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sábado, 20 de fevereiro de 2016

O COCO E O REI DO RITMO

Por Kydelmir Dantas (*)

COCO: Ritmo comum do litoral do nordeste apareceu como dança no século XVIII. Em geral bastam um pandeiro ou um ganzá para marcar o ritmo, que é mantido pelo som de palmas, e se forma em moda de cantadores e dançadores (Nova História da MPB, 2a Edição - 1977 - Ed. Abril Cultural). 

Segundo Manezinho Araújo, o Coco originou-se no Quilombo dos Palmares, onde os negros passavam horas quebrando coco e cantando na cadência das batidas da casca, dessa fruta, nas pedras. A forma obedece ao compasso 2/4 e 4/4. 

As variações baseiam-se em vários critérios, como: 

- O lugar: Coco-de-pedra, Coco-do Sertão, Coco-de-roda. 

- Instrumentos Utilizados: 

- Coco de Ganzá = Tipo de chocalho. 

- Coco de Zambê = Instrumento de Percussão. 

- Coco de Mungonguê = Espécie de tamborim. 

- Versos Usados: Coco Agalopado, de Sétima, de Embolada, etc. 

Porém, o mestre Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro ressalta que, mesmo com toda a influência Africana a disposição coreográfica coincide com as preferências dos bailados indígenas, especialmente os Tupis da costa brasileira. 

Mesmo sintetizando em poucas linhas o Coco, não poderíamos deixar de falar no seu maior representante, nos dizeres de Pinto Carneiro, um dos mais ecléticos cantadores do Brasil, que a tudo interpretava com habilidade de Mestre. Era o protótipo do homem do mato, simples, alegre e inteligente, era JACKSON DO PANDEIRO. 


Nascido em 31 de agosto de 1919 e batizado de José Gomes Filho, recebeu influência total de sua mãe Dona Flora Mourão, como era mais conhecida Flória Maria da Conceição, a mais requisitada “Tiradora de Coco”, das festas de Alagoa Grande, na Paraíba, que cantava e tocava ganzá, acompanhada por outra pessoa no zabumba. Aos 8 anos de idade ele pegou num zabumba pela primeira vez e passou a acompanhar a mãe nas suas apresentações. 



Após a morte de seu pai a família foi morar em Campina Grande e o menino foi trabalhar numa padaria. Aos 17 anos, ele substituiu o baterista de um conjunto musical que se apresentava no Clube Ipiranga, tornando-se instrumentista desse grupo. Na década de 40 foi morar em João Pessoa e tocou em vários cabarés, até que em 1946 foi contratado pela Rádio Tabajara, onde começou a se projetar como ritmista no pandeiro, era conhecido por Zé Jack, devido a sua figura magra lembrar o ator americano de filmes faroeste Jack Perry, e em 1948 foi trabalhar na rádio Jornal do Comércio, de Recife (PE), adotando o nome artístico que ficaria famoso, Jackson do Pandeiro, e fazendo dupla com Rosil Cavalcante, de Macaparana (PE). 

O primeiro disco gravado, pelo selo Copacabana, foi em 1953 onde ele canta um dos seus maiores sucessos: “SEBASTIANA”, de Rosil Cavalcanti, juntamente com “FORRÓ EM LIMOEIRO”, de Edgar Ferreira. 

A partir daí, já conhecido em todo o país, vieram outras gravações que se tornaram sucessos: “Cabo Tenório” e “Moxotó” (Rosil Cavalcanti); “Forró em Limoeiro” e “1 a 1” (Edgar Ferreira); “O Canto da Ema” (Aires Viana, Alventino Câmara e João do Vale); “Como Tem Zé na Paraíba” (Manezinho Araújo e Catulo de Paula); “Chiclete Com Banana” (Gordurinha e Almira Castilho) e mais um rosário de boas músicas, com letras irreverentes ou não, que o fizeram conhecido como cantor. Porém Ele também compunha: é que uma boa parte de suas composições Jackson colocava em nome de Almira Castilho, sua parceira e esposa de 1959 a 67. Citando algumas composições suas mais conhecidas, temos: “Na Base da Chinela” (JP & Rosil Cavalcanti); “Aquilo Bom” (JP & José Batista); “Cantiga da Perua” (JP & Elias Soares); “Cabeça Feita” (JP & Sebastião Batista) etc. 

Muitos dos grandes nomes da MPB se disseram influenciados por Jackson, ou gravaram músicas que foram sucesso com e do mesmo: Alceu Valença, Caetano Veloso, Gil, Gal Costa, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Trio Nordestino, Luiz Gonzaga, Chiclete com Banana; temos na Paraíba um cantor/poeta que é um dos seus mais fiéis seguidores, Biliu de Campina, fazendo o mesmo que o Mestre fazia: a “divisão”, ou seja, dividir os versos ritmicamente usando a voz como um instrumento de percussão. Hoje, após 76 anos do seu nascimento, as palavras do Rei do Ritmo continuam proféticas, para os que lutam e defendem a Música Popular Brasileira: 

“- Mesmo com a perseguição da música estrangeira, eu aguentei a barra durante 12 anos. Eu e o Luiz Gonzaga. Nunca parei de fazer gravações.”

