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domingo, 1 de maio de 2022

O PREÇO DO AMOR PROIBIDO QUE CRISTINA DE PORTUGUÊS PRECISOU PAGAR NO CANGAÇO

 Por Na Rota do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=jL-zPVQpFUc&ab_channel=NaRotaDoCanga%C3%A7o

No dia 21 de julho de 1938, uma semana antes da chacina do Angico, a cangaceira Cristina companheira do cangaceiro Português, o traiu com o cangaceiro do grupo de Corisco, Jitirana, sua sentença foi dado por Luiz Pedro temendo que ela sendo pega, descobrisse os coitos do bando eliminou a infeliz menina sergipana que ficou imortalizada pelas imagens do libanês Benjamim Abrahão Botto.

Agradecimentos:
Pelo apoio no texto ao amigo Geraldo Junior do canal CANGAÇOLOGIA.
Pela participação na interpretação de Maria Bonita, JULIANA ÀVILA.

TEXTO BASEADO NA OBRA DO SALDOSO ANTONIO AMAURY CORRÊA DE ARAÚJO, LAMPIÃO AS MULHERES E O CANGAÇO.
FOTOS E VÍDEO DE LIVRE DOMÍNIO
BENJAMIM ABRAHÃO
Dedico este singelo trabalho a memória da menina sergipana Cristina.

Narração: Sizinho Junior

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CRISTINA DE PORTUGUÊS | C N L | #365

 Por O Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=UwLAwud7jNA&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

Quer mais programas sobre Cristina? Faça sua inscrição no canal! Artista: Vangelis Lançamento: 28 de setembro de 1992 Gravadora: East West Records Filme: 1492 - A Conquista do Paraíso Gênero: Banda sonora

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A MORTE DA CANGACEIRA ENEDINA | O CANGAÇO NA LITERATURA | #223

 Por O Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=XyCO3uaEriU&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

Texto sobre Márcia https://www.facebook.com/570852839/po... Quer saber um pouco mais sobre Zé de Julião e Enedina? Assiste nosso programa.

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POLICIAS MILITARES MORTOS AO TEREM ENFRENTADO CANGACEIROS OU ASSASSINADOS APÓS CAPTURADOS.

Por Rubens Antonio

Em um tempo em que há quem, na Bahia, pense em colocar nomes de cangaceiros em praça, cabe lembrar estes nomes:

Cabeça do tenente policial militar Geminiano José dos Santos, morto e decapitado pelo bando de Lampeão.

