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sábado, 24 de maio de 2014

O cangaço desmistificado -

Por Aldo Gama - Aldo Gama

Livro analisa a história do fenômeno do banditismo que assolou o nordeste brasileiro
   
Seja nas xilogravuras dos cordéis, nas canções populares, no cinema ou na literatura, os cangaceiros habitam o imaginário dos brasileiros até os dias de hoje. Histórias de revolta contra os desmandos das oligarquias e as péssimas condições de vida dos pobres do sertão nordestino costumam caminhar lado a lado com relatos de crimes de extrema crueldade. Lampião, o cangaceiro mais famoso, é, por vezes, descrito como um tipo de Robin Hood ou como aquele “que invade os lares, levando a toda parte sofrimento e morte”, como dizia um anúncio da época.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o  historiador Luiz Bernardo Pericás, autor de Os Cangaceiros, apresenta uma série de argumentos que buscam desmistificar o fenômeno que atingiu seu apogeu nas décadas de 1920 e 1930, durante o reinado lampiônico. 

Brasil de Fato - O contexto de injustiça social, com o controle do aparato policial e judiciário pelas oligarquias, não justificaria a leitura de que o cangaço foi uma espécie de guerrilha popular?

Luiz Bernardo Pericás - A forma de luta dos cangaceiros era, certamente, baseada em técnicas de guerrilha. Na década de 1930, jornalistas e oficiais das volantes chegaram a chamar os cangaceiros de “bandidos-guerrilheiros”, o que mostra que a associação é factível. Boa parte dos bandos era certamente de origem popular. Mas temos de nos perguntar o que significaria dizer “guerrilha popular”. Ou seja, os bandos tinham estrutura hierárquica, nos quais as lideranças, por vezes, eram de estratos mais altos da sociedade sertaneja e davam a tônica da atuação do grupo. Esses “chefes” de grupos não tinham nenhum objetivo de mudar a situação social da região, nem de aliar-se às camadas mais pobres do sertão nordestino. Alguns líderes do cangaço eram “coronéis”, descendentes de membros da Guarda Nacional e de latifundiários, e aliados de parte da elite local. Eles viam a massa anônima do cangaço como seus “empregados”. E estes, consideravam as lideranças como “patrões”.Houve muitas diferentes motivações para o ingresso no cangaço, mas é possível que nenhuma destas tivesse como objetivo lutar por câmbios “revolucionários”.

Nunca houve qualquer intenção de mudança social por parte dos cangaceiros. Só no cinema e literatura, ou seja, em obras de ficção. Obras, em geral, produzidas a posteriori, e utilizando o cangaceiro como símbolo de luta política, como metáfora da insurreição do homem do povo contra o regime vigente. Na verdade, os cangaceiros praticavam crimes hediondos, repetidamente. Seus crimes, em geral, não eram circunstanciais. Ou seja, o cangaço acabava tornando-se um meio de vida, no qual, por anos seguidos, indivíduos cometiam crimes como torturas, sequestros, roubos e assassinatos.

E cometiam essas atrocidades indistintamente, tanto contra alguns “coronéis”, como também contra policiais e contra o próprio “povo” pobre local. Há muitos relatos de torturas e assassinatos cometidos por Lampião, Zé Baiano e outros contra “trabalhadores”, “cassacos”, “agricultores”, gente comum do povo, sem nenhuma piedade ou remorso. Não havia identidade de classe entre os cangaceiros e a população mais pobre. Na prática, Lampião preferia se relacionar com “coronéis” e “políticos”, do que com o “povo” sertanejo. 

A violência das tropas oficiais e das volantes não justificaria a simpatia da população pelos cangaceiros? 

As tropas volantes eram, em grande medida, mal preparadas e mal treinadas. Recebiam pagamentos irrisórios. Seus soldados, em boa parte, eram homens da mesma região e da mesma origem étnica e social dos cangaceiros. Ou seja, gente da mesma “massa e encarnadura”, como disse, certa vez, um conhecido comentarista do tema. Se um jovem cometia algum crime contra outra família e entrava no cangaço, era muito provável que algum parente daquele atacado ou assassinado ingressasse nas volantes para perseguir e punir seu rival. E vice-versa. Há casos de cangaceiros que abandonaram o cangaço e se tornaram policiais, assim como soldados das volantes que largaram a polícia e se fizeram bandoleiros.

A situação, ali, era relativamente fluida quando se tratava especificamente da atuação de cangaceiros e volantes. As tropas volantes, de fato, podiam ser tão ou mais violentas que os cangaceiros, agindo com extrema agressividade e arbitrariedade, e isso quiçá fizesse com que parte da sociedade sertaneja se voltasse para os bandoleiros como símbolos da luta contra as autoridades. Por outro lado, os cangaceiros eram tão violentos que a população, em geral, tinha pavor deles. Várias vezes ocorria que, ao ouvir o boato da aproximação de cangaceiros em algum lugarejo, os moradores locais saíam correndo em disparada, desesperados. A maior parte da população sertaneja, na verdade, não se tornou nem parte das volantes, nem integrante de bandos de cangaceiros.  Em realidade, o povo ficava num fogo cruzado entre esses dois grupos.  A população era de trabalhadores e, em geral, não tinha interesse em ingressar no banditismo ou na polícia, a não ser que tivesse de se proteger dentro de uma dessas “organizações” ou que as utilizasse como meio de vingança contra entreveros, normalmente, familiares. 

O PCB tentou, de fato, recrutar os cangaceiros?

