Seguidores

terça-feira, 31 de outubro de 2017

CEM ANOS DE NAZARÉ: CARIRI CANGAÇO FLORESTA 2017

Por Manoel Severo

O sábado,  dia 14 de outubro de 2017 marcaria um dos momentos mais importantes de toda a trajetória do Cariri Cangaço. Durante todo o dia teríamos a oportunidade de nos unir às celebrações pelo Centenário de um dos cenários mais preciosos da historiografia do cangaço, no município de Floresta, o emblemático Distrito de Nazaré.

Desde a chegada da Caravana Cariri Cangaço pela manhã à Vila de Nazaré do Pico até os últimos raios de sol daquele dia inesquecível; quando a programação do Cariri Cangaço Floresta 2017 nos trouxe ao berço dos Nazarenos; tivemos a oportunidade de "mergulhar" na história e no extremo significado de toda luta travada por este povo guerreiro e destemido, reconhecido e respeitado por todos que pesquisam a saga do cangaço.


Luiz Ferraz Filho, Manoel Severo e Mabel Nogueira
Archimedes Marques, Nivaldo Pereira,meninas de Nazaré, Ivanildo Silveira e Ulisses Flor
Amélia Araujo e Manoel Severo
Ivanildo Silveira e Ulisses Flor, o Patriarca

Hildegardo Nogueira, Manoel Severo e Netinho Flor

Eram cerca de dez horas da manhã quando a Caravana Cariri Cangaço composta por mais de 200 convidados chegou a Nazaré. A recepção extraordinária promovida pelo povo nazareno; representado ali por suas famílias mais proeminentes, pelos pequenos alunos das escolas Terezinha Lira e Domingos Soriano, pela banda de musica municipal; já nos davam o tom de como seria o a celebração de seu Centenário, dentro do Cariri Cangaço.

 Nazaré recebeu com festa e emoção o Cariri Cangaço
Ingrid Rebouças e Mabel Nogueira
 Caravana Cariri Cangaço chega a Nazaré...
 Louro Teles
 Archimedes e Elane Marques, Camilo Lemos, Célia Maria, Ivanildo Silveira, Quirino Silva
 Joseane Teles, Fred Santos, Francimary Oliveira, Ranaíse Almeida, Márcia e Néliton Silva
Emanuel Nogueira, Quirino Silva, Antonio Edson, Ulisses Flor, 
Ivanildo Silveira e Jadílson Ferraz
 Ulisses Flor, Manoel Severo e José Bezerra Lima Irmão
 Cristina Lira: a querida família do inesquecível João Gomes de Lira
Muitos pesquisadores convidados ; de todo o Brasil; estavam tendo a grande oportunidade de visitar Nazaré do Pico pela primeira vez e era nítida a emoção estampada no rosto de todos que unida a satisfação e alegria da recepção por parte da família nazarena enchei a Vila mais famosa do cangaço de muito festa.
 Célia Maria, Jadilson Ferraz, Verluce Ferraz, De Assis, Manoel Severo, 
Quirino Silva e Paulo George
Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Netinho Flor

"Saber a história de nosso povo significa compreender, resgatar e preservar a nossa própria identidade. E pensando nisso, o Cariri Cangaço não poderia deixar de homenagear e reconhecer quão importante foi Nazaré do Pico e seus soldados no combate ao Cangaço, bem como repassar para as novas gerações a história de seus destemidos heróis. E num sábado ensolarado, na vila centenária não faltou calor humano, alegria e o resgate da história de um povo que lutou bravamente pelo seu torrão. Gratidão ao " meu" povo nazareno. Que continuemos sempre valorizando e preservando nossa história, avante Cariri Cangaço!" ressalta Vanessa Novaes Ferraz.

