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sexta-feira, 28 de julho de 2023

LAMPIÃO...

Por Maycol Zorgete

No dia 28 de julho de 1938, Lampião e sua companheira Maria Bonita foram capturados e mortos pela polícia, em Poço Redondo, no sertão de Sergipe, ambos tiveram suas cabeças decepadas e expostas ao público. Uma das figuras mais polêmicas da história do Brasil, Lampião gera sentimentos controversos. Ele era procurado por autoridades desde que começou a liderar um bando de cangaceiros, em 1922 e, passou a viver de saques a fazendas e a roubar gados, entre outros atos. Porém, para parte da população, ele era um heroi, uma vez que o grupo estava ligado a luta por terras e revolta contra a miséria no Nordeste. Maria Bonita ingressou no bando em 1930, tornando-se mulher de Lampião.

CARRO VOADOR

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2023

Escritor Símbolo do sertão Alagoano

Crônica: 2.934

Avião tipi TECO- TECO

Quando eu era rapazinho, um cidadão de fora colocou uma casa de aluguel de bicicletas que funcionava no “prédio do meio da rua”. Ah! Isso era uma grande novidade para a juventude que não tinha acesso à compra de uma bicicleta nova e, nem sequer havia lugar de venda na cidade. Andar de bicicleta era coisa rara e quase fantástica, assim como muitos e muitos anos depois, a irmã holandesa Letícia usava esse veículo para se deslocar ao trabalho. Com o hábito de freira sem nada atrapalhar, a irmã passeava de bicicleta com a maior desenvoltura chamando atenção de todos os santanenses. Costume da Holanda posto em prática por aqui, cuja população jamais vira uma freira naquelas condições. Os hábitos da irmã surpreendiam até na hora de tomar um cafezinho sem açúcar.

Mas voltando ao aluguel das bicicletas, pouco tempo depois, o cidadão daqueles serviços deixou o “prédio do meio da rua” e mudou-se para um compartimento à Rua Coronel Lucena, defronte ao chamado Beco de seu Abdon. Era uma beleza! O preço do aluguel por uma hora era bastante razoável e cabia no bolso da meninada sequiosa por algo novo em suas diversões, além dos jogos de ximbras, pinhões, bola, gangorra, e banhos no rio Ipanema. Além do aluguel barato, o dono do negócio era muito paciente e tranquilo, coisa que transmitia segurança. Era ele mesmo quem consertava e ajustava as peças do veículo de duas rodas. Lembranças vêm de um dos dentes da corrente que penetrou no meu dedão do pé e deu um trabalho danado para sair.

Diante do anúncio nacional em que a Embraer via iniciar sua fabricação de carro voador, em São Paulo, fizemos uma comparação dos anos 60, no caso dos veículos. E lá atrás cada carro diferente comprado por alguém da cidade, era notado de pronto nessa urbe cujo tempo passava devagar. O carro de boi continuava em evidência, o cavalo esquipador, o carro lustroso de praça, ou a sopa que fazia o trajeto interior – capital. Até mesmo o famigerado “Zepelim” – balão dirigível em forma de charuto – foi sucesso absoluto por aqui. Tudo isso sem contar com a correria de adultos e adolescentes para contemplarem de perto os aviões tipos teco-teco que aterrissavam no campo de aviação a 3 km do centro da cidade. Será que a EMBRAER vai colocar em Santana do Ipanema, uma CASA DE ALUGUEL DE CARRO VOADOR?


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LEMBRANDO O MEU AVÔ MANÉ vÉIO

Por João Marques da Silva Neto do volante Mané Véio.

Hoje lembrei algo interessante da época da conversa com ele ( Mané Veio), talvez seja irrelevante, mas na época, ele disse que não se tiravam as mãos, os dedos ou cortavam a cabeça por ruindade, segundo ele, é porque o cangaceiro que você matasse, você podia pegar os pertences dele, então pra não perder tempo, ele arrancava tudo cortava dedo, pulso, cabeça e levava no bornal as mãos dos cangaceiros pra depois tirar ouro, mas falava que existia muitas coisas valiosas como lenços, anéis, correntes e dinheiro, então pra não perder tempo, ia tirando tudo pelo caminho, após matar algum cangaceiro.

Enviado pelo o autor.

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JOÃO MARQUES DA SILVA PROCURA POR FAMILIARES DE CIDÁLIA QUE FOI ESPOSA DE MANOEL MARQUES DA SILVA, VOLANTE MANÉ VÉIO, DO TEMPO DE LAMPIÃO. - Por José Mendes Pereira

 Por José Mendes Pereira

João Marques da Silva neto do volante 

Para que você possa entender melhor, farei aqui um levantamento sobre a vida deste volante policial Manoel Marques da Silva, o famoso Mané Véio, que combateu Lampião, principalmente na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe. Mané Véio. 

Maria Bonita

Mané Véio era conterrâneo  de Maria Gomes de Oliveira, a cangaceira e rainha do cangaço Maria Bonita, em Santa Brígida, lugar desmembrado de Jeremoabo, no Estado da Bahia, 

Volante Mané Véio.

