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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

MORTES NA FAZENDA FAVELA


Naquele tempo, vários proprietários de terras tinham uma complicação a mais. Eram as ‘visitas’ quase que constantes das volantes e dos grupos de cangaceiros. Aquele dono de terras que tinha ‘jogo de cintura’ sabia agradar as duas partes. Mesmo assim era muito incômodo, pois estando um grupo, poderia, de uma hora para outra, aparecer outro e a bagaceira estava completa.

Muitos dos agricultores, fazendeiros e catingueiros não ajudavam de livre e espontânea vontade tanto um como o outro lado. Sempre era um prejuízo alimentar vários homens sem receber retorno algum de volta. Nesse sentido, os cangaceiros até que pagavam por sua ‘estadia’ e alimentação, porém, as volantes não andavam com dinheiro para isso, e aí, era só prejuízo mesmo.

Após a informação passada de que através dos coiteiros chegariam aos cangaceiros, muitos sertanejos viveram debaixo da chibata para ‘entregar’, principalmente Lampião. Alguns sabiam e aguentavam o quanto podiam sem abrirem o ‘bico’. Outros apanhavam e foram até mortos sem dizerem nada, por nada saberem... Mas, as torturas em alguns fazia muito efeito e eles além de entregarem, muitas vezes levavam a tropa até onde estava o bando de cangaceiros, isso de livre vontade ou debaixo de cacete.

No município de Floresta, PE, havia um cidadão chamado Antônio Novaes, casado com a senhora Antônia Teodora de Novaes e moravam com seus filhos, que além de possuir terras era comerciante, além de ter o título de tenente da Guarda Nacional. Essa ‘patente’ era adquirida por uma espécie de vaidade, já que era comprada. Sua propriedade rural era denominada fazenda Favela, onde morava com sua família, e nela, tanto se arranchavam cangaceiros como volantes.

As sombras da noite  já havia coberto o vasto sertão pernambucano, na noite do dia 10 de novembro de 1926, quando na sede da fazenda Favela chega Lampião com cerca de 90 homens. O “Rei Vesgo” queria falar com o Patriarca, porém este estava na sede do município e teve que falar com a Matriarca, dona Antônia, conhecida por “Dona Aninha”. Avisa o chefe cangaceiro que necessita de alimentos para sua cabroeira de uma quantia em dinheiro.

PS// a foto da 'cara' de Lampião foi colorizada, digitalmente, pelo amigo professor rubens antonio.

Para Dona Aninha aquela visita, de Lampião e seus homens, não era novidade nem a causava medo. Rapidamente ordena que se faça comida para todos. Os homens enchem a barriga e aqueles que não foram postos de sentinela, vão procurar algum lugar em uma das várias casas da fazenda para dormirem. Lampião depois que assumiu o bando não ficava a noite com todos, sempre ficava junto ao seu Estado Maior. Naquela noite, na fazenda Favela, estavam junto ao “Rei dos Cangaceiros”, a nata dos famosos cangaceiros como Esperança, Corisco, Sabino, Luiz Pedro, Jararaca... E por aí vai.

Luiz Pedro Cordeiro - ou Luiz Pedro de Siqueira ( José Bezerra Lima Irmão)

Após receber a patente de terceiro sargento, Zé Saturnino inverte as coisas e em vez de ser caça, vira caçador. Pega seus homens e sai pelas quebradas do sertão no rastro de Lampião. Nessa ocasião, estavam juntas as volantes do Anspeçada Manoel Neto e do primeiro inimigo de Virgolino, que chegavam a oitenta ou noventa homens, e seguiam exatamente os rastros do bando que estava na fazenda do tenente da Guarda Nacional.

Seguindo os sinais deixados, em determinado caminho, a volante encontra um já conhecido ‘colaborador’ de Lampião chamado Emiliano Novaes. Conversa pra’ quí. arrocho pra’colá, Emiliano se desvencilha das perguntas e nada diz sobre o paradeiro do chefe mor do cangaço.

O sargento Saturnino convence seu superior a liberar Emiliano. Assim acontece. ‘Raposa Velha’, Mané Fumaça sabe que Lampião saberá em breve de quem estava em seu encalço. Previne a tropa de que em toda moita pode estar uma emboscada preparada por Virgolino.

Não podendo mais seguir seu caminho. Emiliano Novaes retorna para sua casa e manda um recado para seu protegido de que se prevenisse que uma poderosa volante estava indo em sua direção. Lampião, como grande estrategista que era, reuniu seus homens e passou para eles o que tinha planejado.

Nessa altura dos acontecimentos, os militares já sabiam de onde esteva acampado Virgolino e sua cabroeira. No romper da aurora do dia 11, já em terras da fazenda Favela, os comandantes dividem sua tropa e começam a avançarem em direção a sede. Estando Zé Saturnino e seus homens em cima do paredão do açude, notam que uma pessoa estava dentro do curral do gado tirando leite. Não esperaram por mais nada, abriram fogo. A pessoa largou o que estava fazendo e correu no rumo da casa mais próximo em busca de salvar-se. Quem estava no curral era um filho do dono da fazenda chamado Totonho Novaes.

