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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

O CANGAÇO EM SERGIPE A PIA DAS PANELAS


*Por Eduardo Marcelo Silva Rocha


Sergipe foi um dos locais mais destacados na metade final da história do cangaço lampiônico. Uma vez que nessas paragens o valente de Vila Bela encontrou pouso e proteção de destacados coronéis da região do São Francisco. Ele pôde se estabelecer, recrutando diversos do povo para encorpar suas hostes.

Lampião ao se radicar na região de SE/BA/AL, alterou o funcionamento de seu grupo, que foi dividido em vários (sub) grupos menores, com áreas territoriais de atuação definida, em um processo de delegação de funções, nomeando chefes de bando em diversas localidades, sendo o mais famoso destes, o cangaceiro Zé Baiano, que atuou na região agreste do Estado, tomando Frei Paulo como uma dessas referências.
Essa tranquilidade, somada ao consórcio com “coronéis” da região, permitiu-lhe diminuir seu ritmo de ação, transformando-se em uma espécie de gestor dos seus delegados: Zé Sereno, Labareda, etc. É óbvio que existiam outros aspectos, como o cansaço daquela vida dura, e mesmo, a admissão de mulheres ao bando.

Enfim, Lampião construíra em Sergipe um sólido “modelo de negócio” que lhe deu a oportunidade de desfrutar momentos de tranquilidade como nunca dantes. Depoimentos de pessoas da época dão conta de visitas a cidades, como Propriá e Laranjeiras, em busca de tratamento médico, por exemplo. Além de incursões como a de Capela, onde Lampião chegara a assistir ao filme “Anjo da rua” (Street angel), estrelado por Janet Gaynor.

O fato é que a região era, no geral, um bom coito para Lampião e seu bando, como vimos acima. Mas não apenas isso. Em um dos locais de pouso estabelecido na região catingueira do nosso Estado, Lampião estabeleceu uma espécie de quartel, onde podia reunir-se e tratar de outros assuntos diferentes da rotina de lutas.
 

Trata-se da Pia das Panelas, no atual município de Poço Redondo. Escondido por grandes propriedades, o citado coito era tão bem localizado no que tange à segurança, que os relatos dão conta de que nunca houve ataque por partes das volantes ao referido local.

Diante dos fatos é possível inferir que em um local seguro deste, não era incomum a presença de coiteiros responsáveis pelo fornecimento de víveres e demais produtos. Em conversas com Manoel Belarmino, morador da região e pesquisador independente, consideramos a possibilidade, de devido à segurança do coito, os cangaceiros receberem visitantes, acompanhados de crianças, ao menos em companhia de coiteiros.

O nome “pia” não era fantasia, consistindo em uma espécie de lajedo de pedra, seus buracos eram capazes de armazenar água por muito mais tempo que os riachos que secam logo após o inverno. No caso da Pia das Panelas, existem vários buracos onde se armazena água, tanto que os moradores da região, hoje, enchem os buracos de pedras, como forma de prevenção a acidentes com animais que ainda buscam o refúgio para a sede naquele antigo coito.

Além disso, o local consiste também em uma pequena elevação que somada às características da vegetação mais baixa, fornecia vantagem estratégica aos que ali repousam.

Alguns acontecimentos convergem para a ideia de que ali se tratavam assuntos de ordem “administrativa” do bando. Nesse sentido, exemplo maior é a morte de Lídia – dizem ter sido a mais bela – companheira do cangaceiro Zé Baiano – ao que se sabe, no mesmo dia da morte do Padre Cícero.

Após ter sido delatada pelo cangaceiro Coqueiro, que a teria visto deitar com o cangaceiro Bem Te Vi, Lídia fora arrastada para o famoso umbuzeiro que, ainda existe, no entorno do lajedo, onde esperaria amarrada pela morte a pauladas na manhã seguinte.

 

"Coqueiro", não se salvaria vivo, pois a delação era uma forma de traição, mesmo aquela, tão específica. Bem Te Vi, o conquistador, este salvou-se da morte, seja por proteção ou por haver fugido assim que soube do intento de Coqueiro – pois há quem defenda as duas versões.

