Seguidores

sábado, 21 de junho de 2014

DO PIONEIRISMO À RESISTÊNCIA


Uma das características dos índios Moxorós, que são apontados pelos historiadores como os originários da história do povo mossoroense, era o espírito guerreiro. Essa cultura da resistência acompanhou todo o desenvolvimento da nossa história. O maior exemplo deste espírito de luta verifica-se na guerra travada por estas bandas contra o mais famoso cangaceiro do Nordeste, o Lampião, que encontrou um povo lutador e acabou sendo expulso dessas terras.


O feito se deu em 1927 (século XX), segundo a história. Nosso município vivia um período de prosperidade econômica. Estávamos em pleno expansionismo comercial e industrial. Possuíamos o maior parque salineiro do país. Tínhamos três firmas comprando, descaroçando e prensando algodão, casas compradoras de peles de cera de carnaúba. Além disso, a cidade ainda dispunha de um porto, de onde eram exportados os seus produtos atendendo cidades da região Oeste do Rio Grande do Norte e até mesmo municípios dos Estados do Ceará e Paraíba.

O cenário de prosperidade foi fundamental para que atraíssemos a atenção de grupos criminosos que invadiam e saqueavam cidades, prática comum naquela época. A população estimada do município era de aproximadamente 20 mil habitantes. Nosso território era ligado por uma estrada de ferro que se estendia desde o litoral até o povoado de São Sebastião, hoje município de Governador Dix-Sept Rosado, que já pertenceu à Mossoró.

Além de todos esses atrativos, tínhamos boas estradas de rodagem, energia elétrica alimentando várias indústrias, dois colégios religiosos, agências bancárias e repartições públicas. Em pleno século início de século XX, os mossoroenses viviam situação confortável. E tudo isso atraiu o mais temido cangaceiro da época, Virgulino Ferreira, o famoso Lampião.

Hoje, sempre que um grupo criminoso vai atacar uma cidade, seja uma agência bancária ou outro tipo de estabelecimento de maior porte, é comum ouvirmos falar sobre “informações privilegiadas”. Como são bandos formados por pessoas de outros locais, eles precisam de ajuda de “gente próxima”. E Lampião tinha essa “gente próxima”.

Com o porte que Mossoró possuía, sua invasão precisava ser planejada. De acordo com as pesquisas feitas pelos historiadores sobre o bando, o “Rei do Cangaço” era apoiado por Cecílio Batista, mais conhecido como “Trovão”. Ele já havia morado em Assu, onde havia sido preso por malandragem e desordem (crimes previstos naquela época).

Além de Trovão, Lampião contava com a ajuda de outro cangaceiro, José Cesário, conhecido como “Coquinho”, que já havia até trabalhado em Mossoró e conhecia bem a cidade. Outro importante parceiro fora Júlio Porto. Este havia trabalhado como motorista de Alfredo Fernandes, personalidade rica da época e parente próximo do prefeito Rodolfo Fernandes. Além de Júlio, o “Zé Pretinho”, tinha ainda Massilon, um tropeiro que conhecia muito bem a cidade.


O plano de invadir Mossoró é colocado em prática a partir do dia 2 de maio de 1927, ainda segundo os documentos históricos. Lampião e seu bando partiram do estado de Pernambuco, em direção ao Rio Grande do Norte. Fizeram um longo percurso. Passaram pela Paraíba, próximo ao limite com o Estado do Ceará, com destino à cidade de Luís Gomes, que fica logo no início do Estado norte-rio-grandense, a 201 km de Mossoró (o caminho mais curto).

A viagem não foi pacífica. Por onde passavam, invadiam e saqueavam. A cidade de Belém do Rio do Peixe, na Paraíba, por exemplo, foi uma das vítimas dos bandidos. Até então, o bando estava dividido. Uma parte da quadrilha estava com Massilon, no Ceará. Seu plano era atacar a cidade de Apodi, vizinha à Mossoró, em 11 de junho daquele ano. Depois disso, o grupo de Massilon se reuniria com o restante, liderado por Lampião, para definir um plano.

Os grupos se uniram e a reunião aconteceu, como planejado, na fazenda Ipueira, que ficava na cidade de Aurora, no estado do Ceará. De lá eles partiram com destino à Mossoró. Como era prática entre os cangaceiros, aterrorizaram sítios, fazendas, lugarejos e cidades durante o trajeto. Invadiam, saqueavam, ateavam fogo, sequestravam (os mais riscos) etc.

