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quarta-feira, 11 de setembro de 2019
POUCO OU QUASE NADA SE COMENTA...
... mas no
episódio de Angico que culminou na morte de Lampião, Maria Bonita, nove
cangaceiros e um soldado da Força alagoana, lá estava um jovem paraibano de 22
anos chamado José Tertuliano, apontado por seus companheiros como um dos mais
valentes e combativos soldados da tropa.
José
Tertuliano possuía o número 947 e pertencia ao 2º Batalhão da Polícia Alagoana.
Sem mais referências.
José
Tertuliano é apontado como o matador do cangaceiro que até pouco tempo atrás
era tido como DESCONHECIDO e que cuja identidade foi localizada, através de uma
matéria de jornal da época, pelo escritor e pesquisador Luiz Ruben F. A. Bonfim. Tendo sido o
cangaceiro identificado como LUIZ DE THEREZA.
A Paraíba
esteve representada em Angico.
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O CANGACEIRO E A MISSA
*Rangel Alves
da Costa
Esse pedaço de
história já foi contado, debulhado, peneirado e novamente contado, mas vou
debulhar novamente porque sem o seu mote não há como chegar ao final,
principalmente por que tudo começou quando a cruz se deparou com a espada e a
batina ameaçou a cartucheira de excomungamento sem fim. Vixe Maria!
Aquela mesma
história do encontro entre o sacerdote Artur Passos, da Paróquia de Porto da
Folha, mas na povoação de Poço Redondo para celebração de missa, e o Capitão
Virgulino Ferreira, o temido e terrível Lampião. O encontro entre os dois, na
casa de China de Poço e sua esposa Marieta, de impossível fiel descrição,
assemelhou-se mais ao encontro do acaso com o inesperado. Mas aconteceu.
A verdade é
que no ano dia 19 de abril de 1929, o Padre Arthur Passos, vigário de Porto da
Folha e região sertaneja, tendo chegado de sua paróquia a Poço Redondo em lombo
de burro, cansado e exausto logo procurou guarida no local de repouso de
sempre: a casa de China e Marieta. Chegou, foi acomodado num quarto, trancou a
porta e logo adormeceu. Descanso necessário porque logo mais celebraria missa
na igrejinha logo do outro lado da casa do casal sertanejo.
Mas no mesmo
dia, e chegando em direção à mesma moradia, eis que desponta Lampião e parte de
seu bando. Eita gota serena, e agora? Lampião batendo à porta da mesma casa
onde o acabrunhado vigário descansava, e agora? Seria o dia do Juízo Final? Não
era ainda o tempo do Apocalipse, mas naquele dia os ares sertanejos estavam
anuviados e carregados demais para um dia de sol.
Imaginem vocês
qual a reação do casal ante a chegada do mais famoso dos cangaceiros. Contudo,
não pelo fato da presença de Lampião e parte do bando, mas pelo que poderia
ocorrer acaso o Padre Artur de repente abrisse a porta do quarto e desse de
cara com rei do cangaço. Toda a preocupação do casal era essa, era de não saber
qual poderia ser a reação do sacerdote perante a presença do rei das caatingas,
daquele homem tido como sanguinário e algoz. Mas não somente isso. E qual seria
a reação de Lampião ante o inimigo do pecador?
Dona Marieta
começou a suar frio. China do Poço começou a avermelhar. As reações eram tão
aparentes que Lampião perguntou o que estava acontecendo. Então o casal juntou
forças e contou tudo. Mas ao invés de o mundo se acabar, o que se viu em
seguida foi algo verdadeiramente singelo e respeitoso. O rei cangaceiro
simplesmente pediu para ir bater à porta do padre, avisar que estava ali e, em
paz, queria somente cumprimentá-lo. Tudo resolvido para o casal e o cangaceiro,
mas não para o vigário, que quando soube de quem se tratava quase chamou os
canhões do mundo.
Impertinência
do padre, apenas isso. Demonstração de descabido orgulho e poder do vigário, nada
mais que isso. Ora, se um liderava sua paróquia, o outro liderava um sertão
inteiro. Ou alguém duvida disso?
