Seguidores

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Se você desafiar um valentão,

é isso que vai acontecer.



  
Valentões quando ele perde uma mera partida de cartas, eles descontam a sua raiva na primeira pessoa que encontrar.


Por isso não se meta com valentões. São bravos, desumanos e não temem a nada.
Cuidado!
A pior vida do mundo é melhor do que morrer.


DIA DA SOGRA


               No dia consagrado à SOGRA, o blog ACORDA CORDEL traz um folheto de Leandro Gomes de Barros que é uma verdadeira raridade. Tomei conhecimento desta obra através do livro "Bibliografia prévia de Leandro Gomes de Barros", de Sebastião Nunes Batista, lançado em 1971, pela Biblioteca Nacional. Consegui o texto do folheto graças ao pesquisador José Fernando. Já tinha ouvido algumas estrofes que meu pai sabe de cor. Publicaremos apenas alguns trechos, pois pretendo reeditá-lo em breve na forma de folheto de cordel. A capa é de minha autoria.

TESTAMENTO DE UMA SOGRA
Leandro Gomes de Barros

Eu fico queimando os pés
Quando ouço uma pessoa
Dizer em minha presença
Que a sogra foi, ou é boa,
Porque me traz a lembrança
Da mãe da minha patroa.

Que era morta há dez anos,
E Deus a tenha por lá
Pregada em cepo de ferro,
Que ela não volte mais cá,
Ainda virada em ouro
Deus a deixe aonde está.

Pois uma sogra enterrada
É uma coisa excelente
Uma feira sem fiscal,
Um senhor d'engenho doente
Um proprietário cego,
É um descanso da gente!

Com especialidade
Uma sogra como a minha
Que quando o diabo ia,
Já ela voltando vinha,
Trazendo na mão direita
A semente da morrinha.

Tendo-se a mulher em casa
E a sogra na sepultura,
Enterrada em massapê,
Com dez palmos de fundura,
O casal vive no céu
Só vê delícia e doçura.

Porém se enterrar a sogra
Em cova que fique rasa,
Ela se vira em cupim
Ou em formiga de asa,
Se entrar na casa do genro
Não há jeito,  ele se atrasa.

É esse o medo que tenho,
A minha foi enterrada,
A cova era muito funda
Porém não foi bem socada,
A velha ainda rosna dentro
Em noite de trovoada.

AGUARDEM! BREVE ESTES FOLHETOS SERÃO REEDITADOS.


(...)

Morre Neuzinha Brizola, filha do ex-governador Leonel Brizola, aos 56

Foto: Reprodução
Neuzinha Brizola tinha 56 anos - Foto: Reprodução
            Rio -Morreu na tarde de ontem, vítima de complicações de hepatite, a cantora Neusinha Brizola, filha do ex-governador do Rio Leonel Brizola. Neusa Maria Goulart Brizola, 56 anos, estava internada desde domingo na Clínica São Vicente, na Gávea.

          Segundo a família, Neusinha foi internada após passar mal, no domingo. Na segunda-feira, o quadro se agravou após hemorragia, com aspiração de líquido para o pulmão. Neusinha foi transferida para a UTI, onde acabou morrendo às 15h30.

          O corpo será velado a partir das 11h de hoje na capela 2 do Cemitério São João Batista, em Botafogo. O sepultamento está previsto para sexta-feira, na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, onde está o mausoléu da família Goulart. Neusinha tinha dois filhos: Laila e Paulo Cesar.

           Caçula de três irmãos, Neusinha iniciou a carreira musical na década de 80, emplacando o hit ‘Mintchura’. Considerada polêmica, ela chegou a ser presa acusada de porte de entorpecentes. Em 1983, posou nua na revista Playboy. No fim da década de 90, ela afirmou, em entrevista, ter deixado as drogas.

           Ex-aliados de Brizola, o deputado federal Anthony Garotinho(PR) e o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), escreveram mensagens para a família nos seus perfis do Twitter. A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) lembrou a reconciliação de Brizola e Neuzinha antes do ex-governador morrer. “Em bom momento ela e o pai fizeram as pazes. Quando Brizola faleceu, estava cheio de amor para dar à filha”, afirmou.

