Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2020 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica: 2.420
A publicação de que Santana do Ipanema foi a segunda cidade de estado que mais gerou emprego no ano passado, é até motivo de alegria por parte dos santanenses. Embora lamentando a mínima convocação para ocupação de vagas no Brasil inteiro, não podíamos ressaltar o feito empregatício na Capital do Sertão. Quando olhamos para uma cidade sem indústria (motivos políticos) e vocacionada para o Comércio, a alegria é ainda maior, embora este não pague igual à indústria. Sempre estivemos analisando a expansão física de Santana, o seu progresso, a sua liderança, mas também os setores que precisam de medidas emergenciais e certos serviços capengas por falta de olhares administrativos.
E uma das coisas que chamávamos atenção, era a grande expansão comercial e prestação de serviços no todo. A Rua Pedro Brandão, principal artéria do Bairro Camoxinga e corredor que se tornou estreito para tanto movimento está sendo sufocado. Tanto é que famílias ali residentes, foram vendendo suas casas humildes ou não, e essas casas transformadas em comércio. O barulho do trânsito, de carros de som e muitos outras mazelas dos tempos modernos, estão botando para correr os residentes que procuram loteamentos, conjuntos e condomínios nos quatro pontos cardeais das periferias que se expandem como nunca. Sendo a Rua Pedro Brandão com um lado na parte alta e outro lado na parte alta (calçada alta), a parte baixa está “expulsando” as últimas moradias. A calçada alta, ruim para comércio, seguirá o mesmo destino, mais adiante.
Também já foi falado aqui a necessidade de abertura de novo beco seguindo o antigo beco da Igreja São Cristóvão, para desafogar o trânsito em direção à rua de baixo – fundos da Pedro Brandão – que possui acesso à BR-316, via expressa de Santana do Ipanema. A voracidade em busca de pontos comerciais em Santana, é enorme com vários grupos chegando de outras cidades e regiões, sendo a Rua Pedro Brandão via Maracanã o segundo comércio da cidade. Todos querem um ponto para um bar, uma lanchonete, uma casa de móveis, uma clínica, uma academia, casa de peças e um sem fim de coisas mais.
Quando o escritor Oscar Silva veio visitar sua terra, em 1950, já dizia que a Rua Pedro Brandão se estirava como cobra de borracha em direção ao cemitério Santa Sofia, na parte alta do Bairro Camoxinga. Imaginem agora! Uma correria para sair residentes) uma correria para chegar (novos comerciantes).
Quem foi Pedro Brandão?
Saberia tu?
RUA PEDRO BRANDÃO RECEBENDO ASFALTO EM 2006 (FOTO: B. CHAGAS/Livro: O BOI, A BOTA E ABATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA).
Nos séculos
XVI – XVII, na história das trocas comerciais intercontinentais, o açúcar
brasileiro teve um papel fundamental na construção de um padrão cultural que
definiu não só as fronteiras geopolíticas, mas, também – ao regular os espaços
da produção, do consumo e da distribuição do produto, subordinados a leis e
restrições religiosas – criou uma cultura singular com raízes na
interculturalidade. Negros, índios, europeus de origem judaica e,
principalmente os portugueses deixaram suas marcas num mundo dominado pela
sacralidade da “salvação da alma” mesmo que mandando outras para o inferno do
fogo da punição por heresia.
Foi neste
quadro que os judeus ibéricos entraram no mundo do açúcar. Mesmo na
clandestinidade espalharam-se, multiplicaram-se, transformaram as terras
desprezadas pela nobreza portuguesa em campos produtivos de cana. Construíram
engenhos, fabricaram açúcar e colocaram-no na vasta rede de relações comerciais
familiares baseadas na Europa não católica. Embarcaram o “ouro branco” para os
portos mais importantes do mundo nas urcas holandesas e embarcações fabricadas
em estaleiros de judeus. Eles tinham o dinheiro para financiar desde o plantio
até a chegada à mesa do europeu e eram especialistas na tecnologia do fabrico
do açúcar.
A força da
cultura sefaradi deixou o seu legado na interação entre o mundo
judaico e o mundo da cultura local. A cultura canavieira foi um meio de
consolidação do poder colonial português nas terras brasileiras.
Paradoxalmente, foi, também, a forma de fixação dos cristãos novos e judeus que
fizeram destas terras tropicais seus novos lares. Aqui chegaram e aqui ficaram
até hoje.
Engenho de
açúcar no nordeste do Brasil Colonial.
Todavia,
diante da extensiva presença deste grupo nos engenhos espalhados na região é
justo acrescentar que foi determinante o papel daqueles personagens em toda a
cadeia produtiva da economia açucareira. Já em meados do século XVI, a costa
nordestina centralizava toda a atividade no Brasil. Pernambuco foi uma das mais
bem sucedidas de todas as capitanias, graças à política do donatário Duarte
Coelho nos processos de transferência recursos financeiros e agentes com
habilidades especializadas vindos de Portugal, de Galiza e das Canárias.
