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domingo, 10 de setembro de 2017

100 VEZES NAZARÉ ! POR:MANOEL SEVERO

Caravana Cariri Cangaço em Nazaré 

São pouco mais de 700 metros. Do começo da rua, bem ali na ponta do cemitério até o final da pracinha e da igreja... Talvez os 700 metros mais emblemáticos de todos os cenários do cangaço nordestino. Casinhas de um lado e do outro, bem no meio da vila a capela e ali ao lado a testemunha viva do centenário: Sua excelência o Tamarindo!

“Nazaré... O teu nome tá gravado na história” diz o refrão do hino deste Distrito de Floresta no alto sertão pernambucano, mas na verdade quem conhece sabe que mais do que guardado na história, Nazaré fica guardado no coração. Assim mais uma vez, neste ultimo dia 07 de setembro a Caravana Cariri Cangaço pisava o solo sagrado dos destemidos e “encardidos” nazarenos, desta vez para fechar a programação do Cariri Cangaço Centenário de Nazaré.

 A Vila Centenária de Nazaré 
Ljuiz Ferrraz Filho, Manoel Severo, Ivanildo Silveira, Zinho Flor e Rubelvan Lira

Ao lado de Ingrid Rebouças, dos Conselheiros Cariri Cangaço; Manoel Serafim, Ivanildo Silveira e Aderbal Nogueira e ainda Maristela Mafuz , Camilo Lemos e Evanilson Sousa, fomos recebidos pela tradicional gentileza nazarena, é incrível como diante de tanta cordialidade e amabilidade de um povo, possamos presumir que dali saíram os mais ferozes perseguidores de Virgulino Ferreira.

Tendo a frente o patriarca Ulisses Flor; Rubelvan Lira, Mabel e Maelbe Nogueira, Nancy Flor, Zinho Flor e Luiz Ferraz Filho, a família nazarena acolhia o Cariri Cangaço para mais um dia de visitas e muito trabalho. “Ficamos realmente muito felizes em poder nos unir as celebrações pelo espetacular Centenário de Nazaré que aconteceu agora neste último mês de agosto, o Cariri Cangaço Centenário vem a vila mais famosa do cangaço para realizar mais um grande encontro, será um momento muito marcante no próximo mês de Outubro” fala o Conselheiro Ivanildo Silveira.

 Conselheiro Ivanildo Silveira e a homenagem a João Gomes de Lira 
 Rubelvan Lira recebe em nome da família Gomes de Lira a homenagem

Dentro da programação da visita constava uma homenagem do Cariri Cangaço, através de seu Conselheiro, pesquisador e colecionador, Ivanildo Silveira, a um dos mais emblemáticos personagens da vila, tenente João Gomes de Lira, homenagem recebida por seu filho, Rubelvan Lira.

Para Mabel Nogueira uma das coordenadoras do evento “O ano inteiro estamos comemorando o centenário de Nazaré, mas no Cariri Cangaço teremos muitas novidades e uma surpresa que realmente será um verdadeiro presente digno de um centenário, estamos nos preparando da melhor forma para receber a todos para esse grande Cariri Cangaço em Outubro”. Já Rubelvan Lira, também organizador do Cariri Cangaço Centenário de Nazaré, “será uma festa muito, mas muito emocionante para todos, um grande momento”.

 Nancy, Mabel, Manoel Serafim, Aderbal Nogueira, Maristela Mafuz, 
Manoel Severo e Ivanildo Silveira
 Ulisses Flor e Manoel Severo
 João Lucas e Nancy Flor
Manoel Severo e pequeno volante João Lucas 
 Manoel Severo e Ivanildo Silveira
 Zinho Flor, Manoel Severo e Mabel Nogueira

Luiz Ferraz Filho, um dos mais brilhantes genealogista do Pajeú, e pesquisador da nova geração, “O Cariri Cangaço está proporcionando que possamos contar o outro lado da história, a literatura do cangaço naturalmente se volta quase que totalmente para Lampião, temos pouca literatura voltada para as volantes, dessa forma o Cariri Cangaço cumpre um papel fundamental nesta nova etapa do estudo do fenômeno”.

