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domingo, 27 de setembro de 2015

LIVROS DO ESCRITOR ANTONIO VILELA DE SOUZA


NOVO LIVRO CONTA A SAGA DA VALENTE SERRINHA DO CATIMBAU
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O livro "DOMINGUINHOS O NENÉM DE GARANHUNS" de autoria do professor Antonio Vilela de Souza, profundo conhecedor sobre a vida e trajetória artística de DOMINGUINHOS, conterrâneo ilustre de GARANHUNS, no Estado de Pernambuco.

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A SAUDADE: O QUE É, O QUE FAZ, O QUE QUER

Por Rangel Alves da Costa*

A saudade é sentimento dos mais estranhos. Também dos mais exigentes. A saudade não vem a qualquer hora nem em qualquer lugar. Nem tudo provoca saudade. Ela exige motivação e ambientação para acontecer. É sempre romântica, nostálgica, cautelosa demais. Gosta de aparecer junto com o pôr do sol, debaixo do clarão da lua, em instantes de chuva, assim que ecoa uma canção antiga. Também gosta de ser provocada. Parece adorar quando a pessoa vai em busca de velharias, de baús, retalhos e velhos recortes dos tempos idos. Nada lhe atiça mais que um retrato de pessoa amada, uma carta de amor, uma visão ou perfume que produza aquele tão conhecido e doloroso sentimento de querer de novo. Tudo isso provoca saudade e disso ela se alimenta. Alimenta-se ainda da solidão, das casualidades da vida, das pequenas coisas que fazem relembrar. Gosta de ter um lenço ao lado, uma vela para ser acesa, um copo de bebida, uma taça de vinho, mas também três a cinco gotas de veneno. Por que ela também é devastadora. O dia inteiro ela se transmuda em sorriso, alegria, contentamento. Parece mesmo esperar o momento exato para reaparecer e agir. E sem querer, muitas vezes apenas porque ouviu a onda quebrando no cais, a pessoa começa a recordar e a sofrer. Então a saudade sorri, mas um sorriso dissimulado e frio. E também devastador.

A saudade é pássaro, é passo, é vento soprando. Possui asas, vai e volta em instantâneos voos. Num instante e já está trazendo no seu bico um bilhete que faz atormentar ainda mais. Com poder próprio de ação, de comando de vida e destino, ela abre a janela, escancara a porta, e segue adiante em correria. Não se incomoda com curvas, desafios ou perigos, pois sobe da terra e alcança as nuvens. O pensamento é seu caminho mais certeiro, aquele por onde trafegam as vontades, os desejos, as necessidades da alma. Basta pensar e já se está caminhando. Basta imaginar e já se está diante da pessoa que se deseja reencontrar. No encontro a desilusão, eis que mesmo tendo voz de súplica, a saudade não consegue transportar o outro até a presença de quem tanto entristece pela distância. Talvez esta seja sua maior falha: sente necessidade de ter bem ao lado, de usufruir, de se dar, e por isso mesmo se apressa em direção ao desejo, mas não pode transportar fisicamente a pessoa desejada. E a certeza de ter avistado na mente, a certeza de ter conseguido estar face a face, bem como a certeza que o reencontro fortaleceu ainda mais o amor sentido, são as consequências mais dolorosas provocadas pela saudade. A mente avista, o corpo sente, parece que está à presença, tudo se transforma em possibilidade, mas apenas a ilusão que conflagra e devora. Sofre, chora, se aflige, se atormenta, mas nunca desiste, pois toda grande saudade sempre retorna, e tantas vezes mais forte que a pessoas chega às portas do ensandecimento. E como vento vai, ganha asas novamente pelo ar e faz surgir da aflição uma velha cantiga de amor.


A saudade é tão ardilosa quanto estrategista. Se oculta, se mantem escondida, foge de situações para reaparecer em outros contextos. Sempre silenciosa, premeditadamente soturna, só fala intimamente e muitas vezes chegar a gritar o mais alto dos gritos. Talvez com poderes mágicos, acaba conduzindo a pessoa para ambientes propícios a desvelar seus mistérios. Abre a porta do quarto sem se preocupar em acender a luz e simplesmente diz: agora sinta toda saudade guardada no peito, incontida na alma, revelada no teu coração que desespera por tanto esperar qualquer reencontro. E no silêncio do quarto escuro, em meio a mais aflitiva das solidões, novamente faz surgir a sua silenciosa voz: agora reencontre na mente o que deseja, vá buscar no pensamento aquilo que lhe faz tanta falta, e não veja distância naquilo que pode ter agora ao teu lado. E vai fazendo com que a pessoa relembre a face do amor distante, traga ao pensamento os laços familiares que já estão em outra dimensão, relembre momentos e situações e tenha necessidade de ter tudo de volta, ao menos por alguns instantes. E não para por aí. Abre a janela para as cores do entardecer sejam avistadas, para que a poesia da noite recaia em versos, para que a chuva molhe o rosto e se misture às lágrimas. Depois de atormentar a alma, de afligir todo o ser, simplesmente vai embora.

