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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CARIRI CANGAÇO 10 ANOS, AVANTE ! TODOS A MISSÃO VELHA...

Por Manoel Severo

A tarde avançava firme e a caravana Cariri Cangaço 10 Anos seguiu para a sede do Sítio Barreiros, outrora propriedade de Padre Cícero e já há muito tempo pertencente à família Dantas do emblemático Sinhô Dantas, ali, dez anos atras o mesmo cenário foi visitado na primeira edição do Cariri Cangaço em 2009. O anfitrião foi José Ivo Dantas Filho. A Fazenda Padre Cícero (Sítio Barreiros) , imponente propriedade rural encravada a pouco mais de 6 Km do centro de Missão Velha; construída ainda em 1908 por Padre Cícero e administrada por algum tempo por seu braço direito, Floro Bartolomeu; depois pertencente ao Clã dos Dantas, valorosa família de coronéis de Missão Velha; mais uma vez anfitrionou a caravana do Cariri Cangaço nesta grande festa dos 10 Anos em Missão Velha.
 Caravana Cariri Cangaço 10 Anos na Fazenda Padre Cícero , terra dos Dantas...
Tradicionais torneiras da fazenda Padre Cícero
Comendador Mariano
Caravana Cariri Cangaço 10 Anos na Fazenda Padre Cícero , terra dos Dantas...

Ali, sob a orientação do grande historiador João Bosco André, os convidados e participantes puderam conhecer mais de perto um dos mais espetaculares capítulos da história recente do cariri cearense, a partir dos embates envolvendo os coronéis de barranco que disputavam o poder deste lado do estado do Ceará. A fazenda Padre Cícero pertenceu ao Cel. Dantas, destituído "as custas de bala" da prefeitura de Missão Velha, pelo coronel Isaias Arruda, de Aurora. Quem visita o fantástico casarão ainda pode ver as inúmeras "torneiras" usadas pelos defensores do lugar.


José Ivo Dantas Filho recebe o Cariri Cangaço 10 Anos
 Louro Teles 
 Junior Almeida, Clênio Novaes, Richard Pereira e Edson Araujo
Bosco André, Bismarck Oliveira, Padre Agostinho, Com Mariano e Ângelo Osmiro

A próxima parada seria na Fundição Linard, uma das mais tradicionais empresas da região caririense. Aqui, o resgate de um dos episódios mais pitorescos da historiografia do cangaço no cariri. Quando na Serra do Mato; famosa fazenda do grande Cel. Santana, o Capitão Lampião precisou de um ferreiro para limpar seu armamento, foi logo que trouxeram a sua presença o jovem Antonio Linard; ao final do ofício realizado o mesmo não cobrou nada ao Capitão, entretanto o líder cangaceiro fez passar por entre seus cabras, o chapéu da aba viada e ali cada um colocou a justa paga; desse episódio nasceu a história do primeiro torno das industrias Linard, um dos mais tradicionais grupos empresariais do cariri. Na tarde desta quinta-feira, 25 de julho, mais uma vez e agora celebrando seus 10 Anos, a caravana Cariri Cangaço esteve visitando o famoso torno e as instalações das industrias Linard.

Família Linard e a Comenda ao patriarca Antônio Linard
Patriarca Antônio Linard, homenageado nos 10 Anos de Cariri Cangaço
Família Linard recebe comenda em festa dos 10 Anos

Padre Agostinho abençoa as instalações das Industrias Linard

Alônio Linard, neto de seu Antônio, conta como foi o inicio da vida do homenageado: "Vovô não sabia idiomas, então recebia catálogos da Inglaterra, da Alemanha e ia traduzindo com um dicionário e ia montando os moldes, as peças..." e assim se construiu uma das mais festejadas usinas de nosso Ceará. Sem falar no inusitado e marcante episódio já comentado acima, de seu encontro com Virgulino Lampião nos idos entre 1926 e 1927, quando dali surgiu seu primeiro torno, o "Torno de Lampião", também visitado dentro da programação.
Caravana 10 Anos em visita aos Linard 
O famoso "torno de Lampião" relíquia mantida pela família Linard

