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segunda-feira, 4 de abril de 2022

ESCRITOR CAPOEIRENSE JUNIOR ALMEIDA LANÇOU SEU NOVO LIVRO EM PAULO AFONSO - BA

  

O escritor capoeirense Junior Almeida, na noite da sexta-feira, 25/03/2022, lançou seu novo livro, ‘Lampião em Serrinha do Catimbau’. O lançamento ocorreu durante o evento Cariri Cangaço realizado na cidade de Paulo Afonso, Bahia.

Lampião em Serrinha do Catimbau, narra a investida de Lampião e seu bando a Serrinha do Catimbau, na época um distrito pertencente a Garanhuns e, hoje município de Paranatama. O livro traz fatos novos sobre o episódio no qual Maria Bonita foi alvejada com um tiro na região glútea, obrigando Lampião e seu bando saírem em retirada.

- Apresento ao público uma dedicada e extensa pesquisa, onde trago à tona a rota de fuga do bando, após o fogo de Serrinha, o local em que Maria do Capitão ficou em tratamento, bem como seu algoz e seu anjo da guarda, o homem que tratou de Maria Bonita durante quarenta dias, então, nada melhor que um livro que fala tanto sobre a célebre pauloafonsina, ter o seu primeiro lançamento justamente em sua terra." - Disse o pesquisador Junior Almeida.


Este é o quarto livro publicado pelo autor; a capa da obra é criação do professor Ademar Cordeiro.

Brevemente a obra será lançada na cidade de Paranatama e possivelmente em outros municípios da nossa região.

Junior Almeida e escritor, autor dos livros: "A Volta do Rei do Cangaço"; “Lampião, o Cangaço e outros fatos no Agreste Pernambucano” e “Capoeiras, Pessoas, Histórias e Causos’. Ele reside na cidade de Capoeiras - PE, onde é comerciante.




https://blogcapoeiras.blogspot.com/2022/03/escritor-capoeirense-junior-almeida.html?fbclid=IwAR0oY6NV0qs5cB4FfyXVwYxTU25VYpgAKQXwQ6QD1hphg1T9Dyc2Yb-3aWo

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A CULTURA DO CANGAÇO NA OBRA DE ARQUIMEDES MARQUES

 Por FUNDAÇÃO DE CULTURA E ARTE APERIPÊ - APERIPÊ TV

https://www.youtube.com/watch?v=lfq9qN3Ao5Q

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AS MUDANÇAS DO SERTÃO

"No Crato, depois de muito tempo ausente da região, Gonzagão lançou A volta da Asa Branca em um marquise. Um comércio impotente que não podia pagar o cachê, mas a vontade de cantar ali era muito grande. 

Começou a cantar e quando entrou no verso "sertão das muies serias, dos homes trabaiadó", um sujeito da plateia gritou: "Gonzaga, faz muito tempo que você não vem aqui!"

(Do livro Porque o rei é imortal, de Jose Nobre Medeiros e Antonio Francisco da Costa)

 http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/2012/gonzaga/causos.shtml

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AINDA SOBRE BALA DE ALGODÃO.

 Por José Cícero da Silva

Convalescendo só hoje pude de fato iniciar a leitura do livro BALA DE ALGODÃO de autoria do confrade e conterrâneo missãovelhense o dr. João Macedo Coelho Filho.

Um verdadeiro timbungar no denso e eterno riacho corrente de parte substancial das memórias históricas da terrinha e, em especial, acerca da controversa deposição por meio das balas, do seu bisavô 'Sinhor Dantas", pela força da violência do afamado cel. Izaias Arruda de Figueiredo num período que se estende de 1926 a 1928. Além de várias outras nuances historiográficas de MV e do Cariri, inclusive, com informes alicerçados em diversos jornais da época. Recomendo. Posto não ser de somenos esta leitura.

De sorte que aqui também aproveito o ensejo para agradecer ao autor pelo presente da obra a mim oferecida e, especialmente autografada. Obrigado.

https://www.facebook.com/josecicero.silva.33/posts/10220954281548430?notif_id=1649092739036219&notif_t=tagged_with_story&ref=notif

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CORISCO - O DIABO LOIRO. A REVOLTA NO EXÉRCITO, O PRIMEIRO ASSASSINATO, SUA PRISÃO, CONDENAÇÃO E FUGA, PRIMEIRA PASSAGEM NO BANDO DE LAMPIÃO. - 1924-1926.

 Do acervo do Guilherme Velame Wenzinger

Ao contrário do que muitos pensam, Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco, não entrou para o bando apenas após a passagem do grupo para a Bahia em Agosto de 1928. Este momento marcou o RETORNO dele para o cangaço. Em 1924 Cristino participa de uma sublevação no exército, revolta contra o tenente Maynard. O mesmo foge junto com outros militares e busca refúgio com a família em Pedra de Delmiro, no entanto, uma precatória fora expedida pedindo a sua prisão. Caiu no mundo e foi parar em Lagoa do Monteiro na Paraíba, lá encontrou trabalho e continuou levando sua vida normal. Em uma sexta-feira, num forró local, Cristino chamou uma moça para dançar duas vezes e a mesma recusou, um rapaz que estava no local achou o ato ofensivo e deferiu alguns tapas em Cristino, este, que com toda a valentia de um sertanejo e não podendo acreditar no que aconteceu, foi até a casa do seu patrão, pegou um rifle, voltou ao ambiente e matou o homem, na correria conseguiu fugir e se encontrou com seu patrão, sendo recomendado pelo homem que ele se entregasse a polícia. O homem louro aceitou a recomendação, entregou-se e foi preso, posteriormente recebeu uma condenação de 15 anos, nesta época era entendimento que todo homem que recebesse pena maior do que 15 anos fosse morto. Ficou encarcerado com mais 8 homens, um destes era o "líder", de nome "Cordonis", este famoso ladrão de cavalos. Um dia Cordonis recebe do prefeito uma cesta com alimentos, dentro havia frutas, uma talhadeira, um martelo e um bilhete com os dizeres:

"Me compadeci da situação de vocês. O que pude fazer é isso. Vão fuzilar os presos amanhã de madrugada."

