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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

De Virgulino a Lampião - samamultimidia - Parte Final

 

Em seguida segurando o rifle e o punhal em cada mão e levantando os braços para cima, a cabeça erguida, fitando os longes do sertão na linha de todos os seus quadrantes, exclamou cadenciado e bem alto:

-“De hoje em diante o luto é o rifle e o punhal! Vingar até morrer!”

Desceu os braços e apontando insinuante para Antônio e Livino:

- “Ainda é tempo para uma escolha. Quem não tiver natureza para isso que siga com João, as manas e as crianças”.

Antônio e Livino responderam que estavam no mesmo propósito de vingar até morrer. Por coincidência, o sol, como que atemorizado, se agachou e se escondeu, se incrisou naquele momento, deixando imensa mancha vermelha de agouro nos céus do sertão...

Profeticamente, o padre Epifânio Moura, vigário de Água Branca, ao saber do triste acontecido, exclamou: “Esse crime vai trazer muita desgraça para o sertão.” E de fato, tão revoltante crime lançou Virgulino e seus irmãos no cangaço. Criou Lampião!

Tem muito de parecente essa dramática decisão de Virgulino com os gestos espetaculares dos grandes conquistadores da História. Desde quando Virgulino se decidia a alguma coisa, levava ele sua execução ao máximo na distinção, excelência e perfeição!

Criança, tirava enxu cru, montava carneiro dador, liderava as brincadeiras; jovem, desbravejava marruá e poldro bravio, pagava boi no escuro, confeccionava, pra não se botar reparo, artefatos de couro; agora, como cangaceiro, iria continuar fazendo o mesmo. Seria até Rei!

Sim, “triste vida” essa uma que abraçava, sem tranqüilidade, cheia de perigos à base de lutas, vinganças e ódios... Mesmo assim, seria eminente! Mesmo assim, jogado fora da “lei”, que não a quiseram fosse para ele, seria Rei! Não eram chegados os tempos das profecias?  Sim, o sertão e o mundo haveriam de fazer pausa de vírgula –Virgulino - de parar de assombro diante do Rei do Cangaço!

De vez que os três irmãos mais velhos se bandaiaram para o cangaço, caberia a João a responsabilidade das irmãs e do irmão caçula. Ordenou-lhe Virgulino se retirassem em viagem logo de manhãzinha, porque – “mais cedo do que se pensa – afirmou – essa terra onde se derramou o sangue inocente, vai começar a ser ensopada com o sangue dos assassinos...”

Pungente, ao quebrar da barra, a despedida. A família ali se dividia. Os irmãos choravam de dor e amargura pela morte recente dos pais, de saudade pelos irmãozinhos cujo destino dali por diante seria incerto, e de apreensão pela sorte ignorada dos três no cangaço abraçados. Beijaram-se, abraçaram-se, longa e afetuosamente entre lágrimas e partiram separados, dando-se adeus, tomando rumos diversos...    

Virgulino e seus irmãos Antônio e Livino dirigiram-se ocultamente ao cemitério de Mata Grande. Enquanto um cabra, disfarçadamente, montava sentinela no portão do cemitério, os três irmãos entraram e, de joelhos diante da sepultura do pai, rezaram debulhados em lágrimas. Levantaram-se, conservando o olhar fixo na cova. É quando, ladeado por seus irmãos, estufado de consciente altivez, o pensamento buscando nos espaços do futuro uma nova cosmovisão de vida, fortemente bateu Virgulino o punho fechado no próprio peito e exclamou:

-    “Eu sou Lampião!...”

Nesse momento se acendera um novo luzeiro iluminando todo o sertão do Nordeste!

A folhinha marcava 5 de julho de 1920, terça-feira. Data significativa anunciando a realização da profecia do nascimento de Lampião por Antônio Conselheiro. E a abertura de uma nova era na história dos sertões: a Era de Lampião!

Contava ele apenas vinte anos de idade.

Virgulino nascera e fora educado para o trabalho, o bem, o amor, a poesia...