Se nos anos
iniciais a comercialização do açúcar ficou em poder dos portugueses e de alguns
investidores alemães, no princípio do século XVII a maior parte do açúcar era
transportada nas urcas holandesas, com destino aos portos do norte europeu.
Desde 1630, os
judeus portugueses de Amsterdã espalharam-se pelo Nordeste dedicando-se,
sobretudo, aos negócios do açúcar, que, por muito tempo, foi umas das
principais riquezas daquela região. Com o fim do domínio holandês e a retomada
de Pernambuco pelos portugueses em 1654, uma nova “passagem” conduz um dos
grupos de refugiados saídos do Recife até Nova Amsterdam – mais tarde, Nova
Iorque. A razão foi a mesma: a intolerância pela qual seus ancestrais haviam
sido expulsos da Península Ibérica. Só que, desta vez, além das singularidades
do judaísmo na bagagem, o grupo levava o conceito de “cidadania”, apreendido e
aprendido no curto espaço do tempo de Maurício de Nassau como governador do
Brasil Holandês. Daqui partiram e lá ficaram, dando início. Congregação Shearit
Israel, até hoje ativa.
Novos
Personagens Emergem da Clandestinidade
É
significativo o número de engenhos que tiveram o controle de cristãos-novos e
judeus e o funcionamento disfarçado de sinagogas espalhadas pelas ruas da vila
do Recife e seus arredores. Ribemboim, em um levantamento feito em 1995 lembra
que, de preferência, as sinagogas eram erguidas nos engenhos¹. Recentemente,
achados arqueológicos, numa área da mata sul, mostraram indícios da existência
de um local de purificação espiritual (micvê) nas ruínas de uma antiga casa de
engenho.
Barco holandês
Embora os
vínculos religiosos e sócio-comunitários da população ibérica daquela época
estivessem desfeitos com a passagem dos séculos, a teia cultural mostra-se, até
hoje, resistente e unifica os sobreviventes através de novos personagens que
emergem da clandestinidade se auto-identificando como descendentes dos antigos
cristãos-novos. É possível haver uma relação com costumes e tradições de uma
cultura e de uma língua herdada dos judeus ibéricos.
No nordeste do
Brasil, eles foram gradativamente se incorporando como parte do patrimônio
material e imaterial brasileiro. O professor Marcos Albuquerque, importante
arqueólogo da Universidade Federal de Pernambuco relata que em suas viagens
pelo interior do nordeste e norte do Brasil é muito comum ver túmulos nas
margens das estradas, sem cruzes e com pedrinhas em cima, como é o costume
judaico.
Soldados
romanos carregando os despojos das guerras judaicas. A destruição de Jerusalém
aconteceu em 70 D.C., quando as legiões romanas saquearam Jerusalém e
retornaram a Roma com os despojos, daquela que era considerada a cidade mais
rica no Império Romano – Fonte – http://www.bible-history.com/archaeology/rome/arch-titus-menorah-1.html.
Há também
inúmeros relatos de pessoas que vivem no sertão mencionando, entre outros
costumes, a forma de sepultamento de origem judaica, ou seja, o falecido é
enterrado apenas envolto em mortalha sem caixão e sem símbolos (cruzes, por
exemplo). Muitas vezes, estas pessoas enfatizam que foi um desejo exposto à
família quando se percebiam próximos ao passamento.
Ainda existem
os vestígios de antigas edificações que guardam parte dessa história. A
Sinagoga Kahal Zur Israel, na antiga Rua dos Judeus no Bairro do Recife, o
engenho Camaragibe no município do mesmo nome, a casa de Branca Dias em Olinda
e tantos outros espaços físicos. O apego às tradições da kashrut (leis
dietéticas judaicas) identificadas em denúncias contra os cristãos-novos do
século XVI–XVII permaneceram, em muitos casos, de forma inconsciente nos
costumes alimentares da população em Pernambuco e em outros estados do nordeste
do Brasil.
Muitas
informações foram reveladas nas histórias contadas às autoridades religiosas da
época. Nelas, o quadro figurativo do judaísmo aparece como religião e como
cultura. Estilo de vida, competências linguísticas, crenças, hábitos
alimentares, ritos, jeitos de viver, de morar, rezar, sepultar seus mortos,
condenados como heresias pela ordem política e religiosa estabelecida
representavam a forma preservada de um ethos que garantia a
continuidade do grupo na história.
Por isso,
valorizamos os conteúdos dos registros de denúncias na obra Primeira
Visitação às Partes do Brasil. Denunciações e Confissões de
Pernambuco 1593-1595 cujos conteúdos historiam os fatos
político-religiosos que regulavam o cotidiano da América Portuguesa. Nelas
revelava-se que as práticas judaizantes eram realizadas no espaço privado do
lar, dos engenhos e da vila, onde viviam os denunciados. Esta realidade vem
sendo apreendida com técnicas da análise dos discursos dos entrevistados
escolhidos para a pesquisa cotejando-se com as denúncias inquisitoriais. Assim,
nas entrevistas realizadas com os “novos personagens” que formam uma
nova/antiga categoria de judaísmo é que é conhecida a simbolização o que compõe
a imagem, os traços, enfim, a essência cultural singular do grupo. Devemos
lembrar os elementos preservados na cadeia de comunicação entre os judeus sefardim e
a população com quem conviviam, na circunstância de não poderem ser expostos
com seus conteúdos originais. Os “não ditos” ficavam no mundo da reserva
mental, portanto fora do discurso explicito. Talvez por isso, os costumes foram
tão enfatizados pelos seus portadores gerando o que alguns estudiosos chamam de
“marranidade” ou “marranismo”.