O rapaz, na carreira que ia, notou uma janela aberta e partiu para pulá-la. Nesse momento Lampião diz:

“-Entra menino, pra dentro de casa, que nós tamo cercado pelos macacos! ("AS CRUZES DO CANGAÇO – Os fatos e personagens de Floresta – PE” – SÁ, (Marcos De Carmelita Carmelita) Marcos Antônio de. E FERRAZ, (Cristiano Ferraz) Cristiano Luiz Feitosa. 1ª Edição. Floresta, PE. 2016)

A partir daí o mundo se fechou para aquelas bandas. Os soldados atacavam e os cangaceiros se defendiam. Mesmo estando preocupado com a luta, Lampião lembra-se da Matriarca, e dar-lhe o seguinte conselho:

“- Dona Aninha, bote as banheira na cabeça pra num furar a cabeça da senhora, que macaco num tem o prazer de encostar aqui não.” (Ob. Ct.)
Havia várias casas em volta da casa sede, inclusive uma nova. Mané Neto achando que Lampião encontrava-se dentro dela chega e bate na porta. De dentro da casa uma voz masculina pergunta quem bate e ele se identifica. Nesse momento uma saraivada de balas parte de dentro da casa em direção a porta e janelas. Nessa hora tombam dois bravos guerreiros, inclusive um que tinha apenas 17 anos de idade. Além dessas mortes, outros foram baleados.

De uma outra casa, os cangaceiros estão em fogo cerrado contra os homens de Zé Saturnino.

Lampião tinha ordenado ao cangaceiro Sabino Gomes que fosse para dentro do mato com parte da cabroeira e nada fizessem no início. Deixa-se a volante atacar e chegar o mais próximo possível de onde estavam. Esses entram no combate e caem em cima dos homens comandados pelo sargento Saturnino. De cara tombam quatro militares e outros ficam feridos.

O cangaceiro “Esperança”, Antônio Ferreira irmão de Virgolino, vendo a tropa de Mané Fumaça atacar a casa ‘nova’, chama alguns  cabras para saírem de onde estavam e irem combater de peito aberto. Nenhum dos cangaceiros que lá estavam tiveram coragem de sair. "Esperança" saltou para o terreiro, começou a entoar uma canção e começa a atirar em direção a Manoel Neto.

(...)Totonho Novaes viu quando o bandido, colocou o chapéu no braço, à altura do cotovelo, e pulou para fora com o fuzil, indo na direção de Manoel Neto. Antônio atirava e cantava a oração de Santa Madalena(...).” ( Ob. Ct.)

Com várias horas de combate, os militares se veem em uma situação difícil. Eram muitos os pontos que tinham que cobrir, várias casas e os homens de Sabino, e resolveram retirarem-se para evitar maiores baixas desnecessárias.

Esse combate tem um saldo de muitas mortes. Da parte dos militares foram seis mortos e dos cangaceiros, de imediatos três, sendo que outro corpo é encontrado já em putrefação, dias depois, dentro da mata. Dentre os primeiros três tombados da parte dos cangaceiros, encontra-se o cangaceiro “Sabonete”, que na verdade era Pedro Celestino, por alguns, conhecido por Pedro de Ramiro... Nas quebradas do Pajeú das Flores.

Fonte "AS CRUZES DO CANGAÇO – Os fatos e personagens de Floresta – PE” – SÁ, (Marcos De Carmelita Carmelita) Antônio de. E FERRAZ, (Cristiano Ferraz) Cristiano Luiz Feitosa. 1ª Edição. Floresta, PE. 2016
Foto Ob. Ct.
Benjamin Abrahão
"O Canto do Acauã"

Segunda fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira
Grupo: Ofício das Espingardas
Link: https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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REPENSANDO AS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL PARA O SEMIÁRIDO NORDESTINO

Por: Saul Ramos de Oliveira*

Cinco anos de seca no Nordeste vêm trazendo efeitos devastadores para seus Estados. Perdas das lavouras e animais dos agricultores, impacto negativo na economia dos municípios, desemprego, aumento dos preços dos alimentos, racionamento de água em várias cidades e etc. Isso trouxe, novamente, o nordeste e seu problema da seca para a mídia, sendo alvo de várias reportagens e matérias. No entanto, muitas dessas reportagens enfatizam mais os problemas que a região passa do que as possíveis soluções, exploram os efeitos da seca, na maioria das vezes, de forma  sensacionalista do que com seriedade, e finalmente, dão aparência que o nordeste é um cadáver moribundo que só traz gastos para o resto do país.

Segundo a mídia tradicional, todos os motivos para a falta de desenvolvimento do Nordeste são apenas ligados à falta de água. Infelizmente esse pensamento é amplamente difundido e aceito entre as autoridades políticas do Nordeste, do Brasil e pelos agricultores que esperam ansiosos todos os anos pela chuva. Esse pensamento vem a bastante tempo guiando as ações de intervenção do governo no Nordeste, a famosa política do ‘’ combate à seca’’.

Vários trabalhos acadêmicos e técnicos questionam a eficiência e os impactos positivos dessa política. O combate a seca teve maior enfoque na criação dos perímetros irrigados como os de Acaraú e Jaguaribe (CE) e Açu e Apodi (RN), Petrolina-Juazeiro (PE) e (BA). A construção desses perímetros ao longo dos anos, infelizmente, não foi capaz de transformar a realidade do Nordeste. Inúmeros pontos negativos causados por esses perímetros podem ser discutidos, entre eles, a imposição antidemocrática de muitos projetos de colonização, desvio do debate sobre a reforma agrária, concentração de terras, falta de estudos técnicos sobre culturas e solos agrícolas o que acarretou impactos ambientais como salinização do solo em Sousa (PB), entre outras.