         Sobrinho de Neusinha, o deputado federal Brizola Netto (PDT) registrou pesar em seu blog. “Neusinha, que com todos os desentendimentos que a imprensa sempre explorou, foi sempre objeto de um carinho especial de meus avós e será sepultada ao lado deles”, postou.
Confira o clipe do hit de Neuzinha Brizola


Fonte: odia.terra.com.br

Para Leandro Cardoso, Júlio Ischiara e Juliana Ischiara

 Um pouco de minha gratidão.

[Jo%C3%A3o+de+s.+lima.JPG]

Por: João de Sousa Lima

Minhas considerações sobre três depoimentos recebidos sobre minha entrevista a Kiko Monteiro, do Blog Lampião Aceso.

 
          Primeiro as palavras do amigo e escritor Leandro Cardoso Fernandes me deixaram bastante feliz e lisonjeado por vir de um dos mais sérios pesquisadores do cangaço, eu agradeço suas palavras.


Leandro Cardoso

          Segundo por ter arrematado mais um fã que é o Júlio César Ischiara, com quem travei conhecimento ainda no recente II Cariri cangaço e por terceiro e último as doces e amáveis palavras da amiga Juliana Ischiara... são esses depoimentos o que nos encoraja a permanecer no árduo caminho da pesquisa histórica.

 
Pesquisadores Juliana e Júlio Ischiara

           O reconhecimento às obras de um autor é o que de mais gratificante pode existir.

         Juliana, suas palavras soam além da nossa compreensão, elas transcendem ao entendimento humano e se transformam em borboletas coloridas que vagam os infinitos campos floridos dos Reinos Celestiais.
          Cada dia mais tenho orgulho de ser seu amigo.
          Que Deus lhe abençoe todos os dias.


Como agradecimento ao que disse João de Sousa Lima, escreveram os escritores:


                  Meu amigo João de Sousa Lima:
 
               Parabéns!

           Você é um pesquisador completo. Irrequieto, polivalente, verdadeiro, amigo, e que inovador. No cangaço pós-travessia-do-chico você é quem mais acrescentou ao tema com suas pesquisas bem fundamentadas. Aplaudo você de pé. E você, caro Kiko, parabéns pela entrevista. Ótima: Sem floreios, interessante, sem maquiagens. De primeira, mesmo.
 
                Abraços,
             Leandro C. Fernandes


               Amigo João... a cada dia que passa minha admiração por você aumenta.

               Parabéns por essa entrevista, pelas respostas objetivas, diretas e esclarecedoras.

              
               Grande abraço

              Júlio Cesar Ischiara
              
               Amigo Kiko,

             Parabéns pela excelente postagem e entrevista com o grande escritor e pesquisador João de Sousa, gosto muito do trabalho dele, aliás, ele é a melhor referencia para quem quer saber mais sobre a rainha do cangaço. O livro, "A trajetória guerreira de Maria Bonita: a rainha do cangaço" está entre os melhores livros sobre o cangaço que já li, recomendo a quem ainda não leu, como também os demais livros do autor.

          João tem o dom da escrita,pois, nem todo bom pesquisador consegue transmitir de forma clara e objetiva o resultado de suas pesquisas. Claro, escrever não é uma tarefa das mais fáceis. Exige, além de habilidade, o dom de cativar o leitor em uma leitura prazerosa e, além disso, um trabalho científico não precisa necessariamente ser enfadonho e chato por ser técnico em demasia.

          O autor em questão, escreve de forma séria e racional, porém, não se descuida em dar uma pitada de emoção e poesia ao texto, tornando-o extremante agradável e gostoso de se ler. Não é por acaso que João tornou-se um respeitável pesquisador, pois, sua simplicidade e humildade o tornam cada vez maior e melhor e, como dizem os grandes mestres da filosofia oriental, é necessário parecer menor para ser reconhecido como maior. João sabe dosar sua genialidade poética e seu dom literário.

