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domingo, 21 de abril de 2019

Câmara Cascudo, Frederico Pernambucano de Mello, e o "Escudo Ético" Por:Honório de Medeiros


Como sabemos, a famosa “Teoria do Escudo Ético” de Frederico Pernambucano de Mello está exposta em três parágrafos do capítulo 4 do clássico "Guerreiros do Sol", abaixo transcritos a partir de sua segunda edição:
"Muito se tem falado nos paradoxos da chamada moral sertaneja. No Nordeste, talvez melhor que em qualquer outra região, sente-se a existência desse quadro de valores - inconfundível em muitos dos seus aspectos. Chega a ser quase impossível, por exemplo, explicar ao homem do sertão do Nordeste as razões por que a lei penal do país - informada por valores urbanos e litorâneos que não são os seus - atribui penas mais graves à criminalidade de sangue, em paralelo com as que comina punitivamente para os crimes contra o patrimônio. Não se perdoa o roubo no sertão, havendo, em contraste, grande compreensão para com o homicídio. O cangaceiro - vai aqui o conteúdo mental do próprio agente - não roubava, "tomava pelas armas"."
"Dentro desse quadro todo próprio, a vingança tende a revestir a forma de um legítimo direito do ofendido. "No sertão, quem se não vinga está moralmente morto", repitamos mais uma vez a frase tão verdadeira de Gustavo Barroso, conhecedor profundo desse paralelismo ético sertanejo."
"Ao invocar tais razões de vingança, o bandido, numa interpretação absurdamente extensiva e nem por isso pouco eficaz, punha toda a sua vida de crime a coberto de interpretações que lhe negassem um sentido ético essencial. A necessidade de justificar-se aos próprios olhos e aos de terceiros levava o cangaceiro a assoalhar o seu desejo de vingança, a sua missão pretensamente ética, a verdadeira obrigação de fazer correr o sangue dos seus ofensores. O folclore heroico, em suas variadas formas de expressão, imortalizava-o, omitindo eventuais covardias ou perversidades e enaltecendo um ou outro gesto de bravura. Concretizada a vingança, por um imperativo de coerência estaria aberta para o cangaceiro a obrigatoriedade de abandonar as armas, deixar o cangaço. Já não teria mais a socorrer-lhe a imagem o escudo ético por esta representado. Como então realizar tal vingança, se o cangaço era um bom meio de vida?"


Já tive oportunidade de observar que o “escudo ético” não é propriamente um epifenômeno da cultura moral sertaneja nordestina, muito menos apenas do cangaço. Essa opinião é corroborada, como se pode depreender, a partir da entrevista de Anthony Daniels à revista "Veja" de 17 de agosto de 2011 - edição 2230, ano 44, nº 33 -, na qual o psiquiatra e escritor inglês, ao analisar a influência da tese do suíço Jean Jacques Rousseau de que o ser humano é fundamentalmente bom, e que a sociedade o corrompe, afirma que esta prejudicou profundamente sua noção de responsabilidade: "Por influência de Rosseau, nossas sociedades relativizaram a responsabilidade dos indivíduos." 

Como digo sempre: a realidade está na mente, antes de estar na realidade. Trocando em miúdos: o racional antecede, em última instância, o real.
E continua: "O pensamento intelectual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como uma consequência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas. Infelizmente, essas teses são absorvidas pela população de todos os estratos sociais. Quando trabalhava como médico em prisões inglesas, com frequência ouvia detentos sem uma boa educação formal repetindo teorias sociológicas e psicológicas difundidas pelas universidades. Com isso, não apenas se sentiam menos culpados por seus atos criminosos, como de fato eram tratados dessa maneira."