Pegara em armas, não se definindo para o cangaço, mas para substituir, com os recursos da vingança, as recusas de uma justiça falha... Perseguições irreversíveis e injustiças gritantes o despojaram de tudo. O sertão – o seu mundo – tinha se perdido para ele!... Iria, então, reconquistá-lo a ferro e fogo: durante cerca de vinte anos estenderia seu Império... Os militares se assombrariam com suas táticas de insuperável guerrilheiro; os coronéis se encolheriam nos pactos e conveniências, submissos a seu poder; os inimigos desarvorados criariam aquele tipo de valentia do desespero e do medo. Os cabras reconheceriam o seu valor de chefe, líder e guia supremo. Os pobres e necessitados seriam compreendidos, estimados e favorecidos. A justiça se exerceria com eqüidade. E o mundo inteiro ficaria abismado diante de suas legendárias gestas cangaceirescas!...

Anos mais tarde, Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, celebraria em famosa endecha, poesia épica, de sua lavra, do que fora essa sua grande decisão:

“Por minha infelicidade
entrei nessa triste vida
Não gosto nem de contar
a minha história sentida
A desgraça enche o meu rosto
Em minha alma entra o desgosto
Meu peito é uma ferida.

Aí peguei nas armas
Para a vida defender 
Perseguido, aperriado,
Vi que era feio correr,
Vi a desgraça no meu rosto
Então senti-me disposto 
Matar para não morrer.

Hoje sei que sou bandido
Como todo mundo diz
Porém já fui venturoso
Passei meu tempo feliz
Quando no colo materno 
Gozei o carinho terno 
De quem tanto bem eu quis.” 

Notas
 
1. O almocreve trabalha na condução de tropas de burros e jumentos que transportam mercadorias de uma localidade a outra, por mando e paga dos comerciantes das cidades vizinhas e donos de fazendas. São muito freqüentes em Minas, Bahia, Maranhão, Goiás, Piauí e Mato Grosso, onde as tropas costumam percorrer, não raro e regularmente, distâncias de trezentos quilômetros. O almocreve é um trabalhador especializado no terreno das atividades da vida rural. Conhece e percorre a pé todos os caminhos e “atalhos”; conhece a primitiva veterinária para a cura de bicheiras, dos sestros, dos estrepes e das “picaduras” que a “cangalha” e seus adornos provocam nas longas caminhadas. Ademais, “advinha” chuvas, presença de onça e é um rastreador tão eficiente como o vaqueiro. O seu aprendizado é longo, pois, em geral, o almocreve se inicia muito cedo, a partir de nove ou dez anos de idade. É nessa fase que o menino aprende a fazer cordas, peias, arrochos, nós, cabrestos e a jogar laços.
     
Vida difícil e miserável a do almocreve. Os salários que recebe são ínfimos e nada representam diante do sacrificado trabalho que realiza e da responsabilidade que assume na condução de uma tropa de dez ou vinte burros, carregada de mercadorias “preciosas”. É o responsável pelos burros, pelas mercadorias e pelo prazo de entrega. E tudo isso para ganhar uma miséria. Essa miséria que lhe acompanha a vida toda não lhe permite as mais modestas condições de sobrevivência humanas: atravessa a sua existência descalço e reduzido a uma calça e camisa de pano rústico. Quando repousa, o relento é o seu leito: o fogo ou o “borralho” lhe protege do frio e das cobras. Passa sede e fome com freqüência e quando pode, quase sempre se alimenta da “paçoca” ou farofa com carne seca, o que lhe definha a saúde e o expõe às avitaminoses e a inúmeras enfermidades.
2. “A Paz é Fruto da Justiça” (Pio XII).

Houvesse “justiça” e não haveria Lampião...

Das instituições humanas é a mais falha, quando deveria ser a mais perfeita, porque básica e fatal.

“A lei a gente espicha como quer!” – dizia um certo juiz de direito.

A justiça – sempre com letra minúscula porque maiúscula só a Divina – é jogo de esgrima: vence o advogado mais atilado. Para libertar criminoso, a que chamam de “constituinte”, não tem escrúpulo o causídico de empregar a mentira. Isto porque a falta de consciência não lhe traz remorsos.