“Sua Figura rude não sofreu qualquer transformação, de Alagoa Grande-PB - onde nasceu - ao Rio de Janeiro, onde conheceu os lauréis da glória.” (Pinto Carneiro). 

Amém, JACKSON DO PANDEIRO, amém! (*) Escritor, poeta, sócio da SBEC.

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A maravilhosa arte de Manuelito - 14 de Fevereiro de 2016

Por Geraldo Maia do Nascimento

A arte fotográfica, técnica de reproduzir as imagens pela refração da luz, teve em Mossoró um grande adepto, que ao morrer em 10 de agosto de 1980, deixou como legado um fabuloso acervo de importância histórica incalculável para Mossoró. 

               
Manuelito Pereira dos Santos Magalhães Benigno foi um artista de capacidade impar, que através de suas lentes projetou as imagens de Mossoró para o futuro, retratando a paisagem do seu mundo. São pessoas, ruas, sobrados, igrejas e acontecimentos sociais que envolveram a cidade num longo curso da crônica que ele registrou nos negativos dos seus filmes e na contemporaneidade do tempo e da vida.
              
 Nascido e criado no Ceará, onde também aprendeu a profissão, chegou a Mossoró em 04 de outubro de 1933, numa quarta-feira de sol abrasador. Trabalhou inicialmente no “Foto Escóssia”, que ficava na Praça Rodolfo Fernandes, e pertencia a Augusto da Escóssia. Posteriormente Manuelito Pereira deixou a Foto Escóssia passando a trabalhar para J. Octávio, outro estúdio famoso de Mossoró. Tempos depois montou seu próprio atelier com o nome de “ O MANUELITO”, na Praça Vigário Antônio Joaquim, onde se firmou como artista de largo conceito profissional. Por quase cinqüenta anos retratou gente e coisas de Mossoró, sendo de sua autoria a quase totalidade das fotos históricas de nossa cidade. Todo o seu acervo fotográfico encontra-se no Museu Histórico “Lauro da Escóssia”. Segundo as palavras do historiador Raimundo Nonato, “invulgar atividade profissional a desse artífice provinciano que vale como capítulo da história de uma cidade heróica, que tem sobrevivido pelas iniciativas do seu povo, pelos feitos e pelo seu amor à liberdade, tantas vezes comprovado em campanhas memoráveis e em dias de soberba glorificação”.
               
Em sua modesta sala de trabalho, soube compensar a falta de estrutura com seu imenso talento. Com o passar do tempo foi adquirindo fama, renome e prestígio com a instalação de um novo e moderno atelier fotográfico, onde atendia a todos com extrema cordialidade, sempre franco, expansivo, fumando seu cigarrinho, rindo manso por entre os dentes, batendo e revelando chapas dia e noite, e aos poucos, amealhando as economias que lhe chegavam às mãos, como justo prêmio de um trabalho incansável e honesto.
               
Soube se impor como profissional, tornando-se presença obrigatória nas festas sociais, nos prélios esportivos e acontecimentos tumultuosos da política, que no dizer de Raimundo Nonato, “sempre transforma a vida de Mossoró numa espécie de campo de batalha ou de guerra fria, com seus profetas de rua, seus ídolos populares, suas figuras carismáticas”.
               
Registrou também figuras populares das ruas da cidade, tipos inesquecíveis como Benício Gago e Manuel Cacimbinho, cujas biografias foram publicadas pelo saudoso pesquisador Raimundo Soares de Brito em sua obra “Eu, egos e os outros. Desses, Manuelito trabalhou as imagens dando formas pictóricas admiráveis, em belos quadros que poderiam figurar em qualquer museu do país.
               
Demais acontecimentos de relevo como foi o Congresso Eucarístico de Mossoró, ocorrido entre os dias 12 e 26 de agosto de 1943, com a presença do Arcebispo do Rio de Janeiro Dom Jaime de Barros Câmara, tiveram todos os seus atos fotografados por esse grande artista nordestino.
               
Pela importância do seu trabalho para a cultura mossoroense, mereceu esse grande artista uma sala individual no Museu da cidade, onde está exposto todo o equipamento utilizado por ele ao longo da sua vida profissional, além de grande quantidade de fotografias e negativos. Como curiosidade pode ser visto no Museu os negativos em lâminas de vidro, técnica muito usada na época, que ainda se encontram em perfeito estado de conservação.
               
Pelos fatos expostos é possível concluir que Manuelito Pereira dos Santos Magalhães Benigno deixou em Mossoró uma herança de trabalho que muito engrandece a cidade, pois é através de sua obra que o nosso passado é revisitado, evitando assim que a poeira do tempo cubra para sempre os nossos feitos e glórias. 

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
http://www.blogdogemaia.com

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LINDA PIRANHAS


...DEIXO ESSA MAGNÍFICA FOTOGRAFIA ONDE PODEMOS VER UMA VISÃO PANORÂMICA DA CIDADE HISTÓRICA DE PIRANHAS/AL. CIDADE QUE FOI PALCO DE INÚMEROS ACONTECIMENTOS NA ÉPOCA DO CANGAÇO.

