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segunda-feira, 10 de março de 2014

Notícia sobre Zé Maria filho dos cangaceiros Gato e Inacinha



Por Antonio José de Oliveira

Caro Mendes:

Quanto ao MENINO Zé Maria filho do cangaceiro Gato e da sua companheira Inacinha, fui informado neste momento pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima, que o mesmo foi criado pela família TORRES, a mesma família de quem Lampião assaltou a Baronesa de Água Branca, Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres.


Zé Maria é falecido e a viúva reside em Água Branca, no Estado de Alagoas. Esta foi a informação a mim fornecida pelo o escritor e pesquisador do cangaço  João de Sousa Lima.

Antonio José de Oliveira é pesquisador do cangaço

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ERA UMA VEZ A GUERRA DA CRIMEIA



Publicado em 07/03/2014 por Rostand Medeiros


Em 1853, russos, britânicos, franceses e turcos travaram o primeiro conflito moderno que teve extensa cobertura jornalística.


Retorno. Hoje, a Crimeia, península ao sul da Ucrânia, retorna ao noticiário. Depois que revolucionários pró-europeus depuseram o presidente Viktor Yanukovich, forças aliadas à Rússia assumiram o controle do Parlamento regional na Crimeia e ameaçam uma secessão. O presidente russo Vladimir Putin apoiou facções favoráveis a Moscou na Ucrânia, que se concentram especialmente na região oriental do país, e deslocou forças russas para a Crimeia.

Esta estratégica região já foi palco de um terrível conflito.


Pouco antes de a Guerra Civil quase dividir os EUA em dois, o Exército imperial da Rússia enfrentou os Exércitos aliados de Grã-Bretanha, França e Império Otomano nos campos de batalha da Península da Crimeia, naquela que se tornou a primeira guerra moderna. No início do conflito, em 1853, a revolução industrial já avançara, criando paisagens urbanas densas, novos métodos de manufatura e enormes ganhos em produtividade. Mas, ao lado do avanço da indústria, também ocorreu uma revolução na arte da guerra.

Os trens transformaram a logística, o telégrafo tornou mais ágeis as comunicações e os rifles e outros armamentos modernos permitiram que massacres ocorressem numa escala inteiramente nova. Os campos de batalha da Guerra da Crimeia testemunharam esse terrível fato: 25 mil britânicos, 100 mil franceses e um milhão de russos morreram.

A carnificina só não foi maior porque os avanços na área militar não haviam chegado para todas as partes em conflito. Na Guerra da Crimeia, homens com espadas e lanças lutavam contra homens com rifles e artilharia, no que se tornou o batismo sangrento do mundo moderno e o funeral mórbido da era pré-industrial.


A desigualdade em termos de capacidade militar foi uma das razões pelas quais a Guerra da Crimeia entrou para a história como um monumento à incompetência militar. Os oficiais sacrificaram desnecessariamente vidas de soldados mal preparados e mal equipados, expondo-os a adversários muito melhor armados – uma situação grotesca imortalizada no poema de Tennyson, Charge of the Light Brigade (“Carga da Brigada Ligeira”), em que ele se refere a um ataque frontal suicida contra um regimento de artilharia russo por uma unidade de cavalaria britânica.

Poucos episódios ilustram tão profundamente a insanidade das batalhas nessa guerra do que um grupo de espadachins a cavalo investindo contra uma saraivada de tiros de canhão. Ao contrário de guerras passadas, os soldados na retaguarda não estavam ao abrigo de tais horrores do campo de batalha.

A Guerra da Crimeia também foi o primeiro conflito a ser coberto em tempo real pelos jornalistas, que enviavam suas informações por telégrafo para Londres, Berlim e Paris. Os cidadãos cujos filhos arcavam com o custo da guerra ficavam a par do que ocorria na frente de batalha, incluindo a incompetência e os revezes de seus Exércitos.

