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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

JACKSON DO PANDEIRO


Jackson do Pandeiro nome artístico de José Silva Gomes Filho nasceu em Alagoa Grande, no Estado da Paraíba, em 31 de agosto de 1919, e faleceu em Brasília, no dia 10 de julho de 1982). Foi um cantor e compositor de forró e samba, assim como de seus diversos subgêneros, a citar: baiãoxotexaxadococoarrastapéquadrilhamarchafrevo, dentre outros. Também conhecido como O Rei do Ritmo.[1]


Paraibano de Alagoa Grande, Jackson nasceu em 31 de agosto de 1919, com o nome de José Gomes Filho. Ele era filho de uma cantadora de coco, Flora Mourão, que lhe deu o seu primeiro instrumento: o pandeiro.
Seu nome artístico nasceu de um apelido que ele mesmo se dava: Jack, inspirado em um mocinho de filmes de faroeste, Jack Perry.[2] A transformação para Jackson foi uma sugestão de um diretor de programa de rádio. Dizia que ficaria mais sonoro e causaria mais efeito quando fosse ser anunciado.

https://www.youtube.com/watch?v=qjyYJ6BniS0

Somente em 1953, com trinta e cinco anos, Jackson gravou o seu primeiro grande sucesso: "Sebastiana", de Rosil Cavalcanti. Logo depois, emplacou outro grande hit: "Forró em Limoeiro", rojão composto por Edgar Ferreira.

Foi na rádio pernambucana que ele conheceu Almira Castilho de Albuquerque,[1] com quem se casou em 1956, vivendo com ela até 1967. Depois de doze anos de convivência, Jackson e Almira se separaram e ele se casou com a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem também se separou pouco antes de falecer.

No Rio de Janeiro, já trabalhando na Rádio Nacional, Jackson alcançou grande sucesso com "O Canto da Ema", "Chiclete com Banana" e "Um a Um". Os críticos ficavam abismados com a facilidade de Jackson em cantar os mais diversos gêneros musicais: baiãococosamba-coco, rojão, além de marchinhas de carnaval.

O fato de ter tocado tanto tempo nos cabarés aprimorou sua capacidade jazzística. Também é famosa a sua maneira de dividir a música, e diz-se que o próprio João Gilberto aprendeu a dividir com ele. [3] Muitos o consideram o maior ritmista da história da Música Popular Brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, foi um dos principais responsáveis pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino. Sua discografia compreende mais de 30 álbuns lançados no formato LP. Desde sua primeira gravação, "Forró em Limoeiro", em 1953, até o último álbum, "Isso é que é Forró!", de 1981, foram 29 anos de carreira artística, tendo passado por inúmeras gravadoras.


Durante excursão empreendida pelo país, Jackson do Pandeiro que era diabético desde os anos 60, morreu aos 62 anos, em 10 de julho de 1982, na cidade de Brasília, em decorrência de complicações de embolia pulmonar e cerebral. Ele tinha participado de um show na cidade uma semana antes e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcar para o Rio de Janeiro. Ele ficou internado na Casa de Saúde Santa Lúcia. Foi enterrado em 11 de julho de 1982 no Cemitério do Cajú, na cidade do Rio de Janeiro, com a presença de músicos e compositores populares, sem a presença de nenhum medalhão da MPB

Hoje seus restos mortais se encontram na sua terra natal (Alagoa Grande) localizado não no cemitério local, mas sim em um memorial preparado em sua homenagem pelo povo alagoagrandense.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jackson_do_Pandeiro

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DELMIRO GOUVEIA: A TRAJETÓRIA DE UM INDUSTRIAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX - PARTE I

Telma de Barros Correia - (Profa. Dra, SAP-EESC-USP)

 A Ascensão no Mundo dos Negócios

O comerciante e industrial Delmiro Gouveia foi um personagem ímpar no cenário brasileiro em fins do século XIX e início do XX. Protagonizou uma conturbada trajetória no mundo dos negócios e da política em Pernambuco e Alagoas, realizando empreendimentos inovadores, colecionando inimigos poderosos e construindo uma reputação individual insólita, onde atributos como destemor, ousadia e autoritarismo articulam-se delineando o perfil deste singular homem de negócios.
              
No início do século XX, Delmiro já era uma lenda viva entre os recifenses. O empresário jovem, elegante e charmoso que despontava no mundo dos negócios - recém enriquecido no florescente comércio de couros - causava furor tanto pelo sucesso do moderno centro de comércio e lazer que criara - o Derby -, quanto pela corajosa oposição que fazia ao poderoso grupo político situacionista liderado por Rosa e Silva. Sua tumultuada vida amorosa - alvo de mexericos, escândalos e denúncias na imprensa - não deixava de contribuir para mantê-lo em constante evidência. A retirada para o Sertão de Alagoas longe de ter implicado numa redução do interesse em torno de Delmiro, só veio a reforçar os mitos que já vinham se construindo em torno dele. A construção da usina elétrica no rio São Francisco, da fábrica de linhas de costura - a primeira do Brasil - e do núcleo fabril da Pedra, colocaram-se para seus admiradores como novos indícios dos dotes exemplares que reunia como empresário. Sua morte violenta, assassinado em 1917, aumentaria o interesse pelo personagem, que desde então tem sido tema de numerosos estudos, obras de ficção e homenagens.
              
Delmiro nasceu em 1863, em Ipú, no Ceará. Em 1868, após a morte de seu pai, transferiu-se com a família para Goiana, em Pernambuco, e em 1872, para o Recife, onde começou a trabalhar em 1878, após a morte de sua mãe. Nesse ano, empregou-se como cobrador na Brazilian Street Railways Company, onde exerceu, em seguida, a função de Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Em 1881, era despachante em armazém de algodão. Dois anos depois, exercia a função de intermediário entre comerciantes do interior e firmas exportadoras de peles e algodão - Herman Lundgren e Rossbach Brothers. De empregado da filial no Recife do curtume americano Keen Sutterly & Co., em 1892, passou a gerente no ano seguinte. Simultaneamente, desde 1891, estabeleceu - inicialmente em sociedade com o inglês Clément Levy - um armazém de compra e exportação de courinhos (peles de cabra e bode). Nos últimos anos dessa década, detinha o monopólio deste comércio no Recife e partia para outros empreendimentos paralelos. Em 1899, assumiu a direção da Usina Beltrão - uma fábrica de refino de açúcar - e inaugurou o Derby - um centro de comércio, serviços e lazer que incluía mercado, hotel, velódromo e pavilhão de diversões. Em 1900, conflitos políticos entre Delmiro e governantes pernambucanos resultaram no incêndio do Mercado do Derby pela polícia e na inviabilização da Usina Beltrão e da própria permanência de Delmiro no estado. Em 1903, Delmiro tornou-se proprietário de uma fazenda em Pedra, no Sertão de Alagoas, na qual centralizou seu comércio de peles. Em 1913, construiu uma usina hidrelétrica junto à Cachoeira de Paulo Afonso, para fornecer energia à fábrica de linhas de costura que inaugurou no ano seguinte, em Pedra. Com a fábrica, criou no interior da fazenda um núcleo fabril dotado de habitações, comércio, hotel, escolas e equipamentos de lazer. Em 1917, foi assassinado em Pedra.
              Coerente com a postura adotada por muitos industriais adeptos e difusores da ética do trabalho, Delmiro procurou incorporar à sua imagem empresarial a figura de um trabalhador infatigável. O trabalho era enaltecido por Delmiro que, através dele, procurava explicar seu sucesso nos negócios e a origem de sua rápida fortuna. Em artigo de 1898, Delmiro lançou mão da idéia de trabalho para responder às críticas de seus adversários políticos no Recife, que lançavam dúvidas quanto à probidade de seus negócios:

