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terça-feira, 7 de setembro de 2021

A HECATOMBE DE GARANHUNS CHEGA AOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

 


Nosso nordeste é espetacularmente pródigo em episódios pra lá de marcantes. O ciclo do cangaço e do coronelismo rural se desenvolveu de forma brutal e acentuada entre o final do século XIX e as primeira décadas do século XX; entre a proclamação da república e por toda a república velha. Ali, nos idos 1880 até 1940 vamos encontrar a feição, talvez mais sangrenta, de toda a história, por esses lado do Brasil. 

Garanhuns, o acolhedor  município do agreste pernambucano; distante 230 quilômetros da capital Recife, iria escrever com letras de tragédia, sangue e morte no distante janeiro de 1917 um capitulo nefasto desse recorte perverso da luta pelo poder envolvendo as elites governantes de nosso sertão da velha república.

Era 14 de janeiro de 1917. No Recife o recém eleito prefeito de Garanhuns, coronel Júlio Brasileiro; deputado estadual; é assassinado pelo capitão Sales Vila Nova, em retaliação a um "surra" de cipó de boi, supostamente a mando do coronel e que teve como vítima o algoz. Os acontecimentos que se seguem imediatamente iriam chocar não só Pernambuco, mas todo o Brasil. A viúva de Brasileiro; Ana Duperron Brasileiro; iria afirmar:

"Não derramarei nenhuma lágrima, se as outras não derramarem. E só vestirei luto depois que as outras vestirem"

Cel. Júlio Brasileiro
Capitão Sales Vila Nova

Ao final do dia seguinte, 15 de janeiro de 1917, dezoito pessoas mortas na cadeia pública de Garanhuns; o local para onde se deslocaram para sua própria segurança, acabou se tornando o cenário trágico de suas mortes. Sob o comando de parentes e correligionários do coronel Júlio Brasileiro uma malta de mais 100 homens, entre jagunços, pistoleiros e cangaceiros, invadiriam a cidade e cercariam a cadeia pública para perpetuar a dita vingança....

Para entender esse trágico episódio, aprofundarmos sobre sua gênese, causas e repercussões, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço recebe nesta quarta-feira, 08 de setembro de 2021 nos Grandes Encontros Cariri Cangaço os pesquisadores e escritores; Claudio Gonçalves, autor de "A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns"; além de Geraldo Ferraz e Junior Almeida, Conselheiros do Cariri Cangaço para uma noite muito especial  num programa ao vivo incomparável.

"O episódio da Hecatombe de Garanhuns em 1917 mostra a mais cruel feição do coronelismo nordestino de inicio do século, a brutalidade e violência ali verificadas marcariam para sempre o povo de Garanhuns, dessa forma é imperioso trazermos esse tema neste grande programa dos Grandes Encontros Cariri Cangaço", revela o Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Geraldo Ferraz; neto de um dos grandes protagonistas do episódio, tenente Teophanes Torres.

"O programa Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta promete pois traz um recorte importante da história de Pernambuco, além do tema eletrizante, ainda teremos a participação de duas autoridades no assunto, Claudio Gonçalves e Geraldo Ferraz, que venha o debate sobre a Hecatombe de Garanhuns" afirma o Conselheiro Cariri Cangaço, Junior Almeida.

"A avaliação que faço do Impacto causado desse trágico acontecimento na evolução da nossa cidade,  é que na época Garanhuns despontava como uma das mais prospera economia do estado e com forte representação política, depois da Hecatombe muitas das famílias envolvidas no trágico episódio deixaram a cidade e a política e, Garanhuns perdeu um pouco o curso da História, reiniciando nas décadas seguintes a retomada de suas vocações econômicas" indica o pesquisador Cláudio Gonçalves.

GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

HECATOMBE DE GARANHUNS - Tragédia, Sangue e Morte

Dia 08 de Setembro de 2021, AO VIVO     

Canal do YouTube do Cariri Cangaço

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/09/a-hecatombe-de-garanhuns-chega-aos.html

PEDRO NÉL PEREIRA

 Por Laete Mendes Pereira

Para o meu pai Pedro Nél Pereira, hoje era um dia muito especial. Dia de desfile. Ele saía de casa muito cedo, só para não chegar atrasado no desfile. Era um compromisso que ele tinha dia 7 e 30 de setembro. Acordava bem cedinho, se arrumava e partia para participar dos eventos e desfiles pelo exército brasileiro. Era ex-combatente da guerra dos anos 40.

Hoje só ficamos com as boas lembranças que ele nos deixou aqui. Fica dos familiares uma grande recordação!

Adendo:

Verdade, Laete! Nosso pai se foi, mas as lembranças sempre presentes em nossas mentes.

https://www.facebook.com/laete.mandes

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BENJAMIN ABRAÃO BOTTO

Por Ivan Ribeiro

BENJAMIM ABRAHÃO BOTTO !!!!!!!!!!!!!!
O ÁRABE QUE FOI O RESPONSÁVEL
PELAS FOTOGRAFIAS E FILMAGENS
DE LAMPIÃO E SEU BANDO NOS
SERTÕES NORDESTINO ... ......

VIVA O CANGAÇO !! 

https://www.facebook.com/groups/476477993607651

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NA FOTO BENJAMIM ABRAHÃO BOTTO !!!!!!!!!

O HOMEM QUE FOI O RESPONSÁVEL PELAS FOTOGRAFIAS E FILMAGENS DE LAMPIÃO MARIA E OS CANGACEIROS NO SERTÃO NORDESTINO

E TEMPO DEPOIS ACABARIA MORTO HÁ GOLPES

DE FACA ...... ........ ......

E VIVA LAMPIÃO ! VIVA MARIA ! VIVA O CANGAÇO !

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"EU SOU DA VOLANTE" ..VÍDEO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=2Gi9Sp-eE8E&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

É uma canção de autoria de Jadilson Ferraz, que também a interpreta.

"Eu sou da volante" é uma homenagem às forças policiais que combateram o cangaceirismo no Nordeste brasileiro.

Jadilson Ferraz também é autor e intérprete da bela canção "Cangaceiro do Mato", que ressalta Lampião e os cangaceiros.

Isso mostra que o Cangaço hoje é história e que a guerra do cangaço já acabou há mais de 80 anos.

Todos unidos pela história.

