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terça-feira, 14 de março de 2023
LIVRO
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Por Luma Hollanda
Gratidão a Deus e a todos que compareceram ao lançamento do meu 3⁰ livro, na Livraria do Luiz. "Lugares de Memória" do Cangaço, reuniu familiares e amigos que estavam tão distantes! Um beijo no coração de cada um.
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LIVRO
Por José Bezerra Lima Irmão
Diletos amigos estudiosos da saga do Cangaço.
Nos onze anos que passei pesquisando para escrever “Lampião – a Raposa das Caatingas” (que já está na 4ª edição), colhi muitas informações sobre a rica história do Nordeste. Concebi então a ideia de produzir uma trilogia que denominei NORDESTE – A TERRA DO ESPINHO.
Completando a trilogia, depois da “Raposa das Caatingas”, acabo de publicar duas obras: “Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste” e “Capítulos da História do Nordeste”.
Na segunda obra – Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste –, sistematizei, na ordem temporal dos fatos, as arrepiantes lutas de famílias, envolvendo Montes, Feitosas e Carcarás, da zona dos Inhamuns; Melos e Mourões, das faldas da Serra da Ibiapaba; Brilhantes e Limões, de Patu e Camucá; Dantas, Cavalcanti, Nóbregas e Batistas, da Serra do Teixeira; Pereiras e Carvalhos, do médio Pajeú; Arrudas e Paulinos, do Vale do Cariri; Souza Ferraz e Novaes, de Floresta do Navio; Pereiras, Barbosas, Lúcios e Marques, os sanhudos de Arapiraca; Peixotos e Maltas, de Mata Grande; Omenas e Calheiros, de Maceió.
Reservei um capítulo para narrar a saga de Delmiro Gouveia, o coronel empreendedor, e seu enigmático assassinato.
Narro as proezas cruentas dos Mendes, de Palmeira dos Índios, e de Elísio Maia, o último coronel de Alagoas.
A obra contempla ainda outros episódios tenebrosos ocorridos em Alagoas, incluindo a morte do Beato Franciscano, a Chacina de Tapera, o misterioso assassinato de Paulo César Farias e a Chacina da Gruta, tendo como principal vítima a deputada Ceci Cunha.
Narra as dolorosas pendengas entre pessedistas e udenistas em Itabaiana, no agreste sergipano; as façanhas dos pistoleiros Floro Novaes, Valderedo, Chapéu de Couro e Pititó; a rocambolesca crônica de Floro Calheiros, o “Ricardo Alagoano”, misto de comerciante, agiota, pecuarista e agenciador de pistoleiros.
......................
Completo a trilogia com Capítulos da História do Nordeste, em que busco resgatar fatos que a história oficial não conta ou conta pela metade. O livro conta a história do Nordeste desde o “descobrimento” do Brasil; a conquista da terra pelo colonizador português; o Quilombo dos Palmares.
Faz um relato minucioso e profundo dos episódios ocorridos durante as duas Invasões Holandesas, praticamente dia a dia, mês a mês.
Trata dos movimentos nativistas: a Revolta dos Beckman; a Guerra dos Mascates; os Motins do Maneta; a Revolta dos Alfaiates; a Conspiração dos Suassunas.
Descreve em alentados capítulos a Revolução Pernambucana de 1817; as Guerras da Independência, que culminaram com o episódio do 2 de Julho, quando o Brasil de fato se tornou independente; a Confederação do Equador; a Revolução Praieira; o Ronco da Abelha; a Revolta dos Quebra-Quilos; a Sabinada; a Balaiada; a Revolta de Princesa (do coronel Zé Pereira),
Tem capítulo sobre o Padre Cícero, Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, o episódio da Pedra Bonita (Pedra do Reino), Caldeirão do Beato José Lourenço, o Massacre de Pau de Colher.
A Intentona Comunista. A Sedição de Porto Calvo.
As Revoltas Tenentistas.
Quem tiver interesse nesses trabalhos, por favor peça ao Professor Pereira – ZAP (83)9911-8286. Eu gosto de escrever, mas não sei vender meus livros. Se pudesse dava todos de graça aos amigos...
Vejam aí as capas dos três livros:

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LIVRO
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QUEM MATOU DELMIRO GOUVEIA ?