A recepção teve à frente o patriarca da família e presidente das Industrias Linard; Maraton Linard, sua esposa, dona Eailce, e os filhos: Amélia, Alônio e Monalice; que receberam das mãos do curador do Cariri Cangaço a comenda em reconhecimento ao espirito empreendedor do fundador da industria, Antônio Linard.
o
Quirino Silva, Manoel Severo, Alonio e Maraton Linard e Luiz Forró
 Maraton Linard e Manoel Severo
Manoel Severo, Luiz Ruben, Ivanildo Silveira, Narciso Dias, Jorge Figueiredo, Edson Araujo, Louro Teles e Clênio Novaes
Monalice e Alônio Linard
Hernesto Vasques, Jorge Figueiredo e Renato Bandeira

A visita às instalações da Fundição Linard e ao mais "famoso torno do Brasil", aconteceu tendo a frente Alônio Linard, neto de seu Antônio e administrador do empreendimento. "Já estamos reservando um espaço especial aqui na Linard para montarmos um Memorial onde estarão todas as peças e relíquias ligadas à nossa origem" afirma Monalice Linard, neta de seu Antonio Linard.


Dr Leandro Cardoso e Luiz Ruben
 Rangel Alves da Costa, Edvaldo Feitosa e Jose Irari
 Paulo de Tarso
Quirino Silva, Clênio Novaes, Alonio Linard e Joao Andrade
Odilon Nogueira e Carlos Alberto Silva

Tem mais Missão Velha...
continuamos na próxima postagem

Cariri Cangaço 10 Anos
Missão Velha - Fazenda Barreiros - Fundição Linard 
25 de Julho de 2019
Fotos:Ingrid Rebouças e Louro Teles


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LAMPIÃO MATA JOVENTINO

Por João de Sousa Lima
O autor defronte à antiga casa de Antonio de Zezé.

Crime traçado nas terras de Água Branca

Água Branca em Alagoas foi uma das cidades que sofreu a fúria do cangaço. Em 1922 Lampião realizou o famoso saque a Baronesa de Água Branca, a senhora Joana Vieira. Os povoados Tingui e Alto dos Coelhos eram redutos de cangaceiros e viram também as ações violentas do cangaço, onde várias pessoas foram mortas.
 
Um dos capítulos de morte nessas terras aconteceu na Fazenda Riacho Seco, de propriedade de Abel Torres, filho da Baronesa de Água Branca.

O crime aconteceu por consequência de uma fofoca. Um rapaz chegou em Água Branca procurando emprego como vaqueiro e falaram que pra trabalhar como vaqueiro estava difícil, pois os cangaceiros estavam espalhados por toda região.

O rapaz respondeu que para Lampião tinha era um "Parabellum" pra atirar nele. falou isso em um movimentado dia de feira, onde coiteiros andavam vasculhando informações. No mesmo dia Lampião ficou sabendo da afronta do jovem Joventino.

Joventino conseguiu trabalho nas terras de Abel Torres e foi morar na fazenda Riacho Seco, próximo à divisa de Água Branca com Olho D´água do Casado. Nessa fazenda tinham duas casas, residindo em uma delas o senhor Antônio Zezé e em outra morava Joaquim Gomes.

Joventino ficou na casa que morava Joaquim Gomes. Lampião ficou sabendo do paradeiro de Joventino e foi com "Pitombeira" (Zacarias Bode), Luiz Pedro e mais dois companheiros. Os cinco cangaceiros se aproximaram da casa onde estava Joventino.

Lampião já no terreiro gritou:

- Joventino cadê o Parabellum que você tem pra atirar neu?

Joventino saiu da casa e quando chegou no alpendre os cangaceiros o pegaram e o rapaz negou o recado desaforado que tinha mandado pra Lampião.

- Isso é mentira!!!!
 
Lampião sem contar conversa atirou no rapaz que já caiu morto. Com o corpo do rapaz ensanguentado no chão os cangaceiros entraram na casa, o cangaceiro Pitombeira encontrou o senhor Antônio Laurentino (Lorentino). Este era vaqueiro que tinha os pés aleijados. Pitombeira tinha uma antiga rixa com Antônio Lorentino e viu nesse momento a oportunidade de se vingar.