Ficha Técnica:

Imagens: Felipe Mafuz

Apoio Técnico: Afrânio Gomes

Som direto: Beto Sousa

Direção Aderbal Nogueira

Agradecimento ao Grupo de Teatro de Nazaré, Luiz Emanuel Nogueira, Marrael Siqueira, Francisco Hiones, Ivan Ribeiro, José Romilson, Roberto Mila, Cícero Bezerra, Natan Menezes, Henágio Lira, Vitor Manoel, Fabrícia Barros, Fabíola Cristina, Marcos Vinícius, Ítalo Bezerra, Amilton Freire, Edielson de Lima, Temístocles Ferraz, e a todos de Floresta e Nazaré do Pico que contribuíram para a realização desse clipe.

Link desse vídeo:

 https://www.youtube.com/watch?v=2Gi9Sp-eE8E&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

"A MORTE DO CANGACEIRO MANOEL VITOR "

Hoje apresento para vocês a história da morte do cangaceiro Manoel Vitor, segundo o depoimento do filho do algoz do cangaceiro, o senhor Gerôncio Calaça Filho.

Antes, vamos relembrar quem foi o cangaceiro Manoel Vitor. Esse homem teria nascido em 1899 na cidade de Tacaratu em Pernambuco.

Teria abandonado um comércio estável devido as intrigas com a tradicional família dos Faceiros da mesma região. Esse fato causou diversas mortes na região, onde Manoel Vitor e seu irmão atuavam.

Vale lembrar que Manoel Vitor e seu irmão não eram do bando de Lampião, pelo contrário eram inimigos, mas isso contarei mais adiante...

Uma Curiosidade :

Segundo Renato Márcio Cardoso, Manoel Vitor era considerado o único cangaceiro comunista. Ele tinha se filiado ao partido comunista em 1934, era um comunista ativo, participava de reuniões, e até foi convidado a participar da intentona comunista de 1935 (revolução comunista comandada por Luís Carlos Prestes que visava derrubar o governo de Getúlio Vargas), só não o aceitou porque, achava que o partido não tinha condições de dar o golpe.

Mas vamos a história, o soldado Gerôncio Gomes Calaça nasceu em 07 de Julho de 1911 , na cidade de Floresta em Pernambuco. Logo passou atuar combatendo com rigor o banditismo na região. Gerôncio era um homem muito prestativo porém rígido e corajoso ao extremo.

Na região de Tacaratu um cangaceiro de nome Manoel Vitor espalhava o terror ao lado de seu irmão, em especial a uma família, os Faceiros. O cangaceiro e seu irmão junto com mais alguns cabras de sua confiança haviam matado vários membros dessa família.

Um dos familiares dos Faceiros, tinha conhecimento com Lampião, e assim, logo negociaram um meio para Virgolino Ferreira da Silva dar cabo de Manoel Vitor e sua gente.

Tudo acertado, o chefe mor do cangaço fez uma de suas visitas a região para cumprir o acordo, nesta feita, acabou matando o irmão de Manoel Vitor, e este consegue se evadir do local em fulga.

Dali por diante o ódio de Manoel Vitor por essa família só aumentou, assim como também seus ataques.

O soldado Gerôncio fazia parte da Força Volante do Tenente Arlindo Rocha, e uma certa tarde seguia firme na busca pelo bandido. Gerôncio era um excelente rastejador e logo encontrou o rastro do cangaceiro, que neste momento estava acompanhado de um cabra ( não se sabe o nome do mesmo ).

Na Serra da Fonte Grande, Manoel Vitor avistou os dois soldados e logo disparou contra os mesmos. O soldado Gerôncio é atingido e vai ao chão, porém o disparo acertou em seus acessórios que levava e assim não lhe causou dano maior, apenas o jogando ao solo, detalhe é que devido aos disparos, um pé de jurema caiu sobre o soldado.

O soldado Toinho Rocha companheiro de jornada de Gerôncio sustentou o fogo contra os inimigos.

Os bandidos seguiram em fuga, porém já recuperado, Gerôncio e seu companheiro Toinho Rocha os encontraram mais adiante. Manoel Vitor estava subindo a serra, coluna inclinada para trás, um alvo fácil para um bom atirador. E de fato isso aconteceu, com um balaço certeiro Manoel Vitor foi alvejado mortalmente pelo valente soldado Gerôncio Gomes Calaça.

O outro bandido conseguiu fugir, tomando destino ignorado. Ali na serra os dois soldados enterraram o perigoso cangaceiro, esse fato se deu em 02 de Setembro de 1937.

Já era noitinha, e ao regressarem para Tacaratu os soldados comunicaram o acontecido aos seus suoeriores e logo a notícia se espalhou, foram aclamados pela população aliviada.

No dia seguinte os familiares de Manoel Vitor afirmavam que aqueles soldados não teriam dado cabo do perigoso cangaceiro e que o mesmo havia fugido.O orgulho sertanejo daqueles homens falou mais alto e os soldados partem até o local da cova de Manoel Vitor, lá eles o desenterraam e o trás no lombo do jumento o cadáver do cangaceiro.

De volta a Tacaratu, eles amarram o cangaceiro ereto nas grades da cadeia da cidade, onde é tirada a grotesca fotografia.

Ali estava provado para quem quisesse ver, que o temido cangaceiro Manoel Vitor não mais perturbaria ninguém naquela região.

Detalhe é que foi colocado junto ao cangaceiro suas armas e assim temos seu único registro fotográfico, sendo este um dia após sua morte.

O soldado Gerôncio Gomes Calaça seguiu carreira militar, chegou a ser delegado da cidade de Belém de São Francisco, se tornou Tenente com méritos, combateu por muitos anos o banditismo, onde em breve trarei para vocês novas histórias sobre ele e suas façanhas.

Gerôncio Gomes Calaça faleceu no dia 09 de Agosto de 1990 aos 79 anos de idade em Belém do São Francisco.

Por : Helton Araújo

Obs : Alguns escrevem o nome do cangaceiro como Manoel " VICTOR "

Fonte : Dr. Gerôncio Calaça Filho e Hugo Leonardo Rodrigues Calaça ( filho e neto do Tenente Gerôncio )

Fotos : Cortesia Gerôncio e Hugo Calaça

Edição : Helton Araújo ( acervo pessoal )

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" FIGURAS DO CANGAÇO " 04 - ALFREDÃO :

Este homem foi um dos algozes dos cangaceiros Jurema, Jureminha ( Juremeira ) e Nevoeiro. Este fato se deu em uma Fazenda situada em Uauá na Bahia em 11 de Março de 1935.

Junto com Alfredão estavam outros dois civis, José Calixto e Otacílio.

Foto : Via Blog do Mendes ( créditos ao autor )

Edição : Helton Araújo ( acervo pessoal )

Querem conhecer mais personagens do cangaço?