Acabaram brindando o mesmo vinho de jurubeba e
sentando à mesma mesa para um desmedido regabofe sertanejo. Contudo, enquanto
comia e bebia, Lampião atinava em dar outro bote. Qual seria? Simplesmente
dizer ao padre que ele e seu bando tinham interesse em assistir missa. Como de
fato ocorreu.
Ante o pedido
do Capitão, e mais uma vez querendo afastar seu reinado de impuros e pecadores,
certamente que o vigário se fez de meditativo antes de responder. Nada disso
ele disse, mas não deixou de dialogar em pensamento acerca de outras situações
envolvendo Lampião e a igreja. Veio-lhe à mente a amizade entre o cangaceiro e
o Padre Cícero, a devoção daquele perante este. E também a conhecida
religiosidade de Virgulino, devoto de Nossa Senhora e jamais afastado de
orações. Por fim, aceitou.
Mesmo
reformada diversas vezes, a igreja daquela missa ainda está no mesmo lugar,
ainda se localiza na principal praça de Poço Redondo. Naqueles idos de 29,
enquanto os católicos sertanejos se apertavam nas laterais e na entrada, já
pertinho do altar, perante o vigário em fervor da liturgia, a cangaceirama a
tudo assistia, de modo silencioso, e alguns até com mãos unidas em oração. E
talvez numa passagem do Sermão da Montanha, o sacerdote quase gritou:
“Bem-aventurados os
que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos. Bem-aventurados os
que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados
sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal
contra vós por minha causa...”. Quando mais as bem-aventuranças falavam em
injustiça e perseguição, mais Lampião se agitava querendo falar. E disse, por
fim:
“Bem-aventurados
sejamos nós, homens incompreendidos e perseguidos pelo poder, caçados como
desumanos e emboscados como feras, pois eles têm o poder da traição, e nós
temos o poder da luta contra a injustiça”. E depois todos se despediram e cada
um seguiu seu destino.
Escritor
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O PODER DO OSAMA BIN LADEN
Por José Mendes Pereira
Hoje está completando 18 anos que os Estados Unidos descobriram o poder que tinha o terrorista Osama Bin Laden quando dentro de poucos segundos destruiu e matou aproximadamente 3.000 pessoas nas Torres Gêmeas de Nova York. Osama Bin Laden humilhou os Estados Unidos.
World
Trade Center. Torres Gêmeas - Aqui as Torres Gêmeas aparecem quando ainda não tinha acontecido o desastroso ataque do famoso terrorista Osama Bin Laden.
Osama bin Laden ajudou a fundar a Al-Qaeda, o grupo militante islâmico
notório pelos ataques de 11 de setembro de 2001, que mataram cerca de 3.000
pessoas. Osama foi morto em um ataque da Seal, a tropa de elite da Marinha dos
EUA, em 2011, enquanto estava escondido no Paquistão.
Hamza bin Laden filho e sucessor do Osama Bin Laden
Autoridades
dos EUA afirmam que Washington tem informações de que o filho e possível
sucessor de Osama bin Laden foi morto, informou a rede estadunidense NBC. Até o
momento, as autoridades forneceram poucos detalhes adicionais.
Nesta foto aparece um avião já pronto para furar uma das Torres. Um outro avião já tinha invadido uma Torre.
Veja em outro âmgulo o avião chagando para a destruição.
Aqui a gasolina dos aviões se espalaharam e o fogo subiu de vez.
Nesta foto, muito ermbora sem nitidez ver-se duas pessoa descendo para a morte.
Nesta parece ter sido uma montagem, porque eram apenas 4 aviões e um deles já tinha rasgado uma das Torres.
Aqui, o povo parou para ver a grande destruição causada
por um maluco chamado Osama Bin Laden.
Três
autoridades dos EUA que pediram anonimato disseram à NBC que Hamza bin Laden - filho do líder terrorista e
fundador da Al-Qaeda Osama bin Laden - foi morto. As circunstâncias de sua
morte, ou se houve envolvimento americano, não estão claras). - https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019073114318111-inteligencia-dos-eua-diz-que-hamza-bin-laden-filho-de-osama-esta-morto/
BABA VANGA: MÍSTICA QUE PREVIU ATAQUE A TORRES GÊMEAS FEZ
PREVISÃO SURPREENDENTE PARA 2018
Por Unews Brasil
Baba Vanga
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INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA.
