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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

RUA PEDRO BRANDÃO

 Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2020 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica: 2.420

A publicação de que Santana do Ipanema foi a segunda cidade de estado que mais gerou emprego no ano passado, é até motivo de alegria por parte dos santanenses. Embora lamentando a mínima convocação para ocupação de vagas no Brasil inteiro, não podíamos ressaltar o feito empregatício na Capital do Sertão. Quando olhamos para uma cidade sem indústria (motivos políticos) e vocacionada para o Comércio, a alegria é ainda maior, embora este não pague igual à indústria. Sempre estivemos analisando a expansão física de Santana, o seu progresso, a sua liderança, mas também os setores que precisam de medidas emergenciais e certos serviços capengas por falta de olhares administrativos.

E uma das coisas que chamávamos atenção, era a grande expansão comercial e prestação de serviços no todo. A Rua Pedro Brandão, principal artéria do Bairro Camoxinga e corredor que se tornou estreito para tanto movimento está sendo sufocado. Tanto é que famílias ali residentes, foram vendendo suas casas humildes ou não, e essas casas transformadas em comércio. O barulho do trânsito, de carros de som e muitos outras mazelas dos tempos modernos, estão botando para correr os residentes que procuram loteamentos, conjuntos e condomínios nos quatro pontos cardeais das periferias que se expandem como nunca. Sendo a Rua Pedro Brandão com um lado na parte alta e outro lado na parte alta (calçada alta), a parte baixa está “expulsando” as últimas moradias. A calçada alta, ruim para comércio, seguirá o mesmo destino, mais adiante.

Também já foi falado aqui a necessidade de abertura de novo beco seguindo o antigo beco da Igreja São Cristóvão, para desafogar o trânsito em direção à rua de baixo – fundos da Pedro Brandão – que possui acesso à BR-316, via expressa de Santana do Ipanema. A voracidade em busca de pontos comerciais em Santana, é enorme com vários grupos chegando de outras cidades e regiões, sendo a Rua Pedro Brandão via Maracanã o segundo comércio da cidade. Todos querem um ponto para um bar, uma lanchonete, uma casa de móveis, uma clínica, uma academia, casa de peças e um sem fim de coisas mais.

Quando o escritor Oscar Silva veio visitar sua terra, em 1950, já dizia que a Rua Pedro Brandão se estirava como cobra de borracha em direção ao cemitério Santa Sofia, na parte alta do Bairro Camoxinga.  Imaginem agora! Uma correria para sair residentes) uma correria para chegar (novos comerciantes).

Quem foi Pedro Brandão?

Saberia tu?

RUA PEDRO BRANDÃO RECEBENDO ASFALTO EM 2006 (FOTO: B. CHAGAS/Livro: O BOI, A BOTA E ABATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA).

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/11/rua-pedro-brandao-clerisvaldo-b.html

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DOCE AVENTURA – JUDEUS PORTUGUESES FORAM PROTAGONISTAS NO MUNDO DO AÇÚCAR, EM PERNAMBUCO, DURANTE O DOMÍNIO HOLANDÊS

Tânia Neumann Kaufman – Fonte – Revista Corrente nº 34, págs. 28 a 33.
Rua dos Judeus e seu mercado de escravos. Quadro Rua dos Judeus – Slavenmarkt, de Zacharias Wagener – 1641 – Fonte – http://bairrodorecife.blogspot.com.br/2014/02/a-rua-do-bode-dos-judeus-da-cruz-e-do.html

Nos séculos XVI – XVII,  na história das trocas comerciais intercontinentais, o açúcar brasileiro teve um papel fundamental na construção de um padrão cultural que definiu não só as fronteiras geopolíticas, mas, também – ao regular os espaços da produção, do consumo e da distribuição do produto, subordinados a leis e restrições religiosas – criou uma cultura singular com raízes na interculturalidade. Negros, índios, europeus de origem judaica e, principalmente os portugueses deixaram suas marcas num mundo dominado pela sacralidade da “salvação da alma” mesmo que mandando outras para o inferno do fogo da punição por heresia.

Expulsão de judeus – Fonte – https://lahistoriajudiadeandalucia.files.wordpress.com/2012/08/aenfardelar.jpg

Foi neste quadro que os judeus ibéricos entraram no mundo do açúcar. Mesmo na clandestinidade espalharam-se, multiplicaram-se, transformaram as terras desprezadas pela nobreza portuguesa em campos produtivos de cana. Construíram engenhos, fabricaram açúcar e colocaram-no na vasta rede de relações comerciais familiares baseadas na Europa não católica. Embarcaram o “ouro branco” para os portos mais importantes do mundo nas urcas holandesas e embarcações fabricadas em estaleiros de judeus. Eles tinham o dinheiro para financiar desde o plantio até a chegada à mesa do europeu e eram especialistas na tecnologia do fabrico do açúcar.

A força da cultura sefaradi deixou o seu legado na interação entre o mundo judaico e o mundo da cultura local. A cultura canavieira foi um meio de consolidação do poder colonial português nas terras brasileiras. Paradoxalmente, foi, também, a forma de fixação dos cristãos novos e judeus que fizeram destas terras tropicais seus novos lares. Aqui chegaram e aqui ficaram até hoje.

Engenho de açúcar no nordeste do Brasil Colonial.

Todavia, diante da extensiva presença deste grupo nos engenhos espalhados na região é justo acrescentar que foi determinante o papel daqueles personagens em toda a cadeia produtiva da economia açucareira. Já em meados do século XVI, a costa nordestina centralizava toda a atividade no Brasil. Pernambuco foi uma das mais bem sucedidas de todas as capitanias, graças à política do donatário Duarte Coelho nos processos de transferência recursos financeiros e agentes com habilidades especializadas vindos de Portugal, de Galiza e das Canárias.