1924

11 de outubro de 1924

tenente Joaquim Alves de Souza

1927

14 de fevereiro de 1927

soldado Paulo Sant’Anna

dezembro de 1927

inspetor Norberto Xavier Gomes

cabo desconhecido

soldado desconhecido

1928

6 de abril de 1928

3° sargento Antônio Anacleto de Oliveira

21 de agosto - Passagem de Lampeão à Bahia

21 de dezembro de 1928

3° sargento José Joaquim de Miranda

soldado Francellino Gonçalves Filho

soldado Juvenal Olavo da Silva

1929

7 de janeiro de 1929

soldado José Rodrigues da Silva

soldado Manoel Nascimento Souza

2 de fevereiro de 1929

anspeçada Francisco Estevam do Carmo

soldado Enedino Alves Ribeiro

soldado Francisco Nascimento dos Santos

soldado Lourival Ricardo da Conceição

27 de fevereiro de 1929

anspeçada desconhecido

soldado desconhecido

14 de maio de 1929

soldado Pedro Alves da Fonseca

4 de julho de 1929

cabo Antonio Militão da Silva

soldado Cecílio Benedicto Silva

soldado Leocadio Francisco Silva

soldado Manoel Luiz França

soldado Pedro Sant’Anna

20 de setembro de 1929

soldado Antonio Geraldo de Oliveira

24 de setembro de 1929

cabo João Soares da Silva

21 de outubro de 1929

soldado Olegário Correia da Silva

18 de dezembro de 1929

soldado João Felix de Souza

soldado Vitorino Baldoino Lopes

22 de dezembro de 1929

anspeçada Justino Nonato da Silva

soldado Antonio José da Silva

soldado Arestides Gabriel de Souza

soldado Ignacio Oliveira

soldado José Antonio Nascimento

soldado Olympio Bispo de Oliveira

soldado Pedro Antonio da Silva

1930

29 de março de 1930

soldado Calixto Eleutério

1 de agosto de 1930

2° tenente Geminiano José dos Santos

2° sargento José de Miranda Mattos

soldado Argemiro Francisco dos Reis

soldado Arnaldo Claudio de Souza

1931

30 de janeiro de 1931

soldado desconhecido

3 de fevereiro de 1931

soldado desconhecido

soldado desconhecido

5 de fevereiro de 1931

soldado desconhecido

24 de abril de 1931

2° sargento Leomelino Rocha

soldado Carlos Elias dos Santos

soldado Francisco dos Santos

soldado José Carlos de Souza

soldado José Gonçalves do Amarante

soldado Pedro Celestino Soares

soldado Saul Ferreira da Silva

9 de maio de 1931

soldado desconhecido

soldado desconhecido

soldado desconhecido

junho de 1931

soldado Antonio José da Silva

28 de agosto de 1931

soldado Francisco Cyriaco Sant'Anna

1932

2 de fevereiro de 1932

soldado Bôaventura Manoel da Silva

1933

20 de julho de 1933

cabo Pedro Luiz de Farias

soldado Antonio Fernandes de Lima

7 de setembro de 1933

soldado José Fernandes

soldado Manoel Bellarmino de Macedo

2 de outubro de 1933

soldado Pedro Emygdio de Oliveira

1934

22 de abril de 1934

soldado João Pereira de Souza

1939

23 de maio de 1939

soldado desconhecido

http://cangaconabahia.blogspot.com/2022/04/policias-militares-mortos-ao-terem.html

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O FILHO DO CANGACEIRO BARREIRA | CNL | 771

Por O Cangaço na Literatura 

https://www.youtube.com/watch?v=vTZOK5NEn9k&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

Clique aqui para se inscrever https://www.youtube.com/channel/UCCW4...

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"SÓ VI MISÉRIA NO SERTÃO. GATO, ANTES DE CHUMBAR SUA VÍTIMA, GOSTAVA QUE ELA SORRISSE". (VOLTA SECA)

Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=J0E_39R2f3s&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

 O ex-cangaceiro Volta Seca durante o depoimento que prestou ao jornalista Berliet Júnior para o jornal carioca Diário da Noite, entre outros assuntos, falou sobre a perversidade exacerbada de alguns subalternos de Lampião à exemplo de Gato II e Zé Baiano, além de detalhar um triste episódio, segundo ele, envolvendo a morte de um fazendeiro e parte de sua família.

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaçologia Shorts e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCDyq...

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MORTE DE CANÁRIO

 Por Aderbal nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=sbZZU3TKsPA&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com 7º vídeo da série Rota do Cangaço - Poço Redondo, onde os pesquisadores Rangel Alves da Costa, Orlando Carvalho e Manoel Belarmino falam sobre a morte do cangaceiro Canário pelas mãos de seu companheiro de bando Penedinho. Ilustrações: Matheus Almeida Cordeiro Violão: Beto Sousa Link desse vídeo: https://youtu.be/sbZZU3TKsPA

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O INÍCIO DO CANGAÇO E O SURGIMENTO DE LAMPIÃO: COM ADERBAL NOGUEIRA

 Por Aderbal Nogueira

Aderbal Nogueira é Administrador de Empresas, Documentarista, Produtor de Vídeos e Pesquisador do Nordeste. Membro do Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do Grupo de Estudos sobre o Cangaço do Ceará. Pertence a ACC Academia de Cinema do Ceará e também a ABLAC – Academia Brasileira de Artes e Letras do Cangaço, concedeu entrevista falando de suas pesquisas sobre o Cangaço.

• O que foi o Cangaço e quando esta atividade teve início.

• O surgimento de Virgulino Ferreira “Lampião” e seu objetivo enquanto cangaceiro.

