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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A MORTE DO BOI MANSINHO POR DR. FLORO BARTOLOMEU DA COSTA


Certo amigo (Delmiro Gouveia) ofereceu ao Padre Cícero um bonito garrote, mestiço de zebu, por ser raça ainda não conhecida naquele meio. Na impossibilidade de criá-lo dentro da cidade, confiou o tratamento do animal a um negro, de nome Zé Lourenço, residente no sítio "Baixa Dantas", do município do Crato.


Esse preto, quando ali chegou, já era "Penitente em sua terra", isto é, fazia parte de uma associação oficiosa, fundada pelos antigos missionários e ainda hoje tolerada por um ou outro padre.

Depois das perseguições religiosas ao Padre Cícero, começaram a fazer circular que Zé Lourenço, não tendo mais vida de penitente, abusava da crendice do povo, apresentando o "touro como autor de milagres".


Então se dizia que a urina do animal por ele era distribuída como eficaz medicamento para todas as moléstias, que dos seus cascos eram extraídos fragmentos para, em pequenos saquinhos serem pendurados ao pescoço, como relíquias, à moda do Santo Lenho; que todos se ajoelhavam em adoração diante do touro e lhe davam a beber mingaus e papas; enfim, tudo que uma alma perversa possa conceber.

Quando se procurava apurar a verdade, ninguém sabia informar, a começar pelos proprietários do sítio onde Zé Lourenço residia e trabalhava como rendeiro.

Os padres, não sei sob que fundamento, repetiam essas banalidades. O Padre Cícero, não obstante estar convencido da mentira, por diversas vezes tentou vender o animal; mas, não só Zé Lourenço, como também cavalheiros respeitáveis o impediam, fazendo sentir que além de ser inverdade o que espalhavam, o animal era um bom reprodutor e estava melhorando a raça do gado ali. Por isso mesmo todos os grandes e pequenos, o tratavam com carinho, mesmo porque era muito manso, donde veio a ser conhecido por "Mansinho".

Aconteceu que em um dos meses do ano atrasado, na ladeira do Horto, se deu um conflito entre um doido e alguns indivíduos  conhecidos por "Penitentes" e o inspetor policial do quarteirão.

Havendo ferimentos, foram presos os implicados por crime de natureza leve.

De acordo com o Padre Cícero, procurei, por meios brandos, conseguir acabar com a prática dos atos dos "Penitentes".

Os próprios "Penitentes" concordaram com a minha resolução entregando-me, para serem queimadas, as vestes apropriadas que ainda possuíam e as respectivas cruzes, as quais mandei queimar no cemitério.

Eles me informaram que às vezes, praticavam aquele ritual pelo hábito de suas terras, com o consentimento dos vigários e na intenção de sufragarem as almas do Purgatório, o que realmente não me era estranho.

Alguns amigos aconselharam-me nessa ocasião que eu desmascarasse os que acusavam Zé Lourenço de prática de feitiçaria. Respondi-lhes nada poder fazer, em virtude de ser ele morador no município do Crato.

Não sei quem informou o mesmo Zé Lourenço de que eu ia mandar prendê-lo.     O negro, supondo exata a notícia, no terceiro dia apareceu em minha residência. Foi quando o conheci pessoalmente.

Mandei prendê-lo, e, apesar das suas declarações, dele obtive a promessa de ir morar no Juazeiro, para evitar os boatos.

Ao mesmo tempo fiz vir o touro, e, de acordo com o padre, vendi-o para o corte, sob a condição de ser abatido pelo comprador em frente à cadeia.

Abatido o touro em frente à cadeia, em plena rua, às duas horas da tarde, perante centenas de pessoas, de acordo com o Padre Cícero, foi a carne conduzida para o açougue público, onde também foi vendida toda ela, não chegando para todos que quiseram comprá-la, visto ser da melhor qualidade.

Ao chegar a notícia, no Crato, de que Zé Lourenço não mais voltaria ao sitio Baixa Dantas, indo fixar residência no Juazeiro, recebi diversos telegramas, cartas e visitas de homens respeitáveis daquela cidade vizinha, empenhando-se para que eu não retirasse Zé Lourenço do seu sítio, tal a falta que ele fazia aos proprietários, pelo auxílio que lhes prestava nos trabalhos de agricultura, e em outros préstimos.

