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terça-feira, 27 de setembro de 2022

FEITOSA E PEREIRA AO MESMO TEMPO O CANGACEIRO ZÉ BIZARRIA

 Por Valdir José Nogueira

“Em Belmonte choveu bala
Meu São José, quem diria!
Mataram o coronel Gonzaga
E balearam Zé Bizarria!”   
         
       
No seu conceituadíssimo blog “Estórias e História”, o pesquisador e historiador Heitor Feitosa Macêdo escreveu um magistral artigo sobre a “A Família Feitosa e o Cangaço”. No referido texto o autor cita o cangaceiro Zé Bizarria, Feitosa e Pereira ao mesmo tempo, e a sua ligação com o fenômeno do cangaço:

José Pereira Bizarria ou “José Custódio Bizarria é mencionado por diversos autores, sempre em episódios também ligados ao cangaço, pois tomou parte em alguns eventos marcantes na história do banditismo rural. Podendo-se destacar também o fato de ser ele sobrinho de Ioiô Maroto, o Crispim Pereira de Araújo.
       
Ioiô Maroto

José Bizarria era fruto da união de um Feitosa dos Inhamuns com uma Pereira do Pajeú, pois sua mãe, Joaquina Pereira de Araújo, também conhecida como Joaquina Pereira Bizarria (Dona Quina), era irmã de Crispim Pereira de Araújo, enquanto que seu pai chamava-se Manoel Custódio Bizarria.
       
Seu genitor, Manoel Custódio Bizarria, era filho de José Custódio Bizarria (Cazé), que, por sua vez, era filho do Capitão José Custódio Bezerril e de Dona Matilde. Mas onde está o parentesco com a Família Feitosa?
       
O parentesco com os Feitosa provém tanto de Dona Matilde quanto do Capitão José Custódio Bezerril, porque ela era filha de Vicente Pereira e Francisca Alves Cavalcante. Já o Capitão José Custódio Bezerril era filho de Leandro Custódio Bezerril (1º) e de Josefa.
       
José Bizarria é citado com frequência entre os integrantes do bando de Sinhô Pereira. E, no dia da morte de Luiz Gonzaga Ferraz, José Bizarria também esteve presente, ao lado do tio, Ioiô Maroto, tomando parte na luta, da qual saiu gravemente ferido com um tiro no pescoço, sendo socorrido por Pedro Caboclo, e, depois, tratado com raspa de catingueira. José Bizarria não chegou a se casar e morreu assassinado por um policial em Jati/CE (antes, Macapá).”

Alistamento Eleitoral de José Pereira Bizarria. Na época, o mesmo era residente na fazenda Cristovão, município de São José do Belmonte (PE).

Zé Bizarria, da gema dos Pereiras:

Dona Francisca Pereira da Silva (filha de José Mateus Pereira da Silva e Joaquina Pereira da Silva), conhecida como Chiquinha Maroto, foi casada com o Sr. Galdino Alves de Araújo Maroto. Este casal residia na Fazenda Queimada Grande, município de Belmonte, na extrema com o Ceará. Foram pais de 6 filhos:

1 – Crispim Pereira de Araújo (Ioiô Maroto). Este casou três vezes. A primeira com Maria Océria, filha de Manoel Pereira da Silva Jacobina (Padre Pereira). A segunda com Francisca Pereira Neves e a terceira com Generosa.Pereira Neves, ambas filhas de Antônio Cassiano Pereira da Silva (ex prefeito de Belmonte) e dona Maria Antônia da Soledade Neves, da fazenda Baixio em Belmonte.

2 – Antônio Pereira de Araújo (Antônio Maroto). Este casou com Francisca (Chiquita) filha de Deodato Pereira da Silva e Filadélfia Pereira da Silva. Desse casamento houve 13 filhos: José, Galdino, Raimundo, Deodato, Vicente, Antônia, Beatriz, Letrice, Maria (Marica), Ana (Santa), Antoniêta, Mariêta e Lorêta.