Existe alguma divergência sobre como se deram os fatos com o conquistador, mas seja como foi, sabe-se que em algum momento ele fugiu, livrando-se de qualquer ato de violência física. O conquistador não sofreu nada.

Mas não foi somente esse assunto que terminou em morte naquele local: ali ainda morreram outras pessoas sob o manto das decisões gerenciais do cangaço. Uma, foi Rosinha, que após a morte do cangaceiro Mariano, viúva, declarou querer sair do cangaço e, a mando de Lampião, foi resgatada da casa dos pais e morta próximo ao Riacho do Quatarvo - imediações do coito.

Outro foi o sertanejo Zé Vaqueiro, que encontrou o cangaceiro Novo Tempo, que se arrastara ferido até a Fazenda Paus Pretos (de propriedade do Coronel Antônio Caixeiro, pai do Interventor Eronides de Carvalho, local onde fica a Pia das Panelas).

Sabendo do tiroteio que acontecera dias antes, o vaqueiro decidiu executar o cangaceiro, que conhecia muito bem, para ficar com os seus bens, afinal, o fogo da lajinha ocorreu em local diverso ao da Pia das Panelas, onde estavam eles, naquele momento.

O plano do vaqueiro deu errado, o cangaceiro não somente sobreviveu ao disparo feito por Zé Vaqueiro, como conseguiu fugir. Dias depois, Novo Tempo já recuperado e com o bando, pegaram Zé Vaqueiro e o executaram às margens do riacho, queimado, após o seviciarem até sua exaustão.

Outra morte registrada no local, foi a de Preta de Maria das Virgens, que teve a cabeça esmagada pelo namorado Zé Paulo, que não queria assumir a responsabilidade da gravidez da moça.

Os cinco casos relatados têm a traição em diversas perspectivas como ponto comum. Coqueiro, Lídia e Zé Vaqueiro morrem porque traem. Rosinha morre pelo medo que a sua “deserção” causa, dada a possibilidade de traição que rondaria sua reintegração à vida normal, sendo ela conhecedora de coitos e coiteiros. E Preta de Maria das Virgens morre à traição, esta encetada pelo próprio namorado, pai do filho que esperava em seu ventre.

É característica da traição marcar a terra com sangue.

Sobre cemitérios, conta-se que o local que circunda a Pia das Panelas era antes um Campo Santo/Cemitério indígena. O local sob o Umbuzeiro onde supõe-se estar enterrado o corpo de Lídia de Zé Baiano é recoberto por pedras, que lhe facilitam identificá-lo e o fizeram famoso.

Mas sob um olhar mais atento, é possível observar que existem ainda muitas formações de pedras que sugerem ser demarcadoras de local de enterramentos humanos. É fato que, o local já foi remexido para exploração agrícola e, certamente, muitos vestígios arqueológicos já se perderam.
Por outro lado, certamente por questões culturais, alguns espaços como o entorno próximo da Pia e o umbuzeiro com o pretenso túmulo de Lídia ainda resistem.

EPÍLOGO

Ao visitarmos locais como esse, de sofrimento e dor – que representam histórias com muito sangue, ao menos para quem crê em vida além da vida – devemos considerar o peso que esses eventos carregam, nesses lugares, de energias ligadas as emoções de quem viveu tais situações. Se não quisermos pensar em energias (se está cético, se pergunte sobre o que se capta do corpo humano em um eletroencefalograma, por exemplo) pensemos no seguinte: quem gosta de reviver momentos ruins? Ou de ouvir pessoas recontando nossas péssimas experiências?

Longe de querer limitar ou ser contra as visitações aos sítios históricos, mas sim deixar aqui uma reflexão sobre como nos portamos nesses locais e como, respeitosamente, devemos nos portar neles.

Por fim, o local da Pia das Panelas, além de um sítio de interesse histórico, possivelmente, também se trata de um sítio de interesse arqueológico – cemitério indígena, a  despeito de já haver sido bem modificado pela ação da atividade agropecuária nas últimas As décadas. Muitas das pedras, se foram usadas para demarcar sepultamentos, hoje certamente já estão fora do seu local de origem.