Frederico Pernambucano de Mello
Exemplifiquei, em texto anterior, citando o exemplo ocorrido neste começo de século XXI, aqui no Rio Grande do Norte, e que já virou lenda, no qual se atribui a injustos mal tratos físicos da Polícia, o ingresso do célebre Valdetário Benevides Carneiro, líder do bando dos Carneiros, no crime. "Como não há justiça" teria dito em outras palavras Valdetário, "vou fazer a minha."
Ou seja: há o escudo ético, mas ele não é específico da moral sertaneja nordestina. Parece ser um epifenômeno decorrente da criminalidade, seja rural, seja urbana, não sendo suporte, portanto, para uma teoria que caracterize o epifenômeno do cangaço.
Por outro lado, especificamente no que concerne a essa famosa “teoria do escudo ético” de Frederico Pernambucano de Mello, é certo lembrar que Câmara Cascudo, em 1937, no seu “Vaqueiros e Cantadores”, já o expunha, no que diz respeito ao cangaço, quando no Capítulo denominado “Ciclo Social”, trata do “Cangaceiro”.
Para Cascudo, ao explicar por que a valentia, quanto aos cangaceiros, originava a “aura popular na poética” dos cantadores, necessário se fazia a existência, como pressuposto, do fator moral, que nada mais era que o “escudo ético”. Disse Cascudo:
“Para que a valentia justifique ainda melhor a aura popular na poética é preciso a existência do fator moral. Todos os cangaceiros são dados inicialmente como vítimas da injustiça. Seus pais foram mortos e a Justiça não puniu os responsáveis.
Teria lido Pernambucano de Mello “Vaqueiros e Cantadores”? Na bibliografia de “Guerreiros do Sol” o grande teórico do cangaço arrola, de Câmara Cascudo, “Tradições Populares da Pecuária Nordestina” e “Viajando pelo Sertão”. O mais provável é que ambos souberam perceber, com quase cinquenta anos de diferença, na história da violência rural sertaneja nordestina do final do século XIX e início do século XX, esse fato específico, qual seja, a justificativa moral para a entrada dos cangaceiros na vida bandida. 
A diferença é que Pernambucano de Mello transforma esse fato em algo determinante para explicar o cangaço, enquanto Cascudo propõe que o mesmo fato é fundamental para a existência da poética sertaneja nordestina de mitificação do cangaceiro
Honório de Medeiros - www.honoriodemedeirosblogspot.com.br
Conselheiro Cariri Cangaço
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20 DIA CONSIDERADO O DIA DO PADRE CÍCERO

Por Francisco Davi Lima

Hoje como é dia 20 considerado o dia do padre Cícero eu decidi fazer um desenho de seu rosto, pois eu considero esse padre como o cearense do século por sua grande manifestação tanto cultural como histórica.

Padre Cícero - Arte do Francisco Davi Lima

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JURITI O PÁSSARO HUMANO

Por José Mendes Pereira

Esse cangaceiro foi um dos que pagou caro pelas perversidades que praticou contra seres humanos. É claro que não devemos elogiar pessoas que vivem das maldades. Mas também não podemos aceitar que esses cruéis assassinos sejam maltratados de forma desumana. É o caso do Juriti, um assecla cheio de delinquências. Ninguém sabe o porquê de seu pensamento adverso em fazer somente o mal, coisa que só o pai celestial é quem sabe explicar.

O perverso não veio ao mundo marginal. Dedicou-se à marginalidade por falta de opção: escolas musicais, escolas de teatro, atletismo, cursos profissionalizantes, incentivo à leitura etc. Se isso um dia tiver franco, o jovem que não tem o que fazer, irá procurar participar da sociedade, juntando-se aos demais que pretendem ser alguém na vida.

 
Alcino Alves da Costa

O escritor Alcino Alves afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico", que o primeiro cangaceiro conhecido por Juriti, foi o João Soares, um assecla do bando dos marinheiro, agregado mais ou menos na década de vinte. Mas posteriormente, através de fazendeiro amigo, Lampião incorporou em seu respeitado bando o Manoel Pereira de Azevedo, cujo apelido ganhara "Juriti".   

Na madrugada do dia 28 de Julho de 1938, no momento da chacina lá na Grota do  Angico, no Estado de  Sergipe, Juriti e a sua companheira Maria, tiveram a sorte de se livrarem dos estilhaços de balas e conseguiram ludibriar o cerco.