 Aderbal Nogueira, João Lucas e Manoel Severo: Dois anos depois...
Ivanildo Silveira e Ulisses Flor
 Nazaré: Centenário de muita história e tradição

Ainda em 2015 por ocasião do Cariri Cangaço Princesa, tivemos uma programação especial em Nazaré do Pico, naquela época um dos homenageados representando as novas gerações de nazarenos foi o pequeno João Lucas; filho de Nancy e Netinho Flor; nesta visita os mesmos que entregaram o Diploma ao pequeno Nazareno, Aderbal Nogueira e Manoel Severo, registraram o resgate do momento especial com o mesmo homenageado com o Diploma que estava fixado na sala de sua casa, dois anos depois...

Para Nancy Flor, uma das organizadoras do Cariri Cangaço Centenário de Nazaré “estamos nos preparando para uma grande festa, todos unidos para mais um momento importante de reverenciar nossos antepassados neste centenário, só temos a agradecer ao Cariri Cangaço por esta ao nosso lado mais uma vez”.

 Cariri Cangaço visita o campo santo de Nazaré
 Manoel Severo, Aderbal Nogueira e Ivanildo Silveira ao lado do túmulo de Manoel Neto
  Nancy Flor , Manoel Severo, Zinho e Manoel Serafim
 Luiz Ferraz Filho, Manoel Severo e Ingrid Rebouças

Manoel Severo
Curador Cariri Cangaço
Nazaré do Pico, 07 de Setembro de 2017

https://cariricangaco.blogspot.com.br/2017/09/100-vezes-nazare-pormanoel-severo.html

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POMBAL: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO REALIZA DESFILE CÍVICO E HOMENAGEIA POMBALENSES ILUSTRES


A Prefeitura de Pombal, através da Secretaria Municipal de Educação, realizou nessa quinta-feira, o Desfile Cívico de 07 de Setembro.

O evento abordou o tema “O Bom do Brasil é o Brasileiro”, como forma de homenagear personalidades, que contribuíram e contribuem para o bem coletivo e o desenvolvimento social do país.

Nesse contexto o Estado da Paraíba e Pombal foram destacados nas pessoas das ilustres personalidades: Celso Monteiro Furtado, Leandro Gomes de Barros, Margarida Pereira, Verneck Abrantes, Antônio Elias de Queiroga, Rosilene Maria Lima Araújo, José Willames, Onélia Rocha, Arlindo Ugulino, Solon Dantas de França, Azuil Arruda, além de Antonieta Pereira.

A rede municipal de ensino esteve representada pelos alunos das Escolas “Decisão”, “Nossa Senhora do Rosário” e “Newton Seixas”.

Durante a solenidade outras escolas, a exemplo do “João da Mata”, “Arruda Câmara” e “Monsenhor Vicente Freitas”  da rede estadual, além de diversas instituições tiveram destacadas participações.

O evento contou com a presença de grande público e no palanque oficial estiveram o prefeito Abmael Lacerda (Dr. Verissinho) e seu vice Claudenildo Alencar Nóbrega (Galego da Gavel), vereadores, secretários de governo e outras autoridades civis e militares.

A concentração se deu na Rua Domingos de Medeiros, proximidades da entrada da Rua Capitão Lindolfo (Rua do Fogo).

O trajeto seguiu até a prefeitura, depois por toda a extensão da Rua Coronel Cândido de Assis, culminando em frente à Escola João da Mata.

Marcelino Neto 


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MARMITARIA ESPETO REI

Por José Mendes Pereira

NA MARMITARIA "ESPETO REI" A NOBREZA DO SABOR 

Quentinhas A partir de 10,00 Reais
Feijão carioca
Arroz refogado
Arroz da terra
Macarrão
Farofa
Verduras cozida
Vinagrete
2 opções de carne: gado, suína, frango e linguiça assados na brasa !!


Rua senador Pedro Velho 326 - Martins - Rio Grande do Norte, em frente a Rádio Liberdade FM, bom ponto de referência

Whatsapp: (84)996205415
Facebook: Marmitaria Espeto Rei

Você que é de Mossoró, indo à cidade de Martins, visite a Marmitaria "Espeto Rei" no endereço acima. Prestigie o nosso conterrâneo Joseilson Pereira.

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A VERDADEIRA CEGUEIRA DE LAMPIÃO

Rangel Alves da Costa*

A representação visual de Virgulino Ferreira da Silva se acentua no seu óculo de armação arredondada e no seu olho direito meio fechado. Em desenho, pintura ou fotografia, a confirmação maior vem de tais aspectos. Igualmente a John Lennon, não há que se falar no líder cangaceiro sem se ter em mente o rosto triangular adornado pela famosa armação. E também pelo olho semicerrado.

