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domingo, 26 de julho de 2020

NO LOCAL DE NASCIMENTO DE LAMPIÃO E ENTENDENDO QUE A HISTÓRIA NÃO TEM DONOS – ELA É DE TODOS!

4-Lampião gostava de mostrar-se um homeme inteligente perante as câmeras
Lampião – Arquivo do autor.

E Testemunhei Sertanejos Entregando Raros Materiais de Lampião e Sua Família a Outros Sertanejos Que Lutam Para Preservar a História!

Autor – Rostand Medeiros
Como já comentei em algumas oportunidades aqui nas páginas do TOK DE HISTÓRIA, recentemente eu tive a oportunidade de retornar ao sertão pernambucano, onde circulei pelas regiões das ribeiras dos rios Pajeú e do Navio, seguindo os antigos rastros dos cangaceiros nos municípios de São José de Belmonte, Serra Talhada e Floresta.
Nesta jornada, realizada no final de maio e início de junho de 2016, eu tive a grata companhia do artista plástico Sérgio Azol, um tranquilo potiguar radicado em São Paulo, que tem a sua interessante arte ligada ao Cangaço.
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Os autores Cristiano Luiz Feitosa Ferraz (E) e Marcos Antonio de Sá (D), conhecido como Marcos De Carmelita – Foto – Rostand Medeiros.
Um dos nossos destinos foi à cidade de Floresta, onde fomos recebidos pelos escritores e pesquisadores Marcos Antonio de Sá, conhecido como Marcos De Carmelita, e Cristiano Luiz Feitosa Ferraz, autores do livro “As cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta – PE”, recentemente lançado.
Em um clima de extrema cordialidade e parceria, estes dois denodados pesquisadores procuraram mostrar vários aspectos da cidade de Floresta e dos fatos relativos ao cangaço na região.
A Bela Floresta e Buscando a História de Como Tudo Começou
Não posso deixar de comentar como a cidade de Floresta me encantou pela singular beleza e pelo povo extremamente hospitaleiro.
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A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no município de Floresta, estado de Pernambuco, surgiu a partir de um antigo oratório da Fazenda Grande, dedicado ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos – Foto – Rostand Medeiros.
Localizada a 433 km da capital pernambucana, a história de Floresta remonta a segunda metade do século XVIII e sua povoação teve início na fazenda Grande, à margem direita do Rio Pajeú. Consta que a localidade, como muitas no interior do Nordeste antigo, serviu de curral temporário para o gado que vinha da Bahia para Pernambuco e depois seguia para outras regiões mais ao norte.
Em alguns anos, mais precisamente em 31 de março de 1846, o povoado de fazenda Grande foi elevado à categoria de Vila, por meio da Lei Provincial n° 153, apresentado pelo representante de Flores, município também banhado pelo Rio Pajeú, do qual a atual Floresta foi desmembrado.
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Praça em Floresta – Foto – Rostand Medeiros
Ainda podemos ver deste período a bela Igreja de Nossa Senhora do Rosário, originária de um antigo oratório da fazenda Grande e dedicado ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos. Foram os proprietários da gleba que doaram metade de suas terras para a construção da capela. Esta igreja fica localizada em um ponto particularmente interessante de Floresta, onde se e encontram várias tamarineiras centenárias que dão ao cenário desta parte da cidade uma característica muito interessante para os visitantes.
Mas, apesar de todas as características desta bela cidade, a razão da nossa vinda a Floresta eram os fatos históricos envolvendo esta cidade e o cangaço. E em relação a este tema o que não faltam são episódios, a maioria deles sangrentos. No livro “As cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta – PE”, brilhantemente escrito por Marcos Antônio de Sá e Cristiano Luiz Feitosa Ferraz, é onde encontramos inúmeros relatos desta intensa história que liga esta cidade a este fenômeno de banditismo rural.
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Os autores do interessante livro “As cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta – PE”, entregando um exemplar do seu trabalho aos descendentes da família Gilo, na fazenda Tapera dos Gilo, local do maior massacre da história do cangaço, fato extensamente narrado no livro – Foto – Rostand Medeiros.
Floresta e a região ao redor é uma cidade umbilicalmente ligada à história do Cangaço e de Lampião, que gravitou muito ao seu redor, desfechando mil ações sangrentas, como a execução daquele que é conhecido como o maior massacre da história deste movimento – O Massacre da Tapera dos Gilo (Sobre este tema ver no TOK DE HISTÓRIA –  ).
Realmente não poderia haver melhores amigos e guias do que Marcos de Carmelita e Cristiano, para apresentar sua terra e sua história ligada ao tema Cangaço.
Gostaria de ressaltar que ao visitar Floresta e região, ao seguirmos pelas veredas do sertão pernambucano, eu tinha a ideia de mostrar a Sérgio Azol os locais de nascimento e morte de Lampião. Naquele momento o de nascimento, onde toda a História desta controversa figura começou, estava bem próximo, a alguns quilômetros de Floresta, na região da Serra Vermelha, já na zona rural da cidade pernambucana de Serra Talhada.