Vai embora, a saudade vai embora, mas não sem antes deixar um rastro de agruras e sofrimentos. Sempre deixa para trás um lenço molhado, um olhar vazio, um coração fragilizado. Mas depois retorna. Espera somente o lenço enxugar para depois retornar.

Poeta e cronista
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O MAIS NOVO LIVRO DO ESCRITOR SABINO BASSETTI - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o  mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e não deixe para depois, pois saiba que livros sobre "Cangaço" são arrebatados pelos colecionadores, e você poderá ficar sem este. Adquira já o seu. 

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ÀS SOMBRAS DO PARAÍSO

Por Rangel Alves da Costa*

Nos dias atuais, está cada vez mais difícil encontrar um lugar de paz para descansar, meditar, refletir sobre a realidade da vida e rebuscar as boas recordações. Quase não existem jardins públicos, praças arborizadas, lugares sossegados para um repouso ao entardecer.

Mais difícil ainda encontrar o silêncio, a doce melodia da valsa do vento, o canto passarinheiro ou o esvoaçar de borboletas e colibris. A cidade espantou suas aves, seus pássaros, suas cores da natureza. Difícil até encontrar um banco de praça ao redor de pombos e folhagens outonais espalhadas ao chão.

O ser humano precisa de paisagens assim, necessita de lugares que sejam um convite à reflexão. Necessita, mais do que tudo, de momentos onde a mente não se volte apenas para números, contas, insatisfações, problemas e mais problemas. Ninguém consegue viver somente ultrapassando portas e caminhando mecanicamente aos mesmos lugares, para fazer sempre o mesmo, para o mesmo desgastante cotidiano.

O homem está tão prisioneiro das mesmices cotidianas que se regozija com a chegada de um final de semana, com o despontar de um feriado, com uma forçada fuga às burocracias do dia a dia. Tão carente é de paz e de sossego, de pensamento e reflexão, que se enche de prazer ao abrir a janela para o amanhecer ou caminhar entre os caqueiros do seu quintal.

Ante a dificuldade de fazer diferente, de redirecionar o modo de viver em busca da paz interior, o homem começa a planejar e faz do sonho um alento para a conquista de um dia. E se enche de desejos que se tornam promessas. E logo lhe vem à mente paisagens de uma praia distante, dunas e areais ladeados de um azul de mar, montanhas encantadoras que levam aos portais do céu.

Precisa sonhar, precisa viajar, precisa passear, precisa ir muito além do que leva a porta de casa e seus caminhos. Precisa ter a proximidade da natureza, caminhar sobre trilhas, repousar nas pedras grandes da beira do cais, acender um candeeiro num rústico casebre de pescador, lançar uma rede na água pelo simples prazer de senti-la a seus pés. E abraçar a vida desde a alva do dia, beijar a boca do sol no primeiro raio, sentir-se tomado pela magia da lua imensa que enfeitiça a noite.


Mas são apenas sonhos e planos. Tudo muito normal numa pessoa que não mais suporta a vizinhança da violência, do barulho, da arrogância, da carestia, do medo. Seu paraíso é uma casa de portas e janelas fechadas, cadeados espalhados por todo lugar, cachorros soltos pelo muro. Mesmo assim não se sente com segurança alguma. Daí a vontade de ter asas para voar, de dar adeus a essa gaiola, de simplesmente sair por aí sem vontade de retornar.

Inevitavelmente, o homem vive e tem de suportar o mal das cidades. Não há fuga por cima do asfalto e ao redor do cimento. Ou vive o perigo de comprar o pão na esquina ou se deixa anular. Ou vive a cruel e perigosa realidade das ruas ou abdica de vez de viver, esquece que existe sol e lua e se contenta em avistar o mundo pelas frestas das janelas. Até que um dia encontra um prédio de vinte andares se arvorando de dono de todo o seu universo.

A loucura também nasce assim, do enclausuramento escolhido para viver. A insanidade também nasce assim, do sonho de viver diferente e ser forçado a nada realizar. Mas não somente dentro das casas estão os amentais pela brutal realidade urbana, pois as ruas estão cheias de loucos, malucos e até psicopatas. São pessoas presumivelmente normais, mas que a qualquer momento, até mesmo perante um simples olhar que imaginem ser de ofensa, transformam-se em verdadeiras bestialidades.

O que fazer então, se permanecer trancado enlouquece e se soltar pelas ruas é conviver com um hospício? Uma saída difícil para quem mal tem condições de pagar as vultosas contas do mês. Qualquer passeio custa muito caro, qualquer fim de semana numa beira de praia acaba dissipando todas as economias. E como também é uma ruptura difícil deixar a cidade grande e ir morar de vez numa pequena cidade interiorana ou num lugarejo perto do mato, outra coisa não há a fazer do que procurar viver às sombras do paraíso.

Como é possível viver às sombras do paraíso? A partir da conciliação entre o ser e o mundo que deseja para si. Não é tarefa fácil, mas sempre possível que o homem não se deixe totalmente urbanizar pelo simples fato de viver numa cidade grande. A pessoa precisa rebuscar seu estado natural, sua condição simples de ser humano, seu desapego às explorações das ruas. Necessita não deixar-se conduzir pelos apelos e reafirmar seu compromisso com suas raízes, suas tradições, seu cheiro de terra e de gente.