Uma das vítimas do bando de Lampião, antes da chegada à Mossoró, segundo constam nos documentos históricos, foi o coronel Antônio Gurgel, que já havia sido prefeito de Natal. O bando ainda fez refém o fazendeiro Joaquim Moreira, dono da Fazenda Nova, em Luís Gomes, a fazendeira Maria José, da Fazenda Arueira, além de outras pessoas ricas da região.


Foi o coronel Antônio Gurgel que teve a missão de escrever uma carta endereçada ao prefeito de Mossoró, Rodolfo Fernandes, em nome dos cangaceiros. Ousados, eles fizeram uma série de exigências para que pudessem poupar os mossoroenses do terror que vinham causando noutras cidades do Nordeste. Essa era uma tática tradicional usada pelos cangaceiros.

De acordo com os estudiosos do cangaço, era comum a utilização dessas cartas. Antes disso, os criminosos adotavam uma série de providências para intimidar as autoridades e dificultar qualquer plano de resistência. Eles cortavam os serviços telegráficos da cidade, para evitar qualquer tipo de comunicação. Quando o município resolvia ceder, o bando exigia, além de dinheiro e joias, mordomias, submetendo o povo e os prefeitos a verdadeiras humilhações.

As pesquisas mostram que os criminosos exigiam festas e bebidas para farras, que geravam ainda mais destruição dos locais por onde o bando passava. Quando alguma das cláusulas exigidas não era atendida, Lampião e seus comparsas procediam impiedosamente.

Ao prefeito Rodolfo Fernandes, os criminosos resolveram pedir 500 contos de réis. Era muito dinheiro para a época. Por isso, chegaram a um consenso e pediram 400 contos, conforme carta que transcrevemos logo abaixo, na íntegra, escrita pelo coronel Gurgel:

Coronel Gurgel

Meu caro Rodolfo Fernandes.

Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aquartelado aqui bem perto da cidade. Manda, porém, um acordo para não atacar mediante a soma de 400 contos de réis. Penso que para evitar o pânico, o sacrifício compensa, tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró..."

Ao receber a carta, o coronel Rodolfo Fernandes convoca uma reunião. Convida todas as pessoas de destaque da cidade. Ele informa o conteúdo da carta ameaçadora e alerta para a necessidade da preparação de defesa contra um possível ataque dos cangaceiros.

Os convidados, no entanto, desprezando a força e ousadia do bando de Lampião, julgam que uma possível invasão não poderia ocorrer, se tratando de uma cidade com o porte de Mossoró. O prefeito ainda teria argumentado contra, mas não foi ouvido pelos participantes. Assim, ele responde a carta escrita pelo coronel Antônio Gurgel, a mando dos cangaceiros:

Coronel Rodolfo Fernandes

"Mossoró, 13 de junho de 1927 - Antônio Gurgel.

Não é possível satisfazer-lhe a remessa dos 400.000 contos, pois não tenho, e mesmo no comércio é impossível encontrar tal quantia. Ignora-se onde está refugiado o gerente do Banco, Sr. Jaime Guedes. Estamos dispostos a recebê-los na altura em que eles desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança.

Rodolfo Fernandes".

A resposta seria entregue a uma pessoa enviada pelo bando de Lampião, à casa do prefeito Rodolfo Fernandes, que logo afirma que a proposta feita pelo bandido não será aceita pelos mossoroenses e manda avisar a Lampião que o povo está disposto a enfrentá-lo, caso a invasão fosse executada (o que, de fato, houve). Mas antes, resolve impressionar o mensageiro.

Rodolfo o leva até um dos aposentos onde havia vários caixões com latas de querosene e gasolina. Junto a esses caixões, existia um aberto e cheio de balas. O prefeito, na tentativa de impressioná-lo, diz que todos aqueles caixões estão cheios de munição e que já existe um grande número de homens armados na cidade, aguardando a entrada dos cangaceiros.

Diferentemente do que havia encontrado até então, Lampião deparou-se com uma resposta negativa. Ao tomar conhecimento do posicionamento do prefeito Rodolfo Fernandes, ele mesmo escreve um bilhete, segundo os historiadores, numa péssima grafia (tal qual):
Cel. Rodolfo

"Estando Eu até aqui pretendo drº. Já foi um aviso, ahi pº o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu envito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, ate ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o drº. Eu não entro, ahi mas nos resposte logo.

