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domingo, 26 de janeiro de 2020

"O CAMINHÃO QUEIMADO PELO GRUPO DE VIRGÍNIO"


Por Moustafá Veras

O grupo de Virgínio se deslocava por uma estrada alagoana, quando ouviram alguma coisa se aproximar. Diante da aproximação de algo desconhecido, o bando tratou de armar uma emboscada na estrada. 

O alvo da emboscada foi um caminhão que imediatamente foi revistado pelos cangaceiros que buscavam dinheiro, porém só encontraram pacotes com sutiãs. Por não terem encontrado o que queriam, atearam fogo no caminhão 

.A revista Fatos e Fotos, número 97, datada de 08/12/1962, publicou a foto do caminhão queimado, cercado por volantes, e colocou erroneamente como título da publicação: " Como vingança da morte de Lampião, Corisco queima até carros". 

Em conversa com o amigo João de Souza de Lima Durvinha confirmou que o caminhão foi queimado por Virgínio e Moreno, por tanto, não foi Corisco o responsável por este ato. Ainda segundo Durvinha, esse fato ocorreu dois ou três anos antes da morte de Lampião.


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ASCENDÊNCIA DO CANGACEIRO CAJUEIRO

Por Valdir José Nogueira
José Pereira Terto, cangaceiro Cajueiro


Residente nas cercanias da Serra do Reino em Belmonte, o célebre cangaceiro “Cajueiro” tinha como nome de batismo José Pereira Terto, sendo filho de Manoel Terto Alves Brasil e de Antônia Pereira da Silva (Totonha). Amplamente conhecido no mundo do cangaço, Cajueiro foi o homem da mais elevada confiança de seus primos Sinhô Pereira e Luiz Padre.

Conta-se que em princípios do século XX, Cajueiro havia levado uma sova de um soldado por nome Cipriano de Souza, porém, ao chegar em casa, sua mãe dona Totonha Pereira não o abençoou. Dias depois, Cajueiro resolveu assassinar o seu agressor e ao retornar para casa, foi abençoado por sua genitora. Depois deste fato, o mesmo resolveu ingressar no cangaço ao lado dos primos Sinhô Pereira e Luiz Padre. Em 1919 foi para o Planalto Central com Luiz Padre. Retornando ao Pajeú no ano de 1922, Cajueiro foi de fundamental importância no estratagema de Sinhô Pereira, Luiz Padre e Ioiô Maroto que culminou no ataque a Belmonte no dia 20 de outubro de 1922, onde foi assassinado o coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, próspero comerciante daquela cidade sertaneja. Cajueiro deixou seu nome marcado na história como um dos homens mais experientes do cangaço, muito valente e moralista.

Ascendentes de Cajueiro:
Lado materno:

Mãe; Antônia Pereira da Silva (Totonha, falecida em 06/05/1946 aos 80 anos de idade), filha do primeiro casamento de Dona Dé (Maria José Pereira da Silva) com o major Joaquim Pereira da Silva Tintão (este filho do Comandante Superior Manoel Pereira da Silva). Dona Dé era filha de Josefa Pereira da Silva (Dona Zefinha do Serrote) e de Joaquim Nunes da Silva. Portanto, Cajueiro era bisneto de Dona Zefinha do Serrote (Josefa Pereira da Silva) e também bisneto do Comandante Superior Manoel Pereira da Silva. O Barão do Pajeú era tio avô de Cajueiro.

Lado paterno:

Pai; Manoel Terto Alves Brasil, filho de José Alves dos Santos e de Carolina Jocelina (ou Marcionila) da Silva, esta filha do Padre Francisco Barbosa Nogueira e de Quitéria Pereira da Cunha da fazenda Cipó em Serra Talhada. Portanto Cajueiro era bisneto do Padre Francisco Barbosa Nogueira (este neto de Manoel Lopes Diniz fundador da fazenda Panela D’Água em Floresta).