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Os autores junto com um dos gtuardiões da memória do Cangaço em Floresta e na companhia de Sérgio Azol e Rostand Medeiros – Foto – Péricles Ferraz.
Mas antes de chegarmos a este local Marcos de Carmelita sugeriu que realizássemos uma parada na fazenda Maniçoba, local de morada do Sr. João Alves Barros, conhecido na região como João Saturnino e filho do famoso José Alves de Barros, o Zé Saturnino, ou ainda o Zé Saturnino das Pedreiras, um dos mais importantes inimigos de Lampião.
Mas neste caso para mim, ir até a casa de João Saturnino era um reencontro!
Revendo um Velho Sertanejo!
Voltando no tempo me recordei que quase dez anos antes, em agosto de 2006, eu e o escritor e pesquisador Sérgio Dantas estivemos nesta mesma região da Serra Vermelha, mas com a ideia de seguir para a fazenda São Miguel e visitar o Sr. Luiz Alves de Barros, o Luiz de Cazuza. Este era um sobrinho de Zé Saturnino, que conheceu na sua juventude o rapaz Virgulino Ferreira da Silva, que se tornaria o famoso Lampião.
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Rostand Medeiros e João Saturnino em 2006 – Foto – Sérgio Dantas.
Na ocasião deixamos para trás a próspera cidade de Serra Talhada, depois seguimos pela estrada estadual PE-390, onde percorremos cerca de 30 km até o ponto onde se inicia a “Estrada José Saturnino”, que na época tinha uma nova e grande placa indicativa, e seguimos em direção a fazenda São Miguel.
Ao seguirmos por este caminho de barro o amigo Sérgio Dantas recordou que passaríamos nas terras da fazenda Maniçoba, diante da casa de João Alves Barros, o João Saturnino, filho do grande inimigo de Lampião. Animado com a informação eu sugeri a Sérgio Dantas que realizássemos uma parada para bater um papo com ele. Mas Sérgio, prudentemente, comentou que tinha a informação que João Saturnino era tido como arredio a pessoas estranhas e não gostava de conversar sobre coisas do passado que envolvia as lutas do seu pai com a família Ferreira. Isso ocorria principalmente diante das inúmeras acusações que, em sua opinião, buscaram transformar seu pai, um homem sério e honesto, perseguido por bandidos, em um pária da sociedade.
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José Alves de Barros, o Zé Saturnino, ou ainda o Zé Saturnino das Pedreiras, um dos mais importantes inimigos de Lampião – Foto – Arquivo do autor.
Mas nós estávamos a mais de 700 km de nossa cidade, Natal, capital do Rio Grande do Norte, e ali morava o filho do homem que, de uma maneira um tanto torta, havia realizado ações que iniciaram a vida de cangaceiro de Lampião. Opinei que valia a pena tentar uma parada e Sérgio aceitou.
Encontramos João Saturnino com um canivete na mão, cortando algo e sentado em um tamborete diante de sua casa. Mesmo com mais de setenta anos de idade na ocasião, cabelo e barba totalmente brancos, ele transparecia força e isso eu senti na sua voz, forte e profunda, e no jeito bem sertanejo de agir. Ele nós recebeu sem maiores atenções, sem esboçar muitos sorrisos, reservado, com certa desconfiança, sem se mostrar animado, mas também não rejeitou nossa presença e nem foi indelicado. Igualmente nós não iniciamos nosso diálogo com nada relativo ao cangaço.
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O engenheiro Bernardo Sayão em um helicóptero da FAB na Amazônia, fazendo o sina de positivo – Fonte – http://adrielsonfurtado.blogspot.com.br/2015/08/contexto-historico-da-abertura-das.html
Na verdade nem me recordo como iniciamos nossa conversa. Mas me lembro bem que em algum momento ele comentou que no final da década de 1950 havia trabalhado nas obras da rodovia Belém-Brasília. Foi quando me lembrei da história de um grave acidente que aconteceu durante a criação desta rodovia, que naquela época foi considerado uma verdadeira tragédia e tido muita repercussão no país inteiro – O acidente que provocou a morte do engenheiro Bernardo Sayão.
O caso ocorreu em 15 de janeiro de 1959, a uns 30 quilômetros da cidade maranhense de Imperatriz, quando o engenheiro carioca Bernardo Sayão Carvalho Araújo, chefe geral da obra, estava sentado em uma mesa de campanha examinando um mapa e uma árvore de 40 metros de altura caiu sobre ele matando-o na hora. João Saturnino contou, com extrema calma e voz firme, que lembrava do fato e que aquela morte se tornou uma verdadeira tragédia para os trabalhadores que tocavam o desenvolvimento daquela estrada no meio da floresta. Isso ocorreu pelo desaparecimento do homem que, pela sua firmeza de caráter e profissionalismo, era o verdadeiro motor no desenvolvimento da rodovia Belém-Brasília.
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Serra Vermelha em 2006 – Foto – Rostand Medeiros
De alguma forma estranha, relembrar aquele episódio triste quebrou o gelo entre nós e o velho sertanejo. Aquilo abriu o caminho para que pudéssemos conversar com mais calma e tranquilidade sobre o cangaço, seu pai e Lampião.
Recordo-me que passamos quase duas horas conversando com João Saturnino. Nós o deixamos bem a vontade para que ele conversasse o que desejasse sobre aqueles episódios do passado.
O velho sertanejo narrou que nasceu em 9 de outubro de 1929, contou aspectos da propriedade, da vida de seus pais, da questão contra os Ferreira e outras coisas. Mas em síntese ele não contou nenhuma informação dita “bombástica”, ou algo que já não estivesse em algum livro sobre o tema.
Mas está ali junto daquele homem foi muito positivo e interessante. Creio que para ele ocorreu o mesmo sentimento em relação aquele encontro, tanto que ele passou a mostrar alguns poucos objetos pessoais, herança de seu pai, que pensou ser interessante apresentar aos dois visitantes potiguares.
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2006 – Parte de um velho punhal e uma espora quebrada – Objetos que pertenceram Antônio Ferreira e foram perdidos no primeiro combate da vida de Lampião? – Foto – Rostand Medeiros
Dois dos objetos apresentados – Um velho e carcomido punhal e uma espora quebrada – a princípio não me chamaram atenção. Mas o que João Saturnino comentou sobre eles certamente me fez mudar totalmente de ideia. Informou que aqueles objetos haviam sido encontrados no mesmo local onde pela primeira vez os irmãos Ferreira abriram fogo contra seu pai e outros homens. O fato se deu no ano de 1916, mais precisamente no início do mês de dezembro, no lugar Lagoa D’Água Branca, no sopé da Serra Vermelha, a alguns quilômetros da fazenda Maniçoba.