Mas ainda há um pequeno espaço central – exatamente onde fica o lajedo da Pia das Panelas – preservado, inclusive em seu entorno próximo, assim como o umbuzeiro onde se supõe estar Lídia enterrada, onde encontramos um pequeno ajuntamento de pedras, em padrão que vemos em covas rasas.

Agora é a vez do IPHAN. 

* É tenente coronel da PM/SE e membro da Academia Brasileira de Letras e Artes do cangaço. (eduardomarcelosilvarocha@yahoo.com.br)












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𝐒𝐔𝐀𝐒𝐒𝐔𝐍𝐀𝐒

Jaozin Jaaozinn

Registro de alguns membros da família Suassuna, na fazenda local da Paraíba.

Numerados estão: 1 𝑱𝒐𝒂̃𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂, 2 𝑪𝒉𝒓𝒊𝒔𝒕𝒊𝒂𝒏𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂 (irmão de João), 3 𝑨𝒏𝒕𝒐̂𝒏𝒊𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂 (irmão de João).

Os demais, segundo o registro, são também parentes, porém, não estão identificados.

𝑭𝑶𝑵𝑻𝑬: 𝑪𝒐𝒓𝒓𝒆𝒊𝒐 𝒅𝒂 𝑴𝒂𝒏𝒉𝒂̃, 1930.

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O TÚMULO DO EX-CANGACEIRO VINTE E CINCO - JOSÉ ALVES DA MATA.

Em 15 de junho de 2014, faleceu José Alves de Matos, vulgo Vinte e Cinco em Maceió, Alagoas, aos 97 anos de idade. O ex-cangaceiro foi enterrado no cemitério Porquê das Flores.

Em seu velório ao lado do caixão podemos ver (mesmo que de forma embaçada) uma foto do bando de Lampião.

Foto: ITAWI ALBUQUERQUE / FUTURA PRESS

AGRADECIMENTOS: A FAMÍLIA DE VINTE E CINCO

EDIÇÃO ARQUIVO DIGITAL HELTON ARAÚJO

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INACINHA DO CANGACEIRO GATO.

Mulher de tez morena, cabelos ondulados. Em suas pupilas, o negrume das jaboticabas maduras, olhar fugaz, nariz e boca pequenos, condizentes ao seu rosto.

Tinha nas veias o sangue dos povos nativos, descendia dos índios Pancararés.

Em avançado estado de gestação, foi ferida por arma de fogo e capturada em combate travado entre cangaceiros e a volante de João Bezerra em um memorável 26 de Outubro de 1936, em razão de sua captura, caiu por terra seu companheiro, o cangaceiro Gato, este, tombara na luta inglória pelo resgate de sua companheira.

Baiana de Brejo do Burgo, sobreviveu ao cangaço e segundo pesquisadores, teve sua vida abreviada no ano de 1957 vitimada por doença no colo do útero.

Ela foi Inácia Maria das Dores, a cangaceira Inacinha ou ainda, Inacinha de Gato.

(Foto do domínio público, na ocasião de sua captura pela polícia de João Bezerra em Piranhas Alagoas no ano 1936).

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" OS ALGOZES DE ZÉ BAIANO E SEU BANDO "

 

Pousam para fotografia, apresentando aos objetos de Zé Baiano e seu bando os seis sertanejos de Alagadiço. Sendo eles da esquerda para direita : Pedro Guedes, Pedro de Nica, Dedé de Lola, Antônio de Chiquinho, Birindin e Toinho.

Foto raríssima dos seis homens que mataram em 7 de junho de 1936, Zé Baiano ( o chefe ), Demudado, Chico Peste e Acelino em São Paulo, atual Frei Paulo na região do Alagadiço em Sergipe.