Por Gilmar Teixeira
LAMPIÃO ENCONTRA VOLTA SECA (PARTE 1) | CNL | #341
Por O Cangaço na Literatura
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A MORTE DE VOLTA SECA | O CANGAÇO NA LITERATURA #140
Por O Cangaço na Literatura
https://www.youtube.com/watch?v=WRIXw8ogyqQ&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteraturahttp://blogdomendesemendes.blogspot.com
A HISTÓRIA DE “YOLANDA”, SUCESSO NA VOZ DE PABLO MILANÉS E CHICO BUARQUE
Por Fernando miller

O texto abaixo foi publicado originalmente no blog História pelos Cantos pelo jornalista Robson Leite, em 19 de setembro de 2021 e republicado em 22 de novembro de 2022 por ocasião da morte de Pablo Milanés.
Duas que são uma.
“Yolanda” é a original, enquanto que “Iolanda” é a versão brasileira. Por trás dessas canções, dois gênios da música latino-americana: Pablo Milanés e Chico Buarque. Vou contar primeiro quem é essa mulher que inspirou versos tão apaixonados e depois explico como que o Chico entrou nessa história.
Produtora de cinema e TV em Cuba, Yolanda Benet era a esposa de Pablo em 1970. Ela acabara de dar à luz Lynn, a primeira filha do casal. Mas o cantor e compositor não pode estar presente ao parto por causa do trabalho. Milanês tinha apresentações agendadas longe de Havana.
Foram apenas alguns dias longe da família. Mas a saudade da esposa e a vontade de estar ao lado dela naquele momento tão especial, inspiraram o poeta. E, quando finalmente retornou, tinha escrito uma das canções mais lindas e românticas do mundo.
Esto no puede ser no mas que una canción
Quisiera fuera una declaración de amor
Romantica sin reparar en formas tales
Que ponga freno a lo que siento ahora a raudales
Te amo
Te amo
Eternamente te amo
Si me faltaras no voy a morirme
Si he de morir quiero que sea contigo
Mi soledad se siente acompañada
Por eso a veces se que necesito
Tu mano
Tu mano
Eternamente tu mano
Cuando te vi sabia que era cierto
Este temor de hallarme descubierto
Tu me desnudas con siete razones
Me abres el pecho siempre que me colmas
De amores
De amores
Eternamente de amores
Si alguna vez me siento derrotado
Renuncio a ver el sol cada mañana
Rezando el credo que me has enseñado
Miro tu cara y digo en la ventana
Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Eternamente Yolanda
O casamento não durou muito, cinco anos somente. Mas a canção taí, até hoje, fazendo muita gente suspirar. Em entrevista à Marie Claire brasileira, Benet deu o seguinte depoimento:
“Conheci Pablo na casa de um amigo comum, em Havana. Eu tinha 23 anos e era continuísta de cinema. Casualmente, três dias depois começamos a trabalhar juntos em um filme e nos apaixonamos. Pablo compôs Yolanda quando nossa primeira filha tinha dez dias. Ficou chateado por ter de viajar.”

“Quando regressou, trouxe a canção. Eu estava com Linn nos braços, dando-lhe o peito, e ele me disse: ‘Olha o que fiz para você’. Pegou o violão e cantou ‘Yolanda’. (…) Pensei que aquela canção era algo íntimo, que só eu poderia compreender o que Pablo estava dizendo. Mas parece que ele fez com tanto amor que todos são capazes de entender (…)”

Pablo Milanés é um dos cantores e compositores mais influentes de Cuba. Foi um dos precursores do movimento Nueva Trova ao lado de músicos alinhados a temas políticos e sociais, conectados a movimentos populares no Chile, Argentina e também no Brasil.
Nesse contexto, conheceu Chico Buarque.
O brasileiro fora a Cuba como convidado pela Casa de las Americas para ser jurado num concurso literário. Ficaram amigos e passaram a gravar canções e mesmo versões de canções um do outro.
Marcando mais uma passagem de Pablo pelo Brasil em 2014, o Correio Brazilense relembrou Chico em Cuba: “sentou-se ao lado do colombiano Gabriel García Márquez e de outros intelectuais latinos. Na plateia, a então esposa Marieta Severo acompanhava o evento. Pouco depois, de volta ao Brasil, Chico e Marieta foram detidos pela polícia e obrigados a prestar esclarecimentos acerca daquela visita(…)”
Em 1978, Milton Nascimento e Chico Buarque gravaram “Canción por la Unidad Latinoamericana” que foi incluída no disco “Clube da Esquina 2”.
Buarque também gravaria “Como se Fosse a Primavera”, em espanhol e numa versão em português dele mesmo, com a participação do próprio Milanés.