Foto: Jorge Remígio (João Pessoa/PB)

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)


Fonte: facebook

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BIOGRAFIA DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO


Zé Baiano (? — 7 de julho de 1936) foi um cangaceiro que integrou o bando de Lampião. Conhecido por sua crueldade, tinha o costume de marcar com um ferro em brasa as iniciais "JB" no rosto ou no púbis de mulheres de cabelo curto ou por estarem usando vestidos cujo comprimento ele considerava inconveniente, passando a ser conhecido por isso como o "ferrador de gente". Devido à cor de sua pele, foi apelidado também de "pantera negra dos sertões".[1] Liderou seu próprio bando, em companhia do qual foi morto em 1936 após uma emboscada em Alagadiço, povoado do município de Frei Paulo.[2]

Lampião e seu bando invadiram Alagadiço pela primeira vez em 1930, arrombando casas e roubando pertences dos moradores. Pelo povoado estar em uma posição estrategicamente privilegiada, e por não contar com destacamento reforçado de polícia, os cangaceiros transitavam livremente pela região. Lampião voltou mais três vezes à Alagadiço; na segunda ocasião, procurou o coiteiro Antônio de Chiquinho, querendo informações sobre um destacamento policial que perseguia seu bando.[3]

A última visita de Lampião ao povoado foi em 1934, quando deixou Zé Baiano no comando da região. Acompanhado de seus comparsas Demudado, Chico Peste e Acelino, ele aterrorizou a localidade, cometendo atrocidades, saqueando e impondo sua própria lei em Frei Paulo e vizinhanças. O bando costumava esconder-se da polícia nas casas de fazendeiros, ou então na mata, mas foi o coiteiro Antônio de Chiquinho que acabou pondo um fim ao reinado de criminalidade de Zé Baiano.[3]

Cansado de ser perseguido pelos policiais devido ao envolvimento com o cangaço, o comerciante armou uma emboscada aos criminosos. Durante uma entrega de alimentos em 7 de julho de 1936, acompanhado dos conterrâneos Pedro Sebastião de Oliveira (Pedro Guedes), Pedro Francisco (Pedro de Nica), Antônio de Souza Passos (Toinho), José Francisco Pereira (Dedé) e José Francisco de Souza (Biridin), Antônio deu fim a Zé Baiano e seu bando. Manteve segredo do fato durante quinze dias, temendo represálias de Lampião. O cangaceiro, contudo, decidiu não se vingar após ser convencido por Maria Bonita que o empreendimento poderia ser perigoso, pois o povoado contava com a presença de um canhão.[3]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Baiano
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DESPEDIDAS, SENTINELAS E INCELENÇAS

Por Rangel Alves da Costa*

A morte é um fato triste, angustiante demais. Os povos se despedem dos seus segundo suas próprias crenças, tradições e costumes. Há sociedades que festejam ao invés de prantear, não significando alegria, mas na crença de que assim o ente querido não levará consigo o remorso da ausência terrena. Noutras sociedades os prantos e os rituais se prolongam por semanas inteiras, até que o morto esteja devidamente preparado para enfrentar o além.

No Brasil não há muitas variações de despedidas. Comumente a tristeza pelo acontecido, o último adeus no velório e os lamentos incontidos durante o cortejo fúnebre e a descida ao último leito. Nem sempre acontece missa de corpo presente nem acompanhamento de toda a família. Também pelo fato de que os velórios saíram das residências para os velatórios que se espalham pelas cidades.

Há de se considerar ainda que o sentimento pelo desaparecimento de um parente ou amigo não mais possui o pesar de outros tempos. Ao menos exteriormente, as feições dos que ficam não se mostram tão carregadas de consternações. Constata-se isso nos velórios que mais parecem silenciosas reuniões do que mesmo um momento de expressão maior de tristeza. Logicamente que nem sempre ocorre assim, pois situações existem onde familiares só faltam mesmo querer tomar o lugar do defunto.

Foi-se o tempo das vertigens, das agonias, dos gritos incontidos, dos descabelamentos, dos adormecimentos por força de remédios, do quase enlouquecimento, do choro incontido, das faces feridas pelo sofrimento, da descrença momentânea na divindade, dos lenços e roupas encharcados, do mundo parecendo querer acabar. Há pranto, há dor, há sofrimento, mas não mais expressado como noutros tempos. Talvez a concepção da morte como destino e não como um fim, tenha possibilitado uma nova forma de enfrentamento dessa dura realidade.

O sertão nordestino caminha para essa nova realidade do enfrentamento da morte, ao menos nos centros urbanos das cidades mais desenvolvidas. Nestas, poucos são os velórios feitos ainda nas residências familiares, pois mesmo uma cidade pequena não deixa de ter um ou dois velatórios. Na ausência de missa de corpo presente - pois tal ofício se volta apenas para defuntos mais importantes histórica ou socialmente -, geralmente o caixão é levado até a igreja e daí segue em cortejo até o cemitério. Nas cidades menores permanece o ecoar pesaroso dos sinos, dobrando melancolicamente para anunciar os falecimentos.