Barragem subterrânea(Lona Plást ... oço amazona (Anel Pré-moldado

Um dos pontos mais controversos dos perímetros irrigados, está sua larga utilização pelo setor privado com intuito de enriquecimento individual e não dos pequenos e médios produtores como forma de desenvolvimento regional. Nos anos 2000, o Brasil possui cerca de 3,5 milhões de hectares irrigados, sendo 500 mil inseridos na região semiárido. Dentre os 500 mil, cerca de 140 mil hectares estão localizados em áreas públicas na forma de assentamento e cerca de 360 mil em propriedades e empresas de domínio privado (1).

Os perímetros irrigados nas mãos do setor privado se concentram mais na exploração de fruteiras irrigadas para exportação do que no desenvolvimento do mercado regional interno e auto suficiência alimentar dos municípios. Essa lógica, exclusivamente mercadológica, vem causando, indiretamente, exclusão de grande parte dos pequenos produtores descapitalizados, concentração fundiária, êxodo rural, etc. Assim podemos nos perguntar: a inviabilidade da política de combate a seca e os diversos pontos negativos relacionados à construção de perímetros irrigados em todo nordeste podem colocar em cheque o projeto, em andamento, da transposição do Rio São Francisco? Sim e não.

Se a lógica for apenas a disponibilidade de água como catalisador de desenvolvimento, o projeto estará fadado ao fracasso. Assim como a política de reforma agrária distributiva e de colonização, apenas a disponibilidade de água e alguns projetos de irrigação não são suficientes para gerar desenvolvimento para o nordeste, muito menos contribuir com a erradicação da pobreza. Se essa lógica vier com o projeto de transposição, com exceção de melhorias ao acesso à água para consumo humano e animal, pouco se mudará no estagnado desenvolvimento nordestino como um todo.

 Também vale lembrar que o grande projeto vem com enormes custos econômicos para o Brasil, e se não for orientado de forma correta também trará enormes custos sociais como: especulações nas terras favorecidas pela transposição, concentração fundiária, desemprego, impactos ambientais entre outros.

A transposição para ser positiva terá que ter o foco em projetos de irrigação, não só para produzir fruteiras visando o mercado externo, mas também para a produção de alimentos essenciais para a cesta básica. Com a produção de alimentos voltado para os mercados regionais, os preços dos mesmos diminuirão proporcionando segurança alimentar e gerando possibilidades de transferências de renda, que antes eram destinadas apenas para alimentação e para outros setores comercias gerando mais desenvolvimento na região.

Também temos que levar em consideração às áreas do semiárido nordestino, que em sua grande maioria, não são e não se encontram próximas às áreas úmidas que serão beneficiadas pela transposição do rio. Nessas áreas, é necessário que se invista na chamada irrigação de pequeno porte, ou seja, uma irrigação de baixo custo. A pequena irrigação são várias técnicas de captação e conservação de água no solo que visa o racionamento e o uso racional das águas nos períodos de estiagem.

Uma combinação muito eficiente dessas técnicas é a construção de barragens subterrâneas em riachos, associada à perfuração do poço amazonas, barramentos com pneus, conhecidas como BAPUCOSA e uso de terraceamento com tiras de pneus (TETIP) (2). Outras técnicas também importantes são as de captação de água em cisternas convencionais e do tipo calçadão e enxurradas, além de sistemas de reaproveitamento de águas domésticas para serem utilizadas em pequenas hortas.

Nas áreas com pouco acesso às águas, os sistemas agrícolas e pecuários também necessitam de mudanças. Nos agrícolas, o uso de culturas de ciclo curto ou com características de baixa demanda hídricas ou melhoradas geneticamente para esse fim é mais que uma necessidade. Citando algumas plantas com melhores desempenhos sobre estresse hídrico, temos: Caju (Anacardiumoccidentale), mamona (RicinusComunis), sorgo (Sorghurn bicolor), mandioca (Manihotesculenta), além de espécies nativas como o umbuzeiro (Spondias tuberosa), oiticica (Licania rígida) e exóticas como algaroba (Prosopisjuliflora) e leucena (Leucaenaleucocephala.).

Do ponto de vista da pecuária, é necessário que se tenha um trabalho de conscientização dos pequenos pecuaristas para migrarem, pelo menos, parcialmente, para a criação de um animal de porte menor ou mais adaptado às condições das secas. Ovinos e caprinos não só consomem menos forragem como possuem uma maior reprodução e são mais resistentes aos períodos de seca. Enquanto os bovinos consomem em média 45 L de água por dia, os ovinos, em clima quente, consomem na média de 5-6 L por dia, já os caprinos se enquadram na média do consumo de água dos ovinos, contudo, possuem uma maior capacidade de retenção corporal de água, além de possuir espécies que bebem água uma vez a cada quatro dias (3).

Cruzamentos interessantes de ovinos e caprinos na obtenção de maior produtividade de carne por área também se mostram uma vantagem.  Entre os ovinos, o cruzamento das raças Santa Inês com a raça Dorper unifica maior resistência à seca e rusticidade do primeiro com maior produção de carne do segundo. Já os caprinos, o cruzamento entre a raça Boer com a raça Anglo Nubiana proporciona maior produtividade em kg por cabrito produzido por cabras em vários sistemas de produção, além de definir uma melhor carcaça para esses animais (4).