Em virtude de umas querelas familiares onde residia, na fazenda Cipó em Serra Talhada, o casal José Alves dos Santos (Cazuza Cego) e Carolina Marcionila da Silva (filha do Padre Francisco Barbosa Nogueira e de Quitéria Pereira da Cunha), comprou em 1881, na Freguesia de Belmonte, uma propriedade na fazenda Campo Alegre, cercanias da Serra do Reino (cuja vendedora foi dona Jacinta Pereira de Souza), onde passou a residir. Este casal deixou nove filhos dentre os quais o Sr. Manoel Terto Alves Brasil que casou com Antônia Pereira da Silva (Totonha, filha do major Joaquim Pereira da Silva Tintão e Maria José Pereira da Silva, Dona Dé), pais de Cajueiro: José Pereira Terto.

Valdir José Nogueira,pesquisador e escritor
Pres. da Comissão Local do Cariri Cangaço
São José de Belmonte, Pernambuco


NOTA DO PESQUISADOR SOUSA NETO:Em 1923 ao chegar em Minas Gerais, Cajueiro ou Joaquim Araújo da Silva, nome adotado naquelas paragens torna-se amigo pessoal do Cel. Farnesi Dias Maciel, irmão do Presidente Olegário Maciel. Foi da guarda pessoal do Governador Olegário onde na revolução de 1930 deu total proteção a esse que junto aos primos JOSÉ ARAÚJO E FRANCISCO ARAÚJO, formaram um pelotão para guardar o Palácio do governador que esteve sob iminente ataque das forças getulistas.

Para ilustrar mais um pouco a bela matéria do nosso valoroso amigo Valdir José Nogueira, vejam acima a certidão de óbito do célebre Cajueiro. Atente para o detalhe: ele faleceu exatamente três meses e nove dias após Sinhô Pereira. No Livro do cartório ambos os óbitos estão na mesma página. Outro detalhe, nasceram no mesmo ano 1896.

Abraço a todos! Depois contarei o resto.


E Vem aí...



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CENTENÁRIO DE NECO DE PAUTÍLIA


Carla Rogéria Rosa Ferraz

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CORONELISMO, O PAI DO CANGAÇO

Museu do Cangaço mantido pela Fundação Cabras de Lampião, Serra Talhada (PE) - Foto: Henrique Rodrigues.

No terceiro capítulo da reportagem especial sobre os 80 anos do fim do cangaço, o professor e colaborador da Fórum, Henrique Rodrigues, conversa com pessoas, entre elas o prefeito de Serra Talhada, que contam mais sobre a história da cidade de Lampião.

Por Henrique Rodrigues*


Numa manhã tórrida assisto a uma apresentação de Xaxado no pátio do Museu do Cangaço de Serra Talhada, o principal equipamento de preservação da história do movimento e que é vinculado à Fundação Cabras de Lampião.

Esta é a terceira parte de uma reportagem especial que será publicada em quatro capítulos. Confira a primeira aqui e a segunda parte aqui

O Xaxado é uma dança criada no cangaço, inicialmente apenas masculina, que era feita pelos bandos para comemorar vitórias sobre os inimigos. A cidade carrega oficialmente o título de “Capital do Xaxado”.

O responsável pelo acervo e pela visitação ao local é o historiador Karl Marx Santos Souza. Logo de início, peço para que ele dê uma definição sucinta do que foi o cangaço, já que tanta gente tenta explicar o fenômeno e acaba se embaralhando.

“O cangaço foi um movimento social, mas não se enquadra num movimento político. Não tinha essa intenção. Ele foi um resultado direto de tudo de ruim que existia no sertão naquele momento histórico, como a ausência do Estado, a desigualdade brutal e a miséria. Dessa equação, surge o cangaço. Eu sempre digo que o coronelismo é o pai, ou a mãe, do cangaço.”

Karl também ressalta que o cangaço não começou com Lampião:

“O cangaço já existia desde o século XIX, ele não surge com Lampião. Porém, sem dúvida foi Lampião quem tornou esse movimento muito mais organizado e hierarquizado, dando um caráter mais abrangente ao fenômeno social.”