Ele era filho de Jacó Marques da Silva e Jovina Maria da Silva, sendo sobrinho de outro valentão, o lendário Elias Marques, morto no fogo da Maranduba, e primo do filho deste, o não menos famoso Procidônio. Pai e filho formavam a dupla infernal que costumava brigar unida em memoráveis batalhas, contra os grupos cangaceiros. Na Maranduba Elias foi baleado em um dos braços. Mané Veio e o Cabo Juvêncio deixaram as forças de seu Estado - Bahia e foram trabalhar sob as ordens de João Bezerra da Silva, o homem que com a sua competente volante, juntos, exterminaram do chão nordestino, o perverso e sanguinário capitão Lampião.

Era manhã de domingo no dia 16 de dezembro de 1928, Lampião e mais sete cangaceiros chegam à Vila de Pombal, (hoje Ribeira do Pombal). Na foto, da esquerda para a direita: Lampião, Ezequiel, Virgínio, Luiz Pedro, Mariano, Corisco, Mergulhão e Arvoredo. Foto colorida e retificada por Rubens Antônio, ele que é Geólogo, historiador e escritor.

Mané Véio foi o volante que perseguiu o cangaceiro Luiz Pedro, naquela triste madrugada de 28 de julho de 1938. Segundo contou ele aos pesquisadores que, saiu perseguindo o famoso Luiz Pedro até matá-lo.

Para melhor entendimento, assista ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=oy9tRiTe-AQ&ab_channel=CanalHumbertoMesquita

João Marques da Silva é  filho de Abílio Marques da Silva (já falecido), que era filho do volante Mané Véio com a sua primeira mulher Cidália, procura por familiares da sua avó (ele só tem o primeiro nome - Cidália). Ela era também lá de Santa Brigida. Cidália foi assassinada por Mané Véio, lá em Santa Brigida, na Bahia.

João Marques da Silva e seu pai Abílio Marques da Silva (já falecido). Ele era filho de Mané Véio com a sua primeira esposa Cidália.

Se você é de Santa Brígida no Estado da Bahia, e conhece os familiares da Cidália, que foi assassinada por Mané Véio, por favor, entre em contato com João Marques da Silva, através do seu e-mail: kafingadodo@hotmail.com Ele precisa encontrá-los para manter laços de amizade com os seus familiares. Acreditamos que muitos moradores de Santa Brígida, conheceram o volante policial Mané Véio, já que ele nasceu e se criou na cidade indicada. Vamos encontrar os parentes do policial João Marques da Silva, que com certeza, ele muito agradecerá por algumas informações.

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quinta-feira, 27 de julho de 2023

TUDO TEM UM COMEÇO : O DIA QUE O ( QUASE ) DESCONHECIDO ROBERTO CARLOS SE APRESENTOU NO CIRCO DO CAREQUINHA NO IRAJÁ !

Por Heróis da Televisão 

No início dos anos 60 , em um Sábado, Carequinha apresentou seu programa o Circo do Carequinha da Rede Tupi de televisão no Irajá Atlético Clube, no Rio . Na época o jovem fotógrafo Gemerson Dias, recebeu a incumbência de fotografar o evento para os registros do Clube. O detalhe era que ele só tinha um filme de 12 poses ! Sim, jovens ! 

Antigamente, era assim. E dependendo da máquina o filme poderia sair bem caro . Um outro jovem em início de carreira, também se apresentou aquele dia. Porém, sem chamar muito a atenção … vejam o comentário do fotógrafo para o Jornal O Dia em 2001: 

“ Era um show do palhaço Carequinha, e Roberto Carlos era um desconhecido. Ninguém dava bola para o cantor. A criançada trocava cascudos, os diretores do clube conversavam animadamente e o resto do público estava desatento. Roberto cantou três músicas e foi embora. Só fiz uma foto para não constrangê-lo. Reservei as outras onze para a grande atração do dia, o palhaço Carequinha" ! Alguns anos depois, com Roberto Carlos já consagrado, Gemerson se deu conta que o ídolo da jovem guarda era aquele jovem quase desconhecido de anos antes . A foto está aí. As do Palhaço Carequinha, se perderam com o tempo …

https://www.facebook.com/photo/?fbid=725620622881009&set=a.350256430417432

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FORAM UTILIZADAS METRALHADORAS EM ANGICO NO DIA DA MORT3 DE LAMPIÃO? #cangaçologia

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=wl1wHcyo79A&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Conheçam as principais arm4s que foram usadas por cangaceiros e volantes no episódio de Angico que colocou fim na carreira de crimes de Lampião. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. Colaborem com o crescimento e com as melhorias do canal. Seja membro deste canal e ganhe benefícios:    / @cangacologia   INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaceirismo e cultura nordestina e Arquivo Nordeste.

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CANGAÇO: A CRUELDADE DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO E O FIM DA CANGACEIRA LÍDIA

Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=f4p5-JE-rEk&ab_channel=FatosnaHist%C3%B3ria-Canga%C3%A7oeNordeste

Narrativa do triste fim da cangaceira Lídia, pelas mãos do cruel cangaceiro Zé Baiano. Referências: "Zé Baiano e os Engrácia", de José Bezerra Lima Irmão Imagens: .Benjamin Abrahão Botto .Blog do Mendes e Mendes ."Corisco e Dadá" (1996) .Internet

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ENCONTRO DO CORONEL E DO CANGACEIRO LAMPIÃO

 FONTE: Blog Tok de História (tokdehistoria.com.br)

AUTOR-Rostand Medeiros

Lampião e seu bando, depois de vários anos atuando nos sertões dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, passaram a sofrer uma grande perseguição dos aparatos policiais destes estados.