A produção de gado não precisa ser extinta, apenas é necessária a escolha da raça certa. Para o semiárido, a raça de gado Sindi é uma das mais indicadas. Essa raça originária das regiões áridas do Paquistão, chegou ao Brasil por volta de 1952. Mostrando rusticidade, resistência a doenças, baixo consumo de alimentos e etc, logo de destacou como uma grande esperança e alternativa para a pecuária tropical.

Outras atividades como a criação de abelhas (apicultura) e de galinha caipira, também são alternativas para aumentar a diversificação e a renda do produtor sem grandes gastos no processo produtivo. Assim, essas e outras tecnologias básicas e não muitos caras já estão disponíveis e esperando para serem colocadas em práticas para o desenvolvimento do semiárido.

A transposição do Rio São Francisco a cada dia se aproxima mais do semiárido nordestino trazendo esperanças e críticas. Os esperançosos falam em desenvolvimento e abundância de água, os críticos falam que as águas só servirão aos grandes fazendeiros da região, e que os pequenos agricultores e habitantes dos rincões secos não utilizarão e nem beberam sequer uma gota dessa água. Na verdade a transposição do Rio São Francisco é uma caixa preta, que somente o tempo dirá quem terá razão.

Independente de rio ou não, o Nordeste tem plenas condições de sair da lógica do combate a seca e suas políticas limitadas de disponibilidade de água. Inúmeras estratégias para o desenvolvimento do Nordeste estão disponíveis, mas para isso é necessária a vontade dos governos da região e um projeto sério de desenvolvimento que busquem aproveitar as potencialidades e a convivência com as adversidades do semiárido.

Avalição de aspectos histórico/geográficos dos estados, projetos agronômicos e zootécnicos voltados para a região, formação de recursos humanos, pesquisas nas diversas áreas, extensão rural, preservação e conservação do meio ambiente e etc, são pontos importantíssimos para projeto. Um processo de reforma agrária também se faz necessário, mas não uma reforma agrária baseada em outras regiões ou de forma colonizante, onde se trata, muitas vezes, os assentados como animais, sendo jogados em qualquer lugar a sua própria sorte. E necessária uma reforma agrária que traga a terra, mais também cooperativas, agroindústrias, assistência técnica, crédito, e principalmente, que esteja projetada para as especificidades do semiárido colocando os assentados em uma lógica produtiva específica.

Vários exemplos de convivência de sucesso com a seca são apontados no mundo. Agricultores americanos produzem toneladas de vários vegetais nos campos áridos da Califórnia, não reclamam de seu clima, muito menos desistem perante as adversidades. Agricultores Israelenses possuem apenas cerca de 20% de suas terras aráveis sobre clima extremamente árido, mesmo assim, conseguem produzir, através de técnicas modernas de irrigação, toneladas de alimentos para exportação e para consumi interno.

Produtores espanhóis da região seca da Múrcia desenvolveram sistemas de drenagens e irrigação de suas águas de forma muito eficiente, o que lhes garantiram o protagonismo na produção de frutas e hortaliças em toda Espanha.Australianos também são conhecidos por suas agriculturas altamente produtivas em pleno deserto.

Uma nova forma de pensar o Nordeste precisa ser colocada no limiar desse projeto. Um pensar otimista e realista, um pensar que procure ver o Nordeste como ele é e não como gostaríamos que fosse. A seca existe e sempre existirá, é um fenômeno climático cíclico! Mesmo assim é possível uma convivência viável, só basta se adaptar a ela e não querer modificá-la em vão. É inadmissível que o governo federal e estaduais do Nordeste não tracem projetos de desenvolvimento para a região baseados nessa realidade.

Enquanto esse novo pensar não chega, a indústria da seca vem lucrando como sempre. As raposas velhas da política nordestina em conchavos com latifundiários e demais interessados nessa indústria, como sempre, se utilizam da seca para garantir seus interesses. Créditos milionários a fundo perdido, perdão de dívidas, isenções fiscais, construções de açudes em propriedades privadas, especulação de animais e alimentos, esses são alguns exemplos do uso da seca para ganhos de alguns perante o flagelo de vários.

Inúmeros casos podem descrever o que é a indústria da seca e seus propósitos sórdidos. Mas, talvez um caso pitoresco e recente represente de forma fidedigna o que se característica tal indústria. No município de Santa Terezinha localizado no sertão paraibano, a prefeita eleita nas últimas eleições decidiu fazer uma comemoração um pouco diferente das de costume, a mesma decidiu realizar um ‘’ superbanho’’ com água de carro pipa em seus eleitores. O interessante é que a cidade está entre os 196 municípios paraibanos em situação de emergência devido à seca.

*Saul Ramos de Oliveira é Engenheiro Agrônomo, e Mestrando em Horticultura Tropical, Ambos pela UFCG.

Referências

(1)       VALDES, Alberto et al. Impactos e externalidades sociais da irrigação no semiárido brasileiro. Banco Mundial. Brasília/DF, 2004. Disponível em:http://www.pontal.org/docs/benefits3.pdf. Acesso em 10/01/17.

(2)       FUNASA/ATECEL/UFCG. Técnicas agrícolas para contenção de solo e água. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=PIYNJdaAmJs>Acesso em: 10 jan. 2017.

