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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Vídeo do Cariri Cangaço 2013 de Aurora Editado em Brasília

Prefeito Adailton Macedo e Secretário José Cícero, junto com Manoel Severo e Ângelo Osmiro, na noite do Cariri Cangaço 2013 em Aurora

Vídeo-documento sobre o Seminário Cariri Cangaço 2013 de Aurora  é produzido em Brasília pelos familiares do Dr. Vicente Landim de Macedo, palestrante da memorável  noite do dia 20 de setembro de 2013 em que se homenageou  sua vó, a lendária Marica Macedo do Tipi. 

Além do vídeo(DVD) também foi produzido um livro-caderno intitulado "O Cariri Cangaço em Aurora", contendo com  exclusividade a íntegra da palestra do Dr. Vicente Landim, assim como   vários releases e reportagens jornalísticas publicadas sobre o Cariri Cangaço, em especial a sessão de Aurora que foram veiculadas na imprensa regional, com destaque para a mídia eletrônica(sites e blogs). 

Presentes de Vicente Landim de Macedo

Tanto o livro, quanto o vídeo em questão, contêm através de uma série de imagens, especialmente selecionadas, bem como diversas fotografias e gravações dos melhores momentos do evento. Tais como: pronunciamentos das autoridades, a palestra e as apresentações culturais, com destaques para a jovem dupla de repentistas da terra, os irmãos Alex e Edivânio Luna, assim como a interessante participação em suas  litanias do grupo de penitentes da Ordem Santa Cruz de Aurora. Dentre outras imagens. Vale a pena assistir.

Escritor Vicente Landim recebe caravana Cariri Cangaço no Tipi, em Aurora

Sob o tema - 'Marica Macedo do Tipi: sertaneja d'Aurora, matriarca do Cariri' o seminário CC de Aurora foi sem dúvida, um dos mais marcantes e prestigiados da região. Em parte, pela participação população, a dedicação conferida pela gestão municipal, assim como pela altíssima  qualidade de todos os que acorreram à Aurora para conferir de perto tal  acontecimento.

Em Tempo:

Um exemplar de ambos os documentos, ou seja, caderno e dvd foi recebido via Correios esta semana pelo secretário de cultura e turismo do município, professor José Cícero.Uma cortesia do dr. Vicente Landim de Macedo.

Da redação do Blog de Aurora e da Secult.

FONTE: http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2013/11/video-do-cariri-cangaco-2013-de-aurora.html 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O deleite de Volta Seca - O Pasquim encosta na parede O "Jésse James" do nordeste - Parte III



Ziraldo - E as suas feridas já haviam cicatrizado?

- Continuou. Eu passei oito dias comendo folha do mato como bicho. Oito dias pra num me entregar à policia. Bom, aí eu disse: "O caso agora é morrer mesmo". Cheguei na casa de uma viúva, e ela me perguntou o que que tinha acontecido. Eu disse: "O caso foi esse, assim, e tal... uma briga e me furaram." E ela: "Mas meu filho, você tão novo!" Eu digo: "é..." Ela começou a chorar, foi lá no chiqueiro, apanhou lá a creolina. Já tinha bicho em todo canto. Eu vivia agoniado. Não podia dormir nem nada...

Ziraldo - Uma febre danada, né?

- Febre e tudo, fome... Mas aí, eu tava com dinheiro e digo: "Tá bom. E vou embora." Mas ela disse: "Filho, fica aí, que eu vou tratar de você".

Ziraldo - Cê lembra do nome dela?

- Agora eu não me lembro, não. Mas eu sabia o nome dela.

Ziraldo - Era perto de Itabaiana, ainda?