Neste tiroteio Antônio Ferreira, o irmão mais velho de Lampião, saiu ferido com um tiro, mas sobreviveu. E foi durante aquele histórico combate que aqueles dois objetos foram perdidos, provavelmente por Antônio Ferreira.
Estas peças foram encontradas muitos anos depois, já carcomidos e quebrados, por pessoas que trabalhavam para João Saturnino. Este por sua vez os guardou com cuidado. Ele contou que pessoas tinham colocado dinheiro para adquiri-los em algumas ocasiões, mas ele recusou vendê-las.
Observamos estas peças com atenção, interesse e na sequência elas foram fotografadas. Mas com o passar das horas, diante do encontro anteriormente marcado com o Sr. Luiz de Cazuza, percebemos que seria necessário nós despedirmos de João Saturnino.
Logo partimos da fazenda Maniçoba para a fazenda São Miguel, onde se realizou outro produtivo encontro e depois seguimos viagem já tarde da noite. Percorremos cerca de 70 quilômetros, até a bela e serrana cidade de Triunfo.
Reencontro e Surpresa
Passados quase dez anos eu iria me reencontrar com João Saturnino e com as terras da fazenda Maniçoba.
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2016 – Reencontro com João Saturnino – Foto – Rostand Medeiros
Durante o trajeto de Floresta até a casa de João Saturnino, eu comentei com os amigos sobre este encontro de 2006 e estes objetos. Foi quando Marcos de Carmelita comentou que conhecia este material histórico e que verdadeiramente os venerava pelo que eles representavam na história do Cangaço. Sérgio Azol então se interessou por fotografá-los.
Chegamos à fazenda Maniçoba na manhã do dia 2 de junho, por volta das oito horas e lá encontrei João Saturnino.
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Marcos de Carmelita, João Saturnino, Rostand Medeiros e Cristiano Ferraz – Foto – Rostand Medeiros
Como seria natural depois de dez anos, o encontrei transparecendo claramente a ação dos seus 87 anos de idade. Parecia que carregava um peso nas costas, onde suas pernas pareciam não sustentar seu corpo anteriormente rijo. Entretanto a voz rouca e grossa estava ali presente, assim como sua lucidez, pois sem maiores dificuldades relembrou nosso encontro de 2006 e perguntou como estava o escritor e pesquisador Sérgio Dantas.
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O punhal e a espora em 2016 – Foto – Rostand Medeiros.
Sérgio Azol desejou fotografar o filho de Zé Saturnino, que aceitou, mas reclamou por que sua esposa, Dona Olímpia Cavalcante Nogueira, queria que ele vestisse uma camisa mais arrumada e penteasse os cabelos brancos para sair bonito nos retratos.
Depois Marcos de Carmelita perguntou a João Saturnino se seria possível que Sérgio Azol e eu, que havíamos vindo de São Paulo e Natal, pudesse fotografar aqueles raros objetos. E assim foi feito!
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Arquivo do autor
Marcos pegava nos objetos com extremo cuidado e nítida emoção, enquanto isso eu e Sérgio os enquadrávamos nas objetivas de nossas máquinas fotográficas e os clicávamos apenas como registro.
Não sei se estou certo, mas creio que diante daquele reencontro com a minha pessoa e com Marcos de Carmelita, principalmente diante da veneração do amigo Marcos pelos objetos, foi que João Saturnino, para espanto geral dos visitantes, disse que Marcos de Carmelita poderia levá-los como um presente. Mas com a contrapartida que elas fossem bem cuidadas. Nessa hora eu olhei para o meu amigo de Floresta e me espantei com a sua própria cara diante das palavras de João Saturnino.
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Sacramentando a entrega dos materiais – Foto – Rostand Medeiros.
Para aquele homem velho, marcado pelo tempo e pela história do seu pai e de Lampião, aquelas peças carcomidas possuem um muito valor muito especial e evocam vastos sentimentos. Provavelmente ele viu estes mesmos sentimentos presentes no semblante de Marcos de Carmelita e decidiu lhe entregar peças que genuinamente pertenceram ao primeiro combate de Lampião e seus irmãos em toda sua história de inúmeros confrontos e tiroteios.
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João Saturnino e sua esposa – Foto – Sérgio Azol.
Talvez, sem querer, naquela manhã na fazenda Maniçoba o velho João Saturnino me deu uma simples, clara e enorme lição – A de que ninguém é eterno e ninguém é dono da História!
No Lugar Original Onde Nasceu Lampião e Novas Surpresas
Mas aquele 2 de junho de 2016 ainda guardava mais situações interessantes.
Da fazenda Maniçoba seguimos para conhecer o local exato onde Virgulino Ferreira da Silva nasceu – A propriedade Passagem das Pedras.
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Foto das ruínas da casa onde nasceu Lampião, no livro !Lampião, cangaço e Nordeste”, de Aglae Lima de Oliveira, pág. 33, Edições O Cruzeiro, Rio, 1970.
Da porteira de um empreendimento turístico, onde supostamente está uma casa que foi de uma tia de Lampião e que foi reconstruída há alguns anos, seguimos a esquerda por uma estrada de terra bem rústica e maltratada.
Logo estava diante do riacho São Domingos, trecho fluvial extensamente comentado nos muitos livros sobre a vida de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião.
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Vencendo as barrancas do Riacho São Domingos e suas areias – Foto – Rostand Medeiros
Passar pelas barrancas do São Domingos com nosso Renault Sandero 1.0 não foi lá muito positivo para o veículo, mas nem que eu ficasse só com a volante na mão e o carro todo destruído pela estrada, eu queria chegar até aquele local.
A propriedade Passagem das Pedras, onde estão as ruínas da casa onde nasceu Lampião, atualmente pertence ao Sr. Camilo Nogueira, um sertanejo tranquilo, que carrega no rosto os anos de muita labuta em uma terra marcada pelo sol, mas que nós recebeu com um sorriso caloroso e uma saborosa e geladinha água. Água que não foi trazida do fundo de um antigo pote de barro, mas de sua moderna e eficiente geladeira elétrica. Aquela água foi bem vinda, pois o sol cada vez mais esquentava a terra, mas eu, Marcos, Cristiano e Sérgio estávamos todos bem a vontade.
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Seu Camilo – Foto – Sérgio Azol