Se nos anos iniciais a comercialização do açúcar ficou em poder dos portugueses e de alguns investidores alemães, no princípio do século XVII a maior parte do açúcar era transportada nas urcas holandesas, com destino aos portos do norte europeu.

Quadro do holandês. Frans Janszoon Post (Leyden, 1612 — Haarlem, 1680) mostrando o Brasil Holandês – Fonte – http://cultura.culturamix.com/arte/pinturas-de-frans-post

Desde 1630, os judeus portugueses de Amsterdã espalharam-se pelo Nordeste dedicando-se, sobretudo, aos negócios do açúcar, que, por muito tempo, foi umas das principais riquezas daquela região. Com o fim do domínio holandês e a retomada de Pernambuco pelos portugueses em 1654, uma nova “passagem” conduz um dos grupos de refugiados saídos do Recife até Nova Amsterdam – mais tarde, Nova Iorque. A razão foi a mesma: a intolerância pela qual seus ancestrais haviam sido expulsos da Península Ibérica. Só que, desta vez, além das singularidades do judaísmo na bagagem, o grupo levava o conceito de “cidadania”, apreendido e aprendido no curto espaço do tempo de Maurício de Nassau como governador do Brasil Holandês. Daqui partiram e lá ficaram, dando início. Congregação Shearit Israel, até hoje ativa.

Novos Personagens Emergem da Clandestinidade

É significativo o número de engenhos que tiveram o controle de cristãos-novos e judeus e o funcionamento disfarçado de sinagogas espalhadas pelas ruas da vila do Recife e seus arredores. Ribemboim, em um levantamento feito em 1995 lembra que, de preferência, as sinagogas eram erguidas nos engenhos¹. Recentemente, achados arqueológicos, numa área da mata sul, mostraram indícios da existência de um local de purificação espiritual (micvê) nas ruínas de uma antiga casa de engenho.

Barco holandês

Embora os vínculos religiosos e sócio-comunitários da população ibérica daquela época estivessem desfeitos com a passagem dos séculos, a teia cultural mostra-se, até hoje, resistente e unifica os sobreviventes através de novos personagens que emergem da clandestinidade se auto-identificando como descendentes dos antigos cristãos-novos. É possível haver uma relação com costumes e tradições de uma cultura e de uma língua herdada dos judeus ibéricos.

No nordeste do Brasil, eles foram gradativamente se incorporando como parte do patrimônio material e imaterial brasileiro. O professor Marcos Albuquerque, importante arqueólogo da Universidade Federal de Pernambuco relata que em suas viagens pelo interior do nordeste e norte do Brasil é muito comum ver túmulos nas margens das estradas, sem cruzes e com pedrinhas em cima, como é o costume judaico.

Soldados romanos carregando os despojos das guerras judaicas. A destruição de Jerusalém aconteceu em 70 D.C., quando as legiões romanas saquearam Jerusalém e retornaram a Roma com os despojos, daquela que era considerada a cidade mais rica no Império Romano – Fonte – http://www.bible-history.com/archaeology/rome/arch-titus-menorah-1.html.

Há também inúmeros relatos de pessoas que vivem no sertão mencionando, entre outros costumes, a forma de sepultamento de origem judaica, ou seja, o falecido é enterrado apenas envolto em mortalha sem caixão e sem símbolos (cruzes, por exemplo). Muitas vezes, estas pessoas enfatizam que foi um desejo exposto à família quando se percebiam próximos ao passamento.

Ainda existem os vestígios de antigas edificações que guardam parte dessa história. A Sinagoga Kahal Zur Israel, na antiga Rua dos Judeus no Bairro do Recife, o engenho Camaragibe no município do mesmo nome, a casa de Branca Dias em Olinda e tantos outros espaços físicos. O apego às tradições da kashrut (leis dietéticas judaicas) identificadas em denúncias contra os cristãos-novos do século XVI–XVII permaneceram, em muitos casos, de forma inconsciente nos costumes alimentares da população em Pernambuco e em outros estados do nordeste do Brasil.

Primeira sinagoga das Américas, em Recife – Fonte – http://culturahebraica.blogspot.com.br/2013/01/amazonia-terra-prometida-historia-dos.html

Muitas informações foram reveladas nas histórias contadas às autoridades religiosas da época. Nelas, o quadro figurativo do judaísmo aparece como religião e como cultura. Estilo de vida, competências linguísticas, crenças, hábitos alimentares, ritos, jeitos de viver, de morar, rezar, sepultar seus mortos, condenados como heresias pela ordem política e religiosa estabelecida representavam a forma preservada de um ethos que garantia a continuidade do grupo na história.

Por isso, valorizamos os conteúdos dos registros de denúncias na obra Primeira Visitação às Partes do Brasil. Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593-1595 cujos conteúdos historiam os fatos político-religiosos que regulavam o cotidiano da América Portuguesa. Nelas revelava-se que as práticas judaizantes eram realizadas no espaço privado do lar, dos engenhos e da vila, onde viviam os denunciados. Esta realidade vem sendo apreendida com técnicas da análise dos discursos dos entrevistados escolhidos para a pesquisa cotejando-se com as denúncias inquisitoriais. Assim, nas entrevistas realizadas com os “novos personagens” que formam uma nova/antiga categoria de judaísmo é que é conhecida a simbolização o que compõe a imagem, os traços, enfim, a essência cultural singular do grupo. Devemos lembrar os elementos preservados na cadeia de comunicação entre os judeus sefardim e a população com quem conviviam, na circunstância de não poderem ser expostos com seus conteúdos originais. Os “não ditos” ficavam no mundo da reserva mental, portanto fora do discurso explicito. Talvez por isso, os costumes foram tão enfatizados pelos seus portadores gerando o que alguns estudiosos chamam de “marranidade” ou “marranismo”.