- Não, era perto de Simão Dias. Ela foi lá no chiqueiro, me deu remédio, me deu banho de malvão e aquele tratamento sério. Mas, toda noite a mulher chorava, toda noite. Aí, eu perguntei a ela, um dia: "Escuta, por que que a senhora tanto chora"? E ela: "Não, meu filho, é com pena de você. Você é muito criança, vive assim jogado no mundo, não tem ninguém. É por isso que eu choro."Eu disse: "Cumê que chamava o seu marido"? - o marido dela eu sei cumé que se chamava. Ele se chamava Davi. Era um bom vaqueiro. Ela disse assim: "Meu marido chamava - se Davi, meu filho, um desgraçado tirou a vida dele". Aí, eu pensei: "Ela falou isso. Eu já tô sujo..." E comecei a dizer pra ela por que foi que eu tinha matado. Ela disse: "Então ele mereceu".

Millôr - Era o homem que você tinha matado?

- Não, esse aí era o caso da viúva que eu tava falando. Aí, ela disse: "Esse camarada ganha 5 mil réis, 10 mil réis, pra tirar a vida de qualquer um. Ele mora num lugar que não vai ninguém. Aí, eu digo: "Mas num vai ninguém, por quê"? "Porque lá, ele é pistoleiro e só vive disso. Vive ele e a mulher dele sozinhos, um lugar chamado Fundão". Aí, eu pensei, pensei... Quando foi negócio de uns 15 dias eu já tava andando, tudo cicatrizado, sem doer nada. Aí, eu disse: "Olha, eu não vou vingar a morte do seu marido, porque hoje eu já sou um sujeito perdido, sem nada na vida, num quero mais nada. Mas se a senhora me der o endereço dele, eu vou lá buscar ele. Ela disse: "Jorge" - Jorge era o filho dela - "vai lá, pega o Boa Dama (era o cavalo dela), cela e dá a ele". Ai, o menino foi lá e apanhou o cavalo, um cavalo alazão bom, bonito. Aí, eu digo: "O que é que a senhora quer dele"? Ela: "Eu quero a orelha". E eu: "Tá bom, eu vou trazer". Montei no cavalo e fui. Quando deu quatro horas da manhã, eu cheguei lá no fundão. Era um paredão alto, dum lado e do outro. E ele morava no meio. Eu cheguei e bati na porta.

Ziraldo - Cê lembra o nome dele?

- Não. Aí, quando eu bati na porta, a mulher velo, Eu disse: "Bom - dia". Ela perguntou: "O que é que você quer"? Respondi: "Eu queria que a senhora me arranjasse água." E aí, o homem perguntou: "Quem é que tá aí"? Ela disse: "Um moleque que tá querendo água". Aí ele disse:"Chô olhar pra cara dele. Eu não sei se isso é hora de tá pedindo água na porta de ninguém..."Ele chegou e foi logo me maltratando: "Isso não é hora de pedir água na porta de ninguém. Vai procurar água pros poços." Aí, eu disse: "Eu num vim aqui a fim disso, não. Eu vim aqui pra dar um tiro na sua cara".

". E ele: "Em minha cara!?" Eu digo: "É". E ele começou, botou mesmo. Eu tá, ele tá. Eu tome, ele toma. Aí, eu dei uma. Ele quis tombar pra frente. Aí, ele botou o rifle, e quando esticou o braço, eu bati e o rifle caiu. E eu acompanhei ele. Ele saiu correndo e caiu esticado pela frente. E quando caiu, também, já caiu pronto. Aí eu disse: "Bom, ela pediu a orelha. Eu vou levar a orelha, beiço... Já vou levar tudo desse sem vergonha. Aí, cortei a orelha dele, cortei o beiço... Cheguei lá e entreguei.

Millôr - O que é que a mulher fez?

- A mulher dele não esperou não, ela se mandou. Aí, quando eu cheguei, eu disse pra viúva:"Olha, agora eu vou, eu só quero que a senhora me dá um café aí". Ela diz: "Pra onde você vai"?Eu digo: "Num sei".

Aparício - Isso é no Sergipe?

- Não, isso é na Bahia. Fundão é na Bahia.

Millôr - Esse trajeto, da sua casa até a Bahia, você fez toda a pé?

- A pé, a pé.

Millôr - Nesse período todo vocês só tinha uma roupa, não trocava nunca? Estava sem sapatos?

- Sem nada, e descalço. E o chapéu tinha cortado as beiradas: só ficou a copa.