Ciente da perseguição que as volantes infligiam a seu debilitado grupo, Lampião precisava de repouso para repor as energias, recrutar novos homens e procurar novas áreas de atuação. Nesse sentido, em agosto de 1928, ele resolveu atravessar o grande Rio São Francisco e se internar nos sertões baianos.

Em um primeiro momento, buscando refúgio nas fazendas de novos amigos, Virgulino Ferreira da Silva, o nome real do “Rei do Cangaço”, encontrou nestas paragens a almejada paz para recompor suas forças.

Primeiramente a polícia da Bahia fez vista grossa em relação ao ilustre visitante. Lampião aproveitou para firmar contatos, compor alianças, ampliar sua rede de coiteiros que lhe dariam apoio e proteção.

Propalou que estava “em paz” no território baiano, utilizava a velha cantilena que “havia entrado no cangaço pelos sofrimentos sofridos pela sua família” e que se “houvesse condições”, ele largaria aquela vida em armas e buscaria ficar em paz.

Mesmo divulgando estas novas intenções, não deixou de coagir os fazendeiros baianos, pedindo para estes lhe “ajudar” no sustento do seu bando.

E assim, ao seu modo, durante quase três meses, Lampião e seus cangaceiros viveram tranquilos junto ao povo do sertão da “Boa Terra”.

FOTO FAMOSA

Sua primeira aparição pública ocorreu na antiga vila do Cumbe, atual município de Euclides da Cunha, em um sábado, dia 15 de dezembro de 1928.

Ali não houve alterações. Mas o chefe não deixou de fazer uma arrecadação pecuniária com os abonados do lugar e chegou até mesmo a almoçar e beber cerveja com o delegado. A tranquilidade era tanta que deu até para alguns alfaiates do lugar confeccionar novos uniformes para seus homens.

Depois do Cumbe os cangaceiros seguiram para a cidade de Tucano, onde novamente nada de anormal ocorreu. Ali os bandoleiros das caatingas chamaram a atenção de todos, tratavam todos bem e foram bem acolhidos pelos moradores.

Para Oleone Coelho Fontes, autor de “Lampião na Bahia” (4ª Edição), após a estada em Tucano, o chefe cangaceiro e seus homens, seguiram em direção nordeste, por cerca de 40 quilômetros, até a vila, atualmente município, de Ribeira de Pombal, já próximo a fronteira sergipana. Para este deslocamento consta que Lampião obrigou o padre de Tucano a ceder o seu carro e um motorista.

Segundo o pesquisador baiano, o chefe e mais sete cangaceiros chegaram ao lugarejo às seis da manhã do domingo, 16 de dezembro. Os moradores locais sabiam através da passagem de viajantes, que Lampião encontrava-se em Tucano e que certamente logo chegaria a Pombal.

O intendente local era Paulo Cardoso de Oliveira Brito, mais conhecido como Seu Cardoso, e foi ele quem recebeu Virgulino e seus homens.

Foi ofertado café a todos os bandoleiros e Lampião avisou que não queria brigar com os poucos policiais que estavam de serviço no lugarejo, comandados pelo cabo Esmeraldo. Com a boa hospitalidade oferecida, Lampião se sentiu a vontade e logo procurou saber se havia um fotógrafo no lugar.

Foi chamado Alcides Fraga, alfaiate e maestro da Filarmônica XV de outubro, que prontamente bateu uma chapa. Esta é uma das mais célebres fotografias do ciclo do cangaço, que inclusive circulou com destaque em jornais do Rio de Janeiro, em janeiro de 1929.

Por volta de oito horas da manhã o bando saiu da vila, acompanhados do cabo Esmeraldo, partindo em direção destino ao município de Bom Conselho, atual Cícero Dantas, 30 quilômetros em direção nordeste.

A chegada dos cangaceiros ocorreu em um dia de feira, com o cabo baiano já rouco de tanto gritar: – Viva Lampião! – Viva o Capitão Virgulino!

Apesar deste detalhe, a única outra alteração praticada pelos cangaceiros, foi terem se apoderado dos fuzis dos quatro soldados da polícia baiana destacados no lugar.

Após saírem de Bom Conselho, ainda motorizados, o bando seguiu em direção mais ao norte, cerca de 40 quilômetros, para um pequeno aglomerado de casas denominado Sítio do Quinto.

A hora exata que os facínoras chegaram de caminhão a esta localidade não sabemos, mas lá onde procuraram a casa de José Hermenegildo.

Por volta da meia noite de 16 para 17 de dezembro de 1928, um pequeno automóvel modelo Ford, que transportava três homens, também chegou ao mesmo lugar.

AO ENCONTRO DO PERIGO

Enquanto Lampião e seus homens passavam por Pombal, Bom Conselho e chegavam a Sítio do Quinto, da cidade baiana de Jeremoabo, cerca de 50 quilômetros ao norte, partia um automóvel conduzindo três homens, entre estes estava um dos mais importantes coronéis do interior baiano.

