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terça-feira, 1 de agosto de 2023

A EMPREGADA - JOSÉ DI ROSA MARIA - CANTA: BONEDES EDUARDO.

 Por José Di Rosa Maria

https://www.youtube.com/watch?v=PuVvuDjOd-A&feature=share&fbclid=IwAR1cGgC4TIsKUEh9oEF7P9hQQa3bl0FjpjBcU7bl8EgsWh3mxNX7b5N6VYc&ab_channel=ThalisonSoaresRepentista

Canção de: José Di Rosa Maria ( Zé Ribamar ). Interpretação: Bonedes Eduardo - Voz/acompanhamento.

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MÚMIA DESCONHECIDA.

 Por História e Cultura no Mundo.

A múmia desconhecida foi encontrada em Cache Al- Del Al Bahari em 1886. Enrolada em pele de cabra. Na hora da morte, a pessoa deveria ter pouco mais de vinte anos e parece ter sido envenenada. Suas unhas dos pés estão cortadas e tingidas de vermelho com Henna.

A múmia possivelmente pertenceu ao príncipe Penta Wer, filho do Rei Ramsés lll da X X Dinastia que tinha estado envolvido em uma conspiração contra seu pai.

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NA MISSA DE UM ANO DE SAUDADES DE MAYARA:

 Por José Cícero da Silva

• Mayara querida...

Hoje estamos aqui, todos juntos no templo de Deus, para celebrarmos um ano de saudade da tua partida. Doze meses da tua ausência física no meio de nós. Apenas isso. Posto que na eternidade dos céus, a morte de fato, simplesmente não existe. Porque tudo o mais no plano celeste se constitui como pura evolução espiritual.

Querida Mayara,

Mesmo tão jovem cumpriste a contento, tua missão terrena. Quantos momentos alegres, quantos instantes de alegria, contentamento e de felicidades juntos vivenciamos...

Portanto, tu apenas despertaste do sono da vida para prosseguir desde então, a tua jornada eterna ao lado de Deus.

E assim, como verdadeira dádiva divina; deixaste conosco a tua melhor semente: sua filhinha... a quem cuidamos com amor, afeto, zelo e filial carinho. Muita luz minha querida!

E que na paz do Senhor onde estais, rogai, rogai

pelos seus e por todos nós.

Fica com Deus. Até o dia da vinda! Amém.

Eternas Saudades!

De todos os seus familiares, parentes e amigos.

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MARIA BONITA E LAMPIÃO.

 Por Wanessa Campos

Maria Bonita jamais poderia imaginar que os versos da música que a chamava para tomar café, iriam ser tão reais. Ela acordou sim, mas não tomou o café, porque a polícia chegou, pois já “estava de pé ”. Assim cantava a música e assim aconteceu.

Foi numa quinta-feira chuvosa, ao amanhecer de 1938, julho, dia 28. Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, ainda sonolentos foram “acordados” com a rajada de metralhadora em cima deles. Assustados, alguns conseguiram escapar do massacre correndo por trás da grota. Lampião e sua Maria foram os primeiros a morrer, inclusive degolados. Maria, a bonita, foi degolada ainda viva. A notícia se espalhou com rapidez, mesmo numa época de comunicação precária. A partir daí, o casal ganhou notoriedade, versões sobre morte e vida, sobretudo no Cordel. E nasceu o mito. E mito não morre.

E hoje, 85 anos depois (parece que foi ontem), a fama de Lampião permanece acesa. No Nordeste, as lembranças pipocam em forma de teatro, palestras, missas, documentários etc. E Maria Bonita faz parte desse contexto.

A grota de Angico, fica em Sergipe nas proximidades do Rio São Francisco e era “porto” seguro para o bando, mas a traição de um coiteiro deu um final trágico a essa história. Insatisfeitos com as mortes, a volante se voltou para a caça ao tesouro levando todas as joias e dinheiro guardados nos bornais. As orações de proteção, entre elas, a da Pedra Cristalina que o casal levava junto foram deixadas no chão sangrento junto com os corpos e os cachorros ensanguentados. As cabeças foram cortadas e exibidas em público como troféus conquistados numa olimpíada. Foi uma vitória do então governo Vargas que perseguia os cangaceiros.