(3) EMBRAPA. Água na nutrição animal. Disponível em: <https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/.../Agua_nutricao_000gy2xyyy402wx7ha0b6...>Acesso em 10 jan 2017.


(4) SOUSA, W.H.; CÉZAR, M.F.; CUNHA, M.G.G. Estratégias de cruzamento para produção de caprinos e ovinos de corte: uma experiência da Emepa. In: ENCONTRO NACIONAL DE PRODUÇÃO DE CAPRINOS E OVINOS, 1., 2006, Campina Grande. Anais... Campina Grande, 2006. p.338- 384.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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COMO ERA O TIPO DA VOZ DE LAMPIÃO?

Por Antonio Corrêa Sobrinho

A voz é o grande meio de comunicação entre os seres humanos e um dos principais elementos caracterizadores da pessoa. A voz, que está associada à fala, na realização da comunicação verbal, varia quanto à intensidade, a altura, a inflexão, ressonância, articulação, etc.

Observem os amigos que, não obstante a sua importância, quase nada diz a história sobre a voz, nem como falavam os homens da história, dos tempos anteriores aos gravadores de sons, e inclusive de muitos que personagens que viveram já quase nos nossos dias, sob a gravação sonora em aparelho, como é o caso do famoso cangaceiro nordestino Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, que até filme protagonizou, todavia, da sua voz nada sabemos.


Como era a voz de Lampião? Era do tipo baixo, barítono, tenor, ou seja, ele falava grosso, médio ou fino? Qual a intensidade, a altura e o timbre de sua voz? Ele falava devagar ou ligeiro? Ele era gago?


ADENDO - José Mendes Pereira

Grande escritor e pesquisador do cangaço Antonio Corrêa Sobrinho, ainda existe uma luz, mesmo minúscula, mas resistindo aos ventos fortes no final do túnel, e esta luz, poderá saber tudo sobre as suas interrogações. Sabe quem? 


Só pode ser a ex-cangaceira "Dulce Menezes" uma das sobreviventes do massacre feito pelas volantes policiais aos cangaceiros na "Grota do Angico", na madrugada de 28 de julho de 1938, em terras do município de "Poço Redondo", no Estado de Sergipe. E acho que tem que ser feito logo estas perguntas a dona "Dulce", que conviveu com o facínora e sanguinário Lampião saberá muito bem defini-lo de todas as maneiras.

Aqueles que moram nas imediações da residência de dona "Dulce Menezes" têm que marcar uma entrevista com ela, para que as suas perguntas possam ter respostas arquivadas para os futuros estudiosos do cangaço. 

Esta é a minha opinião, vez que eu sou apenas um estudante dessa literatura tão admirada que tem sido pelos brasileiros, e por outras nações do nosso  planeta. Se eu estiver conversando muito, que me perdoe, cada um de nós tem visão diferente de outros e outros.

Fonte: facebook
Página: Antonio Vorrêa Sobrinho
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste

Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O MAIS NOVO LIVRO SOBRE JARARACA

Por Marcílio Lima Falcão

Sinopse - Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Jararaca: Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró historiciza a construção das memórias sobre a santificação do cangaceiro Jararaca, morto na noite de 19 de junho de 1927, no cemitério São Sebastião, em Mossoró, pela força policial que o escoltava para Natal, capital do Rio Grande do Norte. A interpretação é realizada por meio da análise da documentação dos jornais O Mossoroense, O Nordeste e O Correio do Povo, da análise de obras com narrativas a respeito da morte de Jararaca, da importância dos lugares de memória como espaços de conflito e das falas dos devotos que visitavam o túmulo de Jararaca no dia de finados. Procura-se compreender as formas de circulação, apreensão e ressignificação das memórias sobre a santificação de Jararaca.

Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Autor: Marcílio Lima Falcão
Adquira logo este através deste e-mail:limafalcao34@gmail.com
Valor: R$ 
35,00 (incluso a postagem)
Banco do Brasil
Agência: 
3966-7
CC – 
5929-3
Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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POÇO REDONDO NA ESTRADA E NO ASFALTO

*Rangel Alves da Costa

Hoje a pessoa sobe num carro e em quinze minutos está em Curralinho. Sobe num carro em Aracaju e em duas horas e meia está em Poço Redondo. De Canindé a Poço Redondo ninguém sequer percebe o tempo passar, e segue quase por uma imensa avenida com casas de lado a lado. Do modo que era antes, está tudo perto demais.

Noutros tempos, subir na marinete de Seu Vavá para seguir ao sertão era um nunca chegar. Mais de cinco horas por estrada de chão, ruim, pedregosa, empoeirada, como solavancos de minuto a minuto. Fora as vezes que ele parava para namorar já perto de Sítios Novos. Lembro-me de uma agalegada que era uma de suas namoradas de estrada. Eita Seu Vavá tanto gente boa como metido a galanteador.

Na sua marinete - quase o único meio de transporte do sertão à capital - seguia de tudo, desde galinha a bode, de abóbora e melancia. E até preso. Eu mesmo já presenciei gente muito perigosa sendo levada algemada e aos cuidados de dois policiais. Ficavam nos últimos bancos, mas tudo misturado aos demais passageiros.