• O significado de “coiteiros, sertanejos, volantes e cangaceiros”

• A entrada de Maria Bonita e outras mulheres no Cangaço • Os enfrentamentos entre cangaceiros e volantes (policia)

• Zé Rufino o homem que não temia Lampião.

• Padre Cícero e Lampião


http://www.chicaosomavilla.com.br/o-inicio-do-cangaco-e-o-surgimento-de-lampiao-com-aderbal-nogueira/
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A MORTE DE ZÉ DE JULIÃO, O CANGACEIRO CAJAZEIRA

Por Aderbal Nogueira

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com 9º vídeo da série Rota do Cangaço - Poço Redondo, onde o pesquisador Manoel Belarmino fala sobre o cangaço em Poço Redondo e também sobre o filho da terra Zé de Julião, o cangaceiro Cajazeira. Ilustrações: Matheus Almeida Cordeiro Violão: Beto Sousa

https://www.youtube.com/watch?v=mB_ThoE_sx8&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Link desse vídeo: https://youtu.be/mB_ThoE_sx8

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MINHAS DUAS FILHAS

 Por José Mendes Pereira


Na esquerda está Maria Prycylla Paiva Pereira. É formada em administração e faz o 3º. Ano de Medicina no Paraguai. À direita está Adryanna Karlla Paiva Pereira de Freitas. Formada em Educação Física e irá fazer Letras na UERN a partir do 2º. semestre deste ano de 2022.

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sábado, 30 de abril de 2022

CASA DE ELÓI, QUEIMADA POR VIRGULINO

 Por Aderbal Nogueira

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCG8-... - Casa de Elói Jurubeba - Casa das moças velhas - Serra do Pico Para ajudar na reconstrução da casa do Poço do Negro faça sua doação pelo Pix (87)981201786 Identifique sua contribuição com o nome "Poço do Negro".

https://www.youtube.com/watch?v=l_5YNkpT1AQ&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Link desse vídeo: https://youtu.be/l_5YNkpT1AQ

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FAZENDA JENIPAPO INCENDIADA POR VIRGULINO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=ndwFqbvg-MM&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCG8-... A fazenda de Gomes Jurubeba que foi queimada por Virgulino. Para ajudar na reconstrução da casa do Poço do Negro faça sua doação pelo Pix (87)981201786 Identifique sua contribuição com o nome "Poço do Negro". Link desse vídeo: https://youtu.be/ndwFqbvg-MM

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A SAGA DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO EM SERGIPE - FINAL

 Por angaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=qNEVvUR1Mt4

Documentário produzido pela TV Alese de Sergipe que apresenta a saga do cangaceiro Zé Baiano no Povoado Alagadiço no estado de Sergipe. O povoado Alagadiço localizado no município de Frei Paulo em Sergipe, foi um dos locais que serviram como coito e zona de atuação do temível cangaceiro Zé Baiano e seu bando. Zé Baiano e seus comparsas foram mortos no dia 07 de junho de 1936, por um grupo de civis liderados por Antônio de Chiquinho, antigo coiteiro. O documentário será exibido em três partes. Assistam e aproveitem para se inscreverem no canal e deixarem suas críticas e sugestões. Cortesia: Raimundo Oliveira (Alagadiço/SE).

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A HISTÓRIA DO BRASIL PELA ARTE DE DEBRET

 

Detalhes do cotidiano brasileiro situados nas primeiras décadas do Século XIX teriam sido varridos pelo tempo não fosse o trabalho paciente do pintor, desenhista e gravador Jean-Baptiste Debret, um francês que integrou a missão de artistas do seu país no Brasil, que viveu em um estado de paixão por nossa terra, nossa gente e nossa história.

A Caminho do Brasil

Debret nasceu em Paris no dia 18 de abril de 1768, foi aluno da Ecole des Beaux-Arts e teve uma forte formação clássica. Primo de Jacques-Louis David, ele era especialista em pintura histórica e recebeu o Prix de Rome em 1791, além de encomendas de retratos e pinturas históricas de reis e nobres. Em 1798 passou a colaborar na decoração de edifícios públicos e residências particulares. Nesse mesmo ano expôs a tela Aristodemo liberto por uma moça, que recebeu Segundo Prêmio de pintura e lhe valeu muitos elogios. 