E assim os presos começaram a cavar um buraco na cela, omitindo o barulho cantarolando. Os presos conseguiram êxito e começaram a fugir, um dos 9 que estavam na cela, este que não conseguiu sair pelo buraco gritou: "Us preso tão fugino!". Dois presos que ainda estavam dentro da cela antes de sair acabaram por matar o delator, com pancadas de cabo de madeira e uma garrafada no pescoço. Os soldados percebendo a fuga começaram a atirar nos criminosos em fuga mas não conseguiu pegar nenhum deles. 10 anos depois, um dos soldados que estavam nesse dia e era carcereiro reencontraria Corisco, mas não mais pelo lado da lei, e sim como cabra de Virgínio, este vinto a ser o cangaceiro Serra de Fogo. Dadá contou ao Dr. Antônio Amaury que Serra de Fogo sempre ficava desconfiado quando encontrava-se com o bando de Corisco. Após a fuga, o ainda Cristino perambulando pela caatinga topa sozinho com a força volante de Nego Higino, ele se esconde e aguarda a tropa passar, depois dá alguns passos e se encontra com dois membros da força, dois negros altos, que estavam mais para trás, estes gritam com Cristino, o chamam de coiteiro e perguntam sobre Lampião, este responde que não sabe de nada, sendo rebatido pelos policiais. Os dois largam Cristino e voltam para seguir a força, a partir desse dia Corisco nutre uma certa aversão e preconceito a negros.

No início de 1926, Cristino estava trabalhando em Vila Bela onde foi apresentado ao fazendeiro José Carlos, dono da Fazenda Condado, onde foi chamado para trabalhar na lavoura dando duro no cabo de enxada. Um certo dia Cristino se desentendeu com José Carlos, pediu as contas e foi embora, pedindo abrigo na fazenda Maxixeiro, esta de propriedade de Simplicio Pereira Maranhão e Josefina Pereira Maranhão, esta neta do Barão do Pajeú.

O ano de 1926 continuou com algumas viagens, visitas a família e outras passagens menos importantes para Cristino. Mas neste ano ele conheceu um fazendeiro chamado Neco Valões que ficou muito seu amigo e estava amasiado com sua prima, Bernardina. Neco Valões viria a ser o personagem principal do encontro de Lampião com Corisco. Neco certo dia pediu a um coiteiro de Lampião para em descrição marcar um encontro deles, este local foi acertado na localidade de "Poço de Dentro". Enquanto esperava o dia da visita, o fazendeiro recebeu a visita de algumas pessoas de Vila Bela, dentre estes, o filho do prefeito, que acabou por reconhecer Cristino. Chamando Neco Valões para um local isolado, este disse:

""Seu Neco, o meu pai recebeu uma precatória para a prisão desse moço. É caso doloroso, eu sei. Ele vai ser morto, não é nem pra chegar na cadeia."

Neco Valões viu a precatória e foi avisar a Corisco sobre o ocorrido, e assim o propõe:


"Você vai ter que sair daqui. Só vejo um jeito de escapar. Quer ir para onde está Lampião?"

Sob a ameaça de morte e vendo que não tem o que fazer, Cristino responde: "Eu vô".

Dias depois Neco foi ao encontro de Lampião no dia marcado e contou a situação do rapaz, pedindo para Lampião que o aceitasse no grupo. O Rei do Cangaço marcou a entrada de Cristino nas proximidades da vila de Santa Maria, no povoado "São Francisco. Era 24 de agosto de 1926 quando no ponto marcado Neco Valões se despediu de Lampião e Cristino, este que agora faria parte de seu bando. Lampião gostou do que viu do novo "cabra", jovem aloirado, alto, forte. No mesmo dia Virgulino entregou Cristino aos cuidados de um afamado cangaceiro, o José Leite de Santana, vulgo Jararaca, este disse ao chefe que se encarregaria dos cuidados e de dar um nome de guerra ao novo cangaceiro. No dia 26 de Agosto de 1926 o bando saiu em direção a fazenda Tapera, o atacado era Manoel Gilo, o bando cercou a casa e o "pau quebrou", Manoel Gilo estava acompanhado de apenas mais 4 homens dentro da casa. Depois de horas de intenso tiroteio e apenas Manoel Gilo resistindo o mesmo é preso pelos cangaceiros e levado até a presença de Lampião, que acaba por ser morto pelo cangaceiro Horácio Grande(esta morte de Gilo pode ser explorado pesquisando no google por "Massacre da família Gilo"). Depois do combate, Jararaca tendo reparado no rápido manejo de Cristino com o "papo amarelo", vendo as chamas amarelas do cano como "relâmpagos", vendo que a rapidez do rapaz era como um raio, sim, um raio, mas este nome não ficaria bom. O moço loiro atira e rola no aceso da luta: Corisco. E assim foi batizado e nasceu o cangaceiro Corisco, o Diabo Loiro, um dos mais afamados cangaceiros da história do Nordeste.

Informações retiradas do livro "Gente de Lampião - Dadá e Corisco" do Dr. Antônio Amaury. Vale ressaltar que nem tudo são transcrições, mas sim descrito com minhas palavras acerca daquilo que está no livro. Terá continuação.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=5452149171540338&set=gm.1875515255990743

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IMBURANA

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de abril de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.684

Existem árvores na caatinga, verdadeiras preciosidades pelo porte, pela utilidade, pela beleza. Pena que a mata nativa já tenha sido amplamente devastada, muito boa parte dela por completa ignorância dos nossos agricultores passados. Mas, sempre encontramos fazendas com reservas de mata nativa, conservadas pelo próprio fazendeiro. Nelas geralmente encontramos todas ou quase todas as espécies contidas na literatura da caatinga. Tivemos a felicidade de participarmos de uma visita a uma dessas fazendas no município de Poço das Trincheiras, durante uma pescaria magra de açude. Em torno da barragem havia uma reserva de mata deixada pelo matuto proprietário. Admiramos a exuberância da caatinga, extremamente verde com um complexo invejável de espécies e cuja penetração na mata era muito difícil.  