Tornou-se raridade, mas nas lonjuras nordestinas ainda se proporciona uma despedida decente e ao modo dos antepassados. Nas distâncias sertanejas ainda se reverencia o morto com todas as honrarias matutas. Os amigos logo chegam, choram a despedida, tecem recordações de amizade e permanecem pela noite inteira e madrugada adentro na residência do pranteado, só que do lado de fora, ao redor de fogueiras, bebendo o morto. Lá dentro, ao redor do caixão, iluminados pelas velas que crepitam entristecidas, familiares e amigas, principalmente as mais idosas, entoam cantos fúnebres até o momento da partida.

A sentinela de adeus se transforma então no ecoar aflitivo e triste de ladainhas e rezas de encomendação da alma. Os cantos são tão compassados e melancólicos que tudo ao redor parece se transformar num manto de dor. As velas chamejam, os lenços são levados aos olhos, os olhos descem sobre o caixão, a boca se abre para a ladainha, e assim a estrada do falecido vai sendo aberta rumo ao lugar merecido. Até que o sol surge para mostrar olhos já quase sem lágrimas para molhar a terra enquanto a pá vai jogando areia sobre o caixão.

Daí todo o encanto, embora por dolorosos motivos, dos autênticos velórios sertanejos. Mas nada mais comovente que as sentinelas que adentram a noite e varam a madrugada com aquelas vozes ecoando lamentos. Mesmo ao longe, as preces, rezas e orações são ouvidas numa plangência de cortar coração. Velhas senhoras com seus terços e rosários, seus véus negros e feições entristecidas, encomendando a alma do morto através das incelenças. Estas são cânticos recolhidos do tempo para ajudar na passagem do morto.

Então as incelenças ecoam em triste plangência: “Uma incelença de Nossa Senhora/ Pega essa alma, entrega na glória/ É de levar, é de levar/ Esse presente pra Nossa Senhora/ Duas incelença de Nossa Senhora/ Pega essa alma, entrega na glória...”. E também no caminho do velório, já arribando em direção ao cemitério: “Lá se vai a alma/ Vai junto nosso pranto/ Nada mais acalma/ Oh triste desencanto/ Alma tão bondosa/ Que triste desencanto/ Oh Mãe Graciosa/ Cubra com seu manto...”.

E muitas vezes o luto, muitas vezes a dor demorada, difícil de acabar. É também um sentimento diferenciado, verdadeiro, de um amor profundo que se prolonga além da morte. Os dias de finados sintetizam bem esse querer preservado no tempo, mesmo que muito tempo já havia se passado da despedida. Nos cemitérios, perante as covas, as flores e as velas adornam a saudade, enquanto os olhos se derramam em lágrimas. E o coração ainda chama, ainda deseja a presença.

Poeta e cronista
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MORENO (ANTÔNIO IGNÁCIO DA SILVA)


Uma fotografia inédita do ex-cangaceiro Moreno companheiro de Durvinha que me foi cedida gentilmente pela amiga Neli Conceição, filha do casal cangaceiro.

Moreno foi um cangaceiro que participou de diversos confrontos com as policias e praticou inúmeros assassinatos durante o período em que esteve no cangaço. Após abandonar a vida das armas no ano de 1940, ele junto com Durvinha fugiram da região Nordeste e atravessaram vários estados se passando como romeiros até chegarem ao estado de Minas Gerais, onde se estabeleceram definitivamente e mantiveram suas vidas passadas em segredo de todos, inclusive dos filhos que nasceram no novo lugar escolhido para morarem.

Durvinha sempre foi uma mulher doce, meiga e foi a responsável direta pela criação dos filhos ao contrário de Moreno que se ocupava em seu novo ramo de atuação e sempre se orgulhou ao falar sobre sua vida passada e lembrava com entusiasmo seus antigos feitos realizados durante o período que trilhou pelas veredas do cangaço, segundo informações de familiares.

A fotografia de Moreno (acima), já em idade avançada, passa a impressão de que nem mesmo o passar dos anos foi suficiente para tirar a altivez e a imponência do antigo “Cabra” de Lampião.

Moreno enfrentou diversos inimigos e sobreviveu a inúmeros combates sem levar um único tiro, mas perdeu a batalha final para aquele que de tudo se encarrega. O tempo.

No dia 06 de setembro de 2010 em Belo Horizonte/MG, Moreno falecia deixando seu nome e sua história registrada para sempre nas páginas da fabulosa, fascinante e sangrenta história do cangaço.

Fotografia gentilmente cedida por: Lili Neli Conceição
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
Fonte: facebook
Grupo: O Cangaço

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DOS PRINTS DE BENJAMIN ABRAHÃO...


O capitão Virgulino Ferreira e seus cabras pegando a “boia” em meio à caatinga... Afinal “saco vazio” não para em pé e a cabroeira precisava estar fortalecida para fugir quando preciso e combater os seus perseguidores quando necessário.