Na década de 1930, o PCB e o Comintern iriam discutir a possibilidade de cooptação e utilização dos cangaceiros na luta revolucionária no Brasil. Um documento do escritório sul-americano do Comintern de 1931, por exemplo, já mencionava os cangaceiros nesse sentido, e outro, do Comitê Executivo da Internacional Comunista, indicava mais explicitamente que “o PCB deve empenhar-se na tarefa de estabelecer contatos mais estritos com as massas de grupos de cangaceiros, postar-se à frente de sua luta, dando-lhe o caráter de luta de classes, e em seguida, vinculá-los ao movimento geral revolucionário do proletariado e do campesinato no Brasil”. Na 3ª Conferência de Partidos Comunistas da América Latina e Caribe, em Moscou, em 1934, o chefe da delegação brasileira, Antônio Maciel Bonfim (o “Miranda”), faria um relatório completamente irreal da situação no campo brasileiro, insistindo que “os partisans cangaceiros estão chamando à luta, estão unindo os camponeses pobres na sua luta por pão e pela vida... Na província da Bahia, somente, os partisans representam um destacamento de aproximadamente 1,5 mil homens, armados com metralhadoras, equipados com caminhões”. Tudo isso, como se sabe, não correspondia à realidade. Alguns acreditavam que os cangaceiros poderiam, inclusive, adotar o programa da ANL (Aliança Nacional Libertadora), e há até mesmo documentos da ANL sugerindo a cooptação de cangaceiros. Mas isso não ocorreu. Ao que consta, apenas um cangaceiro teria se filiado ao PCB, ou seja, não houve sucesso do partido em arregimentar os bandoleiros para a luta revolucionária.

Por que Lampião tornou-se o símbolo do cangaço? 

Se não fosse por Lampião, provavelmente não estaríamos falando, hoje em dia, do cangaço da mesma forma.  Ele foi o mais importante de todos os bandoleiros, sem dúvida nenhuma. É só recordarmos dos outros líderes do cangaço. Quem se lembra, na atualidade, de Jesuíno Brilhante? Ou de Sinhô Pereira, o primeiro chefe de Lampião? Em geral, apenas os estudiosos do tema. Sinhô Pereira, por exemplo, teve uma atuação mais limitada, uma carreira episódica de crimes. Abandonou definitivamente o cangaço em 1922, foi para Goiás e depois, para Minas Gerais, onde mudou de vida. Antônio Silvino, o primeiro “rei dos cangaceiros” foi ferido no tórax em 1914, se entregou à polícia e foi preso. Já Lampião nunca abandonou o cangaço, nem se rendeu. Nunca foi preso. Acabou a vida como líder cangaceiro. Seu bando, no auge, em meados da década de 1920, chegou a contar com 120 homens. Chegou a ter vários subgrupos, que se uniam ao bando principal quando requisitados, uma espécie de “confederação” de cangaceiros, da qual ele era o chefe inconteste. Lampião atuou por mais de duas décadas, num território enorme, em sete estados nordestinos.  Em seu bando, a partir da década de 1930, também havia mulheres, crianças e animais de estimação, o que deu outra aura para o cangaço.
Toda a estética associada ao cangaço nas artes plásticas e no cinema vem principalmente do período lampiônico, especialmente nos anos 1930, com uniformes e chapéus extremamente adornados (verdadeiros trabalhos artísticos). É bom lembrar que nos anos 1920 e 1930 a mídia estava mais desenvolvida, o rádio, as revistas, os jornais e o cinema divulgavam fotos e histórias de Lampião e seus asseclas. Benjamin Abrahão chegou a filmar Lampião e seu grupo.  Ou seja, há até mesmo imagens em movimento do “rei dos cangaceiros”. Os bandos lampiônicos tinham uma vida social que incluía música, danças, “esportes” e festas com muita bebida, o que também ampliou a imagem daqueles bandoleiros.  A ferocidade e agressividade dos bandidos dos grupo de Lampião eram notórias, e as práticas de torturas, “sangramentos” e assassinatos com requinte de crueldade eram muito mais significativos do que nos períodos anteriores, certamente.  Não houve um cangaceiro tão inteligente e hábil “politicamente” como Lampião, alguém que conseguisse construir uma rede de apoio de coiteiros tão eficiente, que teve relações com tantos “coronéis” importantes e que atuou num território tão dilatado, por tanto tempo. Por estes e outros motivos, Lampião foi, incontestavelmente, o rei dos cangaceiros. 

É correto afirmar que a morte de Corisco determina o fim do cangaço?

Desde 1935 (ano do Levante Comunista) até 1938 (massacre do Angico), vários cangaceiros conhecidos  foram assassinados. Em 1938, Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros são assassinados e decapitados após o Massacre da Grota do Angico. Ou seja, a partir de 1935 a intensidade do combate ao banditismo sertanejo aumenta, e após 1937, pode-se dizer que seria decretado o fim do cangaço. Na prática, o assassinato de Lampião em 1938 representou, de fato, a eliminação do cangaço como fenômeno social, como um elemento de forte presença cultural e criminológica no ambiente sertanejo. A partir daí, muitos bandos se rendem, se entregam às forças policiais. Foi assim com os bandos de Pancada e de Vila Nova, em Alagoas.  O próprio Corisco, iria se decidir por abandonar o cangaço.  Mas em sua fuga, perderia a vida pelas mãos do tenente Zé Rufino.  Corisco era um dos mais importantes chefes de subgrupos, se autodenominava “Chefe dos Grandes Cangaceiros”. Por isso, simbolicamente, muitos consideram seu assassinato, em 25 de maio de 1940, o fim do cangaço, já que ele foi o último líder importante a perder a vida. 

O avanço tecnológico foi determinante para o fim dos cangaceiros? 

São muitos os motivos para o fim do cangaço.  Entre as diferentes variáveis, o fator tecnológico certamente conta, ainda que seu peso seja relativo.  O cangaço iria terminar mesmo sem a superioridade dos equipamentos da polícia.  Mas, de fato, o armamento utilizado pelas forças policiais nos anos 1930, e principalmente após o Estado Novo, fez alguma diferença. Vale lembrar também que as tropas começaram a utilizar o rádio para se comunicar.  E que muitos soldados das volantes transitavam no sertão em caminhões, o que lhes dava maior velocidade e mobilidade na região. 

É possível traçar algum paralelo entre a atuação dos cangaceiros com os jagunços e pistoleiros que atuam nos dias de hoje?