IMBURANA-DE-CHEIRO (CRÉDITO EMATER)

Encontramos logo no início a Imburana (Commiphora leptophloeos). A imburana pode ser de cheiro e de cambão. A primeira é muito valorizada, a segunda, nem tanto. A imburana é uma árvore de grande variação na altura. É bastante utilizada no Sertão em cercas de fazendas, em acessório de carro de boi e no uso de ancoretas para armazenagem de aguardente. Isto sempre como preferência a imburana-de-cheiro. Sua casca tem certa semelhança com o chamado “pau-ferro”, em algumas regiões denominado “Jucá”. Tem o seu tronco de película ligeiramente enrolada, num fenômeno único.  A imburana-de-cambão, não presta para muitas coisas, mas é utilizada em galhos tortos para fazer cambão, pelos vaqueiros. O cambão é uma peça que é usada no animal de porte para que ele não se distancie muito ou como castigo, daí o nome imburana-de-cambão.

No mundo sertanejo, quando um do casal quer ter o domínio absoluto sobre o outro, se diz: “quer botar cambão”. Em Santana do Ipanema havia um casal: Zé e Regina Cambão que moravam por trás do Comércio, na Rua Prof. Enéas. Extrema pobreza, ele varredor de rua, ela, prestando serviços com vasculhamento de casas. Ambos moravam numa pequena casa de taipa que havia ficado como peça de museu, defronte ao Poço dos Homens. Pois assim são as coisas simples, naturais e humanas do nosso mundo interiorano.

A propósito, imburana em Tupi é Árvore d’água, falso imbu.

Você aceitaria cambão?

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O BOIADEIRO DO CIRCO EM SANTOS

 

Zé Dantas e Luiz Gonzaga

"Certa vez, no circo em Santos, quando ele começou a fazer a introdução da música "A volta da Asa Branca", alguém da plateia, antes do Gonzagão começar a cantar, canta: 

"Vai boiadeiro que o dia já vem/ leva o seu gado e vai pra junto do seu bem".

O circo quase vem abaixo de tantas risadas. Quando se fez silêncio, Gonzaga voltou a fazer a introdução e começou a cantar: 

"vai boiadeiro que o boi já fugiu...". 

O cabra completou: 

"leva o teu gado e vai pra puta que pariu". 

O circo veio abaixo novamente."

(Do livro Porque o rei é imortal, de Jose Nobre Medeiros e Antonio Francisco da Costa)

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LIVRO DO JOÃO DE SOUSA LIMA


Uma Grande aventura narrada em 268 páginas direto das pessoas que vivenciaram os fatos.... para adquirir: direto como autor: 75-988074138 ou supermercado Suprave e ainda no Maria Bonita Turismo (térreo do hotel San Marino).

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?multi_permalinks=2175506229280148&notif_id=1649033251114895&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

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COITEIRA DE LAMPIÃO

 Por Odisseia Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=VX5FiJlawXI

O Odisseia Cangaço se embrenhou nas caatingas de Canindé, em Sergipe, para conversar com a Dona Maria Marinho, esta simpática senhora filha da ex coiteira, e pessoa de extrema confiança de Lampião, a Dona Delfina. O intuito da conversa era coletar informações sobre o local da morte do cangaceiro Juriti - vide programa Odisseia Cangaço n° 33, "A Morte de Juriti". Mas a conversa rendeu grandes revelações sobre a época do cangaço e sobre a intimidade com os cangaceiros em sua casa, formando um programa especial aqui no Odisseia. 

Gostaríamos de agradecer veementemente aos grandes pesquisadores Aderbal Nogueira e João de Souza Lima por toda contribuição e carinho. Um forte abraço do Odisseia Cangaço a vocês. Se inscreva no Canal Odisseia Cangaço e deixe seu Like.

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A HISTÓRIA DA DONA DE BORDEL QUE SE TORNOU A BEATA MAIS LINHA DURA DE SERRA TALHADA.

 Por Géssica Amorim

Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo

O único retrato de Maria Cordeiro que se tem notícia está guardado na Casa de Cultura de Serra Talhada, junto às imagens e histórias de outras personalidades importantes para a cidade. Segundo informações do acervo da instituição, teria sido na década de 50, durante uma passagem de Frei Damião por Serra Talhada, que Maria Cordeiro decidiu se converter. Ao ouvir uma das pregações do frade, que viajava pelo sertão do Pajeú em uma de suas missões, Maria teria sido tocada e, então, resolvido abandonar a vida de prostituição e aliciamento de meninas e decidiu deixar tudo para trás e mudar o seu destino. 

A história exposta na Casa da Cultura conta que Maria Cordeiro abriu mão do dinheiro que acumulou se relacionando com ricos fazendeiros da região, dos seus pertences, e da casa onde morava, para passar a viver de caridade, sob a guarda do padre espanhol Jesus Garcia Riaño, que chegou à cidade em 1936 e permaneceu à frente da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, padroeira de Serra Talhada, por 54 anos. 

A agora beata, que dormia no chão de um quartinho da Matriz de Nossa Senhora da Penha sem lençóis ou qualquer conforto, por muito tempo, foi proibida de frequentar missas e assistir a casamentos locais. Carregando o estigma de mulher desonrada e mal vista pelos serratalhadenses da época, Maria deixou o bordel para tocar o sino, cuidar da limpeza, preparar as missas e organizar a igreja onde muitas vezes foi rejeitada. 

 Crianças da época, hoje pessoas adultas, contam que Maria era uma figura sisuda, séria, brava e muito rígida. Andava com um vestido fino de algodão azul, com um corte que lembrava as vestes franciscanas, e usava um cordão branco amarrado à cintura, além de um véu cobrindo os cabelos e parte do rosto. 

Quem foi vítima da rigorosa e inflexível ira de Maria Cordeiro à frente da organização da igreja matriz foi dona Maria das Graças de Moraes, 61 anos, conhecida como Gracinha do Padre, que, àquele tempo, tinha 14 anos. Um dia, Gracinha, com traquinagem de criança, tocou o sino da igreja sem permissão e fora de hora. Maria não poupou a menina do seu desagrado, lhe advertindo com dureza e fúria.