         No mais, parabenizo, bato palmas e reverencio este grande poeta escrevinhador de Paulo Afonso, continue assim mestre João, sem perder seu foco e seriedade, sem se iludir ou buscar apenas os holofotes, está no caminho certo, buscando a veracidade dos fatos, com honestidade e garra.

          Como diz meu amigo Kiko Monteiro, abraçando!

Juliana Ischiara
Historiadora e membro da SBEC

 

Este artigo foi extraído do blog do escritor "João de Sousa Lima".
Não houve aumento e nem exclusão de palavras, apenas eu o ilustrei com fotografias.


Zoonoses realiza caça ao besouro transmissor da Doença de Chagas


Elizângela Moura

Raul Pereira
Publicado no Dia 27/04/2011
 
O barbeiro prolifera principalmente em casas de condições precárias, como as de taipa
          O Centro de Zoonoses do município de Mossoró está realizando um trabalho intensivo tanto na zona rural quanto na urbana, para localizar besouros do tipo Trypanosoma cruzi, mais conhecido popularmente como barbeiro, que é um parasita, e que pode transmitir ao ser humano a doença de Chagas.

           Segundo informações de Edinaide Menezes, médica veterinária do centro de zoonoses, a equipe de campo, que é composta por cinco pessoas, estão diariamente fazendo um trabalho de fiscalização nas próprias residências, como também verificando denúncias que são feitas pela própria população.

           "Nós precisamos de estar sempre mantendo esse contato direto com a população para que nosso trabalho possa evoluir, porque o barbeiro, que transmite a doença de chagas, pode estar em qualquer lugar, mas principalmente em casas de taipa, ou residências que ficam próximas a mata, e é por isso que costumamos dizer que quem reside na zona rural geralmente tem essa facilidade de ser contaminado pelo barbeiro", explicou Edinaide Medeiros.

            Quem encontrar o besouro, que é preto com bolinhas amarelas, deverá capturá-lo, colocando em algum recipiente como uma latinha ou uma outra vasilha que possa ser tampada para evitar a fuga do besouro, e ligar para o fone 3315.1628, para que a equipe de campo possa realizar o trabalho de captura e consequentemente de avaliação.

            "Quando nós capturamos o besouro, imediatamente fazemos uma análise para saber se está infectado ou não, e se der positivo, retornamos a residência onde o besouro foi encontrado para poder fazer uma borrifação no local", destacou o veterinário Felipe Caetano Filho, acrescentando que além de buracos em paredes, o barbeiro também é facilmente encontrado por trás de roupeiros e armários que ficam próximos as paredes.

            São vários os casos de pessoas infectadas por doença de Chagas em Mossoró, "mas nós não temos como divulgar um número oficial, porque não temos esse controle", disse Edinaide Meneses. A forma mais comum de contágio é através do contato com as fezes de insetos conhecidos popularmente como barbeiro, que se alimentam sugando sangue humano e de animais. A doença de chagas também pode ser transmitida forma congênita, ou seja, transmissão da mãe para bebê ou através de transfusão de sangue.

           Os sintomas da doença são: Febre, mal-estar, inflamação e dor nos gânglios, vermelhidão, inchaço nos olhos (sinal de Romanã), aumento do fígado e do baço são os principais sintomas. Com frequência, a febre desaparece depois de alguns dias e a pessoa não se dá conta do que lhe aconteceu, embora o parasita já esteja alojado em alguns órgãos. Como nem sempre os sintomas são perceptíveis, o indivíduo pode saber que tem a doença, 20, 30 anos depois de ter sido infectado, ao fazer um exame de sangue de rotina.

           Tratamento - A medicação é dada sob acompanhamento médico nos hospitais devido aos efeitos colaterais que provoca, e deve ser mantida, no mínimo, por um mês. O efeito do medicamento costuma ser satisfatório na fase aguda da doença, enquanto o parasita está circulando no sangue. Na fase crônica, não compensa utilizá-lo mais e o tratamento é direcionado às manifestações da doença a fim de controlar os sintomas e evitar as complicações.

