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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

GUERRA DE PAU DE COLHER

Ocorrida entre os municípios de Casa Nova (BA) e São Raimundo Nonato (PI) 1937-1938

Mar de sangue no sertão 

Documentos do Arquivo Histórico de Pernambuco revelam que a ditadura Vargas mobilizou o Exército e policiais de quatro Estados para massacrar mil sertanejos comandados por Quinzeiro, líder messiânico do arraial de Pau de Colher (BA). A ofensiva rendeu a mais sangrenta chacina do Estado Novo e uma das maiores violações de direitos humanos por forças legais do Brasil no século 20. As crianças sobreviventes foram entregues a famílias abastadas de Salvador.


Testemunhas da ofensiva lançada em dezembro de 1937 contam que as mulheres do arraial corriam em direção aos canos dos fuzis dos soldados na tentativa de impedir com lençóis e anáguas a visão dos atiradores, que disparavam com as armas um pouco inclinadas. Era para não acertar as crianças, mas, em meio ao fogo cruzado, ninguém foi poupado.

Horas depois do tiroteio, sob a fumaceira dos tiros que cobria a caatinga, o pistoleiro Norberto Pereira, guia da polícia, retirou dos braços de uma mulher ensanguentada a menina Ana Rita Pereira Neta da Silva, de 3 anos. A mãe da criança morreu. O pai, José Rodrigues de Souza, o Zé Caboclo, foi preso e torturado.


A menina não entrou em uma das “carroças salvadoras” que levaram os órfãos da guerra para o porto de Casa Nova, na divisa com o Piauí. Dali, embarcariam de vapor para Juazeiro e depois um trem até Salvador – onde seriam entregues a famílias abastadas como empregados domésticos e, em muitos casos, escravos. A sobrevivente de Pau de Colher foi escondida por Norberto para não ser levada.

Hoje com 76 anos, Ana Rita vive num sítio em Riacho do Meio, no sopé da Serra Vermelha, no semiárido piauiense. Para se chegar até lá, a pouco mais de 100 quilômetros do município de São Raimundo Nonato, é preciso enfrentar uma estrada de terra quase intransitável. É o caminho que liga a civilização ao remoto lugar, isolado pela serra tomada de angicos e canafístulas. Ali percebe-se uma diferença de fuso histórico. O sertão de hoje está distante da realidade nos grandes centros e parece acordar e dormir num tempo não muito distante do da época do massacre de Pau de Colher. Faltam energia elétrica, escolas, saneamento básico, água encanada, serviço de carteiros.

O Estado contou com a ajuda do pesquisador Marcos Damasceno, 28 anos, que escreve livros sobre o sertão piauiense. Na companhia dele, a reportagem esteve em programas de rádio de São Raimundo Nonato. Radialistas informaram aos ouvintes sobre a presença da equipe e pediram informações para localizar testemunhas da revolta que vivem na vasta região que abrange partes do Piauí, da Bahia e de Pernambuco. Foi assim que se chegou a Ana Rita.

Rodeada de filhos, netos e bisnetos, a sertaneja de olhos castanhos e cabelos compridos lembra de Norberto, o pistoleiro que a salvou, um “matador” que andava com bornal de bala pendurado no peito. Da mãe, Maria Inácia Pereira, ouviu dizer que era “bonita”, “fortona”, “branca e de olhos azuis”.
“Pelejei nestes anos todos para me lembrar da minha mãe. Não consegui. Dizem que quebraram as pernas dela. O Norberto entrou no arraial para ver quem estava vivo. Ele me encontrou no fogo”, conta. “Mamãe ainda estava viva; pediu um pouco d”água e que me tirassem dali”, completa. “A polícia terminou de matar quem ficou vivo lá.”

Os pais de Ana Rita trabalhavam numa fazenda de gado quando souberam da formação de um arraial por Joaquim Bezerra, o Quinzeiro, um líder religioso que vinha de Casa Nova. “A mãe mais meu pai foram para lá, se fanatizaram. Eles me levaram”, diz. “Quem foi, morreu; mas meu pai escapou e passou seis meses preso em Salvador. Morreu em 1979. Depois da guerra, fui para São José, morar com a madrinha Nenzinha.


  
Numa das trincheiras de Pau de Colher estavam fazendeiros piauienses e baianos, a Igreja Católica, o governo de Getúlio Vargas, os interventores da Bahia, do Piauí e de Pernambuco. Na outra, meia dúzia de religiosos primitivos e pequenos agricultores armados com cacetes de marmeleiro – árvore típica da caatinga, como o arbusto pau-de-colher, que deu nome ao povoado. Os caceteiros, como os pequenos agricultores foram descritos nos relatórios oficiais, estavam agrupados em um vilarejo, uma espécie de Canudos do Estado Novo, acusados de assaltar propriedades e impedir o transporte de gado e cabras pelas estradas da região.

Um dos relatórios analisados foi escrito por Optato Gueiros, capitão da Polícia Militar de Pernambuco que chefiou, entre 19 e 21 de janeiro de 1938, um total de 97 homens da brigada pernambucana, integrante da terceira e última campanha contra os caceteiros. Ele entrou no povoado antes da hora combinada com o comando central da operação, chefiado pelo tenente-coronel Augusto Maynard Gomes, homem de confiança de Vargas que tinha sido interventor de Sergipe, de 1930 a 1935. A operação contava ainda com efetivos de batalhões do Exército em Salvador e Aracaju e das polícias da Bahia e do Piauí.

*Optato Gueiros
  
*Augusto Maynard

Resistência.

O documento comprova que a brutalidade da ditadura Vargas não se limitou à repressão de focos da classe média, organizados por partidos políticos nas grandes cidades. Por meio de sua rede de polícias estaduais, Vargas recorreu à violência para controlar focos de resistência também na área rural.