Os “troncos” de Maria Bonita e Lampião ficaram lá amarrados um ao outro significando que o amor deles era eterno. E foi. Os versos do poeta Marcos Accioly retratam bem: “Não sei se é lenda ou verdade\Seu moço, falo por mim\ A lenda sempre começa\Quando uma história tem fim…

RIO

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ESSE HOMEM PERSEGUIU LAMPIÃO PARA M4T4R POR MAIS DE VINTE ANOS. #cangaçologia

Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=4sYYMYoD8sE&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Esse homem, se preciso fosse, iria até os portões do infern* para acabar com Lampião, pois uma dívida de sangue contra o cangaceiro-mor o impulsionava a não parar e buscar dia após dia maneiras para localizar e exterminar Lampião de uma vez por todas e colocar um fim definitivo em sua angústia e em sua sede de vingança. Em sua jornada deu fim à alguns cangaceiros ligados ao bando. Descubra quem ele é assistindo ao vídeo. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. Colaborem com o crescimento e com as melhorias do canal. 

Seja membro deste canal e ganhe benefícios:  / @cangacologia  

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SILA NA ADOLESCênCIA

 Por Cangaçologia


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POETA JURIVAM E PEDRO MOTTA POPOFF JUNTOS NA CIDADE DE OIRANHAS-AL.

 Por Odilon Nogueira

Na cidade de Piranhas-AL com o poeta Jurivam e Pedro Popoff o cordelista e especialista em cultura nordestina Pedrinho Popoff.

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LAMPIÃO E A ENTRADA DE ZÉ SERENO NO CANGAÇO

Por Fatos na História
 https://www.youtube.com/shorts/VAJk4Q4XurY

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PESQUISADORES DO CANGAÇO EM MOSSORÓ NO DIA 13 DE JUNHO DE 2012.

 Por Ana Lúcia Granja.

Lado esquerdo:...lado direito: Ana lúcia Granja, Wesley Rodrigues e Múcio Procópio.


No túmulo do coronel Rodolfo Fernandes em Mossoró.

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LIVROS

   Por José Bezerra Lima Irmão

Diletos amigos estudiosos da saga do Cangaço.

Nos onze anos que passei pesquisando para escrever “Lampião – a Raposa das Caatingas” (que já está na 4ª edição), colhi muitas informações sobre a rica história do Nordeste. Concebi então a ideia de produzir uma trilogia que denominei NORDESTE – A TERRA DO ESPINHO.

Completando a trilogia, depois da “Raposa das Caatingas”, acabo de publicar duas obras: “Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste” e “Capítulos da História do Nordeste”.

Na segunda obra – Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste –, sistematizei, na ordem temporal dos fatos, as arrepiantes lutas de famílias, envolvendo Montes, Feitosas e Carcarás, da zona dos Inhamuns; Melos e Mourões, das faldas da Serra da Ibiapaba; Brilhantes e Limões, de Patu e Camucá; Dantas, Cavalcanti, Nóbregas e Batistas, da Serra do Teixeira; Pereiras e Carvalhos, do médio Pajeú; Arrudas e Paulinos, do Vale do Cariri; Souza Ferraz e Novaes, de Floresta do Navio; Pereiras, Barbosas, Lúcios e Marques, os sanhudos de Arapiraca; Peixotos e Maltas, de Mata Grande; Omenas e Calheiros, de Maceió.

Reservei um capítulo para narrar a saga de Delmiro Gouveia, o coronel empreendedor, e seu enigmático assassinato.

Narro as proezas cruentas dos Mendes, de Palmeira dos Índios, e de Elísio Maia, o último coronel de Alagoas.

A obra contempla ainda outros episódios tenebrosos ocorridos em Alagoas, incluindo a morte do Beato Franciscano, a Chacina de Tapera, o misterioso assassinato de Paulo César Farias e a Chacina da Gruta, tendo como principal vítima a deputada Ceci Cunha.

Narra as dolorosas pendengas entre pessedistas e udenistas em Itabaiana, no agreste sergipano; as façanhas dos pistoleiros Floro Novaes, Valderedo, Chapéu de Couro e Pititó; a rocambolesca crônica de Floro Calheiros, o “Ricardo Alagoano”, misto de comerciante, agiota, pecuarista e agenciador de pistoleiros.

......................

Completo a trilogia com Capítulos da História do Nordeste, em que busco resgatar fatos que a história oficial não conta ou conta pela metade. O livro conta a história do Nordeste desde o “descobrimento” do Brasil; a conquista da terra pelo colonizador português; o Quilombo dos Palmares.

