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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

PRISÃO DO CANGACEIRO VOLTA SECA!


(...)

Jaguar - Bom, conta cumé que você foi preso?

- Bom, o seguinte foi esse: a minha prisão foi por causa de um colega meu mesmo. Foi mais por causa de eu me doer por causa dos outros e, no fim, me deram um chute. E quem padece sempre sou eu. Mas agora eu já deixei isso prum lado, que não dá certo. O caso foi esse: nesse combate de Massaranduba, onde morreram três e saiu um baleado – o baleado chamava-se Bananeira. Foi baleado na rótula, mas nós não tinha visto ele. Nós tava brigando, e quando terminou a briga, que nós se arretiramos e chegamos na frente, ele ficou dando com a mão de lá. Então, eu olhei e falei: "ô capitão, lá tem um chamando e é um dos nossos". Aí ele suspendeu a cabeça e eu vi que era o Bananeira e ele tava baleado. E eu disse: "Vamos lá". Ele disse: "Eu já saí e num vou voltar mais lá". Eu digo: "Mas como é que é que o senhor falou que é um por todos e todos por um? Vamos salvar o rapaz, ele tá vivo, num tá morto ainda". Aí ele disse: "Eu num vou mais, se você quiser ir, vai. Eu num vou". Eu chamei o Fortaleza e falei que o Bananeira tava baleado e ele perguntou: "Já chamou o capitão?" Eu disse: "Já. Ele disse que já terminou o combate e que ele não vai lá mais". Eu disse: "Você é forte, cê carrega ele e eu agüento o fogo". Então fomos. Aí, chegamos lá e botamos o fogo. O rapaz botou ele no ombro e tiramos ele pra fora. Quando nós tiramos ele fora e trouxemos, eu disse: "Capitão, o rapaz taí e tá baleado na perna. Nós temos que salvar ele, levar ele pra um lugar qualquer aí e dar remédio que o homem vai ficar bom". Lampião disse: “Bom, então você leva ele. Você que foi lá buscar, então, você leva ele".

Ziraldo - Mas por que o Lampião tomou essa atitude? Você não tem uma ideia?
- Num sei. Ele se aborreceu justamente porque eu disse que ia buscar ele. Aí, eu apanhei o rapaz, levamos e chegando na frente ele disse: "Bom, você fica aí que eu vou ver se pego um animal pra montar ele. Porque nós não podemos levar ele na rede".

Aí o Fortaleza disse: "Mas cumé que o capitão faz uma coisa dessas?” Eu disse: "Eu acho que ele tá mal satisfeito!" Aí Lampião disse: "Então, você vai, pega o animal e leva ele". Aí chamei um outro, nós pegamos um cavalo lá, fizemos uns negócios, montamos ele e saímos. Lampião disse: "Bota ele na frente que quando os macacos aparecerem, nós tamos aqui. É tempo de você ir e tirar ele pra lá".

Eu disse: "Tá bem." Aí ele disse: "Como é, bota ele pra frente"! Eu digo: "Mas outra vez? Cê num tá vendo que ele tá machucado e não pode ir assim?” Ele disse: "Mas você num foi tirar ele de lá? Então cê pode". Aí eu vi que ele queria me provocar e digo: "Bom, se é isso, não tem problema não. O senhor manda um outro aí ajudar que eu monto ele e passamos pra frente".

Ele disse: "Não, monta ele sozinho". Aí, o Bananeira disse assim pra mim: "Nada, deixa isso pra lá, ele fica com pilunga contigo. Eu num sei porque. Eu não tive culpa de ser baleado".

Eu digo: "Não, mas você num vai ficar sozinho não. Cê vai comigo". Aí, chamei um rapazinho que tinha lá - Pocorante (Pó Corante).

Chamei ele e disse: "Vamos embora". Aí, pegamos ele e fomos embora. Nós levamos ele pra frente, quando chegamos lá no lugar que ia tratar dele, na fazenda, eu digo:

"Eu vou viajar. Mas o rapaz tem que ser medicado. Num vai ficar assim não". Lampião disse: "Ah, porque num sei o quê". Eu digo: "O senhor tem razão de falar, porque o senhor é o chefe. Mas o senhor não devia fazer isso não”. Mas esse Pocorante, esse colega meu, tava mesmo procurando um negócio. Aí, Lampião pegou e disse:
"Você vai lá pegar o meu burro". Aí, depois, Lampião chegou pra mim: "Ele não encontrou o burro, não. Você vai lá e dá umas voltinhas, vê se encontra o burro". Aí, eu saí e o burro tava em pé ali. Eu cheguei e disse: "Mas você não encontrou o burro? O burro tava aqui, como é que você não viu o burro?” Lampião então falou pra ele: "Eu tava bem era de dar um murro na sua cara".

E o Pocorante ficou calado. depois eu fui procurar o Pocoronte e disse: "Escuta rapaz, cumé que um home diz que dá um tapa na sua cara e você fica calado? Escuta, pra que é que você tem um fuzil na mão? Pra que que você tem tanta bala? É pra você mesmo? Ah, num pode dizer nada, que é com o capitão? Ah, bom, então, amanhã ele se enche de gozo e diz que bate na minha cara e eu dou-lhe um tiro na cara dele também". Aí, Pocorante disse: "É, mas é todo mundo colega da gente mesmo. Na hora ele opina contra, não sei o quê..." Digo: "Não sei o quê, nada". Ele saiu, amarrou a camisinha e foi direto a ele. "Ó capitão, o senhor disse que ia bater na minha cara. Eu disse pro Volta Seca e ele disse que se o senhor dissesse que ia bater na cara dele, ele dava um tiro na sua cara.” Fez uma fofoca direto. Aí, eu venho de lá pra cá e Lampião mandou me chamar: "Você disse que se eu te desse um tapa você me dava um tiro". E eu: "Dava, não, eu dou. Dava é uma coisa, eu dou. Quer ver? Experimente". Aí, ele ficou falando, num sei o quê...