Rodolfo Amoedo – Retrato do pintor Jean Baptiste Debret.

Participou do Salão de Paris até 1814, mas a queda de Napoleão no ano seguinte, que lhe tirou o principal pilar que lhe sustentava – financeira e ideologicamente – na França, somado à morte de seu único filho, levaram Debret a paralisar suas atividades.

Em 1816, Debret recebeu duas propostas de retornar à vida artística. Uma delas veio da fria Rússia, diretamente do czar Alexandre I, que desejava levar um pintor e um arquiteto franceses para São Petersburgo. Foram respectivamente escolhidos Debret e Grandjean de Montigny. A outra proposta foi feita por Joachim Lebreton e tinha como destino o desconhecido e exótico Brasil. Debret declinou do frio russo e escolheu vir para a grande colônia portuguesa dos trópicos. 

Jean Baptiste Debret – Partida de Carlota Joaquina do Brasil.

Quando a Corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro em 1808, a expressão artística brasileira era essencialmente voltada para o domínio religioso e ainda se vivia sob o regime das corporações de artesãos.

Dom João então tinha o desejo de estabelecer uma Escola de Belas Artes na antiga colônia, agora elevada à categoria de reino, a par de Portugal e dos Algarves. Mas seu sonho só começou a tomar forma quando foi restabelecida a estabilidade política na Europa, após os sangrentos conflitos napoleônicos.

Jean Baptiste Debret – Funcionário Público Saindo casa com a família e seus escravos.

O Conde de la Barca, solicitou em nome do príncipe regente Dom João VI que o Marquês de Marialva, seu representante em Paris, conseguisse reunir artistas franceses para vir ao Brasil. É importante lembrar que Portugal não tinha tais instituições na Europa, mas a presença desses artistas no Brasil permitiria ajudar a desenvolver uma cultura visual impregnada da tradição clássica europeia, com repertórios iconográficos imperiais, em pleno coração dos trópicos.

Jean Baptiste Debret – Alimentos levado aos prisioneiros.

Na França, com a ajuda de Joachim Lebreton, secretário da Academia de Belas Artes daquele país, recentemente demitido por questões políticas, foi possível reunir em um mesmo grupo o pintor acadêmico Nicolas-Antoine Taunay, seu irmão escultor Auguste, o pintor Jean Baptiste Debret, o arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny, o gravador Charles Simon Pradier, acompanhado por engenheiros, técnicos e artesãos, entre eles Pierre Dillon, futuro braço direito de Lebreton para a futura Escola de Belas Artes, François Ovide (artes mecânicas), Charles Levavasseur, assistentes Louis Meunier e François Bonrepos.

Jean Baptiste Debret – Negros serradores.

Tendo viajado por conta própria, ao que parece ajudado pelo comerciante carioca Fernando Carneiro Leão, o grupo de artistas desembarcou no Rio em 26 de março de 1816. Em 12 de agosto, foram assinados os contratos oficiais de pensão e a criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, ao qual se juntarão também alguns recém-chegados, como o músico Sigismund Neukomm, e os escultores Marc e Zéphyrin Ferrez.

Esses artistas, em meio a muitas intrigas da Corte, conseguiram definir aos poucos os contornos de um projeto de criação de uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. 

Jean Baptiste Debret – Os refrescos da tarde no largo do palácio.

Se o prédio da Academia foi erguido em 1822 (projetada por Grandjean de Montigny), sua inauguração só ocorreu em 1826, dez anos após a chegada do grupo. Naquela época, Jean-Baptiste Debret ocupou a cátedra de pintura histórica e o cargo de diretor da instituição de 1828 a 1831.

Muitos acreditam que para o desenvolvimento do ensino muito contribuiu o esforço corajoso e sistemático de Debret, trabalhando e organizando exposições de obras dos alunos, reclamando local para as aulas e exigindo condições regulamentares adequadas.

No final das contas, aquele centro de desenvolvimento artístico ficou com o nome de Academia Imperial de Belas Artes, título claramente distinto do projeto da escola de artes e ofícios inicialmente previstos

Cena de Carnaval

Jean Baptiste Debret – Aclamação de Dom João VI no Rio de Janeiro.