Com extrema atenção Seu Camilo nós levou até uma área próxima a lateral de sua residência, em um ponto cercado e coberto de vegetação típica de caatinga. Ele comentou que a sua família tinha adquirido há anos aquelas terras que pertenceram a família Ferreira e onde estão as ruínas da casa onde nasceu Lampião.
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A área onde estão as ruínas é toda cercada – Foto – Rostand Medeiros
Nesta área logo ele mostrou vários tijolos vermelhos quebrados e pedaços destruídos de telhas, apontando que certamente ali existiu uma morada. Seu Camilo faz questão de deixar o local preservado, com a vegetação crescendo livremente e os tijolos quebrados e pedaços de telhas espalhados na terra. Ele informou que não deixa ninguém retirar nada. E como essa não era a nossa intenção naquele lugar, a única coisa que tiramos nas ruínas da casa onde nasceu Lampião foram fotos, muitas fotos.
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Local das ruínas – Foto – Rostand Medeiros
Percebi no local a existência dos alicerces originais da casa, mostrando que era uma vivenda com certas dimensões que me surpreenderam. Confesso que esperava algo menor.
Enquanto percorríamos a área me dei conta de quanto interessante era está naquele singular local. Estava distante de muitas coisas e fiquei  imaginar o porque dali saiu uma das figuras mais biografadas das Américas, que no final das contas foi um fora da lei!
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Foto – Rostand Medeiros
Como bem escreveu o jornalista baiano Juarez Conrado, já falecido, em um texto muito interessante, escrito por ocasião da morte de Zé Saturnino e publicado no jornal soteropolitano “A Tarde”, edição de 5 de setembro de 1980. Ali o jornalista muito bem sintetizou o início desta grande querela – “Impressionante o fato de um simples furto de bodes, tão comum nos longínquos anos de 1910 a 1920, haver se constituído no ponto de partida para uma das mais emocionantes histórias do banditismo em toda América Latina, fazendo com que um dos seus personagens, um tímido e bem comportado garoto, do interior de Pernambuco, se transformasse numa figura legendária, da qual ainda hoje se ocupam jornalistas, pesquisadores e, principalmente, sociólogos, todos eles interessados em conhecer de perto detalhes da vida desse homem que marcou época nos sertões brasileiros”.
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A Serra Vermelha, no caminho para a Passagem das Pedras – Foto – Rostand Medeiros
Enquanto fotografávamos a área, Marcos de Carmelita, amigo de longa data de Seu Camilo, lhe comentava sobre o objetivo daquela visita, quem era eu e Sérgio Azol e de onde viemos. Ele também comentou sobre a visita a João Saturnino e os maravilhosos e históricos regalos recebidos. O velho sertanejo achou tudo muito interessante e comentou que em sua propriedade também existiam objetos de trabalho que haviam pertencido originalmente a família Ferreira.
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Peças e engrenagens do engenho de moer cana-de-açúcar que existia na propriedade da família Ferreira – Foto – Rostand Medeiros
Percebi no semblante de Marcos de Carmelita outro susto e dos grandes!
Seu Camilo então comentou que durante a questão entre eles e Zé Saturnino, quando a família de Lampião se deslocou para uma propriedade denominada Poço do Negro, já na área de Floresta, deixou com a Sra. Antônia Nunes, conhecida como Dona Totonha, muito objetos típicos da lide no campo. Ela ficou com a guarda temporária, mas ninguém retornou para buscar nada e tudo ficou por lá.
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Antiga balança dos Ferreira – Foto – Rostand Medeiros
Seu Camilo nós apresentou algumas peças e engrenagens do engenho de moer cana-de-açúcar que existia na propriedade. Além disso Seu Camilo trouxe dois antigos prumos (aparentemente de bronze), dois serrotes de aparar ponta de chifres de boi, duas esporas, uma pequena balança, um enxó e outro materiais. Na prática eram ferramentas típicas de pessoas que viviam no campo, encontrados em muitas fazendas pelo interior do Nordeste. Evidentemente que eram materiais com determinado peso histórico, pois pertenceu à propriedade Passagem das Pedras, local de nascimento de Lampião.
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Foto – Rostand Mdeiros
Mas entre os materiais apresentados, um deles me chamou muito atenção – Um nível de bolha inglês, ricamente trabalhado, que teria pretensamente pertencido a José Ferreira, pai de Lampião.
O nível nada mais é que um tradicional instrumento para indicar ou medir inclinações, muito utilizado por carpinteiros, pedreiros, engenheiros, agrimensores e muitos outros profissionais. O chamado nível de bolha é quando este tipo de ferramenta possui um pequeno recipiente, com certa quantidade de um liquido viscoso, onde em seu interior fica aprisionado uma bolha de ar que serve para indicar a existência de inclinação em planos horizontais e verticais caso a bolha se posicione para fora de uma área previamente demarcada.
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O nível com bolha produzido pela empresa John Rabone and Sons, de Birmingham, Inglaterra que seria uma ferramenta que pertenceu ao pai de Lampião – Foto – Rostand Medeiros
Confesso que em muitos anos visitando inúmeras fazendas e propriedades antigas pelo Nordeste do Brasil, foi a primeira vez que me deparei com este tipo de instrumento. É uma bela peça, que possui a parte superior feita de bronze e madeira de mogno americano no corpo central. Mas interessante mesmo era a origem do artefato!
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Foto – Rostand Medeiros.
Pesquisando inicialmente eu descobri que aquilo era um nível produzido pela empresa John Rabone and Sons, de Birmingham, no centro oeste da Inglaterra. Esta grande cidade experimentou uma explosão de crescimento populacional e econômica, com o advento da Revolução Industrial, da qual Birmingham foi um dos primeiros e mais bem sucedidos centros. Descobri também que a empresa John Rabone and Sons teve suas origens como fabricante de ferramentas gerais em 1784 e o negócio foi continuado pelo neto de John Rabone, Eric. Operou-se sob o nome de John Rabone and Sons de 1784 até 1953.
Continuei pesquisando nos jornais da Biblioteca Nacional e descobri que a firma John Rabone and Sons era conhecida no Brasil pelo nome simplificado de “Rabone” e encontrei algumas referências aos produtos desta empresa, mas focado principalmente em trenas de medição, com vários metros de comprimento, possuindo fitas métricas de aço, ou de “panno”, como se escrevia na época. Mas não encontrei nenhuma referência de venda de níveis de bolha como aquele apresentado por Seu Camilo.
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Foto – Rostand Medeiros
Aquela peça em si abriu um leque de inúmeros questionamentos para mim.
Como algo como aquilo chegou ao Ferreira?
Para que eles utilizavam aquele tipo de ferramental mais especializado e, até onde sei, um tanto raro no sertão do passado?
Quais eram os saberes, os fazeres, as artes que as mãos e o suor dos Ferreira produziam?
Então foi que me dei conta que na verdade pouco se sabe da vida de Lampião no seu dia a dia antes dele virar cangaceiro. Pouco se sabe de sua singela vida, quando ele era apenas filho de José Ferreira, se chamava Virgulino Ferreira da Silva e vivia no lugar Passagem das Pedras.
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Foto – Rostand Medeiros
Segundo Seu Camilo, através da tradição oral local, existe a informação que os membros da família Ferreira sabiam construir casas, eram muito habilidosos e práticos. Existe inclusive restos de um forno de produção de tijolos e telhas no local. Realmente esta parte das habilidades dos Ferreira merece pesquisa mais apurada.
E tal como ocorreu com João Saturnino, diante da atenção que devotávamos aquelas peças e do interesse de Marcos de Carmelita em preservá-las, Seu Camilo decidiu doar tudo ao pesquisador e escritor florestano. Eu vi e presenciei tudo aquilo!
Marcos de Carmelita comentou que já tinha conhecimento daquele material, pois já tinha feito diversas visitas de pesquisas a esses locais e queria que os outros também pudessem ver com seus próprios olhos. Mas jamais imaginou que algo assim pudesse acontecer.
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Casa na região da Passagem das Pedras – Foto – Sérgio Azol.
As descobertas chocaram a todos que ali estavam. Já no nosso retorno a Floresta, sentimos o dever de comunicar aos outros pesquisadores do tema Cangaço estas descobertas. Pessoalmente fiquei muito feliz quando pedi a Marcos de Carmelita para ter o privilégio de deixar essa matéria em minhas mãos, onde construí este texto com muita responsabilidade.
Depois que eu e Sérgio Azol partimos de Floresta em direção a Piranhas, Alagoas, Marcos de Carmelita retornou a casa de Seu Camilo na companhia de Denis Carvalho, bacharel em direito residente em Floresta, pesquisador do cangaço focado no conhecimento dos punhais dos cangaceiros e objetos antigos. Juntos eles fizeram um inventário do material.
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Antigo quartel da Força Pública em Floresta. Atualmente em ruínas, mas merecendo uma recuperação pela sua importância histórica.
Segundo me narrou Marcos de Carmelita, o que ele, Cristiano, Denis e outros membros do GFEC – Grupo Florestano de Estudos do Cangaço sonham para o destino destas peças é que elas venham a fazer parte de uma exposição permanente no prédio do antigo batalhão das forças volantes, na Praça major João Novaes, no centro de Floresta.
Construído originalmente para ser um seminário em 1928 abrigou o 3° Batalhão da Força Pública da Polícia Militar de Pernambuco com a intenção de combater o cangaço. Depois da Revolução de 1930 o Batalhão foi transferido de Floresta, ficando o prédio desativado. Depois serviu para o Pensionato da Divina Providência. Infelizmente o local se encontra atualmente em ruínas, existindo projetos para a sua recuperação, mas que nunca seguiram adiante.
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O autor deste texto na região da propriedade Passagem das Pedras – Foto – Sérgio Azol.
Marcos acredita que neste local histórico, além de contar com uma área onde existiria uma exposição permanente com estas peças ligadas a família Ferreira, além de outras ligadas a questão do cangaço e que pertencem a pessoas em Floresta, poderia igualmente abrigar um centro de cultura e artesanato. Este seria principalmente focado nos trabalhos de couro existente na região e nos materiais tradicionais produzidos pelas comunidades indígenas.
Como comentei anteriormente, eu vi a entrega destes materiais e acredito que eles estão em boas mãos. Nas mãos de pessoas que acreditam na democratização da informação histórica e na preservação.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MORTE DE JOSÉ LUCENA DE ALBUQUERQUE MARANHÃO