Por Francisco Pereira Lima
Uma amostra da
extensa bibliografia sobre Juazeiro e Padre Cícero. Quem desejar adquirir:
franpelima@bol.com.br e Whatsapp 83 9 9911 8286.
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ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CANGAÇO
Por Wasterland Ferreira
Hoje, eu e os
confrades Itamar Da Silva Baracho e Luiz Ruben F. A. Bonfim, tivemos um
agradável e proveitoso encontro com o Mestre- Dr. Frederico Pernambucano de
Mello, onde entre outras coisas conversamos sobre a fundação do GECAPE - Grupo
de Estudos do Cangaço de Pernambuco.
O Dr. Frederico, tanto estará conosco no evento inaugural do GECAPE, a ser realizado no auditório da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, no próximo sábado, 21 de setembro de 2019, a partir das 13h:00, quanto proferirá importante e pertinente palestra sobre o ciclo histórico do Cangaço.
Convidamos a todos os interessados a estar conosco.
GECAPE - Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco.
Evento de abertura dos trabalhos a ser realizado no auditório da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.
Rua João Lira, S/N, Santo Amaro, Recife, Pernambuco. Referência: ao lado do Parque 13 de Maio, área Central do Recife.
Um forte abraço a todos.
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LANÇAMENTOS SANDRO LEE, TIRA DO EMBORNAL: PAULO AFONSO - HISTÓRIA E ROTEIROS DO CANGAÇO
O mais novo livro sobre o assunto já está saindo do forno e é autoria do pesquisador Sandro Leite Cavalcante. trata-se de Paulo Afonso - História e roteiros do Cangaço, que será lançado no próximo da 13 de setembro a partir das 19h na Casa da Cultura em Paulo Afonso - BA.
Diante de tantos outros trabalhos que foram feitos, eu tenho a honra de trazer nesse meu livro, fatos que até então não foram publicados em nenhum outro.
Como a dura busca, de meses em campo, para descobrir a verdadeira origem da cangaceira Neném de Luiz Pedro, e o sofrimento da família de Dadá, esposa de Corisco, na qual tenho a honra de narrar nesse trabalho, com fontes confiáveis.
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terça-feira, 10 de setembro de 2019
LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA
Sobre o escritor
Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.
O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.
Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.
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“TRÊS MULÉ PRA UM HOME SÓ”
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.178
Tivemos oportunidade, finalmente, de conhecer o trecho rodoviário por trás do Quartel do Exército, em Maceió. Inaugurado faz pouco tempo, tinha a finalidade de auxiliar o tráfego intenso da Avenida Fernandes Lima. Gostei bastante do que vi por ali. São essas obras de desafogo que fazem a diferença. Além do objetivo central, a beleza ornamenta o trabalho, tornando o trecho confortável e atraente. Muda-se a paisagem geográfica e, a cidade toma nova dimensão, sempre com um pé no apontado futuro.
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| (FOTO: MARCO ANTÔNIO/SECOM MACEIÓ). |
Assim o maceioense fica muito alegre quando é anunciada pela municipalidade, mais uma obra de grande monta. Trata-se da retomada da Ecovia Norte que ligará o Bairro Benedito Bentes ao Litoral Norte do nosso estado. A nova rodovia também aliviará a Avenida Fernandes Lima para quem trafega pela parte alta mais distante de Maceió em busca das cidades daquela região. Não mais precisará descer pelo Centro e cortará o trajeto pelo Bairro Benedito Bentes, chegando às praias seis quilômetros após o bairro. Caso tudo corra bem, o término dos trabalhos está previsto para o mês de junho do ano que vem. Segundo divulgação, o desempenho custará em torno de 22 milhões. Forene, Cidade Universitária, Eustáquio Gomes e os veículos que virão da Zona da Mata, serão os mais beneficiados por esse novo corredor de transporte.