Certamente que a cidade grande tudo fará para transformá-lo em mais um ausente entre tantos. Mas não conseguirá. Se o seu compromisso é com a feição humana e natural da existência, não haverá fumaça que esconda o seu sol, não há edifício que esconda sua lua. E nada lhe arrebatará de surpresa o prazer pela vida. A não ser as sombras de outro paraíso.

Poeta e cronista
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Lançamento do livro CHARGES COM LAMPEÃO

Autor Luiz Ruben Bonfim

Introdução

Lendo e pesquisando tantos jornais e revistas da época em que Lampião atuava, isto é, anos 20 e 30 do século passado, não passou despercebido, de vez em quando aparecia caricaturas e charges de Lampião, mas, o que me chamou a atenção foi a utilização do personagem com a política e os políticos do poder naquele período.

Contextualizar cada charge ou caricatura seria por demais maçante, pois creio que elas não perderam o caráter atemporal.

As codificações visuais que os chargistas queriam passar ao retratar Lampião eram afetadas de acordo com a região do artista, o que determinava, até pela falta de conhecimento que tinham do caricaturado, a representação de formas tão dispares na fisionomia desenhada. 

As charges com Lampião, nessa pesquisa, abrangem o período de 1926 a 1939, porém acrescentei duas de 1969, sendo a última apresentada, uma propaganda com alusão ao desenvolvimento industrial através de incentivos fiscais, citando Sudam-Sudene onde Lampeão é usado como referência de uma região. Ao todo o livro mostra 83 charges e caricaturas.

A charge tem como finalidade satirizar, descrever ou relatar fatos do momento por meio de caricaturas, com um ou mais personagens de destaque, nas áreas da política com maior frequência.

As apresentadas nesse livro abrangem personagens de prestígio nacional como o Padre Cícero, Antônio Carlos, governador de Minas, Capitão Chevalier, com a famosa tentativa de uma expedição contra Lampião no início dos anos 30, Getúlio Vargas como presidente do governo provisório após a revolução de 1930.

Após sua morte, cartazes foram utilizados como propaganda de filme da Warner, com James Cagney “substituindo o famoso cangaceiro nordestino”.

A propaganda comercial também utilizou com frequência o nome de Lampião. Como curiosidade inseri no trabalho as da Casa Mathias e O Mandarim, que apresentavam nos seus comerciais um conteúdo humorístico.

Até o conhecido compositor Noel Rosa, como Lampeão foi caricaturado. Como se fossem dois personagens ao mesmo tempo é mostrado características de identificação de Lampião com o rosto de Noel Rosa. Mesmo nas capas de famosas revistas, Careta em 1926 e 1931, O Cruzeiro em 1932, Lampeão é caricaturado.

Na contracapa desse livro, consta a foto original muito popular de Lampeão e seu irmão Antônio Ferreira, já nesta época, famigerado cangaceiro, perseguido em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Alagoas. Foi tirada em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, onde Lampeão foi convocado pelo Padre Cícero a pedido do deputado federal Floro Bartolomeu, para combater os inimigos do governo de Artur Bernardes, a Coluna Prestes, em 1926. Na capa, usando a foto da contra capa, foram introduzidas as faces de Getúlio Vargas como Lampeão e Osvaldo Aranha como Antônio Ferreira. Foi publicada pelo Estado de São Paulo em 24 de setembro de 1933, sendo Getúlio já vitorioso da revolta de 1932 em São Paulo. 

O desenho era utilizado, isto é, a charge, como uma crítica político social onde as situações cotidianas são exploradas com humor e sátira. Lampião foi personagem principal dos chargistas, mas o objetivo era atacar os poderosos da época, geralmente vítima dos jornais da oposição.

Coloquei tudo numa ordem cronológica para facilitar a sequência histórica, pois, no futuro com a leitura das diversas obras publicadas sobre Lampião e o cangaço em geral, teremos uma visão não contextualizada das sátiras contra os personagens vítimas dos chargistas.

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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O BANQUEIRO DE MOSSORÓ - SEBASTIÃO FERNANDES GURGEL - PARTE VI

Por Mariana Gadelha

Amor e generosidade

Honesto, pacato e amoroso são palavras que resumem as qualidades de Sebastião Gurgel aos olhos do filho Raimundo. Em casa o patriarca era maleável, cultivava um casamento feliz ao lado de Elisa Rocha e preocupava-se com a educação dos descendentes. Ele próprio não tinha muito estudo, mas gostava de ler jornais e livros, assim como ir ao teatro e ao cinema, costumes que o tornaram um homem bem instruído. "Meu pai sempre dizia que ganhava mais que um general, mas não tinha a segurança de possuir um diploma, por isso nos incentivou a estudar", afirma o sucessor do grande banqueiro que "não era Midas, mas onde colocava a mão fazia o negócio prosperar", complementa.

A generosidade era outro ponto forte de Sebastião, que ao lado de Elisa encaminhava os parentes para a educação e o trabalho. No livro sobre Delmiro Rocha, escrito por Misherlany Gouthier juntamente com o neto do personagem, Fernando Diniz Rocha, há relatos de que o casal Rocha Gurgel ajudou a família em tempos difíceis. "Elisa e Tião Gurgel foram verdadeiros protetores dos Diniz Rocha até o início de suas atividades comerciais, independentemente", citam os autores.