 Manoel Severo e Prefeito Ricardo Ferraz
Roberto Arrais, Aninha Ferraz e Manoel Severo
Cristina Couto e Ingrid Rebouças
 Elane Marques e Caravana de Poço Redondo
Júnior Almeida e Cristiano Ferraz
 Afranio Oliveira e Ingrid Rebouças
Marcelo Alves e o Busto de João Gomes de Lira
Junior Almeida, João Andrade, Ulisses Flor, Nivaldo Pereira, 
Ingrid Rebouças e Jorge Remígio
  O encontro de Gigantes...Archimedes e os capitães, Quirino e Paulo
 Quirino Silva, Paulo George e Célia Maria
 Dr Marcelo e Liz Alves, Danilo, Rangel Alves da Costa, Milla Ferreira, 
Rose e Manoel Belarmino e Josué Santana
Fred Santos, Francimary Oliveira, Paulo George, Raimundo Evangelista, Célia e Quirino, Lili Conceição, Francisco de Assis 
 Augusto Martins do Instituto do Vale do Pajéu
 Netinho Flor , Ivanildo Silveira e Raimundo Evangelista
 Arthur Holanda, Juliana Pereira e Wescley Rodrigues
 Casal Geraldo e Rosane Ferraz
Vereador Pedro Henrique e Manoel Severo
Jadílson Ferraz e Banda Nelson Rosa
Geraldo Ferraz e Prefeito Ricardo Ferraz
 A Festa em Nazaré
Mabel Nogueira, Nivaldo e dona Fátima Pereira, Ângela e Luiz Ruben



Em cortejo festivo os convidados seguiram pela vila até o Pátio da Igreja de Nazaré; de Nossa Senhora da Saúde na praça Antônio Gomes Jurubeba; onde aconteceu a primeira solenidade alusiva ao Centenário de Nazaré, dentro do Cariri Cangaço Floresta 2017. Logo após a execução do Hino de Nazaré, fizeram uso da palavra os vereadores Pedro Henrique e Beto Puça, que ressaltaram iniciativas junto ao legislativo municipal; Beto Puça é o autor do Projeto de Indicação que cria o Memorial das Forças Volantes em Nazaré e Pedro Henrique é o autor da Lei que estabelece o Dia das Forças Volantes, ambas iniciativas que levam em conta a grande referência do povo nazareno na luta contra o banditismo do cangaço.

 Igreja de Nazaré:Testemunha da Homenagem do Cariri Cangaço ao Centenário
 Netinho Flor e Mabel Nogueira: Bandeira que une o coração dos Nazarenos...
 Solenidade do Centenário de Nazaré pelo Cariri Cangaço 
 Banda Nelson Rosa 
 A beleza e arte das filhas de Nazaré do Pico
 Vereadores Beto Puça e Pedro Henrique
 Manoel Severo e o Centenário de Nazaré
Prefeito Ricardo Ferraz

Em seguida o Prefeito Ricardo Ferraz ressaltou a importância do momento em que "pesquisadores e apaixonados pela historia do cangaço, de todo o Brasil chegam a Nazaré, dentro do Cariri Cangaço para festejar junto ao povo nazareno esse centenário. Só temos a agradecer ao Cariri Cangaço por todo o trabalho de resgate e fortalecimento desta historia, nós vamos sim, dentro das possibilidades da municipalidade fazer esforços para termos aqui em Nazaré o Memorial das Forças Volantes e que todo o Brasil possa vir a Nazaré conhecer toda essa historia".

 Professora Janeide, Manoel Severo, Ricardo Ferraz e crianças de Nazaré
 Leonardo Gominho, Louro Teles, Betinho Numeriano, Mabel Nogueira, Jorge Figueiredo, Manoel Severo, Senhor Assis, Nancy Nogueira, Ivanildo Silveira, Ricardo Ferraz, Pedrinho Vilarim, Ingrid Rebouças e Emmanuel Arruda
 Betinho Numeriano, Ranaise Almeida, Louro Teles, Célia Maria, Ivanildo Silveira, Josué Santana, Antônio Edson, Junior Almeida, Bismarck Oliveira, Quirino Silva

O Curador do Cariri Cangaço , Manoel Severo, em suas palavras ressaltou que Nazaré "entrou em minha vida há exatos 9 anos atras quando pela primeira vez pisei este chão e sob a chancela de meu amigo Aderbal Nogueira, fui recebido pelo grande Tenente João Gomes de Lira, e de lá para cá já se passaram 8 anos e inúmeras visitas sempre sendo muito bem recebido o que nos enche de gratidão" E completa: "O Cariri Cangaço estará ao lado das família nazarenas na criação deste equipamento que entendo como fundamental para perpetuar a memoria deste lugar e de seus heróis, o Memorial das Forças Volantes, com certeza teremos novidades em breve".