A construção da Ecovia Norte vai contar com passeio, canteiro central e pista dupla, igualando-se em beleza com os últimos trechos com as mesmas finalidades, na capital. O desafogo, além da Fernandes Lima, também atingirá a Via Expressa, hoje com tráfego semelhante. Assim, aos encantos naturais da capital de Alagoas (recentemente eleita como a mais bela do Brasil) vão se somando às engenharias ornadas artificialmente.
Como dizia o poeta/compositor e cantor:
“Ô Maceió
É três mulé
Pra um home só...”
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SERTÃO CANGACEIRO
*Rangel Alves da Costa
Homens da lua e do sol. Gente do silêncio e da gritaria. Pessoas do rosário e do mosquetão. Sertanejos do suor e do sangue. Nordestinos da luta e da valentia. Andantes de veredas e caatingas. Viajantes de poeira e pó. Caminhantes na sede e na fome. Destemidos dos carrascais e das flores da jurubeba. Sonhadores de asas e de chão. Vultos de homens e almas penadas. Discípulos da sorte e da morte. Apaixonados de ser entregar de corpo e alma e pelo amor tantas vezes desalentados. Errantes de espinhos e sombras. Uns perversos, disse um. Uns justiceiros, disse outro. Debaixo do sol queimante, encobertos por calor de fornalhas, os cangaceiros seguiam com todos os olhos e ouvidos do mundo em atenção. Mas só Lampião percebeu. Indo à frente, levantou a arma no braço direito como sinal de aviso. Parem! Era o sinal. Quando levantou o outro braço e segurou no alto a arma com as duas mãos, o aviso mais importante estava dado. Prontidão para atacar! Então a cangaceirama se acoitou entre os tufos do mato, foi cautelosamente avançando e, enfim, o primeiro disparo. Mais um, mais outro, uma saraivada de balas. Gritos, gemidos, sangue jorrando no chão. Sertão, sertão!
E ainda hoje se canta:
Lá nos tempos cangaceiros
de catingueiras retorcidas
pelas cuspidas dos mosquetões
guerras de volantes e bandoleiros
acabando com mundo e vidas
ensanguentando os sertões
naqueles tempos assim
de tufos de mataria estalados
pela correrias em veloz afobação
parecia que tudo já era tempo de fim
na guerra de bandoleiros e soldados
mas enterrando de morte o sertão!
Naquele encontro entre cangaceiros e volantes, com bala zunindo pra todo lado, quando o sol raiou na manhã em meio a terrível cenário. Troncos recortados pelas balas, pedras chamuscadas de pólvora, sangue aqui e acolá, o mato rasteiro mais parecendo em devastação. Contudo, um estranho silêncio. Ou um terrível silêncio. Nenhuma voz, nenhuma pisada no chão, nenhum grito, nenhum sinal de vida. Urubus farejando uma carne morta, carnicentos em rasantes. Mas não havia sinal de morte. As marcas do sangue estavam ali, mas não havia sinal de morte nem de um nem do outro lado. O vento soprando fétido, agourento, como se quiser alguma coisa dizer. Talvez os cangaceiros já tivessem partido em debandada. Talvez a polícia volante já tivesse longe, muito longe, ante mais uma derrocada. A verdade é que o silencio é assustador. Mas de repente um grito, outro grito. Tiros, balas zunindo, estampidos pelo. Cangaceiros e volantes novamente digladiam nos sertões. É uma acabação de mundo. Páginas de um dia de um sertão sangrento.
E ainda hoje se canta:
Era no punhal e no cano de fogo
aquela vindita de ódio e terror
de um lado o opressor e do outro o oprimido
duas peças de um brutal e terrível jogo
mas sem vitorioso e também sem perdedor
causando padecimento apenas ao sertão sofrido
era entre a pedra e o tufo de catingueira
onde o medonho jogo era jogado
na base do encontro e da repentina fuga
antes que chegasse o zunido da bala ligeira
e fosse tombando gente por todo lado
como pé de pau caído e derretido em fogueira.
Assim aqueles sertões. Ou aquele sertão cangaceiro.