No relatório, Gueiros aponta 157 mortos no centro de Pau de Colher e 40 rebeldes atacados por uma patrulha do Piauí. Há ainda a lista de 20 mortos na fazenda do Janjão, em São Raimundo Nonato, num suposto ataque à propriedade. Um livro esgotado escrito pelo ex-prefeito de Casa Nova Raimundo Estrela, Pau de Colher, uma pequena Canudos, ajuda a compor a história. Médico dos militares durante o conflito, Estrela escreveu que 12 pessoas da fazenda de Janjão, incluindo 2 crianças, foram mortas pelos caceteiros. A origem desse ataque, ocorrido a 5 de janeiro de 1938, é uma incógnita da história do conflito.

Uma testemunha do ataque à fazenda de Janjão vive no sopé da Serra Vermelha. Floriana Gomes Ferreira, a Santa, de 84 anos, prima do fazendeiro Janjão, diz se lembrar da chegada dos caceteiros à propriedade. “Gente da fazenda chegou gritando:  
“Lá vem o pessoal dos caceteiros…” Nesse dia, Janjão tinha matado uma vaca. Os caceteiros mataram dez capangas. Tocaram fogo em tudo. Quem podia, correu. Rodei oito dias no mato, chupando água de caroá, comendo umbu”, conta. “Depois, veio a polícia atrás deles. Quando foi à noite, no alto da serra, vi o fogão. Morreu muita gente.”

Isolamento. 

Santa mora numa casa de tijolo e telha sem energia elétrica com o irmão Rubem, de 87 anos (outra testemunha do conflito), o sobrinho Leonardo, 37 anos, a mulher dele, Ana Maria, 38, e duas crianças. A família vive do plantio de milho e feijão e da aplicação de agrotóxico nas lavouras dos vizinhos. Ana Maria reclama que a escola municipal em que os dois filhos menores, Gilmara e Amilton, estudavam, a 6 quilômetros, fechou. A prefeitura de Dom Damasceno não deu explicação. Estão isolados e esquecidos pelo Estado brasileiro, como na época dos caceteiros.


Ao longo do tempo, representantes dos dois lados da guerra disseram em depoimentos que o conflito resultou na morte de mais de 400 pessoas. Até o momento, não há documentos oficiais que confirmem esse número, bastante citado em depoimentos orais colhidos pelo Estado. O palco da guerra se estendeu por um raio de 400 quilômetros quadrados, envolvendo os povoados vizinhos de São José, Proeza, Minadouro, Cachoeirinha e Olho D”Água – que pertenciam a São Raimundo Nonato, no Piauí -, e Lagoa do Alegre, São Bento e Ouricuri, distritos de Casa Nova, na Bahia.

Memória preservada. 

Depois de dois dias percorrendo estradas de chão, a equipe do Estado chega ao campo onde se localizava o arraial de Pau de Colher. O agricultor Gregório Manoel Rodrigues, 65 anos, aparece. É o guardião do território dos caceteiros. Ele e a família capinaram toda a área e colocaram plaquinhas para identificar as trincheiras, uma cova coletiva, as casas dos líderes dos caceteiros e os pontos onde chefes rebeldes mataram e foram mortos.

Quando é informado que os visitantes são de um jornal de São Paulo, Gregório se emociona. Corre para debaixo de um umbuzeiro e chora. É surpreendente encontrar no meio do nada alguém preocupado com a memória do País. “Eu sabia que alguém viria para cá contar a história do Pau de Colher. Isso foi tudo escondido, gente! Ninguém sabe disso”, diz, gritando. “Tenho fé em Deus que essa história vai ficar conhecida.”

Gregório guarda fragmentos de ossos, que diz terem sido encontrados durante a capinação, balas de fuzis, cachimbos, pedaços de cerâmica, garfos e antigas garrafas. Ele leva a equipe por uma trilha até um pé de faveira, arbusto muito comum em Canudos. Embaixo da árvore há uma cruz de aroeira. “Aqui morreu Ângelo Cabaço, um dos líderes dos caceteiros”, informa o agricultor.

Próximo à cruz, ficava a casa de José Senhorinho, outro líder e fundador do arraial. Restam apenas pedaços de telhas. Depois, Gregório leva ao local onde Senhorinho e Ângelo Cabaço foram enterrados.  
“Depois da guerra de 38, o pessoal veio aqui arrancar os ossos, que foram queimados para os dois não virarem bicho”, diz. “A coisa que eu mais queria era fazer uma estátua do Senhorinho. Ninguém sabe o que ele pensava, porque reuniu tanta gente e enfrentou a polícia. É um filho daqui. Eu queria olhar para a estátua e entender o que ele pensava”, diz. “Ninguém sabe o que Senhorinho queria.”

O juazeiro onde os caceteiros subiam para ficar mais perto do céu não existe mais. Um outro, frondoso, onde havia a feira do arraial, mais abaixo do acampamento, serve de proteção para carneiros e bodes contra o sol abrasador do meio-dia. A caatinga está verde neste mês de fevereiro. Asas brancas e juritis dão voos rasantes por cima dos xique-xiques, favelas, muçambês e umbuzeiros.

Gregório reclama que as autoridades do município de Casa Nova tentam esconder a história de Pau de Colher. O agricultor demarcou a área do antigo acampamento para evitar que algum vizinho ocupe o lugar. Ele fez questão de colocar limites no próprio sítio, onde cultiva milho e mandioca. No povoado vivem ao todo 28 famílias de sitiantes.

O filho de Gregório, Dirceu Nunes Rodrigues, 31 anos, ajuda na preservação da memória das ruínas do antigo arraial. Dirceu era vocal da banda de forró Souzinha dos Teclados, de Casa Nova. Há pouco tempo, montou o Mercadinho Pau de Colher, que atende famílias da região.

Como o pai, ele trata os líderes de Pau de Colher como heróis. “Boto fé que o Quinzeiro não era um homem à toa. Era um homem inteligente”, diz, referindo-se ao principal líder religioso de Pau de Colher. Quando o pai se afasta, Dirceu aproveita para contar que ouviu pessoas mais velhas dizerem que Quinzeiro era sedutor. “Se aparecesse uma mulher, não tinha para ninguém.”