Durante a solenidade o pesquisador Bismarck Oliveira, juntamente com os Conselheiros Cariri Cangaço, Professor Pereira e Geraldo Ferraz, em representação a todos os pesquisadores lançaram o projeto de criação, dentro do futuro Memorial das Forças Volantes, da Biblioteca do Memorial. 

Bismarck Oliveira, Professor Pereira, Geraldo Ferraz: O apoio do Cariri Cangaço a Biblioteca do Memorial das Forças Volantes
Márcia e Néliton Silva, Junior Almeida e Cristiano Ferraz
 João Andrade e Manoel Serafim
Ricardo Ferraz, Antonio Edson, Ângela e Ingrid Rebouças

"Estava chegando a Nazaré. E realmente agora um pico de vulcão adormecido, mas que no passado soltou vorazes labaredas pelas mãos de seus nazarenos, incansáveis perseguidores de Lampião e seu bando. Uma raça de titãs aquela de Nazaré. Paisanos que ingressaram nas volantes pelo desejo de perseguição ao rei cangaceiro e seu bando. Homens da estirpe de Mané Neto, Manoel Flor (imortalizado por sua filha Marilourdes Ferraz na obra O Canto do Acauã), Odilon Flor, David Jurubeba, Aureliano Flor e do tenente João Gomes de Lira, dentre tantos outros." A emoção do Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Rangel Alves da Costa ao chegar em Nazaré...

Fotos: Ingrid Rebouças, Junior Almeida, Vanessa Ferraz e Louro Teles

Cariri Cangaço Floresta-Centenário de Nazaré
Recepção de Chegada a Nazaré, 14 de Outubro de 2017
Nazaré do Pico-Floresta, Pernambuco

Cariricangaco.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CURIOSAS REVELAÇÕES - FALANDO AOS JORNAIS🌵 EXPULSA DO BANDO DE LAMPIÃO, FOI PRESA A CANGACEIRA JOANA GOMES

Por Pedro Ralph Silva Melo

Maceió, Terça Feira, 13 de abril de 1937 (Agência Nacional) Joana Gomes é baiana, encontra-se presa em Mata Grande (AL), conta com 21 anos de idade, entrou para o cangaço em 1930, em Santo Antônio da Glória, indo logo ser companheira de "Cirilo de Engrácia", viveu com Cirilo 4 anos e 1 mês, até a morte desse, depois foi requisitada por "Jacaré" componente da quadrilha de "Corisco".

A cabeça de Cirilo já havia sido decepada, mas foi recolocada para a foto.
Os  que participaram da morte de Cirilo de Engrácias foram: A partir da esquerda: José Ignácio, João Henriques, Agripino Feitosa, e Cícero Ribeiro. data em 5 de Agosto de 1935 em Mata grande Alagoas.

Joana tinha 4 filhos do seu primeiro amasio, sendo órfã de pai e mãe, "pesada" para o cangaço, a expulsaram.

FALA A CANGACEIRA AO JORNAL NA PRISÃO

A cangaceira Joana

COMPANHEIRO

—"O que mais me causa pena é saber que Jacaré morreu quando ia se entregar a polícia, "abusado" da vida que a gente levava, pelas matas, feito bicho. Raramente, a gente dormia 2 horas, e nunca passou 3 dias num lugar".

VIDA DANADA

"—Nunca matei. Vi muitas vezes matar, mas não gostava daquilo. Me dava até dor de cabeça. Por isso nunca mais voltarei ao cangaço, nem que saia da cadeia. Vida para quem é doido e está desenganado do mundo".

DINHEIRO

"—No bolso da gente nunca faltou. Era de esbanjar. Quando porém escasseava, os homens atacavam nas estradas, nas fazendas e pronto, quando o dinheiro chegava era dividido imediatamente".

LAMPIÃO

"—Está magro, mas bem disposto. Ouvir da boca do cunhado de Corisco uma coisa interessante... "Lampião quer ser governador de um Estado, constituído de pedaços de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia..."

(A NOITE, -14 de abril de 1937- Ed. 9041)

Foto: Benjamim Abraão, 1936. Cangaceira Joana Gomes, vulgo Moça"
Acesse, participe, divulgue e compartilhe
Pedro Ralph Silva Melo (Administrador)

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1949182982071825&set=gm.1774534839513335&type=3&theater&ifg=1

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JURITI O CANGACEIRO...