Faz um relato minucioso e profundo dos episódios ocorridos durante as duas Invasões Holandesas, praticamente dia a dia, mês a mês.

Trata dos movimentos nativistas: a Revolta dos Beckman; a Guerra dos Mascates; os Motins do Maneta; a Revolta dos Alfaiates; a Conspiração dos Suassunas.

Descreve em alentados capítulos a Revolução Pernambucana de 1817; as Guerras da Independência, que culminaram com o episódio do 2 de Julho, quando o Brasil de fato se tornou independente; a Confederação do Equador; a Revolução Praieira; o Ronco da Abelha; a Revolta dos Quebra-Quilos; a Sabinada; a Balaiada; a Revolta de Princesa (do coronel Zé Pereira),

Tem capítulo sobre o Padre Cícero, Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, o episódio da Pedra Bonita (Pedra do Reino), Caldeirão do Beato José Lourenço, o Massacre de Pau de Colher.

A Intentona Comunista. A Sedição de Porto Calvo.

As Revoltas Tenentistas.

Quem tiver interesse nesses trabalhos, por favor peça ao Professor Pereira – ZAP (83)9911-8286. Eu gosto de escrever, mas não sei vender meus livros. Se pudesse dava todos de graça aos amigos...

Vejam aí as capas dos três livros:



https://www.facebook.com/profile.php?id=100005229734351

Adquira-os através deste endereço:

franpelima@bol.com.br

Ou com o autor através deste:


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LIVRO

  


 São quase 400 páginas, com fatos novos, inclusive uma certidão do casamento da cangaceira Dulce, com o também, cangaceiro, Criança. Uma iconografia muito rica, que vale a pena ter em uma biblioteca. A excelente obra pode ser adquirida diretamente com o autor, através do email: 

archimedes-marques@bol.com.br

Sobre a sua obra, vejamos o que diz o autor, em poucas palavras:

Neste segundo volume passeamos sobre a estada, a passagem, a vida das cangaceiras naqueles inóspitos tempos, suas dores e seus amores nas guerras do cangaço e também após esse tempo para aquelas sobreviventes. 

A história de Carira, seus arruaceiros, seus bandoleiros, seus pistoleiros, os cangaceiros e policiais que por ali atuaram, também é minuciada e melhor estudada com a participação inequívoca de historiadores locais de renome que remontam esse tempo.

Laranjeiras, a histórica e linda Laranjeiras dos amores e horrores, não poderia ficar de fora, pois além de tudo, há a grande possibilidade de Lampião ali ter pisado, até mais de uma vez, para tratamento do seu olho junto ao médico Dr. Antônio Militão de Bragança. Nesse sentido a história, a ficção e as suposições se misturam para melhor compreensão do leitor.

Boas novidades também são apresentadas neste volume, uma com referência ao “desaparecido” Luiz Marinho, cunhado de Lampião, então casado com a sua irmã Virtuosa, outra referente ao casamento de um casal de cangaceiros ainda na constância desse fenômeno ocorrido em Porto da Folha, com a prova documental e, em especial o extraordinário fato novo relacionado a Maria Bonita em Propriá na sua segunda visita àquela cidade para tratamento médico. Fotos inéditas também estão apostas neste volume, que acredito será bem aceito pelos pesquisadores do cangaço.

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LIVRO

 

O amigo Robério Santos, youtuber do conceituado canal "O Cangaço na Literatura", registra que o nosso livro chegou em Itabaiana/SE e brevemente ele apresentará em seu canal uma resenha sobre este trabalho literário.

No aguardo! A opinião de todos, e principalmente de especialistas no tema, e muito importante para nós!

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LIVRO

   Por Francisco Pereira Lima


A recomendação bibliográfica de hoje: 

CORISCO: A Sombra de Lampião, de Sérgio Augusto S. Dantas. 
Um excelente livro sobre essa figura emblemática do Cangaço. 
CORISCO. Livro Novo. Preço 50,00 Com frete incluso. Pedidos: 

franpelima@bol.com.br e 
whatsapp 83 9 9911 8286.

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LIVRO

 Por José Tavares de Araújo Neto 

Pedrinho de Pedrão, amigo desde a adolescência, ja naqueles tempos nos falava de Ulysses Liberato que ouvia de seu pai Pedrão Adonias, um apaixonado pelas histórias de cangaceiros.