          Como não existe vacina para a doença de Chagas, os cuidados devem ser redobrados nas regiões onde o barbeiro existe. A pessoa que esteve numa região de transmissão natural do parasita deve procurar assistência médica se apresentar febre ou qualquer outro sintoma característico da doença de Chagas. Portadores do parasita, mesmo que sejam assintomáticos, não podem doar sangue.

           E atenção: Para quem gosta da popular "Garapa", a cana-de-açúcar deve ser cuidadosamente lavada antes da moagem e a mesma precaução deve ser tomada antes de o açaí ser preparado para consumo. Eliminar o inseto transmissor da doença ou mantê-lo afastado do convívio humano é a única forma de erradicar a doença de Chaga.

          Meningite e encefalite são complicações graves da doença de Chagas na fase aguda, mas são raros os casos de morte.

Fonte: www.correiodatarde.com.br/.../correio_mossoro

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mossoró contra Lampião

O mais temido dos cangaceiros estava acostumado a pilhar os povoados do sertão nordestino. Permaneceu invencível até o dia em que a resistência dacidade potiguar o obrigou a bater em retirada

Por: Xico Sá
            Uma festa de arromba promovida pelo Humaytá Futebol Clube fazia ferver a sociedade de Mossoró naquela noite do 12 de junho de 1927, véspera do dia de Santo Antônio. Foi quando começou a correr a notícia de que Virgulino Ferreira, o temido cangaceiro Lampião, se aproximava da cidade. Horas antes, ele e seu bando haviam atacado a vizinha vila de São Sebastião (atual município de Governador Dix-Sept Rosado). Em poucos momentos, todo o rigor daquele baile que exigia branco para os cavalheiros e azul e branco para as damas amarfanhou-se e perdeu graça, abalando o momento de glamour ostentado pela elite do sertão.

http://1.bp.blogspot.com/_LLy5HkM_Ck8/THbnmD2UvbI/AAAAAAAACtQ/3lPU-q82b7U/s1600/bando+de+Lampi%C3%A3o.jpg

            Mossoró era uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do rei do cangaço ao município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar. Tudo estava tão tranqüilo que, no mesmo 12 de junho, Mossoró parecia mais preocupada com o clássico entre os times de futebol do Ipiranga e Humaytá do que com a possível chegada de Lampião às suas cercanias.

Rodolfo Fernandes de Oliveira

            A partida de futebol transcorreu dentro da mais absoluta rotina. Já o baile, por mais que alguns participantes e os diretores do clube tentassem abafar as notícias vindas da vila de São Sebastião, foi tomado pelo alvoroço e pelo medo. O apito da locomotiva da rede ferroviária suplantava o pânico dos mossoroenses, narra o jornalista Lauro da Escóssia, testemunha do acontecimento, no livro Memórias de um Jornalista de Província. Os trens começavam a se movimentar, conduzindo famílias e quantos quisessem fugir de Mossoró. Segundo ele, durante toda a noite e na manhã seguinte, a ferrovia permaneceu ininterruptamente agitada.

            Na vila de São Sebastião, conforme as notícias que desmancharam o baile do clube Humaytá, Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo uma modernidade sempre combatida pelo chamado rei do cangaço, na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.

           Até as primeiras horas da manhã do dia 13, muita gente havia deixado suas casas em Mossoró, que à época tinha cerca de 20 mil habitantes. O temor ao famoso cangaceiro não era brincadeira. Duas mulheres em pleno serviço de parto, conta Escóssia, foram retiradas em macas para a cidade de Areia Branca, a quilômetros dali. Mas o esvaziamento não era só fruto do pânico. A estratégia da prefeitura  que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes, era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Quanto mais vazio o lugar, na avaliação do coronel Rodolfo Fernandes, maior a chance de repelir o bando de cangaceiros.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjRGsyjV4HzA2Ka4urWdXVy7C6i8ZAJxJj-etVfXakpnlEFwCS69058yF3op2tze9dGf7GX0T6n1nQnTdv_yQbCojgkWUdFpKgg5wsmFadFYx_rU2uuoyNgQYRghO_10OFHOml6mtxOMHdQ/s320/01.JPG
Frederico Pernambucano de Melo
        