Capm Lampião".

Mais uma vez, o prefeito responde com negativa, demonstrando a coragem do povo mossoroense. Em novo escrito enviado ao cangaceiro, argumenta dificuldades financeiras:

"Virgulino, Lampião.

Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comércio. O Banco está fechado, tendo os funcionários se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo o que o Sr. queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma.

Rodolfo Fernandes
Prefeito, 13.06.1927".


Diante da situação, a invasão mostrava-se iminente e não restava o que fazer, a não ser resistir. Apesar do medo, ampliado pelas histórias aterrorizantes que circulavam a região acerca de Lampião e seu bando, os mossoroenses decidiram preparar a cidade para a defesa.

O tenente Laurentino era o encarregado de organizar o plano de resistência ao bando. Os voluntários foram distribuídos em pontos estratégicos da cidade, escolhidos criteriosamente para tentar surpreender os criminosos, utilizando a estrutura local ao seu favor.


As torres das igrejas matriz, Coração de Jesus e São Vicente foram utilizadas como pontos de referência da resistência. Do alto, tinham visibilidade e podiam utilizar deste elemento para levar vantagem sobre o bando, que viria por terra (onde também encontrariam resistência organizada). Homens armados foram instalados no mercado, correios e telégrafos, companhia de luz, Grande Hotel, estação ferroviária, ginásio Diocesano e na casa do prefeito.

Do lado de lá também havia certa organização. De acordo com os registros históricos acerca do combate, Lampião pretendia chegar a uma localidade conhecida como Saco, que ficava a uma distância de dois quilômetros de Mossoró. Neste ponto, eles abandonariam as montarias e seguiriam a pé, até Mossoró, para concretizar a temida invasão.

O cangaceiro Sabino comandava duas colunas de vanguarda. Uma das colunas era chefiada por Jararaca e outra por Massilon, enquanto Lampião liderava a coluna da retaguarda.

Em meio à preparação dos cangaceiros e dos resistentes, a população, assombrada, tentava deixar a cidade. Crianças, mulheres e idosos, em sua maioria. Estes não tinham condições de enfrentar os bandidos, de armas em punho, e precisavam fugir para se resguardar.

De acordo com os historiadores, o dia de junho ficou marcado pelo desespero da população, que tentava sair da cidade o mais rápido possível. Mulheres chorando, carregando crianças de colo, crianças sendo puxadas pelo braço, trouxas de roupa na cabeça, balaios de comida e água etc. Era uma verdadeira multidão de pessoas aterrorizadas, vagando sem rumo.

O que se via eram famílias inteiras reunidas, completamente desesperadas, lotando os raros caminhões ou automóveis que saíam disparados a caminho do litoral. Muitos, sem condição de transporte, tratavam de conseguir esconderijo dentro ou fora da cidade. A ordem dada pelo prefeito era clara: aquele que estiver desarmado, não deverá permanecer na cidade.

O desespero aumentava mais à medida que o dia avançava. Às 23h, os sinos das igrejas de Santa Luzia, São Vicente e do Coração de Jesus começaram a martelar tetricamente, o que só servia para aumentar a correria. As sirenes das fábricas apitavam repetidamente a cada instante. Foi aí que alguns, ainda incrédulos com a invasão, tiveram a certeza do que viria.

Na praça da estação da estrada de ferro, era grande a concentração de gente na busca de lugar para viajar nos trens que partiam de Mossoró. Até os carros de cargas foram atrelados à composição para que a maior quantidade possível pudesse partir. Apesar de todo o esforço, muitos não conseguiram fugir. Aqueles que chegaram atrasados caíram no desespero.

Naquela inesquecível noite de 12 de junho, não houve descanso para ninguém em Mossoró. Os encarregados pela defesa da cidade se revezavam na vigília, enquanto o restante da população esperava a vez de partir. E o movimento na estação ferroviária não parava.


O embarque de pessoal virou toda a noite e só terminou na tarde do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, quando foram ouvidos os primeiros tiros, dando início ao terrível combate. Mas a meta havia sido alcançada; a cidade estava deserta. Ficaram só os resistentes.