Por Kydelmir Dantas

Jose Mendes Pereira Mendes ... Só para efeito de informação. Numa das viagens à Fazenda São Miguel - Serra Talhada-PE (março de 2011), ouvimos do saudoso amigo LUIZ DE CAZUZA, pai do José Alves e sobrinho do Zé Saturnino: "Numa das vezes que ao bando de Lampião passou naquela fazenda lhe chamou a atenção a presença de um jovem cangaceiro, que devia ter a sua idade - entre 15 e 18 anos - e chamou-o pra conversarem. Porque estava naquela vida? Daí a surpresa em seu depoimento... Disse-o o jovem marginal: 


- Eu andava duas a 3 léguas por dia para aprender a ler e escrever. Um dia me encontrei com uns homens que vinham na mesma estrada e fui perguntado quem era e pra onde ia... Se tinha visto outros homens armados por aquelas bandas e tal. Respondi que não. Daí ouvi a ordem do chefe do grupo, um sargento da polícia... Dê umas 'macacadas' nele pra abrir a cabeça e ele aprender mais... Com uma chibata de bater em cavalo fui açoitado por 3 vezes, sem motivo nenhum... 


Daí, seu Luiz, morreu o estudante e nasceu o cangaceiro JURITI!" Não sei se o Aderbal Nogueiral ouviu isto, mas ele estava lá conosco. OBS: A primeira imagem é do Benjamin Abrahão e a segunda foi pinçada de um grupo do 'feice'.



Nota: Este é apenas um comentário sobre o cangaceiro Juriti escrito pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço Kydelmir Dantas lá da cidade de Nova Floresta no Estado da Paraíba, mas radicado em Mossoró desde a década de 80.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ACONTECEU NA AVENIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de outubro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.769

Perto do Centro Comercial de Santana do Ipanema, foi aberta há muito, a Avenida Nossa Senhora de Fátima e inaugurada (ninguém sabe disso), pelo cidadão chamado Luís Fumeiro, o mesmo que fundou o time do Ipiranga, o bloco dos cangaceiros e a Avenida Pancrácio Rocha. Quando falamos em inauguração, queremos dizer que foi ele o construtor das primeiras casas de ambas as avenidas. A Nossa Senhora de Fátima, recebeu de Luís Fumeiro (entrevista no “Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”) as cinco primeiras casas da sua formação. E nesta mesma via foi construído um prédio especial com três compartimentos para receber a Empresa de Força e Luz, com força motriz. Depois que o prédio ficou ocioso, foi ocupado pelo Tribunal do Júri e depois pela atual Câmara de Vereadores.
Pois foi, então, no espaço da Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte – cujo nome não consta na fachada do edifício – que aconteceu no sábado passado o lançamento do livro Antologia, pelas organizadoras Kélvia Vital e Lícia Maciel, através da União Sertaneja de Escritores. Com a elite de escritores dos sertões, alagoano, sergipano e baiano, presentes, o evento teve início às nove horas e se prolongou durante toda o tarde, cheio de atrações tão coruscantes tal qual o Astro Rei que brilhava nos céus da terra de Senhora Santa Ana. Foi um prazer enorme em estar representando o nosso torrão com a palestra “A Gênese de Santana do Ipanema”, no que se refere ao aspecto habitacional e sua expansão.
Em vista de compromissos assumidos anteriormente, não tive o prazer de conviver com tantos intelectuais durante o turno vespertino, mas bastou à manhã para constatar a organização, a grandeza dentro da simplicidade, o encontro da nata literária de dezenas de escritores e convidados ilustres que até as próprias letras foram ofuscadas. O que dizer diante de tão magnífica efeméride, se não parabenizar, encorajar e esquentar as mãos de tantos aplausos às duas jovens Kélvia Vital e Lícia Maciel? Agradecemos em público pela oportunidade da apresentação na orelha do livro “Antologia”, pelo espaço da crônica no compêndio: O Carro de Zé Limeira e pela palestra ministrada no início dos trabalhos.
Vida longa às fruteiras e aos frutos.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ONTEM, 29 DE OUTUBRO DIA DO LIVRO

Por Adauto Silva

Hoje, 29 de outubro, dia nacional do livro, e na oportunidade indico o livro "LAMPIÃO EM 1926", onde o escritor Luiz Ruben F. A. Bonfim, trás o histórico depoimento do homem que escreveu a patente do "Rei" do cangaço... Acompanhem !