Dona Gracinha do Padre. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo

Apesar do sermão e do desgosto, Gracinha do Padre foi a escolhida por Maria para lhe substituir. Gracinha, que era sobrinha de dona Doralice, amiga íntima de Maria Cordeiro, aprendeu com a beata a organizar a igreja e o altar para o início e andamento das missas, até, finalmente, ocupar o seu lugar. 

Segundo Gracinha do Padre, Maria Cordeiro lhe ensinou “com muito gosto e paciência”. Atenta, ela aprendeu tudo e, às 18h30 do dia 02 de fevereiro de 1974, acendeu as luzes, organizou o altar e tocou o sino da igreja de Nossa Senhora da Penha para anunciar a missa da noite. Horas antes, às 6h30 da manhã daquele dia, Maria Cordeiro havia falecido, vítima de uma crise aguda de asma. “Ela tinha mais de 80 anos, com certeza. Aquela figura enjoada, bruta e malcriada era só por fora. Comigo, apesar da bronca que eu levei por me intrometer e tocar o sino da igreja, ela era muito boa pessoa. Ela vivia de caridade mesmo. As pessoas é que davam comida a ela. Eu ia buscar o almoço dela um dia na casa de um, outro dia na casa de outro. Ela deu tudo o que podia para a igreja. A sua disposição em servir era admirável”, conta Gracinha. 

O corpo de Maria foi velado na igreja Matriz. Muitos serratalhadenses compareceram ao seu velório e acompanharam o cortejo até o cemitério local, onde foi enterrada e o seu túmulo marcado com uma cruz que, um dia, esteve no alto da Igreja de Nossa Senhora da Penha. Gracinha conta, ainda, que padre Jesus segurou uma das alças do caixão de Maria demonstrando muita tristeza, lamentando ao longo de todo o caminho até o cemitério público municipal. “Padre Jesus ficou muito abalado. Ele gostava muito de Maria. Ela cuidava de tudo mesmo. Era como uma mãe para ele. Ele segurou o caixão até a chegada ao cemitério, como alguém da família, estava muito triste”.

Após o falecimento de Maria Cordeiro, Gracinha do Padre passou 20 anos à frente da organização da Igreja. Hoje, ela trabalha vendendo doces e artigos religiosos em frente à lotérica da praça Doutor Sérgio Magalhães, em Serra Talhada. Quem quiser saber sobre Maria e o tempo em que ela viveu, pode chegar até a banca de Gracinha, que, gentilmente, ela irá contar a história da cafetina que virou beata e outros personagens e acontecimentos que testemunhou. A poucos metros, também na praça Doutor Sérgio Magalhães, está o pequeno museu que cujo acervo trata da história da cidade e de gente como o forrozeiro Assisão, o cangaceiro Lampião, o padre Jesus e a beata Maria Cordeiro.

Frei Damião em uma de suas passagens por Serra Talhada. Crédito: Reprodução/Blog Farol de Notícias

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domingo, 3 de abril de 2022

CANGAÇO - RASO DA CATARINA E LAMPIÃO POR JOÃO DE SOUSA LIMA - PARTE 3

 Por Aderbal Nogueira - Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=Nr7hn_R8CTQ

Cangaço - Raso da Catarina e Lampião por João de Sousa Lima - parte 3 terceira parte da live com João de Sousa Lima, transmitida em 26/01/2021. Contatos de João de Sousa Lima: (75) 98807-4138 joaoarquivo44@bol.com.br Link desse vídeo: https://youtu.be/Nr7hn_R8CTQ

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MANUEL LEITE O CANGACEIRO PINGA FOGO IRMÃO DE MASSILON LEITE

 Por José Mendes Pereira


Na foto o homem que aparece à direita segundo alguns estudiosos do cangaço é Manuel Leite o ex-cangaceiro Pinga Fogo, irmão do também ex-cangaceiro Massilon Leite, que foi um dos idealizadores de tentativa do ataque à cidade de Mossoró, no dia 13 de junho de 1927. A função do Pinga Fogo naquela tarde de alvoroço era de cuidar dos reféns. 

O outro não posso afirmar com clareza, mas me parece ser seu irmão, e que no momento, eu não recordo o seu nome, mas não afirmo com convicção ser o Fenelon seu irmão.

Segundo o pesquisador do cangaço José Tavares de Araújo Neto que o coronel Antonio Gurgel registrou em suas anotações que foi muito bem cuidado por ele quando foi feito de refém pelo grupo, classificou-o como uma pessoa muito atenciosa.

Ele entrou para a "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia" quando o grupo passava pela Paraíba nas proximidades de Santa Helena.

Mas a sua permanência no grupo de facínoras durou pouco, abandonando o cangaço pouco após o fracassado ataque à cidade potiguar, quando fugiu junto com o irmão para a cidade de Imperatriz, no Estado do Maranhão, onde constituiu família de 10 filhos.

Sobre de que lugar nasceu Massilon Leite existe duas hipóteses: Uma, teria nascido em Luiz Gomes no Rio Grande do Norte. A segunda é que ele era paraibano. 



Mas para você ter certeza onde ele nasceu adquira o livro "Lampião a Raposa das Caatingas" do escritor José Bezerra Lima Irmão através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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LIVRO ALBEM - UM SONHO REALIZADO

 Por José Mendes Pereira


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65 ANOS DA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DE LUIZ GONZAGA EM NATAL

Por  Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN.

O Grande Mestre da Música Nordestina Se Apresentou na Rádio Poti de Natal em 1956, Junto Com Seu Pai, O Velho Januário, Em Meio a Uma Tournée Pelo Nordeste.

Luiz Gonzaga e seu grupo

Em meio as lembranças pelos 30 anos da partida do Mestre Luiz Gonzaga, achei interessante apresentar um material que encontrei nos velhos jornais sobre a primeira apresentação dessa lenda da cultura nordestina na capital potiguar. E foi a primeira de muitas!

