Coronéis
CORONEL –
A designação de coronel veio do Império, quando os grandes proprietários de
terras e outros bens – para solidificar seu poderio - adquiriam comprando esse
título da Guarda Nacional.
A Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, pelo então padre
Diogo Antonio Feijó, para garantir a ordem pública, defender a Constituição, a
independência, a liberdade e a integridade nacional. Esta lei substituía as
antigas Companhias de Ordenações e as Milícias de Guardas Municipais, cujas
foram suprimidas em 20 de dezembro do mesmo ano.
Os coronéis indicavam – por força de eleições profundamente suspeitas - os
prefeitos (intendentes) das cidades ou assumiam eles próprios, arregimentavam
em suas propriedades dezenas de pistoleiros – jagunços – para eliminarem quem
não lesse na mesma cartilha política ou discordasse de seus interesses. Quando
um coronel admitia um morador em sua propriedade não era necessário
contratar-lhe os “serviços” do mesmo para ser jagunço ou pistoleiro. O fato de
estar com tal coronel significava que era também um protetor armado desse
mandatário. Essa atividade era inseparável da de morador ou agregado. Se houvesse
mais de um coronel na cidade, mandava mais aquele que tinha mais pistoleiros,
mais armas e maior disposição de brigar. No dia das eleições, seus cabos
eleitorais entregavam a cédula em envelope fechado e preenchido aos eleitores e
acompanhavam até o local das votações para ver se colocavam nas urnas. Era
comum o voto do defunto. Muitas vezes se votava em dois municípios : de manhã
em um e a tarde em outro, para o “patrão” ajudar ao “compadre” correligionário.
Tudo isto era o chamado “voto de cabresto”, que ainda existe, com modificações,
nos dias atuais, nos sertões.
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Alguns pesquisadores chegam a dizer que Lampião fez pacto com coronéis. Isto é
erro de leitura do contexto social da época. Na verdade alguns coronéis se
encolheram, dobraram a espinha nos pactos, debaixo das ordens e poder de fogo
do Rei do Cangaço.
Segue os principais coronéis do tempo de Lampião – uns se dobraram e outros
resistiram ao seu julgo:
De Pernambuco:
Vila Bela
(atual Serra Talhada) – Antonio Pereira, padre José Kehrle, Antonio Alves do
Exu e Cornélio Soares. Floresta – Antonio Serafim de Souza Ferraz (Antonio
Boiadeiro). Belém – Manuel Caribe (Né Caribe). Tacaratu, Jatobá e Espírito
Santo – Ângelo Gomes de Lima (Anjo da Jia). Flores – José Medeiros de Siqueira
Campos, que se revezava com o Major Saturnino Bezerra, este do distrito de
Carnaíba. Triunfo – Deodato Monteiro, Lucas Donato. Afogados da Ingazeira –
Elpídio Padilha. Custódia – Capitão da Ribeira de Contindiba e Ernesto Queiroz.
Moxotó – Antonio Guilherme Dias Lins. Buíque – Antonio Cavalcanti. Pedra –
Francisco de França (Chico de França). Rio Branco (Arcoverde) – Delmiro Freire.
Águas Belas – Constantino Rodrigues Lins. Cabrobó – Antonio André e Epaminondas
Gomes. Salgueiro - Veremundo Soares. Belmonte – Luiz Gonzaga Ferras. Bom
Conselho do Papacaça - José Abílio de Albuquerque Ávila e Francisco Martins.
Leopoldina (Parnamirim) – Antonio Angelino. Serrinha (Serrita) – Frâncico
Figueira Sampaio (Chico Romão). Petrolina – João Barracão e família Coelho.
Da Paraíba:
Princesa – José Pereira Lima. Conceição – Jaime Pinto Ramalho. Misericórdia
(Itaporanga) – José Bruneto Ramalho e a família Nitão. Piancó – Felizardo e
Tiburtino Leite. Cajazeiras – Famílias Rolim e Cartaxo. Alagoa do Monteiro –
Augusto Santa Cruz.