Grupo de Xaxado da Fundação Cabras de Lampião – Foto: Henrique Rodrigues

De acordo com o historiador, como o cangaço teve uma forte repercussão nacional, as autoridades acabaram por dar certa atenção à região do semiárido. A guerra travada entre os bandos acabou resultando numa melhora da infraestrutura local da época.

“Curiosamente, se é que podemos dizer assim, foi o cangaço que acabou por trazer aos sertões alguns traços de desenvolvimento, como o telégrafo, a iluminação pública e as estradas, porque os bandos de cangaceiros pintavam e bordavam com as forças policiais e então era necessário trazer uma infraestrutura para região, com o intuito de facilitar a ação de combate por parte do Estado”, explica.

Justamente sobre esse combate, peço para que Karl explique o papel do regime ditatorial de Getúlio Vargas na extinção dos conflitos gerados pelos cangaceiros.

“O Estado Novo, conduzido por Getúlio Vargas, foi decisivo para aniquilar o cangaço. Ele determinou que todos os focos de conflito no território brasileiro deveriam ser sufocados, para garantir um ambiente de paz, quando na realidade o que Getúlio desejava era o controle absoluto de tudo”, conta.

Ainda no âmbito da violência no sertão, falo sobre a onda da imprensa do Sudeste de classificar como ‘Novo Cangaço’ as ações do crime organizado, ao explodirem agências bancárias e tomarem cidades inteiras com reféns em vários Estados. Karl discorda da nomenclatura e cita nominalmente as diferenças entre as duas coisas.

“Não dá pra traçar uma analogia entre o cangaço e essas ações empreendidas hoje por bandos fortemente armados ligados ao crime organizado, que vêm aterrorizando cidades do sertão. Exceto por uma coincidência geográfica, parece-me que uma coisa não tem nada a ver com a outra, diferentemente do que a imprensa vem tentando emplacar ao afirmar isso. Claro que razões sociais estavam por trás do cangaço, assim como também estão por trás do crime organizado moderno, mas as situações históricas, lá atrás e agora, são completamente diferentes.”

Como é chefiar a cidade de Lampião? 

Luciano Duque (PT) inicia o último ano de seu segundo mandato frente à prefeitura de Serra Talhada. Ele também já foi vice-prefeito por oito anos e vereador. O chefe do Executivo municipal fala sem constrangimentos a respeito de comandar a cidade que carrega o peso de ser a terra natal de Lampião, ressalta que para muita gente esse passado ainda é visto como um estigma, mas se queixa do fato desse tratamento não ser dado a todas as cidades que têm relação com o cangaço:

“Há um preconceito muito grande ainda. São fatos que dividem a sociedade e não se pode negar que Lampião é a figura mais conhecida de Serra Talhada. No entanto, se você vai a Xingó (Piranhas), a Fortaleza, a Aracajú, ou Natal, percebe que isso não ocorre por lá. A figura de Lampião é uma fonte de renda, é uma narrativa, e tudo bem”, pontua.

É perceptível que a cidade de Serra Talhada explora a figura do lendário cangaceiro, mas o fato gera controvérsias no meio político. Investir em Lampião às vezes provoca desavenças, explica o prefeito.

“Quando investimos nesse setor somos acusados de incitar a violência… Veja você, somos acusados justamente por essa direita violenta que emergiu no país. Falam que cultuamos Lampião. Sem contar o fato de que ainda muita gente nos critica por terem muito vivo na memória esses episódios do cangaço, por terem internalizado aquilo que ouvem de suas famílias. Não ocorre como em Juazeiro do Norte, com Padre Cícero, que na História também é uma figura muito polêmica, visto que foi parte de uma aliança entre cangaceiros, elites e a religião”, afirma.

O prefeito afirma também que se sente isolado nas outras esferas de poder quando o assunto é preservar a história do cangaço e de Lampião. O governo do Estado, que tem papel central na Cultura, não auxilia em nada, segundo ele.