O pedido, porém, que calou mais no meu espírito foi o do capitão João de Brito, cunhado do nosso colega Deputado Hermenegildo Firmeza, o dono da terra da qual ele, Zé Lourenço, era rendeiro.

Consenti na volta do negro ao seu sitio, e assim terminou a história "das mil e uma noites" do touro "Mansinho".

Interrogando esses cavalheiros que se empenharam pela volta do negro, pelo motivo de não desmentirem os que o caluniavam, me responderam todos sempre assim terem procedido; mas que os boatos eram para desmoralizar o Padre Cícero e, dessa maneira, não podiam evitá-los.

Zé Lourenço, que não frequentava o Juazeiro, depois disso começou a frequentá-lo aos domingos para ali fazer sua feira, e, durante o tempo que eu lá estive, nesses mesmos dias, almoçava comigo, em minha casa, onde se hospedava.

(Extraído do seu livro Juazeiro do Padre Cícero –Depoimento para a história).

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O ÚLTIMO IRMÃO DA EX-CANGACEIRA DURVALINA



Segundo a cangaceiróloga Neli Conceição filha dos cangaceiros Moreno e Durvalina este era o seu tio Manú, o último irmão da Durvalina. Foi enterrado ontem (16 de outubro de 2016) no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Saquarema, onde lá ele fez sua vida. Manú era  do Estado de  Pernambuco e nasceu no Povoado Arrasta Pé.

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A ENTRADA DE LAMPIÃO EM JUAZEIRO

Por Analucia Gomes

Num misto de temor e de admiração, o povo não resiste à curiosidade. O fato foi descrito da seguinte forma: 

No dia 4 de março de 1926, Lampião e 49 cangaceiros chegavam a Juazeiro. Nas ruas, para vê-los, aglomeravam-se umas quatro mil pessoas. Estavam os bandidos bem armados e municiados. Vestiam, na maioria, brim cáqui. Calçavam alpercatas de rabicho e chapéu de couro. Usavam lenços de cores diversas amarrados ao pescoço. Conduziam rifles e fuzil máuser, revólver e punhal. Traziam à cintura três a quatro cartucheiras, acondicionando nelas, cada homem, um total de 400 balas (MONTENEGRO, 1973, p. 286). 

Havia, é certo, na trajetória e no encalço dos cangaceiros poderosos inimigos, pois essa lida dividia opiniões, mas nessa ousada investida os cangaceiros contavam muito com a habilidade de dialogar ou de alguém por eles exercer essa função com mandatários locais em diversas situações. 


Padre Cícero, poderoso que era, teve a sagacidade e, igualmente, a capacidade não só de contornar qualquer posição contrária, mas de receber o bando e cumprir com a promessa empreendida por Bartolomeu. 

Deputado Floro Bartolomeu

Concedeu a patente sugerida tanto por este e tão desejada por Lampião: Capitão. Padre Cícero redigiu a patente. O Dr. Pedro de Albuquerque Uchôa, engenheiro agrônomo, a pedido do padre, assinou o documento (OLIVEIRA, 1970, p. 58). 

Dr. Pedro de Albuquerque Uchôa

No entanto, Lampião não percebeu que fora logrado, pois o papel que o punha como oficial não teria valor, e, portanto, não gozava do reconhecimento das ditas Forças. * Pesquisa de Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Simão Pedro dos Santos.

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?fref=ts

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O LEGADO DE CHE GUEVARA


Carlos Alberto Nascimento de Andrade
Prof. do Departamento  de  Educação   da
Universidade do Estado do Rio Grande do
Norte – UERN.
         
Neste 8 de outubro de 2016, o mundo lembra e celebra com admiração o 49º aniversário da morte de Ernesto Guevara Lynch de La Serna, o Che Guevara, ocorrida em 8 de outubro de 1967 na localidade de La Higuera, Bolívia.  A despeito de toda parafernália consumista, onde a imagem de Che é vendida como marca de tênis, camisetas, biquínis, decalques, botons, cerveja e até de algumas biografias e matérias jornalísticas oportunistas, que têm como objetivo reduzir sua militância política a uma dimensão mercantilista, pretendemos lançar luzes que possam ajudar no entendimento de sua opção pelo internacionalismo proletário.
         