Millôr - E esse rifle era o famoso "papo-amarelo"?

- Não, era "cano-mamão". E aí, eu digo: "Bom: agora eu vou- me embora". E ela disse: "Então, toma esse cavalo pra você. Quando você achar que pode vender você vende. E é seu, pra todos os efeitos. E Deus lhe acompanhe". Eu digo: "Amém". Eu montei no cavalo e me joguei no mundo. Fui pra Bom Conselho, fui pras Antas, fui por aquele mundo todo, Jair Mulato, Santa Brisa, aquele mundo todo...

Millôr - Nesse período todo, você tinha contato com a cidade, você comia em algum lugar, conversava Com as pessoas?

- Eu comia de qualquer jeito. Conversava, conversava com as pessoas.

Millôr - Vivia uma vida mais ou menos normal?

- Não, num era normal. Era uma vida como de gato com rato. O gato lá e o rato...

Millôr - Sempre com medo...

- Sempre com medo. Então, eu digo: "Tá certo". Aí, saí. E quando cheguei num lugar chamado Goloso, na Bahia, eu digo: "Agora eu vou descansar um pouco. Vou pruma fazenda dessa aí, e ficar escondido, pra ver cumé que a barra tá, cumé que vai a maré por aí. Aí, fui lá pruma fazenda e cheguei dizendo que queria um trabalho. Escondi o rifle, munição e tal e me aproximei dessa fazenda. Isso, em Goloso. Aí, quando estou na fazenda, uma das duas mocinhas chegou e disse:"Mamãe, tem um garoto querendo trabalhar com a gente e ele vai pra roça com a gente e tal, colher melancia e plantar feijão, e essa coisa. O que que a senhora acha"? "Bom, deixa o seu pai chegar." Ele chamava Seu Ovídio. Aí, Seu Ovídio chegou do campo, e disse assim: "Ah, tá bom, tá bom meu filho. Cê tem pai"? Eu digo: "Não". Ele: "Tem mãe?" Eu digo: "Não. Num tenho ninguém por ninguém; só Deus e eu no mundo." Ele disse: "Então, você fica aí". Aí fiquei. Negócio de umas duas semanas que eu estava ali...

Ziraldo - Te pagavam alguma coisa?

- Nada! Pagava alguma coisa, porque eu trabalhava feito burro e comia à vontade, né? Mas eu ficava pensando. Eu, saindo daqui, vou andar nesse mundo à - toa, novamente. Mas, é o jeito. E só vendo perseguição: "Passou por aqui? Não, passou pra tal lugar", isso eles dizendo. "Num sei o quê... Ele é assim, assim..." E eu tô só escutando

 Ziraldo - Quem o perseguia?

- A polícia. Então, eu digo: "Num tem jeito não..."

Millôr - Eles chamavam "os amarelos", naquela época?

- É. Culote.

Millôr - Era polícia de Sergipe; ou da Bahia mesmo?

- Era da Bahia, do Sergipe...

Ziraldo - Você já era famoso...

- Não.

Ziraldo - Famoso, eu quero dizer, já tinha toda a polícia atrás de você?

- É, atrás de mim.

Jaguar - Por enquanto você era só Antônio? Não era VOLTA SECA ainda não?

- Não, era Antônio, Antônio dos Santos. Mas aí, nesse lugar, um dia na roça, tô vendo aquele alvoroço, e digo: "Mas o que é que tá havendo"? E disseram: "É que Lampião chegou aí agora, em Goloso." Eu digo: "Lampião"? Ele disse: "É, com o pessoal dele todo..."

Continua...

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/12/entrevista-de-volta-seca-jornal-o.html

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Os primeiros transportes coletivos - 03 de Novembro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

               
Consta que no ano de 1926 existia em Mossoró um comerciante turco, de nome Maurício, que tinha a sua loja de bijuterias instalada na antiga Rua do Comércio. Era tido como um homem de visão e não media esforços quando via a possibilidade de ganhar um dinheirinho extra. E vivenciando a dificuldade que existia quando alguém precisava se deslocar para outro município, resolveu comprar um caminhão e adaptá-lo para servir de transporte coletivo.