“O governo do Estado de Pernambuco até investe em ações culturais que eventualmente possam mencionar o cangaço e Lampião, mas especificamente sobre o assunto ele sempre deu as costas. E isso não é uma coisa nova, não! Só mesmo no governo Jarbas Vasconcelos (1999-2006) é que houve uma iniciativa, com o Roteiro do Cangaço, mas para empreender nesse setor é necessário uma parceria com o Sebrae e acabou que ficou tudo no campo das ideias.”

Sobre a economia da cidade, Luciano Duque também esclarece que o município não pode ficar refém da figura de Lampião e que há outras fontes de renda que vêm sendo desenvolvidas.

“O que nós temos é uma vocação econômica comercial, de serviços. Somos um polo de saúde e de educação em toda a região. Nosso PIB dobrou de 2013 para cá e já somos o 2° maior PIB do seminário de Pernambuco, atrás apenas de Petrolina, que é uma cidade quatro vezes maior e que conta com a proximidade com o Rio São Francisco”, declara.

O secretário de Desenvolvimento e Turismo, Marcos Oliveira, que participa da entrevista, endossa as palavras do prefeito, confirma que Serra Talhada explora a figura do Rei do Cangaço, mas frisa que outros caminhos têm sido trilhados para a economia turística local.

“Sim, explora. E eu acho que deveria até explorar mais. Lampião é a figura mais conhecida de nossa cidade e isso deve ser explorado, o que não significa que não tenhamos que buscar uma diversificação econômica, criando novas fontes de renda, como o turismo ecológico e de negócios. Aliás, essa é nossa prioridade agora.”

Pergunto, sem rodeios, se a figura de Lampião é rentável. O secretário responde sem titubear.

“Dá pra dizer que a figura dele é rentável, é óbvio. Você pega um espetáculo como o ‘Massacre do Angico’, encenado pelo pessoal da Fundação (Cabras de Lampião)… Aquilo junta cinco mil pessoas por noite de apresentação, gente de todo o Brasil.”

Finalizo a entrevista com o prefeito Luciano Duque pedindo para que ele diga se há alguma semelhança entre aquela Serra Talhada dos tempos em que bandos de cangaceiros vagavam pela região e a Serra Talhada de sua gestão.

“Não. É totalmente diferente. O que eu posso dizer é que até uns 40 anos atrás parte das pessoas ainda reproduzia a violência vista no cangaço. Mas agora temos novas gerações, foram décadas de educação. Conseguimos produzir massa cinzenta, por meio da educação. Nos últimos anos, nos governos Lula e Dilma, por exemplo, recebemos as instituições federais de ensino. As coisas mudaram completamente.”

*Henrique Rodrigues é professor de Literatura Brasileira e jornalista 

Esta é a terceira parte de uma reportagem especial que será publicada em quatro capítulos. Confira a primeira aqui e a segunda parte aqui
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CHICO PEREIRA" - O CANGACEIRO



Vingança no Sertão – Código de honra

O sertão nordestino sempre teve seus códigos de honra. Quando alguém ousava quebrar tais códigos, estaria assinando uma sentença de morte.

Sabemos que o sertanejo é homem forte e destemido, enfrentando as intempéries da seca, além de outras adversidades, mas capaz de superá-las, com coragem e altivez. O sertão é misterioso, implacável e não perdoa os erros ou quebra da palavra empenhada, que significa dizer: código principal da honra sertaneja.

O que aconteceu com Chico Pereira não poderia jamais ter sido diferente, mesmo tendo prometido ao pai moribundo, não participar ou promover qualquer tipo de vingança. Vingança aconteceu. E a história já fez o seu julgamento.

Vejamos, através da narração dos fatos, como tudo aconteceu.

O coronel João Pereira, morava na cidade de Nazarezinho, outrora distrito de Souza/PB, era casado com Dona Maria Egilda, proprietário da fazenda Jacu, possuía um barracão em Nazarezinho e tinha sete filhos, sendo quatro homens e três mulheres.