Jaguar - Ele num tava num bom dia, hein, rapaz?
- Sei não.

Millôr - Enquanto isso, onde estava o ferido, o Bananeira?
- O Bananeira tava numa fazenda, sendo medicado.

Ziraldo - Eu acho que Lampião não tava querendo arriscar o bando dele por causa de um que já tava morrendo.
- Eu acho que era isso. Bom, aí ele pegou com aquele negócio comigo, todo dia tendo uma conversinha. E quando foi de noite, mandou me chamar. Eu fui, chegou perto, me fez a mesma pergunta e eu respondi a mesma coisa. Aí, veio a Maria mesmo e disse: "Lampião, você deve deixar isso pro lado. Você fica toda hora procurando uma coisa e deve deixar. Ele é seu amigo, você é amigo dele, é superior a ele, é tudo. Mas ele tá certo. Ninguém vai querer tomar tapa na cara, isso num fica certo. Então, você não deve fazer isso. Deve parar com esse negócio". Aí, bem, parou.

Quando é de noite, ele mandou me chamar e eu mandei dizer que não ia mais lá. Aí, ele ficou falando que no outro dia de manhã ia me almoçar, num sei o quê... Os outros vinham e me diziam:
"Olha, cuidado, o Lampião disse que vai te almoçar amanhã".

Eu disse: "Num faz mal, não. Diz pra ele que eu janto ele agora de noite também".

Aí, quando foi mais ou menos meia-noite, ele botou gente em roda pra eu não sair, que queria falar comigo de manhã.

Eu disse: "Num faz mal". Aí, veio o cunhado dele mesmo, o Virgínio: "Volta Seca, cê sabe que eu gosto de você, o Mariano também. É todo mundo seu amigo, ele pode mandar matar você e nós num pode fazer nada. E vai ser uma coisa. Então, vai embora, vai por teu caminho, vai embora".

Eu digo: "Tá certo". Aí, ele mandou pedir as armas e eu disse que não dava. Mandou que eu entregasse fuzil e munição e eu disse que não entregava. Mas não entregava mesmo. Aí, com o auxílio dos outros, eu fui embora.

Ziraldo - A pé ou a cavalo?
- A pé. Eu fui embora. Aí, ele mandou recado pra tudo quanto é fazenda, que no lugar que eu passasse, ia me matar.

Ziraldo - Aí você ficou numa ruim, né?
– Pois é. Aí, fiquei contra. Mas não tem nada, não. O destino é esse, é esse mesmo. Se morrer hoje, morri; se morrer amanhã, morri. É tudo a mesma coisa. Quatro dias depois encontro com o oficial com a volante. Um cara lá, que era meu amigão, moleque sem-vergonha, me cagoetou.

Jaguar - Qual era o nome dele?
- Chamava-se Adão.

Jaguar - Onde você conheceu ele?
- Lá na fazenda.

Ziraldo - Ele já morreu?
- Eu não sei se ele tá vivo ou se tá morto. Só sei que chamava Adão. Então, ajuntou lá um time e me cagoetou com a polícia.

Sérgio Cabral - Isso onde?
- Lá no Estado da Bahia.

Ziraldo - Que cidade?
- Não é cidade não, é mato mesmo, Lagoa da Onça. Aí, eu cheguei lá e um rapaz falou comigo que era pra eu tomar cuidado que a polícia tava por ali. Eu disse: "Pode deixar comigo que eu sei sair". Quando foi de manhã, eu saí e matei um garrote. Quando eu tava tirando o couro do garrote, eles me cercaram dentro de uma roda...”

Millôr - Estava matando o garrote pra comer?
- É. E aí mandaram bala em mim. Tinha um rapazinho comigo ali e ele logo recebeu um na cabeça e caiu logo ali.

Jaguar - Era amigo, seu, esse cara?
- Era, tava comigo.

Sérgio Cabral - Num queriam nem prender, queriam era matar?
- O negócio num era prender, não. Era matar.

Ziraldo - Como é que você escapou dessa?
- Como que eu escapei? Eu saí, arrombei a cerca por baixo, cheguei por detrais dele, dei uns dois tiros e caí fora. Eles ficaram lá, brigando umas duas horas, eles mesmos, sozinhos. Eu fui embora. Cheguei lá, fiquei sentado, chupando melancia. E a minha vontade era de ir lá, só escutando eles gastando bala feito diabo. E eu quieto, quietinho lá no meu canto. depois, eu saí e fui na casa desse cara. Num sabia de nada.

Millôr - Do Adão?
- É, desse Adão. E ele já tinha chamado a turma dele toda lá, tava tudo dentro de casa. Eu num sabia de nada, era amigo, né? Aí, quando cheguei lá, ele disse: "Ôpa, que que há, rapaz?” Eu digo: "nada". Ele diz: "O que que foi aquele tiroteio?” Eu digo: "Eles me encontraram ali e me deram uns tiros: eu dei uns dois também neles e caí fora". Ele diz: "Ô rapaz, a tua mão num tá de calo, não?” Olha, cê vê como que pode. A falsidade dói como o diabo... Ele de novo: "Escuta, rapaz, sua mão num tá de calo, não?” E eu: "Que nada, rapaz, isso é bobagem". Ele pegou a minha mão e apertou. Quando ele apertou, eu digo: "Ô rapaz, deixa disso". Ele disse: "Você tá preso". Eu digo: "Preso? Olha, rapaz, eu pego você sem Deus me ajudar".