Este era João Gonçalves de Sá, referência regional, prestigiado líder político e rico proprietário de muitas fazendas com grande extensão territorial, que englobava muitos dos municípios da região Nordeste da Bahia. Naquele dezembro de 1928 o coronel João Sá exercia os cargos de presidência da Intendência de Jeremoabo e, pela segunda vez, o mandato de deputado estadual pelo legislativo baiano.

Junto ao coronel João Sá seguia seu pai Jesuíno Martins de Sá e um dos secretários da Intendência de Jeremoabo, o jovem José da Costa Dórea. O destino de todos era Salvador, onde o trajeto naquele tempo exigia seguirem pelo território sergipano e depois todos continuariam o trajeto por via ferroviária, utilizando os trens da ferrovia conhecida como Leste Brasileira.

Segundo nos conta Oleone Coelho Fontes, no capítulo 5 do seu livro “Lampião na Bahia”, através de extenso relato descritivo feito por Dórea (e até hoje, aparentemente, inédito na sua íntegra), devido a um problema mecânico no automóvel, a viagem foi realizada a noite, tendo a saída ocorrido às seis horas.

Mesmo sabendo que o grupo de Lampião circulava pela região, o coronel Sá confiou que guiando durante grande parte da noite, seguindo pelas antigas estradas poeirentas da região, eles poderiam passar despercebidos pelo bando.

Ao realizarem uma parada para tomar café na fazenda Abobreira, o medo de um encontro com Lampião e seus cangaceiros se tornou mais real, pois o proprietário do lugar, José Saturnino de Carvalho Nilo, confirmou que eles estavam nas redondezas. Mesmo assim seguiram adiante, em direção ao lugarejo Sítio do Quinto.

Já na edição do dia 30 de dezembro de 1928 do jornal carioca “A Crítica” (cujo proprietário era o pernambucano Mário Rodrigues, pai do dramaturgo Nelson Rodrigues), na sua página 5, encontramos um relato inédito sobre o encontro do coronel João Sá com Lampião e seus homens.

Nas duas descrições desta aventura, consta que os viajantes de Jeremoabo, ao entrarem no pequeno arruado, viram diante de uma casa um veículo parado, com alguns homens ao seu redor.

A reportagem do jornal carioca informa que um deles estava com um candeeiro. O coronel João Sá imaginou que a casa onde o veículo e os homens estavam deveria oferecer algum tipo de apoio aos viajantes.

Após brecarem, os passageiros do Ford foram cercados por homens armados e intimados a informarem quem eram. Após isso o coronel João Sá descobriu que estava diante do cangaceiro Lampião. E como para confirmar, o homem armado aproximou o candeeiro de seu rosto, mostrando a característico defeito em seu olho.

MOMENTOS ENTRE O CORONEL E O CANGACEIRO

Em um primeiro momento o medo e o pavor com o que iria acontecer tomou conta dos viajantes, mas o chefe cangaceiro, prontamente lhes garantiu que nada de ruim lhe aconteceria.

Conduzidos por Lampião e seus homens, todos entraram na casa de José Hermenegildo e foram se acomodando em cima de sacos de algodão e de peles de animais, que na época era um produto mais fácil de encontrar no sertão e tinha mercado nas capitais.

O informante Dórea afirma que em certo momento Lampião chamou o coronel João Sá para uma conversa particular na parte de fora da casa, fato que o deixou assustado, imaginando que o chefe político de Jeremoabo seria fuzilado. Mas nada aconteceu.

Enquanto isso Dórea e Jesuíno Martins de Sá, então com 76 anos, entabulavam conversa com alguns cangaceiros, entre estes o irmão do chefe, Ezequiel, conhecido pela alcunha de Ponto Fino. Dórea afirmou que o coronel João Sá não transportava dinheiro vivo, apenas ordens bancárias, assim este lhe chamou fora da casa e lhe solicitou 200$000 réis para dar a Lampião. Este por sua vez deixou que os viajantes do Ford escrevessem cartas as suas famílias, que um portador levaria as missivas para Jeremoabo.

As duas versões apontam que em dado momento a tensão se desvaneceu e o clima ficou mais tranquilo.

Segundo o coronel João Sá observou, e assim ficou registrado no jornal carioca, os cabelos do chefe cangaceiro chegavam aos seus ombros, seu uniforme de mescla azul se mostrava já bastante gasto e Lampião trazia um semblante abatido.

Na sequência Lampião pediu a José Hermenegildo que colocasse três redes para acomodar a ele, ao coronel e a seu pai no mesmo quarto. Neste momento o líder político do Nordeste da Bahia pediu ao maior cangaceiro do Brasil que narrasse a epopeia de sua vida. Lampião descreveu as perseguições que sofreu ao longo da vida como bandoleiro das caatingas, mas que estava “a fim de descansar” no sertão baiano.

O coronel João Sá descreveu nas páginas de “A Crítica” que depois das narrativas feitas por Lampião, este foi dormir. Mesmo com a vida atribulada que levava, em meio a tantos combates e com tantas mortes nas costas, o coronel descreveu que o chefe cangaceiro dormiu um “sono profundo”. Mesmo estando em companhia de estranhos “adormeceu como um justo”. Logo todos os homens, “cavaleiros e salteadores”, como descreveu a reportagem, dormiram “confiantes e tranquilos”.