Os algozes do temido Zé Baiano apresentaram na capital sergipana objetos que estavam em poder do perigoso bando. Os itens citados pelo periódico foram os seguintes : 6 contos em dinheiro, um gigantesco punhal do cabo de prata, pistolas, outros punhais menores, luvas, alforges, preciosas jóias como anéis de ouro, alguns com pedras preciosas, medalhas, trancelins, relógios de ouro, além de um ferro de marcar suas vítimas com as iniciais " JB ".

Esse fato se deu no dia 25 de Junho de 1936, dezoito dias após os bravos sertanejos darem cabo dos cangaceiros.

Por : Helton Araújo

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Conheciam a foto ? Gostaram das informações ?

Quer saber mais histórias do cangaço, se inscreva em nosso canal CANGAÇO ETERNO no YouTube, segue o link abaixo 👇

https://youtube.com/@cangacoeterno?si=tL_ZRtgQYoNxSAST

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ASPIRANTE FRANCISCO FERREIRA DE MELO, CHICO FERREIRA.

Aspirante Franscisco Ferreira de Melo, o Chico Ferreira, um dos grandes destaques da emboscada em Angicos.

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Falem um pouco sobre Chico Ferreira ?

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FOTO DE SERRINHA.

Fotografia rara de alguns dos defensores do povoado de Serrinha/PE. Entre eles, está o Capitão Miguel Calmon, 1935.

No dia 20 de julho do mesmo ano, Lampião estava nas regiões de Pernambuco após ser chamado pelo Coronel Zezé Alíbio, para que fosse cobrado o fazendeiro José Gomes Bezerra, conhecido como Zé Gomes, o que devia para Alíbio.

Com isso, Virgulino partiu para a morada de Bezerra, juntamente com os cangaceiros Cabo Velho, Medalha, Maçarico, Gato, Moita Brava, Maria Bonita, Maria Emma e o cachorro por nome Dourado.

Ao chegar no local, Lampião fala o motivo de sua visita e cobra que seja acertado o que estava devendo; Zé Gomes acaba afrontando o temível bandoleiro, assinando, assim, sua sentença de morte. A notícia de seu assassinato rodou a região, alertando todos os povoados, especialmente Serrinha. O inspetor de quarterão, por nome João Caxeado, e seu auxiliar, Oséias Correia, montam uma resistência na cidade, afim de expelir o ataque cangaceiro. Lampião iria passar no povoado, pois ainda tinha um serviço de Zezé Alípio para cumprir: da cabo do Sr. Chiquito.

Em Serrinha, Lampião bateu na porta da casa de Chiquito, e acabou sendo recebido a bala, juntamente com os seus comandados. No tiroteio, Maria Gomes e Maria Emma acabam sendo acertadas e o cachorro vai a óbito pelos tiros dos cidadãos, expulsando, assim, o bando.

Acaba indo para a Serra do Tará, no entanto, foram cercados pelas tropas do Capitão Miguel Calmon, o Tenente José Joaquim e o Sargento Jorge Peseilio, onde conseguem fugir. No dia 02 de agosto de 1935, nas regiões de Moxotó e/ou Mata Grande, a tropa do Tenente Mané Neto desembarcou para confrontar os cangaceiros. Segundo informações, a polícia acabou prendendo José Salles, sendo acusado de ter ajudado na morte de José Gomes e também por ter roubado o fazendeiro Luiz de Barros, de São José.

𝙁𝙊𝙉𝙏𝙀: 𝑫𝒊𝒂́𝒓𝒊𝒐 𝒅𝒂 𝑵𝒐𝒊𝒕𝒆-1935; 𝑪𝒂𝒓𝒊𝒓𝒊 𝑪𝒂𝒏𝒈𝒂𝒄̧𝒐.

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CORONEL JOSÉ LUCENA DE ALBUQUERQUE MARANHÃO.

Foi um grande expoente no combate ao banditismo rural. Em contrapartida, sob seu comando a polícia em ação totalmente imprudente, executou o senhor José Ferreira, pai de Virgolino Ferreira da Silva, o afamado Lampião.

