Dadá
na fazenda beleza, município de Pão de Açúcar, no Estado de Alagoas, ano de
1936.
Sérgia Ribeiro da Silva, Dadá, (Belém do São Francisco
- Pernambuco) - 25 de abril de 1915 "Salvador - Bahia, fevereiro de
1994), foi uma cangaceira - única mulher a pegar em armas no bando de Lampião.
Sílvio Bulhões é filho dos cangaceiros Corisco e Dadá.
Nasceu em Belém do São Francisco, onde viveu seus primeiros anos de vida e teve
algum contato com índios. A família muda-se para a Bahia onde, aos treze anos,
é raptada por Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) - o "Diabo
Loiro", de quem seria prima. Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da
sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o
bando de cangaceiros.
Dr. Ivanildo Alves Silveira, João de Sousa e Alcino Alves Costa
A descrição a
seguir, encontra-se inserida no livro "Quem foi Lampião" pg. 151,
do renomado pesquisador/escritor, Frederico Pernambucano de Mello.
1921 -
Ferimento a bala no ombro e na virilha, ambos transfixante, com tratamento
conduzido por médico (doutor Mota), tendo a ocorrência se dado no município de
Conceição do Piancó/Paraíba.
1924 -
Ferimento a bala no dorso do pé direito, transfixante, com tratamento conduzido
por dois médicos (doutores José Cordeiro e Severiano Diniz), a ocorrência se
deu na Serra do Catolé, município de Belmonte, PE.
1926 -
Ferimento a bala na omoplata, leve, com tratamento caseiro, tendo a ocorrência
se dado em Itacuruba, no município de Floresta, PE.
1930 -
Ferimento a bala, no quadril, leve, com tratamento caseiro, tendo a ocorrência
se dado em Pinhão, na época distrito de Itabaiana, SE.
Fonte:
Depoimentos de ex-cangaceiros e amigos, conforme indicação bibliográfica, mais
dados colhidos da caderneta de apontamentos de Benjamin Abrahão, item g.1.
(obra citada).
Cópia de foto
original encontrada no embornal de Lampião, após sua morte. A aludida foto,
está arquivada no instituto histórico e geográfico de Maceió, e, certamente,
foi feita pelo árabe Benjamin Abrahão nos idos de 1936/1937.
Obs.: as
"legendas, foram por nós acrescentadas, para ilustrar, os "ferimentos a bala", sofridos pelo rei do cangaço, em mais de 200 combates
ocorridos com a polícia.
Um abraço a todos.
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN
O
povoado Tingui, em Água Branca, Alagoas, ganhou um novo espaço de visitação e
de promoção dos arquivos históricos e culturais da região.
todo o acervo foi reunido por Paulo Soares de Oliveira e disponibilizado para
visitação e pesquisa em sua própria residência.
O Museu Casa Lúcio Braga tem um grande acervo dos ofícios
da região.
O espaço é merecedor de visitações e apoios, tanto pela
quantidade e qualidade das peças, quanto pelo atendimento e simpatia do seu
curador, Paulo Soares.
João de Sousa Lima é escritor e pesquisador do cangaço.
Depois de onze
anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste,
entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado
desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.
Lamento que
meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar
este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de
inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.
O autor José Bezerra Lima Irmão
Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião,
o maior guerrilheiro das Américas.
Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo
no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.
Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia,
semana a semana, mês a mês.
Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino,
filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o
cangaço.
Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo
se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte
anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as
veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete
Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e
sugestões: josebezerra@terra.com.br
(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799
Não custa tecer algumas considerações sobre o fenômeno do cangaço no Nordeste
brasileiro.
Os cangaceiros faziam do assassinato um ritual macabro. O longo punhal, de até
80 centímetros de comprimento, era enfiado com um golpe certeiro na base da
clavícula – a popular “saboneteira” – da vítima. A lâmina pontiaguda cortava a
carne, seccionava artérias, perfurava o pulmão, trespassava o coração e, ao ser
retirada, produzia um esguicho espetaculoso de sangue. Era um policial ou um
delator a menos na caatinga – e um morto a mais na contabilidade do cangaço.
Quando não matavam, faziam questão de ferir, de mutilar, de deixar cicatrizes
visíveis, para que as marcas da violência servissem de exemplo. Desenhavam a
faca feridas profundas em forma de cruz na testa de homens, desfiguravam o
rosto de mulheres com ferro quente de marcar o gado.
Exatos 70 anos após a morte do principal líder do cangaço, Virgulino Ferreira
da Silva, o Lampião, a aura de heroísmo que durante algum tempo tentou-se
atribuir aos cangaceiros cede terreno para uma interpretação menos idealizada
do fenômeno.
Cangaceiros e traficantes
Foram os cangaceiros que introduziram o seqüestro em larga escala no Brasil.