NO “TRANCO”

No capítulo 5 do livro de Oleone, o texto em que José da Costa Dórea conta este episódio sobre Lampião, este afirma que foi ele quem fez a solicitação para que o chefe cangaceiro narrasse a sua vida e que anotou tudo em um bloco escolar.

Segundo a opinião do autor de “Lampião na Bahia”, esta entrevista é seguramente a mais longa que o “Rei do Cangaço” fez em toda a sua vida e que seria parte integrante de um livro de Dórea intitulado “Vida e morte do cangaceiro Lampião”. Vale ressaltar que Oleone Coelho Fontes informou em seu livro possuir os originais deste material, mas que, salvo engano, até o momento continua inédito.

Nas páginas de “A Crítica”, nos primeiros albores da manhã, após o despertar, o coronel João Sá comenta a Lampião que na condição de deputado estadual teria de informar as autoridades sobre aquele encontro. Consta que Lampião não se alterou com as palavras do político baiano.

Quando o coronel deu na partida do seu automóvel, provavelmente devido ao frio noturno do sertão, a máquina não pegou. Na mesma hora, vários comandados de Lampião deram uma mãozinha ao coronel João Sá, empurrando o carro que pegou no “tranco” e estes seguiram viagem.

SIMPATIA OU NECESSIDADE?

Dali Lampião continuaria seu caminho pela Bahia e logo a sua lua de mel com os habitantes daquele estado estaria encerrada. O fato se deu com o combate ocorrido no lugar Curralinho, no dia 28 de dezembro de 1928, onde foram mortos o sargento José Joaquim de Miranda, apelidado “Bigode de Ouro” e os soldados Juvenal Olavo da Silva, e Francellino Gonçalves Filho. Depois destas primeiras mortes na Bahia, Lampião e seus homens, ainda no primeiro semestre de 1929, cobrariam um alto preço a polícia baiana. Logo veio o combate do Arraial de Abóbora, em Jaguarary, hoje povoado de Juazeiro, ocorrido no dia 7 de janeiro e que ocasionou a morte de dois soldados. Depois veio Novo Amparo, no dia 26 de fevereiro de 1929, com a morte de mais outros dois soldados. Ainda no primeiro semestre de 1929 temos o sangrento combate do Brejão da Caatinga, município de Campo Formoso, no dia 4 de junho, com a morte de um cabo e quatro soldados.

Quanto ao coronel Sá e sua família, segundo Oleone Coelho Fontes afirma em seu livro (Pág. 39), enquanto Lampião na Bahia jamais ocorreu nada com suas terras e seus protegidos. O pesquisador afirma que, fosse por simpatia, ou por necessidade de preservar seus bens, ou por ter vislumbrando vantagens outras nesta aliança com o grande cangaceiro, o coronel Sá se tornou um dos mais importantes protetores de Lampião na Bahia.

E tudo aparentemente começou naquele encontro divulgado até em jornais cariocas.

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UMA PENA A REVISTA "O CRUZEIRO" NÃO TER IDENTIFICADO CORRETAMENTE TODOS OS PERSONAGENS QUE APARECEM NESSA IMAGEM. LAMENTAVELMENTE!

Por Geraldo Júnior

A única informação que consta na matéria é que se trata da família dos senhores Jacob Marques da Silva e de seu irmão Elias Marques (Barbosa) da Silva que foi morto durante um combate na Fazenda Maranduba (Poço Redondo/SE) o célebre combate da Maranduba ocorrido no dia 09 de janeiro de 1932, que envolveu um misto de forças militares volantes da Bahia e de Pernambuco e o bando de Lampião.

Jacob Marques da Silva e Elias Marques da Silva são respectivamente pai e tio do destacado soldado Volante Mané Velho, conhecido também como Antônio de Jacob ou ainda Euclides Marques da Silva, este último nome (Euclides) era de um irmão falecido que ele adotou ao abandonar o Nordeste, assim como a sua vida na polícia volante alagoana. Mané Velho que teve grande papel de destaque em combates contra cangaceiros e foi o responsável pela morte do cangaceiro Luiz Pedro, homem de confiança de Lampião, no episódio de Angico que acarretou a morte de Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e de um soldado da Força Policial Volante alagoana chamado Adrião Pedro de Souza. Mané Velho foi sem sombra de dúvidas o mais destacado combatente de Angico.

A Revista "O Cruzeiro" identificou na matéria apenas Elias Marques da Silva que foi assinalado por uma seta e não se preocupou em identificar os demais envolvidos, havendo portanto a grande possibilidade de nela estar o velho Jacob Marques da Silva, assim como demais familiares de Mané Velho que são citados na literatura cangaceira, mas que suas imagens até hoje são desconhecidas de todos os estudiosos do tema cangaço. Havendo também grande chance de uma das mulheres que aparecem na imagem ser Cidália a primeira companheira de Mané Velho que veio a ser assassinada por ele com tiro de fuzil por questões de ciúmes.

Ambos moradores de Santa Brígida no estado da Bahia, conforme aponta a matéria original.

Obs: Elias Marques da Silva, tio de Mané Velho, encontra-se identificado por uma seta.