Conheçam nosso grupo no Facebook CANGAÇO ETERNO , além de nossa página no Instagram e canal no YouTube ( todos com o mesmo nome )

Desde já agradeço aos idealizadores do grupo pelo espaço para postagens.

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HISTORIAS DE UM REI. LUIZ GONZAGA.


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" FIGURAS DO CANGAÇO " 03 - AMÉRICO FLOR

Américo Nogueira Souza ou simplesmente Américo Flor. Nasceu em 05 de Maio de 1912 em Nazaré do Pico, distrito de Floresta-PE.

Ele foi o 9° filho do casal João de Souza Nogueira e Angélica Teodora de Souza, irmão dos valentes Euclides, Manoel, Odilon e Luis Flor, assim como os irmãos também optou por seguir carreira militar.

Foi casado com Judite Ribeiro Campos Nogueira com quem teve 5 filhas. Também foi vereador da cidade de Itapetinga na Bahia, onde era Pecuarista.

Faleceu em 27 de Junho de 1998 aos 86 anos de idade.

Fonte : Genealogia Pernambucana.

Foto : Acervo Marilourdes Ferraz / Livro " O Canto do Acauã ".

Edição : Helton Araújo ( Acervo pessoal ).

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AS MORTES DOS CANGACEIROS MORMAÇO, BRONZEADO E CASCA GROSSA.

Por Sérgio Dantas

Mossoró, 12 de março de 1928. A cadeia pública passava por minuciosa revista. Prisioneiro recambiado para a cidade de Apodi deu conta às autoridades de plano de fuga encabeçado pelos cangaceiros Mormaço e Bronzeado. O objetivo da empreitada - segundo o delator - seria o aprisionamento do carcereiro e a tomada das armas depositadas no paiol.

Mormaço

A polícia não titubiou e investigou sumariamente a denúncia. Descobriu sinais de arrombamento em porão localizado no setor norte do presídio. Sem maiores rodeios, responsabilizou os dois cangaceiros por tentativa de fuga e os imobilizou à força de algemas(PIMENTA,1999).

Bronzeado

Na manhã seguinte, decidiu-se pelo encaminhamento dos prisioneiros para a capital. O tenente Laurentino ficou encarregado de facilitar o transporte. Além de Mormaço e Bronzeado, seriam de igual recambiados os criminosos Thomaz dos Santos e Waldemar Ramos, presos comuns, detidos há meses na cidade salineira.

A ordem de transferência para Natal - segundo insinuações surgidas no período subsequente à eclosão do movimento revolucionário de 1930 - partira do Governo do Estado, ainda na véspera.

Fato concreto, imaculado de dúvidas, é que a transferência em discussão foi efetivamente autorizada.

Entre Mossoró e Assú, no sítio Lagoa Serrada, os bandoleiros encontraram a morte. Foram fuzilados.

A terrível chacina, entretanto, presto foi maquiada sabe-se por quem. Espalhou-se, dia seguinte, notícias de que os bandidos forjaram uma briga entre si. Após, renderam um policial e tomaram-lhe o fuzil. Ato contínuo, Mormaço fuzilou os companheiros e se suicidou em seguida.

Outra versão deu conta que os bandidos tentaram fugir e foram alvejados pelos militares(NONATO, 1998).

O laudo oficial apontou vigorosa luta entre os criminosos, resultando a morte de cada um deles(PIMENTA, 1999).

Certo é que, pela manhã cedinho, corpos foram encontrados na beira da estrada.

Não se chegou à época, a ser apresentada a sociedade civil versão verossímil para o caso. Não houve, ao que parece, grande interesse em revelar ao público a covardia praticada contra os ex-celerados de Lampião. Jornal de Mossoró, "O Nordeste", ponderava a desnecessidade de investigação mais apurada. Indiretamente, atribuía pouca relevância ao fato.

Sustentado no ataque dos cangaceiros à cidade em 13 de junho do ano anterior - como justificativa para a execução dos presidiários - o seminário disparava: "Façamos um retrospecto do passado. Meditemos sobre o abalo moral de nossas famílias e sobre algumas funestas consequências sabidas, entre nós; reflitamos sobre os roubos violentos e desalmados, por aí afora, a honestos e laboriosos chefes de família, sempre injuriados fortemente; nas prisões, destes e destas senhoras, conduzidos a trancos e barrancos como reféns; nos desvirginamentos impetuosos e estupros monstruosos a senhoras casadas.

E concluia o artigo, como misericordioso e justo pretor: "O silêncio devia ser a nosso única "palavra" de justiça, ainda que um grande sentimento de piedade protestasse intimamente, contra a execução dos bandidos".(PIMENTA, 1999, p.81).

Pouco depois da execução dos famosos cangaceiros, levantava-se a suspeita de que o bandido Miguel Inácio dos Santos, o "Casca Grossa", também fora fuzilado e sepultado furtivamente, ao final de fevereiro, dias após prestar depoimentos a polícia de Martins.

A cultura da morte sumária disseminava-se franca também pelo Rio Grande do Norte.

Fonte:

DANTAS, Sérgio. Lampião e o Rio Grande do Norte: a história da grande jornada. 2.ed. Cajazeiras: Real, 2014.

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SAPATOS APROPRIADOS PARA LADRÕES DE GADO.

 Por Cezar Resende

Estes sapatos estão localizados no Museu Nordeste de Nevada, em Elko, Nevada. Eles foram construídos e usados por um ladrão de gado chamado "Crazy Tex" Hazelwood na década de 1920 para esconder suas pegadas ao roubar vacas.

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BRASILEIROS EM CASERNA CABANETA

Acervo do Sálvio Siqueira 

Brasileiros em Caserna Cabaneta, aquartelamento pós-guerra, em foto representando a função de detecção de minas. Foto do acervo do soldado Estephano Maier, de Jaraguá do Sul/SC (*1919 +2001). Ele foi um dos descendentes de alemães nascidos no Brasil que lutaram contra o nazifascismo. Na FEB, exerceu a função de detector de minas no 11º Regimento de Infantaria.

Foto do acervo do Museu da paz de Jaraguá do Sul/SC. Se copiar para usar em outro lugar, DÊ CRÉDITO para o Museu da Paz, como forma de valorizar o trabalho da Instituição e incentivar sua continuidade.

Sobre o museu: se localiza na Av. Getúlio Vargas, 405 - Centro, Jaraguá do Sul – SC. É aberto para visitação pública e possui mais de 300 peças no acervo. Funciona desde 1996 e possui equipe multidisciplinar com o objetivo de cumprir sua missão de “fomentar a paz, garantindo um espaço de diálogo e reflexões, difundindo a memória e a identidade da Força Expedicionária Brasileira e salvaguardando o patrimônio material e imaterial das duas grandes guerras por meio do acervo musealizado de época”.