Enfim, o bando chegara à Mossoró. Diferentemente do cenário que costumavam encontrar, deparam-se com uma cidade fantasma. Sabino, um dos líderes, segue com sua coluna para a casa do prefeito Rodolfo Fernandes. A intenção era punir o atrevimento do coronel que se recusou a ceder às pressões do bando e submeter uma cidade inteira ao terror do cangaço.

Sabino posiciona-se sozinho em frente à casa de Rodolfo Fernandes, sem saber que ali havia um grupo pronto para reagir contra o bando. Os defensores da cidade ficam indecisos, sem saber se ele é um soldado ou um cangaceiro, já que não havia muito diferença entre a maneira de se vestir de um e de outro. Foi Rodolfo Fernandes que deu a ordem para o ataque.

De acordo com as pesquisas feitas sobre o assunto, os mossoroenses contaram ainda com “ajuda” do céu. Em meio à guerra, uma chuva começou a cair, afetando diretamente a visão dos cangaceiros, que estavam desprotegidos, a céu aberto, enquanto os resistentes permaneciam inertes, nos pontos que foram estabelecidos estrategicamente por Laurentino.

Lampião segue em direção ao cemitério da cidade, enquanto que Massilon procura os fundos da casa do prefeito. A primeira baixa significativa do bando veio com o disparo que atingiu “Colchete”, que lançou uma garrafa com gasolina contra as trincheiras feitas de fardo de algodão, na tentativa de incendiá-los. Foi morto. Em seguida, Jararaca também foi baleado. Ele tentou se aproximar do comparsa para substituí-lo e acabou sendo alvejado nos pulmões.

É nesse momento que os resistentes mostram aos cangaceiros qual é a sua saída: fugir para não serem completamente destruídos. Os soldados entrincheirados assumem o controle da batalha, encurralando os cangaceiros. Aqui, a situação já está totalmente dominada.

A ordem de retirada do bando foi dada por Sabino, um dos líderes, ainda de acordo com os registros das pesquisas realizadas acerca do tema. Ele saca sua pistola e efetua quatro disparos para cima. Fim do ataque. Este foi o som da vitória dos mossoroenses sobre Lampião.

O temido confronto com o bando do mais famoso e temido cangaceiro do Nordeste durou aproximadamente uma hora e meia. Começou por volta das 16h e acabou às 17h30. Lampião, o destemido líder do bando, fugiu. Ele deixou para trás Colchete (morto) e Jararaca, além de muitos outros, não tão conhecidos, que foram feridos ou mortos durante o combate.

Precavidos, os resistentes permaneceram aquela noite de plantão, temendo que o bando pudesse tentar recuperar-se das perdas e voltar. Os combatentes suspenderam a vigília somente com o raiar do dia, ao confirmar que o bando tinha realmente sido expulso da cidade.
A história da resistência do povo de Mossoró contra o bando de Lampião, que seguiu sua saga, invadindo e saqueando, é lembrada todos os anos, no dia 13 de junho, que é o Dia de Santo Antônio. Foi numa tarde chuvosa que os mossoroenses reafirmaram seu espírito guerreiro, dando orgulho aos índios Monxorós, aqueles que deram origem ao nosso povo.

http://www.prefeiturademossoro.com.br/mossoro/historia/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MATÉRIA DO LIVRO " MEMÓRIA DE UM MATUTO SERTANEJO "

de José Onias de Carvalho...

Ele foi repórter, que, também fez a cobertura do Combate de Angico, em que morreram Lampião e mais dez cangaceiros...Ele, chegou a fazer várias FOTOS, que, até hoje, encontram-se entocas em arquivos pessoais...

A MATÉRIA....pg 11

A MATÉRIA ..pg 12 ( final )


Voltaseca Volta acima, foto de José Onias, Porto da cidade de Piranhas-AL, quando embarcava para a Grota do Angico, para fazer a cobertura da morte de Lampião...

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Sabino Gomes e Antonio da Piçarra


Com a palavra Vilson da Piçarra: "-Sabino Gomes com certeza era um dos cangaceiros mais destacados do grupo de Virgulino; criado sob as bençãos do clã paraibano de Marcolino Diniz, se uniu a Lampião logo após ao episódio do ataque a Sousa, fato esse que veio a antecipar o afastamento do líder cangaceiro ao poderoso coronel Zé Pereira, de Princesa, cunhado de Marcolino Diniz". 