Em 1954 Luiz Gonzaga do Nascimento, pernambucano da cidade de Exu e se encontrava no auge da carreira. Ele, suas músicas, o seu chapéu de couro e sua sanfona eram apresentados com extrema assiduidade nas principais revistas dedicadas aos artistas do rádio. Os mesmos rádios, então o principal veículo de comunicação popular existente nos lares do país naquela época, onde os brasileiros ouviam e admiravam a sua potente voz.

Luiz Gonzaga e sua alegria, registrada na Revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro-RJ, ano XXIV, nº 39, ed. 12 de setembro de 1952.

Luiz Gonzaga foi o primeiro artista musical oriundo do Nordeste a ser um grande sucesso popular. Isso pode ser comprovado em junho de 1952, no Rio de Janeiro, quando ocorreu uma festa que reuniu 60.000 pessoas para escutar o Rei do Baião e dançar xaxado. Foi durante os festejos juninos realizados no bairro de São Cristóvão, mais precisamente no antigo Campo de São Cristóvão, onde até hoje acontece a famosa feira no atual Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. A festança foi promovida pelas Rádios Tamoio e Tupi, onde contou com ampla cobertura da Rede Tupi de Televisão, a primeira emissora de TV da América Latina e inaugurada apenas dois anos antes[1].

As câmeras da Rede Tupi de Televisão registrando a festa de 1952 em São Cristovão. Revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro-RJ, ano XXIV, nº 39, ed. 12 de setembro de 1952.

Segundo Dominique Dreyfus, escritora francesa que escreveu a biografia Vida de Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga, os anos de 1953 e 1954 foram de muitas viagens para realização de tournées pelo Brasil afora. Perto da metade do ano de 1954 teve início mais uma, com o patrocínio do Colírio Moura Brasil, onde o aclamado Rei do Baião percorreu várias cidades nordestinas.

Uma carioca de belas pernas, da equipe de dançarinas da TV Tupi, xaxando feito uma nordestina. Revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro-RJ, ano XXIV, nº 39, ed. 12 de setembro de 1952.

Pouco antes de iniciar a nova série de viagens, quando no dia 25 de maio realizou uma apresentação na Rádio Mayrink Veiga, Luiz Gonzaga recebeu um exemplar de uma asa branca em uma gaiola, ofertado pelo povo de Exu, que lhe foi entregue por Cândido Holanda Cavalcanti, oficial médico da Força Aérea Brasileira e seu conterrâneo[2].  

Na Estrada

Quando realizou uma apresentação na cidade baiana de Feira de Santana, no Campo do Gado, quem testemunhou o espetáculo foi o escritor, sociólogo e jornalista Muniz Sodré de Araújo Cabral, então com 12 anos de idade, que registrou “Era noite de céu brilhante. Enluarado, Gonzaga subiu ao palanque, com chapéu de couro cru e três estrelas na aba da frente, gibão de couro, alpercatas e sanfona prateada dependurada no pescoço. O grito de louvação do povo, longo, em uníssono, fez vibrar o madeirame do palco. Como esquecer?”[3].

Sabemos que nessa tournée Gonzaga esteve no Maranhão, no Piauí e em Campina Grande, na Paraíba. Nessa cidade fez uma apresentação na Rádio Borborema e esteve na sede do Partido Democrático Social, o PSD, uma das maiores agremiações políticas do Brasil na época, onde recebeu um abraço do então senador Rui Carneiro[4].

Luiz Gonzaga ao centro, com um grande lenço e Humberto Teixeira é o primeiro da direita para esquerda com chapéu de couro.

No Ceará também houve a mescla de show e política. Primeiramente Gonzaga realizou em Fortaleza uma apresentação no auditório da Rádio Clube do Ceará, na sequência cantou ao ar livre durante a Primeira Festa do Radialista, em evento transmitido pela Rádio Iracema[5]. Depois seguiu para apoiar politicamente o amigo Humberto Teixeira em sua terra natal, a cidade cearense de Iguatu. Formado em 1944 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, Humberto Cavalcanti Teixeira ganhou fama como compositor em parceria com Luiz Gonzaga, principalmente a partir de 1945[6].

Logo Gonzaga, trazendo sua sanfona, apontou a bússola para a direção da capital potiguar. Segundo o jornal natalense O Poti, o Rei do Baião chegou acompanhado de uma figura ilustre; Januário José dos Santos, seu pai, o conhecido Velho Januário.

Luiz Gonzaga e seu pai, o Velho Januário, que na foto está com uma sanfona de 8 baixos – Fonte – https://fabiomota1977.wordpress.com/2006/11/21/seu-januario-o-mestre-dos-8-baixos/

Januário era da região do Pajeú, em Pernambuco, tendo nascido a 25 de setembro de 1888. Consta que premido pela estiagem chegou à Fazenda Caiçara, a doze quilômetros de Exu, acompanhado de seu irmão Pedro Anselmo, no ano de 1905. Lavrador e exímio sanfoneiro de oito baixos ficou conhecido por ser um homem dedicado à família e respeitado em toda a sua região pela sua arte. Foi casado primeiramente com Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento, a mãe de Luiz Gonzaga, conhecida na região por “Santana”, ou “Mãe Santana”, cuja união com Januário gerou nove filhos[7]. Em 1954 o Rei do Baião já havia levado seu pai para o Rio de Janeiro, mas ele decidiu voltar para Exu, próximo a Serra do Araripe. Não sei como ocorreram as circunstâncias e negociações para o Velho Januário acompanhar seu filho Luiz Gonzaga nessas apresentações pelo Nordeste há 65 anos, mas o certo é que os dois vieram juntos para Natal.

O Rei do Baião também veio acompanhado de Osvaldo Nunes Pereira, baiano de Jequié. Este era um jovem humilde, que era anão e tocava triângulo. Pela baixa estatura recebeu primeiramente o nome artístico de Anão do Xaxado e depois Salário Mínimo[8]. Além deste fazia parte do grupo que chegou a Natal o zabumbeiro conhecido como Aluízio.

Sobre esse último integrante temos um pequeno mistério!