Foi a palavra mais errada que eu disse na minha vida. Ele aí avançou em cima de mim. Quando ele avançou, eu chamei ele e botei no chão. Aí ele gritou: "Me acode!” Quando eu vi, já tava todo mundo em cima de mim. Uns 15.

Millôr - Você tinha uns 14 anos, né? Um menininho...
- Era garoto, mas era forte. Andei tombando uns dois lá, e aí, pronto. Eles me amarraram igual um porco. Diziam: "Eu mato, num mato..." Aí, veio a irmã dele, que queria dar boa vida a ele, e disse: "Num façam isso com ele não. Já que vocês prenderam, leva ele e entrega na polícia". Eu, amarrado, que que podia fazer? Eles me pegaram e foram me entregar justamente a esse tenente que estava baleado. Lá no tiroteio ele tomou um tiro e tava com as costas toda esfacelada. Aí, quando chegaram lá e me entregaram, foi o mesmo que entregar um mosquito nas mãos de urubu. Empurra pra lá, empurra pra cá, eu num vi mais nada. Eu olhava pra cara daqueles fedorentos e endoidei, fiquei maluco. Aí, chegou um crioulão com um chapelão: "O negócio é matar". Aí foi dar um tapa na minha cara. Eu abaixei e dei um pontapé nele...

Millôr - Tava amarrado ainda?
- Amarrado. Aí, veio o tenente lá, todo emplastado: "Num toca nesse homem não!” É um tenente alagoano – eu esqueci o nome do homem. E foi logo dizendo: "A hora de vocês matarem ele era lá, na hora que vocês estavam brigando. Eu recebi esse tiro e vocês saíram correndo. Então, era nessa hora que vocês deviam ter matado ele. Aqui ele tá garantido por um homem e pela lei e ninguém precisa pôr um dedo nele".

Ziraldo - Cê acertou o coice no sargento?
- Acertei e foi um coice desgraçado. Ele caiu lá com a mão, rolando pelo chão. Eu digo: "E se dane". O tenente é Joaquim, Zé Joaquim. Ele disse: "O homem tá garantido e eu não entrego a ninguém a não ser o (sic) chefe da polícia. Num sendo ele, num sai da minha mão. E qualquer coisa que triscar nesse homem aí, já pode saber que vai expulso e preso".

Ziraldo - Ele sabia que você era o Volta Seca?
- Sabia.

Millôr - Isso foi em Alagoas?
- Foi na Bahia mesmo, Santo Antonio da Glória. Aí, eu fiquei lá, num comia nada.

Ziraldo - Na prisão eles não davam comida?
- Não, vinha de tudo, farinha pura...

Jaguar - Você ficou preso em Santo Antonio da Glória?
- Foi. Não tinha fome nem sentia nada, revoltado.

Ziraldo - Os jornais anunciaram essa prisão lá na cidade?
- Só depois. Aí, eu digo, tá certo. Viro daqui, viro dali, o tenente diz: "Aqui ninguém toca em você, nem nada". E passou logo um telegrama pra polícia, pro chefe da polícia, que era o capitão João Facó. Aí, ele mandou reforço: "Diga que garanto o homem, num toca num dedo dele, nem nada, me traz o homem". E disse: "Entrega pro coronel Costinha que ele recambia ele daqui pro Rio, pra Bahia". O coronel Costinha mesmo foi me buscar, mas o tenente disse: "Não, eu mesmo levo e entrego lá. Num tenho confiança de deixar vocês levarem ele".

Millôr - Bacana o homem, hein?
- É, tá certo, bacana. Nós saímos e quando nós chegamos lá no trem, ia pra mais de 300. Um carro do trem, uma traça daquela, não cabia ninguém, a não ser eu e a polícia só. Um carro só, e veio cheio que não tinha lugar pra sentar.

Millôr - Cheio de polícia pra levar você, né?
- É. Pra me levar. Eu tava amarrado, porque Lampião mandou recado que se não me segurasse, eles iam me pegar no lugar que eu tivesse. No trem, no caminhão, no diabo que fosse. E botou diversas emboscadas, mas eles souberam fazer o troço. Chegando lá, me entregaram, e de lá me tocaram pra Bahia.

Millôr - Eles te entregaram perto de Canudos?
- Não, muito pra baixo.

Ziraldo - Se o Lampião pegasse você, cê tava perdido dos dois lados, né?
- Tava não, ele já queria me salvar. O negócio era esse.

Millôr - A essa altura ele já queria te salvar, né? Então, você chegou na Bahia...
- Me tocaram pra Salvador.

Millôr - Você nunca tinha ido à capital?
- Não.

Jaguar - Quanto tempo você esperou pra ser julgado? Uns dois anos?
- Uns dois anos.

Ziraldo - Quando você foi julgado, aqueles dois primeiros crimes estavam no julgamento?
- Não, aqueles já tinham sido prescritos.

Ziraldo - Eles não ficaram sabendo daquilo, né? Aquilo era lá dos cafundós...


...Jaguar - Só foi julgado pelos casos do cangaço, né?
- Só, e eles mesmo num davam nada não.

Aparício - Quem te defendeu?
- Quem me defendeu foi Deus e eu mesmo. Não tinha ninguém por mim.