A intriga entre os dois começou por causa de uma cerca que Pitombeira estava fazendo e invadindo um pedaço do terreno do patrão de Lorentino, na fazenda do Talhado. O proprietário Abel Torres empatou de Pitombeira fazer a cerca e aí criou-se uma intriga entre o futuro cangaceiro e o vaqueiro.


Pitombeira e outros cangaceiros seguraram Antônio  Lorentino para matar e nesse momento outro vaqueiro, chamado Mané Egídio atravessou na frente de Pitombeira e falou:

- Esse daqui você não mata não!!!

Lampião olhando a cena, sentenciou:

- Aqui não se mata ninguém, esse daqui fica pra ir a visar ao patrão pra ele vir enterrar o defunto!

Esse valente vaqueiro Mané Egídio que livrou o amigo da morte certa, mais tarde tornou-se o famoso cangaceiro "Barra Nova", um dos bravos homens do grupo de Lampião.

Em abril de 2019, eu, Aldiro Gomes, Thomaz Deyvid e Raul Sandes, estivemos nessa fazenda e nas duas casas conhecendo esses dois monumentos que viveram a história do cangaço. Uma saga vivida entre a razão e a violência onde homens pagavam com as vidas por uma simples palavra empenhada, muitas vezes simples palavras jogadas ao vento, sem intenção de se transformar em verdade. Tempos difíceis e conturbados. Hoje escombros cobrem o sangue do passado e marcam os fatos vivenciados nessas terras.....


Escombros da casa onde Lampião matou o jovem vaqueiro

*João de Sousa Lima é Historiador e Escritor.
Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso, cadeira 06
Membro Presidente do IGH - Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso.
Membro da SBEC-  Sociedade Brasileira de Estudos do cangaço


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DEBATE SOBRE O DOCUMENTÁRIO OS ÚLTIMOS DIAS DE LAMPIÃO

Por Sálvio Siqueira

O pesquisador Aderbal Nogueira nos presenteia com o vídeo com a apresentação dos trabalhos periciais apresentados pelo perito quanto aos projéteis que atingiram os objetos de Lampião no amanhecer do dia 28 de julho de 1938.


A pouco tempo mostramos o trabalho do pesquisador Ivanildo Silveira. Desta feita, mostraremos o resultado do trabalho técnico.

google.com.br/imghp?hl=pt-PT&tab=ri

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ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO



Deste 2002 é realizado em Serra Talhada, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, o ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO, que reúne grupos de todo o Nordeste, para celebrar a cultura popular e fortalecer a identidade cultural do sertão, com trocas de experiências e oficinas, apresentações e rodas de Xaxado, shows musicais e feira de artesanatos, visitações aos atrativos turísticos ligados ao Cangaço e Lampião. Desde 2014 a produção abriu a programação para participação de grupos de outras regiões, enriquecendo e integrando o Xaxado com outros ritmos que fazem o tecido cultural do Brasil, transformando o ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO em um dos maiores eventos de danças da atualidade no Brasil.

O Evento tem o incentivo do Funcultura/Fundarpe/Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco.

Para o GRUPO participar é necessário se inscrever e passar pela seleção da Curadoria.

Veja nos links abaixo a Convocatória e a Ficha de Inscrição:



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A CASA DO POÇO DO NEGRO


Por Abreu Mendes

Casa de taipa, sem reboco,
Onde viveu Lampião,
O vento em sopro
Adentrava sem pedi licença, não.

Casa do Poço do Negro, em ruína,
A lua, um dia, vinha lá de cima
Iluminar o terreiro,
Menino sonhava de vaqueiro ou cangaceiro.

Meninas brincavam de ciranda.
“Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar.”
Não havia varanda,
Duas janelas e uma porta pra entrar.

A gente vai um dia cirandar...
Uma casa caída,
Um Lampião a apagar.
Chegará o pó, última partida.