A corrupção e a subserviência de determinados “íntegros”, escudados na intocabilidade, transformam o título das peças e processados jurídicos em farsa.

Se não se justifica a atitude de Lampião em fazer justiça com as próprias mãos, a carência de justiça, entretanto, a explica. 
 
3. Do cancioneiro religioso nordestino. 
4. É a “música de couro” popular e folclórica do sertão. Entra em todas as festas sertanejas, aliás, quase todas religiosas. Festa sem zabumba não presta. O conjunto original é formado de dois pifeiros (tocadores de pifes ou pífanos, espécie de flauta de taquara ou bambu), bombo e caixa, tudo em construção rústica e no local. Em certos conjuntos acrescentam-se harmônico (fole, sanfona ou  modernamente  acordeão), rebeca, triângulo.

5. Quadrilha, popular contradança de salão, típica da época de São João e São Pedro. Os vários pares se defrontam uns com os outros. O “marcador” tira as marcas da coreografia, num “francês” característico. 

6. Falar de Saturnino
 
A profecia: “Dentro de 50 anos, haverá de surgir, no sertão, um homem que, apesar de religioso, será cangaceiro e dará muito trabalho aos governos!...” Antônio Conselheiro.
7. Esta profecia realizou-se literalmente – quanto ao tempo, quanto à pessoa e quanto aos fatos – em Virgulino Ferreira da Silva – Lampião – o guerrilheiro místico.


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domingo, 29 de setembro de 2013

SOLITÁRIO E SÓ

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Hoje é sábado. Dia de sair, de passear, de rever amigos, de buscar afazeres que façam esquecer um pouco dos tédios acumulados durante a semana. Muitos gostam dos barzinhos, da conversa descontraída acompanhada de uma bebida e algum petisco. Outros preferem os shoppings, a orla praieira ou mesmo viajar.

Já é noite fechada, já passando das sete, e a esta hora os bares estão repletos, as curtições se espalham, as descontrações se alastram. E muitos ainda terão muito a comemorar e fazer no final da noite e varando a madrugada. Apenas imagino que tudo seja e esteja realmente assim, pois me acostumei a viver distante disso tudo.

Mesmo quando mais jovem e quando era apreciador contumaz de cerveja e música de barzinho, jamais fui além do instante certo de voltar pra casa. Nunca esquecendo as horas e adentrando a madrugada de copo à mão e muito menos bailando passos pelos salões. Também nunca dancei. Nunca aprendi a dançar. Nem valsa.

Hoje nem mais cerveja nem música de barzinho. E infelizmente. Infelizmente porque poucas coisas na vida são tão admiráveis quanto bebericar uma cervejinha gelada ouvindo um violão e uma voz cantando alguma velha canção dos meninos do clube da esquina, dos antigos festivais, do nosso autêntico cancioneiro.

 

Nem mesmo em casa tenho o prazer de saborear um véu de noiva ou um tinto de antiga safra. Haveria de ser assim, então que seja. Hoje tenho de me contentar com repetidas doses de café forte e sem açúcar. A primeira dose por volta das três da manhã, pois antes disso acordo todos os dias. Coloco a água no fogo e depois derramo na pequena xícara com duas colheradas de café solúvel.

Enquanto bebo minha primeira dose de café na madrugada, certamente muitos outros ainda estão de copos cheios pelos bares e ambientes da vida. Enquanto ainda curtem as proezas do final de semana, eis que retomo meus afazeres da noite passada, pois as palavras também cansam e adormecem e precisam repousar. E não demora muito e desperto cada palavra adormecida num verso, numa crônica, num texto qualquer.

E é isso que faço agora. Simplesmente dando continuidade às palavras adormecidas de ontem, numa incansável busca de dar nexo e sentido às situações escritas e reescritas. E assim percorro essa estrada até as dez ou onze da noite, para depois tudo adormecer e recomeçar novamente. Enquanto estou aqui e daqui tomarei o caminho da minha rede de dormir, eis que a vida se faz lá fora e mais adiante com outra vivacidade muito diferente.