Detalhe de
quadro de Frans Post, mostrando detalhes de um engenho – Fonte – http://www.scielo.br
Ao visitarmos
alguns engenhos ou o que deles restou temos o sentimento de “ouvir” o eco dos
passos de pessoas que ali viveram seus cotidianos e suas práticas religiosas.
Impossível não pensar na inquietação de um suceder de dias que oscilava entre a
hostilidade ou o afrouxamento da vigilância e as estratégias para preservação
do que hoje chamamos cidadania.
Estes fatos
são importantes para compreendermos a dimensão cultural das raízes judaicas
nesta parte do Brasil cuja ressonância alcança nossos dias com a emergência de
novas identidades apoiadas em antigas heranças de um judaísmo exportado
compulsoriamente da Península Ibérica para o Brasil.
VEJA MAIS
POSTAGENS SOBRE TEMAS LIGADOS A JUDEUS NO TOK DE HISTÓRIA
Um baú com
mais de 100 anos, que Lampião e seu bando abriram ele para saquearem os
objetos. Hoje guarda a história do Cangaço contada por pesquisadores sérios.
Por Clerisvaldo B,
Chagas, 1 de dezembro de 2020 - Escritor Símbolo do
Sertão Alagoano - Crônica: 2.428
Fomos “olhar
de perto para contar de certo” a expansão de Santana no sentido Santana – Olho
d’Água das Flores. Essa é a informação para aqueles que estão ausentes da
terrinha. Dois bairros novos vão surgindo às margens da AL-130, tanto de um
lado quanto de outro. O primeiro está se erguendo originário do loteamento LUAR
DE SANTANA (Colorado) Na primeira curva da AL-230 em direção a Olho d’Água das
Flores. Trata-se de uma colina onde havia uma granja e lugar chamado Lagoa do
Mato. O casario tem inicio à beira da AL-130 e sai subindo a colina até atingir
o topo do loteamento a 335 metros de altitude. O panorama ali é deslumbrante.
Vê-se ao longe o centro da cidade, inclusive a Igreja Matriz de Senhora
Santana, por cima da mata que circunda o Luar de Santana. (Direção Oeste).
Ainda existem
belas paisagens em direção Leste e Norte, mas quem passa pela AL-130 nem
imagina que ali está sendo formado um bairro de elite com belas e modernas
residências. Já está sendo habitado pelas classes média e média alta e em breve
será o bairro nobre de Santana do Ipanema. Como diz o dito popular, a paisagem
do topo é simplesmente de “tirar o fôlego”. Fala-se que um hotel fazenda está
sendo planejado na baixada da mata que circunda o LUAR.
O outro bairro
fica no sopé, a barlavento, do serrote do Gonçalinho também chamado serra do
Cristo ou da Micro-ondas. Teve início com algumas casas simples com o império
de pobreza extrema, mas inúmeras residências surgiram ao longo do sopé, ao lado
da subida ao topo e também no antigo Cipó, sítio rural que foi engolido pela
urbanização como víamos anunciando há muito. Em um futuro próximo até o outro
sítio rural, Curral do Meio, deverá seguir o mesmo destino do Cipó.
Entre um e
outro bairro já existe um intenso comércio e serviços ao Longo da AL-130:
churrascaria, loja de construção, posto de gasolina, hipermercado e até
presença do campus Instituto Federal de Alagoas, IFAL. No lugar onde
a vegetação ainda não foi tocada, no serrote, a mata se desenvolveu bastante,
mostrando árvores de boa altura nessa face mais úmida do relevo. O cimo da
micro-ondas guarda uma bela vista parcial de Santana do
Ipanema.
Os Bairro do
Gonçalinho e Luar de Santana, atestam com clareza os novos caminhos da Rainha e
Capital do Sertão. Viche!
VISTA DO
BAIRRO LUAR DE SANTANA AINDA QUASE VIRGEM (FOTOS: B. CHAGAS/ÂNGELO RODRIGUES).