"Enquanto elles viviam pelas ruas, cafés, casas de pensão, restaurants, trens e mesmo em seus escriptórios, onde à falta de trabalho passam o tempo a se occupar da vida alheia, eu estava no labor do meu negócio, externuando-me na verdadeira lucta pela vida, afim de conseguir o que tanto hoje os incommoda" (GOUVEIA, 1 jan. 1898, 2).

Procurando rebater insinuações acerca do mistério que cercou seu breve trajeto de vendedor de bilhetes de trem até próspero comerciante, Delmiro argumentava: "O que medeia entre essa humillissima posição e a de um industrial util á minha patria, que sou hoje, é apenas uma pagina de trabalho" (GOUVEIA, 7 jul. 1899, 4). Delmiro contrapunha o trabalho ao ócio e a formas de obtenção de recursos que tratava com desprezo, tais como o jogo, a usura e a bajulação:

"Fiquem certos esses calumniadores de officio que não ganho nem estrago dinheiro em jogatinas; não empresto a juros de vinagre; não sirvo de capacho, de limpa botas de quem está acima de mim em posição ou vantagens (...)" (GOUVEIA, 5 jan. 1900, 2).

Coerente com a glorificação do trabalho que ganha adeptos nas classes dominantes - percorrendo o pensamento burguês, o ideário positivista, o catolicismo social, doutrinas puritanas e evangélicas -, Delmiro elege o trabalho como o principal atributo moral dos indivíduos. Vê no trabalho um sinal de personalidade bem formada do ponto de vista moral, um indício de honra, perseverança e energia. Ao trabalho, por outro lado, atribui a capacidade de engrandecimento do indivíduo, pelo enobrecimento moral e pelo acesso a bens materiais. O elogio do mérito individual e a noção de igualdade de oportunidades, outros dos princípios do pensamento liberal, são também mobilizados por Delmiro para explicar sua trajetória no mundo dos negócios, revidando críticas quanto à lisura de seus negócios feitas por adversários:

"Si elles tivessem no sangue, nos nervos, nas faces, vergonha, e no organismo alguma coisa de energia e sentimento, deviam orgulhar-se de haver um homem do povo, pobre porém trabalhador, capaz de mostrar-lhes com exemplos que quem lucta pela vida com honradez, actividade e perseverança, póde conseguir uma posição na sociedade e, em vez de andarem pelas ruas, cafés, trens e esquinas empregando-se na maledicência, podiam dedicar-se ao trabalho proveitoso, que nobilita o homem e dá-lhe sempre o direito de confundir seus inimigos gratuitos" (GOUVEIA, 1898, 2).
             
Ao lado do trabalhador, outro atributo que costuma ser associado à imagem empresarial de Delmiro é o de nacionalista. As bases para a construção desta noção foram lançadas pelo próprio industrial na década de 1910. Mobilizando uma argumentação em que procurava associar os interesses da indústria aos da Nação e sentimentos nativistas e cívicos que se propagavam no País na década de 1910, Delmiro apelou para idéias nacionalistas na promoção da fábrica de Pedra e no pleito de concessões e incentivos públicos. Obteve junto ao Governo de Alagoas amplas concessões que incluíram o direito de posse de terras devolutas, a isenção de impostos para a fábrica, a permissão para captar energia elétrica da Cachoeira de Paulo Afonso e recursos para financiar a construção de cerca de 520 quilômetros de estradas, ligando Pedra a outras localidades. Mobilizou ainda argumentos de cunho nacionalismo no intuito de sensibilizar os consumidores a darem preferência à linha "Estrela" fabricada em Pedra, em detrimento das fabricadas por empresas estrangeiras. A geração de empregos para brasileiros, a utilização de matéria-prima nacional e a quebra de monopólios eram os argumentos usados em anúncio veiculado na imprensa:

"Nossa Fábrica ocupa 2.000 operários brasileiros e nossa linha é fabricada com matéria prima exclusivamente nacional. Esperamos que o público não deixará de comprar a nossa linha, de superior qualidade, para dar preferência a mercadoria estrangeira ou com rótulo aparente de nacional. Se não fôsse a linha "Estrêla" o preço de um carretel estaria por 500 réis ou mais; o público deve o benefício do barateamento dêste artigo de primeira necessidade, à nossa indústria" (MENEZES, 1963, 134-135).

A intensa disputa de mercado entre Delmiro e a Machine Cotton, fabricante da linha "Corrente" contribuiu para convertê-lo em um dos símbolos mais fortes da causa nacionalista em todo o País. Matéria do Jornal do Commércio do Recife, de 1922 - reproduzida pelo Correio da Pedra - mostrava a fábrica da Pedra como elemento de soberania nacional:

"A importante fabrica de linhas, que era o inicio daquelle faustoso emporio industrial ahi está produzindo em franca e vantajosa competencia com suas similares, pondo-nos á salvo da tutella pesada do estrangeiro" (Correio da Pedra, 22 out. 1922, 1).