Uma noite, João Pereira, já prestes a fechar seu estabelecimento, viu entrarem três homens.

armados. Ao atendê-los, o coronel chamou a atenção deles sobre o uso de armas, quando na época havia uma proibição municipal que não permitia pessoas andarem armadas. Isso foi o suficiente para início de uma discussão seguida de tiroteio e facadas, pancadarias e gritaria, resultando em alguns mortos e outros feridos, inclusive o coronel João Pereira, o qual foi levado para sua casa na fazenda Jacu, distante cerca de cinco quilômetros.

Em consequência dos ferimentos graves, o coronel veio a falecer diante de sua família, suplicando aos filhos para que não se vingassem. "Vingança, NÃO." foram suas últimas palavras.

Há revolta do povo que não se conformava com a morte do coronel e pedia justiça, uma vez que a polícia apresentava nenhum interesse em prender o foragido Zé Dias, envolvido na chacina e protegido pelas autoridades locais.

Chico Pereira, o filho mais velho do coronel, com apenas vinte e dois anos de idade, se viu impelido pela comunidade a fazer justiça. Pressionado, sai à procura de Zé Dias que se refugiara nas serras da região. Chico Pereira encontra-o, prende-o e o leva à delegacia, sendo ovacionado pelo povo que queria ver Zé Dias preso.

Após alguns dias, o criminoso já se encontrava solto. A população revolta-se e passa a exigir vingança por parte do filho mais velho do coronel. Este, sem outra opção, se vê obrigado a não cumprir o pedido do pai moribundo e parte para a Vingança, como era costume na época, exigência da lei de honra, familiar do sertão. Depois de alguns dias, o criminoso é encontrado morto. Maria Egilda, finalmente ouve do filho a declaração que mais temia: "Mamãe, fizeram-me criminoso':

E foge, passando a viver clandestinamente nas matas da região. Para enfrentar a polícia e não ser preso cria um bando de cangaceiros.

Chico Pereira começa então sua saga que dura mais de seis anos, ora fugindo da polícia, ora comandando o bando. Mesmo diante de tantos problemas e da vida tumultuada, sua noiva, Jardelina, jovem adolescente de doze anos de idade, quando noivara, não hesitou em se casar com ele, aos quatorze, em cerimônia realizada por procuração. Foi esta a única saída possível e que lhe possibilitou ser pai de três filhos, os quais não chegaram a conhecê-lo, pois Jarda, como era conhecida, já estava viúva com apenas dezessete anos de idade.

Absolvido em júri popular, na Paraíba, Chico Pereira foi acusado de um crime que não cometeu no Rio Grande do Norte, onde nunca estivera. Apesar de contar com a proteção do Presidente do Estado da Paraíba, através de um irmão deste, foi levado para aquele estado e entregue à justiça potiguar.

Tempos depois, foi Chico Pereira transferido do presídio de Natal/RN para o interior do estado. Os policiais potiguares, devidamente instruídos, forjaram um capotamento do carro, massacraram-no e o matam sem a menor chance de defesa. Estava Chico Pereira com vinte e oito anos de idade. Sua mãe, dona Maria Egilda, nem sequer teve a sorte de enterrar o seu filho, pois preferiu seguir a orientação do advogado da família, Doutor João Café Filho ( futuro presidente do Brasil), que recomendou para ninguém da família pisar em terras do Estado vizinho sob pena de ser morta.

A tragédia continua com o assassinato inesperado e brutal de Aproniano, e a prematura morte de Abdon, que estuda medicina no Rio de Janeiro. Este, acometido de tuberculose, veio a falecer nos braços de sua mãe, na fazenda Jacu.

Vida longa teve o único sobrevivente, Abdias, que veio a falecer recentemente, no dia 28 de julho de 2004, com cento e três anos de idade. Dos três filhos de Chico Pereira, Raimundo formou-se engenheiro, no Recife; Francisco ordenou-se padre em Roma e o terceiro, Dagmar, é frade franciscano com nome de Frei Albano.