Em outra página, Fernando Rocha compartilha que Elisa era uma grande mulher, considerada uma verdadeira matriarca pela maneira protetora e fundamental com que cuidava dos irmãos e se preocupava com o futuro deles. "Além da pessoa que era, teve na família a sorte advinha do seu casamento com o comerciante e posteriormente banqueiro Sebastião Gurgel, próspero que ao lado da companheira agiu beneficamente, engrandecendo aos demais familiares pelo encaminhamento na vida social e educativa dos parentes. (...) O sucesso dos Diniz Rocha se deve, em grande parte, a ajuda benevolente do casal Sebastião e Elisa"". ressalta.

Raimundo Gurgel adiciona que a família da mãe era humilde, por isso ela costumava dizer que só se casaria com "homem de loja", ou seja, alguém que tivesse melhores condições financeiras. Além de concretizar o seu desejo, Elisa ainda teve a sorte de viver um relacionamento harmonioso ao lado de Sebastião. "meu pai era de um temperamento brando demais. Não levantava a voz, ao contrário da minha mãe, que era mandona. Ele era um verdadeiro "MANICACA", inclusive, na mesa da sala de jantar não era meu pai que se sentava na cabeceira, e sim ela", recorda o filho do casal. Elisa faleceu em 1968 e Sebastião ainda viveu mais alguns anos. Em 1972, ele partiu para reencontrar o seu amor. 

CONTINUA...
Fonte: Revista BZZZ
Digitado por José Mendes Pereira

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MUSEU DO SERTÃO MAIS PEÇAS IMPORTANTES

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Uma das principais peças do acervo do MUSEU DO SERTÃO da Fazenda Rancho Verde de Mossoró-RN é a  Bolandeira Dentada, também conhecida por Bolandeira de Entrosa ou simplesmente Cangulo. 


É uma gigantesca e interessante máquina, que revolucionou as velhas agroindústrias do passado, por ter promovido a substituição da força humana pela força animal. É uma engrenagem de madeira, que redireciona a força dos animais de tração (juntas de boi ou burros). 


A roda maior (chamada "Bolandeira") tem três vezes mais dentes (72 dentes) e gira na horizontal e a menor ("Rodete") com 24 dentes movimenta-se na vertical. Enquanto a "Bolandeira" dá uma volta, o "Rodete" dá três. Esta máquina foi usada para tanger moendas de cana-de-açúcar, caititu de  ralar mandioca, descaroçadores de algodão  e piladores  de grãos (milho e arroz).

Informação do blogdomendesemendes: O Museu do Sertão na Fazenda Rancho Verde em Mossoró não pertence a nenhum órgão público, é de propriedade do seu criador professor Benedito Vasconcelos Mendes.

Quando vier à Mossoró, procure visitá-lo, pois são mais de 5 mil peças para os seus olhos verem.

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A SOMBRA DE JARARACA

Por Honório de Medeiros

POR QUE JARARACA PEDIU A UM POLICIAL, NA TARDE QUE ANTECEDEU SUA MORTE, PARA FALAR EM PARTICULAR COM O CORONEL RODOLPHO FERNANDES?


O quê Jararaca queria conversar em particular com o Coronel? Por que ele foi assassinado na noite seguinte ao pedido? Há alguma relação entre um fato e outro?

Façamos um intervalo e nos dediquemos a analisar o episódio da morte de Jararaca, que é bastante revelador.

Sérgio Dantas nos conta, acerca do episódio, o seguinte:

(...) "no mesmo dia em que fora preso, Jararaca concedera bombástica entrevista ao jornalista Lauro da Escóssia, do noticiário “O Mossoroense”. Não mediu palavras."

Mais a frente, continua o historiador:

"Jararaca pisou em terreno minado. Logo percebeu que tornara pública parte de uma teia intocável. Suas incisivas declarações puseram em dúvida a probidade moral de destacados chefes políticos de estados vizinhos. A repercussão das declarações, claro, fora inevitável. Decerto, o bandido temeu pela própria vida. Pressentira algum perigo. Chamou um militar, ainda cedo da tarde. Expressou-lhe o desejo de falar em particular com o Intendente Rodolpho Fernandes. O pedido, no entanto, lhe foi negado sem maiores explicações. A caserna tinha outros planos para o cangaceiro. À surdina, ensaiou conspiração. Tramaram abjeto extermínio e apostaram no sigilo. Sem mais demora executou-se o plano."

Em tudo e por tudo está certo Sérgio Dantas. 

Somente errou ao afirmar que as declarações de Jararaca puseram em dúvida apenas a probidade moral de chefes políticos de estados vizinhos e por essa razão temeu pela própria vida.

Não colocou Jararaca em dúvida somente a probidade moral de alguém fora dos limites de Mossoró ou circunvizinhança. Por certo sabia que esses chefes políticos tinham amigos poderosos em Mossoró e vizinhança. Colocou sim, provavelmente, em dúvida, a probidade moral de alguns próceres que estavam próximo, bem próximo ao Coronel Rodolpho Fernandes e aos fatos. 