Para o que foi ontem, hoje se vive em primeiro mundo e na velocidade jamais imaginada. Aqueles antigos caminhos sertanejos, quase todos nas curvas do Velho Chico, era de encomendar e marcar no calendário a possível chegada. Eram dias para um corte bonito de pano sair de uma loja em Propriá e chegar até Bonsucesso ou Curralinho. Dificilmente a pessoa saía do porto do Curralinho para a feira de Pão de Açúcar e retornava ainda no clarão do dia. Eram viagens difíceis, penosas, mas as únicas acessíveis aos sertanejos.

Hoje em dia, quando, por esporte, uma turma de poço-redondenses madrugada para fazer caminhada até a beira do rio, sequer imagina que aquele mesmo percurso era feito duas vezes ou mais ao dia por João de Virgílio. Chegava um saco no porto de Curralinho para ser entregue em Poço Redondo, e lá ia João ajeitando nas costas para fazer chegar ao balcão. Acaso morresse alguém nas barrancas do rio, e lá vinha João buscar o caixão. E com ele retornava já debaixo da lua grande. E sempre descalço, com seu beiço largo, sua pele amorenada, seu chapéu em pedaços e um inseparável charuto. Até que um dia tombou sem vida no meio da estrada que era sua vida.


Era realmente uma vida de sacrifícios pelas distâncias. Principalmente aos sábados, aqueles feirantes antigos de Poço Redondo subiam em paus-de-arara para a feira na Boca da Mata. Rumo a Nossa Senhora da Glória, nas alturas de um velho caminhão apinhado de gente, correndo todos os perigos do mundo, lá seguiam Delino, Pedro Bola, Zé de Iaiá, Ireno, dentre tantos outros. Se o caminhão já seguia pesado na partida, que se imagine ao retornar carregado de gente e de saco de tudo, de penca de banana a fardo de peles.

Naqueles idos, quanta importância do burro, do jegue, do cavalo, do carro-de-boi. O Coronel João Maria de Carvalho arribava de Serra Negra no seu alazão e riscava ainda fagueiro na casa de Zé de Lola. Quem gostava da casa de Bastião Joaquim era seu filho Eraldo e seu sobrinho Evaldo. Eraldo mandava trazer seu cavalo branco com o único objetivo de, já bêbado, sair em disparada pelas ruas e entrar nos salões de forró com cavalo e tudo. Mas também, em tempos mais distantes, comboieiros chegando na casa de Seu China e Dona Marieta. Pernoitavam e depois seguiam pelas estradas empoeiradas sertões adentro.

Seu Zé Ferreira saía de Major Isidoro nas Alagoas e chegava ao sertão dirigindo um jipe. Ter um jipe era ter status. Quando minha tia Izabel Marques comprou uma caminhonete foi a maior novidade do mundo. Lilizo chegava a beijar a caminhonete de seu pai, meu padrinho Joãozinho. Alcino tudo fez para aprender a dirigir em Corcel e depois em Opala, mas nunca aprendeu a contento. Muito menos dançar.

Mas hoje ninguém mais monta num lombo de jegue. Ou é moto ou carro possante, de luxo. Até mesmo Neném de Elenita já não é mais chamado como antigamente. Não faz muito tempo que todo recado era dado por Neném, que saía virando esquina em meia carreira. Hoje Neném passa e quase ninguém fala. Tudo é no celular, no alô quem fala.

Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com 

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PERSONAGENS DA HISTÓRIA E FATOS CURIOSOS

José Leite de Santana cangaceiro de Lampião, vulgo Jararaca. Na altura do peito nota-se a marca do tiro levado no confronto.

Ao tentar tirar seus haveres "Jararaca" (José Leite de Santana) foi ferido no peito e na coxa. Após arrastar-se por onze horas, acabou encontrando uns funcionários da rede ferroviária a quem pediu que comprassem medicamentos, prometendo uma rica recompensa. Um deles, de fato, buscou a ajuda e tratou de avisar a polícia. O cangaceiro acabou detido. Após uma semana, durante a qual dera valiosas informações sobre os membros do grupo de cangaceiros foi morto. Hoje é tratado como santo.

Rumo à Mossoró (Ataque de Lampião a cidade em 12 para 13 de junho de 1927).


Fonte: Livro - Lampião: Herói ou Bandido? - Autor - Antônio Amaury


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Pedro Ralph Silva Melo (administrador)

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O CORONEL DELMIRO GOUVEIA CONQUISTOU O MUNDO E CONSEGUIU SER PODEROSO


(...)

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em 5 de junho de 1863 em Ipu, no Estado do Ceará. Órfão de pai, mudou-se ainda criança para Recife. Depois de perder a mãe, em 1877, caiu no mundo, dedicando-se a vários ofícios: foi tipógrafo, trabalhou na Brazilian Street Railways Company, virou mascate e chegou a despachante de barcaças no Cais de Ramos. Por fim, ingressou no negócio de peles de bode, carneiro e cabra, criando, em 1896, a Delmiro & Cia. Segundo o escritor Graciliano Ramos (1892-1953), Gouveia “adquiriu tanta habilidade que poderia, segundo afirmam os tabaréus, esfolar uma cabra viva sem que ela percebesse que estava sendo esfolada”.

Atacando ferozmente a concorrência, em pouco tempo o jovem empresário figurava nos jornais como o “Rei das Peles”, tornando-se o único exportador de couros do Nordeste para os Estados Unidos. Os lucros lhe trouxeram uma vida de fausto: sua residência, a Vila Anunciada (assim batizada em homenagem à primeira esposa), foi transformada em um espaço para grandes festas e saraus.