Chico Pereira foi um dos homens mais destemido do sertão paraibano, que levado pelas circunstâncias da época, fez "justiça" com as próprias mãos e tornou-se cangaceiro.

FONTES DE PESQUISA:

01- Vingança, Não - Autor: F. Pereira Nobrega (Filho de Chico Pereira);
02- A Vingança de Chico Pereira - Autor: João Dantas
http://lampiaoaceso.blogspot.com/…/vinganca-de-chico-pereir…


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NOTA DE PESAR!


Por Relembrando Mossoró

É com tristeza que o grupo Relembrando Mossoró vem comunicar o falecimento de dona Anunciação Cavalcante, a mesma faleceu em 25 de janeiro de 2020, agora a noite. Nossos sentimentos aos familiares e amigos. 

Vá em paz!


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sábado, 25 de janeiro de 2020

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
PEÇA ATRAVÉS DESTE E-MAIL: 

frampelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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O CANGAGACEIRO (1953)

LAMPIÃO REI DO CANGAÇO, VÍDEO REAIS COM MONTAGEM DE SOM


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DANDO UM TEMPO

*Rangel Alves da Costa

Recentemente publiquei na rede social: Vou dar um tempo. Aqui do Facebook e de muita coisa. Até não sei quando!
Realmente, preciso dar um tempo. Preciso reencontrar o norte de muita coisa perdida. Preciso principalmente me reencontrar para saber se ainda existo.
Estou cansado de muita coisa. Cansado até de viver fingindo alguma felicidade. Creio ter chegado a hora de enfrentar as realidades sem a máscara das ilusões e chorar quando houver que chorar, e sorrir quando alguma alegria surgir.
O Eclesiastes parece não estar sendo muito justo comigo. As coisas não estão em contínua transformação, conforme ensina o livro bíblico. Não está havendo sol para depois cair a chuva, não está havendo noite para depois surgir o dia. Tudo numa constância só!
Sei que muitos gostam do que eu escrevo, das fotografias que posto, das informações que de vez em quando repasso. Mas tudo estava sendo feito apenas para os outros. Ademais, tudo numa escrita fria, tudo sem sentimento e nada do que realmente existe em mim.
As respostas, estas somente eu sei onde estão. Mas logo direi que todas estão em mim, dentro de mim, no meu eu. A verdade é que não tenho andado contente. A verdade é que todo sorriso surgido sempre é fruto de um esforço sem fim para que assim aconteça.
Talvez eu esteja como o menino Zezé do romance Meu Pé de Laranja Lima. Ele andava entristecido quando lhe foi perguntado por quer estava assim. “Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de laranja lima”. Foi o que respondeu. Eis o motivo de sua tamanha tristeza.
Não cortaram meu pé de laranja lima, mas cortaram muito de mim. Infelizmente, cada vez mais tenho desacreditado mais nas pessoas. E é uma perda muito grande saber que de repente as pessoas acreditadas chegam com falsidades e traições. Tudo isso é um pé de laranja lima cortado na vida da gente.
Acreditar em quem? Amigos ainda existem? Ou a vida é um viver de ilhéu solitário por que somente assim não se corre o risco de ser pelas costas apunhalado? Que tempos são esses, meu Deus?!
Mas grande parte da culpa é minha. Nunca escondi de ninguém que gosto de solidão, de estar sozinho, de seguir desapegado de mão pelos caminhos da vida. Eu bem que poderia ter continuado assim. Eu tinha duas mãos, mas uma eu perdi assim que a estendi. Bem feito pra mim.
Então dar um tempo é o melhor que faço. Não posso costurar a boca, não posso esconder a mão que me resta, não posso afastar os outros da mesma estrada por onde passo, não posso deixar de estar na presença de pessoas, mas posso viver apenas pra mim mesmo. E é isso que tenho a fazer.
Tenho aprendido cada vez mais que a grande conquista da vida, ou a verdadeira conquista da vida, está no autoconhecimento. E no autoconhecimento a autoestima, o amor-próprio, o gostar de si mesmo. Esperar pelos outros não. Esperar pelos outros mais não. Ou a pessoa se gosta e se ama ou nenhum amor ou gostar será conquistado.
As roupas sujas precisam ser lavadas. Os panos rasgados precisam ser remendados. Mas apenas aquilo que se presta ao uso. Muito terá de ser jogado fora sem dó nem piedade. O que não presta e continua é como um lixo que destrutivamente vai se acumulando. Isso mais não.
Sei que vai doer fechar a porta e a janela assim de repente. As sombras aumentam as aflições e as angústias. Mas qualquer dia a porta e a janela serão novamente abertas para que o sol retome o seu lugar e novamente brilhe em cada passo do que restar da existência.