Detalhe de quadro de Frans Post, mostrando detalhes de um engenho – Fonte – http://www.scielo.br

Ao visitarmos alguns engenhos ou o que deles restou temos o sentimento de “ouvir” o eco dos passos de pessoas que ali viveram seus cotidianos e suas práticas religiosas. Impossível não pensar na inquietação de um suceder de dias que oscilava entre a hostilidade ou o afrouxamento da vigilância e as estratégias para preservação do que hoje chamamos cidadania.

Estes fatos são importantes para compreendermos a dimensão cultural das raízes judaicas nesta parte do Brasil cuja ressonância alcança nossos dias com a emergência de novas identidades apoiadas em antigas heranças de um judaísmo exportado compulsoriamente da Península Ibérica para o Brasil.

VEJA MAIS POSTAGENS SOBRE TEMAS LIGADOS A JUDEUS NO TOK DE HISTÓRIA

https://tokdehistoria.com.br/2015/11/11/lei-pode-dar-cidadania-a-brasileiros-descendentes-de-judeus/

https://tokdehistoria.com.br/2015/05/08/diaspora-descubra-como-os-judeus-se-espalharam-pelo-mundo/

https://tokdehistoria.com.br/2014/03/23/sobrenomes-de-judeus-expulsos-da-espanha-em-1492-veja-se-o-seu-esta-na-lista/

https://tokdehistoria.com.br/2012/04/18/a-expulsao-dos-judeus-de-portugal/

https://tokdehistoria.com.br/2015/06/08/the-first-synagogue-in-the-americas-itamaraca-1634/

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

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O ESTUPRO DO SABIÁ E O JUSTIÇAMENTO DO CAPITÃO - CONTOS DO CANGAÇO - CANGACEIRO LAMPIÃO

 Por Contos do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=EZT2RHlyKfs&ab_channel=ContosdoCanga%C3%A7o

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NÃO SE SERVE A DOIS SENHORES - CONTOS DO CANGAÇO - CANGACEIRO LAMPIÃO

 Por Contos do Cangaço
https://www.youtube.com/watch?v=rIEqtkKCNaM&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1sYADjq84cQ_gwN8G2wV7mucY24Qq443UnOyMKCuq1uXHKwpBTgGP6_4s&ab_channel=ContosdoCanga%C3%A7o

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O BAÚ QUE LAMPIÃO ABRIU PARA SAQUEAR

Por Giovane Gomes 

Um baú com mais de 100 anos, que Lampião e seu bando abriram ele para saquearem os objetos. Hoje guarda a história do Cangaço contada por pesquisadores sérios.

Meus livros do cangaço.

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DOIS BAIRROS NOVOS EM SANTANA DO IPANEMA

 Por Clerisvaldo B, Chagas, 1 de dezembro de 2020 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica: 2.428

 

Fomos “olhar de perto para contar de certo” a expansão de Santana no sentido Santana – Olho d’Água das Flores. Essa é a informação para aqueles que estão ausentes da terrinha. Dois bairros novos vão surgindo às margens da AL-130, tanto de um lado quanto de outro. O primeiro está se erguendo originário do loteamento LUAR DE SANTANA (Colorado) Na primeira curva da AL-230 em direção a Olho d’Água das Flores. Trata-se de uma colina onde havia uma granja e lugar chamado Lagoa do Mato. O casario tem inicio à beira da AL-130 e sai subindo a colina até atingir o topo do loteamento a 335 metros de altitude. O panorama ali é deslumbrante. Vê-se ao longe o centro da cidade, inclusive a Igreja Matriz de Senhora Santana, por cima da mata que circunda o Luar de Santana. (Direção Oeste).

Ainda existem belas paisagens em direção Leste e Norte, mas quem passa pela AL-130 nem imagina que ali está sendo formado um bairro de elite com belas e modernas residências. Já está sendo habitado pelas classes média e média alta e em breve será o bairro nobre de Santana do Ipanema. Como diz o dito popular, a paisagem do topo é simplesmente de “tirar o fôlego”. Fala-se que um hotel fazenda está sendo planejado na baixada da mata que circunda o LUAR.

O outro bairro fica no sopé, a barlavento, do serrote do Gonçalinho também chamado serra do Cristo ou da Micro-ondas. Teve início com algumas casas simples com o império de pobreza extrema, mas inúmeras residências surgiram ao longo do sopé, ao lado da subida ao topo e também no antigo Cipó, sítio rural que foi engolido pela urbanização como víamos anunciando há muito. Em um futuro próximo até o outro sítio rural, Curral do Meio, deverá seguir o mesmo destino do Cipó.

Entre um e outro bairro já existe um intenso comércio e serviços ao Longo da AL-130: churrascaria, loja de construção, posto de gasolina, hipermercado e até presença do campus Instituto Federal de Alagoas, IFAL.  No lugar onde a vegetação ainda não foi tocada, no serrote, a mata se desenvolveu bastante, mostrando árvores de boa altura nessa face mais úmida do relevo. O cimo da micro-ondas   guarda uma bela vista parcial de Santana do Ipanema.

Os Bairro do Gonçalinho e Luar de Santana, atestam com clareza os novos caminhos da Rainha e Capital do Sertão. Viche!