Maria de Juriti e o escritor João de Sousa Lima - Foto do escritor

E sem condições de reagirem contra os policiais, embrenharam-se às matas, para ver se conseguiam uma distância e não serem pegos pelas volantes. Onze cangaceiros foram abatidos, inclusive o rei Lampião e a sua rainha Maria Bonita.

Após três meses do combate de Angico o cangaço quase todo fora enterrado juntamente com o rei Lampião, ficando apenas os bandos de:  Corisco e de Moreno.

 Corisco

Moreno

E cada um tomou o seu destino e a maioria foi para Jeremoabo, na Bahia, para se entregar às autoridades.         

O capitão Aníbal Vicente Ferreira comandante geral das forças de combate ao banditismo resolveu o problema dos remanescentes de Lampião com o coração, enterrando a razão juntamente com uma parte do  cangaço.

Centro - capitão Aníbal Vicente Ferreira

Ofereceu uma nova vida aos cangaceiros, assinou todos os documentos necessários à soltura, dando-lhes garantia de liberdade, encaminhando-os para se incorporarem novamente à sociedade.

Juriti foi um deles, que juntamente com Maria e o cangaceiro Borboleta (este sendo irmão do assecla Sabonete), entregaram-se as autoridades, sendo liberados. 

Mas o Juriti não sabia que alguém o procurava.

 
À direita, o primeiro 
é Sabonete irmão de Borboleta
 
Na década de quarenta, por má sorte de Juriti, o delegado de Canindé era o Amâncio Ferreira da Silva, um militar mais famoso daquela região, o sargento Deluz. Mesmo ele sabendo que o movimento social de cangaceiros havia se acabado, procurava com prazer os remanescentes de Lampião, só para exterminá-los.

Sargento Deluz

Em 1941, Deluz era proprietário de uma fazenda denominada Araticum. E nessa madrugada, Juriti estava em Pedra Dágua de rede armada e cachimbo aceso, na casa de um amigo, o Rosalbo Marinho. Assim que tomou conhecimento da presença de Juriti em Pedra Dágua, Deluz resolveu ir aprisionar o pássaro humano.

Juriti lhe disse que era um homem já liberado pela justiça, e não podia ser preso, uma vez que o capitão Aníbal havia lhe dado documento de soltura. Mas o delegado Deluz não quis saber disso. Prendeu-o e juntamente com os seus capangas, levaram o assecla com destino a Canindé, nas terras do Estado de Sergipe, arrastando o pássaro humano que logo iria morrer. 
          
Juriti sabia que não havia milagre, e não se cansava de chamá-lo de:  “Covardee!... Covarde!... Covard...! Cov...!” 
 
Ao chegarem a uma fazenda denominada Cuiabá, Deluz deixou a estrada e entrou na caatinga. Em uma capoeira, chamada Roça da Velhinha, fizeram uma fogueira.
 
Fogo pronto, os perversos jogaram o ex-bandido dentro do língua de fogo. As chamas famintas principiaram pelas vestes. Juriti sentindo as labaredas assando o seu corpo gritava de dor e ódio:

“Covardee!... Covarde!... Covard...! Cov...!” A sua voz foi sumindo como um eco bem distante, e em pouco tempo, o fogo assou o Juriti humano consumindo as suas carnes vivas.           

 Fonte de pesquisa: Lampião além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico.
-Alcino Alves da Costa.

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O FOGO DE SERRINHA DO CATIMBAU

Por Manoel Severo
João Caxeado, um dos defensores de Serrinha do Catimbau

Também na região do agreste pernambucano, o Rei do Cangaço; Virgulino Ferreira, encontrava abrigo e acolhida à sua epopéia nômade cangaceira. Fazendas nas vastas terras entre municípios como Bom Conselho, Águas Belas e Itaiba, traziam oportunamente momentos de descanso e ajuste de negócios entre o líder cangaceiro e seus protetores. Em uma dessas paragens junto ao poderoso coronel Zezé Abílio, lider político e maioral de Bom Conselho, possivelmente pode ter se iniciada a trama do terrível assassinato de José Gomes no sítio Queimada do André e o fogo de Serrinha do Catimbau, quando Maria Bonita é ferida.