A disputa entre a Machine Cotton e a fábrica da Pedra se estendeu por longos anos, tendo-se acirrado na década de vinte. Esta concorrência acirrada levou a Fábrica da Pedra a sucessivos prejuízos no tocante à fabricação de linhas de coser, apenas parcialmente compensados pelos lucros decorrentes da produção de fios industriais. Em 1926, o Presidente Artur Bernades assinou o Decreto N. 17.383, elevando a taxa de importação sobre as linhas de coser. O Decreto, no entanto, foi revogado dois anos depois pelo Presidente Washington Luís, motivado, inclusive, por pressões do Embaixador e de banqueiros ingleses, que qualificavam o Decreto de ato de hostilidade comercial. Após haver tentado, sem sucesso, comprar Pedra a Delmiro, a Machine Cotton, em 1929 - 12 anos após a morte deste -, realizou seu intento de tirar a fábrica da Pedra da produção de linhas. Para tanto, a Machine Cotton adquiriu dos então proprietários de Pedra (os irmãos Menezes, também donos da Fábrica Têxtil de Camaragibe, em Pernambuco) as marcas registradas das linhas e os maquinismos específicos para sua fabricação. Pelo acordo, Pedra permaneceria fabricando apenas fios industriais; seus proprietários não poderiam por dez anos participar direta ou indiretamente de negócios relativos à fabricação de linhas ou venda de fios para a fabricação por terceiros. À aquisição, seguiu-se a destruição das máquinas, aniquiladas a golpes de picareta e atiradas ao Rio São Francisco. A violência deste gesto e a agressividade da disputa de mercado por parte da fábrica escocesa deram subsídios para que Pedra fosse convertida em marco da luta contra o imperialismo. No mesmo sentido, procurou-se converter Delmiro Gouveia em mártir da causa nacionalista. Embora fosse então amplamente aceito que seu assassinato houvesse sido conseqüência de disputas com coronéis de cidades vizinhas, progressivamente dúvidas foram sendo lançadas sobre suas causas. A Machine Cotton foi incorporada ao rol dos suspeitos por uns, por outros acusada de haver promovido o assassinato. 

CONTINUA AMANHÃ.

www.usp.br/pioneiros/n/arqs/tCorreia_dGouveia.doc

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COQUETEL NATALINO ADUERN


Informamos que a ADUERN realiza na próxima sexta-feira (16) seu Coquetel Natalino. As senhas já estão disponíveis e podem ser retiradas na secretaria do sindicato até as 18h da sexta (à exceção da terça-feira (13), feriado municipal em Mossoró).

As demais informações podem ser conferidas no cartaz abaixo.

Jornalista
Cláudio Palheta Jr. 
Telefones Pessoais:
(84) 88703982 (preferencial)

Telefones da ADUERN:

ADUERN
Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Fone: (84) 3312 2324 / Fax: (84) 3312 2324
E-mail: aduern@uol.com.br / aduern@gmail.com
Site: http://www.aduern.org.br
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN
Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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TRÁGICO ACIDENTE AÉREO MATOU O GOVERNADOR E COMOVEU A POPULAÇÃO: NARRATIVAS SOBRE A MORTE DE DIX SEPT ROSADO

Por Raimundo Nonato Araújo da Rocha∗ 

O anúncio: 

No dia 12 de julho de 1951, uma quinta feira, por volta das 11h e 30min, o comandante da Base Área de Natal entregou ao vice-governador e governador em exercício do Estado do Rio Grande do Norte, Sylvio Pedroza, um telegrama proveniente do comandante da Base área de Aracajú. O teor da comunicação era o seguinte: Informo que o avião PP-LPG após sobrevoar as 8h e 30min este campo caiu no rio do sal em sobrado distante do aeroporto três quilômetros tendo perecido todos os tripulantes e passageiros ignorando-se os números vistos que os mortos se encontram presos aos destroços. Avião completamente danificado. – (a) Comte. Miranda. (TELEGRAMA. 12/7/1951. Arquivo Digitalizado de Dix-Sept Rosado. Imagem 22) Minutos após o recebimento desse telegrama, o governador Sylvio Pedroza recebeu outro telegrama do Governador de Sergipe comunicando que havia caido, nas imediações de Aracajú, um avião da empresa Linhas Áreas Paulistas (LAP) e que todos os passageiros estavam mortos. No mesmo telegrama perguntava se o Governador DixSept Rosado estava no avião. No momento em que o governador recebia os telegramas, na cidade de Natal já podia ser confirmada a notícia captada por rádio-amadores desde as primeiras horas da manhã: o avião que conduzia o governador do Rio Grande do Norte não encontrou condições de pouso em Aracajú e terminou caindo no Rio do Sal, situado a três quilômetros da capital de Sergipe. O Governador Dix-Sept Rosado e sua comitiva haviam decolado, às 4h15min da manhã, do dia 12 de julho de 1951, do aeroporto de Parnamirim, a bordo do avião Douglas, de prefixo PL - 3 PPLG da LAP, com destino ao Rio de Janeiro. A viagem do governador potiguar tinha como destino a Capital Federal, onde iria tratar de assuntos políticos e buscar recursos para minimizar os efeitos da seca. A morte de Dix-Sept Rosado acontecia três meses após a morte de Mário Negócio de Almeida e Silva, que havia sido um dos seus principais auxiliares, ocupando a função de Secretário Geral do Governo. Além disso, Dix-Sept e Mário nutriam amizade desde os bancos escolares. Mário Negócio morreu em acidente automobilístico, ocorrido em 30 de março de 1951, próximo a cidade de Tacima, no interior da Paraíba. Mário Negócio nasceu em 1911, na cidade de Fortaleza, mas aos quatro anos foi morar em Mossoró. Advogado de destaque na região em torno de Mossoró, foi eleito deputado estadual (1946-1950). A notícia foi divulgada em jornais locais e nacionais. O jornal carioca “A Noite”, por exemplo, dedicou duas páginas inteiras, publicadas no dia 17 de julho, para comentar o ocorrido. A notícia, intitulada “Impressionante catástrofe do PPL-P6! 32 mortos no desastre do avião das Linhas áreas Paulistas.” A seguir mostra uma grande foto dos destroços do avião no Rio do Sal e outra grande foto de três cadáveres (adultos e crianças) já enrolados em sacos plásticos, antes de serem removidos para Aracajú. Na reportagem o jornal descreve que embora o acidente tivesse ocorrido a uma distância de três quilômetros de Aracajú, as equipes de busca só conseguiram chegar ao local 11 horas depois, em razão do terreno pantanoso e das péssimas condições de acesso (A noite, 17 de julho de 1951: 8-9). A ida do Governador ao Rio de Janeiro tinha sido anunciada, por meio de telegrama, ao presidente Vargas nos seguintes termos: […] Tenho hora comunicar Vossa Excelência próximo dia 12 viajarei até essa Capital avião LAP, fim tratar assuntos interesses administração pública. Sirvome esse ensejo para expressar Vossa Excelência a minha confiança de que, como de outras vezes Governo meu estado receberá preclara atenção eminente Presidente República, dispensando amparo justos reclamos populações castigadas pela estiagem, de que o Rio Grande do Norte vem suportando. […] .  

Na tarde do dia 11 de julho, em razão da viagem prevista para o dia 12, houve a transmissão do poder para o vice-governador Sylvio Pedroza. Na transmissão do cargo, o governador anunciou que na viagem ao Rio de Janeiro assinaria contrato com o Banco do Brasil para ampliar o saneamento de Natal e iniciar o saneamento de Mossoró. O governador levou em sua comitiva de viagem alguns auxiliares de governo: o dr. José Gonçalves de Medeiros, Diretor do Departamento de Imprensa; o agrônomo Felipe Pegado Cortez, Diretor do Departamento de agricultura e o dr. José Borges de Oliveira, Diretor do Departamento de Assistência aos Municípios.  