VISTA DO BAIRRO LUAR DE SANTANA AINDA QUASE VIRGEM (FOTOS: B. CHAGAS/ÂNGELO RODRIGUES).

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PROVAÇÃO, RESISTÊNCIA E LONGO AMOR.

 Por João Filho de Paula Pessoa

Em 1930, Moreno trabalhava na fazenda do Sr. Antonim, em Pernambuco, certo dia chegou lá o Bando de Virgínio, de apelido Moderno, composto por ele, Luiz Pedro, Maçarico, Fortaleza e Medalha e deixaram com Moreno um recado para seu patrão de que voltariam em breve para pegar duzentos mil réis. Ao retornar, o bando trazia consigo um coiteiro amarrado, que os teria traído. O bando recebeu o dinheiro e ficou três dias acampado na fazenda, com o refém, Moreno se aproximou e conviveu estes dias com o bando. Na partida dos Cangaceiros, Moreno manifestou vontade de acompanhá-los, pois já era foragido da polícia. Moderno então lhe impôs uma provação de valentia para seu ingresso, que seria matar o coiteiro traidor. Moreno mirou uma arma no peito do refém e atirou, matando-o friamente, sendo então aceito no bando. Luiz Pedro deu-lhe o apelido de Moreno, vez que seu nome era Antônio Ignácio, e assim, seguiu no grupo. Logo após, Durvinha, também entrou no bando como mulher do chefe Moderno, formando um bonito e amoroso casal. Em 1936, Moderno foi morto em combate e o bando começou a se dispersar, Moreno levou Durvinha a uma estrada para que ela retornasse à sua família, na despedida perguntou-lhe se ela queria seguir no cangaço em sua companhia, proposta que ela aceitou e assim retornaram à caatinga, ele reagrupou o bando novamente e assumiu a liderança com firmeza e valentia, seguindo em frente naquela vida nômade e clandestina. No dia da Morte de Lampião, em 1938, eles estavam em Mata Grande, distante 70 km da emboscada. Apesar da morte do capitão e o declínio do cangaço seguiram firmes, sem se entregar. Em 1940, com a morte de Corisco, resolveram então fugir, despojaram-se de suas armas e adereços do cangaço, esconderam na caatinga e seguiram para Minas Gerais, onde viveram no anonimato por sessenta e cinco anos, além do tempo de Cangaço, trabalharam, tiveram filhos e viveram em paz, num pacto de silêncio sobre o passado. Em 2005, pressentindo a aproximação da morte resolveram contar seu segredo à seus filhos, que impressionados, tornaram pública aquela história de sobrevivência, com registros em na mídia, reportagens e livros. Durvinha e Moreno viveram juntos por setenta e dois anos, ela faleceu em 2008 com 92 anos e ele em 2010, com 99 anos, na mais longa história de amor do cangaço. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza, 20/12/2019.

Assista este conto em vídeo - https://youtu.be/NEJ4N3KsHjo

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AVISO DO CAPITÃO SE NÃO USAR JÁ SABE, NÉ?

Por Adelsomota 

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COCOTA SERESTEIRO DE MOSSORÓ

Por Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Meu amigo Mendes, a música é tudo em nossas vidas, pois ela toca em nossa alma leve como uma pluma ou ás vezes forte como um vendaval, é doce como mel, mas também amarga como fel, a música nos faz rir e também chorar. Ela em sua essência natural invade nossos corações dando a ele uma certeza, uma dúvida ou uma esperança incerta, mas na realidade além da tristeza a música nós traz alegrias e lembranças. Meu caro Professor Mendes, a música é remédio que cura a dor e o tédio, mas também é um doce veneno que suave como o sereno nos mata sem perceber, enfim a música é como o cedro que perfuma o fio do machado que o exterminou. Ah! Meu amigo, ouvindo a voz deste autêntico cantor e compositor Lupicínio Rodrigues, a gente sente o céu descer sobre nós, desta forma eu imagino os deleites do povo de Mossoró que outrora teve o privilégio de ter em meio a sua sociedade, um seresteiro do calibre do saudoso "Cocota". 

Cocota irmão dos cantores: Carlos André, Hermelida Lopes e João Mossoró  antigo Trio Mossoró 

Mestre Mendes, às vezes nós não conseguimos compreender como tais fenômenos tão maus acontecem com pessoas boas e amáveis que só nos proporciona alegrias e felicidades. Eu como pintor, escritor e poeta só consigo entender de uma forma. Deus em sua imensa sabedoria poder e bondade,  gostou mais do Cocota do que nós e assim o arrebatou para o céu para ficar junto de si, daí ele pode deleitar-se ao dormir embalado com o timbre de sua suave voz, e no outro dia despertar com a doce melodia de suas músicas, e também apreciar nas frias noites celestiais, as mais belas serenatas ao som do seu encantado instrumento musical.

https://www.youtube.com/watch?v=Ak-Wes7CEhE

E! Querido Professor, só nos resta a lamentar esta triste perda de outrora. Mas quem sabe um dia em uma morna madrugada de abril, Deus permita que ele volte só por um instante e nos blinde novamente com sua voz, só por um momento em uma esquina qualquer numa certa rua de Mossoró.