Em busca de prender os filhos do proprietário da casa que eram criminosos, a volante comandada por Zé Lucena, falhou vergonhosamente, pois dessa ação morreram dois inocentes, o senhor Fragoso proprietário do local e como supracitado acima, José Ferreira. Nenhum dos criminosos foi morto ou preso nessa ação descabida.

Obs : Deixamos claro que Lampião e seus irmãos já viviam no mundo do crime quando seu pai foi morto, porém esse fato fez com que os irmãos Ferreira mergulhassem de vez no mundo hostil do cangaço.

Foto : Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

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CHAPÉU...

Arquivo do Helton Araújo

Era 06 de Agosto de 1938, em mais uma matéria de jornal que circulava pelo Brasil e mundo, é apresentado com mais detalhes os objetos que estavam em posse de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, em 28 de Julho de 1938, dia em que o famigerado cangaceiro foi morto e decapitado na grota do Angico no estado do Sergipe.

Assim foi descrito : O chapéu de Lampião adornado de moedas e medalhas de ouro, ao lado Parabellum do rei do cangaço e do seu enorme sinistro punhal, cujo cabo é, em parte de marfim, com incrustações de ouro.

Fonte e Foto : Jornal A Noite

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Gostaram das informações ?

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FOTO COMPLETA, RARÍSSIMA DE : FRANCISCO RAMOS DE ALMEIDA, VULGO MORMAÇO.

Por Helton Araújo

Mormaço foi fuzilado pela polícia junto com o cangaceiro Bronzeado no dia 13 de Março de 1928, entre Mossoró e Assú no sítio Lagoa Serrada.

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Conheciam o cangaceiro Mormaço ?

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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

CHOCALHOS DOURADOS DE LAMPIÃO

 Por José Mendes Pereira


A inveja está presente em todas as classes sociais, e até mesmo, em todas as espécies de animais, porque, quando um ver outro capturar uma presa, quer tomar de imediato, como se dissesse: “- Você pegou, mas é meu!”. E parte para o ataque do toma toma.


Se você observar o comportamento de um animal, por exemplo, uma rês (eu vivi no campo e conheço as astúcias de muitos deles), que geralmente tem ao seu lado uma amiga ou amigo, ali, o ciúme doentio está presente, que não quer nem que outra rês, fique perto do amigo ou da amiga. E assim caminha os seres vivos completamente tomados pelo ciúme. A inveja nasce até mesmo por coisas que não têm valor nenhum. E o ser humano é assim mesmo, pior do que os próprios animais. Inveja até o lugar que o outro se senta, se deita, faz refeições, frequenta, debocha para acabar uma amizade...

O difícil é nós sabermos o que leva um sujeito ter inveja de um simples objeto, quase sem valor, chamado chocalho, que só serve mesmo para ser colocado no pescoço de uma rês, e soltá-la no campo, e com o seu som, indicar ao vaqueiro em que direção está ruminando o animal chocalhado. 

Rostand Medeiros
 
O historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros escreveu o que segue sobre a grande inveja do fazendeiro José Saturnino, que teve dois Chocalhos dos animais de seu José Ferreira da Silva, pai dos famosos cangaceiros Lampião, Antonio, Livino e Ezequiel Ferreira.

José Saturnino primeiro inimigo de Lampião

Vamos apreciar o que diz o Rostand:

Ferreiras e Nogueiras eram vizinhos. Um parente dos Nogueiras, o José Saturnino, se mostrou “despeitado”, quando viu que o gado dos Ferreiras andava na caatinga com uns chocalhos bonitos, dourados, comprados em Juazeiro do Norte, no Ceará. 

Chocalho dourado

Até então, todos os chocalhos que chegavam à fazenda Serra Vermelha eram negros e sem graça. No sertão, onde o gado é criado sem cercado, o chocalho funciona como um meio de o vaqueiro localizar bois, vacas e cabras. Saturnino invejando, amassou o chocalho do gado dos Ferreiras e sem eles nas suas reses perderam bois e vacas.