Rabiscos e garranchos: Geraldo Antônio De Souza Júnior

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quarta-feira, 26 de julho de 2023

CANGACEIRO MERGULHÃO. Antônio Juvenal da Silva

Por Histórias do Cangaço


Entrou para o bando de Lampião no início do ano de 1926.

- Participou do fogo das Caraíbas entre as cidades de Betânia e Floresta(PE), fevereiro de 1926.

- Participou do ataque à vila de Nazaré, fevereiro de 1926.

- Esteve em Juazeiro do Norte, março de 1926.

- Participou do tiroteio na fazenda Abóboras, município de Vila Bela(PE), julho de 1926.

- Esteve no ataque à fazenda Serra Vermelha, município de Vila Bela(PE), agosto de 1926.

- Participou da chacina à famíla Gilo, na fazenda Tapera, município de Floresta(PE), agosto de 1926.

- Esteve do combate da Serra Grande, próximo à Vila Bela(PE), novembro de 1926.

- Foi ferido no combate com a volante do sargento Arlindo Rocha, no Ceará, abril de 1927.

- Participou da invasão ao Rio Grande do Norte e da cidade de Mossoró, junho de 1927.

- Esteve em Limoeiro do Norte(CE) depois do ataque frustado a Mossoró. Foi fotografado com o bando.

- No dia 27 de março de 1928, executou com um tiro de misericórdia o valente companheiro Sabino Gomes, mortalmente ferido em combate, no fogo da fazenda Piçarra.

- Foi um dos cinco cangaceiros que atravessaram o Rio São Francisco com Lampião em direção à Bahia, agosto de 1928.

- Participou do primeiro tiroteio em solo baiano, contra a volante comandada pelo tenente Manoel Neto, nas proximidades do município de Santo Antônio da Glória. Agosto de 1928.

- Juntamente com Lampião, Ezequiel, Moderno, Luiz Pedro, Mariano, Corisco e Arvoredo, "visitou" as vilas de Tucano e Ribeira do Pombal, dezembro de 1928.

- Fez parte do grupo no embate com a polícia baiana na fazenda Curralinho, entre as vilas de Massaracá e Buracos. Dezembro de 1928.

- Foi morto no dia 07 de janeiro de 1929 no fogo com a volante baiana comandada pelo tenente Odonel Francisco da Silva, no arraial de Abóbora, município de Jaguarari(BA).

FONTE:

DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião e o Rio Grande do Norte: a história da grande jornada. 2. ed. Cajazeiras: Real, 2014.

OLIVEIRA, Bismarck Martins de. cangaceiros de Lampião de A a Z. 2. ed. João Pessoa: Mídia Gráfica e Editora, 2020.

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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REMINISCÊNCIAS

 Por Assis Nascimento

Na primeira imagem a Mossoró dos anos setenta, no cruzamento da Santos Dumont com Coronel Vicente Sabóia; na calçada do Banco de Mossoró está o Seu José Luís de Andrade, com seu carrinho de confeiteiro onde fez ponto durante muitos anos ... ora na calçada do BRADESCO, ora na do BM.

Pois bem, hoje me encontro com sua filha Wandinha que herdou do pai, a mesma atividade comercial, aqui na esquina do BB...Já perdi as contas dos anos, que ela negocia debaixo dessa mangueira; que antes foi ponto comercial de Zé Pereira.

Deixo aqui o registro, de pessoas que compõem a geografia humana da Terra de Santa Luzia; de ontem e de hoje, e que contribuem com o seu singelo trabalho na construção da nossa história.

Assim penso, por isso digo e mostro!

https://www.facebook.com/assisnascimento.nascimento

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JOÃO MARQUES DA SILVA

 Por José Mendes Pereira

João Marques da Silva - filho de Abílio Marques da Silva, que este último era filho de Manoel Marques da Silva, o Mané Véio.

Através de João Marques da Silva, policial e neto de Manoel Marques da Silva - o então destemido e valente policial que não tinha medo de nada, Mané Véio, tenho adquirido algumas informações e fotos sobre os seus  familiares.


Nesta foto, aparecem João Marques da Silva, neto de Mané Véio, e seu saudos pai Abílio Marques da Silva, que infelizmente, faleceu ainda moço. 

Estas informações estão sendo colhidas através do policial João Marque da Silva, neto do Mané Véio..
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CIÚME DOENTIU, FAZ O VOLANTE MANÉ VEIO ASSASSINAR SUA PRIMEIRA ESPOSA CIDÁLIA.

 Por José Mendes Pereira

Volante Mané Véio

Diz o saudoso escritor Alcino Alves Costa em seu livro "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico"que, o volante Mané Veio foi um dos participantes do  combate da Maranduba, e que lá, atirou tanto que o seu perverso mosquetão aparentava brasa, estourando a sua culatra, e com isso, deixou-o surdo de um dos ouvidos pelo resto de seus dias. 

Infelizmente passou por dois terríveis acontecimentos na vida do corajoso de Santa Brígida. Essa provocação veio de seu casamento com uma mocinha dali mesmo. Uma bela menina chamada Cidália. Os primeiros anos foram de felicidade. Nasceu um filho. Foi batizado com o nome de Abílio. O casal vivia num mar de rosas. Os dois se amavam profundamente. Mas entre eles existia uma quase que intransponível barreira. O gênio fortíssimo de ambos.