Em 1930,
Moreno trabalhava na fazenda do Sr. Antonim, em Pernambuco, certo dia chegou lá
o Bando de Virgínio, de apelido Moderno, composto por ele, Luiz Pedro,
Maçarico, Fortaleza e Medalha e deixaram com Moreno um recado para seu patrão
de que voltariam em breve para pegar duzentos mil réis. Ao retornar, o bando
trazia consigo um coiteiro amarrado, que os teria traído. O bando recebeu o
dinheiro e ficou três dias acampado na fazenda, com o refém, Moreno se
aproximou e conviveu estes dias com o bando. Na partida dos Cangaceiros, Moreno
manifestou vontade de acompanhá-los, pois já era foragido da polícia. Moderno
então lhe impôs uma provação de valentia para seu ingresso, que seria matar o
coiteiro traidor. Moreno mirou uma arma no peito do refém e atirou, matando-o
friamente, sendo então aceito no bando. Luiz Pedro deu-lhe o apelido de Moreno,
vez que seu nome era Antônio Ignácio, e assim, seguiu no grupo. Logo após,
Durvinha, também entrou no bando como mulher do chefe Moderno, formando um
bonito e amoroso casal. Em 1936, Moderno foi morto em combate e o bando começou
a se dispersar, Moreno levou Durvinha a uma estrada para que ela retornasse à
sua família, na despedida perguntou-lhe se ela queria seguir no cangaço em sua
companhia, proposta que ela aceitou e assim retornaram à caatinga, ele
reagrupou o bando novamente e assumiu a liderança com firmeza e valentia, seguindo
em frente naquela vida nômade e clandestina. No dia da Morte de Lampião, em
1938, eles estavam em Mata Grande, distante 70 km da emboscada. Apesar da morte
do capitão e o declínio do cangaço seguiram firmes, sem se entregar. Em 1940,
com a morte de Corisco, resolveram então fugir, despojaram-se de suas armas e
adereços do cangaço, esconderam na caatinga e seguiram para Minas Gerais, onde
viveram no anonimato por sessenta e cinco anos, além do tempo de Cangaço,
trabalharam, tiveram filhos e viveram em paz, num pacto de silêncio sobre o
passado. Em 2005, pressentindo a aproximação da morte resolveram contar seu
segredo à seus filhos, que impressionados, tornaram pública aquela história de
sobrevivência, com registros em na mídia, reportagens e livros. Durvinha e
Moreno viveram juntos por setenta e dois anos, ela faleceu em 2008 com 92 anos
e ele em 2010, com 99 anos, na mais longa história de amor do cangaço.
João
Filho de Paula Pessoa, Fortaleza, 20/12/2019.
Meu amigo
Mendes, a música é tudo em nossas vidas, pois ela toca em nossa alma leve como
uma pluma ou ás vezes forte como um vendaval, é doce como mel, mas também
amarga como fel, a música nos faz rir e também chorar. Ela em sua essência
natural invade nossos corações dando a ele uma certeza, uma dúvida ou uma
esperança incerta, mas na realidade além da tristeza a música nós traz alegrias
e lembranças. Meu caro Professor Mendes, a música é remédio que cura a dor e o
tédio, mas também é um doce veneno que suave como o sereno nos mata sem
perceber, enfim a música é como o cedro que perfuma o fio do machado que o
exterminou. Ah! Meu amigo, ouvindo a voz deste autêntico cantor e compositor Lupicínio
Rodrigues, a gente sente o céu descer sobre nós, desta forma eu imagino os
deleites do povo de Mossoró que outrora teve o privilégio de ter em meio a sua
sociedade, um seresteiro do calibre do saudoso "Cocota".
Cocota irmão
dos cantores: Carlos André, Hermelida Lopes e João Mossoró antigo Trio
Mossoró
Mestre Mendes,
às vezes nós não conseguimos compreender como tais fenômenos tão maus acontecem
com pessoas boas e amáveis que só nos proporciona alegrias e felicidades. Eu
como pintor, escritor e poeta só consigo entender de uma forma. Deus em sua imensa
sabedoria poder e bondade, gostou mais
do Cocota do que nós e assim o arrebatou para o céu para ficar junto de si, daí
ele pode deleitar-se ao dormir embalado com o timbre de sua suave voz, e no
outro dia despertar com a doce melodia de suas músicas, e também apreciar nas
frias noites celestiais, as mais belas serenatas ao som do seu encantado
instrumento musical.
https://www.youtube.com/watch?v=Ak-Wes7CEhE
E! Querido
Professor, só nos resta a lamentar esta triste perda de outrora. Mas quem sabe
um dia em uma morna madrugada de abril, Deus permita que ele volte só por um
instante e nos blinde novamente com sua voz, só por um momento em uma esquina
qualquer numa certa rua de Mossoró.
Paulo Gastão e SBEC não tinham uma ligação, pois no fundo
eram uma coisa só. Essa semana vamos conhecer um pouco desse Cabra que abriu as
porteiras do mundo do cangaço para muita gente e com certeza deixou muitas
saudades para aqueles que tiveram o privilégio de tê-lo conhecido.
O
Repórter Nelson Faheina esteve em Serra Talhada-PE, município onde Lampião
nasceu, conversou com populares, e visitou a casa onde ele morou com a família,
acompanhe a reportagem.
Capitão
Lampião, o pernambucano Virgulino Ferreira da Silva - Wikimedia Commons
Virgulino
Ferreira da Silva é um dos maiores símbolos do nordeste brasileiro.
Líder do movimento cangaceiro, essa figura é essencialmente polêmica desde sua
época, sendo um bandido inescrupuloso para uns e um justiceiro heroico para
outros. Nascido em 1898 na cidade pernambucana de Serra Talhada, Lampião morreu
numa emboscada policial contra os bandos em 1938, na Gruta dos Angicos
(Sergipe).