Ziraldo - Cê num teve advogado?...

Millôr - Cê num teve julgamento com promotor de acusação?
- Na hora teve uma moça, uma advogada, chegou e disse: "Eu vou defendê-lo e vou botá-lo na rua". O juiz num aceitou.

Ziraldo - Quem era esse juiz e essa advogada?
- Ela eu num me lembro do nome, não. Era uma moça de Vila Nova da Rainha. O juiz eu num quero nem tocar no nome dele, deixa esse negócio de juiz pra lá.

Millôr - Agora, Volta Seca, é verdade que você tem um jornal guardado pra fazer o Jorge Amado engolir?
- Isso eu falei, mas agora já acabou.

Millôr - Acabou o jornal ou acabou a pinimba?
- Acabou a pinimba.

Jaguar - Por quê?
- Ele escreveu num livro dele que me conheceu muito, em Água de Menino, na Bahia. E se ele me conheceu, foi quando fui preso, porque, na Bahia, eu nunca tinha ido na capital. E ele então escreveu que tinha visto eu em Água de Menino, sendo capitão de areia.

Sérgio Cabral - Ele falou mal de você?
- Me chamou de capitão de areia. Então, eu disse mesmo: "Eu tenho o jornal guardado pra um dia dar pra ele comer". Mas eu já deixei pra lá. Deixei até de ganhar dinheiro um dia desses, só porque me disseram que ele ia também. Era no Hotel Serrador, ia ter uma peça e ele ia também. Então, quando me falaram que ele ia, eu disse: "Pode me tirar fora, vou não".

Ziraldo - Num gosta de mentiroso...
- Eu não. Quando falar, fala verdade. Tá certo falar aquilo que aconteceu, mas mentir!...

Jaguar - Você cumpriu a pena onde?
- Na Bahia.

Jaguar - Fugiu quantas vezes?
- Só duas.

Jaguar - Voltou ou te pegaram?
- Pegaram, voltou o quê? Se eu fugia, cumé que eu ia voltar?

Ziraldo - Podia. Tá ruim cá fora, né?
- Tava não, eu fazia grana.

Millôr - Você viu, por acaso, aquele filme, Cangaceiro, do Lima Barreto?
- Eu trabalhei também. Aquilo tudo foi orientação mais minha.

Jaguar - Como você soube da morte de Lampião, cumé que foi?
- Ora, eu tava lá pertinho, a notícia correu logo.

Sérgio Cabral - Qual foi a sua reação quando soube que Lampião tinha morrido?
- Nenhuma.

Millôr - Agora, você não ficou revoltado com aquela exposição daquelas cabeças? Nós todos somos revoltados com aquilo.
- Tanto que eu saí daquilo. Aliás, eu pedi muito, porque aquilo que fizeram... Aquilo foi mais uma revolta. Aquilo seria uma grande revolta pra família, pra criar novamente a mesma coisa que era. Enterra, tá certo. Morreu, acabou. Mas aquilo...

Millôr - Como se chama essa rua aqui?
- Eles chamam Rua da Barreira.

Millôr - Isso aqui é ramal extinto?
- Funciona, vai até a base.

Jaguar - Você é funcionário da Leopoldina, né?
- Sou.

Millôr - Você se dá bem com os seus vizinhos, né?
- Muito bem.

Ziraldo - Eles te chamam de seu Antonio ou de Volta Seca?
- De qualquer jeito que eles me chamar tá bom. Brinco com todos, são meus amigos.

Millôr - Você está com 55 anos, né? Depois de toda essa luta você tem o quê? Por exemplo, tem casa própria?
- Não, é aluguel. Eu pago Cr$ 150,00.

Millôr - Qual é a sua fonte de renda?
- A minha fonte é o meu trabalhozinho só.

Millôr - Quanto você ganha?
- Eu estou ganhando Cr$ 197,00. Eu tô encostado.

Millôr - Seus filhos ajudam você?
- Tão parados também. Um, por ora, é soldado; o mais velho tá parado...

Millôr - Estão todos educados, vão a colégio pelo menos?
- Os pequenos, ainda uns... tão. Um dia vai, um dia num vai... uns já sabe alguma coisinha. Só o menorzinho é que não sabe nada.

Jaguar - Mas os outros estão estudando em escola?...

...Millôr - Mas como é que vocês vivem, o seu dinheiro num dá pra pagar as despesas...
- É, mas eu tenho que viver é assim. Dando uma reportagenzinha hoje aqui, outra ali, e tal... E vou vivendo .

FIM.


Publicada na edição de nº. 221 - Setembro/Outubro



http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/12/entrevista-de-volta-seca-jornal-o.htmlde 1973

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NOSSA LINDA MARIA BONITA E SUAS JÓIAS!

Foto colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Maria Gomes de Oliveira vulgo Maria Bonita nasceu em Paulo Afonso, no dia 8 de março de 1911 (há controvérsia), e faleceu no dia 28 de julho de 1938, e era a verdadeira companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.

Maria Bonita nasceu e cresceu no povoado Malhada da Caiçara, que se localiza no município Paulo Afonso, na época município Gloria, na Bahia. Depois de um casamento fracassado, no qual não gerou filhos, em 1929 tornou-se a namorada de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido também como o "Rei do Cangaço".

Morando na chácara dos pais, um ano depois do namoro foi chamada por Lampião para fazer efetivamente parte do bando de cangaceiros, assim se tornando a mulher dele, com quem viveria por oito anos.