De origem pequeno-burguesa, nascido em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina, Che Guevarra não pode ser visto apenas como mais um idealista que fez de seu corpo trincheira de luta em defesa do socialismo, e que tombou com bravura e heroísmo nas selvas bolivianas. Ao lado do revolucionário Che, se faz mister analisar o legado que deixou para a humanidade.

Após a revolução cubana, Che, que havia contribuído decisivamente com outros companheiros para a derrocada de Fulgêncio Batista, poderia ter se acomodado com as tarefas naturais do poder revolucionário, pois havia sido designado Presidente do Banco Nacional de Cuba, e posteriormente Ministro da Indústria. No entanto, impulsionado pelos ideais revolucionários, por seu temperamento rebelde e altruísta, abdicou dos prazeres da burocracia do Estado e continuou sua luta em prol do internacionalismo proletário.
         
É verdadeiro afirmar que sua “derrota” só foi possível em decorrência da equivocada tática política que norteou suas ações guerrilheiras nas selvas bolivianas. Ao contrário de Cuba, onde havia forte movimento Nacional-Popular e Democrático de apoio aos revolucionários da Sierra Maestra contra a ditadura retrógrada de Fulgêncio Batista, na Bolívia, Che imaginava que a simples organização de um foco guerrilheiro fosse crescendo como uma bola de neve, até atingir as massas urbanas e rurais. Tal perspectiva não se efetivou, primeiro porque não havia grandes concentrações de camponeses em conflito com latifundiários (se é que havia latifundiários na região), bem como não haviam empresas agropecuárias, caracterizadas pela presença do capital, pela produção mecanizada voltada para o mercado e pelas conseqüentes relações de produção tendentes para o salariado puro que possibilitassem concentrar grandes massas de trabalhadores na zona rural daquele país. Segundo, talvez por motivo de segurança, uma vez que Che estava sendo perseguido, não houve interação política entre a guerrilha e o resquício de campesinato existente naquela localidade. Desta forma, por não entender os motivos da presença dos “barbudos” naquela região, os próprios camponeses cuidaram de delatar os guerrilheiros às forças armadas bolivianas. Por último, faltou uma direção política partidária, uma vez que a ação política guerrilheira ficou limitada a um praticismo guiado apenas pelo voluntarismo pessoal de Che e seus companheiros, faltando, portanto uma análise partidária da conjuntura econômica, política e social boliviana, condição indispensável para se definir a tática mais apropriada para aquele momento. Não encontrando respaldo da população, especialmente dos camponeses da região, Che ficou isolado e encurralado no gueto foquista que valentemente organizou. Nestas condições, juntamente com seus companheiros, foi alvo fácil para os chamados “Boinas Verdes” da CIA, lacaios da política imperialista dos EUA.
         
Se por um lado não podemos entender a luta guerrilheira de Che como modelo universal, pois as especificidades das conjunturas políticas e de estruturas econômicas de cada país determinam a forma de luta que deve ser desenvolvida, por outro resgatamos sua postura crítica e incorruptível, além de sua capacidade de renúncia pessoal em favor dos interesses coletivos. De acordo com sua origem de classe, Che poderia ter enveredado por caminhos do colaboracionismo com as classes dominantes retrógradas, colocando toda sua experiência e competência política a serviço dos “donos do poder” público de plantão; aliás, fato muito corriqueiro hoje em dia,  onde o oportunismo fisiologista é o elemento norteador da vida de milhares de carreiristas – entre estes alguns arrivistas e ex-militantes esquerdistas – que foram cooptados e atualmente prestam serviço – técnico e político –  aos diversos grupos de fascistas e reacionários que se apoderaram das instituições públicas brasileiras, e administram tais instituições como se fossem suas próprias casas. 
         
Ícone da juventude revolucionária e um dos grandes paradigmas do socialismo, Guevara nos deixa um legado de coerência, ética, desprendimento  pessoal e acima de tudo de solidariedade internacionalista. De sua obstinada luta pelo socialismo, a lição que fica é que não basta o sentimento de rebeldia, nem o desejo individual de mudança, se faz necessário administrar coletivamente essa rebeldia. Sob a direção de uma organização partidária, precisa-se analisar a realidade concreta, detectando as contradições estruturais e conjunturais, e sintonizando-as com o sentimento de mudança das “classes subalternas”.
         