Escritor
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COISAS ENGRAÇADAS QUE A GENTE VER E NÃO FICA CALADO

Por José Mendes Pereira
A foto foi feita hoje e pertence ao meu acervo - Liberada para quem quiser usá-la em seus trabalhos.

Enquanto eu esperava pelos meus netos na Praça dos Correios centro de Mossoró vi o busto e as placas do Dr. Francisco Pinheiro de Almeida Castro pintados, e me parece que foram melados de tintas recentemente. Eles estão pintados com tinta preta que até a gente tem impressão que é São Benedito. 


Eu nunca ouvi falar que se pinta busto ou estátua em praça pública. Eles são feitos de bronze e são considerados eternos, muito embora não sejam. Existem líquidos para limpar bronze e não se deve pintar. Eles não foram pichados e sim, pintados com cuidados para que não fossem borrados. Mas é ridículo. 


Quem os pintou eu não sei. Teria sido a prefeitura que mandou fazer aquele trabalho ridículo? Eu acho que não foi. E se foi ela que mandou pintar está totalmente por fora de monumento.

Será que vão pintar de preto a de Jerônimo Dix-sept Rosado Maia?

Ou teria sido alguém na intenção de protegê-los? Se tiver sido deveria ter pedido autorização à prefeitura, porque o que é público não se deve meter a mão ou fazer algo sem autorização dos administradores municipais.

Leia o que escreveu o poeta José Edilson:


"Mossoró ao longo de sua história contou com valorosos profissionais da saúde que dedicaram grande parte de sua vida, em atender a população indistintamente. Nesse contexto, estão inseridos dois exemplos de cidadãos humanitários que não podem ser esquecidos: Francisco Pinheiro de Almeida Castro e Almir de Almeida Castro.

Francisco Pinheiro de Almeida Castro

Francisco Pinheiro de Almeida Castro nasceu em Maranguape-CE, no dia 28 de agosto de 1858. Filho do Tenente-Coronel Inácio Pinto de Almeida Castro e de Maria Pinto de Almeida Castro. Formou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1880. Em 1881, o Dr. Almeida Castro fixa residência em Mossoró, onde casou e viveu e faleceu, numa fidelidade domiciliar de 41 anos.

Foi possivelmente o primeiro médico a instalar seu consultório visando o melhor atendimento possível a quem o procurasse independente da condição social. Almeida Castro participou ativamente da abolição dos escravos em 1883, como Venerável da Loja Maçônica 24 de junho, de 1895 a 1900. Homem culto era Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. O Dr. Castro foi ainda diretor do jornal O Mossoroense de 1920 a 1922.

O historiador Luis da Câmara Cascudo fez um relato biográfico sobre o Dr. Almeida Castro, destacando as suas inúmeras qualidades: “Profundamente bom, generoso, apiedado de todo sofrimento, pareceu ao povo uma expressão apostólica. Tornou-se a figura central de Mossoró. Meu tio Antônio Pimenta, longos anos morador na cidade, dizia, como axioma: – Muito raro em Mossoró, não dever-se dinheiro aos Fernandes nem favor ao Dr. Castro. Almeida Castro se casou em 1895 com sua prima Francisca Veras Saldanha (1862-1909), sem descendentes. Amava profundamente a cidade, o povo, tradições, todos os elementos emocionais para o complexo da mística regional. Era o primeiro mossoroense na instintiva enunciação dos valores”.