JORNAL A TARDE, DE 21 DE SETEMBRO DE 1933

O FUNCIONÁRIO QUE ASSINOU A PATENTE DE LAMPEÃO REVIVE A CENA PARA “A TARDE” – “LAVRARIA ATÉ A DEMISSÃO DO PRESIDENTE”
O tribunal eleitoral, por ser um lugar de trabalho, oferece sempre novidades para atrair a reportagem. E, ontem, quando o repórter lá chegou, farejando alguma nova, os funcionários faziam a “vaca” para o café. A coleta era feita por uma funcionária. E, assim, mesmo os mais “casquinhas”, não podiam furtar o seu concurso para a verba extra...

O café, porém, além do seu sabor, é pretexto para um minuto de folga e de prosa, justo descanso, entre horas de trabalho.

E como conversa puxa conversa, fomos até as proezas de Lampeão, quando um dos presentes lembrou:

- Olhe, o Uchoa foi quem lavrou a patente de capitão de Lampeão.

- O Uchoa?

- Sim. Quero ver pergunte-lhe?

E o repórter, como se nada quisesse, indagou ao Sr. Pedro de Albuquerque Uchoa, funcionário da secretaria do Tribunal, se era verdade ter sido ele o escrivão da patente do célebre bandido.

- Fui eu mesmo quando estava no Juazeiro, no Ceará.

- Mas isso deve ser interessante...

Magnífico assunto para uma reportagem.

O funcionário não se fez de rogado e contou:

- Imagine o senhor que eu era Ajudante de Inspetor Agrícola, no Juazeiro, e muito amigo do padre Cícero, que todo dia ia, ao meio dia, dar um cochilo em nossa casa, cujo terreiro ficava repleto de retirantes e romeiros à espera da benção do velho padre. Assim se passavam as coisas, quando um belo dia, uma noite, aliás, eis que batem à minha porta. Abro. Eram dois jagunços, armas a tiracolo, encourados, cheios de medalhas, que me intimaram: -“Meu padrinho está chamando o senhor com urgência”. Vesti-me e encaminhei-me para a casa do padre Cícero.

Lá chegando o padre me informou:

- Aqui está o capitão Virgolino Ferreira. Ele não é mais bandido. Veio com cinquenta e dois homens para combater os revoltosos e vai ser promovido a capitão. Fiquei perplexo, informa-nos o Sr. Uchoa.

- E então?

- Não sabia que tinha eu com o caso, quando o padre me ordenou:

- Olhe o Sr. Vai lavrar a patente de capitão do Sr Virgolino Ferreira e de tenente do seu irmão.

- Mas eu não posso, informei.

Nesse momento, o irmão de Lampeão interveio:

- Não. Se meu padrinho está mandando é que o senhor pode.

E padre Cícero, dirigindo-se para o nosso entrevistado, acrescentou:

- O senhor é a mais alta autoridade federal daqui e por isso é a pessoa competente para lavrar a patente. Pode escrever o que vou ditar. E ditou os termos em que, pelo governo federal era concedida a Virgolino Ferreira a patente de capitão do exército por serviços prestados à República! No fim ordenou: - agora assine.

Relutei um pouco, diz-nos o Sr. Pedro Uchoa, mas a situação não era de brinquedo e assinei a patente. Lampeão passava a ser capitão do exército! (N.A.: capitão do Batalhão Patriótico do Juazeiro).

O padre Cícero entregou-lhe, então, o documento. E o bandido, ajoelhado, beijou a batina do padre Cícero, comprometendo-se a proceder bem. Em seguida, recebeu armas e munições. Feito isso, ainda noite, retirou-se com os seus homens. Era o novo capitão do exército em perseguição aos revoltosos.

Aí está a história da patente de Lampeão...