Num extrato genial, pinçado de sua obra O Socialismo e o Homem Novo, Che, referindo-se à opção política que havia feito desde a juventude, sintetiza com maestria: “Todos e cada um de nós paga pontualmente sua cota de sacrifício, conscientes de receber o prêmio na satisfação do dever cumprido, conscientes de avançar com todos para o homem novo que se vislumbra no horizonte”.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NELSON XAVIER ATOR QUE INTERPRETOU O CANGACEIRO LAMPIÃO NA MINISSÉRIE “LAMPIÃO E MARIA BONITA” (1982) DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO.

Por Geraldo Júnior
O ator Nelson Xavier em dois momentos distintos de sua vida.

Os anos se passaram e de lá pra cá muitos outros atores interpretaram Lampião nas telas do cinema e da televisão, reconheço que outros atores fizeram excelentes trabalhos, mas particularmente não consegui até hoje desvincular a imagem do ator Nelson Xavier com a do próprio Rei do Cangaço. Uma interpretação fantástica que seguramente encantará ainda muitas gerações.

Ao grande ator Nelson Xavier fica aqui registrado a nossa homenagem e nosso reconhecimento.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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domingo, 16 de outubro de 2016

NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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OUTRAS HISTÓRIAS DE BASTIÃO

*Rangel Alves da Costa

Mesmo que seja difícil acreditar, eis que cabra com longa estrada como pescador, caçador e outros ofícios sertanejos de mato e água, a verdade é que Bastião nunca foi de mentir. Tanto assim que os seus causos e proseados são ouvidos sem olhares de descrenças ou buchichos de negações. E são muitos que se juntam para ouvir suas narrativas matutas.

Disse Bastião que suas caçadas sempre se deram no meio da noite adentrando a madrugada. E quase sempre apenas na companhia de seu cachorro. Nunca temeu se embrenhar na mata no meio da escuridão, mas em algumas situações já se deparou com situações de arrepiar os cabelos. Por mais encorajamento que tivesse, difícil não temer o pior perante certos inusitados.

Certa vez, disse ele, sozinho no mato, em noite fechada, seguindo numa vereda conseguiu avistar alguém vindo logo adiante, em sua direção. Estradinha estreita, sem caber os passos de duas pessoas, quanto mais o vulto de um homem alto e magro se aproximava mais ele sentia que tinha de dar passagem, pois não parecia que o estranho viesse com intenção de afastar nenhum tantinho do meio do caminho.

Então Bastião teve de sair para a passagem do outro. Em silêncio vinha e em silêncio passou, sem que pudesse sequer avistar a inteireza de sua feição, dado o sombreado que lhe tomava de corpo inteiro. Que coisa mais esquisita, pensou o caçador. Como é que um cabra passa assim por outro, num meio de mundo desse e nessa escuridão toda e sequer cumprimenta, começou a indagar. Foi quando sentiu que seu cachorro sequer tinha latido ante a presença do estranho. Então disse a si mesmo, procurando logo se afastar: Só não é gente desse mundo!

Visões de coisas do outro mundo são constantes durante as caçadas noturnas, assegurou Bastião, e muito mais se o encalço catingueiro envolver veado. Não há animal de caça que traga mais problema ao predador humano. Então contou sobre o acontecido com outro caçador conhecido seu que subiu numa árvore de copa larga e galhagem vasta para tocaiar o bicho. Subiu, se ajeitou, e ficou espiando mais abaixo, na direção da passagem. Estava tão entretido observando a movimentação lá embaixo, que quase nem percebe quando outro caçador subiu na mesma árvore e se posicionou bem ao lado.


Não demorou muito e ouviu do estranho que o veado já estava chegando. Dito e feito. Logo o animal surgiu com olhos brilhosos no meio da noite. Então o estranho mandou que mirasse para atirar, mas o caçador relutou e pediu para que o outro mesmo fizesse o serviço. Este rejeitou pedindo que atirasse logo, sob pena de fuga do bicho. Sem mais a fazer, deu um tiro certeiro. Mas logo em seguida ouviu do estranho que se preparasse novamente, pois outro veado estava chegando. Achando estranha demais aquela situação toda, o caçador exigiu que dessa vez o outro mesmo atirasse.