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domingo, 5 de setembro de 2021

RÁDIO A VOZ DE OURO " CARNARINHO"

O Barqueiro e o Rádio.

Em 1928, Lampião e seu reduzido bando atravessou de Pernambuco para Bahia fugindo da perseguição das Volantes. Três barqueiros foram responsáveis por sua atravessia naquela noite frio de Agosto. Assim o Rei do Cangaço mudaria sua história para sempre , os pobres barqueiros que auxiliaram foram perseguidos e presos. 

Depois que o Rei do Cangaço tombou sem vida no dia 28 de julho de 1938, o sertão voltou a ter paz. Com o processo econômico no Sudeste , muitos nordestinos partiram para a São Paulo. Na maior metrópole do país tentando a vida um dos filhos do barqueiro 

Estêvão comprou esse rádio e presentou seu pai. Ele nll foi o primeiro aparelho de comunicação da região do Sobrado em Petrolândia-PE, fabricado na era do ouro do rádio , muitas notícias foram ouvidas nele, salientado que esse modelo de rádio é pós -cangaço , antigamente nos programas de cantorias o velho barqueiro ficava ouvindo as modas de violas que falava de Lampião. 

E muitos não imaginavam que aquele ancião escultando seu rádio atravessou o cangaceiro mais temido das caatingas para outro estado. Hoje essa relíquia faz parte do meu acervo particular presente do filho do barqueiro.

Acervo : Giovane Gomes

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LAMPIÃO VINGA O FIM DO SEU AMIGO

Por Histórias da Vida Real 

https://www.youtube.com/watch?v=VE_Yp-IeQA0&ab_channel=Hist%C3%B3riasdaVidareal

Veja a História, LAMPIÃO VINGA O FIM DO SEU AMIGO, um sargento deu fim a um amigo coiteiro de lampião, e aí Lampião foi na captura... pois o ato foi uma covardia sem tamanho... 

Quer saber o que aconteceu? Então venha comigo assistir ao vídeo. #historiasdavidareal #lampiãovingaoamigo 

Contato: artehoraciomoura@gmail.com

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A RIXA ENTRE AS FAMÍLIAS PEREIRA X CARVALHO NO SERTÃO DO PAJEÚ

Por Nordeste Fantástico 

https://www.youtube.com/watch?v=-Z2I7Yu_MRE&ab_channel=NordesteFant%C3%A1stico

Compre o livro "Apagando o Lampião: Vida e morte do rei do Cangaço" pelo link e ajude o crescimento do canal: https://amzn.to/3BnlTiK

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A TRAIÇÃO DE ISAIAS ARRUDA A LAMPIÃO E A COLHER DE LATÃO.

 Por Nas Pegadas da História

https://www.youtube.com/watch?v=UwWUQJcSa8c&ab_channel=NASPEGADASDAHIST%C3%93RIA

DICAS DE LIVROS. Nossa livraria https://ler-para-melhor-viver.webnode...

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CANGAÇO - LAMPIÃO E ZÉ BAIANO EM ALAGADIÇO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=UzVh0QXL1ns&t=323s&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Cangaço - Lampião e Zé Baiano em Alagadiço O pesquisador Antônio Porfírio nos fala nessa 1ª parte do vídeo sobre a chegada do cangaceiro Zé Baiano a Alagadiço (SE) e porque Lampião também esteve algumas vezes na região. 

Link desse vídeo: https://youtu.be/UzVh0QXL1ns

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ARMAS DO CANGAÇO | FABINHO FILHO DO SERTÃO

 Por Fabinho Filho do Sertão

https://www.youtube.com/watch?v=tawqe3FB5I4&ab_channel=FABINHOFILHODOSERT%C3%83O

Olá pessoal no vídeo de hoje vou tá mostrando uma arma que é relíquia nos dias de hoje,ela foi muito utilizada por cangaceiros e volantes no tempo do cangaço, estou falando do PARABELO veja o vídeo até o fim e veja que arma linda.

VEJAM ESSE VÍDEO TOP NO CANAL CULTURA DO VAQUEIRO

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CORREIO BRASILIENSE (DF) – 12, 13 E 14 DE MAIO DE 1966 Uma histórica entrevista com Ferreira de Melo

 Transcrição de Antonio Correia Sobrinho

54 anos, neste maio de 2020, da publicação, pelo jornal de Brasília, o Correio Brasiliense, da histórica entrevista do Coronel Francisco Ferreira de Melo, concedida ao jornalista Antônio Sapucaia. Francisco Ferreira de Melo que, como sabemos, foi um dos comandantes das forças militares alagoanas que cercaram e mataram Lampião, em 1938, e se não escreveu livro para dizer deste impressionante e inesquecível acontecimento, como o fez o seu comandante, o Coronel João Bezerra, neste seu depoimento aos Jornais Associados, Francisco Ferreira de Melo apresenta suas impressões e diz sobre a sua participação em Angicos.

Registro que o amigo José Vanderli Silva é o maior responsável por esta postagem, a quem aqui agradeço, visto que foi ele que me consultou sobre esta entrevista, que me levou a buscá-la nos periódicos. E como sempre faço com o que leio e acho interessante, sobre cangaço, trago para os grupos, devidamente digitalizado, para conhecimento e deleite da gente.
__________
LAMPIÃO EM VERSÃO DEFINITIVA
PUNHAL CRAVADO NO PEITO LEVOU COITEIRO A DENUNCIAR LAMPIÃO


Texto de Antônio Sapucaia

Novas controvérsias sobre a figura lendária e quixotesca de Virgulino Ferreira da Silva – Lampião – levaram dois repórteres associados a percorrer o interior de Alagoas na busca do homem que comandou o ataque decisivo na destruição do bando que durante mais de 20 anos levou a intranquilidade e o pânico a toda região nordestina. Antonio Sapucaia e José Ronaldo localizaram o tenente-coronel da Polícia Militar de Alagoas Francisco Ferreira de Melo, numa fazenda do município litorâneo de Coruripe.

 Assim era o aspirante Ferreira na época do massacre

Pela primeira vez, desde o fatídico 28 de julho de 1938, o coronel Ferreira fala com franqueza e conta tudo sobre o morticínio do bando terrível que matou e saqueou sem piedade em sete Estados da Federação.

Esta, e a história inédita que o coronel Ferreira reteve por 18 anos.
_________________

Durante mais de dois decênios, os sertões nordestinos viveram sobressaltados pelas truculências de Virgulino Ferreira da Silva, o famigerado Lampião, ao lado de outros cangaceiros que lhe obedeciam severamente às ordens recebidas.