Como seria possível as declarações de Jararaca chegarem ao Ceará, se a alusão for ao Coronel Izaías Arruda, com a rapidez necessária para que ele, ao perceber que falara demais, ficasse com medo de morrer? Naquele tempo não havia telefone. Havia telégrafo, que não estava funcionando no sentido do Sertão, danificado pelo bando de Lampião. Quem, no entanto, enviaria informações comprometedoras pelo telégrafo e, através dele, discutiria um plano para a eliminação do cangaceiro que envolvesse a Polícia, comandada pelo Tenente Laurentino de Morais e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte? Não parece óbvio que se houve o plano, necessariamente também houve a participação de quem pudesse mobilizar, no Rio Grande do Norte, em Mossoró, essas instituições?

Também não seria possível enviar, a cavalo ou de automóvel, notícias alusivas à entrevista de Jararaca para os estados vizinhos, em tempo suficiente – cinco dias - para que houvesse uma decisão acerca de sua eliminação pela Polícia do Rio Grande do Norte. 

Não. O que Jararaca disse e o que queria dizer ainda mais ao Coronel Rodolpho Fernandes provavelmente incomodou alguém ou alguns que estavam por perto, perto o suficiente para querer, planejar, decidir, e mandar mata-lo. Atribuir tudo isso ao Coronel Izaías Arruda é dar a ele um interesse e poderes que vão além do razoável.

Finaliza o pesquisador Sérgio Dantas: 

“Jararaca sucumbira. Morreu porque sabia demasiado.” 

A seguir:

“Findou o terrível salteador nas primeiras horas da manhã. Sua morte, entretanto, já havia sido decretada há dias. O laudo do exame cadavérico, por exemplo, fora assinado ainda na tarde do dia dezoito. E assim foi. Horas antes da execução e sob escuso pretexto de rotina, examinavam-se ferimentos de um corpo, sofridos durante uma batalha. Logo depois se chancelava, com base em conclusões médico-legais, documento de óbito de homem ainda vivo.”

Honório de Medeiros é mestre em Direito; Professor de Filosofia do Direito da Universidade Potiguar (Unp); Assessor Jurídico do Estado do Rio Grande do Norte; Advogado (Direito Público); Ensaísta.

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/

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sábado, 26 de setembro de 2015

MUSEU DO SERTÃO - PRENSA DE CASA DE FARINHA

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Veja um dos equipamentos, fruto da Engenharia empírica sertanejas mais difíceis de ser encontrado atualmente. É uma gigantesca prensa de Casa de Farinha, muito antiga, confeccionada com grossas toras de miolo de Aroeira.  


Esta prensa faz parte do acervo do MUSEU DO SERTÃO da Fazenda Rancho Verde, localizada a 4 quilômetros da cidade de Mossoró-RN.

Informação do blogdomendesemendes: O Museu do Sertão na Fazenda Rancho Verde em Mossoró não pertence a nenhum órgão público, é de propriedade do seu criador professor Benedito Vasconcelos Mendes.

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PARA QUEM AINDA NÃO O LEU - O CANGACEIRO MASSILON INCENTIVOU LAMPIÃO INVADIR MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira
O cangaceiro Massilon

Segundo o jornalista Alexandre Gurgel em maio de 1927, Massilon incentivou Lampião para atacar Mossoró, afirmando que era uma cidade bem estruturada, com um comércio que rendia muito, e ainda tinha bancos, e com certeza assaltando-a, sairiam de Mossoró com os bolsos abarrotados de dinheiro.

Mas Alexandre Gurgel diz que Massilon era apaixonado por uma das filhas do prefeito Rodolfo Fernandes. E sendo astucioso, sabendo que se os seus compassas aceitassem invadir Mossoró, ataque que ele tinha plena certeza que daria certo, seria uma boa oportunidade para levá-la consigo. 


Mas Lampião não sabia que o interesse de Massilon pelo ataque a Mossoró, era a paixão que ele tinha pela filha do prefeito. É claro que se o capitão tivesse tomado conhecimento desse desejo incontrolado do assecla, pela moça, com certeza não teria dado a atenção as suas palavras, e nem tão pouco vindo a Mossoró. 

Para que o plano de atacar Mossoró desse certo, Lampião tinha alguns bandidos que conheciam bem a região, como: Cecílio Batista, conhecido como Trovão, que em anos remotos havia morado na cidade de Assu, e já era dono de um currículo de maldades junto à polícia; o José Cesário, o Coqueiro, que antes havia prestado serviços em Mossoró. O Júlio Porto, um dos antigos motoristas da firma algodoeira “Alfredo Fernandes”, o Zé Pretinho; e Massilon, que conhecia todas as estradas que faziam chegar à cidade. 