Na cumbuca é claro que não podia faltar um pedaço de carne seca, farinha, rapadura...

Nas quebradas do sertão.
Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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FAZENDA ENXU (PORTO DA FOLHA/SERGIPE)


FAZENDA ENXU (PORTO DA FOLHA/SERGIPE)
Nesse local em 13 de setembro de 1932 nasceu Expedita Ferreira, filha de Lampião e Maria Bonita.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior 
Grupo: O Cangaço

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“TENTATIVA DE PAZ


Quem não conhece a História, acha, com certeza, que naqueles idos tempos as crianças e adolescentes já nasciam e cresciam de arma em punho, sem seus pais nunca tomarem providências para que a violência não existisse. Puro engano, tanto de um lado como do outro, houve tentativas da ‘coisa’ não ir ao extremo que foi. Tanto o pai de Zé Saturnino como o de Virgolino, principalmente o último, fez várias e várias tentativas para que a paz reinasse naqueles rincões sertanejos.

José Ferreira e Maria Sulena pais de Lampião

Abaixo, veremos a primeira tentava de José Ferreira, pai de Virgolino, para ‘apaziguar os ânimos”... para fazer com que a violência parasse. Isso, lá pelos idos de 1917. 

Quem nos conta essa parte da História, é nada menos nada mais, que o valoroso em volante João Gomes de Lira, através das páginas do seu belíssimo livro.

“(...) Por não querer barulho, no ano de 1917, para não ver seus filhos em desmantelo, José Ferreira resolveu se retirar do seu lugar, sítio Passagem de Pedras. 

Escombros da casa dos pais de Zé Saturnino

Para isto, falou com o professor Domingos Soriano, para procurar um lugar no distrito de Nazaré para comprar(...) Tendo o Professor apalavrado no lugar Poço do Negro, (distando) três quilômetros para o povoado de Nazaré, um terreno pertencente ao Sr. Antônio Freire. Feito o negócio, José Ferreira vende a sua terra em Passagem de Pedras aos Senhores Venacinho Nogueira e Néo das Barrocas, ambos residiam na ribeira do Riacho de São Domingos. Concluído o negócio, foi feito um acordo: os Ferreira não deveriam ir ao Riacho São Domingos, como também José Saturnino com os Nogueira não deveriam ir a Nazaré. Desse modo, José Ferreira deixou a sua querida morada.

Os Ferreiras chegaram a Nazaré, com o seguinte aspecto: chapéu de couro quebrado na frente e atrás, barbicacho passado no queixo, roupas de mescla, blusa tipo as usadas pelos cangaceiros do Sertão, montados em possantes cavalos galopando com os rifles enganchados aos ombros. Viajavam demonstrando uma verdadeira posição de combate, distante um do outro, tática usada pelos veteranos cangaceiros do Sertão. Tudo isso foi observado pelos nazarenos, principalmente pelo jovem Aureliano Francisco de Souza (Lero Chico), que se encontrava no lugar José dias, próximo a Nazaré, onde presenciou tudo minuciosamente, inclusive viu que, quem viajava na frente, era o Inspetor Manoel Lopes.

Zé Saturnino primeiro inimigo dos Ferreira

Um dia, José Saturnino foi avisado que os Ferreira tinham ido visitar sua tia, Joaninha Ferreira, na Serra Vermelha. Não satisfeito com a desobediência dos inimigos, José Saturnino manda Tibúrcio dos Santos, ‘cabra’ de confiança dele, emboscá-los nas proximidades da casa da tia deles, Joaninha Ferreira. Porém, como os Ferreira não vieram, nada aconteceu naquele dia. José Saturnino, tinha vendido um animal ao Sr. Agripe de Manoela, que mora em Nazaré, e o mesmo achou por bem ir receber o pagamento do animal vendido, em Nazaré. Assim, entre os meses de fevereiro a março de 1918, José Saturnino com o companheiro José Cipriano foram para Nazaré, desobedecendo Saturnino, ao acordo que haviam firmado.

Escombros da casa dos pais de Lampião

Em Nazaré, o Major João Gregório Ferraz Nogueira, notando Virgolino Ferreira num movimento completamente estranho e desusado, pediu a José Saturnino que tivesse muito cuidado. Este agradeceu, porém dizendo que não os temia, que podiam vir da modo que entendessem, pois estava pronto para recebê-los do jeito que quisessem. Adiantou que não estava ali por afronta a ninguém, porque a finalidade de sua presença em Nazaré era a de receber o dinheiro de seu negócio. A tarde, ao regressarem, José Saturnino e seu companheiro José Cipriano foram emboscados por Virgolino e seu primo Domingos Paulo. No dia seguinte, a frente de dezesseis ‘cabras’, José Saturnino cerca e ataca os Ferreiras na casa onde estavam, que era de sua tia Chica Jacoza, em Poço do Negro. Naquele dia, Virgolino enfrentou José Saturnino, com o tio Manoel Lopes e os primos Sebastião, Francisco e Domingos Paulo e o ‘cabra’ Luiz Gameleira. Notava-se naquele dia a ausência dos irmãos de Virgolino, Antônio e Livino Ferreira, por se encontrarem em viagem para Triunfo - PE. Por aqui já se tinha uma noção de quem era Virgolino Ferreira nas armas. Ficou naquele dia, definida a questão entre os Ferreira, José Saturnino e os Nogueiras (...)”.(Transcrito).