Continua Wilsonda Puçarra: "-Em pouco tempo, por sua ferocidade e destemor, Sabino já ocupava lugar de destaque dentre o estado maior do cangaço e se colocava ao lado de Antonio Ferreira e Luiz Pedro, como os lugares tenentes do grande Virgulino Lampião."

VEJA TUDO O QUE ACONTECEU NA VISITA DO Cariri Cangaço a Fazenda Piçarra em Porteiras no Cariri Cangaço 2013 !!! VEJA EM:


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Etelvino Mendonça


Aqui nesta casa morou o maior coiteiro de cangaceiros de Itabaiana. Etelvino Mendonça. Aqui ficou Sila!

A cangaceira Sila companheira de Zé Sereno

Fonte: facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Dadá grávida


Corisco e Dadá, o segundo casal de cangaceiros mais importante de Lampião. Dadá está em gravidez avançada. Foto feita na Fazenda Beleza, município de Pão de Açúcar, no Estado de Alagoas, no ano de 1936. Aos pés de Dadá, a cachorra Jardineira.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Em 2013, o SESC Crato recepcionou grande debate sobre Angico


Em 2013, o SESC Crato recepcionou grande debate sobre Angico; na foto:Antonio VilelaAngelo Osmiro BarretoNarciso DiasNeli ConceiçãoJorge Remígio, Ivanildo Silveira e Manoel Severo Barbosa. Em Julho: Piranhas ! — com Manoel Severo Barbosa.

Fonte: facebook 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Na literatura cangaceira Dadá aparece com três nomes


A literatura cangaceirista aponta pelo menos 03 nomes para a ex - cangaceira Dadá, companheira de Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco.


O primeiro nome consta no registro civil de nascimento de Sílvio Bulhões, como "Sérgia Maria da Conceição" (Imagem acima). O segundo como "Sérgia Ribeiro da Silva" e o terceiro, o que muito provavelmente veio após o casamento em segunda núpcias, com o Sr. Alcides Chagas, sendo grafado como "Sérgia da Silva Chagas".Nesse sentido, o primeiro e o último nome parece-me lógica sua procedência, ficando incógnita a origem do segundo.

Fonte: facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 20 de junho de 2014

No tempo de Lampião Cabra pisava maneiro"


Enfrentava pelotões,
Em situações estranhas,
Um animal das montanhas,
Um " cesar" das legiões,
Assombro das multidões,
Atirador e certeiro,
Estrategista e guerreiro,
Matador de profissão,
No tempo de Lampião
Cabra pisava maneiro"
Repentistas, João Neto e Chico Ivo.

" Quem era que não temia,
O bandoleiro caôlho,
Sua lei olho por olho,
Tudo que pensava fazia,
Seguro na pontaria,
Desconfiado e mateiro,
Calculista e sorrateiro,
Que fez do crime a missão,
No tempo de Lampião,
Cabra pisava maneiro"
Repentistas, João Neto e Chico Ivo.

"Tinha pra lhe consolar,
Sua prenda mais restrita,
Era Maria Bonita
De formosura sem par,
Que amansava no olhar,
Seu indomável parceiro,
No colo dela um cordeiro,
Dentro do campo um leão,
No tempo de lampião,
Cabra pisava maneiro"
Repentistas, João Neto e Chico Ivo.


Fonte: facebook
Página: Paulo George

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

AGRIPA PARTICIPARÁ DO COMDEMA

Por Clerisvaldo B. Chagas, 20 de junho de 2014 - Crônica Nº 1.212
Ariselmo, Manoel, Ferreirinha e Clerisvaldo, Guardiões do Rio Ipanema. Foto: Agripa/Assessoria.
Em Santana do Ipanema, Alagoas, estar sendo criado o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente ─ COMDEMA.  A organização tem no comando o senhor Manoel Messias F. Santos, que ocupa hoje o cargo de Diretor do Meio Ambiente e que faz parte da Secretaria de Agricultura.

A AGRIPA, convidada a participar, indicou um dos seus guardiões para ocupar um dos doze lugares do futuro COMDEMA. Informou ainda o senhor Manoel Messias, que após a fundação do Conselho, será criado o novo código ambiental do município, atualizado e eficiente. Daí em diante, continuou Manoel, “Santana será forte em defender a natureza”.