Na agenda de anotações de Lampião nunca foi registrada a possibilidade de algum dia atacar Mossoró, por três razões: 

1 - Não era conhecedor das terras do Rio Grande do Norte, e principalmente Mossoró;


2 - A padroeira da cidade é a Santa Luzia, e ele apesar de ser um facínora era um dos seus admiradores, e não tinha em sua mente pensamentos guardados para lutar contra ela, depredando e assassinando pessoas que viviam sob o seu olhar;

 www.saojoseanchieta.com.br

3 - Era um dos seus lemas: não invadir cidades que tivessem igrejas com duas torres, como a Catedral de Santa Luzia. 

www.diocesedemossoro.com

Mas mesmo temendo isso Lampião e o bando fizeram reunião, no intuito de chegarem a mais desenvolvida cidade do Rio Grande do Norte. 

Não se sabe o porquê de Lampião ter caído na conversa de um aspirante de cangaceiros. Mas mesmo assim o rei partiu para a perigosa invasão, sendo os bandos comandados por: Massilon, Jararaca, Sabino Gomes e Vinte e Dois. Mas todos eram subordinados ao estado maior.

O grupo era composto por mais de 50 cangaceiros, que posteriormente, depois da frustrava invasão à Mossoró, a maior parte se desligou do grupo, inclusive Massilon e seu irmão Pinga Fogo, que se debandaram sem nunca mais darem notícias onde estavam morando. 
              
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.
Fonte de pesquisa: 
"O cangaceiro Massilon" – Alexandre Gurgel.

Esclarecimento do blog ao leitor: 

Este artigo é baseado no texto "O Cangaceiro Massilon" do jornalista Alexandre Gurgel, mas não mais o encontrei publicado na internet. Acredito que o jornalista o excluiu por uma razão qualquer.

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CANGAÇO ECOS NA LITERATURA E CINEMA NORDESTINOS


Como adquirir esta obra:

Entre em contato com o professor Pereira lá de Cajazeiras, no Estado da Paraíba, através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

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PADRE MOTA, MESTRE DE MOSSORÓ

Por Tomislav R. Femenick

Luiz Ferreira da Cunha Motta nasceu em Mossoró no final da última década do século XIX. Estudou em sua cidade, em Natal, Recife, João Pessoa e Roma, onde se ordenou Padre em 1922, às vésperas de completar 25 anos de idade. Sua tese em teologia, apresentada à Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve a classificação de “bone probatus”; aprovada com excelência.

O Padre Mota em reunião com lideranças política de Mossoró. O religioso foi prefeito da cidade por nove anos e nove meses

Regressou à sua cidade no dia 21.10.1922. Segundo reportagem do jornal “O Nordeste”, o novo sacerdote foi recebido na Estação da Estrada de Ferro pelo Padre Manuel Gadelha, Vigário da Paróquia de Santa Luzia, seus familiares e pelo povo, que compunha uma enorme multidão. Formou-se, então, um extenso cortejo em direção à Matriz. Soltaram foguetes e a banda do Grêmio Musical tocava músicas sacras e alegres. No altar-mor da igreja de Santa Luzia, o Padre orou demoradamente ao som de “Sacerdos Magnus” e palmas da multidão.

Quando do regresso à terra natal, o Padre Mota encontrou quase a mesma Mossoró que deixara. O município tinha pouco mais que dezesseis mil habitantes. A cidade possuía trinta ruas, doze praças, cinco travessas e uma avenida, com 1.872 casas, sendo 840 de tijolos e telha, e 1.032 de taipa. Havia menos de trinta escolas primárias, um Grupo Escolar e uma escola de nível ginasial – o “colégio das irmãs”, pois o Santa Luzia estava fechado. As vias públicas eram cobertas com barro e pedregulhos. Não havia calçamento. Quando chovia, as ruas ficavam lamacentas e escorregadias. Durante o dia, o sol imperava abrasador. A escuridão das noites era cortada apenas por poucas lâmpadas de 32 velas, instaladas pela Intendência Municipal. Para reduzir o breu da noite e afugentar os mosquitos, em frente das residências eram acesas fogueiras, misturando-se estrume de gado às brasas.

O PADRE

O novo sacerdote ocupou vários cargos eclesiásticos: capelão do Colégio Sagrado Coração de Maria, vice-diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia (quando este reabriu suas portas), capelania do Sagrado Coração de Jesus, responsável pelo ensino da religião para cerca de 1.200 crianças, vigário da Paróquia de Santa Luzia de Mossoró (quando deu início à construção da Capela de São José) e vigário geral da Diocese, de 1936 até o seu falecimento. Na hierarquia da igreja, o seu posto mais alto foi o de Monsenhor.

Meses após tomar posse como vigário da Paróquia de Santa Luzia, o Padre Mota promoveu uma reunião na sacristia da Capela do Sagrado Coração de Jesus, com um número bem reduzido de pessoas. Além dele, apenas seu pai, Vicente Ferreira da Mota, e o comerciante e industrial Miguel Faustino do Monte. O motivo da reunião: a criação da Diocese de Mossoró. Muitas, muitas outras pessoas se agregaram a esse esforço.

Título Eleitoral expedido em nome do Padre Mota em 1956.