Contudo, não houve jeito de o estranho fazer mira. Coube ao caçador novamente apontar e derrubar o segundo veado. Depois disso, quando disposto a saber quem realmente era aquele sujeito aparecido assim de repente e tão conhecedor de caçada, nem precisou fazer qualquer pergunta. O estranho adiantou-se e falou: “Quando eu era vivo era aqui que eu mais caçava”. E depois desapareceu sem descer da árvore. Apenas sumiu do local onde estava.

Outro causo intrigante também envolvendo caça ao veado foi relatado por Bastião. Disse que um conhecido seu matou um veado, levou a presa morta à casinhola onde morava, abriu o bicho, separou a carne do couro e estendeu o focinho numa ponta de pau adiante. Mandou a esposa preparar parte da carne para o almoço. Ao retornar, contudo, o focinho havia sumido. Estranhou demais tal acontecido, mas imaginou que outro animal tivesse passado por ali e abocanhado. Então esperou o almoço ficar pronto e comeu daquela carne nova. Daí em diante se sentiu tomado de febre, tremores frios e dor de cabeça. E não houve remédio que desse jeito.

Como nem a farmácia nem a medicina resolvia o problema, a saída que encontrou foi procurar um rezador. E assim fez. Quando chegou à casa do homem nem precisou abrir a boca. O rezador logo perguntou se ele havia matado um veado e comido de sua carne e desse dia em diante nunca mais teve saúde. Espantado com tamanha revelação, o caçador confirmou, para ouvir em seguida: “Aquilo que você matou não era um veado não. Foi um cavalo do cão. E se quiser continuar vivendo de agora em diante nem pense mais em caçar qualquer bicho. Pegue sua espingarda e dê fim. Do contrário será o seu fim”.

E assim prosseguia Bastião, deleitando os presentes com suas histórias. E sobre se o homem deu fim à espingarda e nunca mais caçou? Ora, para caçador tanto faz a vida do bicho, mas a sua procura garantir de todo jeito.
  
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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FOTOGRAFIA DO JUDEU BENIGNO IGNÁCIO CARDOSO DARÃO, MEU BISAVÔ


FOTOGRAFIA DO JUDEU BENIGNO IGNÁCIO CARDOSO DARÃO, MEU BISAVÔ

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Serviço
“O Sertão Anárquico de Lampião” (de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016)
Valor do livro: R$ 50,00 (Frete fixo: R$ 5,00)
Através do e-mail 
anarquicolampiao@gmail.com
Informações: 
Luiz Serra – (61) 99995-8402 
luizserra@yahoo.com.br
Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – 
(61) 98212-9563leidisilveira@gmail.com

Fontes: 
https://tokdehistoria.com.br/2016/08/17/na-capital-federal-lancamento-do-livro-o-sertao-anarquico-de-lampiao-de-luiz-serra/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2016/10/livro-o-sertao-anarquico-de-lampiao-de_13.html

PONDO A ALMA NO OFÍCIO

Por Valberto Barbosa de Sena

O artesão vira artista
Moldando a matéria prima
De maneira que ela exprima
Sua visão e exista
Na modelagem do barro
Traz a perfeição do jarro
Com manobras de artifício
E a habilidade sua
Às gerações perpetua
Pondo a alma no ofício.

Desempenhando a função
O artesão vira artista
O seu mundo ele conquista
Na palma de cada mão
A sua obra atrativa
Transforma em moeda viva
Com pequeno sacrifício
O profissional sério
Do pouco faz seu império
Pondo a alma no oficio.

Começando outro trabalho
Já descrito em uma lista
O artesão vira artista
Na perfeição do seu talho
Talhando madeira nobre
Pouco a pouco ele descobre
Do entalhe algum resquício
Ali já preexistente
Contente ele segue em frente
Pondo a alma no ofício.

Sem querer levantar crista
Por achar ser um defeito
Em cada serviço feito
O artesão vira artista
Mas seu ego se transparte 
Em cada obra de arte
Do campo do fictício
Nessa profissão bacana
Sai semana entra semana
Pondo a alma no ofício.

Às vezes foge da mente
Seu belo Dom de criar
Mais ele vai procurar
E encontra novamente
O artesão vira artista
Ao encontrar qualquer pista
Mostrando o menor indício
Ai usa a sua prática
Com precisão matemática
Pondo a alma no ofício.