Faziam reféns em troca de dinheiro para financiar novos crimes. Caso não
recebessem o resgate, torturavam e matavam as vítimas, a tiro ou punhaladas. A
extorsão era outra fonte de renda. Mandavam cartas, nas quais exigiam quantias
astronômicas para não invadir cidades, atear fogo em casas e derramar sangue
inocente. Ofereciam salvo-condutos, com os quais garantiam proteção a quem lhes
desse abrigo e cobertura, os chamados coiteiros. Sempre foram implacáveis com
quem atravessava seu caminho: estupravam, castravam, aterrorizavam. Corrompiam
oficiais militares e autoridades civis, de quem recebiam armas e munição. Um
arsenal bélico sempre mais moderno e com maior poder de fogo que aquele
utilizado pelas tropas que os combatiam.
Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", reinou na caatinga entre
1920 e 1938. A origem do cangaço, porém, perde-se no tempo. Muito antes dele,
desde o século 18, já existiam bandos armados agindo no sertão, particularmente
na área onde vingou o ciclo do gado no Nordeste, território onde campeava a
violência, a lei dos coronéis, a miséria e a seca. A palavra cangaço, segundo a
maioria dos autores, derivou de “canga”, peça de madeira colocada sobre o
pescoço dos bois de carga. Assim como o gado, os bandoleiros carregavam os
pertences nos ombros.
Lampião sempre afirmou que entrou na vida de bandido para vingar o assassinato
do pai. José Ferreira, condutor de animais de carga e pequeno fazendeiro em
Serra Talhada (PE), foi morto em 1920 pelo sargento de polícia José Lucena,
após uma série de hostilidades entre a família Ferreira e o vizinho José
Saturnino. No sertão daquele tempo, a vingança e a honra ofendida caminhavam
lado a lado. Fazer justiça com as próprias mãos era considerado legítimo e a
ausência de vingança era entendida como sintoma de frouxidão moral. “Na minha
terra,/ o cangaceiro é leal e valente:/ jura que vai matar e mata”, diz o poema
“Terra Bárbara”, do cearense Jáder de Carvalho (1901-1985).
Mas o maior trunfo de Lampião foi o de cultivar uma grande rede de coiteiros.
Isso garantiu a longevidade de sua carreira e a extensão de seu domínio. A
atuação de seu bando estendeu-se por Alagoas, Ceará, Bahia, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Lampião chegou a comandar um
exército nômade de mais de 100 homens, quase sempre distribuídos em subgrupos,
o que dava mobilidade e dificultava a ação da polícia. Em 1926, em tom de
desafio e zombaria, chegou a enviar uma carta ao governador de Pernambuco,
Júlio de Melo, propondo a divisão do estado em duas partes. Júlio de Melo que
se contentasse com uma. Lampião, autoproclamado “Governador do Sertão”,
mandaria na outra.
Como é comum à história da maioria dos criminosos, uma morte trágica e violenta
marcou o fim dos dias de Virgulino. Traído por um de seus coiteiros de
confiança, Pedro de Cândida, que foi torturado pela polícia para denunciar o
paradeiro do bando, Lampião acabou surpreendido em seu esconderijo na Grota do
Angico, Sergipe, em 28 de julho de 1938. Depois de uma batalha de apenas 15
minutos contra as tropas do tenente José Bezerra, 11 cangaceiros tombaram no
campo de batalha. Todos eles tiveram os corpos degolados pela polícia,
inclusive Lampião e Maria Bonita. Durante mais de 30 anos, as cabeças dos dois
permaneceram insepultas. Em 1969, elas ainda estavam no museu Nina Rodrigues,
na Bahia, quando foram finalmente enterradas, a pedido de familiares do casal
mais mitológico – e temido – do cangaço.
Na aurora de
minha vida - como disse o poeta - já tomei banho completamente nu debaixo da
chuva, corri pelado pelas ruas atrás de chuveiros escorrendo dos telhados,
dancei desnudo a dança da felicidade e da inocência. Hoje nem nos quintais
murados é mais possível tirar toda a roupa para sentir o açoite da chuvarada.
Mas de vez em
quando me jogo debaixo da força das águas vestindo bermuda. Como não posso
correr, me jogar de barriga pelas calçadas lisas e encharcadas ou chamar
aqueles amigos de infância para pular nas poças transbordantes das ruazinhas
sertanejas, apenas fecho os olhos e deixo que as águas caiam abundantes e me
tragam as doces recordações.
Não quero
falar de quem chora debaixo da chuva ou de quem faz com que as lágrimas sejam
percebidas apenas como as águas que se derramam. Já sorri chorando e já chorei
sorrindo, daí que é tudo uma só enxurrada nos olhos que talvez chorem e nas
águas que talvez cantem. Mas de uma coisa tenho certeza: quanto mais chove,
mais cai chove forte, mais viajo recordando outras chuvaradas num sertão onde
qualquer gota d’água é festa.