Os jagunços e pistoleiros são contratados de políticos e potentados rurais, são assassinos a soldo, por vezes, solitários, que matam, em geral, de tocaia.  São, normalmente, desprezados pela população, vistos como “paus mandados”, como covardes.  Já os cangaceiros andavam em bandos, eram nômades e, mesmo que pudessem receber apoio e proteção de coiteros poderosos, não eram assalariados de ninguém.  Podiam até fazer “serviços” para “coronéis”, mas eram, em geral, “autônomos”, não tinham patrão.  Eles também não matavam pelas costas, de tocaia, escondidos. Enfrentavam os inimigos frente a frente, combatiam forças policiais, mostravam bravura.  Assim, enquanto os pistoleiros até hoje são vistos como indivíduos desprezíveis no meio sertanejo, os cangaceiros gozam de maior prestígio. Como diria Câmara Cascudo, “o sertanejo não admira o criminoso, mas o homem valente”. Na visão de muitos, os “crimes” daqueles bandoleiros seriam algo “secundário” se comparados à valentia, bravura e coragem dos cangaceiros diante das adversidades, das agruras do sertão, das perseguições e dos combates. Por isso, há uma distância muito grande entre esses tipos de indivíduos. Além disso, o cangaço apresentava uma “organização social” muito peculiar.,

http://www.brasildefato.com.br/node/6182

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Jornal de Alagoas, 9 de novembro de 1938


Quem era o bandido que não foi identificado no sucesso de Angicos.

Quando a força policial sob o comando geral do capitão João Bezerra, no feliz reencontro de “Angicos”, fulminou o facínora “Lampeão” e os mais temíveis de seus asseclas, um dos cangaceiros não fora identificado.

Surgiram até, comentários em torno do bandido desconhecido, pensando algumas pessoas que se tratasse de um aventureiro que houvesse se incorporado ao grupo sanguinário do “Rei do Cangaço”.

Assim, por muito tempo ficou constituindo uma interrogação a identidade do mesmo. Entretanto, agora, chegam ao nosso conhecimento informações a respeito do famigerado desconhecido, enfim sua identificação.

Fonte: facebook
Página: Paulo George‎ Cangaço Paraiba

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Um bandido de menos – prisão de “Revoltoso“ - Jornal: A Tarde, edição de 18/08/1933


Um bandido de menos – prisão de “Revoltoso“ - Jornal: A Tarde, edição de 18/08/1933. Desse modo, está identificado mais um cangaceiro, na famosa foto da fazenda jaramataia - no estado de Sergipe.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta.

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Lampião em Canindé do São Francisco - Sergipe


No dia 05 de Janeiro de 1932, Lampião invade a cidade de Canindé do São Francisco no Estado de Sergipe, com 32 cangaceiros, deixaram uma marca de destruição. Com a ajuda de um coiteiro, Lampião fez as volantes acreditarem que o seu bando estavam no lugar Pias do Felipe, com a saída das forças, começou o ataque. Residências foram incendiadas, inclusive a delegacia, e moradores foram espancados. Ao saírem de Canindé Lampião e seus homens se dirigiram-se para esconderijos nas localidades da região.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

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Geminiano Luís Sarmento - o Cabo Grilo


Geminiano Luís Sarmento - o Cabo Grilo

Cabo grilo fazia parte da volante de Ten. João Bezerra, e ficou na retaguarda no combate de Angicos/SE, tendo chegado ao local, depois da morte dos cangaceiros.

Em entrevista ao pesquisador "Vilela", assim se pronunciou o Cabo Grilo:

"Eu cheguei depois das mortes (Lampião...). Eu fui enterrar os corpos uns quatro dias depois. Os corpos podres, fedendo feito á porra. Quartorze dias depois, fui desenterrar novamente... (por ordem do Ten. José Lucena)..."


Fonte: facebook
Página: Paulo George

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Porto da Folha - Sergipe


No município de Porto da Folha (SE) existia a fazenda Lagoa de Crauá de João Domingos que também era coiteiro de Lampião e Zé Sereno. Numa certa feita os cabras tiveram um tiroteio com as volantes de Zé Rufino e Cabo Besouro. Dentre mortos e feridos Novo Tempo foi alvejado no braço e logo retirado do campo de batalha e colocado no mato pelos seus amigos. Após o combate os cangaceiros fogem sendo avisado por Zé Sereno que tal cabra não se encontrava entre eles. Novo Tempo andou vagando uns dois dias pelas caatingas sergipanas procurando auxilio, já tendo seu ferimento do braço em lastimável estado inclusive com larvas e inchaço causando fortes dores.

Leônidas, o filho da dona da fazenda Pedra D’água foi quem avistou Novo Tempo se aproximando de tal fazenda, gravemente ferido e começou a cuidar do cabra a base de creolina pois as larvas (varejeiras) já se espalhavam pelo corpo todo e logicamente se concentrando no braço lesado que inclusive já cheirava mal. Após este tratamento inicial Novo Tempo pede um cavalo e mesmo ferido parte com destino a fazenda Cuiabá com grande dificuldade durante dois dias no mato.

As moscas varejeiras retornam ao ferimento do cabra e mais larvas surgem em tal lesão, já no sexto dia resolve procurar socorro na fazenda Pau Preto de Antônio Carvalho grande coiteiro sergipano. Novo Tempo encontra um vaqueiro da fazenda chamado Antônio José quase sem força e o mesmo se prontifica para ajudá-lo levando-o até um lugar no mato bem fechado e tirando o revólver 32 do próprio Novo Tempo encosta o cano da arma no ouvido do pobre cangaceiro e dispara. Quando o falso coiteiro ia começar a rapinagem dos bens de Novo Tempo chega Juriti e Balão.

Esses dois cangaceiros vieram devido aos tiros que ouviram e perguntaram para Antônio o porquê do tiro e também por Novo Tempo. O coiteiro mentiroso falou aos cangaceiros que foi uma cobra que acabara de matar e que Novo Tempo estava ali próximo, vale lembrar que esses dois cabras vaziam parte do sub grupo de Zé Sereno, que como já se sabe era cunhado de Novo Tempo, e que este chefe de cangaceiro tinha mandado várias patrulhas para tentar encontrar seu cunhado.

Os dois cabras foram em busca de Novo Tempo e o coiteiro aproveitou e montou seu cavalo e fugiu para a fazenda Santa Filomena também de Antônio Carvalho pois sabia que ali se encontrava seu patrão. Juriti e Balão ao chegar no lugar indicado pelo coiteiro já pensava em levar o cadáver do amigo mas quando Alçi chegou não encontrou o corpo do cangaceiro só sangue fresco no local e marcas de alguém que se arrastara pelo mato feito cobra. Mais adiante os cabras encontraram Novo Tempo saciando sua sede.