Mas jamais trocarei meus instantes noturnos por aqueles outros, ainda que jamais diga a qualquer pessoa que prefira a solidão da escrita, os instantes solitários do texto e do contexto, a sair, beber, brincar, festejar com responsabilidade o que a vida de melhor possa oferecer. E isto porque sei de mim, mas não sei como os outros possam suportar a solidão da noite diante apenas de palavras e pensamentos.

O silêncio ronda pelos arredores. Os finais de semana possuem a proeza de fazer o silêncio ser ouvido. Infelizmente não chove, pois gosto desse momento acompanhado do murmurejar das águas se derramando. Momento único para ouvir Tchaikovsky, Offenbach e tantos outros mestres da música clássica. Por isso ouço apenas o teclado ofegante e os passos da minha mente procurando fugir dos espinhos da estrada.

Solitário e só, assim é a minha noite nessa noite de sábado, como geralmente acontece em todas as noites de todos os outros dias. Fecho a porta atrás de mim e só me permito falar com o que escrevo. Muitas vezes provoco e exijo silêncio total, mas sou confrontado pelas palavras, pelo que foi escrito. Um verso repentinamente grita, um personagem reclama de sua situação na história, outro me chega choroso e diz que já sabe o seu fim: viver esquecido e sufocado nas páginas de um livro numa estante qualquer.

Prometo libertá-lo desde já, retirando-o da história. Mas ele diz que não. Sua sina é ser como o autor: solitário e só.

Poeta e cronista

blograngel-sertao.blogspot.com

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MULHERES NO CANGAÇO: A CRUZ DE MARIQUINHA.

Por: João de Sousa Lima

O guia Zé de Loló, João de Sousa Lima e Felipe Marques

Dia 16 de setembro de 2013, eu e Felipe Marques saímos de Paulo Afonso em direção a Jeremoabo e de lá, já na companhia de Antonio Fernandes, nos dirigimos até a cidade de Coronel João Sá, onde nos encontramos com o professor Enoque Cardoso e Antonio Vieira, dois amigos que nos auxiliaram em uma pesquisa sobre o cangaço apresentando pessoas e lugares que tiveram ligações com a história. Dentre as várias entrevistas estivemos com Laurinda  da Cruz de Jesus e podemos ouvir dela o relato da morte dos cangaceiros Mariquinha, Pé de Peba e Xofreu ( ou também chamado de Chofreu e Sofreu). 

Zé de Loló, João de Sousa Lima e Toinho de Juvenino

As cabeças dos cangaceiros foram levadas do local da morte no lombo de uma jumenta que pertencia a Maria da Cruz Gouveia, que era mãe de Laurinda. A jumenta estava com poucos dias de parida.

Prefeitura de Coronel João Sá

A cangaceira Mariquinha foi uma das primeiras mulheres a entrar no grupo de cangaceiros. Ela era prima de Maria Bonita, irmã de Zé de Nenê. Mariquinha seguiu com o cangaceiro Ângelo Roque, o famoso Labareda.

Casarão do Coronel João Sá em Jeremoabo
     
Os cangaceiros foram cercados ao anoitecer pela volante do nazareno Odilon Flor. Um dos soldados que estava presente nesse combate ainda encontra-se vivo em Paulo Afonso, é o cabo Gérson Pionório. A seguir o relato que ele fez do combate:

 João de Sousa Lima e Enoque com um dos entrevistados

- Eu destaquei em Jeremoabo, Canindé, Canudos (fui delegado), Pilão Arcado, Sento Sé, Remanso, Sobradinho, Casa Nova, Senhor do Bonfim, Juazeiro, Na pele, Tucano, Calda de Cipó, Urucí, Itabuna, Canavieiras, Canacá, Jacareci (fui delegado), Euclides da Cunha (fui comandante), e Cocorobó (fui delegado).Gérson passou pelas volantes de Pedro Aprígio, Aníbal Vicente, Zé Rufino e Odilon Flor.

Enoque João de Sousa Lima, Laurinda Cruz, Toinho e Vieira

Quando serviu com Odilon Flor, participou do combate onde foram mortos os cangaceiros Pé-de-Peba, Xofreu e Mariquinha. O combate aconteceu no Riacho do Negro, em Sergipe.