            Fazia tempo que Lampião planejava encarar o desafio de invadir Mossoró. Seria a maior tentativa de rapinagem do bando, como conta o historiador Frederico Pernambucano de Mello, no seu livro Guerreiros do Sol, no qual defende a tese de que o cangaço era um meio de vida. Pouco antes de chegar à cidade, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores do município potiguar.

           Sem resposta ao primeiro comunicado, Lampião, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país, com 133 anos de circulação), eram muito diretos e recheados de erros de português:

           Cel. Rodopho,
         
          estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo. Ele assinava “Cap. Lampião.

          O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala ecoaram.

Sangue e areia

           Lampião tinha 53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos 150 homens armados na defesa da cidade.

         O repórter Lauro da Escóssia estava lá, vendo tudo de perto. Durante toda a noite, a detonação de armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada, escreveu em O Mossoroense. Mas as mulheres rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.

         No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início da luta, o capitão do sertão outra das alcunhas dadas ao célebre cangaceiro sentiu que dominar a cidade seria praticamente impossível. Ordenou então a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. A partir desse momento a estrela do bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos, escreveu o historiador Pernambucano de Mello.

          O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados botaram Lampião para correr. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

Como morre um cangaceiro

Jararaca ao centro
Antes de ser executado, Jararaca riu com as lembranças de sua vida ao lado de Lampião
            Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense.

            O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos nos registros policiais, contudo, aparece com 26.

           Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia. O cabra de Lampião dizia que era por causa das lembranças divertidas do cangaço. Entre as memórias que ouviu do preso, Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando.

            Segundo o relato de Jararaca, Virgulino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

 
Vera Ferreira, neta de Lampião

            Vera Ferreira, neta de Lampião, que hoje cuida das memórias do avô em Aracaju, Sergipe, vê muito folclore nesse tipo de história. Nega, a partir das suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo).

Antonio Amaury

            Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: "Sei que vou morrer". Vão ver como morre um cangaceiro!

            O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia.

             Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Saiba mais

Livros

Guerreiros do Sol  Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil, Frederico Pernambucano de Mello, Girafa/Massangana, 2004 - É considerado o mais completo e minucioso estudo sobre o tema. Ao contrário da maioria dos historiadores, que romantiza Lampião, o autor mostra evidências de que o rei dos cangaceiros era um bandido profissional, sendo responsável, por exemplo, pelos primeiros seqüestros no Brasil.
 
 Aventuras na história 
historia.abril.com.br/fatos/mossoro-lampiao


Maria Bonita em Nós:

 

100 Anos da Rainha do Cangaço  

João de Sousa Lima

           O escritor João de Sousa Lima publicou em seu blog, hoje, dia 27, quarta feira, que irá acontecer um grande evento em Paulo Afonso,  ainda em comemoração ao Centenário de Maria Bonita.


             O evento está sendo coordenado pelo Padre Celso e Neuza, que acontecerá  no "Pavilhão das Artes", de 05 a 08 de maio, onde uma grande mostra cultural será realizada.
 
 
            O escritor ainda comunica que o evento terá a presença do escritor Frederico Pernambucano de Melo,  e mostras de fotografias, participação de pessoas da zona rural e que tiveram ligação direta com o cangaço, show com Raimundo Sodré, vendas de livros, artesanatos, exposições com materiais que representam o povo do Sertão Nordestino.
 
Raimundo Sodre 
Raimundo Sodré
 
           João de Sousa Lima ainda afirma que o projeto cultura "Na Mala do Poeta" terá uma edição especial de poesias com o tema cangaço, que acontecerá no dia 06 de Maio do ano em exercício.
 