Conheça 10
curiosidades sobre o Governador do Sertão.
1. O
Governador
Com certa
arrogância e egocentrismo, Lampião costumava
dizer que seu sonho era ser governador de um novo Estado sertanejo alternativo
formado pelas regiões que tinha mais influência, com porções dos Estados da
Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
2. Fé e alma
Lampião era um
homem profundamente religioso e supersticioso, sendo praticante do catolicismo
clássico sertanejo, relacionado às forças da natureza. Respeitava
inevitavelmente os padres, principalmente Padim
Ciço, que considerava seu padroeiro. Todo meio-dia, parava para rezar
e praticava jejum de sexta-feira. No centro de sua fé, estava a proposição de
que seu corpo estava fechado contra o mal.
Benjamin
Abraão faz acordo de acompanhar e recordar em fotos o bando de Lampião /
Crédito: Wikimedia Commons
3. Parteiro
Com o aumento
da frequência de mulheres nos bandos do cangaço, o número de partos também
cresceu. Como não havia médicos prontificados, o próprio Lampião aprendeu e
realizava os procedimentos, usando as técnicas que conhecia da época em que
cuidava de gado bovino. Porém, tudo isso ocorria em condições bastante
insalubres e com tratamento pouco delicado.
4. Princesa do
Cangaço
Lampião e
Maria Bonita tiveram uma filha em 1932, de nome Expedita. Como de costume no
cangaço, foi necessário decidir o destino da criança, e como não se queria que
a menina crescesse na bandidagem, ela foi entregue a um aliado do Rei do
Cangaço para que ela tivesse como tutor o tio, João Ferreira. Isso tudo ocorreu
no sigilo e o caso foi tratado como uma espécie de Segredo de Estado.
5. Fisionomia
Em uma
reportagem do jornal O Ceará em 1926, um repórter descreve o Rei do Cangaço em
sua passagem por Juazeiro do Norte. Segundo o relato, Lampião era magro de pele
escura, com cabelos fartos e pretos, chapéu de feltro e sem enfeites e
alpargatas de couro, do tipo vaqueiro. Usava um lenço verde no pescoço, com um
anel segurando. Além desse, mais seis anéis pelas mãos, com pedras preciosas,
além de um rifle, uma pistola e um punhal.
6. Álcool
Era muito
comum no cangaço noites de bebedeira e diversão. Porém, Lampião não era muito
afeito ao consumo de álcool, apesar de gostar particularmente do conhaque.
Mesmo assim, não bebia muito.
7. Gosto pelas
letras
Lampião
interrompido ao ler o jornal O Globo / Crédito: Benjamin Abraão Botto
Apesar de não
ter a melhor leitura do mundo Lampião gostava de parar para realizar leituras,
principalmente jornais que pegava rumando entre cidades. Seu maior gosto era
ler reportagens feitas sobre ele mesmo nos periódicos, além de revistas que
vinham de São Paulo e Rio
de Janeiro. Costumava levar horas lendo ou ouvindo o que alguém lia
para ele.
8. Cangaceiro
perfumado
Numa situação
em que os banhos eram uma raridade Lampião usava perfumes de boa qualidade e
em grandes quantidades. Gostava de roubar perfumes caros e importados nas
capitais, que juntava com o cheiro de suor e da brilhantina usada no cabelo,
criando uma mistura de cheiros única e que virou uma marca do cangaço. Há
relatos de banhos de perfume generalizados, que chegavam até nos animais de
tração para melhorar o cheiro do bando.
9. Poderes
sobrenaturais
Para muitos
volantes e policiais Lampião genuinamente possuía superpoderes, pois era
inconcebível a forma como ele conseguia fugir e deixar nenhum rastro de sua
presença. Porém, o segredo do Rei do Cangaço era a estratégia, pois ele
comandava o bando em ações geniais em que apagava todas as evidências de sua
presença, como apagamento de pegadas e até andar de trás para frente para confundir
os perseguidores.
Bando de
Lampião de divertindo / Crédito: Benjamin Abraão Botto
10. Munição
desviada
Um motivo de
discussões até hoje é a fonte de munição (que era usada sem muita economia) do
bando de Lampião. Para nunca perder a origem das balas, o cangaceiro nunca
permitiu que ela fosse descoberta. Porém, é possível afirmar que essa origem
tem base nas ligações que Lampião tinha com os poderosos do sertão e do
agreste. Associado com fazendeiros, políticos, coronéis e comerciantes,
torna-se intuitivo pensar que esses contatos lhe forneciam munição.
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Corisco foi o
chefe do ultimo bando de cangaceiros a ser extinto. Com a morte de Corisco, o
Nordeste brasileiro virou a triste página de mortes e sofrimento que o cangaço
trouxe ao povo pobre e sofrido do Nordeste.
Reportagem:
exposição Cangaceiros. Foram entrevistados: Expedita Ferreira (filha de
Lampião), Vera Ferreira (neta de Lampião) e Ricardo Albuquerque (organizador da
exposição). Matéria do repórter Fábio Monteiro, exibida em 10/02/08, no
programa Viva Fortaleza, da TV O Povo -- emissora afiliada à TV Cultura em
Fortaleza, Ceará.