Se Lampião era completamente cego ou apenas de pouca visão no olho direito, de pouca valia terá na sua outra cegueira, aquela que tantas vezes se fez tão verdadeira que talvez ele não tenha conseguido enxergar nem dentro de si mesmo. E foi esta que colocou em dúvida sua qualidade de líder, de indiscutível comandante.

Ora, cegueira não significa apenas um distúrbio na visão, uma perda total ou parcial da capacidade de avistar, mas também o não querer enxergar aquilo que está adiante, não só dos olhos como da percepção. E em muitas situações era esse tipo de cegueira, a pessoal, que mais afligiu Lampião, conscientemente ou não.


Verdade é que muitas vezes, diante de muitos fatos e acontecimentos, Lampião se mostrou completamente cego perante a realidade. O problema no olho não o impedia de divisar sombras escondidas na mataria, não dificultava seu alvo certeiro, não causava nenhum problema nos momentos mais precisados. Mas a sua outra cegueira sim.
E por que a outra cegueira? Considerando-se, de modo figurado, que cegueira é também distúrbio da razão, falta de discernimento, falsa percepção da realidade, obcecação, falta de lucidez ou de capacidade de raciocinar, logo se tem que Lampião se mostrou completamente cego. E cego, por exemplo, quando confiou demais na sua fama, na rede de proteção que havia firmado e na descrença perante aqueles que o alertavam para os perigos rondando os coitos e as veredas.

Mas nada disso causa estranheza diante de outras demonstrações de absoluta escuridão íntima, pessoal, confrontando mesmo todo aquele arcabouço consciente, intelectivo e estratégico do guia maior dos cangaceiros. É de causar verdadeiro espanto quando o grande estrategista, o astuto catingueiro, o sábio da luta, de repente comece a agir como se nenhuma valia desse mais ao seu mando, ao código de conduta imposto, ao que considerava de essencialidade para a luta e sobrevivência do cangaço.

Mas vamos aos fatos. Mas antes disso respondam: Lampião era homem de duas faces, de duas caras como se diz por aí, ou era cabra de palavra, que exigia respeito, ordem e obediência? Mais uma pergunta: Será que Lampião passava uma imagem exterior de uma forma e no âmbito familiar cangaceiro, perante o seu bando, agia de modo totalmente diferente e a ponto de perder força de comando?

Prefiro acreditar no homem de pulso, severo diante de erros, no verdadeiro líder. Prefiro continuar acreditando no homem que jamais se desnorteou das linhas do destino traçadas em sua mão. Contudo, também não posso deixar de afirmar sobre o irreconhecível Lampião diante de tantas façanhas macabras recontadas pelos historiadores e pesquisadores. Somente na mais completa cegueira pessoal o líder maior aceitou que verdadeiros absurdos acontecessem.

As atrocidades de Zé Baiano, o Carrasco Ferrador, contra aquelas mocinhas de Canindé, ocasião em que as três faces sertanejas foram impiedosamente marcadas com ferro em brasa. A torpeza e a traição praticadas contra a cangaceira Rosinha, covardemente morta pelos próprios companheiros de bando - e dizem até que a mando do próprio líder. As mortes de inocentes durante os ataques empreendidos pelo bando nas povoações interioranas. E sem desprezar os relatos dando conta das sanhas bestiais da cangaceirama e de suas ações de violências ilimitadas contra o pobre homem da terra, tudo isso demonstra que talvez os dois olhos de Lampião estivessem fechados. Ou completamente cegos, mas pela outra cegueira.


E verdadeiramente cego porque inadmissível que o homem que pregava uma guerra justa permitisse que seus comandados fizessem qualquer um de inimigo, principalmente quando se tratava de desvalidos da terra. Absolutamente cego porque não se admite que um líder, ainda que não esteja presente em todas as ações dos seus, não os tenha alertado sobre as consequências das violências extremadas e dos atos impensados. Cegueira total em Lampião ao saber que seria responsabilizado por toda maldade praticada pelos seus cabras e ainda assim permitiu que tudo perdesse o controle em muitas situações.