Do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

O militar e político JOSÉ LUCENA DE ALBUQUERQUE MARANHÃO morreu no dia 19 de maio de 1955, aos 62 anos de idade.
O "Diário de Pernambuco" noticiou assim o fato:

UM COLAPSO CARDÍACO VITIMOU ONTEM, EM RECIFE, O HOMEM QUE MAIS COMBATEU O BANDITISMO NO NORDESTE
O CORONEL JOSÉ LUCENA MARANHÃO MORREU PLACIDAMENTE NUMA CAMA
Oficial de Polícia e prefeito de Maceió – Inimigo nº de Lampião

Repentinamente, faleceu, anteontem, no Recife, o prefeito constitucional de Maceió, capital de Alagoas, coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão. Casado com a Sra. Benedita de Melo Lucena, contava o prefeito de Maceió 62 anos de idade, transcorrendo o seu último aniversário a 15 do corrente mês quando já se encontrava nesta cidade. Nasceu a 15 de maio de 1893.

Há pouco mais de um mês, o coronel Lucena passou o exercício da Prefeitura de Maceió ao seu substituto legal, vereador Cleto Marques Luz, presidente da Câmara Municipal, viajando para Recife, a fim de repousar e submeter-se a um tratamento de saúde. Estava internado na Casa de Saúde Maria Lucinda, surpreendendo-o a morte quando já se achava quase totalmente restabelecido e prestes a voltar ao seu Estado.

Como costumava fazer aos domingos e feriados, anteontem o coronel José Lucena foi passar o dia com o seu amigo Audalio Tenório, residente num apartamento do Edifício Capibaribe.

Anteontem, mais ou menos às 23 horas, em companhia do Sr. Audalio Tenório, ouvia o coronel Lucena um programa da Tamandaré, quando faleceu, repentinamente, de distúrbio cardíaco. Logo que os seus amigos residentes no Recife tiveram notícia de seu falecimento, acorreram ao apartamento do Sr. Audalio Tenório, onde permaneceram durante o resto da noite e dia de ontem, até a hora em que o corpo seguiu para Maceió em avião especial da FAB, cedido pelo comando da 2ª Zona Aérea.

LIGEIROS DADOS BIOGRÁFICOS

O coronel José Lucena Maranhão era natural de Quebrangulo, Alagoas. Ingressou na Força Policial de seu Estado como simples soldado, atingindo ao coronelato (mais alto posto) pelas suas qualidades cívicas, morais e de inteligência. Cumpriu brilhante folha de serviços, sendo promovido por merecimento e bravura. Foi a figura central no combate ao banditismo no Nordeste, sendo considerado como o mais terrível inimigo de Lampião.

Em 1930, por ocasião da Revolução, o coronel Lucena esteve ao lado da legalidade, acompanhando o governador de então, Sr. Álvaro Paes, até quando de sua deposição. Foi, ainda, comandante da Força Policial de Alagoas, da Guarda Civil, delegado regional de Ordem Política e Social no sertão de Alagoas, prefeito de Santana do Ipanema, deputado estadual pela Assembleia Legislativa de Alagoas (o mais votado) e, há pouco menos de um ano, se empossara na Prefeitura de Maceió, cujo mandato terminaria em outubro de 1958.