Almeida Castro destacou-se também na política. Foi Presidente da Intendência, no período de 1890 a 1892 e deputado federal, em 1920-1922, falecendo em 22 de junho de 1922, em pleno exercício de seu mandato. Era um dos maiores líderes políticos que a região Oeste potiguar conheceu. Tinha entre seus seguidores, Jerônimo Rosado e Rafael Fernandes. Por essa razão, foi homenageado de diversas formas. È nome de maternidade, de rua e foi construída uma herma localizada na Praça Rafael Fernandes.

(*) José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo é servidor da Prefeitura de Mossoró. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Mestre em Geociências pela UFRN".


Enviado pelo autor: José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

GPEC - GRUPO PARARAIBANO DE ESTUDOS DO CANGAÇO


Por Narciso Dias

O GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, completa hoje 8 anos de fundação, criado em 25 de janeiro de 2012 o grupo se consolida como um dos mais atuantes no estudo e pesquisas abordando cangaceirismo, coronelismo e messianismo, mais precisamente na região Nordeste do Brasil.


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INAUGURAÇÃO DA FERROVIA MOSSORÓ



Registro de 1915, inauguração oficial do primeiro trecho da Estrada de Ferro de Mossoró.

A E. F. Mossoró-Souza foi inaugurada em 1915 entre Porto Franco e a cidade de Mossoró, com o objetivo de se alcançar a cidade de Alexandria, na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Após muitos adiamentos, o prolongamento da linha foi saindo aos poucos, em 1926 a São Sebastião e somente em 1951 a Alexandria.

Por volta de 1958 chegou a Souza, encontrando-se com a linha Recife-Fortaleza nessa cidade. Nos anos 1980, a ferrovia foi desativada e seus trilhos arrancados em praticamente todo o percurso.



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JOSÉ IGNÁCIO DA SILVA, VULGO JACARÉ


Cangaceiro Jacaré (irmão de Moreno), morto.
José Ignácio da Silva, vulgo Jacaré. "Em Brejo Santo, Jacaré formou um grupo, que diziam que andavam aterrorizando as pessoas, por isso, teve que fugir junto com o amigo Róseo Moraes, depois de um forte cerco policial, indo encontrar guarida na cidade alagoana de Piranhas, ao lado do coronel José Rodrigues, desafeto de Delmiro Gouveia.
Jacaré casou com Maria Lima, uma moça de Água Branca, Alagoas, que trabalhava na tecelagem da Fábrica da Pedra. Quando da morte de Delmiro Gouveia, Jacaré e Róseo Moraes foram acusados como sendo os matadores deste conhecido sertanejo considerado um homem rico. Com a repercussão do crime, Jacaré fugiu para Brejo Santo, ficando sob a proteção do major Zé Inácio.
O Major quando ficou sabendo do crime, comunicou às autoridades piranhenses, sobre o paradeiro de Jacaré. A prisão do acusado não se demorou e enquanto era recambiado do Ceará para Alagoas, na divisa do Ceará com Pernambuco, nas imediações de São José do Belmonte, Jacaré foi friamente assassinado, como queima de arquivos com o temor de que ele poderia denunciar homens importantes da sociedade, como mandantes do crime daquele que viria a ser considerado um dos maiores progressistas do sertão nordestino."
Por Severino Coelho Viana, João Pessoa - PB, 05 de maio de 2011. Pombalense, Escritor e Promotor de Justiça na Capital paraibana.
PS: Róseo Morais era irmão do cangaceiro Raimundo Morais, vulgo Mundinho, e Xixiu. Residentes no sítio Oitizeiro
Bruno Yacub, pesquisador - Brejo Santo, Ceará ; texto enviado pela filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha, Neli Conceição; Conselheira do Cariri Cangaço.
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ISAIAS ARRUDA - O CORONEL MENINO; HOJE EM FORTALEZA



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