E as notícias não chegavam apenas em palavras, mas também em imagens. Tecnicamente, as primeiras fotos de um campo de batalha foram tiradas durante a guerra entre EUA e México. No entanto, o fotógrafo britânico Roger Fenton é considerado o primeiro fotógrafo de guerra, distinção conquistada pelas imagens da Guerra da Crimeia que ele captou com sua câmera.


Fenton permaneceu na Crimeia poucos meses, de 8 de março a 26 de junho de 1855. No entanto, de acordo com a Biblioteca do Congresso dos EUA, conseguiu, nesse período, “tirar 360 fotos em condições extremamente difíceis”. Ele fotografava usando “câmeras com chapas de vidro de grande formato”, que exigiam um longo tempo de exposição – de até 20 segundos ou mais”.

Durante o tempo que passou na Crimeia, Fenton fotografou extensivamente a paisagem e tirou fotos de soldados e oficiais militares, mas não captou os combates como estamos acostumados hoje. “Não há cenas de combates reais, nem dos efeitos devastadores da guerra”, explica o encarregado da Biblioteca do Congresso.

Não só Fenton trabalhou com uma câmera enorme e pesada, que exigia um tempo longo de exposição, mas ele também precisava se locomover com um grande estúdio de revelação móvel – “uma carroça usada por mercadores de vinho transformada em estúdio” – e processar imediatamente as fotos.

A imagem que Fenton passa da Crimeia é mais estática, calma e silenciosa. Ao captar momentos entre os combates, ele nos deixou uma surpreendente, embora incompleta, memória visual da Guerra da Crimeia. Com frequência deprimente, mas despojada de toda a miséria sangrenta e sem sentido.


Blindado russo de transporte de pessoal na Crimeia. Uma nova guerra em 2014? Esperamos que não!

Fonte - Elias Groll & Rebecca Frankel* – O Estado de S.Paulo ( http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,era-uma-vez-a-guerra-da-crimeia,1137711,0.htm )
Elias Groll & Rebecca Frankel são jornalistas.
TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Extraído bo blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com/author/tokdehistoria/

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domingo, 9 de março de 2014

Os pais, irmãos e filhos da ex-cangaceira Durvalina


Nesta foto, os pais da ex-cangaceira  Durvalina, com seus filhos e filhas. Foto gentilmente cedida por Neli Conceição.



Hilda Gomes, irmã da ex-cangaceira Durvalina. Esta foto andava nos bornais de Durvalinha (vejam legenda).


Casa da família Gomes de Sá, berço da ex-cangaceira  Durvalina, povoado Arrasta-Pé, Paulo Afonso, no Estado da Bahia  - Vejam legenda na foto.



Conforme a legenda na foto, este é Pedrinho Gomes, irmão de Durvalina - foi forçado pela família a desistir do sonho de ser cangaceiro.


Neli Conceição e seu irmão Inacinho, filhos dos ex-cangaceiros Moreno e Durvalina. A propósito, Inacinho foi gerado durante o cangaço e entregue a um sacerdote no interior da Bahia que o criou. Foi localizado no Rio de Janeiro, graças à insistente busca da irmã Neli, em 2005, quando ele teve oportunidade de conhecer pessoalmente os pais, em Belo Horizonte.

Neli Conceição é nossa amiga, isto é, amiga de todos que estudam o cangaço, e vive comunicando-se com todos nós, através de e-mails, e facebook.
Fotos:
História do cangaço
Severino Barros
Material gentilmente cedido pela filha destes, Neli Conceição. 
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“LAMPIÃO” COMO SURGIU ESTE APELIDO - PARTE II



Por: cabo Francisco Carlos Jorge de Oliveira

"Algumas hipóteses"


SEGUNDA HIPÓTESE:


Em junho de 1921,  Virgulino  e seus irmãos Levino e Antônio Ferreira mais seu primo Domingos, incorporaram-se  ao bando do Sinhô Pereira que encontravam-se foragidos em um coito às margens do Rio Pajeú bem próximo da sua foz com o São Francisco. Ao todo uns 30 cangaceiros extremamente armados e equipados. Virgulino astuto, inteligente e muito destemido, foi logo se destacando e  conquistou a total confiança de seu líder, tornando-se o mais jovem chefe de um sub-grupo de cangaceiros.
            