As repercussões: 

A repercussão da morte de Dix-Sept permanece forte nos dias atuais. Um blog local assim se refere ao ex-governador: Dix-sept Rosado, como era conhecido, hoje é nome de cidade, bairro de Natal, de praça em Mossoró – sua terra – e nome de ruas em dezenas de municípios do Rio Grande do Norte. Alto, forte, óculos “ray-ban” marrom, quase sempre vestido de mescla, era um homem popular, sem ser populista. Tinha o carisma de líder, vivia no meio do povo e conversava política 24 horas por dia. Tinha paciência de ouvir e ponderação ao falar. Nasceu para a vida pública, mas o destino ceifou uma das maiores lideranças do Estado no desastre aéreo de Sergipe.  Na mesma lógica laudatória, a deputada federal Sandra Rosado, sobrinha de Dix-Sept, ao abrir o seminário “Os rosado em tese”, realizado em 2011, relembrou uma música da campanha de Vingt Rosado1 para prefeito de Mossoró. Entre os versos da música lida pela deputada estavam os seguintes trechos: Dix-sept Rosado foi bravo De alma pura, varonil; Tombou no campo da honra Lutando pelo Brasil. Choram rios, choram montes, Chora o céu e o mar; Cobriu-se de dor e pranto Todo povo potiguar. (ROSADO, 2001b: 9) Este mesmo sentimento se fez presente no calor dos acontecimentos. A partir da confirmação da notícia as mobilizações no Rio Grande do Norte ganharam as ruas e os jornais. A população foi estimulada ao luto; o bispo – Dom Marcolino Dantas – fez missas na Catedral com a participação do coro do Colégio Salesiano e da Banda da Polícia; poetas fizeram poesias; as fotos da família inconsolável e das multidões que visitavam o corpo foram amplamente divulgadas. Também as superstições se fizeram presentes no imaginário da morte de Dix- sept. Após a morte de Dix-Sept, os seus irmãos foram eleitos para cargos no executivo e legislativo. Vingt, por exemplo, foi eleito prefeito de Mossoró várias vezes. A citação se refere, especificamente, a campanha de 1952. Nessa campanha, Vingt saiu-se vitorioso e Dix-Sept foi usado como exemplo de luta, como modelo a ser seguido. Segundo relato de Laíre Rosado para o jornal “O Mossoroense”, na época do acidente algumas pessoas diziam que o fato de Dix-sept usar constantemente um paletó da cor marrom pode ter favorecido para o acontecido. Um amigo seu chegou a dizer que não havia gostado do paletó marrom que Dix-Sept havia usado durante a posse no cargo de governador, pois esta dava azar. Coincidentemente, seis meses após, Dix-sept Rosado, trajando o mesmo paletó marrom, morreu num desastre aviatório e em pleno exercício do poder. (Relato feito por Laíre Rosado). O colunista Nizário Gurgel, por exemplo, assim escreveu para o jornal A República: Vôo fatal À memória do popular e digno governador Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia […] DIX-SEPT ROSADO Chegaste cedo ao termino da vida, Em plena mocidade, audaz e forte! Enfrentaste a batalha mais renhida. Sentiste aurir no peio a própria sorte. Após tanta vitória,veio-te a morte! Quanta gloria te foi interrompida Na beleza de teu augusto porte. Inflamado pela honra merecida! Voaste para o céu num vôo fatal! Levaste o coração do povo todo, De tua gente do torrão natal! Bemdito sejas tu na eternidade! Tiveste um a existência sem apôdo E tinhas por dilema a caridade!.  As homenagens de todo o Brasil eram amplamente divulgadas na imprensa local e os jornalistas locais passaram a exaltar a figura do governante morto tragicamente. Perceba-se nos próprios versos de Nizário observasse a construção de uma imagem: um jovem lutador, vitorioso, caridoso e destinado à glória, deixava seu povo com o coração sofrido.  Texto com sentido idêntico pode ser encontrado no panfleto distribuído em Mossoró para a celebração da missa de 7º dia. O amor recíproco entre o ex-prefeito e o seu povo é exaltado com Folheto distribuído pela Prefeitura de Mossoró anunciando a missa de 7º dia. A comoção era imensa. No dia 13 de julho de 1951, o jornal carioca “A noite” apresentou a seguinte uma notícia iniciada com a seguinte manchete: “ “Exemplo para as novas gerações brasileiras”: como do Dr. Raul de Góes, presidente do Instituto Nacional do Sal, se referiu à personalidade de do Governador Dix-Sept Rosado.” O senhor Ivo Aquino, líder da maioria no senado, enviou telegrama ao senador Georgino Avelino (PSD/RN): “peço ao caro amigo representar-me nas exéquias do Governado Dix-Sept Rosado e de seus dignos auxiliares às suas famílias e ao governo [sic] do Estado, as minhas condolências pela grande perda do doloroso golpe que sofreram com o desaparecimento de filhos tão dedicados e ilustres do Estado do Rio Grande do Norte”. O jornal Diário de Natal assim noticiou o sepultamento: “Sepultadas as vítimas da maior tragedia [sic] que já enlutou a vida política e administrativa do Rio Grande do Norte: os corpos do Governador do Rio Grande do Norte e dos seus companheiros de infortúnio José Borges de Oliveira, José Gonçalves, Felipe Pegado Cortez, Jacob Wolfson [médico], Agenor Coelho, Sandoval de Oliveira e Pedro dos Santos, foram acompanhados até o cemitério do Alecrim por” . A senhora Darcy Sarmanho Vargas, esposa do presidente Vargas e presidente da LBA, encaminhou telegrama à primeira dama Adalgiza Rosado lamentando o episódio. Outros telegramas com o mesmo teor, endereçados a própria Adalgisa ou ao Governador Sylvio Pedrosa, foram enviados por ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos. As sessões do Senado e da Câmara foram suspensas logo que as notícias da tragédia foram confirmadas. Os jornais de todo o país anunciam o fato. Essa repercussão nacional foi amplamente divulgada na imprensa local, que passou a exaltar a o ex-governador com características extremamente positivas, com características de um homem sem defeitos. Nesse clima de exaltação, em 19 de agosto de 1952, pouco mais de um mês após  o acontecimento, formou-se um movimento popular para a doação de uma estátua de bronze do ex-governador à cidade de Mossoró. Um dos panfletos distribuídos em Mossoró conclama a população a exaltar o ex-governador. Um cronista descreve os acontecimentos durante o sepultamento da seguinte forma: Dix-Sep (Sepultamento) 1.-)Na cidade do Natal no Cemitério do Alecrim, 13 de julho, arrebol de um dia sem sol e duma esperança frustrada (para não dizer furtada). [...] 4.-) A família do extinto e as autoridades de todas as ordens abeiravam-se da campa cercada pela gente que transbordava do cemitério pelas ruas adjacentes na ânsia se não de ver e ouvir, ao menos de participar daquela homenagem ao seu supremo magistrado. 5.-) Ocorreu-nos então esta alocução inédita: Autoridades, homens do povo: eis que um do povo chegou a ser, entre nós a suprema autoridade. Milagre da educação doméstica excelência do regime democrático que o Brasil defende... Edifique-nos, ainda, o comportamento exemplar dessa esposa e mãe integrada nessa paisagem de tristezas, compungida e estóica, – entre a saudade do companheiro que se foi e está a vista e a dos filhinhos queridos e distantes... Pelo exposto, pode-se perceber claramente a comoção popular diante da morte do governador. 