Nas páginas 181 a 186 do livro de Dominique Dreyfus encontramos os detalhes sobre a saída do zabumbeiro Catamilho e do tocador de triângulo Zequinha como instrumentistas acompanhantes de Gonzaga em 1953. Bem como podemos ler sobre a entrada de Osvaldo Nunes Pereira e de um zabumbeiro piauiense chamado Juraci Miranda, conhecido como Cacau.

Dreyfus inclusive traz uma foto na página 187, onde Luiz Gonzaga se apresenta em um palco ao lado do Anão do Xaxado com o triângulo e de um zabumbeiro que é apontado como sendo Cacau. Ocorre que na página 29 do livro Forró – The Ecoding by Luiz Gonzaga, de autoria de Climério de Oliveira Santos e Tarcísio Soares Resende, publicado pela CEPE Editora em 2014, como parte da série Batuque Book, com edição bilíngue em português/inglês, é possível ver a mesma foto com a legenda (em inglês) que indica ser Salário Mínimo no triângulo e na zabumba o tocador era Aluízio. Como o jornal natalense O Poti também aponta que Aluízio esteve com o Rei do baião na capital potiguar, na sequência de suas apresentações em Fortaleza, creio que o trabalho de Santos e Resende parece está correto.

Independente desse pormenor, o certo é que em agosto de 1954 o Anão do Xaxado e Aluízio eram relativamente novos na parceria com Gonzaga.

No “Auditório B” da Rádio Poti de Natal

Luiz Gonzaga, seu pai e os dois tocadores que lhe acompanhavam a Natal iriam se apresentar nos auditórios da Rádio Poti.

Postal com o anteprojeto da Rádio Educadora de Natal, de autoria de Carlos Lamas e construção da empresa de Gentil Ferreira de Souza. O sonho de uma rádio em Natal se concretizava.

Essa rádio se originou a partir da Rádio Educadora de Natal – REN, a primeira emissora do Rio Grande do Norte e que entrou efetivamente no ar em 29 de novembro de 1941. Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, proprietário de um conglomerado midiático chamado Diários Associados, que nessa época abrangia jornais em várias cidades brasileiras, revistas e estações de rádio, compra m 1944 a REN e a transforma na Rádio Poti. A renovada emissora transmitia em AM (amplitude modulada), na frequência de 1.270 kHz e mantendo o tradicional prefixo da REN – ZYB-5.

Assis Chateaubriand discursando.

Essa rádio se torna um grande sucesso na cidade, pois através da ação dos Diários Associados o seu auditório passou a receber muitos cantores nacionalmente conhecidos. Um deles foi Sílvio Caldas, que ali se apresentou entre 25 e 27 de maio de 1948, sob o patrocínio do “Creme dental Nicotan”[9].

Logo Chateaubriand decidiu realizar alterações na rádio, sendo a principal ação a ampliação e modernização do chamado “palco-auditório”, na sede que a Rádio Poti possuía na Avenida Deodoro. Isso proporcionou uma maior e melhor capacidade de transmitir programas de auditório, humorísticos, jornalísticos, musicais, radionovelas e outros. A festa de inauguração do novo auditório, o conhecido “Auditório da Avenida Deodoro”, ocorreu em uma sexta-feira, 3 de novembro de 1950. O mestre da cerimônia foi o radialista Genar Wanderley e a principal atração foi uma bela e exuberante cantora de 21 anos de idade, nascida na cidade paulista de Taubaté e chamada Hebe Camargo[10].

Ao ler os jornais da época percebe-se nitidamente o estrondoso sucesso do novo “palco-auditório” da Rádio Poti, aonde as apresentações vão ocorrendo e movimentando intensamente a vida cultural de Natal.

Diante do sucesso dessas apresentações e buscando ampliar o público, a direção da Rádio Poti decidiu utilizar  o que passou a ser chamado de “Auditório B”. Este era um auditório amplo e confortável, que ficava na antiga sede do Alecrim Futebol Clube, na Avenida Presidente Bandeira, ou Avenida 2[11].

Antiga sede da Rádio Poty, a principal de Natal.

Esse era um local que, além das atividades próprias da administração dessa tradicional equipe de futebol natalense, também era um ponto de grande efervescência cultural. Ali ocorreram grandes bailes de carnaval, festas juninas, reuniões de partidos políticos, festas dançantes aos domingos e até peças de teatro. Em março de 1949, o renomado teatrólogo Inácio Meira Pires ali criou um núcleo de teatro amador chamado “Teatro do Bairro”, que utilizava o auditório do Alecrim Clube como local de apresentações[12]. Vale ressaltar que muitas dessas festas, reuniões políticas, peças de teatro e outros acontecimentos importantes eram transmitidos pela Rádio Poti.

No sábado, 31 de agosto de 1954, ocorreu a transmissão no palco do Alecrim Clube do programa “Vesperal dos Brotinhos”, sob o comando de Luiz Cordeiro e Rubens Cristino. No outro dia aconteceu no mesmo palco a comemoração do sexto aniversario do popular programa de auditório “Domingo Alegre”, apresentado por Genar Wanderley, sendo os ingressos vendidos por apenas CR$ 3,60 (três cruzeiros e sessenta centavos)[13].

Logo foi anunciada a apresentação de Luiz Gonzaga.

Sucesso em Natal

Certamente ser supersticioso era algo que o grande Luiz Gonzaga não era, pois sua primeira apresentação na capital do Rio Grande do Norte ocorreu em uma sexta-feira, dia 13, do mês de agosto. E foi um sucesso!

Sabemos que os ingressos foram vendidos ao preço de CR$ 10,00 (dez cruzeiros). Um valor não tão elevado em 1954, equivalente a uma corrida de taxi para o que era considerado naquele tempo o perímetro urbano de Natal. Pois fora dessa área tudo era mais caro. Uma corrida para a praia de Ponta Negra custava R$ 80,00 (oitenta cruzeiros). Já para o Aeroporto de Parnamirim o valor saltava para R$ 100,00 (cem cruzeiros)[14].