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Segundo o cangaceiro Volta Seca: 
http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/12/entrevista-de-volta-seca-jornal-o.html

(...) 

Millôr - Ela tinha que idade mais ou menos, nessa época?

- Ela podia ter uns 18 anos, não tinha mais do que isso, não. Então ele disse: " Ah, eu vivo essa vida mas eu num gosto não. Mas eu num tô com mais jeito. O meu jeito é esse mesmo. Então, eu tenho que seguir até morrer". Então ela disse: "Eu sou casada" e tal... E conversaram, aquele negócio, né? Ai ela disse: "Capitão, sabe que eu lhe acompanho"? Ele disse: "Não, você ê casada, vive sossegada". E começou a rir...

Millôr - O que que fazia o marido dela?


 - Era sapateiro. Então ele disse: "Mas você tem coragem de acompanhar um sujeito como eu? Um homem perdido da sociedade. Eu num tenho sociedade, num tenho nada. Vivo perdido, como um bicho, pro mundo..." Ela disse: "Num tem problema, eu tenho coragem". "Não, você deve ir pra onde tá o seu marido, você é casada. Se você tá querendo que eu crie mais um inimigo, Deus me livre; eu num quero mais uma coisa dessas". Ela disse: "Não, mas eu vou. Eu vou agora, nem mais lá, eu vou".

Millôr - Ela não tinha filho não, né?


- E num foi mesmo. Aí, ele começou a dar conselho pra ela, que num tava bem, que ele podia tá morto a qualquer momento... Aí, ele disse: "Bom, o seguinte é esse: você não pode ir comigo, minha vida é a pé, é a cavalo, é de todo jeito, é pelos matos..." Ela disse: "Eu vou também". "Mas eu posso morrer hoje, amanhã..." Ela teimava: "Eu morro junto com você. Mas num lhe deixo mais". E num deixou mesmo, terminou morrendo junto com ele mesmo.

(...)

Supõe-se que Maria Bonita engravidou quatro vezes e que em duas gravidezes perdeu os filhos, sendo eles natimortos.

Comprovadamente ela teve uma filha com Lampião de nome Expedita Ferreira Nunes, a única reconhecida legalmente, que foi criada por um casal de amigos vaqueiros. 

Maria Bonita morreu em 28 de julho de 1938, quando o bando acampado na Grota de Angico, em Poço Redondo, no Estado de Sergipe, foi atacado de surpresa pela polícia armada oficial (conhecida como "volante"). Foi degolada ainda viva, assim como Lampião, porém este já morto, e outros nove cangaceiros.

Em 2006 a Prefeitura de Paulo Afonso restaurou a casa de infância de Maria Bonita, instalando o Museu Casa de Maria Bonita no local.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Bonita

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JOIAS DO REI DO CANGAÇO E DA RAINHA DO CANGAÇO.

Do acervo do pesquisador/historiador Guilherme Machado
(Foto do livro estética do cangaço)

Anéis em ouro maciço, com gravuras do nome do rei do cangaço e sua mulher Maria Bonita. Ver gravura no anel central (VFS) "Virgolino Ferreira da Silva" em ouro maciço 18 quilates e lapidado.


Lampião acreditava, ainda, que alguns desses símbolos conseguiam blindar seus homens contra os maus espíritos. O lenço e os adornos de Maria Bonita, por exemplo, eram feitos de seda inglesa, e os enfeites fabricados com ouro, joias, obviamente, roubadas, que continham, inclusive, pedras preciosas.

Como curiosidade, desejo lembrar que o rei do cangaço morreu aos quarenta anos, em 1938, junto com sua fiel companheira. Os dois e mais nove homens do bando foram decapitados e suas cabeças expostas como troféus pela polícia nas escadarias da Igreja de Piranhas, em Alagoas. Neste local foram fotografados ao lado dos objetos preciosos do grupo, além de espingardas, cartucheiras etc.

O interessante é que, além dessas armas, havia duas máquinas de costura, marca Singer, na época, sonho de muitas famílias que não as possuíam. Lampião, para onde ia, levava consigo essas duas “ferramentas”, de vez que, ao contrário de ser cangaceiro, se houvesse sido costureiro, principalmente de objetos de couro, certamente teria uma carreira brilhante.

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A MORTE DE JARARACA O CABRA DE LAMPIÃO

Do acervo do Elias Alves
https://www.youtube.com/watch?v=KqWZbTnj6U0&feature=youtu.be

Publicado em 1 de jun de 2015
Esse vidio é um repente de poetas nordestinos, contando as ultimas horas de vida de um dos cangaceiros mais famosos do bando de Lampião.
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OS “MICOS” DO CANGAÇO

Por Junior Almeida
Manoel Severo e Júnior Almeida

A palavra “macaco” era usada pejorativamente pelos cangaceiros para se referir aos seus inimigos os policiais volantes. O termo é bem antigo, pois, Doutor Oliveira Xavier nos diz em seu livro, “Beatos e Cangaceiros,” de 1920, que na luta armada que ficou conhecida na história como a “Sedição do Juazeiro”, seis anos antes, os cabras que guerreavam já usavam tal expressão. A língua formal diz que “mico” é um macaco de pequeno porte e cauda longa, soinho ou sagui. Esse pequeno animal nada tem haver com os militares, porém, na gíria, mico é uma situação vexatória, que causa vergonha, constrangimento. Alguns que usam tal expressão vão além quando a situação é de constrangimento extremo, ao invés de falarem que pagaram um mico, dizem que pagaram um “King Kong”, numa alusão ao macaco gigante do cinema.