E o Sr. Uchoa, passando a mão pelos cabelos pretos, concluiu:

- Depois o ministro da Agricultura perguntou-me porque eu fizera isso e eu respondi: - Naquele momento, eu lavraria até a demissão do Presidente da República.

PS: Esses e outros episódios interessantíssimos, você encontra no mais recente trabalho do escritor Luiz Ruben, “ LAMPIÃO NO ANO DE 1926”

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1989972164612513&set=gm.722398471302433&type=3&theater&ifg=1

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

NA HORA DA FÉ MAIOR

*Rangel Alves da Costa

Sertão. O sol já arribou de vez. Sua última labareda avermelhada acabou de abrasar. O pôr do sol já se pôs com seu ninho e tudo. Os horizontes já não estão mais pincelados de fogo e vermelhidão. Agora tudo cinzas e sombras. Tudo amarronzado e nuvioso. É boca da noite.
Boca da noite que no sertão principia o verdadeiro anoitecer. É a partir da boca da noite que chega a escuridão, que faz toda a paisagem se alongar em cores negras, mas que logo serão tingidas pelo dourado da lua.
Um chamado à lua que já desponta faceira. Chega distante, pequenina, devagar, para logo engrandecer como as paisagens sertanejas ao silêncio do anoitecer. Lua imensa, brilhosa, bonita, uma festa lá em riba, uma festa por onde avança sua singela luminosidade.
Não há mais cacarejo de galinha, não há galo azucrinando a vida no poleiro. As festas de quintal e cantos de cerca já cessaram de acontecer. O cachorro repousa num canto. Pela janela aberta o frescor do instante vai ameaçando apagar o candeeiro.
Candeeiro de pouco gás, fumaça escurecida saindo do bico enferrujado, também pouca luz, por isso a porta aberta para a lua entrar com São Jorge e tudo. Mas não há lua maior, não há brilho maior, não há chama maior, que a luz da vela acesa.
Assim que o sino da igreja da memória ecoa - pois há na memória um relógio que nunca se esquece de badalar - eis o instante de Mariazinha caminhar em direção ao seu canto de parede e aí, aos pés do velho oratório, se ajoelhar para a oração de todo dia.
Canto de parede da sala de cipó e barro ou no cantinho do pequeno quarto de dormir, sempre um velho oratório por cima de mesinha rústica ou mesmo tronco de madeira já carcomido de tempo. Aí colocado o céu, a casa de Deus, o portal da salvação de um povo.
Oratórios ainda continuam de maior abnegação religiosa. Atualmente não, mas noutros idos não havia casa que se prezasse que não tivesse uma igrejinha de madeira, de portas e lados envidraçados, guarnecida de santos, fitas e lembranças religiosas, o oratório.
Entre aqueles de fé maior, o oratório constitui verdadeiro templo sagrado, uma moradia santa na vida terrena, um altar para santos e anjos em meio ao lar familiar, um pedestal de madeira onde Deus possui seu trono perante o frágil humano.
Assim, em determinados instantes do dia, principalmente ao alvorecer e ao anoitecer, mas também ao meio-dia, dirigir-se ao oratório e perante ele se ajoelhar é como estar numa igreja, é como estar ao portal do céu, é como estar perante os sagrados mistérios.
Mariazinha, de raiz fincada no beatismo, na devoção religiosa maior, também possuía o seu céu ali num cantinho do quarto pobre de sua humilde moradia. Oratório herdado de sua mãe, e a esta chegado desde sua avó. Naquele pequeno céu a sua relíquia maior.
Céu de madeira e antigas imagens sacras que todo santo dia recebia a visita de Mariazinha. Não saía do quarto ao alvorecer sem antes se ajoelhar aos seus pés, fazer as costumeiras orações, pedir por si mesma e pelos seus, agradecer os préstimos recebidos.
Mas nada igual à visita que fazia quando a boca da noite chegava, depois que o sino da memória anunciasse a hora sagrada, a Ave Maria sertaneja, o ponteiro das seis horas da noite. Era como se a partir desse instante seus passos já não soubessem ir a outro lugar senão perante o altar de seu oratório.
Mariazinha não arreda nunca deste encontro sagrado. Corre de onde estiver para não perder seu mistério de fé. Nada que estiver no fogo de lenha consegue impedir que aquele instante seja mais importante do que tudo na vida. Que queime o toucinho, não o desejo da sagrada presença.
Segue, vai, corre, mas de repente já está dentro do quarto, ajoelhada, contrita, com as mãos entrelaçadas junto ao peito, olhos fechados e boca sussurrando palavras de fé, de repente, ao abrir os olhos, diante de si a face de Deus. Sim, a face de Deus na luz da vela acesa.
Mistério maior dos maiores mistérios. Em toda vela acesa pode ser avistada a face de Deus. Não que o olhar humano assim consiga avistar, mas pelo que os corações humanos conseguem avistar. A face de Deus somente avistada pela inabalável fé através dos olhos do coração.
Mãos que seguram rosários, terços, relicários. Bocas que silenciam e que gritam em silêncio, que apenas sussurram ou dizem as rezas, as orações, os rogos, os pedidos. Mas somente o coração consegue avistar a face de Deus perante a vela chamejante da fé.
Uma face sagrada que é assim avistada por que a fé e a devoção chamam o Senhor para além do olhar, para bem juntinho do coração!