Daí para frente, o Sr. José Ferreira, submete-se a outras tentavas... Vendendo seus bens, destruindo aquilo que passou a vida para ‘arrumar’... nas quebradas do Sertão.

Fonte livro "LAMPIÃO - Memórias de um Soldado de Volante", LIRA, João Gomes de. LIRA. FUNDARPE, Recife, Impresso Brasil 1990, pgs 33 à 35.


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ATENÇÃO! - PRÓXIMA Visita ao Museu do Sertão em Mossoró


ATENÇÃO! Próxima visita ao Museu do Sertão será no dia 12 de março do corrente ano (sábado), de 7:00 às 12:00 horas. Não esquecer de entregar no Lar da Criança Pobre (Irmã Ellen) um quilo de alimento não perecível.

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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INFORMAÇÃO ÚTIL - COMO EVITAR VÍRUS DA ZICA


Vou repassar para vocês uma sugestão para ajudar a afastar o mosquito causador da dengue, zica, e chicungunha. Foi uma medica do Hospital de Câncer de Barretos que nos falou. É simples: o PROPOLIS... Tomando 5 gotas é o suficiente. Ele é expelido pelas glândulas Sudoríparas, ou seja, pelo suor e afugenta o mosquitinho. Repasse esta informação é simples, barata e pode salvar vidas.

O professor da UFERSA de Mossoró Benedito Vasconcelos Mendes foi quem me repassou para que eu repassasse para os meus amigos. Faça isto também repassando esta informação para os seus amigos também.

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A MALHA DE LAMPIÃO

 Foto de Lampião colorizada pelo "Mago dos Pincéis", Rubens Antonio

Virgolino Ferreira da Silva, foi uma das pessoas mais inteligentes que passou pelas quebradas do Sertão nordestino.

Ele usava muito bem aquelas pessoas que viviam e conviviam em sua volta. Desde aquele que apenas servia para dar recado até aqueles fornecedores de armas, munição e alimento.

Virgolino, ao longo do se ‘reinado’, conquistou, aí vem a ‘forma’ da conquista, que com certeza foram de “n” maneiras, uma multidão de adeptos protetores em vários lugares dos sete Estados por onde passou com sua horda.

Ele, para sobreviver por tanto tempo, duas décadas, no ‘trono maior’ do cangaço, com certeza tinha pessoas com poderes bastantes elevado dando-lhe proteção.

Abaixo, contaremos a história da prisão de dois comerciantes, um da cidade de Floresta e o outro da Vila Bela, hoje Serra Talhada, que eram fornecedores do bando de Lampião.

Nosso amigo, pesquisador/historiador Rostand Medeiros , através das páginas do seu magnífico blog, tokdehistoria.com, nos conta a história da prisão de Emiliano Novaes, naqueles idos tempos, assim:

“(...) o caso do comerciante Emiliano Novaes. Membro de uma proeminente família da cidade de Floresta, tido como amigo e coiteiro de Lampião, consta que chegou a cavalgar de arma na mão ao lado de cangaceiros. No livro de Luiz Bernardo Pericás, “Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica” existe a reprodução de um telegrama policial enviado pelo tenente Sólon Jardim, de Vila Bela para Recife (...)Informava o oficial que Emiliano Novaes estava chamando cangaceiros de várias partes para atacar a vila de Nazaré, onde viviam e se concentravam alguns dos maiores inimigos e mais tenazes perseguidores de Lampião.


O grupo de Emiliano Ferraz era superior a 100 cangaceiros e entre suas ações consta que no dia 29 de julho de 1926, no lugar Ingazeira, eles mataram o Soldado Cândido de Souza Ferraz, de número 386, lotado na 1ª companhia, do 3º Batalhão de Vila Bela. Consta que o Soldado Ferraz estava com a saúde debilitada e seguia para o quartel quando foi covardemente assassinado (...). Pelo crime Emiliano Novaes foi preso. Mas, em agosto de 1928, através do renomado Dr. Caetano Galhardo, seu advogado, conseguiu o desaforamento de seu processo para o município do Cabo, próximo a capital pernambucana. Depois o Dr. Galhardo impetrou uma ordem de habeas corpus. Esta foi julgada em 21 de agosto, sendo o processo anulado “Ab initio” e concedendo a liberdade ao acusado, que foi imediatamente solto (...)”.

Sabemos nós que esse é um único caso de um dos fornecedores. No entanto, com toda certeza do mundo, ele foi muito bem abastecido durante todo seu tempo por muito e muitos grandes e poderosos... Das quebradas do Sertão.