Decorridos quase 30 anos do desaparecimento do mais perverso bandido que o Brasil conheceu, vemo-lo transformado em motivo inspirador da nossa música popular, romances, filmes, painéis, enquanto seus familiares vêm travando uma longa batalha: levar ao cemitério a cabeça dele e de Maria Bonita, que se acham insepultas no Museu Estácio de Lima, na Bahia. Ao lado de tudo isto, vem de surgir um fato curioso, envolvendo a “ressurreição” do “Rei do Cangaço” um velhinho paraibano radicado em Fortaleza, que conviveu, conheceu muito bem e até combateu Lampião nas caatingas”, divulgou recentemente que o desalmado cangaceiro não havia morrido e que a existência de Maria Bonita não passava de um mito, porquanto a mesma nunca existira a não ser na imaginação de trovadores e romancistas de feira. Disse ainda que Lampião “está mais vivo do que nunca, negociando gado em Campina Grande e vivendo como um nababo”. Chega a desafiar a qualquer “doutor” a provar o contrário.

Tais afirmações, bem como alguns pontos obscuros e controversos, que existem em torno do “Capitão” Lampião, levaram-nos a uma figura das mais autorizadas sobre o assunto, de vez que assistiu de perto o seu extermínio, lutando e comandando. Trata-se do tenente-coronel reformado, Francisco Ferreira de Melo, aspirante de então que comandara uma das volantes e que, em atenção ao tenente João Bezerra, seu compadre e amigo, e já na pista de Lampião, chegara a orientar o movimento das tropas que cercariam o cangaceiro e seus asseclas. Além disto, foi a sua tripa que primeiro se defrontou com os bandidos, abrindo fogo e os destruindo, na maioria.

A PALAVRA DO CORONEL

Fomos localizá-lo no Poxim, povoado pertencente ao município de Coruripe, estado de Alagoas, onde vive inteiramente voltado para o coqueiral que se estende ao longo dos fundos da sua residência, uma espécie de casa-grande. Durante aproximadamente 13 anos, em pleno vigor da sua mocidade, perseguiu Lampião, tornando-se um dos militares de grande confiança, o que é confirmado pelo fato de ter sido escolhido para comandar uma das volantes, as quais eram subordinas ao comando geral sob a responsabilidade do então coronel Lucena, um homem de fibra, bastante enérgico e vocacionado para a missão.

Homem de 61 anos, em cuja voz e traços fisionômicos percebem-se as pinceladas da velhice, o coronel Ferreira não se faz de rogado. Começa dizendo que retroceder a esse período da nossa história é nos deparar com uma série de atrocidades, lutas, fome, miséria, toda espécie de sofrimento. Fala com entusiasmo, gesticula e procura ser o mais fiel possível.

- “Para muita gente, que se mantinha distante dos acontecimentos, Lampião agia exclusivamente ao lado dos seus cabras, constituindo, todos, apenas um grupo. É puro engano dos que assim pensam. Do mesmo modo que a Polícia tinha as suas volantes, agindo em pontos diferentes, Lampião comandava também vários grupos, que se dispersavam pelas caatingas nordestinas, cometendo as piores misérias. Eu mesmo – prossegue o Coronel – cheguei a travar alguns combates com vários desses malfeitores, sem nunca ter me defrontado com o grupo em que se encontrava o perverso bandido. Com ele, travei apenas um combate – o primeiro e único – que foi o de Angicos, e que culminou com a sua morte.

O certo é que todos eram de uma perversidade extrema e, por onde quer que passassem, deixavam o rastro da sua periculosidade. Só mesmo com disposição, sangue frio e muito espírito de luta é que se poderia enfrentar e dar fim aqueles infelizes malfeitores.

 
 Aspirante Ferreira observa carro queimado por Corisco em 1938

HOMENS SELECIONADOS

- “Os nossos homens eram todos selecionados, escolhidos a dedo, e aquele que demonstrava sinal de fraqueza, não poderia figurar ao nosso lado. Muitos deles, bravos e destemidos, ainda estão por aí, relembrando os dias negros que vivemos, para vermos terminado um verdadeiro período de calamidade, que colocava em pânico todo o Nordeste. Afastados dos nossos lares – continua o Coronel – passamos muitas noites de olhos abertos, em meio à caatinga brava, e era comum passarmos muitos dias de estômago vazio. Se por vezes tínhamos as criações, bodes, carneiros, etc., às vezes nada tínhamos, a não ser a fome que nos deixava assustados.

Incrível que pareça, eu mesmo, certa vez, cheguei a comer pedrinhas, cuidadosamente catadas, tamanha era a fome que de mim se apoderava.

Em 1938, o aspirante Ferreira de Melo tinha o comando da sua tropa sediada em Pedra de Delmiro, a do tenente Bezerra em Piranhas e a do cabo Aniceto, em Mata Grande, enquanto o comando-geral situava-se em Santana do Ipanema.

No dia 27 de julho de 1938, uma quarta-feira, as tropas do aspirante Ferreira e do tenente Bezerra encontravam-se em Pedra de Delmiro, juntas, ocasião em que os seus comandantes traçavam planos para uma batida que julgavam de importância vital para o extermínio ou captura do adversário. Enquanto o tenente Bezerra deixara Piranhas para encontrar-se com o aspirantes Ferreira, na Vila de Pedra, o cabo Aniceto, deixava Mata Grande, sob a alegação de que teria faltado mantimentos que garantissem a permanência do seu pessoal ali, e demandara Piranhas, onde morava sua noiva, por sinal, filha do prefeito daquele Município.

Foi justamente nessa ocasião que, inesperadamente, segundo narra o coronel Ferreira, chegara a Piranhas um caboclo, meio assustado e tímido à procura do tenente Bezerra, manifestando o desejo de com ele se avistar. Interrogado sobre o que desejava, relutou em responder, posto que o sertanejo comumente é desconfiado. Depois de muita insistência, resolveu confessar então que, horas atrás, vira um grupo de cangaceiros em Entremontes, distante dali umas duas léguas.

Detalhadamente, dissera que, no momento em que tangia alguns bodes, observou que alguns bandidos se encontravam em um roçado, quebrando milho e roubando melancias. Reconheceu que pertenciam ao grupo de Lampião. Diante do que vira, estava desejando falar com o tenente Bezerra, a fim de que o oficial rumasse para aquele povoado. Inteirado do fato, sem perder tempo o cabo Aniceto não teve outro caminho, senão telegrafar ao Tenente Bezerra: “Venha urgente boi curral”.