Escritor
blograngel-sertao.blospot.com
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O FOGO NO COITÉ EM MAURITI/CE (1922)
Por Volta Seca
A história do
cangaço é muito fascinante, e nem sempre cangaceiros, volantes e civis, que
foram às armas, em janeiro de 1922, quem pegou nelas foi o representante da
igreja, o Padre Lacerda. Este acontecimento se deu, na época que Lampião e seus
irmãos, eram simples cabras de Sinhô Pereira, e atuavam na região do Cariri
Cearense, a história é mais ou menos assim:
Após a morte
do Coronel Domingos Leite Furtado poderoso chefe político em Milagres (CE), no
ano de 1918, o seu braço armado, o Major José Inácio de Sousa, fazendeiro
abastado no município do Barro (CE), conhecido como Zé Inácio do Barro, passou
a assediar a família do falecido, reclamando que o Coronel Domingos Furtado
devia certa quantia a ele, por serviços prestados, o que produziu inimizades entre
as família Furtado e Zé Inácio do Barro.
Cabe, neste
momento, uma explicação: Zé Inácio era conhecido protetor de cangaceiros, assim
como outros coronéis no Cariri cearense, inclusive, Sinhô Pereira e seu bando,
estavam na folha de pagamento daquele Major, tendo, ainda, seu filho, Tiburtino
Inácio de Souza, vulgo Gavião, no bando de Pereira, isto denuncia, que nem
sempre a constituição de um cangaceiro, era por conta da pobreza.
Hilário
Lucetti e Magérbio de Lucena nos conta, em sua obra "Lampião e o Estado
Maior do Cangaço", que o Sítio Nazaré, da viúva do Coronel, D. Praxedes de
Lacerda foi assaltado, em Janeiro de 1919, por grupo de cangaceiros, comandado
por Gavião, filho do Major Zé Inácio do Barro.
Assim, após
ser denunciado como mandante do assalto, Zé Inácio, não esconde o feito, mas
diz que aquele dinheiro era dele, por anos de serviços prestados ao Coronel
Domingos Furtado, e ainda o chamou de ladrão, pronto estava aberta a questão
entre as famílias, principalmente na figura do Padre José Furtado de Lacerda,
ou simplesmente, o Padre Lacerda, pároco da Vila de Coité, pertencente ao
município de Mauriti (CE).
Insultos vão,
insultos veem, entre o Padre Lacerda e o Major Inácio do Barro e o certo é que
no dia 20 de janeiro de 1922, a pequena Coité é invadida, pelo grupo de Sinhô
Pereira, à frente com setenta cangaceiros. Entretanto, o Padre Lacerda, não
usava somente a Bíblia e terços em seus ofícios, era possuidor de rifle e um
bom contingente de homens, bem armados e municiados.
Segundo, o
escritor Sousa Neto, que biografou o major Zé Inácio do Barro a resistência
vinha da casa do Padre Lacerda, e sustentou o fogo por seis horas, forçando uma
retirada dos cangaceiro, ao chegar soldados da policia de Mauriti e Milagres.
Ainda, segundo
aquele autor, o bando de Sinhô Pereira fora atacado no dia seguinte, na Fazenda
Queimadas, por aquelas volantes, sendo necessário dividir o grupo em três, um
grupo com Lampião, outro com Baliza e o resto com o chefe Sinhô Pereira, desta
forma conseguiram furar o cerco, e seguir para o coito, no Barro. O saldo do
Fogo do Coité, foram três homens do Major, e diversos cangaceiros feridos,
inclusive Antônio Ferreira. Padre Lacerda não era fácil.
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A DEFESA DE JARARACA
Por Honório de
Medeiros
“Quem tudo
compreende, tudo perdoa” (Leon Tolstoi).
No dia 9 de junho de 2017, a partir das nove horas da manhã, em Mossoró, no
Fórum Municipal, atuei como advogado de defesa no júri simulado, sob a
presidência do juiz Breno Valério Fausto de Medeiros, que julgaria Jararaca.
Era a comemoração do aniversário da defesa de Mossoró ante o ataque do bando de
Lampião. A acusação ficou a cargo do advogado Diógenes da Cunha Lima.
Terminados os trabalhos o Conselho de Sentença houve por bem inocentá-lo por
seis votos a um (6X1). Segue, abaixo, o texto que norteou minha participação.
1. Esta é uma
história de perdão, não de julgamento. “Quem tudo compreende, tudo
perdoa”.