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O NASCIMENTO DE JESUÍNO BRILHANTE | CNL | #356

https://www.youtube.com/watch?v=UrhnFBQRDIs&feature=share

Publicado a 06/08/2019

A Solidão de Jesuíno https://youtu.be/L7SexfykULA
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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O TREM DA PALMEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.158

        Quem trafega pela BR-316, sobe o cuscuz sobre a antiga linha férrea de Palmeira dos Índios. Quem conhece a história lança de cima do viaduto, um olhar comprido para as terras planas Palmeira – Arapiraca e vê. Ver na mente um trem deslizando pelas planuras em busca do São Francisco, em busca do Porto Real de Colégio. Época de ouro em que os trens cortavam o vale do Paraíba do Meio, levando progresso entre os verdes canaviais. Cavaleiros do Sertão galopando até Viçosa em procura do cavalo de ferro no complemento da jornada a Maceió. A ansiedade do povo palmeirense no avanço da linha até Quebrangulo, descendo as montanhas até o centro da cidade. Uma festa e tanto a chegada do trem em Palmeira dos Índios.

ANTIGA ESTAÇÃO. (FOTO: CRISTIANO SOARES)
        
          Mas a programação anterior modificada não permitiu sua reta para o Sertão. E a Maria Fumaça quebrou de banda levando rolos de fumo pelo Agreste procurando o “Velho Chico”. Mais uma frustração para o Sertão velho de guerra que deixara escapar o miolo do progresso. Conforma-se em agarrar a rebarba ferroviária. Vem de caminhão a Palmeira e embarca no trem para Maceió. Para quem não tinha nada, qualquer coisa serve. Mas a política do não ao ferro e sim à borracha, também traz a grande decepção para o Agreste. Palmeira dos Índios não dispõe mais do trem. Fica a Maria Fumaça aprisionada em logradouro público, como peça de museu. O trem engolira o caminhão; o ônibus engoliu o trem; as vans engoliram os ônibus.
          E o trem de Palmeira dos Índios entra nos romances dos escritores palmeirenses Luis B. Torres, Adalberon Cavalcante Lins, Graciliano Ramos e do santanense Clerisvaldo B. Chagas. A estação, merecidamente transforma-se em Biblioteca Pública. Imagens de pessoas ilustres ocupam as paredes em forma de desenhos e... Quem sabe, se as estantes da casa de cultura não guardam boas histórias do trem de Palmeira dos índios!
          Trazemos o sonho de volta ao cuscuz, ao viaduto da via férrea, onde que manda agora são as voltas e os chiados dos pneus.
          Quem engolirá as vans?
          Diz o sertanejo: Para frente é que se anda.


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O SERTÃO É POESIA

*Rangel Alves da Costa

Ou a cegueira ou insensibilidade para não se encantar com os retratos que o sertão oferece. É bonito, é lindo demais!
Ou a indiferença ou a apatia para que os olhos não brilhem e o coração não se alegre perante os adornos sertanejos que se espalham por todo lugar. É belo, é cativante demais!
No sertão, creia seu moço, tudo é lindo, tudo é belo, tudo é poético, tudo é maravilhoso. E mais, e muito mais!
Ao caminhar pelas estradas de chão, basta olhar mais abaixo, nos beirais do caminho, para avistar a flor e o fruto da jurubeba.
Quem não despertará sentimentos diante daquelas cores amareladas, alaranjadas, avermelhadas? Olhares, admirações, contemplações. Poesia...
Pela mesma estrada, já no sombreado da noite ou logo ao primeiro alvorecer, possível será encontrar a flor do mandacaru ainda em pleno viver.
Infelizmente, como numa metáfora da vida humana, dura apenas um passar de horas a bela flor do mandacaru. Nasce e logo morre a bela flor do mandacaru.
Nasce a mais bela flor e começa a definhar logo à luz da manhã. O fruto vermelho-vinhático do mandacaru igualmente oferece uma encantadora visão.
E logo há de se indagar: por que um fruto tão belo e tão vivo nascido na magrez do cacto e ao lado de espinhos pontudos e vorazes?
E passa uma avoante. Um pássaro tem-tem anuncia a chegada de alguém naquelas distâncias matutas. Uma rolinha fago-pagô procura seu ninho. Estará bem ali!