 Enviado pelo autor: Cabo Jorge

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PAULO GASTÃO

 Por Aderbal Nogueira

Paulo Gastão e Aderbal Nogueira

Paulo Gastão e SBEC não tinham uma ligação, pois no fundo eram uma coisa só. Essa semana vamos conhecer um pouco desse Cabra que abriu as porteiras do mundo do cangaço para muita gente e com certeza deixou muitas saudades para aqueles que tiveram o privilégio de tê-lo conhecido.


https://www.facebook.com/

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DOCUMENTÁRIO SOBRE LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO

 Por Vale Jaguaribe

https://www.youtube.com/watch?v=bQvLD5FLbXw

O Repórter Nelson Faheina esteve em Serra Talhada-PE, município onde Lampião nasceu, conversou com populares, e visitou a casa onde ele morou com a família, acompanhe a reportagem.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

DA RELIGIÃO AO ÁLCOOL: 10 PECULIARIDADES SOBRE LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO

 Por André Nogueira

Capitão Lampião, o pernambucano Virgulino Ferreira da Silva - Wikimedia Commons

Virgulino Ferreira da Silva é um dos maiores símbolos do nordeste brasileiro. Líder do movimento cangaceiro, essa figura é essencialmente polêmica desde sua época, sendo um bandido inescrupuloso para uns e um justiceiro heroico para outros. Nascido em 1898 na cidade pernambucana de Serra Talhada, Lampião morreu numa emboscada policial contra os bandos em 1938, na Gruta dos Angicos (Sergipe).

Conheça 10 curiosidades sobre o Governador do Sertão.

1. O Governador

Com certa arrogância e egocentrismo, Lampião costumava dizer que seu sonho era ser governador de um novo Estado sertanejo alternativo formado pelas regiões que tinha mais influência, com porções dos Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

2. Fé e alma

Lampião era um homem profundamente religioso e supersticioso, sendo praticante do catolicismo clássico sertanejo, relacionado às forças da natureza. Respeitava inevitavelmente os padres, principalmente Padim Ciço, que considerava seu padroeiro. Todo meio-dia, parava para rezar e praticava jejum de sexta-feira. No centro de sua fé, estava a proposição de que seu corpo estava fechado contra o mal.

Benjamin Abraão faz acordo de acompanhar e recordar em fotos o bando de Lampião / Crédito: Wikimedia Commons

3. Parteiro

Com o aumento da frequência de mulheres nos bandos do cangaço, o número de partos também cresceu. Como não havia médicos prontificados, o próprio Lampião aprendeu e realizava os procedimentos, usando as técnicas que conhecia da época em que cuidava de gado bovino. Porém, tudo isso ocorria em condições bastante insalubres e com tratamento pouco delicado.

4. Princesa do Cangaço

Lampião e Maria Bonita tiveram uma filha em 1932, de nome Expedita. Como de costume no cangaço, foi necessário decidir o destino da criança, e como não se queria que a menina crescesse na bandidagem, ela foi entregue a um aliado do Rei do Cangaço para que ela tivesse como tutor o tio, João Ferreira. Isso tudo ocorreu no sigilo e o caso foi tratado como uma espécie de Segredo de Estado.

5. Fisionomia

Em uma reportagem do jornal O Ceará em 1926, um repórter descreve o Rei do Cangaço em sua passagem por Juazeiro do Norte. Segundo o relato, Lampião era magro de pele escura, com cabelos fartos e pretos, chapéu de feltro e sem enfeites e alpargatas de couro, do tipo vaqueiro. Usava um lenço verde no pescoço, com um anel segurando. Além desse, mais seis anéis pelas mãos, com pedras preciosas, além de um rifle, uma pistola e um punhal.

6. Álcool

Era muito comum no cangaço noites de bebedeira e diversão. Porém, Lampião não era muito afeito ao consumo de álcool, apesar de gostar particularmente do conhaque. Mesmo assim, não bebia muito.

7. Gosto pelas letras

Lampião interrompido ao ler o jornal O Globo / Crédito: Benjamin Abraão Botto

Apesar de não ter a melhor leitura do mundo Lampião gostava de parar para realizar leituras, principalmente jornais que pegava rumando entre cidades. Seu maior gosto era ler reportagens feitas sobre ele mesmo nos periódicos, além de revistas que vinham de São Paulo e Rio de Janeiro. Costumava levar horas lendo ou ouvindo o que alguém lia para ele.

8. Cangaceiro perfumado

Numa situação em que os banhos eram uma raridade Lampião usava perfumes de boa qualidade e em grandes quantidades. Gostava de roubar perfumes caros e importados nas capitais, que juntava com o cheiro de suor e da brilhantina usada no cabelo, criando uma mistura de cheiros única e que virou uma marca do cangaço. Há relatos de banhos de perfume generalizados, que chegavam até nos animais de tração para melhorar o cheiro do bando.

9. Poderes sobrenaturais

Para muitos volantes e policiais Lampião genuinamente possuía superpoderes, pois era inconcebível a forma como ele conseguia fugir e deixar nenhum rastro de sua presença. Porém, o segredo do Rei do Cangaço era a estratégia, pois ele comandava o bando em ações geniais em que apagava todas as evidências de sua presença, como apagamento de pegadas e até andar de trás para frente para confundir os perseguidores.

Bando de Lampião de divertindo / Crédito: Benjamin Abraão Botto

10. Munição desviada

Um motivo de discussões até hoje é a fonte de munição (que era usada sem muita economia) do bando de Lampião. Para nunca perder a origem das balas, o cangaceiro nunca permitiu que ela fosse descoberta. Porém, é possível afirmar que essa origem tem base nas ligações que Lampião tinha com os poderosos do sertão e do agreste. Associado com fazendeiros, políticos, coronéis e comerciantes, torna-se intuitivo pensar que esses contatos lhe forneciam munição.