Apesar de não vir de família tradicional e de possuir pouca instrução, Gouveia tornou-se presidente da Associação Comercial de Pernambuco. Seu figurino era elegante: ditou moda com os “colarinhos Delmiro Gouveia”, tinha um apreço todo especial por roupas brancas e perfumes importados. A fama de negociante próspero logo foi acompanhada pela de galanteador que enviava rosas e bilhetinhos apaixonados às amantes.

Delmiro visitou a Exposição Universal de Chicago, em 1893, e voltou de lá com a cabeça cheia de idéias. Provavelmente, a experiência inspirou-lhe a criação do Derby, um mercado com 129 metros de comprimento por 28 de largura, 18 portões, 112 janelas e venezianas, e um restaurante. Funcionavam no Derby 264 boxes, todos com balcões de mármore, onde se vendiam hortaliças e verduras.

(...) http://www.revistadehistoria.com.br/secao/retrato/o-coronel-dos-coroneis


Se você quer saber sobre "Quem Matou Delmiro Gouveia" adquira esta obra do escritor publicitário, documentarista e historiador nato da cultura nordestina, lampião, coronéis, messianismo e da boa música brasileira de qualidade. Gilmar Teixeira o homem das "Mentiras e Mistérios" sobre a morte de Delmiro Gouveia. 

O livro é uma verdadeira odisseia na busca da elucidação dos fatos, confrontando depoimentos e notícias da época, rastreando fatos que passaram despercebidos quando ainda no calor dos acontecimentos. Vale a boa leitura e o conhecimento dos registros. Agora é esperar o lançamento do livro de Gilmar Teixeira e colocar mais lenha na fogueira das "mentiras e mistérios" das histórias do Nordeste.

Peça-o através deste E-mail: 
gilmar.ts@hotmail.com

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VIAGEM À CANUDOS

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Amanhã, quarta-feira, dia 11-01-2017, partirá de Mossoró-RN uma comitiva de intelectuais para visitar Canudos-BA e algumas outras cidades baianas, onde atuou o Beato Antônio Conselheiro. 


Em Canudos, além do Alto da Favela, palco da Guerra de Canudos, serão visitados a Igreja Nova e o Cemitério, que devido os últimos 5 anos de seca ficaram descobertos das águas do Açude Cocorobó. 

O Museu, a estátua de Antônio Conselheiro e outros locais da cidade de Canudos, também serão visitados. Iremos à outras cidades assistidas pelo trabalho religioso do Beato líder, inclusive Chorrochó-BA, onde Antônio Conselheiro construiu uma Igreja. 


A comitiva será formada por Paulo Gastão e sua filha Patrícia, Clauder Arcanjo, Benedito Vasconcelos Mendes, Susana Goretti, repórteres da TCM( TV à Cabo de Mossoró e por outros estudiosos da Guerra de Canudos. 

O retorno à Mossoró está previsto para domingo, dia 15-01-2017.

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A MORTE DOS CANGACEIROS PÉ-DE-PEBA, XOFREU E MARIQUINHA


O cangaço foi composto por homens sem medo, sem rumo e sem guarida... Nômades que ao viverem na dureza do sertão nordestino, também ficaram duros, resistentes e de uma têmpera igual ao poder e força do sol que calcina constantemente aquele solo. E ao mesmo tempo, de uma força de regeneração tão e quanto ao rico solo que, apesar das intempéries do clima, basta um sereno para fazer brotar um ‘tapete verde’ parecendo agradecer aos céus.

Quando Lampião se encontra com Maria de Déa, na casa da fazenda de seus pais, encomenda uma porção de lenços de seda para que a mesma os bordasse com as iniciais de seu nome. Sabemos o quanto Virgolino foi vaidoso, porém, essas ‘encomendas’ tinham lá seus objetivos, menos vaidades. Na verdade, essa foi uma maneira dele vir com mais frequência à casa da fazenda e ver Maria. Que, ao passar de pouco tempo, segue o “Rei dos Cangaceiros” para não mais voltar a morar na casa paterna.

Após formarem o primeiro casal a fazerem parte do cangaço, Lampião abre uma brecha para que outros também se façam. Maria tinha uma prima, que era irmão de seu esposo, Zé de Nenê chamada Mariquinha. Essa se torna companheira do cangaceiro “Labareda”, Ângelo Roque.

Labareda chefe de subgrupo do grupo de cangaceiros de Lampião

Não se sabe, pelo menos até hoje não vi, nenhum escrito relatando sobre alguma mulher acompanhar algum soldado de volante. É correto dizer que após a entrada das mulheres no cangaço, diminuíram parte das torturas e dos estupros dos cangaceiros? Já que os mesmos, segundo alguns escritores, tornam-se mais limpos, mais higiênicos. Eis uma boa pergunta...

O subgrupo chefiado por Labareda, certa feita estava acoitado em terras sergipanas no lugar chamado Riacho do Negro. Para sua defesa, escolhe um serrote, pequena elevação de terra, pequena serra, para montarem acampamento.

Com a indicação do chefe cangaceiro preso na Casa de Detenção do Recife, Capital pernambucana, Antônio Silvino, de como agirem as autoridades para ‘chegarem’ ao “Capitão Lampião”, os comandantes das volantes, principalmente os pernambucanos, sabem a quem, ou em quem, ‘apertar’ para saberem onde estavam seus perseguidos. Apesar da caguetagem do “Rifle de Ouro”, a malha fora tão bem elaborada, que se passaram vários anos para que o objetivo fosse alcançado.