Por isso mesmo que a cegueira do olhar é um quase nada diante da cegueira humana, da perda de clareza na sua ação. O seu olho afetado - e apenas um - não o impedia de enxergar claramente as ações de seus comandados. Como condutor máximo, absoluto, ou foi convivente com as atitudes tomadas ou simplesmente foi aceitando, assim como uma bola de neve ou de espinho. E ao agir assim, ferindo a visão de sua própria consciência, logo se mostrou completamente cego.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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POSSE DA NOVA DIRETORIA DA ADUERN


Convidamos todos os associados e associadas para a posse da gestão Sindicato é pra Lutar, que vai coordenar a ADUERN no Biênio 2017-2019. A posse será realizada na segunda-feira (11/09) a partir das 19h. Demais detalhes da solenidade podem ser conferidos no convite abaixo:
Jornalista

Cláudio Palheta Jr.

Telefones Pessoais :
(84) 96147935
(84) 88703982 (preferencial)

Telefones da ADUERN:

ADUERN

Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Fone: (84) 3312 2324 / Fax: (84) 3312 2324
E-mail: aduern@uol.com.br / aduern@gmail.com
Site: http://www.aduern.org.br
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN

Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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sábado, 9 de setembro de 2017

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:  
franpelima@bol.com.br

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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O TERCEIRO OLHO DE LAMPIÃO

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Temos vários relatos de "repentes" que Lampião tinha, inclusive criar uma mística qualidade de prever algo ou receber avisos de forças estranhas.

Cristina Matta Machado em seu livro "As Táticas de Guerra dos Cangaceiros" segunda edição, à página 37 nos fala do inicio dele no cangaço, aos 21 anos, no bando de "Sinhô Pereira" que se tornaria chefe dois anos depois, teve uma dessas intuições que deixou a todos pasmos.

"Pouco tempo depois de ter entrado no cangaço, Sebastião Pereira estava acordado com seu grupo, na casa de um fazendeiro em Pernambuco. Querendo agradar aos cangaceiros, o proprietário ordena ao feitor:

- Vá estourar umas pipocas pros meninos...

Lampião, que estava passivo, olhar fixo numa só direção, como se estivesse meditando, retrucou:

- Estourar vão ser as balas, num demora mais que cinco minutos.

Houve risos e o fazendeiro confirmou a certeza de todos, de que na região não havia o menor sinal de volante.

Não demorou nem os cinco minutos, o cerco já estava formado e as balas cruzando o ar.

De outra feita, aconteceu lá para os idos de 1920. O grupo cansado da perseguição sofrida, chegaram em uma fazenda de um amigo e esfomeados pediram para matar um bode para comerem.

Os cangaceiros mataram o bode e quando estavam preparando-o fora surpreendidos pelas palavras de Lampião:

- Vamo saí daqui, porque a volante num leva 15 minuto pra chegá.

Não houve dúvidas e, num instante, todos entranharam na caatinga e foram embora, ouvindo a volante chegar em sua pista.

Daí então começou a crescer o respeito de todos por aquele jovem, não somente pelo seu grande poder de percepção, coragem, boa pontaria e disposição, mas principalmente pela capacidade de estratégia que já se manifestava desde cedo.

Quando o chefe de bando Sebastião Pereira deixou o grupo por achar-se velho e querer acabar seus dias mais sossegado, não foi por acaso que Virgulino Ferreira tornou-se chefe em seu lugar. Era um líder natural.


O terceiro olho, também conhecido como Ajna, o sexto chakra, situa-se no ponto entre as sobrancelhas. Conhecido como "terceiro olho" na tradição hinduísta, está ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil. Quando bem desenvolvido, pode indicar um sensitivo de alto grau. Acredita-se que a glândula pineal, localizada no centro do cérebro e no meio da testa, tenha relação com tais capacidades indutivas e percepção sutil. Essa glândula possui semelhanças com o globo ocular, ambos possuem membrana cristalina e receptores de cor. Segundo lendas, seres supra-humanos possuíam o terceiro olho como um órgão que era capaz de exercer faculdades de telepatia e clarividência. Até hoje, muitas pessoas trabalham, através da meditação e outras técnicas, psicologicamente essa glândula para recuperar tais poderes divinos que teriam sido perdidos ao longo da regressão da espécie. (Fonte: O Terceiro Olho)


Bem, voltemos então à Lampião e vejamos como podemos enxergar pelos exemplos de sua vida, a questão de sua enorme capacidade intuitiva.

Em seu livro, "Lampião: o homem que amava as mulheres : o imaginário do cangaço" Daniel Soares Lins diz que "ao pesquisador do imaginário enveredar tanto no campo dos discursos quanto na estrutura das práticas históricas, buscando encontrar nos "fatos históricos" os "resíduos" colados aos personagens. O sonho, a quimera, a mística, a paixão, o "tempo mágico" e os rituais deveriam ser compreendidos como práticas racionais, respondendo, contudo, a uma outra ordem simbólica, a uma outra organização dos signos e dos imaginários."