Um pássaro quero-quero diz do seu desejo de um sertão chuvoso e com fartura. Nas folhagens esvoaçando, a dita do tempo se virá chuva ou não. O sertanejo conhece tudo isso.
Os pios de vez em quando surgem nos escondidos dos ninhos nas catingueiras. O calango sobre na pedra quente e começa a balançar a cabeça. Acredita, não acredita...
Uma pedra no meio do tempo, tão velha como a própria história, repousa paciente debaixo do sol. E chama todo andante a um proseado:
“Parece tudo calado, sem presença e sem voz, mas nunca há mudez no sertão. Farfalha o que resta de folhagem na mata, cantarola o passarinho ainda existe, a mãe-da-lua passa agourando, carcarás e urubus passam em rasantes em busca de bezerro caído. E eu, apenas uma pedra nem sempre avistada, vivendo para testemunhar o quanto há nestas vastidões sertanejas”.
Há, sim, beleza - e também tristeza - por todo lugar. A cabeça-de-frade, tão terra e tão chão sertanejo, ainda assim maravilha o olhar mais sensível.
A casa velha e abandonada faz a memória rebuscar o passado e o viver de um povo. Ouve-se um mugido. Não, não há gado ali, e então por que aquela voz entristecida de curral?
Ora, o curral vazio está ali, a porteira silenciosa também, e igualmente o mugido distante que ainda ecoa pelos carrascais.
E depois que o sol vai se cansando de tanto queimar, então seu candeeiro vai se apagando em lentidão que é só poesia. Tudo lentamente.
No alto, nos horizontes, o amarelado avermelhando entre as nuvens até a última faísca se apagar. Mas não demora muito e outro luzir ressurge.
A lua chega tão bela e grandiosa como todo luar sertanejo. E por tudo isso agradecer a Deus pelo sertão e por tudo que sobre seu solo sagrado existe, como um manto de sublime beleza, como um véu que clama para ser descortinado do olhar.
E amado. E amado.

Escritor
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GOVERNOS QUEREM PAGAR CABEÇAS DE CANGACEIROS


Por Sálvio Siqueira

O governo, ou governos, pois foram em sete Estados dos nove que compõem a Região Nordeste em que se deu o fenômeno social, principalmente as ações de Lampião, decretaram, deram a liberdade, para que os ESPÓLIOS dos cangaceiros, ou seja, tudo o que era encontrado com eles, em poder deles, no corpo deles fazendo parte da sua tralha de guerra, ficassem de posse daquele que o matasse. Não importando se fosse um militar, um contratado, um 'cachimbo' ou simplesmente um voluntário.

Acreditamos que essa determinação tratou-se de mais um incentivo para que saíssem a cata de bandoleiros dentro da Mata Branca, território difícil, hostil, porém, bastante conhecido pela caterva.

Isso, além de um valor estipulado pela captura ou abatimento de cada bandoleiro estipulado pelo governo baiano.

VEJA A LISTA COM OS VALORES QUE TINHA CADA CANGACEIRO ABAIXO:



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O SAUDOSO COMBATENTE AO BANDITISMO RURAL TENENTE JOÃO GOMES DE LIRA


Por Sálvio Siqueira

A história cangaceira foi vivida por várias personagens. Dentre estas tivemos aquelas que praticaram o crime, aquelas que formaram frente contra aos criminosos, aquelas que serviam de colaboradores para um e outro lado e as pobres e inocentes vítimas.

Destaca-se bastante a narração literária e oral, principalmente no cangaço implantado por Virgolino (Ferreira), o chefe cangaceiro alcunhado de Lampião, o famoso “Rei dos Cangaceiros”, quanto às peripécias realizadas pelo próprio e por seus ‘meninos’, esquecendo em parte, ou às vezes em um todo, de darem as devidas atenções, o devido valor histórico merecido àqueles que enfrentaram de peito aberto dentro da Mata Branca os bandos e, consequentemente, as inocentes vítimas. Vítimas não só das ações cruéis dos cangaceiros, mas, também das atrocidades terríveis causadas por alguns comandantes e/ou membros das volantes em todos os Estados nordestinos por onde se propagou o fenômeno social.

Saibamos um pouco mais quem foi o nazareno tenente João Gomes de Lira:

“(...) Nesta semana, é a vez de João Gomes de Lira, ex-soldado volante nazareno que combateu o cangaceirismo e o banditismo no sertão.

Filho de Antônio Gomes Jurubeba e Luciana Maria da Conceição, este pernambucano nasceu em 13 de julho de 1913 na Fazenda Jenipapo, distrito de Nazaré do Pico, município de Floresta, no Estado de Pernambuco.