Fonte/foto blog Ct.
Benjamin Abrahão

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

GRANIZO NO SERTÃO E O MUNDO EM ACABAÇÃO

Por Rangel Alves da Costa*

Assim que a pedra de gelo bateu no telhado, a mulher logo começou a estremecer, a se benzer, a pensar no pior. Gritou pelo marido, mas este já estava correndo em direção à porta para ver se se confirmava a gritaria: Tá chovendo pedra, tá chovendo gelo, eita que o mundo vai se acabar. Valei-me Deus, valei-me!... O homem logo se assustou ao sentir que uma pedra de gelo caiu-lhe bem aos pés, não olhou pra cima com medo, mas teve vontade de se meter debaixo da cama. Gritou pela mulher e esta, ao se aproximar e presenciar um monte de gelo caindo, não suportou a estranheza e desmaiou quase na porta de casa. Pelas ruas era um bafafá danado, uma gritaria de não se acabar mais, choros e lamentos de arrepiar qualquer um. “Tudo culpa do homem pecador, é o fim dos tempos, é o fim do mundo, pois estava escrito que o homem chegará ao seu fim pela pedra de gelo caída dos céus. E isto bem merecido, vez que o gelo se transforma em fogo e a carne gelada vai derreter nas profundezas ardentes da perdição. Aleluia, aleluia”, esbraveja o de paletó e bíblia à mão debaixo da chuvarada, e sem se importar com as pedradas que lhe caíam à cabeça. Dizia-se já salvo pela fé.

Mistério dos mistérios, coisa acontecida já desde uma eternidade, e de repente, ao invés de pingo d’água grande e grosso, o que começa a cair lá de cima é pingo congelado, verdadeira pedra de gelo, graúda, de bater em telhado e espatifar a cobertura inteira. Era um barulho tão grande das pedras sobre os telhados que se imaginava o barro sendo quebrado a marretadas. Quando as telhas se dilaceravam e as vagas se abriam, então os pingos congelados encontravam passagem e caíam sobre mesas, móveis, jarros, flores de plástico, sofás, tamboretes, cadeiras, animais e pessoas, para somente depois se espatifar pelo chão. Uma pedra achou uma boca de pote aberta e o que se ouviu depois foi o barro sendo rachado em mil pedaços. Outra pedra caiu sobre uma panela no fogão e o resultado foi sarapatel espalhado pela cozinha inteira. Mesmo de chapéu de couro, um caboclo quase tomba ao chão quando foi atingido por um verdadeiro iceberg. No baque sentido, pulou feito uma lagartixa e nem pensou duas vezes em dar o troco. Tomou mão de uma espingarda e começou a atirar para cima, na direção de onde os pingos caíam. Mas foi pior, pois pinicou quase todas as ripas e o que ainda restava lá em cima veio a baixo de vez. E por cima dele, que por pouco não foi pro beleléu.


Só mesmo coisa de bêbado, mas um pinguço contumaz, logo que sentiu gelo fácil caindo por todo lugar, se lançou porta afora com um copo de vodca à mão, tombando e gritando: “Eu sabia que esse dia ia chegar, e chegou. Até que enfim lá de cima alguém se lembrou de mandar gelo para misturar com bebida. Coisa melhor não podia acontecer, aqui no bem bom, debaixo da chuva, de copo na mão e o garçom lá de cima toda hora trazendo gelo pra botar no copo. Vou é trazer a garrafa pra cá, pois gelo é o que não falta”. E sentou no chão segurando o copo, mas de vez em quando direcionando até onde caíam as pedras. Mas de repente aconteceu algo que não esperava. Caiu uma pedra espatifando o copo, o que gerou imediata revolta: “Aí também é sacanagem. O copo é meu, a bebida é minha, só porque o gelo não é também não precisava fazer assim, com toda essa falta de educação. Se não quiser dar o gelo que não dê, mas jogar ao invés de trazer aí é demais”. E se esforçou ao máximo para levantar e ir buscar mais uma dose.

Enquanto isso, espantada com o acontecimento, vez que jamais tinham visto pedra de gelo caindo do céu no lugar de pingo d’água, a meninada ora tremia de medo ora queria a todo custo correr para a rua e recolher cada pedaço numa bacia. Mas o medo falava mais alto e quase todos permaneciam pelas frestas ainda sem acreditar no que presenciavam. Os mais afoitos, não ouvindo sequer o conselho dos pais, corriam para logo voltar chorando pelas pedradas recebidas.  Mas por dentro das casas, dos quartos, nos escondidos dos casebres, as promessas, preces, rogos e orações, não cessavam. Com lágrimas nos olhos, e até com tremores medonhos, senhoras e velhas levavam os rosários ao peito para implorar salvação, para que aquela chuva de gelo imediatamente parasse, antes que provocasse uma tragédia sem igual: o sertão da seca se acabar pelo gelo. Por isso que preferiam mil vezes o raio escaldante do sol a ter pedras de gelo caindo por todo lugar. Ventilou-se chamar o vigário para organizar promissão, mas este, devidamente escondido na sacristia, apenas afirmou que nada podia fazer ante a fúria dos céus contra o mundo em devassidão.