Vaqueiro e seu amado cavalo

Para não ficarem por baixo os Ferreiras deram o troco, amassando chocalho do seu gado. Saturnino não gostou; capou o cavalo de Virgulino. Virgulino cortou os rabos das vacas de Saturnino. A briga cresceu e o juiz de Vila Bela obrigou os Ferreiras a se mudarem. Foram morar no distrito de Nazaré, hoje Carqueja, com uma condição; nem visitavam Serra Vermelha, nem Saturnino entrava em Carqueja. Mas José Saturnino quebrou o acordo e os Ferreiras não gostaram.

Lampião e seu irmão Antonio Ferreira

Começaram a fazer arruaças em Carqueja. Foram obrigados a se mudarem, desta vez para Alagoas, onde um amigo de Saturnino, a pedido deste, matou o pai de Virgulino e feriu um irmão. 

Tenente Zé Lucena responsável pela morte de José Ferreira da Silva pai dos Ferreiras.

Virgulino decidiu vingar-se.

Integrou-se ao bando do cangaceiro Sinhô Pereira e depois começou a agir por conta própria, com seu próprio bando. Seu poder cresceu, ele passou a ser temido até pelos governadores.

Sinhô Pereira - https://br.pinterest.com/pin/483925922460968767/

Em 1926, chegou a propor ao governo de Pernambuco dividir o Estado em dois: à capital caberia a administração do litoral, enquanto ele reinaria sozinho, no Sertão. De cangaço em cangaço, Lampião terminou por ter a cabeça colocada a prêmio por 50 contos de réis.

Cabeças decepadas dos cangaceiros Lampião, Maria Bonita e seu bando

Em 1938, seu bando foi desarticulado, ele e seus companheiros foram degolados e suas cabeças exibidas em praça pública.

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AINDA DARÁ TEMPO PARA VOCÊ PRESENTEAR O SEU PAI, SEU AVÔ OU O SEU BISAVÔ COM ESTE LIVRO

  Por José Mendes Pereira


Pedro Motta Popoff
O autor deste José Bezerra Lima irmão e o historiador Antonio Amaury.
O autor José Bezerra Lima Irmão com o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

Adquira já com Francisco Pereira Lima lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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SERROTES SANTANENSES

 Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.980 

Um elevado de terra é chamado de montanha. Várias montanhas juntas formam as serras e, várias serras juntas formam uma cordilheira. Na verdade, o regionalismo popular distorce ou complementa essas afirmações geográficas. No Sertão nordestino um elevado não tão alto assim, é chamado de morro quando é arredondado ou afunilado; serrote quando tem a forma mais horizontal (serrote: pequena serra) e serra quando o elevado é muito alto, isolado, ou muito alto e contínuo horizontalmente.  No sertão não se chama montanha; somente as três formações populares citadas. Os serrotes são costumes regionais tão corriqueiros que a atenção só aparece quando o visitante indaga, o que é serrote? O serrote, geralmente isolado e residual, isto é, resto de elevações conjugadas, desgastadas e extintas pelo tempo, tem muita serventia no Sertão.

O serrote é mais úmido, tem mais vegetação de porte, é refrigério para os bovinos, fonte de alimentação para caprinos, receptor e dispersor de ventos, refúgio de animais selvagens e pulmão verde dos arredores; além disso, os serrotes são pontos de referências assim como as lagoas regionais. Esses acidentes geográficos, recebem a denominação do povo, muito mais pelas suas primeiras famílias que ali fizeram moradias. Assim em Santana do Ipanema se destacam os seguintes serrotes: “Serrote”, “Serrotinho”, “Serrote dos Brás”, “Serrote dos Bois”, “Serrote dos França” e “Serrote dos Angicos”, na zona rural. Na zona urbana: “Serrote do Gonçalinho”, “Serrote do Cruzeiro”, “Serrote do Pelado” e a “Serra Aguda”.