Ingressou na Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) em 16 de julho de 1931 e, aos 17 anos, integrou a força volante que tinha como comandante o coronel Manoel de Souza Neto, que perseguia Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião, e seus irmãos Antônio e Livino. Na época, seu alistamento foi uma necessidade, pois a região de Floresta estava sendo ameaça pelo bando do Rei do Cangaço, que Lira conheceu antes de virar policial.

Assim que se alistou, o comandante geral da PMPE, Roberto Pessoa, indicou o cabo Lira e os dois soldados Manoel Heráclito da Silva e Francisco Wilson Dourado para acompanharem o então juiz de Direito da Comarca de Inajá, Pedro Malta, que era jurado de morte, para fazer os registros dos candidatos a prefeito e vereadores daquela localidade e permanecer para a eleição e apuração naquela região.

Lira não fez parte do grupo de policiais que matou Lampião, em 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, em Poço Redondo, em Sergipe, porém, participou de confrontos com o temido cangaceiro.

Ao longo da carreira na PMPE, mesmo com pouco estudo, passou pela hierarquia militar, se destacando como soldado, comissário, delegado e, por último, tenente. Com o fim da campanha contra o Cangaço, por muitas vezes, fora ouvido pela imprensa para contar relatos da luta dos seus conterrâneos e, embora o experiente combatente integrasse a força policial pernambucana e estivesse em lados opostos ao Rei do Cangaço, sempre soube reconhecer Lampião como líder nordestino.

Homem de fala mansa e de uma tranquilidade congelante, Lira se aposentou como primeiro-tenente da PMPE, mas antes trabalhou em Recife e em municípios do interior pernambucano. Em um deles, em Carnaíba, foi vereador na década de 1970 e, na ocasião, desmembrou a Câmara Municipal de Vereadores e tornou aquela edilidade independente. Seus filhos Ruberval e Clóvis Lira também foram vereadores na mesma localidade.

Pela Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco e Companhia Editora de Pernambuco, escreveu o livro “Lampião: Memórias de um Soldado de Volante”, fruto de 35 anos de pesquisa. Nele, descreveu, com exatidão e presteza, os lances épicos daquela época, narrando sua vida e suas andanças em busca dos cangaceiros. Para isso, o militar passou dias em frente à máquina de escrever, rebuscando na memória os fragmentos das verdades históricas que ele mesmo ajudou a construir.

Antes de lançar esse livro, um episódio mereceu intervenção do então governador do Estado de Pernambuco, Roberto Magalhães, já que, ao entregar as escritas a um representante de uma instituição pública com titularidades acadêmicas para que houvesse a publicação, Lira teve confiscado todo seu material. Na época, o nazareno fora recebido no Palácio do Governo Estadual e tratado com respeito e honras militares.

Após esse encontro, teve todas as escritas devolvidas e, em seguida, o livro lançado. É considerado referencial para todos os amantes da História do Brasil e, em especial, para os soldados nazarenos.

Tido pela população de Nazaré do Pico como homem de bem, de caráter, sério e batalhador, recebeu condecorações e diversas homenagens, como a do seu Centenário de Nascimento em 2013 e a instalação de um busto na praça do distrito, pois se tornou uma espécie de lenda. A Rodovia PE-329, que liga Carnaíba ao Distrito de Lagoa da Cruz, passando por Quixaba, no sertão do Pajeú, também recebeu seu nome.

Em 1987, Lira voltou para Nazaré do Pico, em Floresta, onde viveu até sua morte em 4 de agosto de 2011, aos 98 anos. Embora tenha falecido no Hospital Militar de Pernambuco por complicações de um edema pulmonar, seu corpo foi sepultado no distrito de Nazaré. O ex-volante era viúvo de Gisélia de Lira, com quem viveu por 60 anos, e deixou 11 dos 12 filhos, além de netos, bisnetos e demais familiares.”


Abaixo veremos um vídeo de produção do pesquisador incansável, daquele que não se mostra a frente da história, pelo contrário, sempre procurou ficar nos bastidores, Aderbal Nogueira.


Ten Joao Gomes de Lira - as primeiras intrigas em Nazaré


Publicado a 15/02/2019

João Gomes fala sobre o ferimento de Livino Ferreira e do casamento de uma prima de Lampião.
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