Os cabras pegaram o amigo e foram pegar seus cavalos e perceberam que o coiteiro não mais estavam ali. Novo Tempo mais morto que vivo foi levado para a fazenda Mandassaia onde era o coito de Zé Sereno sendo tratado pelo próprio cunhado se alimentando apenas de alimento liquido. Dias depois Zé Sereno pergunta para Novo Tempo: 

- O ferimento do braço foi na fazenda de João Domingos e esse buraco na cabeça?

Novo tempo não conseguia se expressar direito devido a lesão na cabeça mas conta ao cunhado tudo o que aconteceu com Antônio José, o coiteiro traidor. Quando Antônio José chega na presença de Antônio Carvalho e conta todo o ocorrido, o coiteiro-mor diz:

- Você se meteu em desgraça pois saia dela, de sua família eu cuido, mas para você não dou um tostão furado.

Este coiteiro ainda ficou escondido pelo mato algum tempo, mas não aguentando volta para sua casa na Fazenda Pau Preto. Zé Sereno chega em tal fazenda pega o Judas e o leva para o mesmo lugar onde tentou matar Novo Tempo, penduram Antônio de cabeça para baixo e começa a balançar o corpo do coiteiro e no vai e vem os punhais são usados pelos cangaceiros de Zé Sereno que matam Antônio José desta forma. Muito tempo depois logo após as entregas Sereno disse ao cunhado:

- Cunhado, você não está estranhando este caroço no pescoço

Novo Tempo responde: 
- Estou sim...

Zé Sereno então diz que é a bala de Antônio dos Pau Preto e pergunta se Novo Tempo quer que ele extraia a bala com o consentimento do cunhado Zé Sereno pega uma faca de lâmina bem afiada derrama cachaça e extrai a bala que entrou pelo ouvido e que cujo projétil o corpo estava rejeitando.

Vale ressaltar que Novo Tempo morreu de velho em algum lugar de Minas Gerais.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

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A fazenda Quirino, no povoado São Francisco, Macururé, Bahia era coito de cangaceiro


A fazenda Quirino, no povoado São Francisco, Macururé, Bahia, era um dos coitos do bando de Lampião e principalmente reduto dos cangaceiros nascidos entre Macururé, Brejo do Burgo, Santo Antonio da Glória e Chorrochó. Entre eles Gavião, Azulão, Esperança, Cocada, Zé Sereno, Zé Baiano e Gato. No povoado São Francisco a mãe de Esperança, dona Andressa, tinha terras por lá, porém ela residia na Várzea da Ema. O comandante de volante que destacava na Várzea da Ema era Antonio Justiniano e dois dos soldados que ele comandava eram irmãos de Esperança: Vicente, apelidado de Medalha e Ananias. A fazenda pertencia a Ludugero, tio do cangaceiro Esperança.Esperança, Cocada, Pancada e Gavião, encontravam-se acoitados próximo ao sítio Quirino. Dentro de um cercado os cangaceiros catavam imbu quando chegou o dono do terreno e Cocada o prendeu e depois o soltou. O sertanejo correu e foi avisar policia do encontro que teve com os cangaceiros.

Dona Andressa sempre que precisava ir ver suas criações no São Francisco tinha que pedir autorização ao comandante do destacamento e foi em uma dessas viagens que ela travou diálogo com o contratado Reginaldo que lhe sugeriu pedir para que Esperança se entregasse que nada lhe aconteceria, de preferência que ele trouxesse a cabeça de um companheiro que sua vida tava garantida. Andressa levou o recado ao filho que mesmo relutante acabou cedendo aos apelos da querida mãe. Reginaldo mandou roupas novas de mescla azul para Esperança. O cangaceiro ainda relutante disse a mãe que não tinha coragem de se entregar e a mãe saiu triste.

Era março de 1933, no coito encontrava-se Esperança, Cocada, Gavião e Pancada. Esperança chamou Cocada para irem pegar água em um caldeirão ali próximo. Os dois seguiram na direção do caldeirão. Diante quando chegaram ao caldeirão sentaram-se e ficaram conversando. Cocada limpou sua arma e depois pediu a arma do amigo para ele limpar e Cocada entregou seu mosquetão. Esperança limpou, colocou uma bala na agulha e detonou. O cangaceiro com o impacto do tiro caiu uns dois metros de distância e sem saber de onde tinha partido o disparo pediu socorro:

- Me acode Esperança, não deixe os “MACACOS” me matar!

Esperança pegou o facão da marca jacaré, partiu na direção do moribundo e o degolou ainda com vida. Pegou os bornais, armas, a cabeça do cangaceiro e foi se entregar a policia.Na Várzea da Ema ele se entregou as autoridades, contou detalhes da morte que fez, denunciou os coitos dos cangaceiros na região. Com dez dias depois foi encaminhado para a cidade de Uauá, onde o capitão Manoel Campos de Menezes que o livrou da prisão e o incorporou na volante policial do tenente Santinho como contratado . Ficou sendo o corneteiro do grupo. Trabalhou em Jeremoabo e faleceu tempos depois na cidade de Juazeiro, Bahia.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

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Arlindo Grande: Ex coiteiro de Lampião


Arlindo Grande: Ex coiteiro de Lampião Arlindo residia no povoado Várzea, entrada do Raso da Catarina e foi nessa localidade que ele conheceu Lampião e seu grupo. Era um menino de 7 anos deparou-se com Lampião, na estrada. Este lhe pediu que subisse na lomba do seu cavalo e o levasse até sua casa. Lá o rei do cangaço conheceu seu avô João da Várzea e seus pais Quinca e Aristéia, e a partir deste encontro a sua residência passou a servir de coito, e era sempre um dos lugares preferidos pelos cangaceiros para realizarem os famosos bailes.

O velho Arlindo lembrava com saudade que Lampião vinha semanalmente para descansar. "Toda vez que ele chegava tinha festa: Matavam-se animais e o Cangaceiro que gostava de forró, logo organizava o baile".