Severo e Vilela em visita ao túmulo de Zé Gomes em Paranatama (Serrinha)

Detalhe na sepultura de Zé Gomes

Algumas versões são apresentadas para explicar os episódios daquele Julho de 1935; é Antônio Vilela, dedicado pesquisador de Garanhuns com excelente trabalho sobre a presença de Lampião no agreste pernambucano, que nos conta: "Algumas versões são apresentadas para a ação de Virgulino e seu grupo naquela época, mas a verdade é que o chefe cangaceiro estava em missão a serviço do Coronel Zezé Abílio; a princípio, naquele 20 de julho de 1935, foi até o sítio Queimada do André, ajustar uma conta que o fazendeiro José Gomes Bezerra possuia junto a Zezé Abílio; o fazendeiro conhecido pelos modos rudes e fortes, chegou até a afrontar com palavras o rei do cangaço, que sem titubear, ordenou a morte do mesmo."

 Fachada da Casa de Chiquito, centro de Serrinha

Destas casas partiram os tiros dos moradores de Serrinha

Detalhe da atual praça do fogo de Serrinha do Catimbau, à nossa esquerda a casa de Chiquito, à nossa direita o casário onde estavam os defensores. (Na época não havia a praça)

Continua Vilela: "A notícia do assassinato de João Gomes correu como rastro de pólvora pela redondeza, deixando em alerta as comunidades vizinhas; em Serrinha do Catimbau, cerca de uma légua do ocorrido, a população se organiza sob o comando de João Caxeado, inspetor de quarteirão e seu auxiliar Oséias Correia. De fato Lampião; ao lado de Cabo Velho, Medalha, Maçarico, Gato, Moita Brava e ainda Maria Bonita e Maria Ema, entram pelo principal arrudado do lugar. O chefe cangaceiro tinha endereço certo, novamente sob missão lhe confiada pelo Coronel Zezé Abílio, ruma célere à residencia do indivíduo Chiquito; que mantinha contas a ajustar com o poderoso coronel. A horda cangaceira não tem tempo de concluir seu intento, ao bater à porta da casa de Chiquito é surpreendida com saraivada de balas, vinda das casas situadas do outro lado da rua; no combate , Maria Bonita e Maria Ema foram baleadas e o cachorro Dourado morreu crivado de balas, obrigando o bando a fuga prematura", conta o pesquisador.

Manoel Severo.

[Cangaço na Bahia] 18 de maio de 1935, no “Diario de Noticias”

Por: Rubens Antonio

“Lampeão” não quer negocios com a policia da Bahia
Dois minutos de interessante palestra com as mulheres de Mariano e “Jurema”, chegadas, hontem, presas
A vida, para o banditismo, “no outro lado”, está melhor...

O DIARIO DE NOTICIAS offerece, hoje, aos seus innumeros leitores, a opprtunidade de uma entrevista com as mulheres de Mariano e “Jurema”, dois dos peores scelerados que teem palmilhado a zona escaldante e longinqua do nordéste bahiano.
São ellas Anna Maria da Conceição, com 23 annos de idade, mestiça, nascida nas Baixas, no município de Geremoabo, e Otilia Teixeira Lima, parda, de 25 annos, estatura média, procedente das caatingas de Poços, distante 15 leguas daquella cidade.
Fomos encontra–las, hontem, na delegacia Auxiliar. Momentos antes, haviam chegado do nordéste, pelo trem do horario, devidamente escoltadas por seis praças da Policia Militar.