A chegada ao poder 

Toda a exaltação ao Governo Dix-Sept precisa ser dimensionada com exatidão. Na verdade o governador só ficou no cargo entre 31 de janeiro de 1951 – dia de sua posse - e 12 de julho de 1951 – dia de sua morte. Não é possível falar de uma gestão, pois ele ficou no poder por apenas 5 (cinco) meses e 12 (doze) dias. A historiografia norte-rio-grandense tem analisado Dix-Sept Rosado como um político construído a partir da imagem do pai. Nesse sentido, necessário se faz que entendamos esses vínculos familiares e o grau de autonomia de Dix Sept em relação aos negócios e compromisso do pai. Dix-Sept Rosado nasceu no dia 25 de março de 1911, na cidade de Mossoró. Seu pai, o farmacêutico Jerônimo Rosado, chegou a Mossoró em 1890 e lá fincou as raízes familiares e profissionais. Em entrevista concedida, em 1998, Vingt-un Rosado, irmão de Dix-Sept, narra a história do seu pai e explica como foi estabelecido seu vínculo com Mossoró: Meu avô paterno, Jerônimo Ribeiro Rosado, era português. Ele casou-se com uma moça – Maria Vicencia do Nascimento Costa – que pertencia a uma família de recursos, a família Costa, aqui de Pombal na Paraíba. Com a seca de 1877, muita gente daquela região ficou na miséria, inclusive meu avô. Meu pai tinha o mesmo nome do avô. Ele nasceu no dia 8 de dezembro de 1861. Quando meu pai tinha dez anos meu avô morreu. Ele ainda era rapazinho quando se mudou para Catolé do Rocha, também na Paraíba, para trabalhar. Seu primeiro emprego foi na loja do português Amorim, como caixeiro [...] Nesse tempo [...] ele fez amizade com o juiz Venâncio Neiva, [...] [que] foi chefe político e presidente da Paraíba. [...] Aos poucos o juiz foi vendo que o menino tinha vontade de crescer. [...] Primeiro colaborou para que meu pai concluísse os estudos no Liceu Paraibano, na capital da Paraíba. Concluídos os esses estudos [...] doutor Neiva fez uma carta aos dois irmãos dele que moravam no Rio de Janeiro pedindo para que eles auxiliassem meu pai a trabalhar e a estudar. [...] [...] Estudando e trabalhando [...] meu pai concluiu o curso de Farmácia. Com o título de farmacêutico, ele voltou para a Paraíba e se estabeleceu com uma farmácia em Catolé do Rocha. Em 1890, doutor Almeida Castro que era médico e chefe político aqui em Mossoró, o convidou para vir estabelecer-se aqui na cidade. (ROCHA, 2001: 106-7) . Jerônimo Rosado ao chegar a Mossoró, em 1890, instalou-se com uma farmácia, onde produzia e vendia fórmulas farmacêuticas. Em 1911, foi nomeado, pelo governador Alberto Maranhão, 2º Juiz Distrital para o triênio 1911 e 1913. Paralelamente as atividades da farmácia e de Juiz, ensinava Física e Química em colégios da cidade. Em 19152 , começou a explorar jazidas de gipsitas3 , em suas terras, no povoado de São Sebastião4 . Foi presidente da Intendência do município entre 19175 e 1919. Além disso, exerceu o cargo de Coletor Federal entre 1922 e 25 de novembro de 1930, quando faleceu (BRITO, 1985: 62-3). Do ponto de vista familiar, o patriarca teve 21 filhos, frutos de dois casamentos – três do primeiro e 18 do segundo. A primeira mulher, Maria Amélia Henriques Maia, faleceu e Jerônimo casou com Isaura Henriques Maia, ambas filhas do paraibano Laurentino Ferreira Maia. A partir do sexto filho, Jerônimo começou a numerá-los sistematicamente. Do sexto ao décimo filho a numeração era em língua portuguesa. Do décimo primeiro ao vigésimo primeiro filho, Jerônimo passou a nomeá-los com algarismos em francês. Assim da 11ª filha – Laurentina Onzième – até o caçula,  Há divergências quanto a data do início de exploração da gipsita por Jerônimo. Alguns autores se referem a 1912.   A gipsita é um minério que pode ser usado como matéria-prima para diversas indústrias, tais como: fabricação de cimento e gesso para a construção civil; fabricação de moldes cerâmicos; nas indústrias de jóias e automotiva; na medicina; na odontologia. Os Rosados extraíam o minério, industrializavam o gesso e comercializavam a produção.  O povoado de São Sebastião, posteriormente chamado Sebastianopólis, pertencia ao município de Mossoró. Em 1951, em homenagem ao governador falecido, o povoado passou a ser denominado Governador Dix Sept Rosado. Em 1963, o município foi emancipado.  Para dimensionar o tamanho de Mossoró em 1917, pode-se citar: o município possuía uma população em torno de 16.000 habitantes, dos quais 13.000 vivia na zona urbana; existia na cidade apenas três automóveis de passeio, dois carros de luxo, duas diligências. Jerônimo Rosado não estava entre os proprietários desses bens. Um dos carros de luxo pertencia ao médico Almeida Castro, responsável por trazer Jerônimo para Mossoró. 6 Com a primeira mulher – Maria Amélia Henriques Maia – teve os três primeiros filhos, os demais foram frutos do segundo casamento com Isaura Henriques Maia, irmã da primeira esposa. Os filhos de Jerônimo Rosado foram os seguintes: 1. Jerônimo Rosado Filho (1890-1920); 2. Laurentino Rosado Maia (1891- 1891, morreu pouco dias após o parto); 3. Tércio Rosado Maia (1892-1960); 4. Isaura Rosado (1894- 1894, morreu dois dias após o parto); 5. Laurentino Rosado Maia (1896-1897); 6. Isaura Sexta Rosado de Sá (1897); 7. Jerônima Sétima Rosado Fernandes (1898); 8. Maria Oitava Rosado Cantídio (1899); 9. Isauro Nono Rosado Maia (1891-1915); 10. Vicência Décima Rosado Maia (1902); 11. Laurentina Onzième Rosado Fernandes (1903-1922); 12. Laurentino Duodécimo Rosado Maia (1905-1954); 13. Isaura Trezième Rosado Maia (1906), casada com o médico Lavoisier Maia; 14. Isaura Quatorzième Rosado de Magalhães (1907); 15. Jerônimo Quinzième Rosado Maia (1908-1908, morreu antes de completar um ano de vida); 16. Isaura Seize Rosado Coelho (1910); 17. Jerônimo Dix-sept Rosado Maia (1911-1951); 18. Jerônimo Dix-huit Rosado Maia (1912-1996); 19. Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia (1913; 20). Jerônimo Vingt Rosado Maia (1918-1995); Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. (1920-2005). 