Quando alguém lhe encomenda
Algum trabalho exclusivo
Ele observa o motivo
Para aumentar sua renda
Pra que o freguês não insista
O artesão vira artista
Como voltando ao início
Nesse seu trabalho novo
Dá a si o seu aprovo
Pondo a alma no ofício.

Na área da reciclagem
Que agora está no pique
Ta chegando gente chique
Com uma nova roupagem
Nessa recente proposta
Por fazer tudo que gosta
O artesão vira artista
Fazendo o seu exercício
Pondo a alma no ofício
Pra que a terra resista

Assim nessa nova onda
Criativa e atual
Recolhe o material 
Onde quer que ele se esconda
Todo reciclado bruto
Retorna em novo produto
Depois do seu benefício
O artesão vira artista
Além de especialista
Pondo a alma no ofício

Provando que é capaz
Na profissão escolhida
O artesão dá a vida
Para fazer o que faz
Até quando deita e dorme
Seu Dom o segue conforme
Segue um viciado ao vício
De qualquer ponto de vista
O artesão vira artista
PONDO A ALMA NO OFÍCIO

Valberto Barbosa de Sena. Poeta Popular. Paraibano de Água Branca. 


 "Touro Mansinho" (lendário touro zebuíno, da raça Guzerá, que o Padre Cícero ganhou de presente do cearense Delmiro Gouveia no começo do século XX e que foi criado pelo Beato Zé Lourenço.) Esta espetacular obra de arte, em sucata de ferro, em tamanho natural, encontra-se em fase final de acabamento no Museu do Sertão, pelo talentoso Artista Plástico mossoroense Elson Mesquita. Acessem o site do Museu do Sertão da Fazenda Rancho Verde (Mossoró - RN): 


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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"TOURO MANSINHO"

Por Benedito Vasconcelos Mendes

"Touro Mansinho" (lendário touro zebuíno, da raça Guzerá, que o Padre Cícero ganhou de presente do cearense Delmiro Gouveia no começo do século XX e que foi criado pelo Beato Zé Lourenço.) 


Esta espetacular obra de arte, em sucata de ferro, em tamanho natural, encontra-se em fase final de acabamento no Museu do Sertão, pelo talentoso Artista Plástico mossoroense Elson Mesquita.

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COMBATE de SERROTE PRETO e, a INCRÍVEL HISTÓRIA DO SOLDADO ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA...

Material do acervo do pesquisador Voltaseca

Lampião fugia de um combate na cidade de Mata Grande-AL, no dia 21 de fevereiro de 1925, sábado de carnaval, quando foi perseguido pelas volantes paraibanas do Ten. JOAQUIM ADAUCTO / e do Ten. FRANCISCO DE OLIVEIRA, além de uma volante pernambucana comandada pelo Ten. JOÃO GOMES , tendo ido se instalar com seus homens na Fazenda SERROTE PRETO, a qual fica na divisa dos Estados de AL e PE. O total de homens das forças volantes beirava 90 policiais, enquanto os cangaceiros chegava perto dos 40.

Os cangaceiros ao chegarem na Fazenda SERROTE PRETO, grande parte deles se alojaram numa casa de taipa, com um curral ao lado, enquanto outros, ficaram numas pedras, nos arredores da casa, dando a retaguarda.

O Ten. FRANCISCO OLIVEIRA que vinha na frente com seus homens no encalço dos bandoleiros, ordenou que seguissem imediatamente visando alcançar, o mais rápido possível, o local onde estava Lampião e seu grupo, no que não concordou o Ten. JOÃO GOMES, da força pernambucana, que disse: “ – Os cangaceiros já comeram, meus soldados não vão ficar sem comer “ . Surpreso, o Ten. Francisco Oliveira respondeu: “ – A força da Paraíba, quando tem notícia de cangaceiros, encosta logo “ e, seguiu com sua força.

Logo que chegaram nas proximidades da casa da Fazenda Serrote Preto, receberam uma forte descarga de tiros, vindo do lado dos cangaceiros. Tombaram mortalmente, os soldados Artur, Diménio, Virgolino, e, um negro muito disposto. Também foi morto o Ten. FRANCISCO OLIVEIRA e, ferido o Tenente JOAQUIM ADAUCTO. Os soldados da volante pernambucana que haviam chegado com um atraso, atiravam em direção à casa, atingindo, também, alguns companheiros da volante paraibana, que ficaram na linha de fogo cruzado.