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segunda-feira, 31 de julho de 2023

NÃO CORRA SEM VÊ O BICHO

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.937

 

Bem dizia a grande líder comunitária, dona Joaninha: “Não corra sem vê o bicho”, pois foi assim que fomos para uma entrevista com um deles. O coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão (coronel Lucena) era o homem mais temido do Sertão Alagoano. Comandante do Batalhão de Polícia, cujas volantes deram fim a Lampião e Maria Bonita. Lucena fora o primeiro prefeito de Santana do Ipanema, eleito pelo voto direto, na Era Vargas. E no dia da Eleição, o comerciante Manoel Celestino das Chagas, meu pai, fora convocado como presidente dos mesários de uma daquelas sessões. Por coincidência, era eleitor naquele salão o tão famigerado coronel Lucena. Tudo normal se não fora o esquecimento dos documentos de votação por parte do comandante.

CORONEL LUCENA, (LIVRO LAMPIÃO EM ALAGOAS).

E na hora do registro de comparecimento às urnas, “Seu Manezinho”, não pestanejou diante da fama de valentia de Lucena e falou: “coronel, para o senhor assinar, estar faltando o documento”. Lucena – um trovão para muitos – educadamente exclamou: “Eita! Você tem razão. Esqueci, vou buscar”. E assim procedeu sem causar nenhum transtorno. E com o resultado do pleito, o coronel exerceu a função de prefeito de Santana do Ipanema. O homem de bem é manso, anda com a verdade e o destemor. O homem sábio pode ser pacato, pode ser valente, a sabedoria não o deixa de acompanhar.

Os tempos de dirigentes nomeados, governadores e prefeitos, foram de uma época conturbada de exceção. Para um ditador entrar é ligeiro, para sair dar trabalho, igualmente a uma doença difícil de se curar. Imaginamos que os problemas com dirigentes nomeados, os prefeitos com várias denominações, aconteceram em todo o país. Em Santana, o governador nomeado, nomeava também o prefeito. Alguns desses indicados não conseguiam chegar ao fim do tempo de nomeação. Muitos não passavam de 24 horas, outros não ultrapassavam a um mês. Uns não tinham competência, outros desagradavam gente de prestígio político e outros ainda eram acusados de roubo. O negócio só foi tomar rumo novo, após as eleições livres com a despedida da ditadura maior. Mesmo assim, muitos vícios ainda deram trabalho no início da democracia. A ambição de poder e do poder continua destruindo almas que se regozijam na terra e se perdem no espaço.


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CANGAÇO: CÍCERO PORCINO - BIOGRAFIA RESUMIDA

https://www.youtube.com/watch?v=BdnBFNAA17o&ab_channel=FatosnaHist%C3%B3ria-Canga%C3%A7oeNordeste

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"ÉBRIO DE AMOR" NA RUA VELHA

Manoel Belarmino

Ao cair da tarde, cheguei à cidade, entrando pela Rua Velha, e um som no Bar do Cido tocava a música "Concerto para Um Verão". Era a Rua Velha que se preparava para uma noite de seresta. Os violões dos seresteiros já estavam sendo afinados, e o som devidamente testado.

As moças, as mais lindas(todas lindas) de vestido, de cabelos longos e soltos, sorrindo, já apareciam nas janelas das suas casas na Rua Velha. Nas outras ruas e na Rua Nova acontecia o mesmo. Moças e rapazes se preparavam para a noite de seresta na Rua Velha da cidade de Pedro Alexandre da Serra Negra.

E eu, um rapazinho matuto, mas quase poeta; um caatingueiro, mas quase escritor, quase poeta, quase boêmio; um romântico perdido naquela noite da cidade, quase embriagado pelas mais belas músicas tocadas e cantadas pelos seresteiros. Uma noite perfumada, mágica, encantada estava começando na Rua Velha.

As poucas luzes da cidade deixavam a Rua Velha em penumbra, permitindo que os boêmios enxergassem a Lua e as estrelas. Músicas, Lua e estrelas se misturavam naquela noite de seresta na Rua Velha.

Sob a luz da Lua e das estrelas, a Rua Velha encantada se transformava em poesia. Naquele momento, a música "Paixão de Um Homem" de Valdick Soriano era executada de forma mágica. E todos cantavam e dançavam sob a luz da Lua e sob os olhares das estrelas.

Na calçada da igrejinha da Matriz e nas janelas, já se avistava casais de namorados. A noite de seresta recebia a madrugada em festa como um noivo recebe a noiva.