Como
percebido, sou verdadeiramente apaixonado pelas chuvaradas. Se a chuva que cai
é apenas mansinha, ainda assim recolho seus pingos para molhar a vidraça e
sentir saudades. Eis que é humanamente impossível que o ser sentimental não se
deixe envolver pelas vidraças embaçadas e seus tantos significados, ainda que
angustiantes e dolorosos.
Inicialmente,
sempre vejo com alegria a chuva caindo assim que levanto na madrugada. Digo
inicialmente porque sei que depois tudo muda, mas é assim mesmo. Acordo e logo
vou sentir na pele a chuva caindo. Depois, xícara de café na mão, sento na
espreguiçadeira rente ao portão da frente e fico olhando a madrugada molhada lá
fora. O vento sopra, a chuva avança e acaba chegando onde estou. Mas tanto faz,
eis que o pensamento já muito distante.
O tempo ainda
escurecido, os pingos cortando a luz amarelada no poste adiante, o asfalto
molhado, as águas escorrendo, e aqueles sons constantes, contínuos, tão
conhecidos da chuva. E o que vem à memória, e o que recordo? Talvez nem pense
em pessoas, em situações. O momento sempre chama a refletir sobre a vida, sobre
a existência, e sempre ouvindo a voz daquele silêncio molhado.
Sei de muitos
que odeiam as chuvas, já outros sequer saem de casa se o tempo estiver nublado.
Ainda outros vivem eternamente esperando a chuva cair, vez que não largam de
jeito nenhum o seu guarda-chuva. E é comum que lancem sobre as chuvas a culpa
que é do homem ao não cuidar dos canais e bueiros.
No sertão de
antigamente bastava o tempo começar a trovejar que os panos começavam a
encobrir tudo que fosse espelhado ou brilhoso. Era um medo danado dos raios e
as tolhas e cobertas serviam para evitar atração. Não somente isso, pois velas
eram acesas e as mães se recolhiam com seus filhos nos quartos para as orações.
E rezas duplas, vez que tanto agradeciam pela trovoada como pediam para que não
houvesse nenhuma destruição.
Mas neste
domingo logo cedinho, aproveitando que por aqui já chove há uns três dias,
resolvi fazer uma coisa que estava com vontade desde muito. Como tinha de ir
até as proximidades do mercado, então decidi ir andando debaixo da chuva. E
simplesmente segui me deixando molhar. De início imaginei que sequer molharia
toda a roupa, mas já estava encharcando quando virei a segunda esquina.
Todo molhado,
mas assim mesmo seguindo em frente. Contudo, o mais interessante foi o que
fiquei imaginando com os pingos batendo nos óculos e aquele turvamento que se
formava de vez em quando. E me vi diante de uma janela envidraçada recebendo as
gotas de chuvas. Do lado de fora os pingos descendo pela vidraça; do lado de
dentro o embaçamento e um dedo escrevendo uma palavra: saudade.
Poeta e
cronista
blograngel-sertao.blogspot.com
Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:
Esta foto mostra o corpo da rainha do cangaço Maria Bonita após a chacina feita pelas volantes policiais, na madrugada de 28 de Julho de 1938, na grota de Angico, no Estado de Sergipe.
Para você leitor, observar melhor a foto da rainha do cangaço aumente a imagem, e verá melhores detalhes.
Aos poucos os artistas restauradores de fotos estão dando cores às fotos do tempo do cangaço e dos cangaceiros.
Veja a foto original do corpo da cangaceira Maria Bonita.
1931 - 6
de Setembro, combate na Fazenda Aroeiras, em Glória, no Estado da Bahia,
entre Lampião e a força volante do tenente Manoel Neto com 15
soldados.
Manoel Neto
Neste combate acontece episódio épico em um riacho onde Manoel
Neto e o famoso cangaceiro Corisco ficam frente a
frente, tendo o cangaceiro fugido em disparada. Não houve baixas nesse combate.
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Marcílio
Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
(UERN), mestre em História Social pela Universidade
Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na
Universidade de São Paulo (USP). Suas
principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e
Movimentos Sociais no Brasil Republicano.
Enviado pelo poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueana Kydelmir Dantas.
A morte do
poeta e cantador popular Elizeu Ventania, em 19 de outubro de 1998,
certamente deixou uma lacuna singular na produção cultural de Mossoró. Dono de
uma criatividade fenomenal, Elizeu morreu sem ter o reconhecimento e respaldo
dignos de um artista de sua grandeza.