Quando o escritor disse que nenhum geógrafo do Brasil lembraria daquele riacho solitário em que nascera, errou na sua profecia e acertou nas entrelinhas do seu desejo. Esse geógrafo já cantou e decantou o riacho João Gomes, afluente do rio Ipanema, inclusive decifrando sua denominação: riacho das beldroegas. Uma vez descoberto e decantado, chegou o momento de visitas e transformações importantes na sua barra (foz, desembocadura, desaguadouro). Máquinas já estão trabalhando no seu leito e imediações, onde o riacho esquecido do escritor santanense Oscar Silva imperou solitário por centenas de anos seguidos. É que o sítio rural Barra do João Gomes fora origem dos seus familiares, isto é, da família Pio.
Teve início a obra prometida pelo saudoso prefeito Isnaldo Bulhões: a barragem do João Gomes, que será a maior obra hídrica do município. Pena ter havido desgaste nos meios políticos e institucionais devido a entendimentos prévios em que houve descontentamentos de moradores do lugar, referentes à valores indenizatórios. Mas isso é coisa em que partes interessadas e justiça chegarão a bom termo, não temos dúvidas. O riacho temporário irriga
grande número de sítios na zona rural como o Tingui, Lagoa do João Gomes, Batatal e o próprio Barra do João Gomes. Corta a AL-130 e escorre dentro da Reserva Sementeira, do governo estadual, a 3 km do centro da cidade. Veia d’água importantíssima para os agropecuaristas, rebanhos e fauna da caatinga santanense.
Com a construção da maior barragem do município, haverá psicultura, água para o rebanho da região, lavoura irrigada e fonte para caminhões-pipa durante as estiagens. Segundo divulgação, a obra criará 300 empregos diretos e indiretos, mão-de-obra local e compras no comércio da cidade, fazendo o dinheiro circular nesse final de ano. Pela dimensão da obra, sua realidade poderá fazer parte do roteiro turístico que estar sendo implementado e até ser criado muitas novidades no seu entorno.
Infelizmente, aqui no sertão nordestino, estaremos sempre a precisar de fontes e mais fontes de armazenamento d’água. Porém, cada fonte poderá ser transformada em variados atrativos.
“Dê-me um limão e eu o transformarei em limonada”
CÂNION NO RIACHO JOÃO GOMES SOB PONTE NA AL-130 (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO).
No Brasil,
existem cânions em diversos locais do território, formando feições de beleza
singular. Uma área rica nesse sentido, diz respeito ao leito do Rio São
Francisco situado na divisa dos estados da Bahia, Alagoas e Sergipe. Nessa
região existem três grandes cânions, que expressam situações geológicas
diferenciadas. Trata-se dos chamados “Cânion do Rio São Francisco”, “Cânion do
Xingó” e “Cânion do Talhado”. Para entender os mistérios e segredos dessas
feições, faz-se necessário falar como se forma os cânions. Os cânions são
formas de relevo que apresentam vales profundos, representando paisagens
impactantes.
Eles resultam da ação da água sobre as rochas da superfície da
Terra ao longo do tempo geológico, a qual vai lentamente desgastando o material
rochoso e cavando os vales. Ao mesmo tempo em que a água, na forma de rios, vai
erodindo as rochas, frequentemente ocorre, simultaneamente, um soerguimento da
crosta terrestre, que está sempre em movimento. O soerguimento resulta em maior
incisão fluvial, de forma a aprofundar o vale. Esse trabalho de erosão fluvial
(ação externa) e atividade tectônica (soerguimento das rochas, ação interna)
leva em geral alguns milhares de anos, por vezes milhões de anos, e resulta na
formação de dois paredões verticais delimitando o leito dos rios, eis a origem
dos cânions.
A atividade turística na área é intensa, e vem de longa data,
quando os principais atrativos eram a Cachoeira de Paulo Afonso e a cidade de
Piranhas, em Alagoas, que registra parte da história do cangaço. A barragem da
Usina Hidroelétrica de Xingó, inaugurada em 1994, viabilizou a navegabilidade,
fato que impulsionou o turismo de forma exponencial, sendo os principais
atrativos os passeios de barco e os agradáveis banhos nas águas verdejantes do
lago artificial. As cidades da área dos cânions contam hoje com uma boa
infraestrutura hoteleira, sendo ainda um atrativo à parte a visita à vinícola
Miolo, que instalou uma filial na região.
Não se sabe quantas invencionices ainda serão criadas daqui para frente sobre a morte do famoso, perverso, sanguinário e rei do cangaço capitão Lampião. São histórias totalmente fundidas na mente de quem não tem nenhum compromisso com a verdade, quase sem pé e sem cabeça, assim como diz o dito popular, que Lampião escapou do ataque feito pelas volantes policiais aos cangaceiros na Grota do Angico, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Fazenda Forquilha, em terras de Porto da Folha, hoje denominada Poço Redondo, no Estado de Sergipe.