Só em 1984 finalmente surgiu uma versão em português para “Yolanda”. A letra de Chico é bem fiel à proposta original de Pablo Milanés em fazer uma declaração de amor à então esposa. Pra facilitar, por aqui ficou “Iolanda”, com “I” mesmo.
E a primeira gravação saiu num disco da cantora Simone.
Foi em “Desejos” (1984) que ela e Chico gravaram um dueto memorável e apresentaram ao público toda beleza da poética de Pablo, com uma tradução quase fiel e com a sensibilidade costumeira de Chico Buarque de Hollanda.
Uma ou outra palavra foram alteradas para soar melhor em português.
Foi um sucesso imediato. Em entrevista a um programa de TV, Simone revelou que “Iolanda” não sai do repertório dos shows dela desde então. A cantora disse ainda que considera a versão de Chico mais bonita que a letra original.
“Iolanda” cativou tanto o público que tornou-se a canção a mais executada de todo repertório de Chico Buarque.
Pablo Milanés veio diversas vezes ao Brasil, gravou inclusive disco por aqui. Em 1986, fez uma aparição inesquecível no global “Chico & Caetano”. Como não poderia deixar de ser, ele e o filho do seu Sérgio cantaram juntos o grande sucesso de suas vidas.
A canção foi regravada por artistas de diversos países, como Guadalupe Piñeda (México), a Orquestra Guaycán (Colômbia) e ainda a Danza Invisible (Espanha). No Brasil também houve regravações marcantes.
Há uma muito bonita de Ney Matogrosso em 1998, incluída no DVD da turnê do cantor pelo Brasil em 2019.
Outra regravação muito lembrada é a dos sertanejos Christian & Ralph que está no show Acústico (CD e VHS) da dupla, também de 1998, mas que seria relançado em DVD em 2004.
Por essas e outras, é que a tal da “Yolanda” não sai da nossa cabeça.
LUCAS DA FEIRA
1822 - Lucas da Feira, filho de escravos, aos 15 anos foge e passa a viver escondido no mato. Chegou a formar um bando com cerca de 30 homens.
– Fonte: http://www2.uol.com.br/lampiao/
1848 - Lucas da Feira, ao ser preso, é levado à Corte Imperial, a pedido de D. Pedro II, que desejava conhecê-lo antes que fosse enforcado em Feira de Santana (BA).
– Fonte: http://www2.uol.com.br/lampiao/
1848 – Em
28 de Janeiro foi preso o cangaceiro Lucas da Feira, o Nego Lú. Posteriormente
foi julgado e condenado à morte em forma de
enforcamento. - Fonte: http://portaldocangaco.blogspot.com
* - 1849 - Em 23
de Janeiro, após ter sido alvejado com um tiro no braço, o
perigoso e afamado cangaceiro Lucas da Feira foi preso. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_de_Santana
* - 1849 -
Em 25 de Setembro Lucas da Feira, o mais célebre bandido de seu tempo, foi
enforcado num patíbulo erguido no campo do gado de Feira de Santana.
https://livrista.com.br/livros/impresso-capitao-lucas-da-feira-maxado-franklin-nordestino
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INFORMAÇÃO IMPORTANTE AO LEITOR!
Por José Mendes Pereira
Segundo informação que adquiri em minhas simples pesquisas sobre cangaço e outros assuntos (não disponho da fonte, vez que esta está por alguns anos adormecida em meu desorganizado acervo), o médico Dr. Octacílio Macêdo ficou famoso ele e a entrevista que conseguiu com o capitão Lampião, quando esteve em Juazeiro do Norte em março de 1926, na cidade de Juazeiro do Norte. Era excelente orador e jogador profissional de baralho, mas a sua grande vocação e paixão mesmo era o jornalismo.
Patrono da cadeira nº 13 do Instituto Cultural do Cariri. Foi a melhor entrevista concedida pelo famoso cangaceiro. Os irmãos Macedo tinham mesmo uma tendência a envolver-se com o Lampião.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
segunda-feira, 13 de março de 2023
IMPRESSÕES QUE CONSTRUIRAM A HISTÓRIA A RESISTÊNCIA FÍSICA DOS HOMENS DO CANGAÇO
Artigo de Luiz Luna, publicado no Diário de Notícias (RJ) em 09/07/1961
O que impressiona nesses homens (tanto soldados como cangaceiros) é a extraordinária resistência física. Levando vida de nômade, vencendo quilômetros e quilômetros na caatinga adusta, subindo e descendo serras e tabuleiros, enfrentando e dominando a hostilidade violenta dos carrascais agressivos, resistiam a tudo. Não consta (procuramos, inclusive, investigar o caso, através de depoimentos de participantes e contemporâneos) que um só cangaceiro ou soldado das “volantes” houvesse morrido de outra enfermidade, a não ser em consequência de bala.