Fico a imaginar Lampião sentindo seu terceiro olho, enxergar o que seus comandados não viam. Era no canto de uma ave, era no rastejar de uma cobra. No piar do caboré e da coruja. Na borra do café. No voo rasante do urubu. No sonho que tivera. No cantar do galo em hora que não era dele. A correria de uma raposa. Uma aranha que visse. Um mocó cavando o chão. O cão uivando sem motivo. Tudo isso ensejava a Lampião enxergar algo, com esse olho extra que tinha e que lhe valeu muito quando perdeu um dos olhos, literalmente.

No livro "Lampião, senhor do sertão : vidas e mortes de um cangaceiro" de Elise Grunspan-Jasmin, nos traz o poema de Francisco das Chagas Batista intitulado "História do Capitão Lampeão, desde o seu Primeiro Crime até a sua Ida a Juazeiro'', que faz referência à cerimônia de fechamento do seu corpo. Segundo esse poema, Lampião permaneceria invencível enquanto o feiticeiro que o protegia estivesse vivo:

Foi a casa de Macumba
E ele fez o serviço, 
Fechou o corpo do rapaz
P'ra bala, faca e feitiço, 
Então disse a Lampeão: 
Não havera valentão 
Que pise no teu toitiço 

Primeiro ele sujeitou-se 
A um processo arriscado 
Em um caixão de defunto 
Passou uma noite trancado 
O feiticeiro lhe ungiu 
E quando ele de lá saiu 
Estava de corpo fechado. 

Disse-lhe o velho Macumba: 
Agora podes brigar, 
Bala não te fura o couro, 
Faca só faz arranhar 
Feitiço não te ofende 
E a polícia só te prende 
Depois que eu acabar. 

Porém depois que eu morrer 
Ficarás de corpo aberto, 
Tudo pode acontecer-te, 
Pelos maus serás vencido, 
Deves viver prevenido 
Que a morte terá por certo. 

Continuando com Daniel Soares Lins, que diz "...em síntese, ao contrário do historiador que não "ama os acontecimentos", o estudioso do imaginário reivindica, de certa maneira, sua vinculação ao campo das temporalidades e dos acontecimentos, da cultura e da subjetividade."

Isso é importante na criação do misticismo que envolveu Lampião, pois muitas estórias foram contadas e muitas foram também inventadas, por aqueles que o admiravam e reunidos em rodinhas de bodegas nas esquinas das cidadezinhas do agreste nordestino, falavam sobre suas peripécias, cujas aventuras e proezas admiravam.

A esse respeito, o tenente João Gomes de Lira, ex-oficial das Forças Volantes, contou que um colibri um dia se chocou com a aba do chapéu de Lampião que viu nisso um mau presságio e teria dito a seus companheiros que era preciso retroceder. No dia seguinte ele teve a confirmação de que uma Força Volante lhe tinha preparado uma cilada naquele local. Sabendo que se tratava de nazarenos, ele teria feito o seguinte comentário: "Se tivesse passado por lá, teriam acabado comigo" (Pedro Tinoco, "A Superstição Ronda o Cangaço", Jornal do Commercio, 8/7/1997, p. 2).

Por parêntesis quero registrar também, que não era só Lampião que tinha esses repentes e superstições. As Forças Volantes também atribuíam um grande valor aos sonhos e aos sinais premonitórios.

Numa entrevista que concedeu ao Diário de Pernambuco, João Bezerra evoca o recurso aos sonhos, ao sobrenatural e às premonições entre as Forças Volantes antes de iniciar um combate contra Lampião, tanto este lhes parecia ser dotado de uma dimensão sobrenatural: "Pela manhã, os policiais tinham cinco minutos para contar uns aos outros os sonhos da noite. Eram sempre historias de mulher bonita, de caboclas cheirando como flor de manacá. olhos beijando seus rostos queimados pelo sol, envolvendo-os de doçuras perigosas. Terminado o prazo, as bocas se fechavam a contragosto com vontade de comunicar ainda os detalhes esquecidos, dos cabelos das moças evocadas, das donzelas encontradas na beira das estradas."