3 – Januário Pereira de Araújo (Sinhô). Casou com Úrsula Nunes de Barros (das Preces dos Nunes). Desse casamento houve três filhos: Luiz (Luizinho), Manoel e Moça.

4 – José Pereira de Araújo (Zé Maroto). Este casou duas vezes. A primeira com Generosa Pereira da Silva (Lozinha) filha do primeiro casamento de Juvenal Simplício Pereira da Silva com Josefina Maria de Jesus. Filhos: Antônio, Juvenal, Galdino e Josefina. A segunda com Ana Pereira da Silva (Nana), filha de José Avelino Pereira da Silva e de Maria Pereira da Silva (Iaiá). Filhos: Olinto e Maria (Iaiá).

5 – Ana Pereira de Araújo (Santa). Esta casou com Antônio Pereira Jacobina (Antônio Padre). Não houve filhos.

6 -  Joaquina Pereira de Araújo (Quina). Esta casou com Manoel Custódio Bizarria (Né Bizarria), dos Feitosas dos Inhamuns. Desse casamento houve 6 filhos: JOSÉ PEREIRA BIZARRIA – ZÉ BIZARRIA (assassinado no Macapá), Francisco (Chico Bizarria, Galdino Bizarria, Antônio Bizarria, Maria (Lica), esposa de Joaquim Pereira, irmão de Sebastião Pereira (Sinhô Pereira), e Raimunda Bizarria (Mundinha).

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Ioi%C3%B4%20Maroto

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1944 – A TRAGÉDIA DA B-24 EM FORTALEZA-CE

 

ACONTECIMENTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NA CAPITAL CEARENSE

Rostand Medeiros – https://pt.wikipedia.org/wiki/Rostand_Medeiros 

Ninguém discute a importância de Natal no contexto da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A existência do intenso tráfego aéreo de aviões de transporte e de bombardeiros aliados, entre a capital potiguar e as bases aéreas na ilha de Ascensão, no meio do Oceano Atlântico, e principalmente nas cidades de Dacar e Acra, na África, foi um fator de grande importância para a vitória aliada neste conflito. Não se pode esquecer que de Natal partiam aeronaves que patrulhavam a costa brasileira e que foram destruídos alguns submarinos.

 Mas não foi apenas Natal que participou desse esforço. Várias outras capitais e cidades brasileiras, mesmo limitadamente, também possuíam bases aéreas e “entraram na guerra”. Fortaleza, capital do estado do Ceará, foi uma delas.

A cidade de Fortaleza em 1937.

As Primeiras Bases Aéreas

Nesta cidade o primeiro campo de pouso foi o do Alto da Balança, que se transformou em um ponto de apoio dos aviões do mítico Correio Aéreo Nacional (CAN). O local era mantido por uma unidade do Exército Brasileiro desde 21 de setembro de 1936 e servia igualmente de apoio às empresas aéreas estrangeiras e brasileiras. Na história do Campo do Alto da Balança, assim como no Campo de Parnamirim em Natal, foi ponto de parada de vários aviadores estrangeiros que realizaram os chamados “raids” aéreos. Um deles foi a famosa aviadora estadunidense Amelia Mary Earhart, que pousou na capital alencarina no dia 4 de junho de 1937.

E os Americanos Chegaram

Segundo Augusto Oliveira e Ivonildo Lavor, autores do livro “A história da aviação no Ceará”, quando os norte-americanos estavam implantando suas bases no Nordeste do Brasil, antes mesmo da declaração de guerra brasileira contra a Alemanha e a Itália, estes decidiram que em Fortaleza a base aérea local seria construída no antigo “Sítio Pecy”, que passou a ser conhecido como Pici Field (Campo do Pici) e sua construção teve início ainda em julho de 1941.

Quando a pista ainda estava em sua fase final de construção, ela foi prematuramente inaugurada quando um bombardeiro B-17 pousou por se encontrar perdida em relação a sua rota original. Segundo os dois autores de “A história da aviação no Ceará”, o sobrevoo deste grande quadrimotor causou certo pânico em Fortaleza.