E quando falamos na serra Aguda, hoje, quase no limiar do urbano/rural, é uma montanha isolada em forma de sela, localizada próxima à Reserva Ecológica Tocaia. É avistada de imediato pelos que entram em Santana do Ipanema, no sentido Maceió/Santana, a partir das ruas principais do Bairro Monumento. Fica muito perto do Hospital Regional da colina. É ali na parte mais alta da sela, onde será erguida a mais alta imagem religiosa do mundo, a de Senhora Santa Ana, cujos trabalhos de limpeza do terreno, já foram iniciados. A propósito, vista de longe através de aparelho, existe um desgaste entre as duas partes da sela, proveniente das enxurradas que descem de serra abaixo.

Amigas e amigos, abraços do tamanho dos serrotes da minha terra.

SERRA AGUDA (FOTO:B. CHAGAS)



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CONVITE!

 Por Luís Bento

É uma honra participar desse momento histórico, venha você também compartilhar dessa história.

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MARIA DE PANCADA;

 Mateus Brandão de Souza

Mulher de notável beleza, traços delicados, contrastando com a realidade e a crueza do mundo em que vivera...

Esteve por entre as feras, ela que com grandeza de detalhes foi o assunto das confabulações entre um cangaceiro e outro, tinha suavidade na voz, pés pequenos, mãos macias...

Mesmo com a política hostil, machista e injusta, teve em si a supremacia peculiar às mulheres, a deidade consoante às belas.

Ela era Maria Adelaide de Jesus, Maria Jovina ou ainda (Maria de Pancada, por ser a companheira do cangaceiro que tinha esta alcunha.) Registro original feito pela lente de Benjamin Abrahão...

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VELÓRIO DE ODILON FLOR.

Por Helton Araújo

Hoje, conversando com o amigo Hildegardo Luna Ferraz Nogueira , tive o prazer de ter acesso a esse riquíssimo material histórico. Na foto abaixo podemos ver o velório de Odilon Nogueira de Souza, o afamado nazareno Odilon Flor.

Odilon Flor sem dúvidas foi um dos maiores perseguidores de Lampião, tendo sofrido terríveis perdas nos combates com o bando do famigerado cangaceiro ao longo dos anos, mas em contrapartida foi um dos mais letais adversários de Virgolino, causando significativos danos aos cangaceiros.

O bravo nazareno, faleceu na cidade de Itabuna, no estado da Bahia, em 07 de novembro de 1950, vitimado por um câncer de garganta aos 47 anos de idade.

E esse foi o fim de um dos maiores expoentes da história do cangaço. ODILON FLOR !

Foto : Cortesia : Hildegardo Luna Ferraz Nogueira

Agradecimentos a toda família de Odilon Flor.

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Obs : Essa foto apesar de não ser tão divulgada, já foi postada por Geraldo, do canal Cangaçologia.

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LIVRO

 Por Helton Araújo

Livro sensacional disponível para venda, chegou o primeiro lote para tiragem da segunda edição, revisada e ampliada dessa incrível obra da temática CANGAÇO, o livro " MANOEL NETO no rastro de LAMPIÃO.

Interessados chamar no chat, a princípio o frete está grátis. Lembrando que o mesmo vai ser autografado pelo escritor e pesquisador Leonardo Ferraz Gominho.

Adquira já o seu !!!

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𝑴𝑨𝑵𝑶𝑬𝑳 𝑵𝑼𝑵𝑬𝑺

 Por Jaozin Jaaozinn

Fotografia do Sr. Manoel Nunes de Araújo, um senhor de idade que, quando jovem, se aventurou na famosa Guerra do Paraguai (1864-1870), no ano de 1865. Na legenda, diz:

“𝘔𝘢𝘯𝘰𝘦𝘭 𝘕𝘶𝘯𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘈𝘳𝘢𝘶𝘫𝘰 𝘦́ 𝘶𝘮 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘰 𝘴𝘰𝘭𝘥𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘴𝘦𝘳𝘷𝘪𝘤̧𝘰𝘴 𝘳𝘦𝘭𝘦𝘷𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘯𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘣𝘢𝘵𝘦 𝘢𝘰 𝘣𝘢𝘯𝘥𝘪𝘵𝘪𝘴𝘮𝘰. 𝘊𝘰𝘯𝘵𝘢 84 𝘢𝘯𝘯𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 𝘦́ 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘦 𝘗𝘦𝘳𝘯𝘢𝘮𝘣𝘶𝘤𝘰, 𝘦𝘮𝘣𝘰𝘳𝘢 𝘩𝘰𝘫𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘪𝘥𝘢 𝘦𝘮 𝘑𝘰𝘢𝘻𝘦𝘪𝘳𝘰 𝘥𝘰 𝘊𝘦𝘢𝘳𝘢́. 𝘌𝘴𝘵𝘦𝘷𝘦 𝘯𝘢 𝘨𝘶𝘦𝘳𝘳𝘢 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘰 𝘉𝘳𝘢𝘴𝘪𝘭 𝘦 𝘰 𝘗𝘢𝘳𝘢𝘨𝘶𝘢𝘺, 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘵𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴 17 𝘢𝘯𝘯𝘰𝘴, 𝘭𝘶𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘊𝘰𝘳𝘳𝘪𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘙𝘪𝘢𝘤𝘩𝘶𝘦𝘭𝘰 𝘦 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘤𝘢𝘮𝘱𝘢𝘯𝘩𝘢. 𝘊𝘰𝘯𝘲𝘶𝘪𝘴𝘵𝘰𝘶 𝘶𝘮𝘢 𝘮𝘦𝘥𝘢𝘭𝘩𝘢 𝘲𝘶𝘦, 𝘢𝘪𝘯𝘥𝘢 𝘢𝘨𝘰𝘳𝘢, 𝘦𝘹𝘩𝘪𝘣𝘦, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘱𝘳𝘦𝘮𝘪𝘰 𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘶 𝘩𝘦𝘳𝘰𝘪𝘴𝘮𝘰. 𝘋𝘦𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘥𝘪𝘴𝘴𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘢𝘭𝘪𝘴𝘵𝘰𝘶 𝘯𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘪𝘳𝘢𝘴 𝘥𝘢 𝘗𝘰𝘭𝘪́𝘤𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘶 𝘌𝘴𝘵𝘢𝘥𝘰, 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘱𝘦𝘳𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘳 𝘰𝘴 '𝘭𝘢𝘮𝘱𝘦𝘰̃𝘦𝘴', 𝘢𝘰 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰 𝘥𝘢 𝘮𝘰𝘯𝘢𝘳𝘤𝘩𝘪𝘢, 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘔𝘢𝘯𝘦́ 𝘊𝘩𝘪𝘤𝘰 𝘦 𝘘𝘶𝘪𝘯𝘤𝘢𝘴 𝘦 𝘢𝘨𝘪𝘢𝘮 𝘯𝘰 𝘴𝘦𝘳𝘵𝘢̃𝘰 𝘱𝘦𝘳𝘯𝘢𝘮𝘣𝘶𝘤𝘢𝘯𝘰.

𝘏𝘰𝘫𝘦, 𝘔𝘢𝘯𝘰𝘦𝘭 𝘕𝘶𝘯𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘈𝘳𝘢𝘶𝘫𝘰 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘴𝘵𝘦, 𝘥𝘦 𝘭𝘰𝘯𝘨𝘦, 𝘢́ 𝘭𝘶𝘵𝘢 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢 𝘓𝘢𝘮𝘱𝘦𝘢̃𝘰, 𝘤𝘰𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢 𝘴𝘢𝘶𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘭𝘢 𝘦́𝘱𝘰𝘤𝘢 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘭𝘦 𝘵𝘢𝘮𝘣𝘦𝘮 𝘱𝘰𝘥𝘪𝘢 𝘱𝘦𝘨𝘢𝘳 𝘯𝘰 '𝘱𝘢̃𝘰 𝘧𝘶𝘳𝘢𝘥𝘰'.”

*𝘙𝘦𝘴𝘱𝘦𝘪𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘦𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘢 𝘥𝘢 𝘦́𝘱𝘰𝘤𝘢.

𝙁𝙊𝙉𝙏𝙀: 𝘿𝙞𝙖́𝙧𝙞𝙤 𝙙𝙖 𝙉𝙤𝙞𝙩𝙚-1930.

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