Anna e Otilia

Como foi presa a primeira

Anna foi presa nas caatingas do logar denominado São José, tendo, nessa occasião, recebido dois tiros de fuzil, que lhe perfuraram os braços.
Estava ella em companhia de “Jurema”, “Beija–Flôr”, “Nevoeiro” e “Juremeira”, quando surgiu, inesperadamente, a força volante do sargento Vicente, que, de ha muito, vinha sequindo as pégadas do bando sinistro. Logo que viu os policiaes, “Jurema” rompeu cerrado tiroteio contra os mesmos, que, reagindo valentemente, puseram em fuga os cangaceiros. No embate, que durou poucos minutos, caiu ferida Anna Maria. “Jurema” quis, ainda, soccorre–la, mas, acossado pelas balas, teve que fugir, deixando a companheira nas mãos dos seus perseguidores.

A outra “descansava”...

Otilia estava com o bando de Mariano, na Fazenda “Mucambo”, junto com “Páo Ferro”, “Criança” e “Pai Velho”. Minutos após a chegada do grupo, dois cáibras fôram escalados para arranjar montadas na vizinhança. Foi quando appareceu, de surpresa, o contingente do sargento José Rufino, que, com 15 praças, vinha procurar pousada na alludida fazenda.
Reconhecendo os bandidos, a força entrou a tiroteiar contra os mesmos, pondo–os em fuga, depois de cerca de duas horas de fogo. Otilia estava descansando na casa da fazenda, quando começou a fuzilaria.
Receiosa de ser attingida pelos projectis, alli deixou–se ficar, sendo finalmente presa e conduzida para esta Capital, onde se encontra. Mariano, seu velho companheiro conseguiu, habilmente, cortar a rectaguarda da força, fugindo á chuva de balas que se despejava sobre elles.

Contando a sua vida...

– E ainda dois graças a Deus, de estar aqui! Pensei que a força me fuzilasse, no momento em que fui presa. Ha cerca de quatro annos, ingressei no bando de “Lampeão”. Por essa occasião, o “Capitão” andava lá pelo Raso da Catharina, acompanhado de José Bahiano, “Gato”, Pó Corante”, Mariano, “Bananeira”, “Volta Secca”, “Maçarico”, “Cajueiro”, “Balisa”, “Cabo Velho”, “Nevoeiro”, Luis Pedro, Virginio, “Suspeito” e “Medalha”. Viajava para Poços, com meus dois irmãos, quando deparei o bando do “Cégo”.
Mariano botou os olhos em cima de mim e me ordenou que o acompanhasse. Não tive outro jeito senão seguir. Juntei–me ás outras mulheres e comecei a andar pelo matto, sem pouso, passando fome e sêde, até o dia em que fui presa.

Como ciganos

– E como vivem os bandidos?
– Pelos mattos, dormindo hoje aqui, amanhã alli, comendo carne do sol e ás vezes, um pouco de farinha. Agua arranja–se nas raizes de umbú. Á noite, todos se deitam no chão e embrulham–se com as suas cobertas. Quem tem mulher dorme separado, debaixo de algum pé de paó... É uma vida desgraçada... – concluiu Otilia.
Anna Maria assistia á conversa, com o corpo descansando sobre os calcanhares.

Uma historia de amôr...

– Vivia com a minha familia nas Baixas, cerca de onze leguas de Geremoabo. Um dia, a força do tenente Macedo appareceu por lá e, sabendo aque alli moravam os parentes de “Jurema”, queimou tudo. Até as roças de feijão! Eu era noiva de um irmão de Jurema, que estava no bando de Lampeão, e tinha o mesmo appellido. Vendo–o, a força prendeu–o. E já iam longe, quando o meu noivo, conseguindo intimidar os dois soldados que o escoltavam, fugiu. No caminho, convidou–me para fugir com elle. Aceitei. Dias depois, estávamos no meio do bando de Lampeão. Quis voltar. Não tive mais jeito. Ordem era ordem. Tinha que acompanhar obando. Assisti a innumeros combates, durante estes tres ultimos annos.

... E o peior tiroteio

O peor, porém, – continúa – foi o de Maranduba, onde morreram “Sabonete”, “Quina–Quina” e “Catingueiro”. Foi um tiroteio que durou varias horas. Quase fiquei surda. Eramos seis mulheres e estavamos separadas do bando. Dois caibras ficavam de sentinella comnosco, sempre que havia um combate. Depois, com os córtes da rectaguarda, Lampeão abria caminho e assim podiamos fugir.