Ainda segundo Augusto Oliveira e Ivonildo Lavor, com o crescimento do tráfego aéreo para Natal, além do fato da pista do Pici ter sido concluída com um tamanho limitado, fez com que o comando da USAAF na região resolvesse construir uma segunda pista em Fortaleza. O Campo do Pici ficou então sob a responsabilidade da U.S. Navy (Marinha dos Estados Unidos) e ao novo local foi dada a denominação de Adjacent Field (Campo Adjacente), por está próximo ao Campo do Pici.

Armamento sendo transportado para aviões Lockheed PV-1 Ventura da U. S. Navy, em Pici Field.

Com uma denominação esdrúxula como essa, aparentemente pautada na falta de criatividade, os cearenses da capital passaram logo a chamar o lugar de “Base do Cocorote”.

Inaugurado em 10 de dezembro de 1943, Adjacent Field serviu a praticamente um grande propósito; durante cinco meses, até 14 de maio de 1944, com o intuito de desafogar o tráfego aéreo em Parnamirim Field, o local foi o ponto de partida de grandes quadrimotores, a maioria deles pertencentes à 15ª Força Aérea da USAFF, que tinham bases no sul da Itália e seguiam sem escalas diretamente para Dacar.

O destacamento americano que operava a base era conhecido como 1155th AAFBU Army Air Force Base Unit – Fortaleza, que era parte do South Atlantic Division (Divisão do Atlântico Sul), todos subordinados ao ATC – Air Transport Command (Comando de Transporte Aéreo).

Fortaleza antes da Segunda Guerra Mundial. Fonte – Livro “Ah Fortaleza!”, Gilmar Chaves, Patrícia Veloso, Peregrina Capelo, organizadores. Fortaleza: Terra da luz Editora, 2006, pág. 49.

Durante este período a utilização de Adjacent Field foi muito intensa, onde foram realizadas 1.778 travessias. A partir de 15 de maio de 1944 esta base deixou de realizar este tipo de operação, passando a receber apenas aviões de linha ou alguma aeronave que apresentava alguma emergência.

Aproveitando a Terra do Sol

Mas apesar desta aparente utilização limitada, entre 1942 e 1945, sempre havia militares norte-americanos na cidade de Fortaleza. Existia até mesmo uma sede local da USO.

A sede da USO em Fortaleza, o conhecido “Estoril” da Praia de Iracema. Fonte – Livro “Ah Fortaleza!”, Gilmar Chaves, Patrícia Veloso, Peregrina Capelo, organizadores. Fortaleza: Terra da luz Editora, 2006, pág. 62.

A USO (United States Organization) foi fundada em 1941, sendo uma organização privada, criada em resposta a um pedido direto do então presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt. Ele desejava que pessoas e organizações diversas se unissem sob uma única sigla para fornecer serviços recreativos que ajudassem na elevação do moral das tropas americanas nas áreas de conflito durante a Segunda Guerra Mundial. A USO teve uma atuação muito intensa neste período e com enorme sucesso.

Na capital alencarina a sua sede era em uma suntuosa residência à beira-mar da Praia de Iracema. A antiga Praia dos Peixes era então um local ainda pouco utilizado pela população local, onde existiam apenas algumas casas de veraneio. A residência utilizada pelos americanos, um verdadeiro palacete, havia sido construída em 1920 pelo rico coronel pernambucano José Magalhães Porto, que morava na cidade e a denominou inicialmente de “Vila Morena”.

Amigos que tenho em Fortaleza me comentaram que as informações dos seus avós e pais, que viveram aqueles dias da presença norte americana na cidade, era que estes militares estrangeiros achavam a sede da USO um lugar agradável, com uma brisa convidativa, onde dava para tomar um ótimo banho de mar, em uma água deliciosamente quente, sob um sol escaldante. Para depois apreciar uma deliciosa e diferente água de coco.

Militares americanos em momento de descontração.