Corpo de Lampião na Grota do Angico no dia 28 de julho de 1938
Os criadores de histórias sobre o rei do cangaço capitão Lampião dizem que, ao sair da Grota do Angico o facínora tomou rumo para o Estado de Minas Gerais, e por lá, morreu de morte natural no ano tal, tal e tal. Todas estas histórias já inventadas são verdadeiras "aberrações", assim como diz o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira.
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Já falaram tanto da sua morte e que muitos destes não pesquisaram absolutamente nada, inventaram o que bem quiseram, que Lampião morreu ali, acolá, menos na Grota do Angico. Mas nós que estudamos o movimento social dos cangaceiros acreditamos plenamente, que ele foi abatido lá na Grota naquela madrugada triste do dia 28 de julho de 1938.
Ninguém mais conta a verdade do que os pesquisadores, escritores e cineastas que fazem os seus trabalhos com seriedades, que enfrentaram e ainda continuam enfrentando os cerrados e a caatinga para fazerem as suas pesquisas, apanhando os dados na fonte, isto é, no meio de quem presenciou todo desenrolar dos perversos e sanguinários bandidos nos sertões nordestinos.
As datas da morte de Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião apontadas pelos depoentes, nenhuma bate com as outras que foram citadas por outros criadores de histórias fantasiadas, mas isto faz parte de qualquer estudo, simplesmente por quererem aparecer no mundo cultural.
Neli Conceição filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha e José Geraldo Aguiar.
O saudoso escritor e fotógrafo José Geraldo Aguiar que nasceu na Vila do Morro (município de São
Francisco), em 16 de outubro de 1949, e escreveu um livro sobre o suposto Lampião que residia em Buritis, no Estado de Minas Gerais, revela que ele morreu no ano de 1993.
Vamos ler estes pequenos parágrafos que escreveu o autor:
(...)
"Há quatro anos
e meio, Aguiar recolhe dados sobre um fazendeiro, dono de 300 hectares, que se
instalou no início dos anos 50 na margem esquerda do rio São Francisco, na
cidade que leva o mesmo nome do rio, em Minas Gerais. Alguns fatos estranhos cercaram a vida do fazendeiro. Aguiar identificou pelo
menos dez nomes diferentes usados por ele. Tanto que o conheceu como João Lima, os amigos tratavam-no por Luís, na lápide
do cemitério está escrito Antônio Teixeira Lima e na certidão de óbito consta o
nome Antônio Maria da Conceição.
O fazendeiro morou em pelo menos 15 cidades diferentes com Maria Lima
(supostamente Maria Bonita), em quatro Estados (Minas Gerais, Bahia, Alagoas e
Goiás) - além de São Francisco, ele morou em Montes Claros, Irecê e Buritis,
entre outros municípios. A tendência foi sempre morar às margens do rio São
Francisco.
Com Maria Lima teve dez filhos, o mais velho hoje com 63 anos. Em uma viagem à
Bahia, conheceu Severina Alves Moraes a Firmina, com quem teve uma filha, hoje
com 22 anos. Depois da morte de Maria Lima, o fazendeiro passou a morar com
Firmina.
Segundo Aguiar, o fazendeiro temia represálias pelos crimes atribuídos a
Lampião e, por isso, além de se esconder durante todo esse tempo, só autorizou
que sua história fosse contada após sua morte".
(...)
Uma pergunta que jamais será respondida vez que o escritor já faleceu: Por que o fotógrafo José Geraldo Aguiar pediu às autoridades mineiras o direito de exumação dos restos mortais do suposto Lampião de Buritis, quando seria bem mais fácil colher o material necessário para o "DNA" com a filha de Severina Alves Moraes a Firmina, que é ou era também filha do Lampião de Buritis? Confira clicando no link abaixo:
Para fazer o "DNA" dos restos mortais deste senhor que foi enterrado em Buritis no Estado de Minas Gerais não seria tão difícil, porque a filha do suposto Lampião com Severina Alves de Morais a Firmina que por lá reside, tem o material necessário, sem necessidade de abrir túmulo para fazer a exumação da ossada dele.
Mas até hoje a gente não sabe o que é que impede que as autoridades não têm interesses para colocarem um ponto final nesta dúvida, que o cangaceiro capitão Lampião teria morrido em Buritis, e não no Sertão nordestino, no Estado de Sergipe.
Colorida por Rubens Antonio. - Foto feita pelo Benjamin Abraão.
Este outro senhor abaixo, ex-volante que aparece no vídeo acima, no início do texto, de nome Andrelino Pereira Filho, que serviu entre o ano de 1922 e 1938, na Corporação policial do Estado de Pernambuco, e é o
único policial ainda vivo (não sei se já faleceu porque a entrevista foi em 2018), do período da chacina aos cangaceiros na Grota do Angico, afirma que o capitão Lampião morreu no ano de 1963, numa propriedade denominada "Fazenda São Francisco", lá no Estado de Minas Gerais.
Andrelino Pereira Filho, único policial ainda vivo com 104 anos em 2019.
No vídeo, o sargento aposentado Andrelino diz que foi um amigo seu que falou da morte do capitão Lampião, e que naquele momento que lhe falara, ele estava vindo do seu enterro.