Na última sessão da AGRIPA, realizada quarta-feira (18), também foram apresentados sete desenhos de logomarcas, representando a AGRIPA, para a escolha pelos guardiões, confeccionadas por artistas da terra. Uma delas foi escolhida por unanimidade.

A sessão da quarta foi presidida pelo guardião Clerisvaldo Braga das Chagas, pela ausência do titular Sérgio Soares de Campos. Vários assuntos foram tratados, inclusive reunião especial para estudar os caminhos que levarão ao registro da AGRIPA no Ministério da Justiça.

Diversos setores da sociedade têm procurado a AGRIPA para palestras e pesquisas sobre o rio Ipanema, a estrutura e os objetivos da Associação. Após os festejos de junho e julho, no município, a AGRIPA terá que parcelar seu pequeno contingente para atender a demanda do mês de agosto, inclusive, além fronteiras municipais.

O interesse em defender a natureza vai tomando conta das escolas de diversos níveis e começando a influir nas opiniões de adultos, antes destruidores e agora defensores dos nossos recursos naturais. Todos os objetivos da AGRIPA serão alcançados mais cedo ou mais tarde, concordam todos os Guardiões do Rio Ipanema.

A AGRIPA já tem patrono, símbolo e logomarca, faltando apenas um “slogan” que poderá sair da cabeça dos nossos leitores.

Devido aos festejos, do mês, os guardiões estarão reunidos novamente em sessão ordinária no próximo dia 26, às 17 horas, na Escola Professora Helena Braga das Chagas, Bairro São José.

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2014/06/agripa-participara-do-comdema.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JOQUINHA GONZAGA REALIZA SHOW EM PAULO AFONSO

João de Sousa Lima E Joquinha Gonzaga

Uma das presenças marcantes no São João de Paulo Afonso foi o sanfoneiro Joquinha Gonzaga, sobrinho e herdeiro musical de Luiz Gonzaga, que esteve na Vila do Forró e atraiu fãs da sanfona e do autêntico Forró pé de Serra.

Joquinha e sua família, João, Tião carvalho e Antonio Lira

Joquinha trouxe sua família e reencontrou com os amigos que residem na cidade.


Enquanto o sanfoneiro aguardava sua vez de cantar e tocar, reuniu em seu camarim, os amigos, a família e os fãs.


Joquinha sempre com sua simpatia prometeu retornar em breve para um churrasco na Chácara do amigo Sebasteão Carvalho.


Por aqui ficamos no aguardo, grande abraço sanfoneiro e continue trilhando o caminho do inigualável rei do Baião.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Visite o Museu do Sertão em Mossoró


O Museu do Sertão é particular, de propriedade do professor e agrônomo Benedito Vasconcelos Mendes, e está localizado no km 4, na estrada que segue para Alagoinha. 


No dia 26 de Julho de 2014, o Museu do Sertão abrirá as suas portas para visitas. E para saber como visitá-lo, entre em contato com o proprietário através deste e-mail: 

beneditovasconcelos@gmail.com


São 11 galpões para você visitá-los, e mais de 5.000 mil peças  a inteira disposição dos seus olhos e dos olhos dos seus familiares.


Os professores das redes de ensino: Estadual, Municipal e Particular, façam as suas programações, no sentido de levarem os seus alunos até ao Museu do Sertão em Mossoró. O Museu do Sertão muito agradece a sua visita.


Leia esta informação do proprietário do Museu do Sertão em Mossoró, Professor Benedito Vasconcelos Mendes

Amigo Zé Mendes, a próxima visita ao Museu do Sertão será no dia 26 de Julho. O ingresso é um kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no Lar da Criança Pobre. Mais informações você encontra no Site: 


Forte abraço, Benedito

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

É mesmo o rei do baião?


Luiz Gonzaga, o rei do baião homenageia Lampião, o rei do cangaço!

Fonte: facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Documentarista brasiliense investiga a trajetória da cabeça de Lampião

Por Marina Severino

Em 28 de julho de 1938, um pequeno casebre instalado a 550 metros das margens do Rio São Francisco, na divisa de Sergipe com Alagoas, recebeu a tropa volante comandada por João Bezerra da Silva. A visita tirou a vida de Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros no conhecido Massacre da Grota de Angico. O momento se tornou parte da identidade brasileira. O destino dos restos mortais, entretanto, segue fora dos livros de história. Por onde esteve a cabeça do cangaceiro, que só em 2003 foi entregue à família? 