Jerônimo Vingt-un Rosado Maia todos foram numerados em francês. As primeiras versões historiográficas sobre o velho Jerônimo, construídas pela história local, o apresentam como um homem de muitas habilidades: farmacêutico, professor, industrial, comerciante, intendente capaz. Contudo, estudos produzidos, sobretudo, na academia a partir dos anos 1990 nos mostram outras faces do patriarca. O trabalho de Ana Lucas, por exemplo, demonstra que Jerônimo Rosado construiu uma fortuna contando com os lucros da mina de gipsita e das rendas da botica. Entretanto, a autora nos mostra que as atividades na botica não se limitavam a venda de produtos, mas se prestava também a ser consultório para os médicos da cidade atenderem seus pacientes. Jerônimo Rosado fornecia gratuitamente o espaço da farmácia para os médicos. Todavia, essa generosidade tinha um importante elemento de troca. Isso porque, esses médicos eram também políticos e “não é difícil de imaginar, por um lado, a relação entre médico-político e paciente-carente no interior do nordeste” na Primeira República (LUCAS, 2001: 75) e, por outro, os benefícios adquiridos por quem emprestava o espaço para as consultas. Pode-se afirmar que Jerônimo Rosado construiu, ao longo das primeiras décadas da República, um poder baseado no comércio, na indústria e nas relações clientelistas. Ele não era tratado como um coronel, mas estava a serviço de uma elite política. Nessa perspectiva, como afirma o professor Lemuel Rodrigues, Jerônimo Rosado não era um líder político, mas um prestador de serviços a uma elite política, sobretudo, ao médico Almeida Castro (RODRIGUES, 2001: 211). Após a morte de Jerônimo, em 1930, as atividades econômicas da família tiveram continuidade com seus filhos Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia e Dix-Neuf Rosado Maia. Dix-Sept, sobretudo, concentrou a administração dos negócios do pai, ampliando os trabalhos nas jazidas de gesso. Foi na condição de empresário, que gerenciava com eficiência os recursos familiares, que Dix-Sept avançou na atividade pública. Dessa forma, em 1948, foi eleito prefeito de Mossoró e, em 1950, foi eleito Governador do Estado do Rio Grande do Norte. Nascido em Mossoró em 1911, Dix-Sept tinha 19 anos de idade quando o pai faleceu. Desde muito jovem costumava observar o pai gerenciando os negócios, acompanhando desde o concerto dos carros da mineradora a administração financeira. Assim, a morte do pai não trouxe uma vida nova, mas uma continuidade do que já fazia. Entre 1930 (ano da morte de Jerônimo Rosado) e 1948 (ano em que Dix-Sept foi eleito prefeito de Mossoró) 18 anos se passaram. Isso demonstra que a ascensão política de Dix-Sept não tem uma relação direta a política exercida pelo pai. Obviamente a estrutura familiar ajudou, mas a hipótese que construímos neste trabalho é que foi o próprio Dix-Sept quem inaugurou a ascensão política da família. Essa ascensão foi fortalecida pela sua morte. A eleição de Dix-Sept Rosado Dix-Sept foi eleito prefeito de Mossoró, pela UDN (União Democrática Nacional), em 21 de março de 1948, tendo como companheiro de chapa Jorge de Albuquerque Pinto. Seus adversários foram Sebastião Fernandes Gurgel e Antônio Mota, ambos do PSD (Partido Social Democrático). Tomou posse no cargo no dia 31 de março de 1948 (BRITO, 1985: 110-112). Em razão de sua candidatura ao governo do Rio Grande do Norte, pediu, inicialmente, no dia 6 de junho de 1950, licença para se candidatar. Em seu lugar assumiu o vice-prefeito Jorge de Albuquerque Pinto. Posteriormente, renunciou em definitivo ao cargo de Prefeito, no dia 1 de julho de 1950, para assumir a candidatura ao governo pela Aliança Democrática, que reunia 3 partidos: PSD/PR/PSP.7 A candidatura de Dix-Sept ao Governo do Estado esteve vinculada a um complexo quadro político, pois incialmente o nome dele não era ao menos citado no processo sucessório. João Câmara, senador do PSD, iria ser candidato ao governo do Estado e contaria com apoios da UDN e do PSD. Todavia, a morte de João Câmara mudou o quadro político. O governador José Varela (PSD) resolveu indicar o primo e deputado estadual Augusto Varela (UDN) como candidato. Dix-Sept (UDN) passou um integrar uma frente contra o candidato do governador. Essa frente foi vencedora das eleições. Concluindo Este trabalho faz parte de uma pesquisa maior que ainda está em andamento. Assim, os resultados aqui apresentados dizem respeito a uma parte do trabalho. Maiores informações podem ser obtidas em BRITO, 1985. Informações mais genéricas sobre o tema estão disponíveis no site:  <http://oestepotiguarsite.blogspot.com/2009/11/prefeitos-constitucionais-de-mossoro.html>. Todavia, já é possível perceber que as imagens construídas sobre Dix-Sept transmitem a ideia do que poderia ter sido. Foi em torno dessas imagens que o poder da família Rosado se fortaleceu ao longo desses anos. Sucessivos mandatos de diferentes membros da família sempre evocam a imagem de Dix-Sept.

∗ Professor doutor do Departamento de História da UFRN. 

Referências Bibliográficas 

A NOITE. Rio de Janeiro. 1952 – diversos números. Arquivo particular e administrativo do Governador Sylvio Pedroza. Fundação José Augusto. Natal. (Arquivo e, organização) Arquivo particular e administrativo do Governador Dix-Sept Rosado. Fundação José Augusto. Natal. (Arquivo e, organização) 

BRITO, Raimundo Soares de. Legislativo e executivo de Mossoró numa viagem mais que centenária: 1853-1985. Fortaleza: Imprensa universitária da UFC, 1985. 

FELIPE, José Lacerda Alves. A reinvenção do Lugar: os Rosado e o “País de Mossoró”. In: ROSADO, Carlos Alberto de Souza; ROSADO, Isaura Amélia Rosado Maia. (Orgs.). Os Rosado em tese. Anais do Seminário 5 meses de governo 50 anos de história (Mossoró, 2001). Natal: Normalize / SerGraf, 2001. 