Ele foi casado com dona Nina, irmã do cangaceiro "Bananeira". Faleceu na madrugada de 10 de setembro de 2012 Arlindo Grande, o maior vaqueiro da região de Paulo Afonso e um dos grandes coiteiros de Lampião.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Maria Bonita, Cila e Dulce conversam sentadas sobre uma pedra na Grota de Angico


Em 27 de julho de 1938, à noite, Maria, Sila e Dulce sentaram-se no alto de uma pedra para fumarem. Maria botou para fora a raiva que estava de Lampião e as três conversaram bastante, inclusive sobre o que aconteceria se fossem presas. 

A cangaceira Sila

Maria Bonita dizendo que se fosse presa por uma volante baiana não teria muitos problemas, pois tinha primos que sentaram praça. Cila, por sua vez, disse que preferia as volantes de Sergipe. 

Ao centro a cangaceira Dulce 

Em determinado momento, Cila chama a atenção das amigas para uma luz que acendia e apagava ao longe. “- Não será luz de pilha (lanterna)”, perguntou?. Maria Bonita, que era a mais experiente, não deu bola e disse que era vagalume. Ledo engano. Era a tropa que avançava.  

Fonte: 
http://cangaco.com/2012/07/20/o-ultimo-combate-de-lampiao

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Ataque à cidade de Souza na Paraíba

Foto colorida pelo pesquisador Rubens Antonio 

27 de Julho de 1924 - Lampião manda um subgrupo com 84 cabras tendo o comando dos cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Sabino Gomes, Paizinho, Meia-Noite e o fazendeiro Chico Pereira atacar e saquear a cidade de Sousa - PB. 

Tudo na cidade virou alvo de saque, os cangaceiros roubaram o comércio, residências, tendo a cidade um prejuízo incalculável. O principal alvo era o coronel Otávio Mariz, desafeto de Chico Pereira que fugiu. 

O cangaceiro Chico Pereira - foto colorida pelo pesquisador Rubens Antonio

O juiz Dr. Archimedes Soutto Mayor foi humilhado em praça pública pelo bando. O destacamento local era comandado pelo tenente Salgado que nada pode fazer. Depois desse ataque o coronel Zé Pereira, de Pincesa Isabel - PB, nunca mais deu proteção ao cangaceiro. 

Fonte: Wikipedia

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A HORA DA AURORA

Por Rangel Alves da Costa*

A aurora, substantivo feminino e tão poético, é também conhecida por muitos nomes, muitas outras designações. Eis que aurora é a primeira luz da manhã, é amanhecer, alvorecer e alva celeste. Aurora é também o nome da deusa mitológica do amanhecer.

Aurora é claridade que precede o nascer do sol, vem antes da própria manhã. O homem desperta, abre a janela e abraça a aurora como se fosse a vida. Instante em que as folhagens enxugam os olhos do orvalho, as pétalas das flores se movem esperando a primeira luz, a natureza vai despertando exuberante e encantadoramente bela.

E ainda quantos nomes bonitos para a aurora, assim como alvor, alvorada, dilúculo, antemanhã, advento, primeiro sorriso, primeira palavra, primeiro gesto. Hora em que o homem ainda se despede dos sonhos e a vida já começa a luzir lá fora.

Dizem que o galo desperta na aurora e canta para chamar a manhã. Mas o que o homem ouve não é o canto do galo, mas a cantiga da madrugada olhando para a noite amada e a ela dizendo que voltará para novo encontro na escuridão.

Com a aurora se tem os primeiros anos de vida, a infância, a criancice. Assim, no homem, aurora é o princípio de tudo. Neste sentido escreveu o poeta Casimiro de Abreu: Oh que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais...


Por aurora se tem a primeira claridade de uma visão, o começo, a origem, a parte primeira de qualquer coisa. As cores na paleta do artista que sobe o monte ainda na escuridão para pincelar os primeiros movimentos do dia. Também é aurora o primeiro pensamento buscando a mulher amada.

Na Bíblia, a aurora do mundo, do homem e dos seres está na Criação, no Gênesis. Eis que no início de tudo, na aurora da existência, Deus criou os elementos e deu o sopro da vida para que seguissem os seus destinos.

Aurora que é irmã do Sol e da Lua, e de tão bela jamais envelhece. Adormece quando irrompe a manhã, mas não sem antes alimentar os seus quatros filhos, que são os ventos norte, sul, leste e oeste. Ao se despedir com seu tênue fulgor, deixa no rastro uma luz maior, que é abraçada pela manhã e que dá cor à paisagem quando a janela do dia é aberta.

Mas aurora também é instante de nascimento da luta, do despertar para o labor do dia. O homem acorda antes do amanhecer porque a manhã já é seu suor. Levanta no bronzeado da hora e vai encontrando outras cores pelo caminho.

Sertanejo que se preza levanta ainda na madrugada. Na luz do candeeiro faz a benção primeira, procura apetrecho, ajeita o gibão, vai alimentando o embornal e coloca num canto a ferramenta de luta. Abre a porta ao alvorecer, olha pra barra todo esperançoso de chuva, depois acende o fogão e esquenta o café.

Ou mesmo vai se preparando para tirar o leite da vaquinha no curral. Ajeita o balde, estica a corda, se assegura de tudo. O leite sai quentinho do peito da vaca, esguichado no prato com farinha seca. E esse primeiro alimento do dia é o de mais sustança que possa existir naqueles sertões. E quando a manhã ainda nem despontou o leite já está sendo derramado por cima do cuscuz de milho ralado.

Na aurora a prostituta se despede da vida. Ou daquele momento da vida. Ainda pintada, cheirando a bebida e sexo, com olhos pintados e pálpebras injetadas, toma a última dose, acende um cigarro e procura o último cliente. E depois foge da manhã com medo do sol e da nudez de sua face.

A cidade ainda nem acordou e a aurora já se faz pronta para ir embora. Poucos são aqueles que acordam para viver a magia desse momento. Ora, não é noite nem madrugada, não é manhã nem luz do dia. Apenas uma fronteira onde a escuridão encontra as primeiras cores de um novo tempo.