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CORISCO UM CABRA DE CONFIANÇA DE LAMPIÃO

 Por NAS PEGADAS DA HISTÓRIA

https://www.youtube.com/watch?v=RzLdmX3DSbc&ab_channel=CanalFutura

NAS PEGADAS DA HISTÓRIA

Corisco foi o chefe do ultimo bando de cangaceiros a ser extinto. Com a morte de Corisco, o Nordeste brasileiro virou a triste página de mortes e sofrimento que o cangaço trouxe ao povo pobre e sofrido do Nordeste. 

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Fonte: Livro cangaceiros de Lampião "de A a Z"

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HISTÓRIA DO CANGAÇO: ENTREVISTA COM A FILHA E COM A NETA DE LAMPIÃO

 

https://www.youtube.com/watch?v=U46_H5AK_Y8&ab_channel=ViajanteIndependente

Viajante Independente

Reportagem: exposição Cangaceiros. Foram entrevistados: Expedita Ferreira (filha de Lampião), Vera Ferreira (neta de Lampião) e Ricardo Albuquerque (organizador da exposição). Matéria do repórter Fábio Monteiro, exibida em 10/02/08, no programa Viva Fortaleza, da TV O Povo -- emissora afiliada à TV Cultura em Fortaleza, Ceará.

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A VEZ DO RIACHO ESQUECIDO

 Clerisvaldo B. Chagas, 30 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.427

Quando o escritor disse que nenhum geógrafo do Brasil lembraria daquele riacho solitário em que nascera, errou na sua profecia e acertou nas entrelinhas do seu desejo. Esse geógrafo já cantou e decantou o riacho João Gomes, afluente do rio Ipanema, inclusive decifrando sua denominação: riacho das beldroegas. Uma vez descoberto e decantado, chegou o momento de visitas e transformações importantes na sua barra (foz, desembocadura, desaguadouro). Máquinas já estão trabalhando no seu leito e imediações, onde o riacho esquecido do escritor santanense Oscar Silva imperou solitário por centenas de anos seguidos. É que o sítio rural Barra do João Gomes fora origem dos seus familiares, isto é, da família Pio.

Teve início a obra prometida pelo saudoso prefeito Isnaldo Bulhões: a barragem do João Gomes, que será a maior obra hídrica do município. Pena ter havido desgaste nos meios políticos e institucionais devido a entendimentos prévios em que houve descontentamentos de moradores do lugar, referentes à valores indenizatórios. Mas isso é coisa em que partes interessadas e justiça chegarão a bom termo, não temos dúvidas. O riacho temporário irriga

grande número de sítios na zona rural como o Tingui, Lagoa do João Gomes, Batatal e o próprio Barra do João Gomes. Corta a AL-130 e escorre dentro da Reserva Sementeira, do governo estadual, a 3 km do centro da cidade. Veia d’água importantíssima para os agropecuaristas, rebanhos e fauna da caatinga santanense.

Com a construção da maior barragem do município, haverá psicultura, água para o rebanho da região, lavoura irrigada e fonte para caminhões-pipa durante as estiagens. Segundo divulgação, a obra criará 300 empregos diretos e indiretos, mão-de-obra local e compras no comércio da cidade, fazendo o dinheiro circular nesse final de ano. Pela dimensão da obra, sua realidade poderá fazer parte do roteiro turístico que estar sendo implementado e até ser criado muitas novidades no seu entorno.

 Infelizmente, aqui no sertão nordestino, estaremos sempre a precisar de fontes e mais fontes de armazenamento d’água. Porém, cada fonte poderá ser transformada em variados atrativos.

 “Dê-me um limão e eu o transformarei em limonada”

CÂNION NO RIACHO JOÃO GOMES SOB PONTE NA AL-130 (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO).



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CÂNIONS

 Do Acervo do Beto Rueda

No Brasil, existem cânions em diversos locais do território, formando feições de beleza singular. Uma área rica nesse sentido, diz respeito ao leito do Rio São Francisco situado na divisa dos estados da Bahia, Alagoas e Sergipe. Nessa região existem três grandes cânions, que expressam situações geológicas diferenciadas. Trata-se dos chamados “Cânion do Rio São Francisco”, “Cânion do Xingó” e “Cânion do Talhado”. Para entender os mistérios e segredos dessas feições, faz-se necessário falar como se forma os cânions. Os cânions são formas de relevo que apresentam vales profundos, representando paisagens impactantes. 

Eles resultam da ação da água sobre as rochas da superfície da Terra ao longo do tempo geológico, a qual vai lentamente desgastando o material rochoso e cavando os vales. Ao mesmo tempo em que a água, na forma de rios, vai erodindo as rochas, frequentemente ocorre, simultaneamente, um soerguimento da crosta terrestre, que está sempre em movimento. O soerguimento resulta em maior incisão fluvial, de forma a aprofundar o vale. Esse trabalho de erosão fluvial (ação externa) e atividade tectônica (soerguimento das rochas, ação interna) leva em geral alguns milhares de anos, por vezes milhões de anos, e resulta na formação de dois paredões verticais delimitando o leito dos rios, eis a origem dos cânions. 

A atividade turística na área é intensa, e vem de longa data, quando os principais atrativos eram a Cachoeira de Paulo Afonso e a cidade de Piranhas, em Alagoas, que registra parte da história do cangaço. A barragem da Usina Hidroelétrica de Xingó, inaugurada em 1994, viabilizou a navegabilidade, fato que impulsionou o turismo de forma exponencial, sendo os principais atrativos os passeios de barco e os agradáveis banhos nas águas verdejantes do lago artificial. As cidades da área dos cânions contam hoje com uma boa infraestrutura hoteleira, sendo ainda um atrativo à parte a visita à vinícola Miolo, que instalou uma filial na região.