Além de aproveitarem a natureza praiana, os militares dos Estados Unidos aproveitavam outras coisas boas do Ceará. Eles mantinham relações cordiais com as moças da cidade. Estas eram de famílias tradicionais, normalmente muito bonitas, elegantes, educadas e que não estavam nem aí para as críticas da sociedade local. Logo estas jovens foram apelidadas pejorativamente de “Coca-Cola”. Comenta-se que a denominação depreciativa surgiu por elas terem o privilégio de tomar o famoso refrigerante americano que, na ocasião, somente era visto nas telas do cinema. Provavelmente elas beberam Coca-Cola da fábrica da “The Coca-Cola Company” em Natal.

Um dos vários B-24 que passaram por Fortaleza. Esta é a B24H, nº 41-28750, batizada como “The Thunder Mug”, pertencente a Esquadrilha 789, do 467 Grupo de Bombardeiro, comandada pelo Tenente Charles Kagy, em rota transatlântica pela América do Sul. Ao fundo a torre de controle da base de Adjacento Field Fonte – http://moraisvinna.blogspot.com

Não podemos esquecer que em Natal havia situação semelhante. Os norte-americanos promoviam festas na base de Parnamirim Field, as famosas festas “For All” (Para todos) e faziam questão de ter, com toda fidalguia e respeito, a presença das moças potiguares nos eventos. Devido a distância da base e o centro de Natal, elegantemente os promotores das festas disponibilizam gratuitamente um ônibus para buscar as jovens na cidade. De maneira pra lá de depreciativa, os marmanjos locais passaram a denominar este ônibus como “marmita”, pois transportava “a comida dos americanos”.

Memórias

Apesar deste clima positivo, a passagem de aviões pela região Nordeste do Brasil em direção a África, não era isenta de problemas. Não se pode esquecer que atravessar o Oceano Atlântico era bem mais arriscado do que agora, a aviação ainda não tinha os modernos recursos e se vivia uma guerra.

Em arquivos localizados nos Estados Unidos estão guardados microfilmes com inúmeros relatórios da antiga Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Force – USAAF).

Entre estes documentos estão os denominados MACR, que é uma sigla para Missing Air Crew Report (Informe de Tripulação Aérea Desaparecida), onde era detalhado os acidentes de aeronaves norte-americanas em todas as partes do mundo durante este conflito. Abrangiam casos que iam desde a derrubada de uma aeronave em território inimigo, ou como era mais comum no caso das aeronaves que passavam pelo Brasil, o desaparecimento na selva, ou no mar. Eram preenchidos dois dias depois que uma aeronave não retornava de uma missão.

A mítica B-24.

Existem três informes inéditos de acidentes com aviões B-24, que tem Fortaleza como ponto de partida ou de chegada.

Fabricado pela empresa Consolidated Aircraft, a mítica B-24, conhecida como “Liberator”, era um bombardeiro estratégico, quadrimotor, armado com dez metralhadoras de defesa calibre 12,7 mm, modelo Browning M2. Tinha peso total de 29.500 kg, podia levar quase seis toneladas de bombas de alto poder explosivo, a uma velocidade máxima de 470 km/h, a uma altitude máxima de 8.500 metros, com um alcance de 6.000 quilômetros. Para levar este monstro alado para a luta sua tripulação normalmente era composta de 10 militares. Este foi o modelo de avião mais visto em Fortaleza durante o pico do movimento de aeronaves em direção à África.

Grupo de bombardeiros B-24 antes da decolagem no Pacífico.

Os Problemas Com as B-24 

O primeiro deles ocorreu no dia 22 de janeiro de 1944, quando o B-24 foi registrado com o numeral 42-100307, comandado pelo segundo tenente Henry A. Daum, por volta de uma hora da tarde, em meio a muita chuva, se chocou com uma montanha a “25 miles” (25 milhas) a sudoeste de Fortaleza. Todos os seis ocupantes da aeronave faleceram.

Detalhe do documento informativo da queda B-24 nº 42-100307, comandado pelo segundo tenente Henry A. Daum em choque contra uma montanha no Ceará – Fonte – National Archivies, Washington, D. C. Estados Unidos.