De Alagoas:
Água Branca – Ulisses Luna (Ulisses da Cobra). Santana do Ipanema – Manuel
Rodrigues. Mata Grande – Juca Ribeiro, família Malta. Pão de Açúcar – Joaquim
Resende, Augusto Machado e Elísio Maia.
Do Ceará:
Missão Velha – Isaías Arruda. Porteiras – Raimundo Cardoso. Milagres – Domingos
Furtado. Barbalha – Mousinho Cardoso. Aurora – Família dos Paulinos. Juazeiro –
Padre Cícero e Floro Bartolomeu. Bravo – José Ignácio. Lavras da Mangabeira –
Raimundo Cardoso. Jardim – Coronel Dudé. Brejo Santo - Antonio Teixeira Leite
(Antonio da Piçarra).
De Sergipe:
Francisco Porfírio de Brito, João Ribeiro, Antonio de Carvalho (Antonio
Caixeiro) e Eronildes de Carvalho.
Da Bahia:
Glória – Petronilo de Alcântara Reis (Coronel Petros). Jeremoabo – Saturnino
Nilo.
Do Rio Grande
do Norte:
Mossoró - Coronel Antonio Gurgel e Rodolfo Fernandes.
CANGACEIROS –
Os cangaceiros viveram no nordeste por aproximadamente setenta anos. De 1870 até
1940, com seus ícones: José Gomes (Cabeleira), Lucas Evangelista (Lucas da
Feira), Jesuíno Alves de Melo Calado (Jesuíno Brilhante), Adolfo Meia Noite,
Manoel Batista de Moraes (Antonio Silvino), Sebastião Pereira da Silva (Sinhô
Pereira), Virgolino Ferreira da Silva (Lampião) e Cristino Gomes da Silva Cleto
(Corisco). Viviam em grupos, saqueando cidades, vilas e fazendas, enfrentando o
poderio dos coronéis e fazendeiros, desafiando a polícia e todo aparato do
Estado. A palavra vem de canga, peça de madeira que prende os bois ao carro. Os
cangaceiros carregavam a arma sobre os ombros, lembrando uma canga. Quem se
sentisse injustiçado, sempre procurava um meio de torna-se um cangaceiro. No
cangaço o ganho era bastante superior ao de qualquer outra profissão
estabelecida. Além do dinheiro e jóias, frutos dos saques, tinham fama,
liberdade e respeito da população, admiração das mulheres, simpatia das pessoas
e rompimento com a submissão dos donos do poder. No cangaço havia respostas
urgentes para as necessidades materiais dos mais pobres.
Alguns tipos de cangaceiros:
O meio de vida: Que agiam por profissão.
O Vingança: Por ética.
O Refúgio: Por defesa.
O fim do cangaço é dado com a morte de Corisco, em 1940.
Os mais destacados chefes de cangaceiros do tempo de Lampião que agiram com ele
em diversos momentos, foram: Virginio (Moderno), Sabino Gomes, Luiz Pedro,
Antonio de Ingrácia, Cirilo de Ingrácia, Sinhô Pereira, Antonio Rosa, Cassemiro
Honório, Antonio Matilde, Azulão, Gato (de Inacinha), Zé Sereno (José Ribeiro),
Pancada, Chico Pereira, Curisco, Zé Baiano, Labareda (Ângelo Roque), Massilon
Leite, Sabino das Abóboras, Jararaca (José Leite), Antonio Rosa, Balão, Meia
Noite, Tubiba, Bom Deveras e Baliza.
EM TEMPO: Para
conhecer mais sobre LAMPIÃO, leia o livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A
HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
http://www.cabrasdelampiao.com.br/coro.php
http://historiaestudoamador.blogspot.com.br/2010/07/coronelismo-e-cangaco.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com