Miguel Faustino ficou encarregado de levar o assunto junto à Diocese de Natal, a qual a Paróquia de Mossoró estava subordinada. O coronel Mota junto às autoridades, comerciantes e industriais da cidade, e o Padre Mota, juntamente com o Cônego Amâncio Ramalho, se encarregariam de arregimentar apoio entre os outros clérigos locais. Entretanto, tudo isso deveria ser tratado com absoluto sigilo, para não melindrar as autoridades eclesiásticas da Diocese da capital do Estado. Se houvesse dúvidas quanto ao segredo, dever-se-ia recorrer ao sigilo confessional. O Padre Mota reconheceu: “Foi um recurso maquiavélico, mas a causa era nobre e divina”.

O passo mais importante foi dado por Miguel Faustino junto ao bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas. A ele disse que estaria disposto a fazer uma generosa contribuição em bens e dinheiro, quando fosse oportuno transformar a Paróquia de Mossoró em Diocese. Essa contribuição visaria formar a sua estrutura material, para que ela pudesse funcionar sem percalços.

O trabalho durou mais de seis anos. No dia 14.09.1934, o Padre Mota recebeu um telegrama de Dom Marcolino em que este lhe comunicava a criação da Diocese de Mossoró, através de uma bula papal emitida por Pio XI, assinada em Roma e datada de 28 de julho daquele ano. No dia 18 de novembro de 1934, por deferência especial do Bispo de Natal, e em seu nome, o Padre Luiz Ferreira da Cunha Mota presidiu o ato inaugural da nova diocese, pela qual tanto lutara. A celebração teve lugar na Catedral de Santa Luzia e contou com a presença de autoridades e do povo da cidade.

NA LINHA DE FRENTE DURANTE A BATALHA CONTRA LAMPIÃO

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Consta que o ataque de Lampião a Mossoró teria sido a ele sugerido pelo político cearense Isaias Arruda e pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides. Como teste, o bando desse último invadiu com sucesso a cidade de Apodi. Então, vários grupos de cangaceiros se reuniram para, juntos, atacar Mossoró. O ambiente era confuso e havia mais de um comando, embora que Virgulino tivesse ascendência sobre todos. Pelo caminho, assaltavam vilas, povoados e fazendas, roubando, batendo, torturando e fazendo reféns, ao mesmo tempo em que destruíam, quebravam e incendiavam o patrimônio daqueles que não eram seus apaniguados ou acólitos. Mas todos esses casos eram preliminares da grande luta: Mossoró.

A cidade se preparou para fazer sua defesa. Foram organizadas trincheiras em diversos pontos da cidade. Segundo o historiador Vingt-un Rosado, no dia 13 de junho de 1927: “Treze horas. O padre Mota […] vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, de­sarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até a atual Pra­ça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. […] Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, es­timulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Ci­dade, na hora difícil. […] Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia”.

A luta terminou às cinco horas da tarde. Nenhum defensor da cidade estava, pelo menos, ferido. Os cangaceiros se reuniram ao lado de um muro lateral do cemitério. Um dos atacantes fora morto, seis estavam feridos, quatro em estado grave. Derrotado, Lampião fugiu.

LIÇÕES DE DEMOCRACIA NA CALÇADA DO PADRE

Padre Mota e o sobrinho Francisco, também prefeito de Mossoró.

Muito se fala e pouco se sabe o que realmente é democracia. Na verdade, a maioria a entende apenas como repetição do sistema em que vive ou desejam viver. Todavia, o fundamento maior da democracia é o entendimento republicano de que o indivíduo é “æquabilis in paribus”, igual entre os iguais.

A calçada do vigário era o espaço mais democrático da cidade. Era uma assembleia de amigos, à moda da democracia ateniense, onde todos podiam dizer o que quisessem, desde que ouvissem o que os outros falassem. Tudo de maneira pacífica e civilizadamente, sem discussões acaloradas. Nada foi planejado, apenas aconteceu. Na Mossoró de antigamente, cidade ainda pequena, havia o costume das famílias colocarem as cadeiras na calçada para mitigar o calor com o frescor dos ventos do final do dia. O Padre Mota também fazia isso e aproveitava o tempo para fumar seus charutos. Os vizinhos e as pessoas que passavam, sentavam-se para tirar alguns dedos de prosa. Como eram muitos, criou-se o hábito de todos irem buscar suas cadeiras na sala de visitas do reverendo e depois deixa-las no mesmo lugar. As mais ilustres figuras de todas as correntes políticas, inclusive alguns evangélicos, ateus e comunistas, frequentavam essas reuniões.

Antonio Capistrano, comunista desde 1960 e ex-vice-prefeito de Mossoró, diz que a calçada do Padre Mota era “o ponto de encontro de políticos, intelectuais e comerciantes da cidade, local suprapartidário, democrático, de papos sobre os diversos assuntos de interesses da coletividade, como também não deixava de ter as fofocas provincianas. Os que participavam dessas conversas lembram-se com muita saudade dos finais de tarde da calçada do padre; ele era espirituoso, piadista e conversador. Padre Mota parece que inspirou Che na sua famosa frase ‘ser duro sem jamais perder a ternura’. É essa a imagem que tenho do padre Mota. Severo nas suas convicções, mas extremamente humano nos seus atos. Isso é, para mim, a razão do bem-querer do povo mossoroense ao seu vigário geral. Homem pronto a servir, participando ativamente dos problemas da cidade”.