Limitado de informações e pouco detalhista, o relatório da destruição da B-24 do segundo tenente Henry mostra que provavelmente o sinistro ocorreu nas serras existentes entre as cidades de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, facilmente visíveis para quem se desloca de carro pela BR-222, em direção a bela cidade de Sobral.

O segundo sinistro ocorreu na madrugada de 8 de fevereiro de 1944, quando o B-24H, de numeral 41-29293, pertencente à Esquadrilha 758, do 459 Grupo de Bombardeiros, sob o comando do segundo tenente Daniel B. MacMillin, natural da cidade de Stephenville, no estado do Texas, partiu em direção a Dacar, capital do atual Senegal.

Detalhe do relatório sobre o desaparecimento da B-24H, nº 41-29293 – Fonte – National Archivies, Washington, D. C. Estados Unidos.

Naquela época, segundo a documentação, cada avião que decolava de Fortaleza era obrigado a enviar uma mensagem em código, em períodos pré-determinados, para que soubessem que estavam voando e qual era a sua posição. Nas três primeiras horas a mensagem chegou, depois nada mais. O B-24 e seus dez tripulantes desapareceram. Os documentos apontam que durante dez dias foram realizadas missões de busca visual, mas nunca se soube o que ocorreu com esta aeronave, com o tenente Daum e sua tripulação.

Grupo de B-24 sobre o mar. Fonte Arquivo Revisa Life.

Mas o caso melhor documentado foi a queda de um bombardeiro B-24 em Fortaleza.

A Tragédia da B-24 do Tenente Brock 

Por volta da meia noite e cinquenta do dia 28 de fevereiro de 1944, a B-24H, numeral 42-52645, comandado pelo segundo tenente William M. Brock Jr., decolou em direção a Dacar, mas devido a problemas em um dos motores, fez uma volta para aterrissar e caiu.

Parte do relatório do major Ernest E. Dryer, classificado como “SECRETO” – Fonte – National Archivies, Washington, D. C. Estados Unidos.

O oficial de operações de Adjacent Field, major Ernest E. Dryer elaborou um relato sucinto sobre o trágico fato. O major foi chamado pouco depois da uma da manhã, onde foi informado pelo oficial de dia da 1155th AAFBU que havia um incêndio de grandes proporções a sudoeste do Campo Adjacento e que um “native” tinha dito que um avião havia caído.

Para o major o fogo parecia estar muito grande para ser apenas em uma habitação de algum morador local, e que um dos aviões da base (provavelmente um modelo menor) decolou para sobrevoar o local. Mas o incêndio atingiu uma área tão grande, que o oficial de operações e um grupo de homens nem esperaram o retorno deste avião e saíram em viaturas para investigar.

Bombardeiros B-24 da 15th Air Force, atacando a refinaria de Ploesti, na Romênia. O B-24 comandado pelo segundo tenente William M. Brock Jr. não chegou a combater.

Ao chegar ao local do incêndio, o major Dryer verificou que realmente era um avião, modelo B-24, com a numeração 42-52645. No local já se encontravam viaturas e membros do departamento de bombeiros da cidade de Fortaleza para manter o fogo sob controle.

O oficial de operações assumiu o comando e enviou um mensageiro de volta à base para informar ao oficial médico que enviasse ambulâncias, a polícia militar e que fosse iniciado o trabalho de relatar os detalhes do acidente imediatamente. Logo descobriram que todos os dez tripulantes pereceram.

Peças de avião, corpos despedaçados e pertences pessoais foram espalhados por uma distância de 1000 pés (300 metros). O corpo de um dos membros da tripulação estava pendurado em uma árvore. Guardas norte americanos foram colocados guarnecendo os destroços e aguardando até que o oficial médico da base assumisse o trabalho de perícia.

Verificado o número do avião com o registro de partida, foi descoberto que aquele B-24 foi o último a sair da base naquela noite e caiu três minutos após a decolagem.

B-24 em chamas.

O avião estava tão danificado que uma verificação dos controles não foi possível.