O tema serviu de inspiração para o documentário do professor e sociólogo Norlan Silva, que desde o início de 2009 pesquisa e entrevista especialistas e testemunhas. “Na época, era comum usar a cabeça dos inimigos do Estado como troféu. A tropa percorreu as cidades exibindo os restos do bando em conserva rústica. Era a representação do fim do cangaço na figura de Lampião morto”, explica o cineasta, que acredita ver na história a sintetização do comportamento de uma geração.

Soteropolitano radicado em Brasília, Norlan Silva tem 15 anos de formação em sociologia e o cangaço o fascina desde a juventude. Cinéfilo, ex-dono de vídeo locadora e desde 2007 matriculado no curso de cinema do IESB, o cineasta é novo na profissão, mas levantou uma documentação diversa e aprofundada sobre os 64 anos de afastamento dos restos de Lampião de sua família. Usando verba própria, ele esteve em sete cidades à procura de laudos, registros e especialistas no assunto. Em uma aventura cinematográfica, Norlan viajou sozinho com câmera e um microfone de lapela, disposto a se hospedar em pequenas pensões ou onde oferecessem pouso.

Cabeça de Lampião começa exatamente na Grota de Angico, em Poço Redondo (SE), onde Norlan usou a prática em pesquisas de antropologia para chegar a Silvano Félix Cruz, membro de uma família de coiteiros – seu pai e seu irmão eram conhecidos de Virgulino Ferreira e protegiam os cangaceiros. Em um casebre montado na grota, o bando se hospedou por sete dias, tempo excessivo para os costumes de Lampião, e foram traídos por um dos moradores da cidade. “Silvano me contou o que ouviu que aquela traição resultou da briga de dois coiteiros por uma moça. Um deles denunciou o outro para a volante como conhecedor do paradeiro dos cangaceiros. O outro rapaz foi torturado e delatou”, detalha Norlan.

Aventura

O roteiro segue trajetória levantada pelo cineasta a partir de livros sobre o assunto e das histórias contadas pelos habitantes de Poço Redondo. Da cidade, Norlan seguiu para Piranhas (AL), Santana do Ipanema (AL), Salvador, Rio de Janeiro e Maceió, locais por onde o denominado “desfile macabro” passou. “Em Maceió, a tropa foi condecorada e as cabeças exibidas na Praça Floriano Peixoto, mas no Rio há controvérsias até sobre a chegada da cabeça. Supõe-se que apenas Getúlio Vargas e parte da elite tenham visto o troféu”, afirma.

Do Nordeste ao Rio, a viagem levava, na época, cerca de um mês. Apenas em 1939 aparecem novos registros da passagem da cabeça, agora por Salvador, que chega à cidade a pedido de Estácio de Lima, professor emérito de medicina e direito da Universidade Federal da Bahia, para ser estudada sob luz da teoria lombrosiana(1). Lamartini Lima e Maria Thereza Pacheco, médicos legistas da época ainda vivos e integrantes da equipe de Estádio de Lima, estão entre personagens chave de Na trilha de Lampião.

Uma das pérolas do documentário, ainda em fase de finalização, está o depoimento do coveiro José Barbosa, do Cemitério Público da Quinta dos Lázaros, em Salvador, onde foram enterradas personalidades do cangaço como Corisco, Lampião e Maria Bonita e o guerrilheiro Carlos Lamarca. Em 1969, a ossada foi enterrada pela primeira vez por José Barbosa. “Houve um deslizamento depois, em 1993, e ele era o único capaz de reconhecer a localização e distinguir cabeças dos reis do cangaço entre outras do bando, como Zabelê, canjica e Azulão”, recorda Norlan Silva.

Pensado originalmente como filme didático para escolas e universidades, já são desejados saltos maiores. O curta Na trilha de Lampião, finalizado a partir de depoimentos de Silvano Félix Cruz, está pronto para festivais. Há previsão ainda de versões de 50 minutos para TV e, talvez, uma estendida para disputar espaço nas telonas.
1 – Discriminação científica

Cesare Lombroso, cientista italiano, publicou em 1876 sua teoria, que seria base para estudos positivistas na época. Segundo ele, certos homens nasciam criminosos e essa característica seria consequência de fatores biológicos. Os sinais seriam comprováveis por meio dos estudos anatômicos.