Poeta e cronista
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O Relatório do Tenente Geminiano

Por Rubens Antonio
Tenente Geminiano José dos Santos

Relatório do Capitão José Galdino de Souza, de Senhor do Bonfim sobre Relatório do tenente Geminiano José dos Santos, relativo ao Massacre de Queimadas, com transcrição daquele, encaminhando-o à Secretaria de Policia e Segurança Pública da Bahia.

Peça importante para o entendimento deste evento referencial no Cangaço, relata, a partir do ponto-de-vista do tenente Geminiano, o massacre de Queimadas.

Documento relevante, especialmente por o tenente Geminiano ter sido morto, mais tarde, em confronto com o bande do cangaceiro Lampeão.

Conseguido por mim, em levantamento em arquivo de documentos da Polícia Militar da Bahia.
.
Ao Exm° Sr. dr. Bernardino Madureira de Pinho
M.D. Secretario de Estado, Policia e Seguraça Publica da BAHIA

Divulgado o horrendo morticinio de 7 (sete) praças do destacamento da Villa de Queimadas, praticado pelo bando “Lampeão” em a tarde de 22 do expirante, ás 3,35 minutos da manhã de 23, em trem especial, fiz seguir áquella Villa, o 2° Tenente Geminiano José dos Santos para garantia e em uma incumbencia, tambem, de prestar informes sobre a chacina, cujo relatorio feito com o auxilio perspicas e intelligente do Sr. CPm. Médico Dr. Arthur Xavier da Costa, moço este, durante a minha acção nesta cidade muito vem concorrendo para a bôa ordem publica e incitamento de coragem aos camaradas cntra o banditismo que infelizmente vem demorar a sua extinção.

Na integra transcrevo a Vossa Excellencia o Relatorio que acima referi:
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“RELATORIO APRESENTADO AO CAPITÃO JOSÉ GALDINO DE SOUZA, A RREPTO DA ENTRADA DE LAMPEÃO EM QUEIMADAS, PELO TENENTE GEMINIANO JOSÉ DOS SANTOS