O sertão dos caceteiros apresenta algumas mudanças sociais. O fuso histórico daqui, agora, dá mostras de que se aproxima do das cidades. As famílias deixaram de ser numerosas. Atualmente, na região, um casal tem no máximo três filhos. Desde o começo dos anos 1990, a motocicleta substituiu o jumento. O benefício do programa Bolsa-Família complementa a renda de parte das famílias, o ensino continua uma tragédia e a palavra “São Paulo” – nome da grande metrópole – não fascina tanto quanto antes. Não há mais o sonho enlouquecido de partir para o Sul. Em quase toda velha casa, agora com cisterna, há alguém que já trabalhou ou morou em São Paulo, um mundo distante, porém, já conhecido.

Por falta de hotéis e pousadas na região, a equipe do Estado pernoitou na casa de Maria Aparecida, 42 anos, filha de Ana Rita – a sobrevivente de Pau de Colher salva pelo pistoleiro Norberto de ser colocada num trem para Salvador.

A casa tem três quartos, uma sala onde os visitantes amarram as redes, uma cozinha e um banheiro. A família conseguiu entrar num programa de uma ONG e instalou uma placa de energia solar. Maria Aparecida, o marido Waldemar, 48, e três filhos menores podem assistir à televisão até as 20 horas. Depois, a energia é desligada. Waldemar é neto de João Damasceno, um dos fazendeiros que ajudaram a combater os caceteiros.

Hospitaleiros, os Rodrigues oferecem bode, cuscuz e tapioca de jantar. Na mesa, Waldemar conta que trabalhou em uma metalúrgica e em um supermercado em São Paulo nos anos 1980. Foi lá que, em 1982, votou pela primeira vez em Lula, para governador. “Depois achei que o PT não era uma boa opção. Votei no Collor de Mello e duas vezes no Fernando Henrique para presidente. Um dia resolvi dar outra chance para o Lula”, diz.

No ano passado, Waldemar pegou um financiamento de R$ 5 mil do Pronaf para comprar 20 ovelhas e fazer uma cerca. Começará a pagar em 2012, cerca de R$ 900 por ano até 2016. A família vive de criação de animais e plantio de feijão e milho. Maria Aparecida recebe R$ 145 do Bolsa-Família, que ajuda a complementar a renda.

Maria Aparecida reclama da falta de médicos. Todos os dez mil moradores de Dom Inocêncio contam com apenas um profissional, que trabalha três dias na semana. Também reclama que a escola mais próxima está na sede do município, a 26 quilômetros.

É numa moto que Waldemar leva os três filhos para a escola. As crianças passam a semana numa pequena casa da família para frequentar a escola. Emanoel Charles, 17 anos, o filho mais velho do casal, gosta de roupas coloridas, bonés e músicas estrangeiras. Tem uma conta no site de relacionamento Orkut. “Sou um descendente de caceteiros”, diz, com ironia. “Isto não é legal.”

No rastro das “carroças salvadoras”.

O Estado viajou para Salvador em busca de uma das crianças órfãs de Pau de Colher. A equipe de reportagem encontrou no bairro de Matatu, a poucos quilômetros do Pelourinho, uma das menores levadas pelos militares para a capital da Bahia. Maria da Conceição Andreza Pinto, agora uma simpática e alegre senhora de aproximadamente 78 anos – no conflito, ela perdeu os documentos -, conta os horrores da guerra no semiárido baiano com uma surpreendente riqueza de detalhes. No início do ano, ela procurou jornais e rádios da Bahia para contar sua história e tentar localizar uma irmã desaparecida desde o começo da guerra.

A chegada da equipe ao apartamento de Cristina, uma das filhas de Maria, em abril, virou momento de festa. Aqui estão três orgulhos filhos da matriarca. Silvio, Cristina e Fernando pesquisam há 20 anos a história da mãe. As netas Clara e Talyta também estão na sala. Estudante de comunicação da Universidade Federal da Bahia, Talyta pretende fazer um documentário. “Eu queria voltar no tempo para não ter deixado minha mãe passar por isso”, diz Fernando.


Filha de Pedro de Andreza, um dos líderes do movimento, e de Justina, Maria tinha sete irmãos quando a tropa de Optato Gueiros chegou ao arraial. Pelo menos cinco deles morreram no tiroteio. A avó Andreza e mãe Justina também caíram mortas. O pai foi preso. Na capital baiana, Maria serviu de escrava até o final da adolescência em casas de famílias da elite.

 Sepultura coletiva para os mortos no conflito.
ripada em www.dominocencio.com

Por Leonencio Nossa e Celso Júnior
JORNAL O ESTADO DE S. PAULO
Especial ● Guerras desconhecidas do Brasil
19 de Dezembro de 2010.

Pesquei aqui visse Estadão On line
*As fotos do Major Optato Gueiros e do interventor Augusto Maynard não fazem parte da matéria original foram um cortesia do nosso confrade Ivanildo Silveira para enriquecer a matéria.

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RECOMPENSA ATUALIZADA

Trinta e sete cabeças de cangaceiros estão valendo 129:000$000 contos de réis

Por Joel Reis

"A Polícia Baiana organizou uma tabela de preços para as cabeças de Lampião e seus companheiros.  O capitão João Facó, chefe de Polícia, aprovou a tabela de preços organizada pelo Tenente Manoel Campos de Menezes, e já posta em vigor para quem trouxer as cabeças dos bandoleiros".
  
Capitão João Facó. Posse: 09.1931
Fonte: cangaconabahia.blogspot.com

Tenente Manoel Campos de Menezes 
Acervo do pesquisador Rubens Antônio

 "Estão valendo 129 contos"
Dizia a página 1 do jornal 'A Batalha' (RJ), ed. n. 1136, em 10 nov. 1933.

A referida tabela que o periódico publica é a seguinte:
Tabela: 37 cabeças valendo 129 contos de réis
Fonte: A Batalha (RJ), n. 1136, 10 nov. 1933, p. 2.

Tabela Explicativa:

- FAC-SÍMILE* da Tabela - Respeitando a ortografia do documento. Fac-símile - (do Latim fac simile = faz igual) é toda cópia ou reprodução de letra, gravura, desenho, composição tipográfica etc.