O cangaço, assim como toda história, também teve seus micos. Situações tão absurdas que nem toda criatividade hollywoodiana seriam capaz de criar os enormes “macacos” acontecidos nos sertões nordestinos. Podemos até achar graça em alguns micos da saga cangaceira, mas, é impossível sorrir diante das situações vexatórias e surreais que levaram milhares de pessoas ao sofrimento e muitas vezes à morte.

O que dizer da “brilhante” ideia dada por um leitor de um jornal, de usar um avião para exterminar Lampião e seu bando? Esse mico até que dá pra dar boas risadas, assim como se pode mangar muito do doido de pedra, o tenente Casaca de Couro, que prometeu capturar o Rei do Cangaço e o entregar amarrado às autoridades. O tagarela recifense, Augusto Gouveia, achava que tudo que via nos jornais sobre as ações de Lampião era exagero, balela, era corpo mole dos sertanejos. Parece que como hoje, desde os tempos do cangaço, algumas pessoas por morarem em grandes cidades, acham que os “matutos” do interior, não sabem de nada.


Pois bem, o senhor Augusto Gouveia pediu ao chefe de polícia de Pernambuco, Eurico de Souza Leão, apoio para a sua empreitada, que era trazer Lampião no laço, assim como um boi brabo. Doutor Eurico, mediante a insistência do sujeito lhe nomeou tenente e o enviou para o Sertão, sob comando do major Teophanes Ferraz. Por só viver usando paletó, os sertanejos logo o apelidaram de “Casaca de Couro” ou “Casaca Preta.” O militar comissionado que tanto se pabulava não passou nem no primeiro teste de fogo. Ao encontrar-se com Lampião em Calumbi Pernambuco, deu uma carreira tão grande com medo de Virgulino e seus cabras, que ainda hoje deve estar correndo em meio à caatinga sertaneja.

Outras patacoadas que nos conta a história foram os sangrentos fogos da Serra Grande, município de Serra Talhada, Pernambuco, em novembro de 1926 e da Fazenda Maranduba em Poço Redondo, Sergipe, em janeiro de 1932. Nesses combates atitudes precipitadas e imprudentes de comandantes de tropas contribuíram em muito para manchar de vermelho o solo nordestino. Na peleja perto de Vila Bela os volantes caíram numa emboscada bisonha. Ao invés de se precaverem e darem a volta na serra para tentar pegar os cangaceiros de surpresa, decidiram utilizar o caminho preparado pra eles por Lampião. Pareciam bois indo pra sangra.

Segundo Frederico Bezerra Maciel, nesse fogo morreram 26 volantes e 38 ficaram feridos, dentre eles os célebres Arlindo Rocha e Mané Neto. A tragédia só não foi maior por que Antônio Ferreira, irmão de Virgulino, durante o intenso combate foi aboiar acompanhando o cangaceiro Genésio, que “tangia o gado” pra morte, quando foi atingido por uma saraivada de tiros de metralhadora. Nesse momento alguns volantes se salvaram. Uns por serem socorridos por colegas e outros saindo em disparada em meio à caatinga, deixando para trás equipamentos, armas e munições. Existe a versão que a morte de Antônio Ferreira na Fazenda Poço do Ferro, do coronel Anjo da Gia, foi em decorrência desse ferimento, sendo a versão de um “sucesso” que envolveu Luiz Pedro, mentirosa.

No fogo da Maranduba pode-se dizer que no mínimo os comandantes das volantes foram irresponsáveis, por levar muitos dos seus comandados à morte, por falta de estratégia e principalmente por falta de humildade. O número da força era muito superior ao de cangaceiros, eram três militares para cada sicário e mesmo assim a volante se mal. Alcindo Costa conta em seu livro, “Mentiras e Mistérios de Angicos,” que existia uma disputa da volante de Nazaré, comandada por Mané Neto, com a da Bahia, que tinha o tenente Liberato de Carvalho como comandante.

Cada militar que quisesse ser mais valente do que o outro, disputa essa que chegou até os comandantes das tropas. Antes de partirem para Maranduba, nenhum comandante deu descanso aos seus homens, mesmo tendo eles vindo de exaustiva jornada. O escritor de Poço Redondo diz ainda que os comandantes desprezaram todas as normas militares, por orgulho, prepotência e empáfia, e sentencia que “o despeito e a vaidade dos dois comandantes, foram a causa da perdição da numerosa tropa.”

O tiroteio durou do meio dia ao por do sol. Lampião durante todo o combate nunca se viu apertado, mesmo tendo perdido três cabras, teve sempre a situação na mão. Destroçou boa parte da volante, que ficou no meio do fogo cruzado, inclusive em meio de um “fogo amigo”. A de se pensar: estando as volantes descansadas e não tendo seus comandantes orgulhos comportamentos, teria tido o fogo da Maranduba o mesmo desfecho?

Os casos absurdos descritos neste texto são apenas alguns que vieram à mente, mas, o que considero a maior besteira da história do cangaço, o mico dos micos, o chipanzé, o orangotango ou mesmo King Kong de toda a saga, foi sem dúvida a “brilhante” ideia de tirar os sertanejos de suas casas para acabar com o cangaço. Só rindo para não chorar. Será mesmo que passou na cabeça de alguém que a ideia do interventor baiano Juracy Magalhães e o capitão João Miguel, nome esse que virou sinônimo de coisa ruim, de fome, de seca, daria certo? Pela ideia do volante sim, pois ele achava que todo sertanejo era um potencial coiteiro, e sem coiteiros o cangaço não sobreviveria. Santa inocência.