Muitos, porém, entre eles o próprio Lampião, diversas vezes alvejado, sobreviveram aos ferimentos, alguns graves, sem contudo receberem assistência médica adequada.
Os meios de tratamento e as condições de higiene eram, como se pode imaginar, os mais precários e rudimentares. Na época, desconhecia-se o poder das sulfas e dos antibióticos e os cangaceiros, por sua vez, não se davam ao luxo de procurar médicos ou mesmo farmacêuticos para curar as suas feridas. O tratamento fazia-se entre eles, com o conhecimento que tinham de medicina caseira e outros que as necessidades ensinavam. Para estancar o sangue, usavam pó de café, mofo e até excrementos de gado empregavam para fazer sarar os ferimentos. Ervas ditas medicinais, que brotam espontaneamente nos baixios e vazantes, eram largamente usadas.
Havia também as rezas, invocadas profusamente para curar todos os males do corpo e da alma. Os curandeiros proliferavam por toda a zona sertaneja, como de resto acontecia em todo o Nordeste, sempre desprovido de assistência médica. Curiosos, dotados de extraordinário dom de improvisação e imitação do homem nordestino, encontram-se com facilidade em todos os recantos da região. Lampião mesmo era um deles. Servia de parteiro às mulheres do bando, como já assinalamos neste trabalho, e também encanava braços e pernas, fazia pequena cirurgia e tratava dos ferimentos dele e dos companheiros.
Eram, pois, fisicamente fortes os homens envolvidos nas lutas do cangaço e isso está comprovado pela resistência orgânica que demonstraram em tantos anos de campanha cruenta. Tanto os cangaceiros como os soldados das “volantes” eram, em geral, tipos longilíneos, magros, mas de compleição atlética. Os tipos brevilíneos do litoral e da zona da mata, quando alistados na Polícia Militar, nunca eram destacados para as forças “volantes”, integradas de preferência por homens da área sertaneja, mesmo porque muitos deles se tornavam soldados com o fim deliberado de perseguir cangaceiros, por motivos de vingança, decorrentes, da maioria das vezes, de brigas entre famílias. Muitos desses soldados, homens bravos e decididos, atingiram o oficialato, como é o caso do coronel Manuel Neto, major Manuel Flor, capitão Guedes e tantos outros, cujas promoções se deram sempre por atos de bravura.
Naturalmente que a alimentação sóbria e mais sadia do que a dos nordestinos das demais zonas, influiu de modo considerável na resistência orgânica do homem do sertão. Talvez repouse nisso o segredo da resistência física do cangaceiro e do soldado das “volantes” ao enfrentarem condições tão adversas em suas constantes lutas e andanças.
Não nos consta que houvesse um cangaceiro ou um soldado (pelo menos nunca os vimos nem os soubemos assim) que apresentasse o tipo adiposo que geralmente encontramos na área do açúcar ou que apresentasse, como é comum na faixa verde dos canaviais, sintomas de certas doenças, que costumam deixar as marcas da sua destruição nas pernas inchadas, no ventre empanzinado (a chamada “barriga” d’água) ou nas feridas, como “boba” e “boqueira”, enfermidades facilmente encontradas na população do Nordeste açucareiro. No sertão, não se vê o tradicional homem pequeno e amarelo do litoral e da zona da mata, de pernas bambas e barriga grande, que o folclore glosou na faixa rural do município de Goiana, em Pernambuco:
“Amarelo de Goiana
Come sapo com banana.”
O sertanejo é um tipo delgado e enxuto e assim foram os homens que se envolveram nas campanhas do cangaço.
Soldados e cangaceiros comiam a mesma comida do sertão, na base do milho e da carne, do leite e da rapadura. Fruta quase não entra na dieta dos sertanejos e muito menos verdura, que ele mesmos costumam dizer que “homem não é coelho para comer folhas”. Os cangaceiros, mais do que os soldados, em vista da ilegalidade da vida que levavam, lutavam com maior dificuldade no setor da alimentação. Como verdadeiros nômades, hoje aqui, amanhã acolá, carregavam o alforje de alimentos, juntamente com o rifle e o bornal de balas. No alforje, levavam carne de sol, geralmente de bode, carne de charque, farinha de mandioca e rapadura; café, bolachas, milho pilado e requeijão, que comiam cru ou assado. Associando o milho ao leite, faziam o cuscuz e o angu e, ao fruto do umbuzeiro, a “umbuzada”, alimento muito apreciado no sertão nordestino.