- Errata da tabela - A identificação e correção dos nomes dos cangaceiros: Conforme a Tabela da Figura 04 - Observa-se alguns nomes repetidos ou identificados como (2º), isto é, indicava que existiu ou existia um outro de mesma alcunha. 

A explicação disso: os chefes de cangaceiros, ao recrutarem um novo membro para o bando, davam a ele a mesma alcunha de um cangaceiro que já não estava mais no grupo. 

Assim, frequentemente a polícia anunciava a morte ou prisão de um cangaceiro e, com um tempo, o mesmo nome voltava a ser noticiado devido aos feitos praticados por esse novo cangaceiro de mesmo apelido. Com isso, as notícias de mortes e detenções divulgadas pelas autoridades se tornavam duvidosas e sem crédito diante da opinião pública, à medida que o mito da invencibilidade dos cangaceiros se sustentava. (OLIVEIRA, 2012).

- Os preços das cabeças dos cangaceiros em RÉIS  convertidos para o REAL. Levou-se em consideração a data da tabela  de 10 de novembro de 1933. 
Tabela: Fac-símile, identificação e correção dos nomes, valores para o real (R$)
Fonte: viacognitiva.blogspot.com.br

Considerando a data da aprovação da tabela (10 de novembro de 1933) e a inflação nesse período foi - 2,0%. P.S.: Em 1933 houve -2,0% (deflação)... 


... O valor atual (2018) das cabeças seria aproximadamente:



• Lampião
Rs 50:000$000 = R$ R$ R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais)

• Corisco
Rs 10:000$000 = R$ 200.000 (Duzentos mil reais)

• Cirilo, Luis Pedro e Mariano
Rs 5:000$000 = R$ 100.000 (Cem mil reais)

• Zé Baiano, Gato II, Moderno (Virgínio), Arvoredo II e Labareda
Rs 4:000$000 = R$ 80.000 (Oitenta mil reais)

• Calais, Jurema II, Beija-Flor III, Maçarico II, Medalha II, Suspeita e Coqueiro II
Rs 2:000$000 = R$ 40.000 (Quarenta mil reais)

• Bem-te-vi Moreno, Jararaca III, Alecrim, Bem-te-vi (de Corisco), Moita Brava II, Pancada, Criança III, Português, Boi Manso, Avião, Duca, Pai Véio II, Franqueza, Pó Corante II, Nevoeiro, Balão, Bom de Vera, Pedra D' Ave, Meia Noite III e Jurema 
Rs 1:000$000 = R$ 20.000 (Vinte mil reais)

• Valor Total (todas as cabeças) $ 129:000$000 = R$ 2.580.000 (Dois milhões, quinhentos e oitenta mil reais)

Caso queiram aprender como fazer a conversão de réis para o real é só CLICAR AQUI

Publicado originalmente no  Via Cognitiva

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... DESVENDANDO OS EQUÍVOCOS NA LITERATURA CANGACEIRA.



Não é segredo para ninguém que, suspeita-se de que seja apenas a procura de divulgação e retorno financeiro ou uma simples vaidade de autoria, os fatos da história do Fenômeno Social Cangaço são colocados nas entrelinhas distorcidamente. Essas distorções causaram, causam e causarão inúmeros danos referentes à absorção de conhecimentos e discernimentos sobre a historiografia.

Os primeiros autores, dentre eles, os participativos e/ou vivenciando, ou mesmo de uma mesma época, tinham a responsabilidade de transmitirem, para nós, hoje seríamos considerados, à época, as futuras gerações, os fatos, se não verdadeiros, o mais próximo que se podia chegar da verdade. No entanto, ao pesquisarmos notamos os ‘buracos negros’ existentes nos relatos de vários e vários escritores quanto aos fatos. Muitos ficarão eternamente na mente, nas discussões e debates sobre o tema não deixando vias, meios e caminhos a serem seguidos quanto a sua veracidade. Cabendo assim, toda versão sobre determinado fato, ser considerada. Mesmo que absurdamente relatado, ou referido, totalmente fora “de” ou “do” contexto.


Esse dano à história do meu torrão, Sertão nordestino, que tanto combato, sendo por muitos, muitas vezes mal interpretado, agredido e chamado de não sei quantos substantivos e adjetivos descorteses, causam “n” prejuízos ao legítimo passado sertanejo, nordestino e brasileiro, já que, em várias etapas do tempo, as histórias regionais se interligam com a historiografia nacional. Segundo o sociólogo Betinho “A História tem uma maneira de acontecer, porém, há várias maneiras de contá-la”, e a ilusória, suposta e fantasiada, com toda certeza do mundo, não é a adequada.

Parte dessas informações descabidas e inventadas foi proferida pelos próprios remanescentes ao conscientizarem-se que estavam, ou estão, sendo ‘a bola da vez’, aproveitaram ou aproveitam seu ‘minuto de glória’. São, infelizmente, não sabedores de que sua vida, passagem, na história histórica é intocada, incorrigível, não tem como se corrigir a história, não podendo o tempo ser voltado atrás, tão pouco o acontecimento ser recontecido.

Com a ajuda e a colaboração de amigos e amigas, boa parte da literatura cangaceira chega a mim de maneira e forma diversificada ao nos doarem livros, folhetos, poemas, cordéis, textos e vídeos, sendo algumas delas, numa conversa descontraída ou numa troca de informações através de redes sociais. Só tenho a agradecer a todos (as). Isso enriquece nossos conhecimentos sobre o tema proposto, nos colocando a par dos fatos e lugares das ocorrências. Após fazermos um comparativo, entre as informações, notamos as várias formas de terem sido contados um único fato, um único deles, de várias maneiras.

Encontramos até pontos em coordenadas geográficas, não em geodésicas, bastante difícil colocarem-na, aliás, nunca me deparei com tais, que levam a lugares totalmente diferentes daquele narrado na própria matéria. Por exemplo, um famoso escritor, em sua obra famosíssima, cita um determinado fato ocorrido no município de Floresta, PE. Como o fato ocorrido é do conhecimento de todo aquele que pesquisa, escreve e estuda o tema, o autor coloca, no roda pé da página, os pontos como parte da informação. Ao procurarmos localizar, através dos pontos geográficos fornecidos o local, esses nos levam a um lugar no cariri cearense. Ora, se o caso ocorreu aqui, bem próximo de onde moramos, São José do Egito, PE, como os pontos em coordenadas nos levam para tão longe? Notamos a falha na informação.