JORNAL A REPÚBLICA. Natal. 1952 – diversos números. 

LUCAS, Ana Maria Bezerra. O mandonismo rosadista em Mossoró. In: ROSADO, Carlos Alberto de Souza; ROSADO, Isaura Amélia Rosado Maia. (Orgs). Os Rosado em tese. Anais do Seminário 5 meses de governo 50 anos de história (Mossoró, 2001). Natal: Normalize / SerGraf, 2001. 
NASCIMENTO, Larisson C. Profissionalização do jornalismo em Mossoró: profissionalismo e poder local. São Carlos: UFSC. 2008. (Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais) 
ROCHA, Raimundo Nonato Araújo da. Identidades e ensino de História. São Paulo: USP. 2001. (Tese de Doutorado) 
ROSADO, Carlos Alberto de Souza; ROSADO, Isaura Amélia Rosado Maia. (Orgs). In: Os Rosado em tese. Anais do Seminário 5 meses de governo 50 anos de história (Mossoró, 2001). Natal: Normalize / SerGraf, 2001a. 
ROSADO, Sandra. Mensagem de abertura. FELIPE, José Lacerda Alves. A reinvenção do Lugar: os Rosado e o “País de Mossoró”. In: ROSADO, Carlos Alberto de Souza; ROSADO, Isaura Amélia Rosado Maia. (Orgs). Os Rosado em tese. Anais do Seminário 5 meses de governo 50 anos de história (Mossoró, 2001). Natal: Normalize / SerGráf, 2001b. 
SILVA, Lemuel Rodrigues da. Estratégia de poder no Rio Grande do Norte: o caso da família Rosado em Mossoró. In: ROSADO, Carlos Alberto de Souza; ROSADO, Isaura Amélia Rosado Maia. (Orgs). Os Rosado em tese. Anais do Seminário 5 meses de governo 50 anos de história (Mossoró, 2001). Natal: Normalize/SerGraf, 2001. 

Sites Consultados:




Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O SERTÃO DE LAMPIÃO


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LAMPIÃO E O TAMANDUÁ VERMELHO


Não podemos afirmar, com exatidão, a causa ou motivos que levaram alguns sertanejos a entrarem na trilha sangrenta do cangaço. Já para determinadas personagens que participaram do fenômeno, temos, segundo a história, seus relatos e/ou referência de outrem essa causa.

Uma das coisas que temos que fazer, ao estudarmos a História do Cangaço, e tentarmos nos transportar para época. Não só focarmos nossa atenção para determinada personagem, seus atos e suas atrocidades.

A metodologia científica do Fenômeno, nos mostra que existiram três tipos distintos de cangaço:

“(...) o defensivo, de ação esporádica na guarda de propriedades rurais, em virtude de ameaças de índios, disputa de terras e rixas de famílias; o político, expressão do poder dos grandes fazendeiros; e o independente, com características de banditismo. No primeiro caso, após realizarem sua missão de caçar índios no sertão do Cariri e em outras regiões, a soldo dos fazendeiros, os cangaceiros se dissolviam e voltavam a trabalhar como vaqueiros ou lavradores. As rixas entre famílias e as vinganças pessoais mobilizavam constantemente os bandos armados. Parentes, agregados e moradores ligados ao chefe do clã por parentesco, compadrio ou reciprocidade de serviços compunham os exércitos particulares (...).” (Copyleft 2009 © - Dantas & Libório Projects)


Sendo ‘Cangaço’, a denominação ao tipo de luta armada, ocorrida em território nordestino, do fim do século XVIII à primeira metade do século XX. Logicamente que em seus primórdios não tinha essa denominação. Ela aparece quando o homem do sertão da região passa a fazer parte do mesmo. Citam estudiosos que o motivo dessa denominação fora a mania, ou o costume, do roceiro naquele tempo, transportar alguns objetos longos, atravessado em seus ombros. 


Como exemplo, citaremos o transporte de latas no galão. Duas latas, um pequeno pedaço de corda no pau de cada lata e um pau, “pau-de-galão”, tendo, mais ou menos o tamanho do ‘carregador’, onde o mesmo era colocado nos ombros, do direito para o esquerdo, ou do esquerdo para o direito, e levado o líquido precioso do açude, da cacimba, do poço, da pia, tanque natural de pedra, para o pote, pequeno reservatório artesanal de barro, de sua residência. Também se transportava feixes de lenha seca para o fogão a lenha. Pois bem, com essa maneira, ou mania, adquirida, o roceiro, o vaqueiro, etc., em fim, o trabalhador rural sertanejo, quando passa a fazer parte das fileiras cangaceira, ao ter que fazer longas caminhadas com seu rifle, o coloca transverso por sobre os ombros. No entanto, essa imagem, cena, ao mesmo tempo lembra uma ‘canga’, pedaço de madeira trabalhado que era colocado no pescoço dos animais, dos bois, cavalo, jumentos ou burros, até mesmo em carneiros, para que os mesmo servissem de tração, força, para a carroça, carro-de-boi, arado, cultivador, e por aí vai...


Numa região que fazia parte do município da cidade de Triunfo, PE, onde hoje está à cidade de Santa Cruz da Baixa Verde, tinha uma família denominada os “Furtado”, mais tarde recebendo a alcunha dos “Quelé”, composta por seis irmãos, Clementino, Pedro, Quintino, Antônio, José e Manuel. “Todos considerados homens dispostos, valentes e que “gostavam da espingarda”.”(Rostand Medeiros).


O primeiro destaca-se por ter assumido a liderança do clã. Homem forte, valente e destemido terminando por ser subdelegado na cidade onde morava. Com essa função, muito das intrigas por limites de terras, defloramento de moças e outras questões, eram levadas a ele para serem resolvidas. Mesmo quando ele passa a morar na cidade de Prata, PB, ele continua sendo a pessoa mais consultada para resolver certas questões. Aqui mesmo, no município de são José do Egito, PE, fora, diversas vezes, solicitado para dar sua opinião em casos considerados ‘graves’. Mas, para resolver questões entre pessoas, criam-se amigos e inimigos particulares.

Clementino José Furtado, o Clementino Quelé. (tokdehistoria.com)

Clementino José Furtado, o “Clementino Quelé”, quando exercia a função de subdelegado sai no rastro de ladrões de cavalo. Deparando com eles, ocorre um tiroteio e dois ladrões terminam mortos pelas armas de “Quelé”. Então, abre-se um inquérito sobre o caso, destituem Quelé do cargo e o processam. Como a família era toda de homens valentes e dispostos, seu irmão, Pedro José Furtado, “Pedro Quelé”, assume o cargo de subdelegado.

Como já referimos em vários textos, os ‘maiorais’, chefes políticos e ‘coronéis’ da região, e em toda região sertaneja, eram quem determinavam quem seria preso, condenado e até mesmo assassinado, dependendo do caso, ou, simplesmente, sairia livre e solto.