Volante baiana comandada pelo sargento Odilon Flor. Detalhe, o filho do comandante Odilon, Luiz Flor, encontra-se entre seus comandados. Ele é o terceiro da esquerda para direita, na segunda fila. Luiz estava dando muito trabalho, com sua adolescência "a todo vapor", então sua mãe o manda para junto do pai.

Pois bem, o coiteiro pego nas redondezas, ali perto, após uma sova, muita ‘prensa’ da volante do nazareno Odilon Flor, abre o bico. Canta feito um passarinho e diz onde estão os cangaceiros acoitados. Em vez de seguir as orientações que o coiteiro lhe diz, Odilon resolveu que ele mesmo servisse de ‘guia’ até o local para ele e seus 15 comandados.

O subgrupo de cangaceiros chefiado por "Lanbereda" era composto, nessa situação, por 8 pessoas incluindo a/ou as mulheres. Estão a se divertirem, jogando cartas e/ou limpando e lubrificando as armas. Quando de repente uma saraivada de balas ‘cai’ sobre o acampamento.

Chegando próximo ao local, vendo o posicionamento do coito, o comandante estuda o terreno, elabora um plano e ordena que avancem... Com muito cuidado, os militares conseguem chegar a ponto de tiro.

Cabeças dos cangaceiros "Pé de Peba", "Mariquinha" e "Xofreu".

Após o impacto da surpresa, que não era demorado para aquelas pessoas já acostumadas ao som dos disparos e ao zunido das balas, os cangaceiros contra-atacam e inicia-se um ferrenho tiroteio. O cangaceiro alcunhado de Pé de Peba tomba sem vida. Outro cangaceiro, de apelido "Xofreu", por alguns tido como “Chofreu" ou "Sofreu”, segue Pé de Peba na trilha escura da morte. 

Cruzes no local onde foram abatidos os cangaceiros Mariquinha, Pé de Peba e Xofreu, pela volante do sargento Odilon Flor em terras sergipanas, os quais faziam parte do subgrupo chefiado pelo cangaceiro "Labareda".

Em fim, a companheira do subchefe, Mariquinha, também cai na senda da guerra. Tendo três baixas em seu grupo, os cangaceiros conseguem abrir uma brecha na linha de ataque e conseguem fugirem.

Os cangaceiros "Gitirana" e "Xofreu"(Sofreu ou Sofrê)

No decorrer do ataque, ferrenho e ininterrupto, a volante tem uma baixa. O comandante Odilon Flor é ferido na altura das nádegas. Mas, não é nada grave. Os soldados são ordenados a cortarem as cabeças dos cangaceiros mortos. As mesmas são colocadas no lombo de uma burra e levadas para a cidade de Paripiranga, SE.

E assim, nas quebradas das serras sergipanos, na década de 1930, tem-se fim a vida de mais três cangaceiros.

Fonte “Lampião – O Cangaceiro” - LIMA, João de João De Sousa. 1ª edição. Paulo Afonso, BA. 2015.
Foto acervo particular da família Flor
João De Sousa Lima
"O Canto do Acauã" - FERRAZ, Marilourdes. 4ª Edição Revisada e Atualizada.
História para se contar.com
PS// OS ESCRITOS NA FOTO DOS DOIS CANGACEIROS, “GITIRANA E XOFREU”, ASSIM COMO OS NA FOTO DAS CABEÇAS FORAM FEITOS POR LUIZ FLOR.

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira
Link: https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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CANGACEIROS DEIXAM RASTROS EM CASTELO DO PIAUÍ

https://www.youtube.com/watch?v=CMqGyXhZaSI&feature=youtu.be

Publicado em 11 de abril de 2014

A história do cangaço no Nordeste do Brasil é envolta em lendas e uma dúvida: eram heróis ou bandidos? Em Castelo do Piauí um cangaceiro cearense estabeleceu paragens no caminho para o Maranhão. Seus rastros continuam vivos na memória do povo.

Imagens: Volmar Cardoso

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MAIS UMA DE SEU LUIZ GONZAGA - UM DIA DE CHURRASCO E FORRÓ

Por Cícero Quesado

Acredito que isso ocorreu em 1982, na inauguração da Chácara Santa Brígida, residência de propriedade do Dr. Meton de Alencar, em Juazeiro do Norte - CE.

O Dr. Meton inaugurou a sua chácara em grande estilo! Convidou Luiz Gonzaga, Joquinha Gonzaga, Joãozinho do Exu e vários sanfoneiros da região, para um chamado “Forró – Churrasco”, durante todo dia.


Era um sábado e a entrada dava o direito de assistir o show, que teve início as 09:00 horas da manhã e encerrando as 17:00 horas, além de beber cerveja e comer churrasco à vontade.

Foi muito bom. Tive o prazer a estar presente a este evento, juntamente com a minha esposa Gilvanda e amigos.

Nada ocorreu fora do previsto, nesse dia. Tudo deu absolutamente certo e a inauguração foi um verdadeiro sucesso! E nós (minha esposa e eu), guardamos mais uma terna lembrança do nosso inesquecível Rei do Baião!

Contribuição: Cícero Quesado


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