Illmo Sr. Capitão José Galdino de Souza, em conformidade com as vossas ordens afim de apurar as occorrencias da incursão de Lampeão em Queimadas no dia 22 de dezembro corrente tenho a dizer–vos que me transportei áquella Villa, trem especial ás 3,35 da manhã de 23, e lá chegando, procurei logo o Sr. Dr. Arlindo Simões que me historiou do facto e com o mesmo vos dei conhecimento pelo telegrapho do occorrido. Procurando em seguida o Dr. Manoel Hilario Nascimento, Juiz Preparador do Termo que me forneceu as informações seguintes: Em cerca de 3 horas e 40 minutos da tarde de domingo 22 treis individuos em trages de cangaceiro se dizendo mesmo caibras de Lampeão e que depois elle soube serem Marianno, Antonio de Engracia e Gavião invadiram a sua residencia exigindo pagamento em dinheiro; que á sua recusa elles responderam que nesse caso se considerasse preso e elle, reacção nenhuma podendo fazer, ficou á discrecção dos mesmos. Tempos depois entrou o proprio Lampeão com parte do seu grupo trazendo o sargento Commandante do Destacamento, que não foi logo por elle reconhecido pelo facto de se achar a paisana, o que elle fazia questão de accentuar pois era a primeira vez que via o sargento em trajes não militares. A elle foi confiado, occasião, a guarda de todo o armamento do destacamento que ficou depositado em sua casa até a hora da saida, pela madrugada. Em seguinda o proprio Lampeão exigiu do Juiz preparador, mesmo de pyjama como se achava, a sahida á Rua afim de apresental–o as pessoas que podessem lhe fornecer dinheiro; que o Juiz reccusando sahir de pyjama por ser um autoridade e não lhe ficar isso bem o proprio Lampeão concordou em que fossem chamadas as pessoas em sua casa para ahi, determinar as quantias com que casa um devesse contribuir para o saque; que pelo proprio official de Justiça elle mandou chamar alguns negociantes cujos nomes eram tomados pelo proprio Lampeão sendo elle mesmo Lampeão quem prefixava a quantia. A proporção que cada negociante se apresentava, dava o nome e por sua vez o mesmo negociante ia indicando outros que podiam tambem entrar com dinheiro.
Obtidas essas informações do Juiz Preparador ouvi pessoas outras na localidade que me informaram, mais ou menos, o seguinte: Em as 15 horas de domingo 22 de dezembro foi visto um grupo atravessando o rio em canôa, grupo esse que pareceu a muita gente ser força Pernambucana; que dois ou treis delles se dirigiram logo a estação da estrada de ferro que foi fechada sendo preso o telegraphista; que Lampeão e mais cinco do seu grupo se dirigiram para o quartel onde surprehenderam o sargento e mais 5 praças sendo as duas restantes presas na rua e conduzidas ao quartel; que o sargento Evaristo Carlos da Costa, commandante do destacamento lhe informou que só deu pela presença do grupo de Lampeão quando já habia galgado a escada que dá acesso para o Quartel estando os fuzis e a munição de reserva, em outro compartimento, não lhes foi possivel uma reacção dado o imprevisto da chegada. Informou mais, o sargento, com testemunho de outras pessoas da localidade que, Lampeão, recolhidos os soldados no mesmo xadrez, em que estavam os criminosos, os foram postos em liberdade, exigiu do sargento a entrega de armamento e da munição; que elle, mesmo sem poder fazer redução respondeu que não podia dar armamento e munição pois que estava sob guarda e delles era responsavel; que Lampeão respondeu que a responsabilidade delle tinha cessado, pois que naquelle dia, alli em Queimadas, elle Lampeão, era tudo – Chefe de Policia, Governadôr, tudo enfim; que em seguida perguntou–lhe se sabia onde era a casa do Juiz obrigando–o a ir com elle até lá, onde depoisitou o armamento já tendo sido a munição repartida entre os caibras, munição essa que era calculada em cerca de SEISCENTOS CARTUCHOS; que em casa do Juiz permaneceu longo tempo sempre guardado indo depois ao bar do Cirsio onde os caibras quizeram que elle bebesse; que á sua recusa lhe foi offerecida gazoza, que elle tomou por lhe ser impossivel reccusar; que nessa ocasião foi avisado de que a noite haveria um baile e que elle estava convidado para dansar; que, com a bebida, tambem recusou dizendo que nunca havia dansado ao que não insistiu; que em seguida levaram–no para a casa do sr. Amphiloquio Teixeira onde permaneceu longo tempo; que teve varias oportunidades dentre ellas se lembra da occasião em que estava na casa do Juiz, de fugir, mas não o fez por ser um ato de covardia embora estivesse certo de ir morrer sendo que uma das vezes pediu a um popular, seu conhecido, uma arma para suicidar–se idéa logo affastada pelo facto da difficil aquisição da arma; que viu varias pessoas confabulando em casa do dr. Amphilophio Teixeira com o bandido Marianno, seu principal guarda, sendo que uma daz vezes aquelle respondeu: – não, não sei. vou falar com o capitão mas acho difficil; que só depois veio a saber que esta confabulação tinha por fim a obtenção de sua liberdade, nem um pedido porem, tendo feito elle até então; que chegou Lampeão, cerca de 5 horas da tarde depois de conversar com pessoas da casa do dr. Amphilophio e com o proprio Marianno perguntou–lhe se elle sargento Evaristo não sabia que tudo que elle Lampeão prometia cumpria; que respondeu que já tinha ouvido fallar nisso; disse–lhe isto que tinha perdido um homem em Aboboras, a quem era tão grato que se matasse toda a Força Publica não lhe pagava o companheiro perdido e a quem lhe devia a vida. Em seguida Lampeão communicou–lhe que aberta para elle uma excepção coisa rara aliás, resolvendo não mais matal–o e que elle podia ficar á vontade que nada mais lhe aconteceria; que tendo Lampeão lhe communicado que ia fazer uma besteira no quartel e comprehendendo elle que isso significava a morte dos seus companheiros que estavam presos elle então disse a Lampeão: – vou lhe fazer o primeiro pedido, depois que eu estou preso; não desejo assistir a morte dos meus companheiros; ao que Lampeão lhe respondeu ser indifferente, que podia deixar de ir sendo–lhe exigida ainda a entrega de dois fardamentos kakis, que elle mesmo foi buscar em sua casa sendo esta mais uma das vezes em que não quiz fugir; que tão atordoado estava com os factos desta tarde que nem ouviu os estampidos dos varios tiros com que foram trucidados seus companheiros, só mais tarde, por occasião da saida do grupo foi que veio a saber da chacina havida. Pude apurar por informações da população e principalmente do Juiz Preparador que o sargento já havia dado provas de energia principalmente na occasiao da passagem de Curisco nas visinhanças de Queimadas quando queimou a Estação do Rio do Peixe e que com os proprios soldados era sempre energico mas não passava desapercebido á população o abandomno principalmente por parte das praças e que todos se admiram da facilidade do sargento nesse dia em que foi surprehendido por Lampeão. Outras informações foram por mim colhidas e que embora não tenham grande ligação com a minha funcção não é de mais que as traga ao vosso conhecimento, antes porem digo devo informar–vos que os nossos companheiros ás cinco e treis quartos, mais ou menos, foram barbaramente trucidados por Lampeão e seu grupo tendo Lampeão da casa do Juiz, se feito acompanhar pelo carcereiro até ao Quartel; que lá chegou Lampeão e mais dois outros entraram acompanhados pelo carcereiro que recebeu ordens de abrir o xadrez; que o quartel, no tempo do occorrido entre a prisão e a chacina ficou sob a guarda de seis criminosos que foram soltos por Lampeão sendo dois delles praças comdemnadas, digo a espera do julgamento; que as praças no dia seguinte voltaram ao quartel mandando o Juiz já que ellas não quizeram fugir ficassem em liberdade e que os quatro criminosos evadiram–se; verdade dessas informações áquellas passadas no proprio officio do quarte, algumas dellas eu obtive dos proprios que foram testemunha de vista da chacina; que aberta a porta do xadrez pelo carcereiro Lampeão ordenou ao primeiro soldado que desceu a escada ... dois tiros na cabeça dados pelo bandido Antonio conhecido por VOLTA SECCA em seguida sangrando o soldado quasi cadaver; que ao ouvir dois estampidos o carcereiro confessou não mais ter animo para abrir a porta do xadrez, sendo o proprio Lampeão quem, com um ferro levantou a lingueta da porta do xadrez deixando passar o segundo soldado que teve o mesmo castigo e assim todos os outros; que o proprio carcereiro foi empurrado por Marianno para ter a sorte que Lampeão não fez dizendo; que elle não era macaco e que tinha familia grande, que dahi se dirigiram á Pensão todos os dezoito do grupo, só o Ezequiel Ferreira, PONTO FINO, irmão de Lampeão não comeu se queixando de que tinha apanhado um resfriado havendo quem pense que elle esteja tuberculoso, pois confessou que estava muito doente e que precisava descançar; após o jantar que não pagaram e onde foram servidos por representantes de casas commerciaes da Bahia dirigiram–se para o Cinema onde forçaram o proprietario a dar uma secção cinematographica seguindo–se depois as dessas para o que convidaram varias familias da ocallidade; assim dançaram em a casa do Sr. Antonio Felix Baptista, na casa do Sr. Antonio Ferreira de Araujo, representante do Banco do Brasil e proprietario do Cinema e na Sociedade Recreio queimadense onde permaneceram até a hora de se movem cerca de duas e meia hora da manhã; que tanto durante a scção cinematographica e como durante as dansas, apenas tomaram parte 10 inclusive Lampeão, ficando os outros oito fiscalizando as immediações e até mesmo a Estação. em um quadro feito a lapis da Sociedade Recreio Queimadense, o proprio Lampeão traçou as seguintes palavras que transcrevo: “22 dezembro de 29, Peço desculpe a o Governador Em eu Capm. Lampeão dar Este Paceio aqui em Queimada e asesti Em Um Senema lhe didio devera não Endoide Seu Governador Vitá Suór apois com Sua perseguição Estou engordando até penço que vou é mi cazar. Seu superior, Cap. Virgulino Ferreira Lampeão.” – Convem accentuar, como homenagem á sua memoria para que sirva de estimulo que seus companheiros que o soldado Aristides Gabriel de Souza ao ser convidado por um dos bandidos para levantar o rosto porque ira morrer, Respondeu: – Vocês matem um homem, covardes, porque pegaram de surpreza seus descarados – deste ato de coragem que lhe valeu maior trucidamento do que seus companheiros, peço e indo communicar–vos que, por investigação pessoal do dr. Xavier Costa, que alli se achava no serviço de exhumação dos referidos cadaveres por ordem do Exm° Sr. dr. Secretario da Policia, fui informado que a p. da Pensão, Lampeão, em um momento do intima expansão disse ter assassinado Curisco porque estava se tornando muito altivo e ousado, o que parece ser uma verdade porque os seus companheiros de ataque á estação do Rio do Peixe estão todos com Lampeão não se fallando mais em Curisco.