Tão logo a mensagem chegou ao poder do seu destinatário, este acusara o recebimento do telegrama, ao mesmo tempo em que solicitava do seu subordinado que providenciasse uma condução, e os viesse apanhar, pois em Pedra não havia nenhuma condução motorizada naquele momento. Apesar disto, as duas tropas, de Bezerra e Ferreira, partiram com destino a Piranhas, a pé, porque não se poderia perder tempo. Afinal de contas, a condução poderia vir ou não!

Depois de enfrentarem, durante algumas horas, as terras comburidas e o solo causticante, encontraram um caminhão, procedente de Mata Grande, conduzindo alguns feirantes e suas mercadorias. O Tenente Bezerra determinou, assim, que fosse descarregado o caminhão, fizesse a volta e os conduzisse até Piranhas, o que foi feito incontinente, enquanto os passageiros ficaram aguardando o retorno da condução.

NO ENCALÇO DE LAMPIÃO

Em Piranhas, trataram de providenciar uma canoa, a fim de que, através do rio São Francisco, eles pudessem alcançar a localidade onde se encontravam os bandidos. Depois de grande esforço, resolveram ajoujar três canoas – diz o coronel –, única solução viável naquele momento, uma vez que, eram aproximadamente 45 homens e se tornava necessária a presença de todos. O percurso dessa arriscada viagem foi feito à noite, sob forte aguaceiro, tendo os policiais chegado em Entremontes, cerca das 22 horas.

- “Quando alcançamos aquele povoado, ficamos à margem do rio, tendo o tenente Bezerra, comandante das tropas, determinado que o cabo Bida fosse à casa de Pedro de Cândida, bem próximo dali, e o trouxesse preso. Pedro de Cândida – esclarece o coronel – era um dos inúmeros coiteiros de Lampião, vivendo exclusivamente às expensas deste e sempre afirmava que botaria a policial em cima de todos os grupos, menos no de Virgulino Ferreira. Retornando sem haver cumprido a missão, o cabo Bida informou que Pedro de Cândida havia dito que por obséquio, o tenente fosse falar com ele em sua própria casa.

O pior de tudo, é que não trouxe o homem. Ficamos tomados de grande revolta e o único pensamento que me veio à cabeça era de que o Pedro havia fugido e ninguém mais o encontraria. Mas, graças a Deus e à sua ousadia, que era demais, o homem não se arredara de casa e dois soldados foram buscá-lo, dessa vez com fortes recomendações. E o trouxeram, sem muito esforço. Diante do tenente Bezerra – continua o coronel – a despeito dos apertos que levou, o coiteiro-mor nada confessou, afirmando sempre não saber onde esse encontrava Lampião.

Persistindo no intento de arrancar a confissão verdadeira, fosse de que maneira fosse, uma vez que ninguém tinha mais dúvida de que ele poderia tudo esclarecer, o comandante das nossas tropas resolveu encaminhá-lo para mim, no sentido de que eu desse um “jeitinho” para desvendar o mistério em torno do paradeiro dos bandidos.

PEDRO DE CÂNDIDO CONFESSA

- “Chamei-o para um lugarzinho afastado, já tomado de forte cólera, e conclui que a única solução do assunto dependia de uma medida rigorosa que, de fato, pudesse assustar ao maldito coiteiro. Saquei de um punhal que conduzia e encostei ao peito esquerdo dele, e disse com voz firme: “você tem dois caminhos a seguir: ou confessa ou morre. Por duas vezes, encostei-lhe o punhal, furando-o sem grande profundidade. Na terceira vez, quando ele percebeu que eu estava realmente disposto a mandá-lo para o outro mundo, resolveu falar, insistindo para que eu não o matasse.

- “Eu vou contar tudo – disse Pedro de Cândido ao aspirante – mas vai morrer muita gente...”

- Cientifiquei o ocorrido ao compadre Bezerra e mandei que ele próprio ouvisse a confissão. Sem muita demora, foi logo dizendo que os cangaceiros de fato estiveram em Entremontes, porém já haviam atravessado o rio, estando em Sergipe, e que um seu irmão, que residia a margem do rio, no outro lado, sabia esclarecer detalhadamente sobre o paradeiro dos bandidos, principalmente porque, no dia anterior, havia levado um bode assado para o “capitão” Lampião e sua gente. Não é necessário dizer que custamos a acreditar naquela conversa. Mesmo assim, atravessamos o São Francisco, conduzindo entre nós Pedro da Cândida, ocasião em que nos dissera que, se porventura não fosse verdadeiro o que ele acaba de confessar, pudéssemos matá-lo. A partir daquele momento, criamos alma nova e ficamos na certeza de que estávamos nos calcanhares de Lampião. A chuva não cessava e era cada vez maior a nossa esperança de vermos terminada aquela jornada, que havia começado há vários anos, sem ninguém saber quando terminaria!

CORONEL CONFESSA: DEGOLA DOS BANDIDOS FOI LIDERADA POR MIM

Após a confissão de Pedro de Cândida, os “macacos” perceberam que estavam no começo do fim. Ouçamos o coronel Ferreira:

- “ Quando atravessamos o São Francisco, encostamos as canoas em um lajedo e rumamos para a casa do irmão de Pedro de Cândida, cujo nome não consegui gravar. Deixamos o coiteiro em poder de alguns soldados, e procuramos falar com seu irmão, sem dizermos que Pedro se encontrava conosco. Insistimos bastante e ele nada queria nos confessar, sempre negando, até que a nossa paciência se esgotou. Daí, procuramos fazer a acareação dele com o irmão, tendo este, tão logo se avistaram, pedido que confessasse tudo, pois já havia descoberto o que sabia e estava tudo perdido. Seria inútil qualquer tentativa em sentido contrário. Nada mais restava fazer. E o rapazote despejou tudo com facilidade, inclusive confirmou que no dia anterior havia levado um bode assado para Lampião. E acrescentou que ele havia dito que, se não partissem naquela tarde, partiriam no dia seguinte, cedinho.
O Coronel Ferreira respira fundo, esfrega as mãos e diz que a partir daquele instante estava iniciada uma verdadeira via crucis. Estávamos cansados, molhados como patos n’água, mas tínhamos uma missão a cumprir – confessou-nos calmamente.