"Às vezes, noite alta, ouvia-se um rumor, o chefe da volante percorria os subordinados um a um, no escuro, passando a mão pelo rosto para conhecer seus cabras, temendo pela vida de todos, isolados na caatinga bravia, longe de homens mais humanos. Na perseguição de cangaceiros. rastejavam horas seguidas. arrastando a barriga contra a aspereza da terra, olho atento e ouvido apurado, esperando a qualquer momento o soar da fuzilaria, rezando com medo de ensopar a terra com seu sangue já que a chuva não a queria molhar..." - (Afranio Mello, "Como Correu Sertão a dentro a Noticia da Morte de Lampeão". Diário de Pernambuco 5/8/1938, p. 5).

Sim amigos, as estórias são muitas. A Saga Cangaço é muito rica e enseja inclusive a nós viajarmos nas ondas desse grande mar que se chama imaginação. A clarividência de Lampião, esse seu terceiro olho com sua capacidade de "ver" ou de "sentir" o perigo que o ameaçava, não era a única arma mágica de que dispunha para escapar aos seus inimigos. Lampião teria também o dom da invisibilidade, graças a proteções sobre-naturais, às orações fortes que trazia consigo e que podia invocar em situações extremas. Mas esse assunto, deixaremos para um próximo artigo.

http://meneleu.blogspot.com.br/2016/04/o-terceiro-olho-de-lampiao.html

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"O RAPAZ QUE ARRANCOU OS OLHOS OU O PREÇO DA PAIXÃO"


"O Rapaz Que Arrancou os Olhos ou O Preço da Paixão" é o segundo cordel de autoria do poeta piauiense Orlando Paiva, com capa do talentoso Rafael Brito, publicado pela Cordelaria Flor da Serra. O primeiro foi um folheto que tem como tema um alerta à prevenção ao mosquito transmissor da dengue e outras viroses. Orlando Paiva, por ser um poeta de seu tempo, tem trabalhado textos que tenham vínculos com seu cotidiano. O que vincula "O Rapaz que Arrancou os Olhos" com o cotidiano é a forma como o poeta teve contato com a história. Como ele mesmo ressalta, no início do poema, foi uma notícia que circulou na internet. Sabemos que na "rede", por ser democrática, já que todos podem publicar o que bem entender, circula informações duvidáveis. Verdade ou não, essa do "rapaz que arrancou os olhos" despertou no poeta o interesse em construir uma narrativa poética com o tema, dessa forma, dando continuidade a um tipo de construção textual muito importante no percurso histórico do cordel, que é o "folheto de acontecido", que outrora se chamou "jornal do sertanejo". Fiquemos agora com os versos inicias da história e para ler o folheto completo, compre diretamente com o autor ou faça seu pedido pelo E-mail cordelariaflordaserra@gmail.com ou pelo WhatsApp (085) 9. 99569091.


Aqui nesse meu cordel
Será um caso narrado
Do jeito que está sendo
Na internet divulgado.
Esse caso impressionante
Deixou-me emocionado.

Aconteceu com um rapaz
Que foi vítima da paixão.
O cupido lhe acertou
Com a flecha da sedução
E, para uma moça, ele
Entregou seu coração.

Sua paixão por essa moça
Era tão descontrolada
Que ele só pensava nela,
Não se concentrava em nada.
Passava o dia pensando
Nos olhos de sua amada.

Trabalhava o dia inteiro,
Tinha a rotina corrida.
No final do dia ia
Encontrar sua querida,
Dizendo, todo orgulhoso:
- Você é a minha vida.

Abandonou os estudos
Para poder trabalhar.
Seu maior desejo era
Um dia com ela casar,
Ganhar bastante dinheiro
E boa vida lhe dar.

Realizar os seus sonhos
Era tudo que queria;
Com ela ter muitos filhos
Numa bela moradia;
Viver em felicidade
Com paz, amor e harmonia.

Porem havia um dilema,
Esse era o seu tormento.
Esse empecilho era grande
E impedia o casamento.
A moça não enxergava.
Cega era de nascimento.

Devido à deficiência
Vivia a se lamentar.
Dizia para o rapaz:
- Eu só quero me casar
Quando fizer um transplante
E passar a enxergar.

Dessa forma, o namorado,
Angustiado vivia.
Penalizado por ela,
Pois ela muito sofria,
Aguardando um doador
Para sua cirurgia.

Assim transcorriam meses
E o seu triste padecer,
Pois sua felicidade
Só iria acontecer
Se conseguisse um transplante
Para a moça poder “ver”.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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