Luiz Gonzaga trouxe “um repertório inteiramente novo, suficiente para um espetáculo completo”. Se aconteceu como foi descrito no jornal natalense O Poti, certamente o Rei do Baião tocou no palco do Alecrim Clube os sucessos produzidos no primeiro semestre de 1954. Tais como “Feira do gado” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), “Velho novo Exu” (Luiz Gonzaga/Sylvio M. Araújo), “Olha a pisada” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas) “Lascando o cano” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas) e outros. A estes com certeza se juntaram aos sucessos criados do ano anterior, como a fantástica música “O xote das meninas”, a bela “Algodão” (ambas as composições fruto da parceria Luiz Gonzaga/Zé Dantas) e outros grandes sucessos. Os informes jornalísticos apontam que o auditório “superlotou” para assistir o Rei do Baião, sendo muito aplaudidas as apresentações musicais.

Da esquerda para direita vemos Aluízio, Luiz Gonzaga, o Velho Januário e o Anão do Xaxado, tal como se apresentaram em Natal – Fonte – http://www.forroemvinil.com/luiz-gonzaga-e-januario-em-fortaleza/

No sábado por volta das quatro da tarde, Luiz Gonzaga realizou aparentemente sozinho, uma entrevista na Rádio Poti. À noite, por volta das oito horas, nos estúdios da mesma rádio foi realizada uma nova apresentação musical com Luiz, seu pai e os instrumentistas, que O Poti informou ter sido transmitida em “ondas médias e curtas”.

Já no domingo a tarde, 15 de agosto, Luiz Gonzaga, o Velho Januário, Anão do Xaxado e Aluízio bisaram o show no palco do Alecrim Clube. Depois, às nove horas da noite, o grupo seguiu para o Auditório da Avenida Deodoro, que se encontrava completamente lotado para a despedida de Luiz Gonzaga de Natal. Eles tocaram no âmbito do programa “Domingo Alegre”, que contou com a apresentação do radialista Genar Wanderley. Na ocasião estava presente o jornalista Edilson Varela, representante dos Diários Associados no Rio Grande do Norte, o grupo de mídia e comunicação comandado por Assis Chateaubriand. Varela era também diretor dos jornais O Poti e Diário do Natal, além de responder administrativamente pela Rádio Poti.

Luiz Gonzaga diante do microfone de uma rádio.

Show em Currais Novos e Os Vários Retornos ao Rio Grande do Norte

Sabemos que provavelmente naquele agosto de 1954 o tocador Luiz Gonzaga, acompanhado de seu pai e seus instrumentistas, também estiveram na cidade potiguar de Currais Novos.

Segundo o blog “Pimenta com Mel”, do comunicador Felipe Félix, encontramos a informação transmitida por José Nobre de Medeiros, conhecido nessa cidade como Zénobre. Nascido em 1942 na zona rural currais-novense, no Sítio Saquinho da Malhada da Areia, Zénobre informou que viu Luiz Gonzaga em sua cidade em 1954, que assistiu a apresentação do pernambucano de Exu no coreto da Praça Cristo Rei e que o Rei do Baião foi patrocinado pela fábrica de bicicletas Monark[15].

Recebemos a informação do engenheiro civil Moacir Avelino Bezerra Junior e do seu irmão Haroldo Márcio Avelino Bezerra, Professor do IFRN de Mossoró, que nesse mesmo 1954, após uma possível apresentação em Mossoró, Luiz Gonzaga foi convidado pelo rico agropecuarista Francisco das Chagas Sousa, conhecido como Chico Sousa, para cantar na cidade de Afonso Bezerra. A apresentação para a população local foi realizada na carroceria de um caminhão.

Provavelmente nessa ocasião Luiz Gonzaga tocou em outras cidades potiguares, mas infelizmente não consegui dados sobre isso.

Perto do fim do mês Luiz Gonzaga está com o seu pai e seus dois instrumentistas em Recife, Pernambuco. Na noite de sábado, 21 de agosto, ele realizou uma apresentação no tradicional Clube Internacional, na Rua Benfica, no bairro da Madalena. Foi uma ação em prol da Sociedade Pernambucana de Proteção a Lepra, onde buscavam angariar fundos para a construção da Colônia de Férias de Olinda, destinada as crianças que sofriam dessa doença naquele estado[16].

Sobre as apresentações de Luiz Gonzaga no Rio Grande do Norte, percebemos que o sucesso foi total. Nove meses depois o tocador retornava para novos shows em Natal.

No início de maio de 1955 o pernambucano de Exu retornou para as novas apresentações junto aos auditórios da Rádio Poti sem trazer o Velho Januário. Estavam ao seu lado dois instrumentistas que não foram listados. O interessante é que dessa vez o patrocínio veio da empresa italiana de bebidas Martini & Rossi, que havia desembarcado no Brasil cinco anos antes e procurava se popularizar através do Rei do Baião[17].

O Rei do Baião era artista contratado da empresa RCA Victor, sendo um dos seus campeões de vendagem.

Como no ano anterior, as apresentações de Luiz Gonzaga em Natal foram cobertas de êxito.

Luiz Gonzaga Não Gostava de Natal e do Rio Grande do Norte?

E esse sucesso se repetiu ao longo dos anos, a cada nova apresentação desse incomparável sanfoneiro na capital potiguar.

Nota em jornal natalense para novas apresentações de Luiz Gonzaga na capital potiguar, após 1954.

Mas alguns pesquisadores afirmam que Luiz Gonzaga tinha uma relação negativa com Natal e o Rio Grande do Norte. Isso teria ocorrido em razão de alguns calotes que o mesmo teria levado de empresários de shows locais. Mas para quem pesquisa as páginas dos jornais antigos isso não fica aparente, pois são inúmeras as apresentações desse artista em Natal ao longo de décadas. Creio que dificilmente Rei do Baião retornaria a Natal para continuar sendo mal tratado e vilipendiado!

Propaganda das apresentações de Luiz Gonzaga em Natal no ano de 1956.