Às vezes, a nostalgia toma conta de mim, e ponho-me a escrever, escrever, escrever... E, quando escuto a música “Os Verdes Campos da Minha Terra” na voz de Agnaldo Timóteo, as lágrimas dos olhos inundam por inteiro a minha alma.

E, ali estou eu, um Belarmino menino, "Ébrio de Amor" na Rua Velha da Serra Negra.

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PRAZER EM CONHECER: - LAMPIÃO ACESO ENTREVISTOU JACK DE WITTE

Por Kiko Monteiro

 


Mais um vaqueiro para nossa galeria de entrevistados.


Hoje vamos traçar o perfil de um pesquisador que vem do outro lado do Atlântico. Compatriota de um outro cabra azedo que comandava exército e também usava um chapéu quebrado.

Jack François De Witte, (o W com som de "V" visse?) 69 anos, escritor Francês da província de Lagrasse, engenheiro eletrônico aposentado.

Na década de oitenta morou no Rio de Janeiro por dois anos e meio. Esta é a sua terceira visita ao nordeste.

Nos conhecemos durante o Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, ocorrido em março em Paulo Afonso, BA. Aproveitei o ensejo para intimá-lo a apresentar suas impressões, tendo como local o barco "A Volante" cruzando o Velho Chico de retorno a Piranhas, AL. Um passeio que muitos de vocês já fizeram e quem não o fez... homi ! não sabe o que perde.


Olha ai uma visão "modesta" de Lagrasse. 

Antes de chegar até a "terra do condor" e do capitão João de Sousa Lima "o dublê do Herculano" Monsieur Jack, teve como cicerone o Coroné Severo visitando alguns dos principais cenários da saga lampionica, pelo Cariri cearense e pelo Pajéu. Enfim foi beber na fonte e voltou pra Europa embriagado por esta bendita cachaça chamada CANGAÇO.

 Sentado o tenente João Gomes de Lira, ladeado pelos cavalheiros Bosco AndréJackJosé Cícero e Manoel Severo.

Como se dá sua entrada no cangaço?

- Tinha 14 anos quando fui levado pelo meu pai para assistir ao filme "O Cangaceiro" de Lima Barreto, justamente no festival de Cannes onde a película brasileira foi exibida, consagrada e o resto do mundo passa a tomar conhecimento do Cangaço. Preciso ser bem clichê para dizer que é aquela mesma paixão avassaladora que contamina todos. Dali por diante passei a buscar a literatura. Recorri aos sebos da capital e a ajuda de amigos de outros países para que estes me conseguissem outros títulos.

Meus anseios de estar num evento como esse é de obter outras informações sobre a gênese de como o Virgulino Ferreira, chegou a ser um bandido desta magnitude. Um nômade. Um caboclo de raciocínio lógico que administrava com precisão e sangue frio a sua vida e a de tantos companheiros.

Então apresente suas crias!


- “Lampião VP” sans toit , sans roi, sans loi (sem casa, sem rei, sem lei).
Lançado na França em 2005 pela Editora Mandacaru. Já traduzido para o português pelo amigo Luiz Frigoletto porém ainda não publicado. VP ? porque compara a saga do Rei do Cangaço com a do traficante carioca Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP.

E de outro autor?

- "Sur les traces de Virgolino, un bandit nommé Lampião". Traduzindo: Na trilha de Virgolino, um bandido chamado Lampião. Uma tese de doutorado de Patricia Sampaio Silva, brasileira radicada na França, em que pude aprender muito sobre a sociedade nordestina. Outra Obra que muito me agrada é Lampião, Seu tempo, e seu reinado do padre Bezerra Maciel.

Qual é o primeiro título recomendado para um calouro? 

- Não seria uma biografia estritamente sobre Lampião, eu indico o best seller Bandidos de Eric J. Hobsbawm.

Com quantos personagens desta história você teve contato? 

- Óbvio que chegamos demasiadamente tarde, mesmo se tivesse alcançado estas pessoas com as quais desejaria questionar afirmo que acredito muito pouco em testemunhos que não são feitos ao vivo (no calor do momento dias após o acontecimento), testemunhos recolhidos dezenas de anos depois são só para dar cores a narrativa. Eu acabo de passar por Nazaré do Pico, Pernambuco onde pude conhecer e conversar com o tenente João Gomes de Lira, talvez venha a ser a única personagem contemporaneo que eu tenha tido contato, mas me satisfaz a oportunidade de poder conhecer os filhos destas pessoas como Vilsinho, (neto e guardião da memória de Antonio da Piçarra). Neli filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha. E o Ozéias irmão de Maria.