Homenageado,
Elizeu passou a dar nome ao maior espaço cultural a céu aberto de Mossoró, a
Estação das Artes Elizeu Ventania, antiga Estação Ferroviária de Mossoró, mas
seu legado continua em destaque nos grandes eventos da cidade, o que promove um
controverso efeito, já que a Estação cede espaço para grandes shows e eventos
de Mossoró, mas raramente reverencia a memória de seu patrono.
A casa em que Elizeu Ventania viveu por toda a sua vida, e que por muitas vezes
recebeu a promessa de ser totalmente reformada pela Prefeitura Municipal de
Mossoró (PMM) permaneceu por vários anos praticamente abandonada, exposta à
ação do tempo e das condições climáticas, que a deterioraram.
Diante deste quadro, a família de Elizeu Ventania desistiu de esperar por apoio
público para revitalizar a casa do cantador, e transformar a residência em um
espaço cultural voltado para a obra do poeta. A partir da renda adquirida da
venda dos CDs com as canções de Elizeu, a família já deu início às obras de
restauração da casa.
"Estamos reformando a casa de forma parcial, até por que só temos R$ 5 mil
dos R$ 12 mil necessários para restauramos totalmente a casa. Arrecadamos o
dinheiro através da venda dos CDs com canções de meu pai", explica o filho
de Elizeu, Genilson Rodrigues da Silva.
Genilson diz que os principais problemas que a casa apresenta são no telhado e
no reboco da sala, onde será focada a reforma. Outros cômodos da casa, como a
cozinha e o banheiro, além dos muros, permanecerão sem restauração, porque não
há recursos.
Segundo o filho de Elizeu Ventania, sua ideia é realizar uma homenagem ao pai
em outubro, quando se completará 16 anos do seu falecimento. "Estaremos organizando
uma 'cantoria de pé de parede', com apresentações de Moacir Laurentino e
Sebastião das Silva, em homenagem à obra de Elizeu Ventania. Minha missão é
manter vivo o nome e a obra de meu pai", destaca Genilson.
A reportagem do O Mossoroense procurou a assessoria de Comunicação da
Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) para saber se haveria possibilidade do
poder público participar da realização das obras na casa em que viveu o poeta.
Segundo a secretária de Comunicação, Mirela Ciarlini, a situação da residência
é complicada, pois por ser um imóvel particular não pode receber apoio do poder
público sem acompanhamento jurídico. Ela também explicou que de fato já havia
uma indicação da Câmara Municipal para que a casa fosse tombada e se tornasse
patrimônio público, mas oficialmente nada foi feito desde então para resolver a
situação da residência.
Em 2013, Genilson já havia feito uma pintura em forma de protesto contra o
descaso do poder público, com a residência de seu pai. A frase: "A ex-Prefeita de Mossoró Fafá Rosado prometeu reformar a casa do saudoso poeta Eliseu Ventania, e não cumpriu", estampa até hoje a fachada da residência.
Elizeu
Ventania: vida e obra de pura poesia
Elizeu
Ventania, diferentemente do que alguns pensam, não era natural de Mossoró. O
cantor nasceu em 20 de julho de 1924, no sítio Jacu, município de Martins, e
desde muito novo apresentou afeição por música e poesia. Em 1942 iniciou a
carreira como cantor, chegando a se apresentar em rádios e emissoras de
televisão da época.
De acordo com alguns pesquisadores, Elizeu pensou inicialmente em adotar o nome
artístico de Elizeu Serrania, em homenagem às famosas serras de sua terra
natal, Martins. Gravou em sua carreira três LPs, "Canções de Amor",
em 1971; "O Nascimento de Jesus", 1972; e "Chorando ao Pé da
Cruz", em 1979; este último pela gravadora Continental, vendendo 40 mil
cópias.
Apesar de analfabeto, Elizeu nunca deixou de criar e declamar seus poemas, os
quais em geral ele decorava. Ao lado de João Liberalino, formou uma das principais
duplas de violeiros da região, influenciando diversos outros violeiros e
repentistas que viriam posteriormente ao Rio Grande do Norte.
Era uma figura conhecida no centro da cidade, principalmente por sua banca de
vendas no Mercado Central, onde comercializava fitas cassetes com gravações de
suas canções. Elizeu contabilizava ter vendido cerca de 100 mil fitas, além dos
inúmeros amigos, fãs e conhecidos.
Ao fim de sua vida, vitimado pela catarata e sem condições de pagar um
tratamento, perdeu totalmente a visão. Faleceu após uma parada cardiovascular
no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), oriundo de um enfisema pulmonar,
após dias de internação na UTI.
Cláudio
Palheta Jr.
Editor do Universo
Fonte: O
Mossoroense
Postado por
Dr. Lima - Um Potyguar em Terras Alencarinas
http://blogdodrlima.blogspot.com.br/2014/05/familiares-desistem-de-esperar-por.html Ilustrado por José Mendes Pereira