Lampeão luta como uma féra!

– E Lampeão vai tambem para a frente?
– Sim, senhor. Lampeão é uma féra. Não tem mêdo de nada. É o primeiro que atira e vai ba frente. Quando eu entrei no bando, Lampeão estava com duas marcas de bala. Uma, no pé, e outra no braço. Foi nessa occasião que “Gato” foi ferido tambem...

Falando sobre o “Capitão”...

– Queremos alguns informes sobre Lampeão...
– O Capitão é de estatura média, bem moreno e cabello castanho. Usa oculos amarellos, pois é cégo de um olho. Traja sempre uma roupa mescla, chapéo de couro e alpercatas. Carrega um mosquetão, uma “parabellum” e tres cartucheiras, além de varios bornaes cheios de bala. Atravessado na cintura, um grande punhal.

Não quer nada com a nossa Policia

Deixei elle agora do outro lado, com varios cáibras, pois a coisa está preta no nordéste.
– E onde é o outro lado?
– Lá, em Alagôas e Sergipe. As coisas lá não são como aqui. Vive–se mais tranquillo e mnos perseguido.
Estávamos satisfeitos.

A verdade, ainda uma vez...

Effectivamente, a situação do nordéste é outra, hoje. O bandido não tem para onde se mexer. Difficilmente, desloca–se de um ponto para outro. A sua acção tornou–se quase nulla. Vive, agora, passando uma vida de miserias...
As novas directrizes traçadas pelo Cap. João Facó e executadas pelos seus auxiliares, na campanha contra o banditismo, lograram, felizmente, verdadeiro exito.
Hoje, já se respira nas caatingas.
Não ha mais aquelle pavor de outr’ora, quando pairava nas caatingas o espectro sinistro da morte.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio
http://cangaçonabahia.blogspot.com

A CANOA DE JEREMIAS

Por Francisco de Paula Melo Aguiar
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A canoa de Jeremias
Era o único transporte
A usina, todos os dias
O Paraíba cheio, comporte.

Construída do miolo
De madeira de lei
Inversão do nado, cabriolo
Leva e trás gente de cada vez.

Passa rico e pobre também
Corta a água do Paraíba
De beira a beira como ninguém
Banho de gente afoita, pindaíba.

O jornal falado do dia
Era ouvido da boca do povo
Matraca da vida alheia corria
Bajulador, puxa-saco, balanço ovo.

Eram tantos os adjetivos
Ouvidos e levados para o patrão
Verdadeiro cheira curativos
Diga ai “seu menino” em atenção.

O coronel deitado na rede
Ouvia em silêncio seu operário
Comia, dormia e acordava com sede
O relatório do canoeiro diário.

A canoa de Jeremias era a independência
Sim! Um território fora da terra firme
Do massapé da Várzea sua existência
Senzala, lugar sem leis e pulso firme.

Enviado pelo autor

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CONVITE!

CONVITE A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró – ACJUS – através da sua diretoria executiva e de seus departamentos, vem CONVIDAR a Vossa Senhoria e Excelentíssima Família para a Sessão Solene que realizará no próximo dia 26/04/19 – a partir das 19h – quando serão empossados os acadêmicos JOSAFÁ INÁCIO DA COSTA (cadeira 47) e CHARLES LAMARTINE DE SOUZA FREITAS (cadeira 50), tendo como local as modernas instalações da Faculdade Católica do RN (Praça Dom João Costa, 511 - Santo Antônio, Mossoró - RN, 59611-120), sendo os novos acadêmicos, personalidades com notórios e relevantes serviços prestados a nossa cidade e ao Rio Grande do Norte, principalmente na área da cultural, da educação e da administração pública e privada. José Wellington Barreto Presidente

ASCRIM/PRESIDENCIA – CONFIRMAÇÃO E RETRANSMISSÃO AO CONVITE DA ACJUS-POSSE INSIGNES ACADÊMICOS JOSAFÁ INÁCIO DA COSTA (cadeira 47) e CHARLES LAMARTINE DE SOUZA FREITAS (cadeira 50).” - OF. Nº 004/2019.