- “As tropas foram divididas. Cada grupo seguiu o seu rumo e coube à minha volante conduzir Pedro de Cândida, que nos mostraria o local onde se achava o assassino. Andamos de quatro pés, de joelhos, rastejamos, e quanto mais nos aproximávamos, em meio à escuridão, falávamos aos cochichos, evitando, assim, que algum barulho viesse a denunciar a nossa presença. Vivemos momentos de intensa apreensão. Ficou convencionado que o tenente Bezerra, tão logo se aproximasse do esconderijo, daria o primeiro tiro, no que seria seguido por todos nós. O correu, no entanto, que a minha tropa tanto se aproximou dos miseráveis, ao ponto de vermos, a poucos metros da nossa frente, um cangaceiro de cócoras, apanhando água, com uma cabaça, ou cantil. Mais tarde, viemos a saber que se tratava de Zé Sereno.

Ouvimos o chocalho dos animais, fortes gargalhadas, e naquele momento, entre o clarear do dia e a penumbra da noite, o soldado Abdon, viu-se tão perto de um cangaceiro, conhecido por “Quinta Feira” que, sem a menor demora, deu-lhe um tiro. Estava iniciado o tiroteio. Um minuto de indecisão, e naturalmente teríamos levado chumbo. Iniciada a batalha, confesso que nunca vi quadro tão horroroso, principalmente pelos gritos horripilantes que os cangaceiros davam. Eram gritos horríveis, que assustariam a qualquer cristão, mesmo preparado para o difícil momento. O tiroteio durou uns 20 minutos, aproximadamente, em meio a uma fumaceira terrível, onde se misturavam a neblina da manhã com a fumaça vomitada pelas armas, enquanto espirrava cangaceiro por todos os lados. Quando já havíamos derrubado seus bandidos, já a tropa do tenente Bezerra se aproximava, dando prosseguimento ao tiroteio, derrubando os que iam aparecendo.

 Volante do Tenente Ferreira de Mello Chico Ferreira, 
quando retornavam de Angico, dias após a chacina

LAMPIÃO E MARIA BONITA BALEADOS

- “Cessado o fogo, fomos dar balanço das vítimas. Dos nossos companheiros, o soldado Adrião fora baleado mortalmente. Lampião recebera apenas uma bala, atingindo-o no lado esquerdo da região umbilical. Ainda agonizava, quando um dos nossos soldados aproximou-se dele, e, apontando o fuzil em direção da sua cabeça, ia puxando o gatilho, no que foi obstado por um outro soldado, Sebastião Vieira Sandes, conhecido por Santos, meu compadre e um dos mais corajosos milicianos que conheci. Mesmo assim, a bala que se destinaria diretamente à sua testa, ainda o atingiu, embora de raspão.

Ao seu lado, Maria Bonita, com o fato todo de fora, pronunciava palavras incompreensíveis, arrancadas com esforço de moribundo. Luís Pedro, lugar-tenente de Lampião, ainda correu, tendo sido baleado a umas 10 ou 15 braças do local, acompanhado de um seu afilhado, o bandido “Vilanova”. Atingido por balas mortais, insistia com Vilanova para que este o acabasse de matar e que, como lembrança, ficasse com o seu mosquetão. Não resistiu, e o afilhado ficou com o mosquetão e o chapéu de como lembrança. No local – conclui o Coronel Ferreira – além de dois animais que eles conduziam, encontramos duas máquinas de costuras, manuais, comida de várias espécies, principalmente carne de conserva, jornais, medalhas, anéis de todo tipo, além de um verdadeiro arsenal.

DEGOLA: INICIATIVA DO CORONEL

Como se sabe, as vítimas da chacina de Angicos, excluindo o soldado Adrião, perfizeram um total de onze: Lampião, Luís Pedro, Quinta Feira, Mergulhão, Elétrico, Caixa de Fósforo, Cajarana, Diferente, Maria Bonita e Enedina, além de outro cujo nome não conseguimos reter. Cessada a batalha, jaziam alguns cangaceiros, enquanto outros ainda agonizavam.

Tomado de ingente revolta, o aspirante Ferreira chegou a sangrar um dos bandidos, que, num gesto de represália involuntária, jogou-lhe algumas golfadas de sangue, em meio aos horríveis gritos que antecedem aos instantes finais da vida.

- “Qualquer homem de bem, por mais pacato que seja – justifica o coronel – faria o que eu fiz. Bastaria que conhecesse de perto, colocando diante dos olhos os quadros de misérias que as terras sertanejas estavam cansadas de nos expor tendo com responsáveis aqueles perversos e miseráveis bandidos. Certa vez, não pude me controlar e cheguei a chorar, quando cheguei a uma casa e vi toda família, inclusive alguns menores, todos amarrados e queimados, vítimas de Lampião e seus comandados. Em plena caatinga, era hábito encontrarmos esqueletos dependurados em árvores, iniciativa do terrível Virgulino Ferreira. Seria ocioso mencionar as suas perversidades, por demais conhecidas, embora não na sua totalidade.

MARIA ERA MESMO BONITA E O “REI DO CANGAÇO” NÃO MORREU DORMINDO

Dizíamos, no meio desta série de reportagem, que existiam muitos pontos obscuros e controversos sobre Lampião, sua gente, suas façanhas. Um deles, por exemplo, prende-se ao coiteiro-mor Pedro de Cândido, o homem que conduziu o Tenente Bezerra e os seus comandados até ao esconderijo em que se achava o perverso cangaceiro, de conluio com algumas dezenas de divorciados da lei.

Numa série de entrevistas concedias aos Associados, o ex-cangaceiro “Volta Seca”, atualmente Antônio dos Santos, pai de sete filhos, funcionário da Leopoldina, no Rio, dissera entre outras coisas que, após a degola dos cangaceiros, as tropas da polícia alagoana deram cabo de Pedro da Cândido.

- “Nada mais inverídico e falso – refuta o Coronel. Na realidade, quando o conduzíamos em demanda de Angicos, levando-o com certa cautela, eu havia autorizado a dois soldados que, tão logo fosse iniciado o tiroteio, acabasse com a vida dele. Entretanto, apesar de não ser lá nenhum bom coração, resolvi pensar de modo diferente, atendendo aos seus clamorosos apelos, sobretudo com referência à família, que ia ficar desamparada. Assim sendo, através de gestos, eu transmiti aos soldados que nada fizessem, deixassem-no ir embora. E assim foi feito. Não posso esclarecer como ele escapuliu e foi bater em casa, mas uma coisa posso afirmar: um mês depois da chacina, Pedro de Cândida ainda tirava espinhos do corpo, um tanto inchado, em consequência da carreira que dera, enfrentando os mandacarus, xique-xiques e todos os tipos de plantas bravas.