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

14 DE OUTUBRO DE 2017

Por Manoel Severo

O sábado, dia 14 de outubro de 2017 marcaria um dos momentos mais importantes de toda a trajetória do Cariri Cangaço. Durante todo o dia teríamos a oportunidade de nos unir às celebrações pelo Centenário de um dos cenários mais preciosos da historiografia do cangaço, no município de Floresta, o emblemático Distrito de Nazaré.

Desde a chegada da Caravana Cariri Cangaço pela manhã à Vila de Nazaré do Pico até os últimos raios de sol daquele dia inesquecível; quando a programação do Cariri Cangaço Floresta 2017 nos trouxe ao berço dos Nazarenos; tivemos a oportunidade de "mergulhar" na história e no extremo significado de toda luta travada por este povo guerreiro e destemido, reconhecido e respeitado por todos que pesquisam a saga do cangaço.

Eram cerca de dez horas da manhã quando a Caravana Cariri Cangaço composta por mais de 200 convidados chegou a Nazaré. A recepção extraordinária promovida pelo povo nazareno; representado ali por suas famílias mais proeminentes, pelos pequenos alunos das escolas Terezinha Lira e Domingos Soriano, pela banda de musica municipal; já nos davam o tom de como seria o a celebração de seu Centenário, dentro do Cariri Cangaço.

VEJA COMO FOI A RECEPÇÃO AO CARIRI CANGAÇO EM HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE NAZARÉ EM:


http://cariricangaco.blogspot.com.br/2017/10/cem-anos-de-nazare-cariri-cangaco.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PELA SAÚDE DA MULHER - POEMA: EVITE O CÂNCER DE MAMA

Por José Ribamar Alves

Tudo que Deus fez ficou
Perfeitamente perfeito!
Mas ao criar a mulher
Caprichou tanto dum jeito
Que depois atentamente,
Olhou, mas não viu defeito.

Ainda deu-lhe uma graça,
Mas uma graça sem par!
A de nascer pra ser mãe
E além de ser e amar
Eternamente seu filho,
Proteger e perdoar.

Mas pra ser mãe é preciso
Ser no mínimo responsável,
Cuidar da própria saúde
De uma forma louvável
Pra manter seu corpo bem
E o do bebê saudável.

Para não sofrer mais tarde
Evite o câncer de mama,
É muito bom prevenir-se.
Quem se previne, se ama,
Quem não se ama, se entrega
A esse mal que inflama.

Faça seu auto-cuidado
E o SUTIÃ ROSA, vista.
Se tem mais de 20 anos
Procure um mastologista.
Das portadoras de câncer
Não seja uma da lista.

Saiba que essa doença
Não costuma apresentar
Sintomas no seu início,
Por isso é bom se cuidar
Pra esse mal no futuro
Não lhe trazer mal-estar.

Evite perder um seio
Isso é bom, vê se acredita!
Se apalpe, vá ao médico;
Faça a ele uma visita,
Duas vezes todo ano;
Pra continuar bonita.

Não há nada mais bonito
Neste mundo pra se ver
Que uma mulher saudável,
Sem marcas de um padecer,
Capaz de fazer alguém
Lhe contemplar sem querer.