Alcino Alves Costa na íntegra: 

"Apesar de se amarem, Mané Veio e Cidália possuíam uma incompatibilidade de gênio muito forte. Encruzilhada que fez com que aquele casamento se tornasse uma tragédia sem precedentes na história da povoação do sertão da Bahia. O principal motivo para os dissabores eram os pendores irreversíveis do filho de seu Jacó para as aventuras amorosas. Além de outros romances extraconjugais mantinha forte e ardoroso caso com uma mocinha do lugarejo Curituba, daquele mesmo estado. A cabocla se chama Pureza e é ela a causa maior dos desacertos do casal que se arrasta até chegar na separação definitiva.

Apesar de separado da esposa e do filho o militar não deixa de cumprir com suas ocupações de dono de casa, procurando assim manter as despesas da família. Recomenda ao parente João Silva que não deixe a sua mulher e seu filho passarem fome durante os dias em que estivesse viajando, durante a sua ausência o parente e amigo suprisse as necessidades da casa que quando ele retornasse das viagens quitaria as dividas. Em um desses retornos inicia-se a grande provocação e desventura do moço de Santa Brígida. Depois de mais uma caçada, perseguindo cangaceiro, retorna para o merecido descanso. Mais que depressa procura o parente. Precisa acertar contas. A conversa entre os dois foi a de sempre. Tudo acertado vão tomar banho na fonte das Caraíbas. O rapaz de Santa Brígida conta peripécias de sua viagem pelos cafundós dos sertões à caça de bandidos. O banho é demorado. Lá pelas tantas resolvem sair da fonte e vão vestir as suas roupas. É nesse instante que a desgraça se apresenta na vida do moço da volante. Do bolso da calça do João cai um papel.

Mané Veio vê, imagina que é um bilhete e de sua cabeça brota uma inconcebível injustiça, julga que a letra que está naqueles rabiscos é a de sua esposa. Apesar de violento o caçador de cangaceiro consegue dominar seu doentio ciúme. Nada diz ao amigo. Continua a conversa calmamente. Não demonstra que está enlouquecido pela suspeita de infidelidade de sua esposa. Ao se ver sozinho o militar quer saber onde Cidália está. É informado que ela se encontrava na Fazenda Cajueiro lavando roupas, acompanhadas de amigas e da irmã Zafira. Ensandecido pega o mosquetão e vai procurá-la. A mulher, inocentemente lava suas roupas e a de seu filhinho. Não imagina a tragédia que dela se avizinha. Conversa alegremente com as companheiras. De repente o marido desponta. Apesar de com ele não mais morar, ainda o ama e o respeita por demais, alegra-se com a presença do pai de seu filho. As lavadeiras olham, curiosas, o homem que vem chegando. Nada temem. Não esperam que ele seja capaz de cometer alguma ação criminosa contra a sua esposa. O soldado chega se aproxima de Cidália e manobra sua arma. A infeliz mulher percebe a desgraça que se abate sobre ela e corre, procurando amparo no corpo da irmã. O enlouquecido marido não lhe dá tempo e nem oportunidades de se livrar da morte.

Um certeiro balaço destroça o seu rosto, deixando-a estendida no chão morta. O verdugo ainda dá mais dois tiros na infeliz e deixa o local. Acabava de praticar um monstruoso e hediondo crime. O crime que abalou Santa Brígida e todo o sertão baiano. O povo se revolta. Tudo aquilo era uma descomunal injustiça. Ficou comprovado que Cidália era inocente. Jamais mantivera romance com quem quer que fosse. A atitude extremada do soldado foi abominável. Severas providências teriam que ser tomadas. O assassino não quer pagar pelo bárbaro crime que cometeu. Homizia-se. Embrenha-se na mataria e fica um ano escondido no Serrote do Galeão, enfurnado numa gruta que hoje é conhecida como A Toca de Mané Veio. Protegido pelos militares consegue se transferir para Alagoas, onde fica sob a proteção do Tenente Lucena e sob o comando de João Bezerra da Silva".

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2008/11/histria-dos-volantes-man-vio.html

(...)

Ainda Alcino Alves Costa:

Assassinato da sua segunda esposa.

"Vamos voltar a contar a incrível história de Mané Véio, o grande protagonista do cerco de Angico. Agora em Goiás deixa de ser Manoel para se tornar Euclides Marques da Silva, o nome de um irmão falecido na Bahia. Fixa residência na cidade de Goiania. Torna-se joalheiro. Casa-se com uma bela moça chamada Maria Bosco da Silva e com ela procura recomeçar a sua nova vida. Nascem dois filhos. Uma menina, chamada Jovina, e um garotinho batizado com o nome  de Jacob. Anos depois o casal muda-se para São Paulo. Vão morar no Bairro da Liberdade. O seu meio de vida, a sua subsistência, continua sendo o comércio de jóias e ouro. 

O ciúme era uma constante, uma chaga cruenta na vida deste ex-soldado de volante. Aliado a tão medonho, doloroso e maléfico sentimento, o gênio extremamente violento do antigo “contratado” jogou no abismo a convivência, o sossego e a paz existente entre o baiano do Raso da Catarina e sua nova e também desafortunada esposa. Aquela vida harmoniosa do princípio, quando os dois em parceria comerciavam jóias e ouro juntos, havia chegado ao fim. E Maria começou a ser espancada pelo perverso marido. 