Milhares de sertanejos foram expulsos de casa debaixo de ameaças. Deixaram tudo pra trás, entregue a própria sorte. As estradas do Sertão se encheram de miseráveis maltrapilhos, cidades sem a menor infra estrutura receberam esse povo faminto, sem trabalho, sem dinheiro, jogado à própria sorte. Como não poderia deixar de ser, a grande besteira dos mandatários da Bahia não deu certo, servindo de mangação dos cabras.

Quem não achou graça nenhuma foi o povo simples, sempre lascado no meio de cangaceiros e a força volante. Quatro meses passados, e os sobreviventes dessa triste decisão, voltaram às suas casas, muitas delas saqueadas, invadidas pelo mato e animais selvagens. As poucas criações tinham morrido com a seca ou tinham fugido. Outras foram roubadas por cangaceiros ou volantes, com a facilidade de os donos não estarem em casa.

Quem pagou o prejuízo desse povo? Ninguém é claro. E os que morreram de fome, quantos foram? Quantos perderam a terra por dela terem se ausentado? Isso tudo por conta de irresponsáveis almofadinhas que não conheciam a realidade dos sertanejos e com suas idéias mirabolantes. Esses mesmo sem puxar o gatilho, mataram muitos.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

AS DESASTROSAS INCONSEQUÊNCIAS

Por Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2017 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.635

Os destruidores do mundo continuam agindo contra a Natureza e a própria humanidade. E vamos buscar um passado recente quando os professores nos falavam dos maiores lagos, rios e montanhas do mundo. Somamos a isso um senhor que havia em minha terra, apelidado “Lelé”, grande decoreba geográfico. Até bêbado, segurando pelas paredes respondia as perguntas de quem o queria testar. “Qual o maior lago do mundo, Lelé?”. E o senhor, cabelos brancos e barriga repleta da ”marvada”, respondia: Tá cara da peste! Tá cara da peste! Não é o Baiká na Sibéria com...” E dizia até o tamanho do referido lago.

Lago Poopó após o desastre. Foto: (BBC.com).

Mas a Natureza foi perdendo terreno para as inconsequências das autoridades e do povo. Foi assim que mataram o mar do Aral, um imenso lago, o quarto do planeta, localizado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia. O lago que equivalia ao Rio de Janeiro e Alagoas juntos com 66 mil km2sofreu, dito por todos os jornais, o maior desastre ecológico do mundo. Isso a partir dos anos sessenta.

Recentemente repetiram a dose na Bolívia com um dos lagos que nós costumávamos declinar na escola como os mais altos e famosos da Cordilheira dos Andes: Titicaca e Poopó. Assassinaram o Poopó, o segundo maior lago da Bolívia que se transformou em um deserto de sal.

São tantos os motivos que levaram a extinção do lago e às perdas irreparáveis que nem queremos seguir por essa vertente.

Em Alagoas os alertas estão ligados desde os fins do século passado. Muitas lagoas do São Francisco desapareceram, inúmeras interiores também e o futuro das duas grandes lagoas do nosso território está seriamente ameaçado. E se dois dos maiores lagos do mundo foram extintos, quanto mais as nossas lagoas e seus assoreamentos, partes já virando pântanos, conforme denúncias de jornais.

Deus dá, o homem destrói e depois vai chorar nos pés do Senhor. Ô mundo velho de porteiras corrompidas!


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MAIS UM LIVRO DE CANGAÇO ACABA DE SAIR DO FORNO...


O CANGAÇO: Poder, e cultura política no tempo de LAMPIÃO do escritor, doutor, Marcos Edilson, com 352 pgs.

O livro já está à venda com o professor Francisco Pereira Lima e custa R$ 55,00, com frete incluso. Para adquiri-lo entre em contato através deste e-mail: 
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O MUNDO ESTRANHO DOS CANGACEIROS

https://www.youtube.com/watch?v=j2JNhBaFNXs

O MUNDO ESTRANHO DOS CANGACEIROS

Enviado em 2 de ago de 2010
Imagens do cangaço: Lampião e seu bando.
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"Alla Serenità" por Ennio Morricone ( • )

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O CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=-cqGSki32EU

O Cangaço

Enviado em 5 de abr de 2010
Video aula sobre Cangaço , principais caracteristicas sobre Lampiao e Maria Bonita !
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"Maria Cangaceira (Maria Bonita)" por Luiz Gonzaga ( • )

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LIVROS SOBRE CANGAÇO, PADRE CÍCERO, CANUDOS... É COM O PROFESSOR PEREIRA

Por José Mendes Pereira

Você, leitor, está procurando estes livros? 
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CANGAÇO - ECOS NA LITERATURA E CINEMA NORDESTINO


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Valor: 40,00 Reais já com o frete incluso.

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QUANDO EU QUIS VOAR

*Rangel Alves da Costa

Quando eu quis voar e ser apenas Ícaro a esvoaçar, então veio o sol a me esturricar, a queimar minhas asas e me derrubar, desfazer do sonho que pude sonhar.

Quando eu quis voar, e do rochedo o semideus Prometeu acorrentado retirar, veio o abutre ávido no seu voejar e me lançou as garras sem pestanejar.

Quando eu quis voar e no céu do condor o mais alto alçar, logo senti que tal sonho de me libertar talvez nem pisando ao chão fosse possível alcançar.

Quando eu quis voar e simplesmente ser das nuvens mais um passarinho no seu revoar, quando olhei para baixo avistei uma arma pronta a disparar.