BRINCALHÃO, O PADRE ENSINAVA QUE DEUS NÃO É TRISTE

Uma das características do cidadão Luiz Ferreira da Cunha Mota, inseparável de sua condição de Padre ou Prefeito, era o seu humor ferino, brincalhão, travesso, com um toque de galhofa e de gracejo fino, sem ser grosseiro, nem nunca descambar para o impudor ou para a agressividade. O Padre Mota sabia rir e não gostava de lamúrias, tristezas ou lástimas. Dizia que “Deus não é Triste. Se o fosse, não teria criado o mundo e a vida tão belos. Não teria feito os passarinhos cantar, o amor dos jovens, o sorriso das crianças, o sol, a lua, o mar”. O jornalista Lauro da Escóssia reuniu vários “causos” do padre e publicou um livro com o título deAnedotas do Padre Mota (1986).

Em 1951 aconteceu um caso emblemático do seu humor sagaz. Manuel Leonardo Nogueira levou uma filha para ser batizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujo vigário era o padre holandês Cornélio Dankers, o qual se recusou a fazer o batizado, alegando que os padrinhos, João Café Filho e sua esposa, eram comunistas. Note-se que Café Filho era o vice-presidente da República. Manuel Leonardo recorreu ao Padre Mota e o batizado foi celebrado na igreja Matriz. Meses depois, o padre Cornélio falando com o Padre Mota trouxe o assunto do batizado à conversa, dizendo que não compreendia a atitude do seu colega. O Padre Mota respondeu: “Cornélio, eu conheço Café. Ele não é comunista coisa nenhuma. No máximo, é um oportunista. Além do mais, ele estava longe. E, mesmo se eles [Café Filho e a esposa]estivessem aqui e fossem comunistas, eu nunca vi comunista comer criancinha”.

PADRE MESTRE

Luis da Câmara Cascudo assim escreveu sobre Padre Mota: “Padre Mestre Luís Mota, Prefeito de Mossoró, gordo, atarracado, baixo, com um passo airoso de moço-fidalgo. Padre que viveu oito anos de Roma e conheceu três Papas, que viu a Itália guerreira, bolchevista e fascista, que aprendeu a olhar o povo como organização e jamais como figura de retórica, aí está tua Mossoró, um orgulho para os olhos e uma saudade para o coração. Ninguém se iluda com tua fisionomia espirituosa e plástica, com o humorismo de tuas graças, com o infalível charuto, com a ponteira incansável de tua bengala negra. Nem pelas anedotas que contas, pelos fatos que evocas deliciosamente. Tua história vibra nesse cenário tu­multuoso e moderno de existência sem desfalecimento”.

Tribuna do Norte. Natal, 18 jan 2015

Tomislav R. Fenenick é mestre em Economia, pela PUC-SP, com extensão de Sociologia e História; pós-graduado em Economia Aplicada para Executivos, pela FGV-SP e bacharel em Ciências Contábeis, pela Universidade Cidade de São Paulo.

É sócio e diretor principal da Femenick & Associados Auditoria e Consultoria S/C Ltda, empresa nacional de auditoria, perícia e consultoria, fundada em 1987 e foi diretor adjunto (assistente da diretoria) da Soteconti Auditores, Campiglia & Cia e da Revisora Nacional/Deloit, empresas nacionais de auditoria. Foi sócio e diretor da Technoway, empresa de organização de eventos e editora; diretor superintendente das Empresas Mayrton Monteleone, revendedoras Mercedes Bens e Massey Fergunson, em São Paulo e Goiás; gerente de divisão do Banco Geral do Comércio S/A; diretor adjunto da Cia. Real Brasileira de Seguros; assistente da diretoria do Banco Cidade S/A; titular do Serpes Serviço de Promoções e Pesquisas, de Mossoró-RN, empresa jornalística, instituto de pesquisas e de elaboração de projetos econômicos, além de funcionário do Banco do Nordeste do Brasil S/A.

Na capital paulista foi professor titular dos Centros Universitários UNIBERO, UNIFMU, FIAM-FAAM e Belas Artes, nas áreas de Economia, Contabilidade, Administração, Câmbio, Comércio Exterior, Finanças, Orçamentos, Mercado de Capitais, Custos, Auditoria e Perícia Contábil, além de Coordenador Acadêmico do curso de Hotelaria, do UNIFMU, e orientador de Estágios e Monografias, do UNIBERO. Foi professor visitante na PUC-SP, UNICID, Faculdades Paulo Eiró e Faculdade Santa Rita de Cássia. Atualmente é professor da FACEN-Faculdade de Ciências Empresariais e Estudos Costeiros de Natal e da Faculdade União Americana e professor visitante da UnP-Universidade Potiguar e da FAL-Faculdade de Natal.

É escritor, com mais de 40 obras publicadas, entre livros e monografias. Como jornalista, atuou em vários jornais do país. Atualmente é colaborador dos jornais Tribuna do Norte e O Jornal de Hoje, de Natal, e da Gazeta do Oeste e de O Mossoroense, de Mossoró – RN.

http://www.tomislav.com.br/padre-mota-mestre-de-mossoro/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com