No Rio, Debret foi um dos artistas encarregados da ornamentação da cidade para os festejos da aclamação de Dom João VI, onde elaborou imagens e símbolos destinados a atestar a legitimidade da monarquia e afirmar politicamente a nação. Também se dedicou à pintura de cenas urbanas do Rio de Janeiro. 

O artista produziu uma grande série de imagens que tratam do cotidiano da capital. Relações de poder, trabalho, presença essencial de escravos africanos e comunidades indígenas são alguns dos grandes conjuntos de ilustrações que ele faz.

Jean Baptiste Debret – Cortejo de batismo da da Princesa Real Dona Maria da Glória.

Esses pequenos formatos que mal ultrapassavam os trinta centímetros de largura eram, para ele, a oportunidade de aplicar as técnicas do desenho e da aquarela para conseguir transpor em forma de histórias o cotidiano desta parte dos trópicos.

Cronologicamente, coube a Debret a primeira fixação gráfica do antigo entrudo, o nosso atual carnaval.

Jean Baptiste Debret – Cena de Carnaval.

É bem conhecida a sua Cena de Carnaval, que reproduz um episódio de rua, à porta de uma venda, instalada como de costume numa esquina. Uma negra sacrifica tudo ao equilíbrio de seu cesto, já repleto de provisões para seus senhores, enquanto um moleque, de seringa de lata na mão, joga contra ela um jato de água, que a inunda. Sentada à porta da venda, uma negra mais velha, vendedora de limões e polvilho, já lambuzada, com seu tabuleiro nos joelhos, segura o dinheiro que recebeu adiantadamente pela venda dos limões, que estão sendo escolhidos por um campeão entusiasta das lutas em perspectivas, um negrinho, tatuado voluntariamente com barro amarelo. Perto deste e da porta pequena da venda, outro negro, orgulhoso da linha vermelha que exibe traçada na testa, adquire um pacote de polvilho e um pequeno vendedor de nove a dez anos; uma negra, à esquerda, dispõe-se a arremessar um limão contra quem lhe recobriu a face e parte do olho com um punhado de polvilho; ao lado da porta, outro negro, grotescamente tatuado, está de tocaia. O vendedor, tendo retirado precipitadamente todos os comestíveis que de costume expunha à sua porta, deixou apenas garrafas cobertas de palha trançada, abanadores e vassouras. No fundo do quadro, é possível visualizar famílias tomadas da loucura do momento, uma vendedora de limões, negros lutando, e um pacífico cidadão, escondido atrás de seu guarda-chuva aberto, a circular entre restos de limões-de-cheiro. Só o toque da Ave-Maria imporia uma trégua a tão violenta brincadeira, e a paz só se implantaria com a presença de policiais de ronda.

Jean Baptiste Debret – Exploração de uma pedrira de granito.

A Viagem pitoresca e histórica ao Brasil

Debret também viajou pelo país. Em 1825 vamos encontrá-lo em Pelotas, Rio Grande do Sul, grande centro produtor de carne de charque e onde viviam milhares de escravos negros vindos da África. Presenciou e deixou registrado o trabalho e os castigos sofridos por homens e animais. Em uma de suas aquarelas mostrou como um cavaleiro desjarretava o boi, ou seja, seccionou o tendão do animal com a alabarda, uma lança com a lâmina em forma de meia-lua na ponta. Quando a rês ia caindo, aparecia um escravo de faca em punho e lhe perfura a jugular.

Jean Baptiste Debret – Charqueada em Pelotas, Rio Grande do Sul.

No Rio, Debret inclui quatro aspectos do Palácio de São Cristóvão, numa análise de sua transformação de simples casa de campo em mansão imperial. Segundo seu depoimento, o Príncipe Regente e sua filha mais velha, Maria Teresa, preferiam aí residir, incumbindo-se um arquiteto inglês de construir novos aposentos destinados ao futuro Rei.

Jean Baptiste Debret – Palácio de São Cristovão.