         Os senhores que são escritores, pesquisadores, historiadores, poetas e estudantes do cangaço, e que moram nas adjacências de Paulo Afonso, devem participar deste evento,  pois com certeza, muitas novidades boas acontecerão.


Como funciona o Triângulo das Bermudas


Bom para professores e alunos 

            Nos últimos 100 anos, o Triângulo das Bermudas foi o local onde aconteceu um número absurdo e significativamente alto de desaparecimentos inexplicáveis de aviões, navios e pessoas. Alguns relatórios dizem que até 100 navios e aviões desapareceram na área, com mais de mil vidas perdidas. A guarda costeira dos EUA, no entanto, alega que a área não tem um número incomum de incidentes.

Mapa ilustrado mostrando a localização do Triângulo das Bermudas

            Ele não existe em nenhum mapa oficial e não tem como saber como podemos chegar até ele. Mas, de acordo com alguns estudiosos, o Triângulo das Bermudas é um lugar que realmente existe e onde dezenas de navios, aviões e pessoas desapareceram sem qualquer tipo de explicação racional.

            Desde que uma revista usou pela primeira vez a frase "Triângulo das Bermudas", em 1964, esse mistério tem atraído a atenção de todos. No entanto, ao pesquisar a maioria dos casos a fundo, eles se tornam muito menos misteriosos. Geralmente os desaparecidos nunca estiveram na área do Triângulo, ou acabaram sendo encontrados ou há uma explicação razoável para o desaparecimento.

             Isso quer dizer que não há nada de coerente nas alegações de que tantas pessoas tiveram experiências estranhas no Triângulo das Bermudas? Não necessariamente. Os cientistas já documentaram desvios de padrão na área e encontraram algumas formações interessantes no leito oceânico dentro da região do Triângulo das Bermudas. O que significa que para aqueles que querem acreditar, há bastante lenha para a fogueira.

            Neste artigo, vamos olhar os fatos mais conhecidos deste lugar e também algumas das histórias mais contadas. Além disso, vamos explorar as teorias bizarras que falam de alienígenas e portais do espaço, além das explicações mais mundanas.

            Muitos pensam no Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, como uma área "imaginária". O Board of Geographic Names (Comissão de Nomes Geográficos) dos EUA não reconhece a existência do Triângulo das Bermudas e não possui um arquivo oficial sobre ele. No entanto, dentro dessa área imaginária, muitos navios de verdade e as pessoas que estavam a bordo deles parecem ter desaparecido sem deixar explicações.

             O Triângulo das Bermudas fica próximo à costa do Sudeste dos Estados Unidos, no Oceano Atlântico, e suas extremidades atingem as proximidades de Bermuda, Miami, Flórida e San Juan, em Porto Rico. Ele cobre cerca de 1,295 milhões de quilômetros quadrados.

              A área pode ter recebido esse nome por causa de sua extremidade que fica próxima à Bermuda, que já foi conhecida como a "Ilha dos Demônios". Nas redondezas desse país, há recifes traiçoeiros que encalham barcos que navegam nas proximidades.


O Mar do Diabo

Coloque texto aqui
Imagem cedida NASA
Ilha Miyake, no Japão
O Mar do Diabo, também chamado de Triângulo de Formosa, localiza-se na costa do Japão, em uma região do Pacífico nas proximidades da Ilha Miyake, a cerca de 177km ao sul de Tóquio. Assim como o Triângulo das Bermudas, o Mar do Diabo não aparece em nenhum mapa oficial, mas seu nome é utilizado por pescadores japoneses. Essa é uma área conhecida por desaparecimentos estranhos de navios e aviões. Outra lenda diz que, assim como o Triângulo das Bermudas, o Mar do Diabo é a única outra área em que uma bússola aponta para o Norte real em vez do Norte magnético (vamos falar mais sobre isso depois).
Uma teoria popular diz que a atividade vulcânica ao redor da área, especialmente um vulcão submarino, poderia ser a causa dos desaparecimentos.

Qual é o mistério?
          