Não suportando aquela triste e medonha situação, temerosa e apavorada com as torturas e brutalidades do companheiro, a goiana pediu o divórcio, não tinha como continuar vivendo debaixo de tanto sofrimento. O advogado contratado por Maria Bosco chamava-se Othoniel Brandão. Ele iria cuidar do desquite. Ao tomar conhecimento da decisão da esposa, o homem da Santa Brígida se revoltou, chegando a tentar enforcá-la, o que não aconteceu em virtude da intervenção imediata dos vizinhos. Após este grave incidente Maria prestou queixa na polícia. Mesmo assim, dias depois, o marido abandonado tentou a reconciliação, alegando que amava a sua companheira e mãe de seus filhos.

Irredutível, Maria Bosco não aceitou a pretensão do marido. O que queria, o que lhe interessava era ficar ao lado do filho e da filha, e longe, muito longe, do pai deles. Sem alternativas, Mané Véio, mesmo a contra gosto, terminou por concordar com a separação e a divisão amigável dos bens. Na 2ª Vara da Família e das Sucessões a vitória da vítima foi total. Além da pensão para ela e os filhos, ainda aconteceu à partilha e divisão dos pertences de ambos e os filhos ficaram sob a tutela de dona Maria. 

Mesmo tendo aceitado o desquite, o antigo caçador de bandidos não se conformava com aquela separação. Agoniado, ameaçava assassinar a antiga companheira. A sua maior preocupação, o seu maior temor, era vê-la acompanhada de outro homem. Dominado pelo ciúme, costumava rondar a residência da ex-mulher, à Rua Pirapitingui, no prédio 97, apartamento 84, no Bairro da Liberdade. Assombrada com as ameaças, Maria Bosco procurou as autoridades policiais explicando a sua grave situação. Aconselhada pelos militares, comprou um revolver calibre 22, tirou porte de arma, e carregava a sua pequena arma em sua bolsa.

Os meses foram se passando. Aquela aflição continuava. O mês de julho de 1966 despontou. Chega o dia 13. É uma quarta-feira. Dona Maria,  acompanhada de sua filha Jovina Marques da Silva, sai do apartamento e vai até um açougue comprar carne. O filho caçula, Jacob, que sempre acompanhava a mãe, dessa vez não a acompanhou para jogar uma pelada com seus amiguinhos de infância. Na volta, após comprar a carne, um pistoleiro espreitava os passos de Maria. Era ele Josafá Marques da Silva, meio irmão de Mané Véio. Este bandido assim agia cumprindo ordem de seu mano que o incumbiu de assassinar a sua própria esposa. 

Em um ponto da Rua Pirapitingui, Maria aparece ao lado da filha, uma linda mocinha de apenas 16 anos de idade. O assassino está de tocaia, a espera de suas vítimas. Pouco mais do meio dia mãe e filha surgem ao longo da rua. Caminham despreocupadas por uma calçada. O verdugo sorrateiramente se aproxima delas. Saca um revolver “S & W”, calibre “32”. Aciona o gatilho de sua homicida arma. Dois tiros atingem mortalmente dona Maria, uma ainda jovem mulher, com apenas 40 anos de idade. Um balaço perfurou o tórax e o outro se alojou um pouco abaixo do peito. Vendo a mãe baleada e cambaleante, Jovina se interpôs entre ela e o cruel assassino. Este sem compaixão e sem piedade, mesmo sabendo que ali estava uma menina-moça no verdor de sua florida existência, e além do  mais, sua sobrinha, uma vez que ela era filha de Mané Véio, não titubeou, atirou para matá-la. Este terceiro tiro também foi mortal. A bala atingiu o peito do lado direito da mocinha que cambaleou e caiu nos estertores da morte por cima do corpo de sua mãe.

Este duplo assassinato abalou São Paulo. No outro dia, 14 de julho de 1966, o jornal NOTÍCIAS POPULARES, estampava: “Cangaceiro contratou um bandido para exterminar a família em SP”. E em grandes letras: “PISTOLEIRO MATOU MÃE E FILHA!”. Na sexta-feira, dia 15, o jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS, estampava em grande manchete: “PISTOLEIRO CONFESSA: MATOU PORQUE TINHA PENA DO IRMÃO”. O “DIÁRIO DA NOITE”, também no mesmo dia 15 de julho, estampava: “MATOU A TIROS A CUNHADA E UMA SOBRINHA”. Josafá e Mané Véio foram presos e processados. No dia 25 de outubro de 1967, o responsável pelo assassinato da esposa e da filha foi para o banco dos réus – e foi severamente exemplado".

Alcino Alves Costa
O Decano, Caipira de Poço Redondo
Sócio da SBEC; Conselheiro Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com/2012/01/mane-veio-o-feroz-da-santa-brigida_17.html

Eu e meus filhos descendentes de Mané veio, Fábio Marques da Silva, Gabriela Marques da Silva, Samuel Marques da Silva, Agatha Marques da Silva, Samantha Marques da Silva e Sophia Marques da Silva.

 http://blogdomendesemendes.blogspot.com