Entre os melhoramentos, projeta a edificação de quatro grandes pavilhões, em estilo gótico, um em cada canto do prédio. Na época da sua chegada ao Rio de Janeiro, afirma Debret que já encontrara concluído o primeiro pavilhão, com o profissional britânico de partida, interrompendo desta forma seu plano de trabalhos para a Casa Real.

Na década seguinte, em 1829, realizou a primeira exposição de arte do país com trabalhos de professores e alunos da Academia Imperial de Belas Artes.

Jean Baptiste Debret – Loja de Sapateiro.

Em 1831, depois de organizar mais uma exposição, voltou a Paris, onde publicou, em três volumes, uma edição limitada a 200 exemplares de Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Nesta edição foram publicadas 153 de suas aquarelas e as transformou em litografias, cuidando da operação técnica. Foram apresentadas reproduções de personalidades, paisagens, cenas populares e históricas presenciadas por ele naqueles quinze anos.

Aquelas eram imagens de um Brasil em plena expansão e em adequação com a presença da corte portuguesa, e as relacionadas com um imaginário revelador de um território selvagem e virgem. Jean-Baptiste Debret também foi responsável pela análise textual da sociedade brasileira. Não foi uma viagem qualquer, mas uma viagem que, contada pelas suas próprias palavras, assumiu um tom pitoresco e histórico: manteve-se o contraste entre Europa e América, sublinhando particularismos locais dignos de “pintar”.

Jean Baptiste Debret – Escravo sofrendo castigo.

Quando deixou o Brasil em 1831, saiu de um país que tinha um império independente do governo português, chefiado por Dom Pedro I, então pronto para retornar a Portugal e abdicar em favor de seu filho, Pedro II. 

Nesses quinze anos, a política brasileira nasceu sob o olhar do pintor, ansioso por observar o desenvolvimento de uma civilização. Em seu livro, Jean-Baptiste Debret tenta dar conta de um processo de “ocidentalização” do Brasil. Como qualquer tentativa, era impossível não sublinhar, ou mesmo demonstrar por imagem, os aspectos que não se enquadravam no modelo de sociedade civilizada, tal como ele a conhecia na França.

Jean Baptiste Debret – Desembargadores Chegando ao Palácio da Justiça.

Em 1837 o governo brasileiro lhe concedeu uma pensão em reconhecimento dos serviços prestados. Morreu em Paris em 28 de junho de 1848.

Legado

Se ainda há discussões hoje no Brasil contestando o status de “missão” para esse grupo de artistas franceses, ou lamentando a orientação neoclássica que deram à arte oficial da fase imperial, não há como negar que sua permanência acabará impondo sua marca em vários aspectos.

Jean Baptiste Debret – Oficial da Corte chegando ao palácio.

Além disso, muitos desses artistas e artesãos acabaram se estabelecendo no Brasil ou deixaram descendentes ou discípulos por aqui.

É o caso da família Taunay, cujo Adrien, depois de se juntar à equipe comandada por Louis de Freycinet como desenhista, morrerá nas águas do Guaporé durante a expedição de Langsdorff em 1828. Seu irmão Félix Émile seria tutor do futuro Dom Pedro II, antes de ser nomeado diretor da Academia Brasileira de 1843 a 1851. Seu filho era Alfredo d’Escragnolle Taunay – que participou da campanha militar contra o Paraguai e ficou famoso como escritor: A Retirada da Laguna (1871), Inocência (1872).

Jean Baptiste Debret – Vendedor de tabaco.

Para o neto Afonso d’Escragnolle Taunay caberá a função de biógrafo de seu bisavô e historiador da missão dos artistas franceses. Já Marc Ferrez, filho de Zéphyrin, se destaca como fotógrafo, arte pela qual o imperador demonstrou grande interesse. Finalmente, o grande discípulo de Debret, Manuel de Araújo Porto Alegre, assumiu as rédeas da Academia de 1854 a 1857 e forneceu, em sintonia com seus mestres, uma ampla e decisiva contribuição para a vida cultural brasileira desse período.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros - https://tokdehistoria.com.br/2022/04/28/a-historia-do-brasil-pela-arte-de-debret/

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