Deixa o coronel Lucena os seguintes filhos: Maria Tereza Quintela Lucena, Wilson e Terezinha, além de netos, sobrinhos e genro. No Recife, eram seus parentes o deputado Gerson Maranhão e os senhores Alcindo e Napoleão Maranhão.

Tão logo se soube em Maceió do falecimento do governador da cidade, seus parentes mais próximos (filhos e esposa) viajaram para Recife, em companhia do deputado petebista Abraão Fidelis, da Câmara Legislativa de Alagoas.

Diversos deputados pernambucanos, dentre eles o deputado Elpidio Branco, estiveram na residência do Sr. Audalio Tenório, apresentando condolências.

Ontem o corpo do coronel Lucena seguiu para a capital do vizinho Estado onde será sepultado hoje à tarde. A prefeitura de Maceió decretou luto e o corpo de seu primeiro prefeito constitucional ficará em câmara ardente, para visitação pública, no salão nobre da municipalidade.

Em visita ao corpo do coronel José Lucena estiveram na residência do Sr. Audalio Tenório, o prefeito Djair Brindeiro, o ajudante de ordens do governador do Estado, o Dr. João Roma e oficialidade da Polícia Militar de Pernambuco.

OFICIAL DE “VOLANTES”

Paradoxalmente, morreu sentado numa cama o homem que durante mais de 15 anos palmilhou os sertões de Alagoas em peregrinação a cangaceiros. Ainda tenente, Lucena Maranhão foi mandado pelo governador Fernandes Lima para a zona sertaneja, logo depois que um grupo de bandidos saqueou o povoado Pariconha. Eram os Porcinos, os Fragosos, Antonio Matilde e Lampião, este ainda jovem de 21 anos.

No povoado de Santa Cruz do Deserto, nas proximidades da cidade de Água Branca, a volante de Lucena cercou os bandidos e deu-lhes combate. Parte dos cangaceiros fugiu para as caatingas, enquanto um pequeno grupo, entrincheirado na casa dos Fragosos, sustentou o fogo com a polícia. No fim do tiroteio, estava morto Luiz Fragoso e um senhor de idade, que Zeca Fragoso, somente ferido num braço, informou ser o pai de Lampião. Desde este fato, Lampião passou a considerar Lucena o seu maior inimigo.

Quando os irmãos Porcinos, em 1922, deixaram o cangaço, Lampião assumiu a chefia do bando, que até 1928 percorreu cinco estados do Nordeste. Acossado pelas forças policiais conjugadas, entre as quais sempre se sobressaíram as “volantes” de José Lucena, Lampião atravessou o São Francisco, para a Bahia, nos meados de 1928.

No combate ao banditismo, Lucena Maranhão comandou o 2º Batalhão da Polícia de Alagoas, sediado em Santana do Ipanema, de que fazia parte a volante que deu cabo do grupo de Virgulino Ferreira, em julho de 1938.

Diário de Pernambuco - 21.05.1955


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sábado, 25 de julho de 2020

LIVROS SOBRE CANGAÇO É COM O PROFESSOR PEREIRA


Por Jose Irari

Adquirir hoje através do professor Francisco Pereira Lima. Com certeza dois bons livros. O escritor José Bezerra Lima irmão, é meticuloso nas suas pesquisas.[


Estes 2 livros completa a trilogia iniciada com o livro " Lampião a raposa das caatingas "!! Excelentes livros. Parabéns José Bezerra Lima irmão.


Adquira livros sobre o cangaço com o professor Pereira através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br


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29 DE JULHO QUARTA-FEIRA 20 HORAS PEDRO POPOFF COM SÍLVIO BULHÕES FILHO DOS CANGACEIROS CORISCO E DADÁ


Live... Garoto Pedro Popoff entrevista Silvio Bulhões, Filho do casal cangaceiro, CORISCO e DADÁ.
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O PADRE E O CANGAÇO!


Do acervo do Adalto Silva

GONÇALO DE SOUZA LIMA, popularmente conhecido por PADRE LIMA, nasceu em Porto da Folha aos 27/07/1900, filho de Pedro de Souza Rito e Josefa Maria dos Prazeres. Nessa época Porto da Folha passava por significativa mudança no que se refere ao fim da escravidão à cerca de 20 anos, algo que havia deixado por lá a ferrenha marca do preconceito racial.

Após a chacina de Angico, em 28/07/1938, quando morreram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, chegou a Porto da Folha um grupo de 17 cangaceiros para se entregar, três deles foram à casa do Pe. Lima à procura dos sacramentos: Criança, Dulce e Balão. 


João Alves da Silva (o Criança) e Dulce Menezes pediram para se casar e Guilherme Alves dos Santos (o Balão) para ser batizado. O Padre, então vigário de Aquidabã, encontrando-se na terra natal não se opôs ao pedido de Criança. Quanto ao pedido de Balão, disse com seu vozeirão: “Eu não acredito que um homem na sua idade seja pagão!” e o cangaceiro respondeu: “Eu sou”. A minha família é crente.

O Capitão só me aceitou porque prometi que tão logo encontrasse um Padre, pediria pra me batizar.” O Padre Lima retrucou: “Lampião já morreu!” Balão justificou: “Mas eu estou devendo e quero pagar.” O Padre achando bonito o gesto do cangaceiro, lhe disse: “Então vá procurar um padrinho”. Ele foi direto a “seu” Manezinho Delegado e este recusou o convite. O cangaceiro voltou triste e o Padre Lima perguntou: “Já tem padrinho?” Balão: “Eu convidei seu irmão e ele não aceitou”. O Padre mandou chamar o irmão e disse: “aceite, que é para fazer dele um cristão”. O casamento e o batizado foram realizados perto do meio dia, na presença de muitos curiosos, principalmente meninos, tendo por padrinhos o Sr. Manoel de Souza Lima e Dona Estefânia (D. Ester).

Fonte: Biografia composta por Joaquim Santana Neto de acordo com informações de familiares e dados contidos no livro “PORTO DA FOLHA, fragmentos da história e esboços biográficos” (de Manoel Alves de Souza).