Fonte: Correio Braziliense, por Marina Severino.

http://www.marinamara.com.br/2009/12/21/documentarista-brasiliense-investiga-a-trajetoria-da-cabeca-de-lampiao/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PEDAÇO DE ASA

Por Rangel Alves da Costa*

Ando meio entristecido. Só não digo que chorei pra ninguém ficar sabendo que sou tempestade de vez em quando. Mas não adianta nada esconder, pois todos percebem no meu olhar essa paisagem angustiada e melancólica.

Zezé, aquele mesmo molecote de “Meu Pé de Laranja Lima” disse um dia, lá no finalzinho do romance de José Mauro de Vasconcelos, que estava triste porque já havia se passado três dias que cortaram seu melhor amigo, o pé de laranja lima. E tenho de dizer o mesmo.

Digo o mesmo, mas não porque cortaram pelo tronco uma árvore companheira, e sim porque mexeram na minha asa, tocaram perigosamente na minha asa, cortaram um pedaço de minha asa. Só me resta agora um pedaço de asa. E logo agora que precisava fazer tanto com ela.

Não sou anjo, nunca fui nem jamais serei. Também não nasci com apêndices de penas presos às costas. Mas tenho asas desde que ainda meninote percebi - ou apenas imaginei - que podia voar. Bastava desejar realizar alguma coisa que minhas asas ficavam prontas para alçar voo.

Na verdade, nunca saí do chão com as asas que possuía. A certeza de sua existência estava na minha capacidade de levantar voo a qualquer momento que desejasse, eis que numa idade onde havia certeza que nada podia impedir a realização dos sonhos e planos. Eis uma idade que permite não somente asas como voos instantâneos em qualquer direção.


Ademais, havia sempre a noção de estar imune à tristeza, às angústias e aborrecimentos da vida, vez que sempre capaz de transformar tudo em alegria e felicidade. Assim, imaginava que bastava querer realizar algo grandioso e tudo seria possível. E assim porque tinha asas, porque podia voar a qualquer momento. E assim porque com as nuvens e os espaços ao alcance dos desejos e sonhos.

Aos poucos, contudo, com o avanço dos anos e o distanciamento cada vez maior da infância, acabei me sentindo cada vez mais rente ao chão, experimentando suas asperezas e já pisando nos primeiros espinhos. A partir daí, as asas que anteriormente pareciam querer esvoaçar ao sabor de qualquer vento, já nem eram mais percebidas com seu poder de me levar ao ar num simples querer.

Com o tempo, as asas dos sonhos, das miragens, viagens, idílios, fantasias, desejos, ludismos, e de tudo aquilo tão próprio das liberdades infinitas da infância, vão perdendo as forças, as penas, as hastes de sustentação ao imaginário, e tantas vezes terminam sumindo completamente. Mas as minhas continuavam me acompanhando, e assim porque jamais deixei de sonhar, de pensar muito além do presente, de fazer grandes voos no pensamento.

As asas continuavam comigo, não haveria como duvidar. O adulto jamais se separou da criança completamente, o homem jamais abdicou de também viver a doce e terna infantilidade de vez em quando. Impossível viver sem rebuscar do passado aquelas ilimitadas fronteiras da meninice.

Contudo, diante das responsabilidades surgidas, eis que as asas foram se recolhendo por conta própria, encurtando-se no imaginário, e só reaparecendo quando sinto a necessidade de sair da mesmice da vida, da normalidade angustiante, e me imaginar sendo menino novamente. Mas não mais, e infelizmente, com a força viva, alegre, bonita, contagiante, de outros tempos.

Agora só um pedaço de asa. Por mais que ela ainda continue completa em mim, sei que não posso mais dispor nada além de um pedaço de asa. Talvez apenas um pouco de plumas e sem a força suficiente para ir além do horizonte do meu olhar. Eis que o tempo, a idade, a força dos anos, pesam demais sobre o ser e acabam impedindo a leveza da completa libertação, acabam dificultando a viagem dos mesmos sonhos de antes.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com  

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Luiz Gonzaga, Gonzaguinha e sua primeira esposa


Único registro do rei do baião Luiz Gonzaga com sua primeira mulher e seu filho Gonzaguinha.

Fonte: facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com