Tudo isso logicamente que é um exercício de ficção, mas recentemente uma chuva de granizo caiu no sertão sergipano, mais precisamente no povoado de Santa Rosa do Ermírio, município de Poço Redondo, que provocou espanto sem igual. Mesmo sendo um fenômeno tido como normal depois de longos períodos de estiagem, ainda assim muitos não conseguiam chegar a outra conclusão: É o fim do mundo. Granizo no sertão é sinal de fim de mundo.

Poeta e cronista
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As Cruzes do Cangaço !!!

Visita do Cariri Cangaço a Floresta :Denis Carvalho, Leonardo Gominho, Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima, Cristiano Ferraz e Manoel Severo

Temos ao longo de nossa caminhada muitas satisfações. Por todo esse tempo percorrendo as trilhas da caatinga em busca de fragmentos desta verdade histórica que envolve uma das sagas mais extraordinárias do nordeste que é o cangaço, temos encontrados muitos, inúmeros vaqueiros da história; homens e mulheres dedicados ao que amam: A memória de seu chão e de sua gente. Desde os Mestres como Antônio Amaury, Frederico Pernambucano, Sérgio Dantas, Alcino Costa (in memoriam), dentre outros, até os talentos de uma geração mais nova e aqui me permitam não declinar nomes, pois são tantos e tantos... acabamos contatando com uma literatura vasta, responsável, muitas vezes polêmica, mas que vão construindo nossa base de conhecimento sobre o assunto, e aí nos deparamos com uma questão: Será que ainda temos o que contar ?

Pois é, me permitam responder: Temos sim, ainda muito a contar, e como temos... Essa conclusão se fortalece mais ainda quando temos a oportunidade de entrar em contato com a obra dos pesquisadores e escritores Marcos de Carmelita e Cristiano Ferraz, de Floresta. "As Cruzes do Cangaço - Os Fatos e Personagens de Floresta" o primeiro de uma lavra que esperamos ser profícua, será lançado pelos autores na noite de abertura do Cariri Cangaço Floresta, no dia 26 de maio, na Câmara Municipal de Floresta. 

 Marcos de Carmelita e Cristiano Ferraz
 Dona Adália, Manoel Severo e Marcos de Carmelita

O livro prefaciado pelo pesquisador Frederico Pernambucano de Melo e apresentado pelos pesquisadores João de Sousa Lima e Leonardo Ferraz Gominho, nos traz recortes importantes sobre episódios marcantes da historiografia do cangaço na região de Floresta. Há mais ou menos oito meses esses dois abnegados da história, uniram sua paixão pelo tema cangaço à seus talentos naturais de "rastejadores"; são policiais por vocação e missão; e se dedicaram de corpo e alma a pesquisa da historia do cangaço em Floresta com destaque para os significativos episódios do fogo da Barra da Forquilha com o cangaceiro Moreno, muitos episódios na região do Mundé e um recorte especial para um dos mais terríveis acontecimentos daquela época, a Chacina da família Gilo, na Tapera.

O livro ainda está em processo de finalização de sua edição, entretanto em nossa última visita a Floresta, neste carnaval, tive a oportunidade de sentar em frente aos rascunhos da obra e por mais de uma hora me deliciei lendo apenas as mais de 40 páginas do capítulo sobre a Chacina dos Gilo, incrível o grau de detalhes da narrativa; estávamos cheios de compromisso; mas não deu para parar de ler , ainda mais com a "assessoria" das duas feras, Marcos e Cristiano, que liam ao meu lado e me prestaram uma consultoria sobre cada detalhe, foto, minucia, enfim...Resultado, sai de lá incrivelmente impressionado e acabei deixando meu chapéu e meu par de óculos... Não perdemos por esperar.

Cristiano Ferraz, Manoel Severo e Marcos de Carmelita

"A nossa satisfação é enorme, saber que todos aqueles esforços, perda de sono, fome, sede, angústias, incertezas, chegou no patamar que almejávamos, a realização de um sonho de dois matutos aventureiros. Sem as armaduras de couro do vaqueiro, mas com a garra e a coragem típica dos Florestanos, nos embrenhamos nas caatingas virgens e quase intransponíveis da nossa terra, e como vaqueiros da história seguimos os passos do Rei do Cangaço, o Capitão Lampião, por trilhas e antigas veredas. Encontramos personagens totalmente lúcidos e que nunca foram entrevistados por nenhum outro pesquisador e por pouco não passaram despercebidos na história." Desabafa Marcos de Carmelita.

O lançamento de "As Cruzes do Cangaço - Os Fatos e Personagens de Floresta" de Marcos de Carmelita e Cristiano Ferraz acontece na abertura do Cariri Cangaço Floresta 2016, na noite do dia 26 de maio, uma quinta-feira, nos salões do Plenário da Câmara Municipal de Floresta. Quem viver verá !

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Cariri Cangaço Floresta 
26 a 28 de Maio de 2016
Floresta do Navio - Nazaré do Pico
Programação em Breve

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