Fonte: econordeste

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LAMPIÃO TINHA SETE FÔLEGOS?

 Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=2ky2K49m6Os&ab_channel=FolhaPE

Não se sabe quantas invencionices ainda serão criadas daqui para frente sobre a morte do famoso, perverso, sanguinário e rei do cangaço capitão Lampião. São histórias totalmente fundidas na mente de quem não tem nenhum compromisso com a verdade, quase sem pé e sem cabeça, assim como diz o dito popular, que Lampião escapou do ataque feito pelas volantes policiais aos cangaceiros na Grota do Angico, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Fazenda Forquilha, em terras de Porto da Folha, hoje denominada Poço Redondo, no Estado de Sergipe. 

Corpo de Lampião na Grota do Angico no dia 28 de julho de 1938

Os criadores de histórias sobre o rei do cangaço capitão Lampião dizem que, ao sair da Grota do Angico  o facínora tomou rumo para o Estado de Minas Gerais, e por lá, morreu de morte natural no ano tal, tal e tal. Todas estas histórias já inventadas são verdadeiras "aberrações", assim como diz o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira.

Se você quiser adquirir este livro entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

Já falaram tanto da sua morte e que muitos destes não pesquisaram absolutamente nada, inventaram o que bem quiseram, que Lampião morreu ali, acolá, menos na Grota do Angico. Mas nós que estudamos o movimento social dos cangaceiros acreditamos plenamente, que ele foi abatido lá na Grota naquela madrugada triste do dia 28 de julho de 1938.  

Ninguém mais conta a verdade do que os pesquisadores, escritores e cineastas que fazem os seus trabalhos com seriedades, que enfrentaram e ainda continuam enfrentando os cerrados e a caatinga para fazerem as suas pesquisas, apanhando os dados na fonte, isto é, no meio de quem presenciou todo desenrolar dos perversos e sanguinários bandidos nos sertões nordestinos. 

As datas da morte de Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião apontadas pelos depoentes, nenhuma bate com as outras que foram citadas por outros criadores de histórias fantasiadas, mas isto faz parte  de  qualquer estudo, simplesmente por quererem aparecer no mundo cultural. 

Neli Conceição filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha e José Geraldo Aguiar.

O saudoso escritor e fotógrafo José Geraldo Aguiar que nasceu na Vila do Morro (município de São Francisco), em 16 de outubro de 1949, e escreveu um livro sobre o suposto Lampião que residia em Buritis, no Estado de Minas Gerais, revela que ele morreu no ano de 1993. 

Vamos ler estes pequenos parágrafos que escreveu o autor: 

(...)

"Há quatro anos e meio, Aguiar recolhe dados sobre um fazendeiro, dono de 300 hectares, que se instalou no início dos anos 50 na margem esquerda do rio São Francisco, na cidade que leva o mesmo nome do rio, em Minas Gerais. Alguns fatos estranhos cercaram a vida do fazendeiro. Aguiar identificou pelo menos dez nomes diferentes usados por ele. Tanto que o conheceu como João Lima, os amigos tratavam-no por Luís, na lápide do cemitério está escrito Antônio Teixeira Lima e na certidão de óbito consta o nome Antônio Maria da Conceição.

O fazendeiro morou em pelo menos 15 cidades diferentes com Maria Lima (supostamente Maria Bonita), em quatro Estados (Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Goiás) - além de São Francisco, ele morou em Montes Claros, Irecê e Buritis, entre outros municípios. A tendência foi sempre morar às margens do rio São Francisco. 

Com Maria Lima teve dez filhos, o mais velho hoje com 63 anos. Em uma viagem à Bahia, conheceu Severina Alves Moraes a Firmina, com quem teve uma filha, hoje com 22 anos. Depois da morte de Maria Lima, o fazendeiro passou a morar com Firmina.

Segundo Aguiar, o fazendeiro temia represálias pelos crimes atribuídos a Lampião e, por isso, além de se esconder durante todo esse tempo, só autorizou que sua história fosse contada após sua morte".

(...)

Uma pergunta que jamais será respondida vez que o escritor já faleceu: Por que o fotógrafo José Geraldo Aguiar pediu às autoridades mineiras o direito de exumação dos restos mortais do suposto Lampião de Buritis, quando seria bem mais fácil colher o material necessário para o "DNA" com a filha de Severina Alves Moraes a Firmina, que é ou era também filha do Lampião de Buritis? Confira clicando no link abaixo:

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/11/13/brasil/22.html#:~:text=Segundo%20Aguiar%2C%20o%20suposto%20Lampi%C3%A3o,%2C%20em%20Buritis%20(MG).:


Para fazer o "DNA" dos restos mortais deste senhor que foi enterrado em Buritis no Estado de Minas Gerais não seria tão difícil, porque a filha do suposto Lampião com Severina Alves de Morais a Firmina que por lá reside, tem o material necessário, sem necessidade de abrir túmulo para fazer a exumação da ossada dele. 

Mas até hoje a gente não sabe o que é que impede que as autoridades não têm interesses para colocarem um ponto final nesta dúvida, que o cangaceiro capitão Lampião teria morrido em Buritis, e não no Sertão nordestino, no Estado de Sergipe. 

Colorida por Rubens Antonio. - 
Foto feita pelo Benjamin Abraão.

Este outro senhor abaixo, ex-volante que aparece no vídeo acima, no início do texto, de nome Andrelino Pereira Filho, que serviu entre o ano de 1922 e 1938, na Corporação policial do Estado de Pernambuco, e é o único policial ainda vivo (não sei se já faleceu porque a entrevista foi em 2018), do período da chacina aos cangaceiros na Grota do Angico, afirma que o capitão Lampião morreu no ano de 1963, numa  propriedade denominada "Fazenda São Francisco", lá no Estado de Minas Gerais.