Alguns soldados da volante de FRANCISCO DE OLIVEIRA procuraram se abrigar num trecho de um pequeno serrote ( pedras), de onde passaram a atirar nos cangaceiros. O soldado ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA, por sua vez, ficou amparado numa ponta de curral. Dali ele tinha perfeita visão da porta traseira da casa, planejando:

“ – O primeiro que colocar a cabeça, eu derrubo “.

O que ele não esperava é que os cangaceiros abrissem uns buracos na parede da casa, por onde começaram a atirar em sua direção. Surpreendido pelo inesperado ângulo de tiro, ANANIAS OLIVEIRA foi ferido DUAS VEZES. Um dos tiros fraturou-lhe o BRAÇO e, o outro, atravessou a sua FACE lado a lado, à altura do malar. ANANIAS contou, mais tarde, que o tiro recebido no rosto causou tal hemorragia que o sangue jorrava pelos dois lados, em arco.

O SOLDADO ANANIAS, já ferido, ouviu várias vezes LIVINO ( irmão de Lampião) gritar, de dentro da casa:

“– Espere ai, macaco, que nós já vamos sangrá-lo!“

ANANIAS acabou sendo retirado do local pelo soldado Manoel Gabriel que, por ironia, era seu inimigo pessoal. Ele foi levado até um certo ponto , a partir de onde o sargento JOSÉ GUEDES encarregou de levá-lo mais para dentro do mato, isso, acontecendo, em pleno combate. Ali, sozinho, ANANIAS acabou desmaiando, em consequência da grande perda de sangue.

Ao escurecer, o tiroteio cessou, já que ambos os lados tinham esgotado a munição.

No terreiro da casa havia ficado um soldado ferido, sem conseguir se mover. Implorava ao Tem. João Gomes que mandasse tirá-lo dali, porque os cangaceiros ameaçavam sangrá-lo. O sargento JOSÉ GUEDES chamou a atenção do oficial pernambucano, já que ele não ia buscar o ferido e, ouviu dele :

“ – Cada um que cuide de si“

ANANIAS entrevistado pelo pesquisador Dr. Amaury Araujo (em João Pessoa- PB, no ano de 1969), informou-o que aquela altura, a maioria dos soldados já haviam fugido. Os sobreviventes, liderados pelo sargento JOSÉ GUEDES, apanharam os feridos e, aqueles que puderam arrastaram-se para MATA GRANDE, de onde, depois de receberem os primeiros socorros, foram encaminhados para Paulo Afonso.

Assim como os soldados, também os cangaceiros tinham pago um alto preço durante a batalha. ASA BRANCA, GURI E CORRÓ estavam mortos dentro da casa. FATO DE COBRA, CAPUXU E QUIXABEIRA foram feridos.
Alguns cangaceiros, assim que perceberam a retirada dos soldados, saíram com candeeiros, examinando os corpos caídos. No terreiro da casa ainda estava caído o soldado ferido que o Tenente JOÃO GOMES recusara a socorrer. O cangaceiro JUREMA, aproveitou a ocasião e o sangrou.

Por volta da meia-noite, O SOLDADO ANANIAS voltou a si, anda zonzo. O silêncio era total. Sua sede era arrasadora. Seus lábios estavam inchados que pareciam beiços de cavalo. Sentia que todo o seu rosto também estava inchado e desfigurado. A muito custo, apesar da tonteira, conseguiu se levantar e caminhar sem rumo definido. A vegetação, um macambiral muito grande , era agressivo e dificultava o avanço. Logo suas calças estavam destruídas pelos galhos, tornando-se imprestáveis para protegê-lo.

Ao amanhecer de segunda-feira, dia 22, ANANIAS viu-se à beira de uma estrada. Escolheu uma direção e seguiu em frente, sentindo sua fraqueza crescer, e o mal estar causado pelos ferimentos agravar-se com a fome e sede. O sol nasceu e apareceram moscas varejeiras que vagueavam sobre suas feridas, cada vez mais infeccionadas. Mas ANANIAS estava determinado a não se deixar vencer. Amarrou um lenço preto no rosto, protegendo-o contra os insetos e, prosseguiu sua penosa jornada, pensando: 

“A esta altura, se escapei de morrer a bala, vou morrer de fome e de sede“.