 João de Sousa Lima e Toinho cm o filho de Laurinda

A volante seguiu com o coiteiro nos rastros dos cangaceiros indo encontrá-los às 23hs. O combate noturno travado entre 15 policiais e 8 cangaceiros foi ferrenho. Odilon Flor saiu baleado nas nádegas, os cangaceiros tiveram uma baixa de 3 componentes do grupo. Os policiais cortaram as cabeças e ainda à noite as colocaram em um carro de boi e levaram pra Paripiranga. Na cidade, a população pode ver as cabeças de Pé-de-Peba, Xofreu e Mariquinha. Gérson passou a receber o soldo de sargento depois da morte dos cangaceiros.

Grande dificuldade  para chegar até as cruzes

Da residência de dona Laurinda da Cruz, depois de saborearmos um doce de leite, partimos para conhecer o local das mortes dos cangaceiros. Com o sol já se pondo fizemos uma viagem contra o tempo. O local da morte dos cangaceiros fica na localidade conhecida por Serrote e pertence ao Sítio do Quinto. Atravessamos muitas porteiras até encontrarmos com  o fazendeiro Gervásio de Carvalho Filho, que vinha montado em seu cavalo. Conversamos um pouco com Gervásio e seguimos o trajeto, tendo ainda que abrir várias porteiras e o sol cada vez mais sumindo no horizonte.

A cruz da cangaceira Mariquinha

Chegamos até a última casa da região, propriedade de José Alves da Costa, conhecido por Zé de Loló. Sem ele não teríamos conseguido chegar até as cruzes. Convidamos Zé e ele seguiu no carro com a equipe enquanto Enoque e  Vieira seguiram andando. Deixamos o carro em um ponto e subimos o “SERROTE”.

As cruzes de Mariquinha, Pé de Peba e Xofreu (Chofreu) 
 
Eu, Antonio de Juvininho, Felipe Marques e Zé de Loló chegamos até o local. Transpusemos uma cerca de arame farpado e Zé de Loló saiu abrindo uma trincheira, quebrando mato, desfazendo um emaranhado de cipós secos que fechava o caminho. 


Aos poucos fomos chegando, o sol baixando. Conseguimos fotografar o local e as cruzes. Mais um mistério estava desvendado, as cruzes de Mariquinha, Xofreu e Pé de Peba surgiram para a história. Nos preparamos para retornar pois a noite não demoraria a chegar. Pulamos a cerca de volta e descemos a serra. Ao longe ouvimos as vozes de Enoque e Vieira. Dirigimo-nos até o carro.

 O vaqueiro Gervásio indica o lugar das cruzes

Encontramos Enoque com uma vara na mão, pois acabara de ser atacado por uma raposa e a arma encontrada no chão serviu de defesa. Colocamos Enoque na mala do  veículo e retornamos. Deixamos Zé de Loló em sua casa onde ele vive solitário e pegamos a estrada de volta. 

A equipe atravessa o Vaza Barris

Várias cancelas depois chegamos até o povoado mais próximo. Nesse povoado fomos ver a capela onde estão sepultados alguns sertanejos que foram mortos por Ângelo Roque como vingança as mortes dos seus companheiros cangaceiros. Estão enterrados na capela os senhores Olegário.

O encontro com Zé de Loló

Antonio e Constâncio. Seguindo essa vingança o Ângelo Roque ainda matou a senhora Jovina que estava grávida de gêmeos. Jovina residia na localidade Logradouro e era prima do cangaceiro Saracura.

 Enoque relata o ataque da raposa com um cajado na mão...

Naquele intrincado e longínquo pedaço de chão baiano, a história deixou marcas profundas, marcas de um tempo que o povo ainda tenta entender. Tempo que tem sua compreensão fundamentada nas cruzes erigidas em lembrança de alguns cangaceiros e de sertanejos que viram suas vidas envolvidas na história do cangaço.


João de Sousa Lima 
Historiador e escritor.
Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso.
Membro de GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará.


Paulo Afonso, 27 de setembro de 2013.

Enviado pelo  autor João de Sousa Lima

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