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ZÉ SATURNINO INIMIGO DE LAMPIÃO MORAVA NESTA CASA EM RUÍNAS FAZ MANIÇOBA SERRA TALHADA PE

https://www.youtube.com/watch?v=8DCEZVPLomY

SERTÃO MAMOEIRO

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O SERTÃO REVERENCIA O JACÓ !!!


A verdadeira alma nordestina se une para celebrar o Jacó. 
Transmissão ao Vivo da mais Tradicional Celebração do Sertão 
Promoção Fundação Joao Câncio
dia 26 de Julho - Domingo - 10 horas
YouTube/MissadoVaqueiro

No ano de 2017, um dos pontos altos da 47ª Edição da Missa do Vaqueiro de Serrita foi a entrega por parte do Conselho Curador do Cariri Cangaço através de seu presidente, Manoel Severo, do Título de "Personalidade Eterna do Sertão" ao Padre João Câncio, in memoriam, honraria recebida por sua esposa, Helena Câncio, em um dos momentos mais emocionantes do evento e da edição do Cariri Cangaço Exu-Serrita.

Padre João Câncio e Luiz Gonzaga na Missa do Vaqueiro

A tradicional Missa do Vaqueiro de Serrita é o resultado da homenagem prestada pelo povo do sertão ao vaqueiro Raimundo Jacó, célebre por sua coragem e talento na arte da lida e oficio com o gado. Jacó foi assassinado nesta mesma fazenda Lages, local atual do parque, em julho de 1954. A missa teve como idealizadores, seu primo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, o Padre João Câncio e o poeta Pedro Bandeira. Toda a celebração, pontuada pela mais absoluta fé sertaneja impressiona pela grandiosidade, tanto em simbolismo espiritual como em sua dimensão material. São mais de 800 vaqueiros "encourados e montados", e um público que gira em torno de 70 mil pessoas em todo o período da festa e da celebração, traduzindo-se como uma das maiores manifestações culturais e religiosas do Brasil, esse ano, tudo acontecerá com o mesmo sentimento, só que "cada um em sua casa" ! Avante Jacó.

Missa do Vaqueiro de Serrita
Edição 2020 - Transmissão ao Vivo
26 de Julho de 2020


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PADRES DA PARÓQUIA DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.352

PADRE JACYEL (COM LIVRO À MÃO) E ESCRITOR
CLERISVALDO B. CHAGAS. (FOTO: MARCELLO FAUSTO).
Ao completar mais uma noite de festejos em homenagem a nossa padroeira, o livro “o Boi, a Bota e Batina; História Completa de Santana do Ipanema”, mostra que alguns padres se destacaram   em tempos idos em nossa região. Entre eles, o evangelizador primeiro padre Francisco José Correia de Albuquerque, cujas virtudes e feitos deslumbravam um futuro cheio de êxito para o nosso catolicismo em terras da Ribeira do Ipanema.
De 1884 a 1888, tivemos o padre Teotônio Ribeiro e Silva, natural de Traipu. Foi ele quem escreveu a biografia do padre Francisco Correia, tudo que se tem até hoje. Era poliglota de muitas línguas, uma surpresa em sabedoria numa época tão difícil.
Tivemos ainda o padre Veríssimo da Silva Pinheiro entre 1888 a 1892, tudo indica, substituto de Teotônio. Foi ele quem construiu o primeiro cemitério da Santana do Ipanema na parte alta, espaço atual entre a Igreja Sagrada Família e a EMATER.
Foi também padre em nosso município, Manoel Capitulino de Carvalho, natural de Piaçabuçu, terra ribeirinha do São Francisco. Permaneceu entre 1898 a 1919. Entrou na política chegando a ser “prefeito” de Santana. Foi ele quem fez a primeira reforma da igreja fundada pelo padre Francisco Correia. Foi governador interino de Alagoas e elevou à cidade a vila de Santana. Ainda construiu a igrejinha de Nossa Senhora da Assunção como marco de passagem de século.
Padre José Bulhões, 1919 a 1952, filho de Entre Montes, povoado ribeirinho do São Francisco. Fez a segunda grande reforma da igreja central, deixando-a como hoje se apresenta no todo. Adoecendo perto do final da obra, foi auxiliado pelo padre Medeiros, de Poço das Trincheiras.
Destaque também para o padre Luís Cirilo Silva, 1951 a 1982, sendo natural da serra da mandioca em Palmeira dos índios. Oriundo de linhagem holandesa. No seu período o teto da Igreja Matriz veio abaixo, faleceu pouco tempo depois e a igreja sofreu uma grande reforma interior.
Padre Delorizano Marques, construiu o santuário Guadalupe, marco do século e reformou a Matriz que era de estilo tradicional. Delorizano era natural de Major Izidoro.
Atualmente, comanda a paróquia de Senhora Santana, o padre Jacyel Soares Maciel, santanense do sítio Olho d’Água do Amaro, o que representa motivo de orgulho para a “rainha do Sertão.


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CONHEÇA AS RUÍNAS DA CASA DE ZÉ SATURNINO, INIMIGO NÚMERO UM DE LAMPIÃO

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As ruínas da casa de Zé Saturnino, um dos principais inimigos de Lampião, supera o passar do tempo. Nesse local, Virgulino foi vingar a morte do pai, morto a mando de Zé Saturnino, na fazenda Engenho, na zona rural de Mata Grande, Alagoas.

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As ruínas da casa onde viveu até 1980, Zé Saturnino, principal algoz de Lampião, estão localizadas na fazenda Pedreiras, zona rural de Serra Talhada, sendo que faz parte da rota do Cangaço no sertão do Pajeú.

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Andar por essas bandas é conhecer de perto e mergulhar num mundo de imaginação de como foi essa época de 1930. Foi nesse lugar que Lampião voltou em 1922, já sendo comandante do Cangaço para vingar a morte do seu pai, vítima da fúria de Zé Saturnino.

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Onde tem apenas essa parede feita de tijolos de barro, foi no passado um casarão de Zé Saturnino, que provocou toda a ira de Lampião e família. É bom lembrar, que esses dois personagens eram vizinhos e amigos de infância.

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Há nessa parede ainda marcas dos tiros que Lampião e seus cabras desferiram contra a casa de Zé Saturnino. Senão fosse o pedido da mãe de Zé Saturnino, Virgulino e sua tropa tinha tocado fogo no casarão com toda a família dentro.
 