Ainda tem um detalhe,
O corpo que Deus nos deu
É o templo do espírito;
Cuide muito bem do seu,
Tente mantê-lo sadio
Do jeito que o recebeu.

Permita seu companheiro
De sonhos, lhe ajudar
A descobrir se tens nódulo,
Não faz vergonha deixar,
Se pelos dois procurado
É mais fácil de achar.

Com esse procedimento
Nada você encontrando,
Tem mil e tantos motivos
Para viver gargalhando
De tanta felicidade,
Sempre com Deus no comando.

Faça por sua saúde
Tudo que achar que é bom.
Ser amante de si mesma
Aqui na terra é um dom.
Mulher sem câncer de mama
É mais mulher do que com!

Mossoró-RN, 24-10-2017.


                                                (Foto 2016)
BIOGRAFIA

José Ribamar de Carvalho Alves, é cordelista, cantador, repentista, músico, poeta, e escritor de bancada.Nascido em 16 de março de 1962, na Fazenda Solidão, Caraúbas/RN. Filho de José Alves Sobrinho (In Memorian) e Rosa Maria de Carvalho, ambos conhecidos como Zé Alves e Dona Rosa, exemplos de seres humanos e cidadãos.

Antes de completar um ano de idade, José Ribamar, foi levado pelos pais para morar com eles no Sítio Boa Vista, município de Severiano Melo-RN. Foi lá onde recebeu as primeiras lições do alfabeto, de sua madrinha Ceci Ferreira, que ensinava em sua própria residência, isolada da comunidade Boa Vista. Quando fazia o primeiro ano primário em um grupo escolar do referido Sítio, foi afastado da escola para ajudar seu pai no trabalho da roça. E foi no Sítio Boa Vista, que o poeta viveu sua mocidade.

LIVROS:

Meia Dúzia de Cordéis (2006) Brinquedos do Pensamento (2007)
Espelho de Carne e Osso (2011) Chorando na Chuva (2012)
Pela Vida do Planeta (2014) Solidão Noturna (2015)
Viagem Sem Passos (2016)

ESTORINHAS INFANTIS:

01-O menino bonzinho e o Peixinho falante (Publicado-2016)
02-Sonhos de criança
03-A galinha castigada
04-O boi que dizia não
05-A conversa da Cabrinha com a amiga Vaquinha
06-Papagaio de papel

ALGUNS FOLHETOS DE LITERATURA DE CORDEL

Armadilha do destino, Confusão no cemitério,
Escolhas das mãos humanas, Mistérios de um transplante,
Debate do professor com o pai do estudante, A outra face da fé,
Escravidão de menores, Pela vida do planeta, Visões da vida,
Vozes do além, A trajetória cristã de João Paulo II, A mãe do filho do lixo,
Documentário da vida de Elizeu Ventania, Premiado pela sorte,
A resistência do povo de Mossoró ao cangaço, Deveres do cidadão,
A virgem de Siracusa e seu exemplo de fé, Prevenção da próstata,
Viva nossa caatinga.

CANÇÕES:

Alienação, Amor de costureira, Calúnia, Conclusão, Coração sem controle, Esperança de amor, Falta de chances,Grão de esperança, Ilusão de amor, Induzimento, Mentira e ciúme, Mulher carente, Na lama do pecado, Paraibana, Um ano de saudade e Viva o nordeste.

TRABALHOS DE SUA AUTORIA NO YOU TUBE

CANAL:Poeta José Ribamar-Poema e Canções
01-Servidão Comum: 27-01-2015
02-Saudade Ferina: 27-01-2015
03-Espelho de Carne e osso: 02-02-2015
04-Grão de Esperança: 05-02-2015
05-Induzimento: 05-03-2015
06-Paraibana: 07-03-2015
07-Falando do meu sertão: 13-03-2015
08-Viva o Nordeste: 28-03-2015
09-Conclusão: 10-04-2015
10-Na Lama do Pecado: 05-03-2016
11-Os Defeitos do Homem: 15-02-216
12-Mentira e Ciúme: 11-06-2016
13-Fama de Vaqueiro: 18-06-2016
14-Calúnia: 13-08-2016.
15-Coração Sem Controle: 27-08-2016
16-Milgres de Jesus: 08-10-2016
17-Desigualdade: 22-10-2016

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com