O “major” Aprígio Higino D’Assunção, que por três ocasiões foi prefeito em Triunfo e dono de cartório. Foto reproduzida a partir do livro “Triumpho, a corte do sertão”, de Duana Rodrigues Lopes, pág. 234. (tokdehistoria.com)

Naquela localidade, tinha um chefe político chamado Aprígio Higino D’Assunção, que vendo a oportunidade, fala para Clementino que se nas eleições de Triunfo, PE, ele, Clementino, e os irmão votassem nele ele, Aprígio, mandaria ‘rasgar’ o processo contra ele e ele voltaria a assumir o cargo que fora destituído. Clementino Quelé, achando que nada fizera de errado, e que ‘coronel’ nenhum lhe colocava cabresto, pois aceitando ficaria nas mãos dele, não aceita a proposta. Isso irrita o mandachuva.

Aprígio Higino e parentes. Para o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello ele foi o pivô que levou Clementino Quelé a entrar no cangaço. Foto reproduzida a partir do livro “Triumpho, a corte do sertão”, de Diana Rodrigues Lopes, pág. 373.(tokdehistoria.com)

“(...) Diante da recusa de Quelé em apoiá-lo, Aprígio ordena que uma força policial com um oficial e quatorze praças saíssem à caça do valente (...).” (Tokdehistória, com)

Bem, pesquisadores referem que a ordem que a volante tinha, não era de prender Clementino, e sim, mata-lo. É tanto que, em certa ocasião, estando Quelé e amigos tomando umas cachaças em uma bodega, um deles, Cícero Fonseca, sai para alguma coisa, e naquele momento é alvo de inúmeros disparos.

“(...) Cícero Fonseca era um companheiro de Quelé, onde os dois bebiam na bodega de Sebastião Pedreiro, quando a polícia cercou o lugar e deu voz de prisão. Na versão do respeitado pesquisador (Frederico Pernambucano de Mello), que conseguiu suas informações através do relato de Miguel Feitosa, o antigo cangaceiro Medalha, o pobre Cícero ao colocar o pé para fora da bodega foi crivado de balas (...).” (Blog Ct.)

Naquela volante, não só tinha militares. Alguns ‘paisana’ passaram a fazer parte da mesma. Estes, curiosamente, antigos inimigos de Clementino. Destemido, mas, inteligente, Quelé nota logo as intenções daqueles que o perseguia. Vendo que a coisa estava ‘preta’, pede ajuda aos amigos e, esses pegam nas armas e dão combate a Força Policial. Não tendo previsto tamanha defesa, o comandante da coluna dá ordem de retirada.

A partir daquele momento, os “Furtados”, passam a aumentarem as fileiras dos cangaceiros. Passam a fazerem parte do grupo de Virgolino Ferreira da Silva, o “Lampeão”.

A vida de Clementino José Furtado, o “Clementino Quelé”, o qual o chefe mor dos cangaceiros passa a chama-lo de “Tamanduá Vermelho”, “Clementino é descrito como um homem forte, de tez acentuadamente branca, que realmente ficava com a pele vermelha quando tinha raiva e esta teria sido a razão de Lampião apelidá-lo pejorativamente como “Tamanduá Vermelho”;” como cangaceiro, sua desavença com o cangaceiro Meia Noite, a saída do bando, como ‘cabra’ do coronel Zé Pereira, a adesão a Força Pública da Paraíba, a intriga e perseguição a Lampião, juntamente com suas inúmeras brigadas, contaremos em outras oportunidades.

Fonte Tokdehistoria.com
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Foto Blog Ct.
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G1 - Globo.com

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A “BOTIJA” DA PEDREIRA

Por José Romero Araújo Cardoso

Figura ímpar e querida da geografia humana dix-septiense, Raimundo Rosado da Costa é um verdadeiro repositório de antigas histórias da pedreira, local onde nasceu e conviveu por longos anos quando a antiga mineração de gipsita representava um dos principais suportes econômicos mossoroenses.

Impossível definir a emoção que é ouvir o fraterno primo Raimundinho contar as façanhas do passado, verdadeiro retorno às emoções de uma vida cheia de encantos que remontam aos relatos de Severino Cruz Cardoso, meu saudoso genitor, quando este trabalhava e morava na pedreira em São Sebastião, hoje município de Governador Dix-sept Rosado. 

Na simplicidade bucólica da casa alpendrada do Tirol, Raimundinho fita o horizonte lembrando um passado distante e levando o expectador às aventuras vividas em épocas passadas, como a da “botija” da pedreira.

Seguindo os passos de Lourenço Menandro da Cruz, veio de Pombal, estado da Paraíba, irmão deste de nome Jerônimo Menandro da Cruz, homem destemido e extremamente apegado às coisas materiais. Logo o primo paraibano, assim como o irmão, despertou estima e consideração dos parentes que vieram da terra de Maringá residir na antiga Sebastianópolis. 


Certa vez, contaram-lhe que haviam sonhado com uma “botija” nos arredores da cabeça do Eufrásio, abaixo do Tirol, no caminho para a Cajazeira. Jerônimo Menandro da Cruz preparou-se para ir se deleitar com os valores que estavam abaixo do solo. 

Amolou picareta e todos começaram a interpelá-lo o que estava se preparando para fazer, respondendo que aquilo era para o trabalho diário na extração de gesso. Munido de Bíblia Sagrada, saiu para o lugar indicado pelos “sonhadores da botija”, parentes que gostavam de persuadi-lo a demonstrar seu apego ao dinheiro, além de atos de bravura, como a facilidade que tinha em retirar mel dos enxames que proliferavam na pedreira.

Preparado de corpo e alma para arrancar a “botija”, Jerônimo Menandro da Cruz não percebeu a presença próxima daqueles que o induziram a buscar em recônditos ermos da mineração uma suposta soma em valores, enterrada em épocas passadas por pessoas que não tinham aonde esconder suas economias, prática comum nos sertões de outrora.

As primeiras picaretadas revelaram um “sinal” da “botija”. Era um papel que assinalava a riqueza enterrada no chão duro da pedreira.

Levando-o ao nariz, Jerônimo Menandro da Cruz logo descobriu ter sido ludibriado, pois o odor recente de fumo de rolo despertara sua desconfiança.

Em desabalada carreira, meninos astuciosos da pedreira, entre os quais estava Raimundinho Rosado, não esperaram para conferir a ira do velho parente que acabava de descobrir ter sido “vítima” das artimanhas lúdicas dos familiares, os quais buscavam apenas um pouco de diversão para amenizar o áspero cotidiano da velha pedreira que abrigava a brava gente que desafiava as intempéries a fim de disponibilizar gesso de excelente qualidade que era exportado para todo planeta.

José Romero Araújo Cardoso é geógrafo e professor da Uern.



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