Ao seu redor não havia nada para comer ou beber. Lá pelas 22 h, tendo caminhado desde a meia-noite do dia anterior, ANANIAS estava cansado, ferido e cada vez mais enfraquecido. Ouviu um galo gritar. Deixando a estrada, foi em direção ao som, entrando por um varedo de bode, passando por uns umbuzeiros e chegando, finalmente, aos fundos de umas casas.

PENSOU:

“- Não vou chegar pelos fundos, senão poderão pensar que sou um malfeitor e vão querer me matar“.

Encontrou forças para dar a volta e chegar à frente das moradias; entrou numa delas, feita de palha e, deparou-se com uma velha, a quem perguntou:

“– Dona, será que a senhora pode arrumar água morna com sal, prá eu lavar meus ferimentos ?“

- O senhor é praça ou cangaceiro? – Ouviu em resposta.

“– Sou soldado das forças da Paraíba.” – Disse ANANIAS. 

A velha levantou-se e foi providenciar, voltando com o que tinha sido pedido. ANANIAS despiu sua túnica e lavou seus ferimentos. Depois tomou muita água, saciando sua sede. Para sua surpresa ficou sabendo, mais tarde, que aquelas casas pertenciam a Mata Grande.

Durante as 24 horas de sua jornada, a maior parte do seu tempo arrastando-se, pois não conseguia andar regularmente. ANANIAS havia avançado, apenas, duas léguas. Embora, ainda não estivesse totalmente refeito. ANANIAS sentou-se na calçada em frente à casa. Aproximou-se um senhor vestido de cáqui.

ANANIAS perguntou-lhe:

“– O senhor sabe informar onde está a força policial da Paraíba?“

- Posso. Está em Paulo Afonso.

Tão logo conseguiu andar, ANANIAS seguiu para a cidade indicada, reencontrando seus amigos e, companheiros, sendo cuidado pelo farmacêutico João Gaudêncio, que o incluiu entre seus pacientes.

Ali em Paulo Afonso faleceram em consequência dos ferimentos, um soldado e o Tenente JOAQUIM ADAUCTO . A contagem final da batalha acusou, além de inúmeros feridos, a MORTE DE DOIS OFICIAIS E DEZ SOLDADOS.

OBSERVAÇÕES – 

1º) Matéria compilada da obra “ De Virgulino a Lampião “, pgs 109/110, autor Antônio Amaury Correa de Araújo / Vera Ferreira.
2º) Foto do soldado ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA ...pertencente ao acervo particular do escritor, acima citado.
3º) Fotos de Serrote Preto, A CRUZ DOS SOLDADOS e, demais, acervo Volta Seca...

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O HOMEM QUE ENTERROU EZEQUIEL IRMÃO DE LAMPIÃO

Por Volta Seca Pesquisador

Os renomados pesquisadores Antônio Amaury, João de Sousa Lima, conversaram e tem gravado, uma declaração do homem que enterrou EZEQUIEL, irmão de Lampião. Também, o cangaceiro ANGELO ROQUE, o " LABAREDA ", (que estava presente no combate em que o irmão de Lampião morreu) em extenso depoimento ao Dr. Estácio de Lima, no livro O MUNDO ESTRANHO DOS CANGACEIROS, narra em detalhes, como foi a morte de Ezequiel. Por sua vez, a cangaceira DADÁ, citada por Dr. AMAURY, embora não estivesse no local do combate, mas cita em detalhes, o que ouviu de CORISCO, sobre a morte de Ezequiel. Etc, etc, etc.

Logo, concluo, que tal fato narrado e especulado neste post, é inverídico, embora, respeite quem pensa de modo contrário.

Abraços,

Volta Seca

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LAMPIÃO O AFORTUNADO

https://www.youtube.com/watch?v=WapFxOD4D5A&feature=share

Publicado em 14 de outubro de 2016

Fábulas do Cangaço Nordestino, contada através de relatos de terceiros e de livros de Cordel. Fotos e imagens colhidas de várias fontes, para ilustrar o trabalho em vídeo e homenagear o Cariri Cangaço e o Projeto Armorial, de Ariano Suassuna.
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