            Em 1975, Mary Margaret Fuller, editora da revista "Fate", entrou em contato com a Lloyd, de Londres, para saber as estatísticas de pagamentos de seguros por incidentes que haviam ocorrido dentro dos limites do Triângulo. Ela descobriu que, de acordo com os registros da Lloyd, 428 navios sumiram no mundo todo entre 1955 e 1975, não havendo nenhuma incidência maior de eventos no Triângulo das Bermudas do que no resto do mundo.

            Gian J. Quasar, autor de "Into the BermudaTriangle: pursuing the truth behind the world's greatest mystery" (Dentro do Triângulo das Bermudas: em busca da verdade por trás do maior mistério do mundo) e diretor do Bermuda-triangle.org, alega que esse relatório "é completamente falso". Ele diz que devido ao fato da Lloyd não segurar veículos pequenos como iates e normalmente não oferecer seguros para pequenos barcos alugados ou aviões particulares, seus registros não podem ser levados totalmente em consideração.

            Além disso, ele também diz que os registros da guarda costeira, publicados anualmente, não incluem "navios desaparecidos". Ele solicitou os dados sobre "veículos marítimos que não retornaram" e recebeu (após 12 anos solicitando) registros de 300 barcos desaparecidos/atrasados nos dois anos anteriores. E não se sabe se estas embarcações acabaram retornando. Sua página na internet possui a lista destas embarcações (em inglês).

             O banco de dados da NTSB (Comissão Nacional de Transportes e Segurança) indica (de acordo com Gian J. Quasar) que somente umas poucas aeronaves desapareceram sobre a costa da Nova Inglaterra nos últimos 10 anos, enquanto mais de 30 casos desses ocorreram no Triângulo das Bermudas.

             O mistério do Triângulo provavelmente começou com o primeiro desaparecimento a tomar um bom espaço na mídia, em 1945, quando cinco aviões Avengers da marinha norte-americana desapareceram na área. Embora o motivo do desaparecimento originalmente tenha sido definido como "erro do piloto", os familiares do piloto que liderava a missão não aceitaram que ele havia cometido aquele tipo de erro e acabaram convencendo a marinha a mudar o veredito para "causas ou razões desconhecidas".

O preço do seguro é maior no Triângulo das Bermudas?
 
             De acordo com Norman Hooke, que conduziu os estudos de vítimas de acientes marinhos para os Serviços de Informações Marítimos da Lloyd (em inglês), com sede em Londres, "o Triângulo das Bermudas não existe".

            Em vez disso, ele diz que os desaparecimentos na área foram diretamente relacionados às condições climáticas. Por isso, apesar das teorias sobre o motivo de navios e aviões desparecerem na área, as apólices não são mais caras do que as apólices feitas para qualquer outro lugar do oceano.

              Mas o mito do Triângulo ganhou evidência após o repórter E. V. W. Jones ter compilado uma lista de "desaparecimentos misteriosos" de navios e aviões na região que se estende entre a costa da Flórida e de Bermuda. Dois anos depois, George X. Sand escreveu um artigo para a revista "Fate" com o título "Mistério marítimo na porta do nosso quintal". O artigo falava sobre uma "série de estranhos desaparecimentos marítimos, os quais não deixavam qualquer tipo de rastro, que ocorreram nos últimos anos" em um "triângulo sobre o mar cujas fronteiras são as proximidades da Flórida, Bermuda e Porto Rico".

            Conforme mais incidentes iam ocorrendo, a reputação do lugar aumentava e eventos antigos eram analisados novamente e somados à lenda. Em 1964, a revista "Argosy" batizou o triângulo em um artigo com o nome de "O letal Triângulo das Bermudas", de Vincent Gaddis. O slogan da revista que dizia ser "sobre ficção", não impediu que o mito se espalhasse. E, então criaram-se mais artigos, livros e filmes, cada um sugerindo uma nova teoria que ia de abduções alienígenas a polvos gigantes.

 Vamos dar uma olhada em alguns dos primeiros incidentes famosos atribuídos àquela área.

Fonte: pessoas.hsw.uol.com.br