“Os Últimos Dias de Lampião e Maria Bonita”, de Victoria Shorr; tradução de Marisa Motta

“Maria Bonita” – Entre o Punhal e o Afeto”, de Nadja Claudino

Imagens: Benjamim Abraão.

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CHICO CHICOTE E LAMPIÃO.

 Por Luís Bento

Por sua vez, a Escritora Aglaê Lima de Oliveira, autora do livro " Lampião, Cangaço e Nordeste " ( Empresa Gráfica " O Cruzeiro", S.A., Rio, 1970), ao responder uma das perguntas do programa J. Silvestre ( SHOW SEM LIMITE ), na TV Tupi, incluiu Chico Chicote entre os inúmeros costeiros do " Rei do Cangaço ".

A propósito dessas afirmações inverídicas, torna-se necessária desde já, a narração do que ocorreu entre Chico Chicote e Lampião, sem jamais haver contato pessoal de ambos.

Quando transitava pela Serra do Araripe, ou lá permanecia por algum tempo, Lampião, para alimentar seu bando, matava reses do Cel. Pedro Martins de Oliveira Rocha. Proprietário da fazenda Cacimbas no município de Brejo Santo.

No entanto, em carta dirigida ao dito fazendeiro, Virgulino afirmou que o autor de tais depredações era Chico Chicote.

A partir daí, o boato alastrou-se no município e nas imediações, e, como não podia deixar de acontecer, provocou forte indignação ao caluniado.

De resto, o caso foi comunicado pessoalmente a Chico Chicote por Pedro Martins, para o que o convidará a ir a Cacimbas acompanhando do seu irmão Manoel Inácio de Lucena.

Pouco depois, no intuito de evitar luta entre Lampião e Chico Chicote, Antônio Aristide Xavier, genro de Pedro Martins, conseguiu levar Lampião à fazenda Crioulo no (município de Jardim) e convidou Chico para ir até lá, tentando, desse modo, fazer a paz entre ambos.

Lá chegando, e cientificado de tal intenção, Chico Chicote repeliu o intento, não entrando, se quer na casa do fazendeiro, em cujo interior já se achava o famoso bandoleiro. Além disso, em voz alta - como sempre costumava falar - fez severas críticas à conduta de Lampião, acrescentando que continuaria a te-lo como inimigo.

Sem nenhuma dúvida, a recusa de seu Chico à sugestão de Antônio Xavier deixou Virgulino bastante preocupado, naturalmente pelo fato de não ter um só inimigo no Ceará, onde contava com seus mais prestigiosos costeiros e onde se mantinha absolutamente inofensivo. Daí por que, decorridos alguns dias, Chico Chicote recebeu um convite do Coronel Antônio Joaquim de Santana para comparecer à sua casa, no sítio Serra do Mato.

Ao ser recebido pelo mandão do município de Missão Velha " Seu" Chico perguntou-lhe para que fora chamado. Em resposta, disse-lhe o Coronel que o convidará a pedido do Cabra Sabino que desejava conhece-lo pessoalmente.

Como é sabido, esse bandoleiro ( Sabino Barbosa de Melo, mais conhecido por Sabino das Abóboras) era lugar- tenente de Lampião. E estar evidente que ele apenas servira de intermediário para a conciliação alvejada pelo " Rei do Cangaço ".

Seu Chico, porém, além de recusar-se à apresentação, não esperou nem pelo cafe-gordo que o Coronel mandará preparar, voltando incontinente para Guaribas.

Fonte. " Separata da Revista Itaytera ".

Escritor Otacílio Anselmo e Silva.

Jati 24/01/2021/

LUÍS BENTO.

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A EXTINÇÃO DO VULCÃO.

 Por João Filho de Paula Pessoa

Lampião era extremamente prevenido e desconfiado quanto à traições, agia implacavelmente contra delatores, covardes e traidores, combateu este mal durante toda sua vida, mantendo-se vivo por muitos anos, sem, contudo ter sucumbiu em virtude de uma traição. Durante seu reinado, sofreu atentados, emboscadas, ataques, traições e delações, superando à todas estas situações com perspicácia, estratégia e valentia. Certa vez teve em seu bando um cabra desconfiado, que tinha a alcunha de Vulcão, de jeito esquisito, reservado, que não se entrosava, de pouca fala e muita observação, comportamento este que aguçou o sexto sentido de Lampião, que passou a desconfiar dele, como um possível olheiro, informante e infiltrado. Num certo dia de Janeiro de 1938, num coito, Lampião chamou Luiz Pedro e partilhou sua desconfiança para que ele ficasse de olho no Vulcão. Ao sair da conversa, Luiz Pedro procurou Vulcão para observa-lo, mas já não o encontrou mais, sintomaticamente ele deserdou do bando e fugiu de forma sorrateiramente, como se tivesse percebido ou até ouvido a conversa. Luiz Pedro, agora extremante intrigado, comunicou a Lampião da fuga do suspeito, recebendo a ordem de formar uma equipe e partir em sua caça. O Grupo saiu no rastro do fugitivo para sua captura, verificando sinais de sua passagem e inquirindo as pessoas que encontravam no caminho, até que algum tempo depois e de muito andarem, o encontram na beira do Rio São Francisco aguardando uma canoa para a travessia e o prenderam, o amarraram e partiram de volta ao coito puxando-o à cavalo, no percurso o prisioneiro caiu, mas sem nenhuma dó, o grupo seguiu o arrastando pelos matos e veredas, enquanto ele se despedaçava a cada trecho. Quando já era quase noite, o grupo parou numa casa onde estava havendo um festejo e resolvem passar a noite lá e amarram o prisioneiro a uma árvore, coberto de cortes, arranhões, feridas e banhado de sangue, enquanto o grupo bebia e se divertia, vez por outra um ia até ele verifica-lo e desferir mais algum golpe de tortura por toda aquela agonizante noite. Pela manhã o arrastaram novamente, ainda vivo, e até a presença do Capitão no coito, que ao vê-lo ordenou que o matassem, momento em que fizeram o cavalo disparar em continuidade ao arrastamento do suspeito moribundo, que apesar de depauperado ainda respirava. Apesar de todo o martírio o Vulcão somente se extinguiu de vez mediante um tiro de misericórdia ao final de tudo. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 21/01/2021.

Assista o filme deste Conto - https://youtu.be/BpEpCgQR5UE

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