Além das apresentações de agosto de 1954 e de maio de 1955, ele retornou em dezembro de 1956 (quando se apresentou para o povão na Praça André de Albuquerque). Depois voltou em dezembro de 1960, no final de junho de 1961 e em fevereiro de 1962. Já no ano de 1975 esse artista esteve em Natal em duas ocasiões. A primeira no mês de março, no show de inauguração solene da Avenida Bernardo Vieira, quando estiveram no mesmo palco que cantou o Rei do Baião os potiguares Ademilde Fonseca, Trio Irakitan e Fernando Luís. A segunda em 9 de agosto, quando juntamente com o Trio Nordestino realizaram um show maravilhoso, para uma Praça Gentil Ferreira completamente lotada. Esse evento aconteceu no mesmo bairro do Alecrim onde Luiz Gonzaga tocou em Natal pela primeira vez no ano de 1954. Esses grandes músicos nordestinos participavam da chamada “Caravana do Sucesso”, uma série de shows por todo o Brasil, patrocinados por uma indústria de bebidas.

Luiz Gonzaga em Natal em agosto de 1975.

Desse momento posso comentar como testemunha ocular.

Garoto de oito anos de idade, assisti a esse show pendurado no pescoço, ou no cangote, do meu pai. Recordo dos potentes holofotes que iluminavam tudo, das milhares de pessoas que lotavam a principal praça do Alecrim e, principalmente, de Luiz Gonzaga com sua sanfona branca, seu chapéu de couro cintilando na mesma cor e de sua voz forte e marcante. Desse dia nunca esqueci que meu pai, Calabar Medeiros, me disse ao sairmos de nossa velha casa na Rua Borborema, no mesmo bairro do Alecrim, para ir assistir esse grande espetáculo – “Esse homem canta a alma da nossa terra, da nossa gente”.

Anos depois, no dia 23 de agosto de 1983, eu tive a oportunidade de assistir ao grande encontro de Luiz Gonzaga e do cantor Raimundo Fagner, além de outras grandes figuras da música nordestina. Foi no atualmente esquecido show “Canta Nordeste – Vozes contra seca”, no chamado movimento “SOS Seca”, que aconteceu no atualmente estádio de futebol Castelão de Natal, sendo uma iniciativa do Instituto Varela Barca. Foi verdadeiramente delirante se encontrar naquele local e acompanhar novamente Luiz Gonzaga, em uma interessante parceria com Fagner. Encontro que renderia três ótimos discos nos anos seguintes. Quis Deus que em 2010 eu conhecesse Raimundo Fagner e ele gentilmente realizasse o prefácio do meu segundo livro João Rufino – Um visionário de fé

Meu pai deixou esse plano no último dia 9 de julho de 2019 e, como meu pai me ensinou, eu jamais deixei de escutar as músicas de Luiz Gonzaga do Nascimento e de me emocionar com sua voz.

NOTAS


[1] Ver revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro-RJ, ano XXIV, nº 39, ed. 12 de setembro de 1952, págs. 21 a 23.

[2] Ver Radiolândia, Rio de Janeiro – RJ, Rio Gráfica Editora, ed. da 1ª quinzena de junho de 1954, pág. 11.

[3] Ver Folha de São Paulo, São Paulo-SP, edição de domingo, 19 de dezembro de 2010, in https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il1912201007.htm  

[4] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de 25 de agosto de 1954, pág. 11.

[5] Ver Radiolândia, Rio de Janeiro-RJ, Rio Gráfica Editora, ed. 4 de setembro de 1954, pág. 18.

[6] No pleito de outubro de 1954, Humberto Teixeira candidatou-se a deputado federal pelo Ceará na legenda do Partido Social Progressista, mas obteve apenas uma suplência. Ao longo da legislatura 1955-1959, exerceu o mandato em quatro ocasiões. Como deputado federal, obteve a aprovação da chamada Lei Humberto Teixeira, que permitiu a realização de caravanas para a divulgação da música popular brasileira no exterior. Concorreu à reeleição em outubro de 1958, mas não foi bem sucedido.

[7] Em segundas núpcias Januário se uniu a Maria Raimunda de Jesus, em 5 de novembro de 1960. Detalhes sobre sua vida ver https://fabiomota1977.wordpress.com/2006/11/21/seu-januario-o-mestre-dos-8-baixos/

[8] Sobre a participação de Osvaldo Nunes Pereira ver DREYFUS, Dominique. Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga. São Paulo: Ed. 34, 1996, pags. 182 a 186.

[9] Sobre esse período áureo da Rádio Poti ver http://www2.carosouvintes.org.br/radio-poti-de-natal-narrando-as-primeiras-historias/. Sobre a apresentação de Sílvio Caldas ver jornal A Ordem, Natal-RN, ed. 21 de maio de 1948, pág. 7.

[10] Sobre essa festa ver o Diário de Natal, edição de 4 de novembro de 1950, pág. 6.

[11] O Alecrim Futebol Clube foi fundado no bairro do mesmo nome no ano de 1915 e o seu primeiro goleiro foi o futuro presidente da República do Brasil, João Café Filho. O Alecrim foi campeão de futebol potiguar nos anos de 1924, 1925, 1963, 1964, 1968 (Invicto), 1985 e 1986. Mais sobre esse tradicional clube ver https://www.campeoesdofutebol.com.br/alecrim_historia.html

[12] Sobre o Teatro do Bairro, ver Diário de Natal, edição de 9 de março de 1949, pág. 6.

[13] Ver jornal O Poti, Natal-RN, edição de 1º de agosto de 1954, pág. 8.

[14] Ver jornal O Poti, Natal-RN, edição de 7 de outubro de 1954, 1ª pág.

[15] Ver http://pimentacommelcn.blogspot.com/2012/01/o-rei-do-baiao-e-recordado-com-mais.html

[16] Ver Diário de Pernambuco, Recife-PE, edição de 21 de agosto de 1954, pág. 2.

[17] Ver jornal O Poti, Natal-RN, edição de 4 de maio de 1955, pág. 6.

https://tokdehistoria.com.br/2019/08/04/65-anos-da-primeira-apresentacao-de-luiz-gonzaga-em-natal/

http://blogdomendesemendes.blogpsot.com