Esse ‘equívoco’ nos foi alertado por um dos grande pesquisadores/escritores da época, filho do próprio município florestano, Cristiano Ferraz, que, após seu alerta, fomos à busca e vimos como a coisa, à informação no tal livro, estava totalmente fora do eixo. É triste que ocorra esse tipo de falha, ou equivoco, pois a mesma propaga uma informação diferente daquela verdadeira.

Nós, que lemos, estudamos e pesquisamos não só da boca pra fora, não somos pesquisadores de escrivaninha e cadeira somente, descobrimos. E que, por diversas ocasiões colocamos o pé na estrada por onde a história caminhou fica triste encontrarmos tais informações, ou desinformações. Porém, quem não tem condições de confrontar informações, por ‘n’ motivos, absorve aquela que leu, e leva adiante. Mais tarde, ao deparar-se com outra informação sobre o mesmo fato, a coisa fica meio balançada e começa-se a descredibilidade em geral quanto a História de um povo regional.

Com a ajuda da amiga Ana Cecília Correia Lima, que, através do seu BookSeller, sua Livraria Virtual, nos presenteou um dos mais novos livros sobre a historiografia cangaceira, “Maria Bonita – Sexo, violência e mulheres no cangaço”, de autoria da jornalista Adriana Negreiros, o qual nos fez ficar ciente do conteúdo. Há, nos capítulos que consegui ler, outros não dar para ler completamente, são demais fora do contexto histórico e bibliográfico, como foram referenciados em seu pré-lançamento, equívocos propagados de arrepiar.

Vamos ver alguns:

Em seu capítulo 4, ‘Apesar de ser valente Maria era afeiçoada às coisas bem femininas só andava bem perfumada’, na página 72, a escritora escreveu:

“(...) Assim como ocorrera com Zé de Neném, sua vida íntima com Virgulino (Virgolino) não era uma constante lua de mel. Nos coitos, o sexo era raro. O código de conduta sexual , elaborado a partir de crendices e superstições, desestimulava relações às sextas e em vésperas de mudanças. O melhor seria esperar três dias depois do sexo para pegar a estrada. Tirando essas situações, os casais se dedicavam à volúpia apenas quando sabiam estar plenamente a salvo de um ataque repentino dos macacos. Só assim, os cabras se sentiam seguros o bastante para abrir mão da proteção divina – antes da relação sexual, em respeito ao Pai Eterno, tiravam do pescoço os colares com saquinhos nos quais traziam orações para os mais diferentes santos. Lampião carregava oito delas, além de um crucifixo em ouro maciço – assim como os colares de Maria, a peça também pertencera à Baronesa de Água Branca(...).”


A autora cita como referência, a essas informações desmioladas, descabidas e sem jeito para serem verdadeiras, a autora francesa Élise Gruspan Jasmin ,em seu “Lampião, senhor do sertão – Vidas e mortes de um cangaceiro”. Essa autora europeia, apesar de ter vindo ao Brasil, ao Nordeste e ao Sertão, pesquisar sobre a vida dos cangaceiros, escreveu sobre os mesmos não como um bando de bandoleiros, bandidos nômades rurais, mas, equivocadamente, como ‘revolucionários’ sertanejos. Colocando um pouco de pimenta em sua escrita, a escritora francesa tenta estimular a mente de seus leitores.

Ora, como ela, esquecendo completamente da responsabilidade histórica, alguns autores brasileiros pegaram essas ‘fantasias sexuais’ e propagaram em suas obras, como é o caso da autora jornalista. Não contribuindo, pelo contrário, destruindo o que realmente aconteceu.

Para começo de conversa, primeiro o sexo não era nada raro nos coitos, pois as mulheres dos cangaceiros, as cangaceiras, não eram se não, para esse fim. Nem comida faziam, pois haviam cozinheiros para tal serviço. Segundo, como um bando de bandoleiros, fugitivos, procurados e perseguidos dia e noite por todos os lugares, iriam programar ‘dar uma’ três dias antes da mudança de acampamento e que não caísse numa sexta-feira? Pelo amor de Deus. De onde foi que tiraram essa estória? Meus amigos, aquela gente não tinha noção de tempo e espaço. Não havia como saberem datas, dias, nem tão pouco fazerem programação para terem relações sexuais.

Terceiro, como saberem que estariam ‘totalmente a salvo’ de um ataque das Forças Públicas ou dos vários grupos de voluntários destinados a acabarem com a raça de todos eles? Só vem na minha cabeça que, apesar dos fatos, dos contos e dos depoimentos, muita gente não tem noção, ainda, do que era o Cangaço. Pensam, acredito, que o cangaço era uma guerra aonde havia dia e hora marcados para os conflitos, as lutas, os embates ocorrerem. Gente, as coisas não foram fáceis para aquela gente. Eles causaram, porém, também foram submetidos aos piores horrores empregados pelo homem e pela natureza em seu habitat, em seu meio ambiente. Tinham que aproveitar um instante, alguns minutos, para tomarem fôlego, descansarem um pouco, matarem a sede se possível, comerem se comida tivesse e, ‘davam uma rapidinha’ embaixo de um juazeiro, a sombra de uma caraibeira, em pé com as costa numa jurema ou mesmo em cima da dureza de um lajeiro e, mesmo assim, as vezes, tinham que deixar a ‘coisa’ pela metade e caírem na caatinga correndo para não morrerem. Que conversa é essa de que bandos de cangaceiros programavam suas aventuras sexuais? Não tem como ter ocorrido.