Assim, cumprindo as vossas ordens declaro, ainda, como um preito de justiça, que para perfeito desempenho da minha missão contei com o auxilio valioso, em todas as investigações, como boa vontade do Sr. Capm. dr. Arthur Xavier da Costa, segundo vosso pedido a elle feito. Saudações

CIDADE DO BONFIM, 24 DE DEZEMBRO DE 1929
(A) Tenente Geminiano José dos Santos.”
Respeitosas Saudações
Cidade do Bomfim, 25 de Dezembro de 1929
Capm. José Galdino de Souza

Fonte: blog do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio: http://cangaconabahua.blogspot.com

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Onaldo Queiroga - crônica da semana


O melhor amigo

Vivemos um tempo em que o afeto é algo raro. O homem se apresenta exausto, insensível e incrédulo. Aos poucos, ele quase não destina palavras e ações de carinho aos seus familiares e amigos, ou, deles também não recebe a atenção e o apreço devidos. São tempos de isolamento, onde cada um, quando chega em sua residência, se refugia em seus quartos. Ali, assistem ao canal que desejam, acessam os sites, e-mails e o face. Conversam com o mundo, porém, esquecem de dialogar com seus irmãos, pais e filhos, que se encontram sob o mesmo teto. Um caminho inóspito, que contribui para o dilaceramento da família.

Nesse contexto, percebemos que o homem busca cada vez mais a companhia de animais, principalmente cães. E aí, vem o pensamento de que o cachorro é o seu melhor amigo. Verdade ou não, o certo é que esse animal tem uma relação próxima com o ser humano. Milan Kundera declara que: “Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.” Já Roger Caras afirma: "Cães não são nossa vida inteira, mas eles fazem nossas vidas inteiras."

Citarei dois exemplos desse tipo de relação. No primeiro, um amigo resolveu criar um cachorro, e passou a ensiná-lo algumas coisas, sob a orientação de um adestrador. Percebeu que, ao chegar em casa, o cachorro fazia a festa, o bichinho lhe dava muita atenção. Com alimentos na mão, ele mandava o cão sentar, buscar objetos, e o animal prontamente o atendia. O amigo, então, nos falou: - “Em poucos meses, consegui que esse cachorro fosse mais obediente e atencioso do que os filhos e a mulher.” Isso nos fez lembar a frase de Bill Maher: “A razão de eu amar tanto o meu cachorro é porque quando chego em casa ele é o único no mundo que me trata como se eu fosse ‘Os Beatles’.” O segundo amigo, lá do sertão, certo dia, sentado em sua calçada, onde a noite conversava com vizinhos, começou a receber a visita diária de uma cadelinha. Ela se afeiçoou e, hoje, Baleia, como foi apelidada, firmou residência na casa de Dedé. Para onde Dedé vai, Baleia vai atrás. Se Dedé sai durante o dia para atividades laborais, Baleia o acompanha. Se vai ao banco, ela segue o seu dono. Se vai à missa, lá está a cadelinha fiel, nos pés de Dedé, sentada e atenta aos movimentos do amigo.

Tive dois poodles. Fugiram, e a saudade é grande. É aquela afirmação de Alexandre Pope: "A história tem muito mais exemplos de fidelidade dos cães do que dos amigos." Ou como diz Fabrício Bravim: “É melhor ter um cachorro amigo do que um amigo cachorro.”

Onaldo Queiroga

Enviado pelo poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueana Kydelmir Dantas

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Meu aniversário


Como todo ser humano aniversaria eu não sou diferente. Estou completando mais um ano vivido. Alguns reclamam da vida. Outros dizem que é melhor morrer novo do que velho. Outros querem viver, viver mais e mais. Eu sou um desses que quer viver. Viver é bom, mesmo com dificuldade, com decepções, odiado por uns e amado por outros. 

Agradeço ao grande Deus por aceitar que eu ainda continuo sobre o solo do seu planeta. O Michael Jackson, o Elvis Presley, John Lennon, e outros famosos não chegaram a minha idade. Tenho é que agradecer a Deus por aceitar que eu continuo ocupando um lugar no espaço. 

23 de Maio de 2007, era o dia do meu aniversário, e às 4:00 horas da manhã, acordei quando alguém me chamava e me comunicou que meu segundo irmão Francisco Mendes Pereira (Chico Mendes), havia falecido em um Posto de Saúde.

Elizabeth minha irmã, já falecida Toinha minha cunhada e Chico Mendes meu irmão, falecido no dia do meu aniversário.

Sentiu-se mal, foi ao "PAM" andando, e meia hora depois veio a óbito. Não deu tempo para ser socorrido pelo Samu, que já estava a caminho do "PAM" para levá-lo até ao Hospital Regional Tarcísio Maia. A causa: Insuficiência respiratória.

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Flora Novais, o coronel Epaminondas e a rainha do cangaço Maria Bonita abaixo

Fonte: facebook - Pág.: Sergio RobertoLampião, Cangaço e Nordeste

Flora Novais e o coronel Epaminondas, chefe politico de Cabrobó, no Estado de Pernambuco,  recebeu Virgolino Ferreira da Silva, o famoso bandoleiro do sertão Nordestino Lampião e seu grupo. 

Fonte: facebook - pág.:Trabalho do profissional Sérgio Roberto

Se a nossa rainha do cangaço Maria Deia do afamado capitão Lampião era Bonita em preto e branco, agora ficou mais bonita ainda com os seus detalhes coloridos.

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Visita ao túmulo de Jararaca - O cangaceiro


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Fonte Youtube

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