Para desfazer totalmente as informações de Volta Seca, o coronel diz que os governos de Bahia e Alagoas (o interventor de Alagoas era o Dr. Osman Loureiro), juntos, ofertaram cem mil cruzeiros, a serem distribuídos com os participantes da luta, tendo ele e o Tenente Bezerra recebido maiores parcelas, enquanto o restante recebeu quantias iguais, inclusive o próprio Pedro de Cândido. Diz, ainda, que o referido coiteiro ingressara na polícia alagoana, na qualidade de cabo, tendo ido destacar em Entremontes, local em que residia.

 O aspirante Ferreira de Melo e o soldado Noratinho 
mostram a Melchiades da Rocha o local onde Lampião foi decapitado.

ASSASSINADO ANOS DEPOIS

E o coronel revela:

- “Destacando em Entremontes, Pedro de Cândido, que era muito mulherengo, habitualmente deixava aquele distrito, conduzido em uma canoa por ele mesmo remada, em demanda de Piranhas. Naquela cidade, Pedro tinha as suas aventurazinhas amorosas. Nessa época, começou a aparecer um boato de que existia “bicho” naquelas redondezas, chegando a ser “visto” por muitas pessoas. Certa noite, quando um rapazinho de 15 a 16 anos transitava nas imediações do rio São Francisco, e tendo que passar por um caminho que se localizava bem a sua margem, inesperadamente deparou-se com um vulto, braços abertos, dando a ideia de que iria abraçá-lo. Já ciente do boato que circulava em Piranhas, ficou na certeza de que estava fielmente diante do lobisomem. Deste modo, talvez impulsionado pelo próprio medo, puxou do bolso uma “faquinha de cabo preto”, que conduzia, e a cravou no peito esquerdo do suposto fantasma, saindo a gritar dizendo que havia morto o “bicho”.

Com grande surpresa para os habitantes dali, verificaram, depois, que se tratava de Pedro de Cândido, trajando um capote escuro, na época distribuído pela polícia de Alagoas.

LAMPIÃO NÃO MORREU DORMINDO

Outra inverdade divulgada pelo ex-integrante do grupo de Lampião, refere-se à morte do seu ex-chefe, quando afirma que o “rei do cangaço” morreu dormindo, sem tempo para acordar. E acrescenta que “foi encontrado no chão, mas já caiu da rede morto e ensanguentado, com o corpo crivado de balas”.
- “Lampião, diz o coronel Ferreira, sem dúvida alguma foi tomado de surpresa e longe estava ele de acreditar que àquelas horas, naquele seu infeliz amanhecer de 28 de julho de 1938, nossas tropas estivessem, ali, ao seu redor. A bem da verdade, torna-se necessário esclarecer que o fato de termos o agarrado inesperadamente, ajudou-nos bastante, visto que, bastaria uma simples falha nossa, ou até mesmo uma simples indecisão ao abrir fogo, e talvez poucos soldados das nossas volantes viessem a descrever aqueles instante de ferocidade e agonia. Apesar de o termos cercado de surpresa, afirmo categoricamente que Lampião não morreu dormindo, nem foi crivado por várias balas.

Todos os cangaceiros já se encontravam de pé, naturalmente se aprontando para a partida, pois o dia já estava amanhecendo e Lampião, conforme é sabido por todos, não era homem de dormir até tarde, principalmente com os seus subordinados acordados. Isto não passa de conversa mole, que não tem nenhuma razão de ser. Lampião já estava de pé e recebeu apenas uma bala, conforme eu já disse, empunhada pelo cabo Honorato, conhecido por Honoratinho. Todavia, ninguém poderia precisar, em meio ao fumaceiro, às apreensões e a balbúrdia do momento, que esse ou aquele policial tivesse atingido ao nosso terrível adversário. O verdadeiro, no duro, é que foi a minha tropa que exterminou Lampião. Esta é que é a verdade – diz energicamente o Coronel Ferreira.

 


ANTÔNIO FERREIRA É UM PSICOPATA

A entrevista está no fim. “Seu Antônio Ferreira, declarou que Lampião não havia morrido e que Maria nunca existiu, de vez que ele participava também do bando e nunca viu mulher ou mulheres entre eles.

Lemos para o Coronel as ousadas declarações do velhinho paraibano, ouvidas sobre forte gargalhada.

- “Só mesmo um psicopata, poderia fazer tão imbecil afirmativa, sem pé nem cabeça, decerto procurando um início de levar o nome às páginas dos jornais. Se Lampião não morreu, como é que os membros da sua família vêm lutando para sepultar a cabeça dele e de Maria Bonita? Se Lampião não morreu, como é que os próprios sequazes seus, que lado a lado viviam com ele, constantemente se referem ao seu desaparecimento, muito embora nem sempre historiando a verdade dos fatos? Existira prova mais fiel do que a existência da sua cabeça, já mumificada, no museu Estácio de Lima, na Bahia?

- “Não consigo entender como é que uma pessoa afirma que não existiam mulheres no bando de Lampião. Eu mesmo fiquei com algumas fotografias, pertencentes ao desgraçado cangaceiro, retiradas de uma lata que se achava em seu poder, onde se constata a existência das mulheres.

Folheia um álbum, que nos deu para examinar, no qual, dentre várias fotos, encontra-se uma do bandido “Pancada”, ao lado a sua companheira, cujo nome desconhece. Mais adiante, lá estão Lampião e Maria Bonita, esta sentada, entre dois cachorros, e aquele de pé, ao lado, em um jornal. da fotografia, vê-se que Maria Bonita era bonita mesmo e dona de umas lindas pernas.

 Ferreira e o jornalista

 HOMEM DE CONSCIÊNCIA TRANQUILA

Aos 61 anos de idade, o tenente coronel Ferreira de Melo é um homem que diz viver de consciência tranquila, não obstante algumas malvadezas que teve de praticar, forçado pelos ossos do ofício, nem sempre ossos bons de roer. Respeitado e admirado, vive sob a glória de haver concorrido bravamente para o extermínio do maior bandido que o Brasil conheceu e reconhece que o triunfo coube a todos que participaram da chacina e outros que direta ou indiretamente, deram a sua parcela de sacrifício, em defesa da tranquilidade da nação. Cita os nomes do coronel Lucena Maranhão, do Tenente Bezerra, do ex-cabo Aniceto, que morreu baleado em Santana do Mundaú, no de 1959, e não esquece, entre vários outros, o Dr. Osman Loureiro que, na qualidade de Interventor, muito fez para a extinção daquela praga social.

Ainda hoje, na tranquilidade em que vive, fala de Lampião com ares de revolta e ódio.

Bônus:

Francisco Ferreira de Melo em dias de paz.

A Ilustração ficou por conta do Blog Lampião Aceso

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2020/07/correio-brasiliense-df-12-13-e-14-de.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com