Prossigamos com parte do conteúdo do mesmo capítulo no livro:

“(...) Como as toldas ficavam próximas uma às outras, podia-se ouvir facilmente os sons do casal vizinho. Às vezes, acontecia de alguém acorda no meio da madrugada tomando por rugido de onça o que era gemido de acasalamento (...). Apesar de água ser escassa no Sertão, sobretudo no Raso da Catarina, uma pequena quantidade costumava ser reservada para a higiene íntima das mulheres, de maneira que estivessem constantemente asseadas para seus homens. Estes, por sua vez, não se prestavam ao mesmo cuidado. Submetiam suas mulheres ao risco de contrair toda sorte de doenças venéreas adquiridas em saídas para combate. Depois de uma troca de tiros ou uma matança, como ocorrera na cidade sergipana de Capela no final de 1929, os cangaceiros costumavam visitar a zona de meretrício da região (...)”.


Eita, danou-se, mas vamos lá ver se conseguimos falar sobre esse parágrafo. Em primeiro lugar, os casais, na maioria das vezes, foram formados por subchefes. As toldas dos chefes, consequentemente também dos homens que faziam parte a este, ou deste subgrupo, tinham, por obrigação estratégica, ficarem umas afastadas das outras. Ao contrário do que muitos pensam, não era todo cangaceiro, de qualquer um dos subgrupos que tomava chegada a Lampião, ou a outro chefe, ou subchefe renomado como Corisco, Zé Sereno, Português e etc. Antes dessa aproximação, o cabra passava por uma espécie de avaliação, era interrogado sobre o que pretendia com o ‘capitão’.

Era tomado esse cuidado por dentre eles não haver um código de honra. Qualquer um dos cangaceiros poderia muito bem matar outro, principalmente algum chefe, para apossar-se do que ele levava. Todo cangaceiro transportava seu ‘tesouro’ junto ao seu corpo, fazendo parte da sua tralha, de sua ornamentação, por isso era tomado o cuidado para ter-se uma proteção extra aos chefes, principalmente a Lampião, que tinha sua ‘guarda pessoal’, formada por um parente ou alguém da mais alta confiança como Luiz Pedro e outros. Comparar os gemidos de um casal fazendo sexo com rugidos de onça, não tem nada haver e, com certeza, quem assim descreve jamais ouviu, escutou o rugido de uma onça, mesmo onça de bode, nas entranhas da Mata Branca.

Nossa mãe, nos coitos terem reservas de água para as mulheres lavarem as partes íntimas? Essa é de lascar. E ainda na região do Raso da Catarina? Aí é que a coisa fica sem propriedade, sem nexo. Passar informações desse tipo é querer fazer crer que viver em um coito era bom pra caramba. Quem não conhece a rigidez do semiárido sertanejo pode até acreditar, porém, que conhece e vive constantemente nele, com ele e dele, jamais pode dar crédito há um absurdo desses. É sabido de que os cangaceiros, sendo naturais, em sua maioria, das brenhas da caatinga, são conhecedores da sua flora. Pois bem, conhecem determinas raízes de determinadas espécimes, árvores, únicas da Mata Branca, as quais, para protegerem sua existência das secas, não morrerem, além de perderem suas folhas, diminuindo assim o consumo do líquido precioso, possui reservatórios ‘extras’ em suas raízes, tais como, exemplificando: umbuzeiro e mamãozinho-de-veado. Esse último sendo bem mais acumulador d’água, e como a outra, suas raízes também servem de comida para as pessoas e para os animais. Já pensou um cangaceiro, sair fugindo da políça de mata a dentre com uma moringa, lata ou cabeça cheia d’água? Não tem como.

Na sequência, a autora nos trás uma informação histórica equivocada, mas, tão equivocada que é de não acreditarmos que há esse tipo de informação, principalmente, vinda de uma acadêmica. Ela cita que em fins do ano de 1929, ocorreu um tiroteio, com matança, na cidade de Capela, em Sergipe, e que após o embate os cangaceiros foram para a zona do meretrício.


Na ‘visita’ de Lampião e seus cabras a cidade de Capela, isso em 1929, a qual, historicamente está tida com a 1ª, não ocorreu combate. Pelo contrário, essa visita, comparada as feitas em outras cidades, foi amistosa. Lampião incumbiu uma das autoridades para ‘arrecadar’ determinada quantia entre os moradores. Vai ao cinema a procura do telegrafista que também trabalhava no cinema, Zózimo Lima, para que o mesmo não tenha espaço de comunicar para região da sua presença na cidade. Assistiu parte do filme “Street Angel”, “O Anjo das Ruas”, que, como eram mudos na época, o filme não chamou a atenção do chefe mor do cangaço, saiu, comeu e sobre o dinheiro arrecadado, mandou que entregassem a seu cunhado Virgínio, o cangaceiro “Moderno”. Depois de comerem e tomarem umas cachaças, os cangaceiros se dirigiram ao cabaré da cidade. Reza a história que Lampião ficou com uma quenga chamada Enedina. Que não retirou nada de seu aparato, deve ter só aberto à braguilha, e mandou brasa.

Segundo José Bezerra Lima Irmão, a prostituta ‘gostou’ de ter ficado com Lampião e perguntou se ele tinha mulher, Lampião respondeu “- Não. Homi que veve nesta vida num pode ter pensão!” Depois de ter findado o serviço, Lampião faz um pagamento de 70 mil réis à Enedina.
Bem, nos históricos citados, quando da primeira ida à Capela, Lampião ainda não mantinha Maria de Déa nos coitos. Se Lampião não havia levado sua mulher, nenhum dos outros tinha feito isso, pois só levam depois que Maria é levada para os mesmos. Isso não quer dizer que muitos dos cangaceiros não tinham já suas companheiras, pelo contrário, tinham, mas as mantinham em lugares distantes e, normalmente, em casa de algum coiteiro de confiança.



Só há tiroteio em Capela, SE, na segunda ‘visita’ que Lampião fez, ou tentou fazer, a essa cidade, já em outubro de 1930. Os moradores se organizaram e, tiroteando contra os cangaceiros, de pontos estratégicos como de cima da Igreja, conseguem atingir, balearem, os cangaceiros Gato e Beija-Flor. Lampião então apita seu apito, dando um silvo com o toque de retirada e todos dão no pé.