Nos armazéns e nas feiras, das vilas por onde passavam, nas casas-grandes das fazendas e nos “coitos”, que os acolhiam, faziam a provisão para a boca e para o rifle. Nos bons “coitos”, regalavam-se.
Comiam carne fresca de boi, de cabrito ou de carneiro e secavam ao sol o restante para o sustento nas caminhadas incertas. Das vísceras do cabrito ou do carneiro, preparavam as deliciosas “buchadas”, que comiam acompanhadas de alguns tragos de aguardente, vinho e cerveja quando encontravam. Mas, com moderação, pois cangaceiro não podia se exceder em bebidas, diante dos perigos a que estavam expostos e que exigiam de sua parte toda atenção e precaução. Lampião, que era infenso ao álcool, mantinha os cangaceiros no regime de pouca bebida e punia severamente os que se excediam.
Com carne e leite frescos, queijo e coalhada, comidos nas fazendas amigas, durante os dias de descanso, os cangaceiros restauravam as energias para novas caminhadas e novos combates. Curioso é que muitos preferiam o leite de cabra ao de vaca e alguns até o de ovelha, que diziam “dar mais sustança e disposição ao corpo”.
Acontece que com uma alimentação, aparentemente sem substância, cangaceiros e soldados das “volantes” conseguiram sobreviver às enfermidades que a carência alimentar provoca. Nas fases de maior perseguição, quando não conseguiam se locomover com a relativa facilidade rotineira completavam a dieta com raízes e frutos silvestres, especialmente o piqui e o umbu, sendo que a raiz do umbuzeiro ainda lhes mitigava a sede, dada a grande porcentagem de água, que contém. Não comiam tanto açúcar nem se empanturravam de gordura como os homens do Nordeste açucareiro. Com alimentação enxuta, pobre dos molhos que dão sabor especial à cozinha das casas-grandes dos engenhos, mas capaz de equilibrar, relativamente, o metabolismo basal, o cangaceiro, como acontece com todos os sertanejos, conservava o organismo em condições de resistir às constantes perdas de energias, que as suas ingentes atividades provocavam.
Ao pressentirem a época das grandes estiagens, procuravam locais mais favorecidos, principalmente na região sanfranciscana de Sergipe, onde a seca custa a chegar e, assim, nos “coitos”, que consideravam seguros, aguardavam melhores dias para novas investidas no coração sertanejo. Foi depois de um descanso desses, que Lampião e seus cabras entraram em Queimadas, no sertão da Bahia.
Transcrito por Antonio Correia Sobrinho
EX-CANGACEIRA VISITOU ARACAJU ARISTÉIA NAS ONDAS DO RÁDIO
| Aristéia aos 98 aninhos, toda prosa, intima do microfone. |
Após três dias de estrelato e assédio no "21º Cine Ceará" a ex-cangaceira Aristéia volta pra casa. Mas Aracaju estava no caminho e acompanhada pelo seu filho e nora, desceram do avião pra dar uma entrevista.
Fui recepcionar a comitiva, pois antes de tomarem o rumo de Delmiro Golveia/AL tínhamos um plano de rota que já vinha se estendendo por mais de três meses - parece que agora ia... Mas inda não foi desta vez...
Se a participação de nossa musa Neli já foi um estouro de audiência que dirá a presença de uma ex-cangaceira.
E não deu outra. Portas abertas e tapete vermelho para Aristéia e João de Sousa, além da participação especial do nosso confrade Dr Archimedes Marques, Delegado de polícia e mantenedor do sitio 'O cangaço em foco'. que foi intimado a comparecer aos estúdios para conhecer pessoalmente a personagem e inclusive para nos conhecermos pessoalmente.
Aristeia que por razões de cansaço bateu o pé na porta de emissora - Eu quero é ir simbora, quase destruiu as esperanças dos locutores.
Mas foi convencida pelo filho Pedro e em poucos minutos lá estava ela, desfilando pelos corredores e atraindo a curiosidade dos funcionários.
O bate papo durou uma hora e meia. E pra quem não era muito de falar... Aristéia surpreendeu a própria família, riu dos elogios feitos pelo radialista Tuca, fez rir, e resumiu sua participação de 6 meses no subgrupo de Virgínio.
jornalista da Agência Sergipana de Notícias.








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