Manuseando o rifle pertencente à João Gomes de Lira.

Com quem gostaria de ter conversado?

- Com Manoel Neto, com o Zé Saturnino. Mas principalmente com o escritor padre Frederico Bezerra Maciel. Conversaria com todos, mas somente pelo prazer, não para buscar uma parcela de verdade histórica. Vide o meu livro, primeira pagina : “Não declare ‘encontrei a verdade’ mas de preferência ‘encontrei uma verdade’ Khalil Gibran.

 Ozéias Gomes, irmão de "Maria Bonita", esposa e nosso desbravador

Qual é o seu capitulo?

- A invasão de Mossoró

Um cangaceiro (a)?

- Sabino

Um volante?

- Manoel Neto. Apesar de desaprovar várias de suas ações e decisões como a crueldade que tratava os coiteiros e a de arregimentar jovens para as frentes de batalha.

Um coadjuvante?

- Luiz Pedro, porque serviu muito tempo a Lampião compartilhando muitas situações de agruras e alegrias. inclusive o mesmo capítulo final.

Uma personagem secundária? Queria ter bom papel, mas não passou de figurante

- Maria Bonita (Ao meu ver foi útil... para o marketing do cangaço)

 No museu casa de Maria Bonita

Geralmente todo pesquisador é colecionador qual é o foco de sua coleção?

- Tenho apenas livros, mas não considero coleção. Resguardar sem a finalidade de expor ou doar para um memorial para as próximas gerações objetos pessoais que fizeram parte de uma história tão sangrenta pra mim é fetichismo.

Entre as peças tem alguma relíquia?

- Sim, por casualidade : Um presente que ganhei da filha de um ex-embaixador da Bolivia no Brasil que o recebeu formalmente como um objeto que tivera pertencido a Lampião ! No livro “Heroes and Artists Popular Art and the Brazilian Imagination” de October – december 2001, tem um artigo de Frederico Pernambucano de Mello “The aesthetics of the cangaço as an expression of Brazilian libertarianism” com uma foto dum punhal muito parecido com o meu. Portanto o punhal que tenho, um dia foi de Lampião mesmo!

Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário enfim sem exagero da ficção lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia, enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou?

- "O Cangaceiro" de Lima Barreto por sua sobriedade e a sua sensibilidade. Gosto muito de "Antonio das Mortes" de Glauber Rocha. O "cinema novo" brasileiro produziu muitos Chef d'oeuvre” ou seja muitas obras primas.

Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?

- Que conseguiu escapar vivo de Angico e também a persistencia de muitos lhe atribuírem como um bandido “d’honneur” ou seja um bandido social’ como ‘Robin Wood’. E não concebo aquela passagem em que Lampião é ferido no pé, fica diante de soldados e estes não conseguem vê-lo? Teria ficado invisível ? Paciência!

Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”, “João Peitudo, filho de Lampião”, “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?

- Acompanhei essas novidades, mas hoje creio que já estão todas superadas. Sobre a possibilidade da paternidade: Acho bem provável que ele tenha tido outros filhos, porque deve ter seduzido várias mulheres durante suas andanças, mas estes filhos nunca apareceram ou pelo menos nada foi autenticado. Sem uma prova cabal como exame de DNA eu não acredito na possibilidade. 

E Lampião: Morreu baleado ou envenenado?

- Acredito que "as duas causas", em conjunto, nesta ordem, ali em Angico que acabamos de visitar. 

 Iniciando a leitura de mais um livro.

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?

- Lampeão no Raso da Catarina. Como ele chegou até este local e o eternizou como seu principal esconderijo e como estabeleceu contato com os índios.
Contato: Jack De Witte / 21, Rue du Consulat / 11220 Lagrasse France / Tel/Fax : (0033) (0) 4 68 43 37 31 / e.mail : jack;dewitte@free.fr
*Com exceção das duas primeiras as demais imagens são de Manoel Severo.

*Um fetiche (do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português feitiço cuja origem é o latim facticius "artificial, fictício") é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África ocidental. O termo tornou-se conhecido na Europa através do erudito francês Charles de Brosses em 1757. Fonte Wikipédia,.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2011/06/prazer-em-conhecer-lampiao-aceso.html

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