Não estamos direcionando exclusividades a ninguém. Há muito que venho tentando mostrar como contam o que não ouve. Estamos tentando endireitar a maneira de como contam a história. Ela está lá, sustentada por um pedestal sob a proteção de uma pilastra histórica em algum espaço do tempo, porém, com tinta e caneta, com teclas e teclados, alguns lhes dá as costas e, preferindo não conta-la direito, mas divulgar o que não ocorreu a sua maneira, a sua moda, o faz. Isso é triste historicamente

Aqui fazemos uma homenagem há uma personagem que teve grande significado histórico no que diz respeito ao embate travado entre moradores e cangaceiros na cidade sergipana de Capela, em outubro de 1930, e que, no decorrer do tempo os escritores jamais a citaram em suas obras. Mais um fato triste. Usamos o tão respeitado blog de nosso amigo/cumpadi, ou cumpadi/amigo, Kiko Monteirohttp://xn--lampioaceso-d8a.com/, como fonte dessa boa “pescaria”.

Na íntegra:

Jornal da Tarde (O ESTADO DE SÃO PAULO) – 30/07/1973
O desagravo de Capela - 1930
Por: Claudio Bojunga

Eles tinham provocado muito e agora Capela estava preparada. O velho Mano Rocha ia tirar sua forra. Havia ainda homens valentes, como o major Honorino, Dudu aleijado, Turrão, gente capaz de enfrentar Lampião, Corisco, Carrasco, Moita Brava, Balão, Baliza, Nevoeiro, Pancada e quantos viessem. E eles vinham. Lampião disse que Capela tinha roubado, quer dizer deixado de lhe dar o dinheiro que havia pedido da primeira vez. Agora ia arrasá-la. Mano Rocha duvidava.


Virgolino pediu doze contos. Tinha gente disposta a dar. Mano disse que tinha que passar em cima de seu cadáver e depois enterrá-lo num cemitério da UDN (gente da UDN não aceitava ser enterrado em cemitério PSD). Os amigos deram força. Turrão, o finado Ivo, o finado Galileu, Aurélio Alves. Major Honorino comandou um grupo. Havia um terceiro. Lampião trazia reféns. Major Félix era um deles. “Fomos para cima da igreja”. Quem fala é o Mano Rocha – macho de verdade.

E a fuzilaria começou. No canto da praça os cangaceiros ficaram atocaiados. Bala neles. Uns correram, outros ficaram, ninguém caiu: a grande vítima do seu segundo ataque a Capela foi um piano de cauda. Os cangaceiros, quando viram bala vindo da igreja da Purificação, saíram berrando que os santos estavam atirando neles. Pelo menos é o que diz Mano. Já Balão, que estava no cerco, confirma que aquele sangue correndo na cerca fora da cidade e que nenhum dos personagens de Capela soube explicar, era do cangaceiro Gato, alvejado nos peitos. Tinham que tratar dele – cabra bravo. Corisco recuou. Gato teve que colocar muita pimenta na ferida, mas acabou recuperando.


Mano Rocha e major Honorino tinham lavado a honra da Capela.

“Nos livros escritos sobre Lampião, a começar pelo do Ranulfo Prata, até os de Eduardo Barbosa, Nertan Macedo, Joaquim Góis há manifesta injustiça.

Neles não consta o nome do major Honorino Leal, uma das principais figuras entre os que combateram Lampião, na segunda investida contra a Capela, a 16 de outubro de 1930.

Pois foi Honorino Leal que, de fuzil em punho, ao lado do sargento de polícia Saturnino, em fuga, na praça do Cemitério ofereceu tenaz resistência aos nove cangaceiros que tentavam penetrar no centro da cidade, trazendo, como reféns, os senhores Felix da Mota Cabral, do engenho Pau Seco, José Cabral Filho, do engenho Pedras, José Xavier de Andrade, do engenho Lavagem e mais Jocundino Calazans e Manuel de Melo Cabral Filho.

Honorino Leal animou o grupo, diante da audácia dos bandidos, postados a poucos metros de distância, a manter firme a resistência, fazendo-os recuar para outra direção, além da chamada rua do 'Lá Vem Um'.

É imperdoável a omissão do nome de Honorino Leal, que recusou, com padre Juca, a proposta feita pelo bandido, por intermédio do refém Felix Cabral, de entrar pacificamente na cidade pela segunda vez, como o fizera da primeira, um ano antes.

E o tiroteio foi cerrado, partindo tiros até das torres da Matriz, fazendo com que os bandoleiros recuassem.

É de justiça que futuros historiadores da incursão trágica de Virgolino Lampião, corrijam, nos seus livros, os enganos e a missão do nome do major Honorino, verdadeiro herói, como outros capelenses, na luta para que a cidade ameaçada não fosse entregue ao saque e ao assassínio por aqueles monstruosos criminosos.

Deverá ter algum valor o meu testemunho, porque lá me encontrava nas duas vezes que Lampião esteve na Capela. A primeira, pacificamente; a segunda, com propósito de satisfazer os seus instintos sanguinários. Fui, até, quando da primeira visita do bandido, ameaçado pelo mesmo de ser degolado, caso transmitisse, pelo telégrafo, do qual eu era o chefe, a sua estada no momento, ali.” Antônio Corrêa Sobrinho".

Fonte/foto
“Maria Bonita – Sexo, violência e mulheres no cangaço” – Adriana Negreiros
“Lampião – A Raposa das Caatingas” – José Bezerra Lima Irmão
““Lampião, senhor do sertão – Vidas e mortes de um cangaceiro” - Élise Gruspan Jasmin
Blog lampioaceso.com

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MAITÊ PROENÇA CONFIRMA SONDAGEM PARA MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE DE BOLSONARO

Por Ana Lucia Azevedo

O nome da atriz Maitê Proença foi proposto ao presidente eleito Jair Bolsonaro para a pasta do meio ambiente por um grupo de ambientalistas, economistas e pesquisadores, como adiantou a coluna de Ancelmo Gois nesta segunda. Mesmo sem filiação partidária ou atuação política, a atriz conta com bom trânsito na área ambiental e fora dela.