Numa tarde primaveril equinócio de setembro, após confronto com  um pequeno destacamento policial que não ofereceu muita resistência, o bando do Sinhô Pereira depois de saquear um  vilarejo no extremo leste pernambucano, deslocaram-se por uma vereda em meio às caatingas até chegarem no sopé de uma serra, onde o mesmo escolheu um lugar seguro ordenando a todos que ali passariam  a noite.  Virgulino sempre desconfiado, foi até seu chefe e o informou que iria com seu irmão Antônio subir até o topo do espigão para observar  lá do  alto com seu monóculo de distância  se tudo estava normal, e assim foi feito. 

Era boca da noite e já estava bem escuro, quando os dois irmãos desciam do cume de rochas, Antônio tinha feito um cigarro de palha e quando foi acendê-lo, deixou o isqueiro cair entre as fendas das pedras, e por mais tempo que procuravam não o conseguiram  localizar, foi aí que Virgulino disse a seu irmão: 

- Afaste-se que eu vou atirar bem ligeiro e com a claridade dos disparos você vai achar seu binga. 

Ágil e com traquejo, Virgulino segurou firme seu fuzil, levantou a alavanca de manejo destrancando e puxando o ferrolho  totalmente para a retaguarda, depois pressionou o gatilho da arma para trás amarrando-o com um cadarço de couro, ficando desta forma o  mecanismo de disparo totalmente liberado, deixando ainda o percussor livre para  detonar; colocou o pente com cartuchos alimentando a arma em seguida, com incrível habilidade e rapidez ele acionou o ferrolho com enérgicos movimentos de vai e vem, efetuando cinco disparos ininterruptos e quase simultâneos formando um clarão idem à luz de um lampião. 

Lá do coito os que  ouviram e viram a claridade dos céleres estampidos, realmente pensaram que fosse a luz de um lampião. Daí  Antônio achando o tal isqueiro  acendeu o cigarro e ambos vieram  fumando e descendo morro a baixo até chegarem no acampamento, onde seu primo Domingos ao vê-los disse:

-O quê aconteceu lá em cima “Lampião”? 

E Virgulino respondeu: 

- Nada não, eu só clareei com tiros um lugar para Antônio achar seu isqueiro. 

O lendário Sinhô Pereira que presenciou tudo disse:

- Virgulino! Seu primo Domingos lhe chamou di  “Lampião”? 

Virgulino respondeu:

- Sim Sinhô Pereira! 

E assim indagou o sábio chefe cangaceiro:

- Pois é! Então, ele tá certo! Porque  o fogo do seu fuzil pareceu com  a luz dum  lampião, e de agora em diante seu apelido no bando será “Lampião”!   

Neste momento uma rasga mortalha voando alto sobre o acampamento crocita seu canto lúgubre e amedrontador e no mesmo instante, um gélido vento súbito deixa   todos arrepiados causando-lhes a sensação da fria presença da morte. 

- Munição di cangaceiro não é para si gastar a toa, pruquê é adquirida pru meio di muito sacrifício. Arrematou ainda o experiente Sinhô  Pereira bocejando     numa rede junto à  fogueira.

Então Lampião o futuro rei do cangaço cansado porém  mais seguro, bebe um bom gole de cachaça, come dois gomos de linguiça de porco assada com alguns bocados de farinha de mandioca,  toma um café bem quente, faz um cigarro de palha, deita na rede e após fazer sua oração, adormece abraçado a seu mosquetão ouvindo o sôfrego crocitar de um bacurau solitário procurando por uma fêmea em meio às caatingas dentro da noite escura como breu.
        
CONTINUA...

Enviado pelo  o autor

Francisco Carlos Jorge de Oliveira é pesquisador e cabo da Polícia Militar no Estado do Paraná.

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