As suas informações não têm segurança, porque elas não detalham o lugar do sítio da fazenda onde supostamente o capitão Lampião teria falecido, e nem tão pouco a cidade deste sítio. Toda fazenda pertence a um sítio, e todo sítio está localizado nas terras de uma cidade, e qualquer cidade tem o seu Estado. O Estado foi dito que era em Minas Gerais. E por que o sítio e a cidade não foram revelados pelo policial aposentado?
O seu Andrelino fala também que Lampião passava em sua casa para tomar café, e chamava a sua mamãe de comadre. Mas depois ele percebe que foi muito além da verdade, e tenta se livrar do que disse ao cineasta sobre o capitão, e fala que eram os cangaceiros que passavam por lá, não Lampião, porque ele só andava sozinho.
Pelo o que eu sei e aprendi no estudo sobre os cangaceiros o capitão Lampião não andava sozinho, sempre estava rodeado de facínoras, como vive uma abelha-rainha de uma colméia, que ali está segura pelas suas comandadas. Assim era o rei do cangaço, que em todos os lugares que estava, ou mesmo nos locais que fazia o seu amado coito, no intuito de descansar da fadiga e fazer seus planejamentos de invasões aos sítios, propriedades e até mesmo em pequenas cidades, o capitão permanecia rodeado de desordeiros.
Por respeito ao senhor volante policial, pela sua idade além dos 100 anos vividos, e principalmente pela respeitada e gloriosa corporação da polícia militar do Estado de Pernambuco, que ele pertenceu, e não quero aqui tirar os méritos do seu Andrelino, mas tenho a dizer que, me parece ser invencionice as informações que ele cedeu ao cineasta que fez as suas gravações.
O disse me disse é uma expressão que se relaciona a boatos não verdadeiros. Assim fez o policial seu Andrelino, que acreditou cegamente no seu amigo, que disse que vinha do enterro do capitão Lampião. O policial ouviu um chocalho tocando, mas não procurou saber bem o local que estava o animal chocalhado.
Suposto Ezequiel Ferreira da Silva
O caso do suposto Ezequiel que morava no Piauí e que em 1984 chegou à Serra Talhada, antiga Villa Bella, no Estado de Pernambuco, se dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão mais novo dos Ferreiras, e que tinha ido lá tirar seus documentos para uma possível aposentadoria, disse que Lampião morreu no ano de 1981, mas lamentavelmente, as suas informações, para mim e para os que pesquisam a vida criminosa do capitão, nada verdadeira, tudo mentira.
O cineasta José Geraldo Aguiar escreveu em seu livro Lampião, O Invencível..., que a data do falecimento de Lampião foi em 1993 em Minas Gerais. O seu Andrelino confirma a morte do capitão em 1963, também em Minas. Já o suposto Ezequiel Ferreira diz que o seu irmão (caso seja) Lampião faleceu no ano de 1981. Mas os cangaceirólogos afirmam com convicção que Lampião morreu na Grota do Angico no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de julho de 1938, que realmente é a pura verdade.
Cabeça do capitão Lampião. Você acha que não é?
E de quem seria esta cabeça que foi arrancada do corpo de um indivíduo e levada para Alagoas, no dia da chacina feita contra aos cangaceiros que se encontravam na Grota do Angico? Já que insistem em dizer que ele não foi morto lá na Grota, teria sido assassinado um outro indivíduo, digamos assim, um infeliz sósia do capitão Lampião, levaram-no e lá amarraram-no para aguardar o momento certo do ataque aos facínoras?
Lampião e Maria Bonita. - Foto feita pelo Benjamin Abraão.
Mas é assim mesmo. Cada um cavaleiro com o seu cavalo no hipódromo em posição de corrida. E quem lá não estiver presente, não será famoso em lugar nenhum. Assim foi o policial aposentado seu Andrelino Pereira Filho que levou o seu cavalo e o posicionou para participar das corridas dos cangaceiros. Mas o mais importante é se apresentar aos jornalistas e pesquisadores como um volante que era mesmo de verdade da época de Lampião. Acredite quem quiser o que ele falou a este cineasta. Eu não sou nenhuma autoridade no assunto, mas foram mais palavras fantasiadas que saíram da boca do seu Andrelino, do que vocábulos verdadeiros.
Bando de Lampião - Foto feita pelo Benjamin Abraão.
Ser famoso pelo menos por um momento não é qualquer um que poderá ser, porque, precisa imaginar o que será o bicho do dia seguinte, para jogar na roleta da fama. A fama faz o indivíduo feliz e conhecido no país que mora ou mesmo em outros países, mas para ser famoso tem que ser bom com as suas invencionices.
Mesmo eu discordando de algumas informações do volante seu Andrelino Pereira Filho, eu desejo a ele mais e mais anos de vida! Felicidade para o senhor, seu Andrelino!
Informação ao leitor:
O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e nem tão pouco prejudicará o que os cineastas gravaram, e o que os pesquisadores e escritores escreveram. Apenas eu apresentei as falhas dos depoentes e não dos que fizeram as entrevista e as gravações.