Notou-se que a asa direita tinha batido em uma árvore e quebrou. Por esta razão o caminho que o avião fazia rente ao solo tinha mudado aproximadamente 90 graus para a direita. Em seguida bateu no chão, foi se arrastando em linha reta por cerca de 1000 pés e se desintegrou ao longo do caminho.

Finalmente o B-24 atingiu uma árvore, parou em uma vala e explodiu, jogando detritos em uma larga área. Na queda a aeronave destruiu um barraco vazio e um tanque de óleo foi jogado através do telhado de outro casebre, mas ninguém na terra morreu.

Destaque do depoimento da brasileira Laura sobre a queda da B-24.

A documentação traz destacadamente, como principal testemunha, a brasileira Laura Ramos Barreto. Esta é apontada pelos americanos como “Native woman” (Mulher nativa) e informa que morava a cerca de um quilômetro e meio da base, no que hoje é o bairro de Montese.

No seu relato prestado nas dependências da 1155th AAFBU, Laura afirmou que sempre à noite escutava os aviões decolando de Adjacent Field e que nesta ocasião ouviu uma aeronave cujos motores pararam repentinamente sobre sua residência. Ela estranhou e, ao procurar olhar o avião da janela de sua casa, Laura presenciou três explosões no solo, seguidas do forte incêndio.

Um acidente inusitado de uma B-24.

Para o major Ernest E. Dryer, o exame das hélices mostrou que pelo menos três dos motores tinham capacidade operativa, mas que não pôde ser dada uma opinião conclusiva em relação ao quarto, devido à extensão dos danos.

As investigações apontaram que a causa do acidente foi uma falha em um dos motores, certamente o que estava mais destruído, imediatamente após a decolagem. Provavelmente o piloto retraiu os flaps em uma altitude muito baixa, fazendo assim com que o B-24 voasse muito próximo ao solo, batendo em uma árvore, rasgando a asa direita do avião e provocando a explosão.

Os corpos foram enterrados em Fortaleza e transladados pra os Estados Unidos ao final do conflito.

Faziam parte da tripulação da B-24H, numeral 42-52645 os seguintes militares;

Segundo tenente William M. Brock Jr., piloto

Segundo tenente Robert D. Wear, co-piloto

Segundo tenente James H. Beatty, navegador

Segundo tenente William D. Davies, bombardeiro

Sargento Kelley L. Epley, engenheiro de voo

Sargento Homer E. Hill, operador de rádio

Sargento William C. Ship, atirador de metralhadora

Sargento Thomas M. Bassett, atirador de metralhadora

Sargento Leo P. Desjardins, atirador de metralhadora

Sargento Jack Z. Roby, atirador de metralhadora

Segundo tenente Robert D. Wear, co-piloto
Sargento Jack Z. Roby, atirador de metralhadora.

Como a participação das bases aéreas em território brasileiro não se restringiu apenas a Natal, estes relatos mostram que certamente existem muitas histórias para serem contadas.

P.S. – GOSTARIA DE AGRADECER A COLABORAÇÃO DO PESQUISADOR CEARENSE ÂNGELO OSMIRO PELO APOIO NESTE TRABALHO.

https://tokdehistoria.com.br/2022/09/27/1944-a-tragedia-da-b-24-em-fortaleza-ce/

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ESTOU SEGUINDO JUAREZ

 Clerisvaldo B. Chagas, 27 de setembro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.774

JUAREZ JÁCOME (IMAGEM DIVULGAÇÃO).

Estou gostando muito da novidade da Internet, vídeo de Juarez Jácome, mostrando a vida do sertanejo nordestino em toda a sua plenitude. O cenário escolhido é o próprio sítio rural com sua residência de taipa e os arredores típicos do sertão. O sertanejo do rio Grande do Norte foi muito feliz em querer mostrar todos os detalhes da sua vivência rural. Hábitos, costumes, flora, fauna, o dia a dia do sertanejo morador em casa de taipa. Acompanho passo a passo cada episódio novo e admiro tudo, começando pela qualidade dos seus vídeos, cenários e a realidade misturada um pouco com as fantasias das piadas e às vezes, os exageros de Mauro que faz o papel de pinguço.