2. Antes,
entretanto, peço permissão às senhoras e senhores para mergulhar nas águas do
meu próprio passado.
3. Pois foi
aqui mesmo, nesta Mossoró libertária, que eu nasci e cresci, ao lado da Igreja
de São Vicente.
4. Ali ficava
a casa de Rodolpho, depois a de Alfredo, e em frente, a dos Hollanda. Do lado,
a de Joaquim Perdigão. Atrás, a de Pacífico Almeida. No final, a de Ezequiel
Fernandes. Era o chamado Bairro Novo, escassamente povoado. A todas essas casas
dominava a Igreja, à sombra da qual jogávamos bola e brincávamos de
bandeirinha, no mesmo chão que foi pisado pelos cangaceiros, dentre eles José
Leite de Santana.
5. Por que
estiveram ali? Por que atacaram Mossoró?
6. Por que
atacaram Mossoró?
7. Compilei
quatro teorias. José Leite de Santana é fundamental para que se entenda a
quarta teoria. José Leite de Santana, Ferrugem e Mormaço disseram que Lampião
nunca pensou em invadir Mossoró. José Leite de Santana abriu o jogo para Lauro
da Escócia. José Leite de Santana quis falar com Rodolpho Fernandes e não
deixaram. José Leite de Santana por isso mesmo foi morto.
8. Mas como
falar em José Leite de Santana sem falar no cangaço?
Como falar no cangaço sem
falar da época no qual o cangaço aconteceu? Como falar daquela época sem
recordar as condições de vida do sertanejo nordestino, fonte de onde o cangaço
emanou? Como falar dessa fonte sem entender a crucial diferença entre os
resignados e os que não se submeteram? Como abordar essa questão sem perceber
que dentre os que não se submeteram estão aqueles que tomaram o caminho do mal,
enquanto outros, o do bem? Como não compreender que nem sempre a opção pelo
caminho do mal foi algo ao qual se pudesse resistir, tamanha a incapacidade de
se ter, nas próprias mãos, o próprio destino?
9. Esses são
os outsiders, os irridentes, os insubmissos, os irresignados, os diferentes, os
revolucionários. Esses são o sal da terra, para o bem ou para o mal. Trágico
quando é para o mal, como no caso de José Leite de Santana; sublime, quando o é
para o bem, como no caso de tantos aos quais devemos nosso avanço enquanto
espécie.
10. O cangaço
é a história de rebeldes. Podemos subjugar rebeldes. Podemos condenar rebeldes.
Podemos matar rebeldes. Mas não podemos impedir que a memória de suas
existências acicate o nosso repouso envergonhado. O cangaço é a história de
homens que resolveram se vingar; de homens que não aceitaram serem escravos; de
homens que optaram por sobreviver SEM LEI E SEM REI, nos mesmos moldes dos
desbravadores dos nossos sertões, numa liberdade absoluta, uma liberdade de
fera, a liberdade da qual nos falou Hobbes em O Leviatã. O cangaço foi o último
suspiro dos desbravadores do Sertão, aqueles mesmos que disputaram a terra com
os índios ferozes, palmo a palmo, sangue a sangue, numa guerra contínua e
esquecida do resto do mundo. A guerra dos bárbaros.
11. José Leite
de Santana foi assim. Percebemos isso em seu olhar na célebre fotografia tirada
na prisão em Mossoró. Passei muito tempo olhando para a fotografia. Ali não
estava apenas o olhar de quem está ferido. Ali estava, muito mais que isso, o
olhar de quem foi subjugado à força, mais uma vez. É o olhar de uma fera de
quem tiraram sua liberdade. É o olhar de quem vai morrer.
12. José Leite
de Santana já nasceu subjugado, e contra essa subjugação lutou até o último
instante: nasceu bastardo, pobre, preto e desvalido. Um infame. Infame antes
mesmo de ser um homem mal.
13. Não se
trata de dizer que o meio fez a escolha dele. Não podemos cair nessa armadilha.
Ele escolheu seu caminho. Outros fizeram opções diferentes. O comum dos mortais
escolheu vergar sob o peso da escravidão diária. Pagou por isso. Mas antes
mesmo da escolha, o destino já o tinha jogado na lata de lixo dos dejetos
humanos.