Maitê também tem boa relação no círculo mais próximo de Bolsonaro. É ex-mulher e tem um filho com o empresário Paulo Marinho, ligado ao presidente eleito. Mas a própria Maitê explica que o seu nome, por enquanto, é “apenas uma ideia”:

— A ideia é tirar o viés ideológico a que o setor ambiental ficou associado. Trazer um nome que possa abrir as portas que se fecham para os ecologistas. Um nome ligado às causas ambientais, mas que circule nos diversos meios de forma isenta. E que possa colocar a pasta acima de picuinhas políticas. Concordo com tudo. Mas o meu nome é apenas uma ideia — disse a atriz.

O vice-presidente de parcerias estratégicas da Conservação Internacional, Rodrigo Medeiros, diz que o nome de Maitê pode trazer mais “tranquilidade e leveza” para a pasta.

— Ela não é partidária e se mostrou muito disposta a contribuir. Tem condições de manter um ótimo diálogo em todas as áreas, inclusive com os ruralistas.

Maitê é uma das signatárias da carta enviada por lideranças ambientais para Bolsonaro logo após a eleição. Para Medeiros, o melhor nome não é necessariamente o mais técnico, mas aquele com maior capacidade de articulação e diálogo.

O empresário Paulo Marinho, ex-marido de Maitê Proença e ligado à campanha de Bolsonaro, considerou o nome da atriz para o Meio Ambiente "uma loucura."

— Isso é uma loucura. Não sei de onde tiraram isso — disse Marinho.
O empresário afirmou que desde que terminou a campanha se mantém afastado da equipe de Bolsonaro.

— O que eu tinha que fazer eu já fiz, dei minha contribuição. Não participo do governo.

https://extra.globo.com/noticias/brasil/maite-proenca-confirma-sondagem-para-ministerio-do-meio-ambiente-de-bolsonaro-23229573.html

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O BANDO DE LAMPIÃO FOGE, A UM CÊRCO DE 300 HOMENS EM LAVRAS

Do livro O Cangaço na Imprensa Mossoroense.

Um telegrama de Fortaleza para esta cidade, de 2 deste, diz que:

Lampeão mais vez escapou de um cêrco das forças civis commndadas pelo fazendeiro Cel. Raymundo Augusto, chefe de Lavras, que despunha de cerca de 300 homens bem armados, assegurando que dessa vez que os bandidos não escapariam.

Dizia mais que, segundo os últimos telegrammas para os jornaes d'ali, constou que Lampeão contava sempre em toda parte com escandalosa proteção, visto como passou no município de léo(?) sem munição e sem cavallos, chegando em Lavras bem municiado em bôa cavalhada. 

Disse mais constar estarem os bandidos em "Typy" no mesmo local onde passaram cerca de vinte dias refazendo a forças e curando feridos. 

Afinal Lampião evadiu-se, decepcionando o público, visto como o governo dizia estar próximo o fim do terrível facínora. Disse saber-se que muitas ordens, emanadas do governo não eram infelizmente cumpridas pelos seus commandados, resultando fracasso inqualificável.

 Livro O Cangaço na Imprensa Mossoroense escrito por Antônio Filemon Rodrigues Pimenta - Fundação Vingt-un Rosado - Coleção Mossoroense - Série "C", número: 1104 - Outubro de 1999.

Este me foi presenteado pelo professor, poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano Kydelmir Dantas.

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ANTONIO FERREIRA É IRMÃO DE LAMPIÃO POR PARTE DE PAI E MÃE?


Por José Mendes Pereira
Lampião e Antonio Ferreira - Se o leitor observar bem direitinho a foto abaixo nota que eles dois se parecem muito, muito embora existe esta dúvida, que eles são irmãos apenas por parte de mãe.

Durante muitos anos estudiosos e pesquisadores do cangaço acreditavam que Antonio Ferreira da Silva não era filho de José Ferreira da Silva o pai de Virgulino Ferreira, o Lampião, pois quando ele fez matrimônio com dona Maria Sulena da Purificação (Maria Lopes), ela já estava grávida de um senhor de nome Venâncio, que era um dos proprietários de onde ela morava.

Mas o escritor José Bezerra Lima Irmão autor do livro "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS" (na página 71), um trabalho que durou 11 anos, diz que o cangaceiro Antonio Ferreira da Silva era mesmo irmão por parte de pai e mãe dos demais Ferreiras.

Como o escritor José Bezerra Lima Irmão chegou a esta conclusão tão importante para os estudiosos do cangaço?

Pela contagem do dia, mês e ano que aconteceu o casamento dos pais de Lampião, comprova o escritor através de certidão em mãos do casal - o nascimento de Antonio Ferreira com a contagem de meses, ficou comprovado que Antonio é mesmo filho de José Ferreira da Silva, e não do Venâncio, conforme informado por alguns escritores. Assim sendo, o Antonio Ferreira da Silva é o primeiro filho de José Ferreira da Silva e dona Maria Sulena da Purificação ou Maria Lopes. 

Poderá até ter acontecido uma mexida na sua honra feita pelo tal Venâncio, mas que não deixou ninguém gerado em seu útero.

Lampião teve 10 irmãos e na sequência são os seguintes:

1 - Antonio Ferreira, 
2 - Livino Ferreira, 
3 - Virgolino Ferreira da Silva responsável pela decadência da família Ferreira,
4 - Virtuosa Ferreira,
5 - João Ferreira, 
6 - Angélica Ferreira, 
7 - Ezequiel Ferreira, 
8 - Maria Ferreira (dona Mocinha) e
9 - Anália Ferreira.


Além destes 8 irmãos de Lampião que aparecem nesta lista ainda tinham duas que faleceram pequenas, e segundo o escritor José Sabino Bassetti diz que uma delas com o nome de Maria do Socorro foi vítima de chamas de lamparina. Foi socorrida e tratada, mas infelizmente, dias depois ela veio a óbito.

O escritor não informa qual seria a sequência de nascimento destas meninas dos filhos do casal José Ferreira e dona Maria Lopes, isto é, se era a quarta, quinta, sexta filha etc.

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