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Está bem visível por esse ângulo que as marcas dos tiros deferidos por Lampião na casa de Zé Saturnino perdura com o passar do tempo. Esse ocorrido foi em 1922, apenas uma parede resiste ao tempo, ao vento, ao sol...

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A vegetação de caatinga, temperatura de verão em plena primavera, tudo junto ainda torna-se muito peculiar seguir os passos de Virgulino na zona rural de Serra Talhada, cidade que o tem como herói do sertão.

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Enquanto andava com uma turma de amigos, fui relembrando minha infância no sertão alagoano, quando saía para caçar ou brincar de esconde-esconde na capoeira.

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O mandacaru que é um cacto que suporta altas temperaturas e longas estiagens, mas, seu caule é nutrido por muita água. Ele pode ser usado para ração pro gado e pode ser utilizado para se fazer doces.

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Quase um século se passou após a confusão de Lampião e Zé Saturnino, mas as marcas dos tiros disparados pelos filhos de Zé Ferreira encontram-se ainda nas paredes da casa, fazendo do local uma espécie de Museu a céu aberto, vale apena conhecer.

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A fazenda Pedreiras no município de Serra Talhada, sertão do Pajeú, no estado de Pernambuco, é um atrativo histórico e cultural, já que por lá estão as ruínas da antiga casa da fazenda, onde Zé Saturnino se escondeu com medo de enfrentar Lampião e seus cangaceiros.


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Debaixo de uma temperatura acima de 40 graus, encaramos o desafio de conhecer uma das principais rotas do Cangaço em Serra Talhada.

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A caatinga era o ponto de convivência dos cangaceiros e Lampião. Geralmente, na época de 1930, os cangaceiros aproveitavam a parte do dia para localizar água e frutos da caatinga para serem usados durante as caminhadas.

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O pé de umbuzeiro que suporta longas estiagens, nesse período de primavera muda toda sua folhagem.

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Os cactos suportam o calor e mantém água em todo seu caule e são plantas típicas dessa vegetação são o cacto, a palma, o xiquexique, o mandacaru, a aroeira, o umbuzeiro, o juazeiro e o caroá. 


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Muitas das plantas da caatinga têm capacidade de reter água no caule e nas folhas, o que acaba servindo para matar a sede de pessoas e animais quando a seca se prolonga muito.

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Fiz questão de fotografar o painel do carro e comprovar que a temperatura é o maior desafio para quem se aventura pela rota do Cangaço na terra natal de Lampião. Há 35 km do centro de Serra Talhada, vivenciamos os 44 graus de temperatura, isso, na sombra. No meio do tempo a sensação era de 50 graus.

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Em plena caatinga, após fazermos um documentário nas ruínas da casa de Zé Saturnino, fizemos uma pausa para tomar uma cerveja bem gelada ou água mineral (para quem estava dirigindo), que levamos a tira-colo. 
Na verdade, tinha que beber logo, senão esquentava a água e a cerveja em pouco tempo, diante do calorão que enfrentamos. Foi uma experiência incrível!


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PARABÉNS PARA OS ESCRITORES

Por  Ana Cecília Correia Lima‎

Hoje, Dia do Escritor, quero homenagear todos os escritores. Mas em especial o amigo, meu mestre, escritor e pesquisador José Sabino Bassetti, membro da Academia Saltense de Letras, cadeira Euclides da Cunha.


Profundo conhecedor da historiografia do Cangaço, que através dos seus livros, narra com maestria e fidelidade a história dos momentos que antecedem e o fato histórico que resultou na morte de Lampião e seus cangaceiros, história ocorrida no sertão brasileiro no início do século XX de Lampião e seus cangaceiros.


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VIRGOLINO FERREIRA DA SILVA ATACA FAZENDA PEDREIRAS DO ZÉ SATURNINO


Por José Mendes Pereira

No ano de 1920 Virgolino Ferreira da Silva que ainda não era o famoso Lampião formou um bando de marginais e por diversas vezes atacaram a Fazenda Pedreiras do senhor José Saturnino que apesar de serem vizinhos o fazendeiro foi o seu primeiro inimigo. 

Ruínas da casa de Zé Saturnino, inimigo de Lampião - https://poetaviagenseaventura.com/2019/01/05/os-cangaceiros-as-mulheres-lampiao-e/

O grupo era formado pelos cangaceiros Antônio Matilde, Antônio Ferreira, Levino Ferreira (Vassoura), Antônio Rosa, Baião, Manoel Tubiba, Cajazeira (não confundir este com o cangaceiro Zé de Julião), Baliza, Zé Benedito, Olímpio Benedito e Manoel Benedito. 


Vendo o grande prejuízo que ora recebera como prêmio de vingança do grupo de Virgolino, Zé Saturnino procurou seu tio, o famoso cangaceiro "Cassimiro Honório", e este convidou vários bandidos para juntos defenderem a fazenda do sobrinho. Ali, houve muitos combates com o bando do Virgolino. Entres os cabras de Ze Saturnino podemos citar Nego Tibúrcio, Zé Guedes, Zé Caboclo, Vicente Moreira, Batoque e o famoso Marcula.

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CANGAÇO E EU - JADILSON FERRAZ

Por Aderbal Nogueira

Cangaço e eu - Jadilson Ferraz O amigo Jadilson Ferraz, autor da música Cangaceiro do Mato, fala um pouco de sua vida no sertão de Lampião e de sua ligação com a música. Link desse vídeo: https://youtu.be/LEOX1jZAvaI

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REGIÃO CONHECIDA COMO TORRE. FICA LOGO APÓS O SABÁ. ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE CUSTÓDIA-PE.

Por Jorge Remígio

Região conhecida como Torre. Fica logo após o Sabá. Zona rural do município de Custódia-PE. A serra à frente onde ficam as antenas de sinal de TV e de comunicações, é um divisor. Estamos no Moxotó, mas após essa serra, é o Pajeú. Município de Flores.


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CONHECEDORES DA NOSSA HISTÓRIA_03



Tema:O Polêmico Relacionamento de Padre Cícero e Lampião Depoimento: Profª Luitgarde Barros.

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ANGICO 82 ANOS DEPOIS DA MORTE DE LAMPIÃO


Terça feira dia 28 de julho às 20:00 h no Canal de Aderbal Nogueira no YouTube um bate papo sobre os 82 anos de Angico depois da morte de Lampião. Não percam !!!