14. Como julgar
José Leite de Santana com os nossos olhos? Um homem que não tinha o que comer,
se não chovesse, e não chovia; não tinha médico; não tinha dentista; não tinha
transporte; não tinha estudo; não tinha dinheiro; não tinha passado, não tinha
presente, não tinha futuro, não tinha nada.
15. Pois foi
este homem, refugo da vida, que nos permitiu levantar um pouco a cortina, o véu
que esconde a verdade dos fatos, morreu violentamente e o povo o transformou em
herói e o santificou.
16. Herói por
que ousou a coragem da loucura ou a loucura da coragem de viver sem lei e sem
rei, os últimos deles.
17. Santo por
que intercede, lá entre os acolhidos pela infinita bondade de Deus, pelos que
sofrem, para assim purgar as dores que causou neste mundo de miséria e
sofrimento.
18. Não é
possível ver-se nas intercessões dessa alma torturada a quem o julga lá no
Alto, em defesa dos que ficaram para lhes minorar a dor, um pedido de perdão
por todo o sofrimento que causou quando vivo?
19. Não é ele
um dos cainitas, dos quais nos falou Herman Hesse, um dos escolhidos por Deus
para ser as trevas que valorizarão a luz?
20. Por que
não podemos perdoá-lo, se perdoamos São Paulo; Pe. Cícero; Santo Agostinho;
Maria Madalena; São Longino, o chefe dos soldados romanos que, no caminho para
a crucificação de Jesus, perfurou o peito dele com uma lança?
21. Somente a
Santa Igreja pode, pelo Princípio Petríneo das Chaves, dizê-lo oficialmente
santo. Mas assim como Padre Cícero, para o povo, ele já o é.
22. Se o
condenamos hoje, condenamo-lo novamente; se o absolvemos estamos a ele
ofertando o nosso perdão.
23.
Reconstituamos os últimos dias de José Leite de Santana: 13 de junho, final da
tarde: é ferido; 14 de junho, pela manhã: é traído por Pedro Tomé; à tarde:
concede a célebre entrevista a Lauro da Escócia; o ordenança do sargento Kelé
tenta lhe arrancar o dedo, para ficar com um anel; 15 de junho: identifica os
cangaceiros na foto de José Octávio; 16 de junho: o Tenente Laurentino de
Moraes viaja para Natal; 17 de junho: o Tenente Laurentino volta de Natal; 18
de junho: o laudo cadavérico é assinado pelo Juiz Eufrásio Mário, pelo Tenente
Laurentino de Moraes e por Dr. João Marcelino; 19 de junho: manda pedir para
falar em particular com Rodolpho Fernandes; 20 de junho, naquela noite
tenebrosa, às 23 horas, mais ou menos, é assassinado sob a vista dos Tenentes
Laurentino de Moraes, Abdon Nunes e João Antunes; Sargentos Pedro Sylvio, João
Laurentino Soares, Eugênio Rodrigues; Cabos José Trajano e Manoel; soldados
Militão Paulo e João Arcanjo; motorista Homero Couto.
24. Coube aos
soldados o trabalho sujo, como coube quando mataram Lampião, na degolação de
Maria Bonita ainda viva. As volantes eram semelhantes ou piores que os
cangaceiros.
25. Dirá
depois Luiz da Câmara Cascudo: “Ferido de morte, acuado como uma fera entre
caçadores, impassível no sofrimento, imperturbável na humilhação como fora em
sua existência aventurosa e abjeta, herói-bandido, toda a valentia física e a
resistência nervosa da raça de índios e dominadores dos sertões, reviviam nele,
empoçado no sangue, vencido e semimorto. Aquela força maravilhosa, orientada
para o crime, dispersava-se lentamente..."
26. Absolvamos
o cangaço e perdoemos José Leite de Santana. Ou, melhor, perdoando José Leite
de Santana, absolvamos o cangaço.
Jararaca,
preso e ferido, na Cadeia Pública de Mossoró, algum tempo antes de ser morto
pela polícia, no cemitério de Mossoró, na noite de 20 de junho de 1927.
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