Mas nessa sequência de tantos vídeos, três coisas me chamaram atenção, pois vivi muito em área rural, mas alguns costumes me escaparam, principalmente porque não convivi com a casa de taipa. Primeiro foi a forma de varrer a moradia. O chão batido da casa primeiramente é aguado para se varrer, evitando a poeira vermelha do piso de argila. Segundo, o dever de se colocar areia no caco de barro de fazer pipoca para misturá-la ao milho e proceder normalmente como em todos os lugares até que o milho torrado vire pipoca. A areia quente não se mistura à pipoca e esta fica bel alvinha e apetitosa. Terceiro, o hábito da vizinhança em tomar coisas emprestadas, arroz, óleo, feijão, fósforo, farinha e muito mais, quando falta o produto na sua própria casa, entre uma compra e outra na viagem à cidade. Toma-se emprestado até que o credor vai a cidade para novas compras e paga o emprestado.

As terras vermelhas, os galináceos soltos e se alimentando no terreiro, as palhas como telhado da latada, o fogão de barro, à lenha fumarando, roças verdejantes e trabalhadas, tipos esquisitos, o cabaré de Geruza por perto, para as presepadas de Mauro e pontos típicos apresentados, enchem à vista e desperta a saudade imensa do Sertão rural.

Juárez Jácome, você nem precisa agradecer ao povo, o povo é quem deve se mostrar grato diante da riqueza variada das suas apresentações, mostrando todos os detalhes do Brasil roceiro. Ao terminar esses escritos, irei apressado para o celular procurar se tem novidades nos episódios do Juarez Jácome.

Deus abençoe sua vida com o bom tempero nordestino.



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NAS RUÍNAS DO CASARÃO DE PATOS DE IRERÊ NO MUNICÍPIO PARAIBANO DE SÃO JOSÉ DE PRINCESA.

Por Geraldo Júnior

Um patrimônio histórico que protagonizou uma das páginas mais violentas e sangrentas da recente história paraibana e que está com os dias contados.

O casarão que no passado pertenceu ao major Floro Florentino Diniz, pai de Xanduzinha esposa de Marcolino Pereira Diniz, eternizada na música Xanduzinha cantada por Luiz Gonzaga e irmão do coronel Marçal Florentino Diniz e de Laurindo Florentino Diniz, serviu como cativeiro para as mulheres que foram mantidas reféns por um contingente da Força Militar paraibana que tinha na ocasião o comando do célebre sargento Clementino José Furtado o vulgo Clementino Quelé. Quelé que tantos combates travou com Lampião e que perdeu irmão e parentes durante esses conflitos.
Quelé que tinha ordens diretas do governo para dar combate aos revoltosos da Revolta de Princesa, pretendia através do aprisionamento das mulheres da localidade de Patos de Irerê, forçar a rendição dos aliados do coronel Zé Pereira de Princesa, Paraíba, porém a resposta dos revoltosos veio através de uma forte saraivada de balas contra os soldados sitiados, proporcionando uma verdadeira carnificina e protagonizando um dos episódios mais aterrorizantes e sangrentos da história paraibana e nordestina. Fato que ocorreu no ano de 1930. Populares afirmam que foram mortos 64 soldados durante o cerco dos revoltosos. Até pouco tempo atrás podia-se ver manchas de sangue em formato de mãos nas paredes internas do casarão, atestando os horrores vividos por aqueles homens e mulheres que se encontravam no local durante o cerco e o ataque dos homens do coronel Zé Pereira.
Em conversa a boca miúda, comenta-se que durante uma escavação para a construção do alicerce de uma casa na localidade, foram achadas ossadas e crânios, provavelmente pertencentes aos soldados que foram abatidos durante o combate no casarão. Mas nada que se possa ser provado.
Adendo: Na época dos acontecimentos Patos de Irerê era integrado ao município paraibano de Princesa e atualmente pertence ao município de São José de Princesa, Paraíba.
Fica o registro.
Geraldo Antônio De Souza Júnior

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