Quando eu quis voar e no voo o mais longínquo horizonte poder abraçar, mas quando mais longe ia o meu avoar mais sentia que do chão eu nunca ia passar.

Quando eu quis voar e senti quando alguém abriu a porta da gaiola pra me libertar, já não tinha força para o voo levantar e também sabia do meu breve voar.

Quando eu quis voar e ao longe ouvi um canto de acalantar, então logo pensei que poderia amar, mas quanto mais voei mais vi distanciar aquele coração e o seu gorjear.

Quando eu quis voar, e assim quis por meu desejar, não pensei que a gaiola estava a me esperar na curva e no alto e por todo lugar, na ânsia do mundo de aprisionar.

Quando eu quis voar e de uma mão aberta fui subindo ao ar, quando mais subia mais sentia um puxar, que era da mão me fazendo voltar, negando o destino de estar pelo ar.

Quando eu quis voar e do alto do telhado me pus a olhar, e da copa da árvore me pus a pensar, ao longe avistei um cruel carcará. Ou talvez fosse homem e o seu emboscar.

Quando eu quis voar, pensando que pássaro tem livre passar, não passei da nuvem nem pude avançar, pois no céu do passarinho já não se pode voar.


Quando eu quis voar e fechei a porta do ninho pra quando retornar, sequer imaginei de a casa voltar e nela nem um grão de palha encontrar, e depois o nada a me agasalhar.

Quando eu quis voar, imaginando o gosto e o prazer de poder sonhar, levado pelo espírito de me libertar, ao levantar as asas fui impedido pelo homem de qualquer voo alçar.

Quando eu quis voar, assim como voa a folha no seu viajar, assim como o vento no seu passear, não quis mais que no espaço caminhar o caminho impossível de na terra andar.

Quando eu quis voar e de lenço aberto ao longe me pus a acenar, de lágrimas nos olhos o seu respingar, não quis ir além de conhecer a vida e depois retornar.

Quando eu quis voar e outros pássaros chamei para comigo ruflar, e todos aceitaram as alturas beijar, não pensei quão difícil é sair do chão sem uma arapuca a esperar.

Quando eu quis voar e voei bem alto sem sair do chão e nem caminhar, percebi que o voo também é o sonhar, o querer distante se impossível subir e sentir a lua brilhar.

Quando eu quis voar e um pássaro mais velho me pôs a ensinar que muitas armadilhas eu iria encontrar, não imaginei que abrindo a porta não podia sequer caminhar.

Quando eu quis voar e me fiz de herói para a glória alcançar, e me fiz de mito na mitologia que há, não tinha percebido que os deuses morreram sem poder voar.

Quando eu quis voar e do alto o mais alto eu poder gritar, dizer que a liberdade é o que deve ao homem restar, ninguém me ouviria para acreditar.

Quando eu quis voar, Fernão Capelo Gaivota a me acompanhar, um Messias de asas sempre a me guiar, contentei-me em bater as asas e depois chorar.

Quando eu quis voar e por que voar é o maior sonho que há, não quis chegar aos céus nem a mão sagrada beijar, mas ao longe minha força poder ao divino mostrar.

Quando eu quis voar e assustei-me logo ao acordar, restou-me a lição a me acompanhar: vá além do sonho por que além do horizonte será possível chegar.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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O CINEASTA DO CANGAÇO ADERBAL NOGUEIRA E O ANIVERSARIANTE DO DIA

Por Volta Seca
Foto: fonte Google

Hoje (15/02/17) é o dia do aniversário de Aderbal Nogueira... Uma pessoa muito querida e estimada por todos.

Além de ser uma grande figura humana e, um excelente profissional, tendo singrado com sua equipe, todos os sertões nordestinos, registrando em suas lentes, a várias décadas, a história e a cultura do nosso povo.

Ao ADERBAL, em nome do administração do Grupo LCN ( Volta Seca Seca e Narciso Dias), a nossa sincera homenagem e, que Deus o ilumine, juntamente com toda a sua família.

Adendo - http://blogdomenesemendes.blogspot.com

O blog do Mendes e Mendes e os blogs filiados a este, juntamente com a sua página no facebook, e em nome dos nossos leitores, dedicamos-lhe muita paz, saúde, prosperidade, compreensão e tudo de bom no decorrer de toda a sua vida. 

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
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O CANGACEIRO VOLTA SECA VERDADE OU MENTIRA?

https://www.youtube.com/watch?v=vgdWLRVjE3w&feature=youtu.be

Publicado em 15 de fev de 2017

Esta semana estaremos debatendo este que foi um dos mais famosos cangaceiros da história. 

Mas, será que ele nasceu mesmo em Itabaiana? Verdade ou mentira? Acompanhe nosso programa.

Entrevista completa com Dona Ilza https://www.youtube.com/watch?v=7ZRsy...

Baixar CD https://www.4shared.com/rar/J40YFn8fb...
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https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:   
franpeliama@bol.com.br

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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MORRE AZULÃO E ACOITADORES DE LAMPIÃO SÃO PRESOS




Colaboração e Cortesia do Jornalista correspondente do Diário da Tarde
e do Jornal de Notícias, Kiko Monteiro.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2010/03/morre-azulao-e-acoitadores-de-lampiao.html

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FOGO DA CAIÇARA! LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE

https://youtu.be/xGCAoYwjnXU

Publicado em 5 de fevereiro de 2017

Combate ocorrido no município de Marcelino Vieira em junho de 1927.
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Enviado por: Rivanildo Alexandrino 

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