Andrelino Pereira Filho, único policial ainda vivo com 104 anos em 2019.

No vídeo, o sargento aposentado Andrelino diz que foi um amigo seu que falou da morte do capitão Lampião, e que  naquele momento que lhe falara, ele estava vindo do seu enterro.

As suas informações não têm segurança, porque elas não detalham o lugar do sítio da fazenda onde supostamente o capitão Lampião teria falecido, e nem tão pouco a cidade deste sítio. Toda fazenda pertence a um sítio, e todo sítio está localizado nas terras de uma cidade, e qualquer cidade tem o seu Estado. O Estado foi dito que era em Minas Gerais. E por que o sítio e a cidade não foram revelados pelo policial aposentado?

O seu Andrelino fala também que Lampião passava em sua casa para tomar café, e chamava a sua mamãe de comadre. Mas depois ele percebe que foi muito além da verdade, e tenta se livrar do que disse ao cineasta sobre o capitão, e fala que eram os cangaceiros que passavam por lá, não Lampião, porque ele só andava sozinho. 

Pelo o que eu sei e aprendi no estudo sobre os cangaceiros o capitão Lampião não andava sozinho, sempre estava rodeado de facínoras, como vive uma abelha-rainha de uma colméia, que ali está segura pelas suas comandadas. Assim era o rei do cangaço, que em todos os lugares que estava, ou mesmo nos locais que fazia o seu amado coito, no intuito de descansar da fadiga e fazer seus planejamentos de invasões aos sítios, propriedades e até mesmo em pequenas cidades, o capitão permanecia rodeado de desordeiros.

Por respeito ao senhor volante policial, pela sua idade além dos 100 anos vividos, e principalmente pela respeitada e gloriosa corporação da polícia militar do Estado de Pernambuco, que ele pertenceu, e não quero aqui tirar os méritos do seu Andrelino, mas tenho a dizer que, me parece ser invencionice as informações que ele cedeu ao cineasta que fez as suas gravações.  

O disse me disse é uma expressão que se relaciona a boatos não verdadeiros. Assim fez o policial seu Andrelino, que acreditou cegamente no seu amigo, que disse que vinha do enterro do capitão Lampião. O policial ouviu um chocalho tocando, mas não procurou saber bem o local que estava o animal chocalhado.

Suposto Ezequiel Ferreira da Silva

O caso do suposto Ezequiel que morava no Piauí e que em 1984 chegou à Serra Talhada, antiga Villa Bella, no Estado de Pernambuco, se dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão mais novo dos Ferreiras, e que tinha ido lá tirar seus documentos para uma possível aposentadoria, disse que Lampião morreu no ano de 1981, mas lamentavelmente, as suas informações, para mim e para os que pesquisam a vida criminosa do capitão, nada verdadeira, tudo mentira. 

O cineasta José Geraldo Aguiar escreveu em seu livro Lampião, O Invencível..., que a data do falecimento de Lampião foi em 1993 em Minas Gerais. O seu Andrelino confirma a morte do capitão em 1963, também em Minas. Já o suposto Ezequiel Ferreira diz que o seu irmão (caso seja) Lampião faleceu no ano de 1981. Mas os cangaceirólogos afirmam com convicção que Lampião morreu na Grota do Angico no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de julho de 1938, que realmente é a pura verdade.

Cabeça do capitão Lampião. Você acha que não é?

E de quem seria esta cabeça que foi arrancada do corpo de um indivíduo  e levada para Alagoas, no dia da chacina feita contra aos cangaceiros que se encontravam na Grota do Angico? Já que insistem em dizer que ele não foi morto lá na Grota, teria sido assassinado um outro indivíduo, digamos assim, um infeliz sósia do capitão Lampião, levaram-no e lá amarraram-no para aguardar o momento certo do ataque aos facínoras? 

Lampião e Maria Bonita. - Foto feita pelo Benjamin Abraão.

Mas é assim mesmo. Cada um cavaleiro com o seu cavalo no hipódromo em posição de corrida. E quem lá não estiver presente, não será famoso em lugar nenhum. Assim foi o policial aposentado seu Andrelino Pereira Filho que levou o seu cavalo e o posicionou para participar das corridas dos cangaceiros. Mas o mais importante é se apresentar aos jornalistas e pesquisadores como um volante que era mesmo de verdade da época de Lampião. Acredite quem quiser o que ele falou a este cineasta. Eu não sou nenhuma autoridade no assunto, mas foram mais palavras fantasiadas que saíram da boca do seu Andrelino, do que vocábulos verdadeiros.

Bando de Lampião - Foto feita pelo Benjamin Abraão.

Ser famoso pelo menos por um momento não é qualquer um que poderá ser, porque, precisa imaginar o que será o bicho do dia seguinte, para jogar na roleta da fama. A fama faz o indivíduo feliz e conhecido no país que mora ou mesmo em outros países, mas para ser famoso tem que ser bom com as suas invencionices.

Mesmo eu discordando de algumas informações do volante seu Andrelino Pereira Filho, eu desejo a ele mais e mais anos de vida! Felicidade para o senhor, seu Andrelino! 

Informação ao leitor: 

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e nem tão pouco prejudicará o que os cineastas gravaram, e o que os pesquisadores e escritores escreveram. Apenas eu apresentei as falhas dos depoentes e não dos que fizeram as entrevista e as gravações.

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