MOSSORÓ-RN, 15 de ABRIL de 2019.

“REENVIADO A PEDIDOS”

“RECEBES ESTE EXPEDIENTE PORQUE A ASCRIM O(A)VALORIZA E RESPEITA, PELO ALTO NÍVEL DE QUEM TEM O PRESTÍGIO DE SER ASSIM CONSIDERADO(A).” 

   É PRAXE DESTA PRESIDÊNCIA, QUANDO OFICIALMENTE CONVIDADO(VIA EPISTOLAR OU ELETRÔNICA), TEMPESTIVAMENTE, DIGNAR-SE RESPONDER, EM TEMPO HÁBIL, AOS ECLÉTICOS CONVITES DOS, EXCELENTÍSSIMOS PRESIDENTES ENTUSIASTAS DE ENTIDADES LITERÁRIAS, EXEMPLO QUE NOTABILIZA O VIÉS DE UM DIRIGENTE INTELECTUAL CORRESPONDER A ESSE ECLETISMO, PORQUE SABE A DIFERENÇA ENTRE O LIAME DA PARTILHA E DO PRESTÍGIO QUE ASCENDE E CRESCE, NO INTERCÂMBIO DOS QUE RESPEITAM OS ABNEGADOS DEFENSORES DA CULTURA MOSSOROENSE.

   NESTA SINTONIA, UM CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS CULTURAIS/SOLENES E A CONFIRMAÇÃO, PERMUTADA, RECÍPROCA DOS PARTICIPANTES E ENTIDADES SINGULARES, MERECE E FUNCIONA COMO UM “FEEDER”, EVIDENTE, REPASSADO A TODOS OS ACADÊMICOS E INTEGRANTES DE SEUS CORPOS ADMINISTRATIVOS/SOCIAIS, PELO SEU PRÓPRIO DIRIGENTE, CUJO ESSE FEEDBACK ALIMENTA, NATURALMENTE, O FERVOR E A CONSIDERAÇÃO EM QUE SINGRAM OS INTELECTUAIS E SERVIDORES   DESSAS PLÊIADES.

   DESTA FORMA, AGRADECENDO PELO CONVITE AO EXCELENTÍSSIMO DR.JOSÉ WELLINGTON BARRETO, M.D. PRESIDENTE DA ACADEMIA DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS DE MOSSORÓ-ACJUS,  RESERVO-ME ATRIBUIR MESMO VALOR DE PARTILHA, DIZENDO QUE É UMA PROFUNDA HONRA  CONFIRMAR PRESENÇA A “SESSÃO SOLENE” QUE REALIZARÁ A PARTIR DAS 19H NO PRÓXIMO DIA 26/04/201919(SEXTA-FEIRA)” – QUANDO SERÃO EMPOSSADOS OS INSIGNES ACADÊMICOS JOSAFÁ INÁCIO DA COSTA (cadeira 47) e CHARLES LAMARTINE DE SOUZA FREITAS (cadeira 50).  