Pouco tempo depois apareceu o tal caminhão, pintado de azul e branco, com duas filas de assentos na cabine, além da carroceria de carga. No mesmo dia o Sr. Maurício começou a anunciar que no dia seguinte, às quatro horas da madrugada, o seu caminhão faria a primeira viagem com destino à cidade de Lajes. E não demorou a aparecer os primeiros passageiros. O motivo da escolha do trajeto é que Lajes era entroncamento de várias linhas da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, com destino a capital Natal.

No dia seguinte, por volta das oito horas da manhã, o caminhão do seu Maurício continuava parado em frente a sua Loja, com um pneu furado e um “prego” no motor. E sonolentos passageiros aguardando que os problemas fossem resolvidos para que pudessem, enfim, iniciar a viagem. O curioso é que todos os lugares estavam ocupados e havia muita gente por cima da carga.

Resolvidos os problemas, iniciaram a viagem. De Mossoró para Assu foram consumidas mais de quatro horas, tendo direito a uma parada no Hotel Pátria, de Antônio Saboia, para descanso e almoço. Daí para Lajes, estirão maior, viagem mais demorada ainda. Quase ao anoitecer fizeram outra parada na Fazenda São Joaquim, que pertencia ao agrônomo Antídio Guerra. Esse, penalizado com a situação daquelas pessoas, matou a fome dos mesmos servindo copos de leite tirado no peito da vaca que estava ordenhando. Eram mais de nove horas da noite quando finalmente chegaram a Lajes.

Hospedaram-se no já famoso “Hotel da Feiticeira”, cujo proprietário era Tatu. Como o jantar já tinha sido servido tiveram que se conformar com uma xícara de café requentado e a sobra do pão do jantar. Mesmo assim foi um alívio para aquela gente cansada e empoeirada, que terminava ali a primeira jornada da viagem com destino a Natal.

Já no outro dia, ainda no amiudar dos galos, como se dizia antigamente, o proprietário acordava os hóspedes mal dormidos, badalando junto as portas de cada quarto um sino de estranha sonoridade, que diziam ser capaz de acordar até um surdo. Toda essa barulheira era para que ninguém perdesse o trem que por ali passava às cinco horas da manhã, para chegar a Natal lá pelas duas ou três horas da tarde.

Não encontrei, em minhas pesquisas, até quando o Sr. Maurício manteve seu caminhão desempenhando essa função. Sabemos apenas que tempo depois ele teria transferido sua loja de bijuteria para o vizinho estado do Ceará, dele não se ouvindo mais falar. Mas até que se prove o contrário, foi o caminhão de seu Maurício o primeiro transporte coletivo de Mossoró.

No início de 1929 começaram a aparecer em Mossoró os primeiros carros de transporte urbanos, ligando os bairros mais distantes com o centro da cidade. Esses veículos pertenciam a um comerciante do Assu, de nome Etelvino Caldas. Apesar da má qualidade dos veículos, que por nada se quebravam, representou um grande avanço para Mossoró poder contar com esse serviço.

Mas não ficou só nisso não. Etelvino Caldas era um homem de visão e logo atinou para outro plano, imaginando que uma linha de passageiro entre Mossoró e Lajes podia ser uma iniciativa proveitosa. E foi a ação botando em trânsito um ônibus confortável, bem diferente do caminhão do seu Maurício, que só possuía duas boleias. O ônibus, que logo ficou conhecido como “a sopa”, sempre viajava completamente lotado.

Foi mais ou menos por essa época que surgiu também em Mossoró “a era de Zé Rocha”, indiscutivelmente figura inconfundível no sistema de transporte em caminhões, fazendo a linha entre Mossoró e Natal. O seu entusiasmo pelos serviços de transporte credenciaram-no no conceito dos usuários, criando no povo das cidades e do campo o espírito de viajar e de comunicar-se com outros centros de atividades, estabelecendo o intercâmbio como gente de vivência coletiva.

Continua...
Autor:

Geraldo Maia do Nascimento


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