   DE IGUAL MODO CONFIRMO A PRESENÇA DA ACADÊMICA DIRETORA DE EVENTOS ARTÍSTICOS DA ASCRIM, MARIA GORETTI ALVES DE ARAÚJO.
    A REFERIDA SESSÃO SOLENE TERÁ COMO LOCAL AS MODERNAS INSTALAÇÕES DA FACULDADE CATÓLICA DO RN (PRAÇA DOM JOÃO COSTA, 511 - SANTO ANTÔNIO, MOSSORÓ - RN, 59611-120), SENDO OS NOVOS ACADÊMICOS, PERSONALIDADES COM NOTÓRIOS E RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS A NOSSA CIDADE E AO RIO GRANDE DO NORTE, PRINCIPALMENTE NA ÁREA DA CULTURAL, DA EDUCAÇÃO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA.
     PORTANTO, REPASSO, COM SATISFAÇÃO, O ASSUNTO DO ALVO CONVITE, DE IGUAL MODO, POR CÓPIA, A0S INSIGNES DIGNITÁRIOS ELENCADOS NO “POST SCRIPTUM”,-OS QUE DISPONIBILIZARAM, GENEROSAMENTE, SEUS ENDEREÇOS ELETRÔNICOS, POR SER DO INTERESSE, CLARO, DOS MESMOS-, TOMAREM CONHECIMENTO E DIGNAREM-SE, DO SEU MISTER, CONFIRMAR SUAS HONRADAS PRESENÇAS, JUNTAMENTE COM AS EXCELENTÍSSIMAS FAMÍLIAS CONSORTES.  
    CONCLAMANDO AOS ACADÊMICOS E POTENCIAIS CANDIDATOS DA ASCRIM, QUE COMPARECEREM E SE APRESENTAREM COMO TAIS NO EVENTO SUPRAMENCIONADO, DEVEM USAR, RESPECTIVAMENTE, O UNIFORME COMPLETO OFICIAL(PELERINE E MEDALHÃO) DA ASCRIMOU TRAJE A ALTURA, ATRIBUTO SIGNATÁRIO DO DECORO INTELECTUAL E ORGULHO DA MORAL QUE ASSIM OS IDENTIFICA, ENTRE OS PARES, EM ATIVIDADES CULTURAIS DESSA GRANDEZA.


SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-PRESIDENTE DA ASCRIM

P.S.: 1. CONSIDERANDO A ESSÊNCIA DA HUMANIDADE INTELECTUAL, INSERIDA NA REPRESENTATIVIDADE DE TODOS SEGMENTOS SOCIAIS ABAIXO RELACIONADOS, ENCAMINHA-SE ESTA CÓPIA ORIGINAL, EM CARÁTER PESSOAL DIRETO AOS  INSIGNES DIGNITÁRIOS:
  
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES GOVERNAMENTAIS, JURÍDICAS, MAÇONICAS E MILITARES.
REVERENDÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES RELIGIOSAS.
MAGNÍFICOS REITORES E AUTORIDADES DE UNIVERSIDADES.
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES E INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS.
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS E INSTITUIÇÕES CONGENERES.
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES EDUCACIONAIS E INSTITUIÇÕES CONGENERES.
ILUSTRÍSSIMO(A)S DIRIGENTES DE INSTITUIÇÕES FILANTRÓPICAS, EDUCACIONAIS E DE CIDADANIA.
ILUSTRÍSSIMO(A)S JORNALISTAS E COMUNICADORES.
DIGNOS ACADÊMICO(A)S DE ENTIDADES CULTURAIS E INSTITUIÇÕES CONGENERES
DIGNOS ACADÊMICO(A)S DA ASCRIM.
DIGNOS POTENCIAIS CANDIDATO(A)S A ACADÊMICO(A)S DA ASCRIM.

LEMBRETE: LEIAM O SITE PROVISÓRIO DA ASCRIM CLICANDO NO LINK https://assocescritoresmossoroenses.com/ (MATÉRIAS IMPORTANTES ENTRE OUTRAS: DETALHES DA ATIVAÇÃO DA ACADEMIA DOS ESCRITORES DA ASCRIM, POTENCIAIS CANDIDATOS A ACADÊMICOS,ETC


De: ACJUS - Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró
Enviado:segunda-feira, 15 de abril de 2019 16:30
Para: asescritm@hotmail.com 
Assunto: CONVITE E INFORMATIVO ACJUS


 José Wellington Barreto
Presidente da ACJUS
Contatos: (84) 98868-4824 / 99917-5970                        

Facebook: ACJUS - Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró
Twitter: @acjus2
Endereço: Alameda das Oiticicas, 17 - Conj. Urick Graff - Bairro Costa e Silva
Mossoró-RN                       CEP: 59.625-440

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